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Auto da Barca do Inferno: Uma Análise da Obra de Gil Vicente, Resumos de Teatro

Monólogo do Vaqueiro foi encenada por ocasião do nascimento do príncipe, futuro. D. João III, inaugurando o teatro português.

Tipologia: Resumos

2023

Compartilhado em 17/01/2023

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Auto da Barca do
Inferno
Gil Vicente
Sobre o autor
Nasceu em 1454 ou 1466 em
Guimarães(?) e morreu entre 1536 e 1540.
É o maior dramaturgo português, pertence
ao primeiro Renascimento.
Sua primeira peça. O Auto da Visitação ou
Monólogo do Vaqueiro foi encenada por
ocasião do nascimento do príncipe, futuro
D. João III, inaugurando o teatro português.
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Auto da Barca do

Inferno

Gil Vicente

Sobre o autor

 Nasceu em 1454 ou 1466 em Guimarães(?) e morreu entre 1536 e 1540.

 É o maior dramaturgo português, pertence ao primeiro Renascimento.  Sua primeira peça. O Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro foi encenada por ocasião do nascimento do príncipe, futuro D. João III, inaugurando o teatro português.

 Viveu em um contexto marcado por grandes descobertas e, ao mesmo tempo, pelo ambiente palaciano, medieval, religioso, conservador.

 Enquanto o restante da Europa vivia a ascensão da burguesia e a Idade Moderna, Portugal se debatia entre mercadores e senhores que não aceitavam a agonia do Feudalismo.(Benjamin Abdala Junior)

Características da obra vicentina

 Primeiro a priorizar o texto literário em detrimento da cenografia e do espetáculo.  Cultura teológica, expressa uma concepção teocêntrica numa época de transformações.  O homem de seu tempo é seu objeto de preocupação, indivíduos de qualquer categoria social, pois vivem em um contexto em que os costumes se degradam

Considerações sobre o Auto da Barca

do Inferno

 A obra busca sistematizar a ética de seu tempo, com a alegoria de um julgamento após a morte, de que participam o Diabo e o Anjo e as almas se defrontam com seu destino na eternidade. As condenações e absolvições seguem um rígido código moral e cristão, recheado de humor e sarcasmo.(Ivan Teixeira)

Alegoria

 Representação de uma ideia abstrata, um tipo social ou uma entidade espiritual por meio de uma personagem. (Francisco Achcar)  Na obra, tais figuras alegóricas compõem um quadro crítico da sociedade portuguesa da época. A crítica de Gil Vicente não se dirige às instituições em si mesmas, mas aos indivíduos que as corrompem.

Organização das cenas

 Sucessão de quadros que não se ligam por causa e efeito: o Diabo e o Anjo decidem o destino das almas que representam classes ou grupos sociais.

Linguagem

 As personagens falam um português variadíssimo: vulgar, médio, elegante, erudito, arcaico.

 Cada uma usa formas de linguagem próprias de seu meio social.(Achcar).

 Barca do Diabo: aplicados à obtenção de vantagens, mas são cheios de alegria terrena. Carregam consigo objetos que simbolizam os pecados cometidos, demonstrando seu apego às coisas materiais.

Fidalgo

 Primeiro a chegar, D. Anrique é condenado pela arrogância, presunção e tirania. Leva consigo o pajem, a cauda do manto e a cadeira (símbolos de nobreza). Descobre que fora traído pela amante e que seu pai também fora para o inferno.

Onzeneiro

 Usurário, agiota, muito apegado ao dinheiro, ao lucro, leva a bolsa de dinheiro, agora vazia, é condenado.

Parvo, Joane

 O bobo, simples, sem malícia, apesar dos xingamentos e palavrões que profere. É aceito na barca do Anjo. É uma das poucas personagens que volta à cena depois de absolvida ou condenado, efetuando críticas aos condenados.

Brísida Vaz

 Alcoviteira/caftina, leva um baú com himens postiços e outros feitiços para prostituição. Evoca ao anjo o fato de ter ajudado os padres em seus prazeres carnais, comparando-se a Santa Úrsula. Vai para o inferno.

Judeu

 Retrata os fortes preconceitos da época, traz o bode (insígnia da religião judaica), insistindo em embarcar com ele. É recusado nas duas barcas, acaba indo a reboque na barca do Diabo.

 Nem o Anjo nem o Diabo apresentam argumentos para a recusa ao judeu, apenas o preconceito religioso.

Corregedor, Procurador e Enforcado

 Simbolizam a burocracia e a corrupção pelas vias legais. O corregedor leva autos, o procurador, livros e o enforcado, a corda no pescoço. Este é o ladrão que rouba sem vantagens, instrumento dos mais espertos, manipulado.Todos condenados.

Quatro Cavaleiros Cruzados

 Vão para o céu como mártires da Igreja, morreram lutando pela fé cristã, em poder dos mouros, no norte da África (Cruzadas).