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Automação e Desemprego, Manuais, Projetos, Pesquisas de Economia

Artigo de pesquisa bibliográfica

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2013

Compartilhado em 19/11/2013

Pamela87
Pamela87 🇧🇷

4.5

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O advento da automação: reflexos sobre a qualificação, nível de
emprego e condições de trabalho
Ellen Fonseca de Assis¹
Resumo
Este artigo faz uma análise sobre o desenvolvimento contínuo da automação e os reflexos
sociais e econômicos que decorrem da mesma. As mudanças, vantagens e desvantagens,
ocasionadas pela sua utilizaçao em diversos setores da economia e as controvérsias entre
autores.Alguns defedem que a automação tem contribuído para a redução do mero de
empregos .Outra linha de pensamento diz que apesar de ser capaz de substituir a mão-de-
obra humana, as evoluçoes tecnológicas geram muitos empregos em outras áreas,
observado que ela exige maior nível de qualificaçao em tarefas como a operação suporte a
essas máquinas e os sistemas que são intrínsecos à elas.²
Palavras chave: Automação, mercado de trabalho, desemprego estrutural, qualificação.
1. Introdução
Sob uma perspectiva histórica o processo de mecanização não muda somente as
formas de produção, mas o modo de vida de toda a sociedade. Nesse contexto social, antigos
camponeses e artesãos formam uma nova classe de operários. Essas pessoas agora, não
possuem mais seus meios de produção e tem como única alternativa de sobrevivência, a
venda de sua força de trabalho para o capitalista. Essa relação de dependência se estende até
o mundo moderno.
Com a constante evolução da automação tornou se em grande parte das vezes, mais
vantajoso para o empresário substituir o trabalho humano pelo trabalho automatizado, capaz
de obter melhor desempenho e eficiência nas tarefas, reduzindo assim os custos de produção.
A confiabilidade e vantagens de produtividade aferida a esses equipamentos têm
preocupado parte da sociedade ao longo dos anos. Até que ponto a automatização poderia
substituir a mão-de-obra humana e gerar desemprego? Sua utilização poderia em algum
aspecto beneficiar o trabalhador?
Estudante de Graduação 6º. semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia Unifal-mg:
²Trabalho realizado em julho de 2011.
2. Análise histórica dos métodos de produção
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O advento da automação: reflexos sobre a qualificação, nível de

emprego e condições de trabalho

Ellen Fonseca de Assis¹

Resumo

Este artigo faz uma análise sobre o desenvolvimento contínuo da automação e os reflexos sociais e econômicos que decorrem da mesma. As mudanças, vantagens e desvantagens, ocasionadas pela sua utilizaçao em diversos setores da economia e as controvérsias entre autores.Alguns defedem que a automação tem contribuído para a redução do número de empregos .Outra linha de pensamento diz que apesar de ser capaz de substituir a mão-de- obra humana, as evoluçoes tecnológicas geram muitos empregos em outras áreas, observado que ela exige maior nível de qualificaçao em tarefas como a operação suporte a essas máquinas e os sistemas que são intrínsecos à elas.²

Palavras chave: Automação, mercado de trabalho, desemprego estrutural, qualificação.

1. Introdução Sob uma perspectiva histórica o processo de mecanização não muda somente as formas de produção, mas o modo de vida de toda a sociedade. Nesse contexto social, antigos camponeses e artesãos formam uma nova classe de operários. Essas pessoas agora, não possuem mais seus meios de produção e tem como única alternativa de sobrevivência, a venda de sua força de trabalho para o capitalista. Essa relação de dependência se estende até o mundo moderno.

Com a constante evolução da automação tornou se em grande parte das vezes, mais vantajoso para o empresário substituir o trabalho humano pelo trabalho automatizado, capaz de obter melhor desempenho e eficiência nas tarefas, reduzindo assim os custos de produção.

A confiabilidade e vantagens de produtividade aferida a esses equipamentos têm preocupado parte da sociedade ao longo dos anos. Até que ponto a automatização poderia substituir a mão-de-obra humana e gerar desemprego? Sua utilização poderia em algum aspecto beneficiar o trabalhador?

Estudante de Graduação 6º. semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia Unifal-mg: [email protected] ²Trabalho realizado em julho de 2011.

2. Análise histórica dos métodos de produção

O processo de evolução das ferrramentas de trabalho ocorreram antes mesmo da Revolução Industrial. Ao longo do tempo os indivíduos inventaram e aprimoraram ferramentas com o objetivo de facilitar as tarefas que executavam, tendo em vista que elas eram indispensáveis à sua sobrevivência. Além da facilidade, elas possibilitavam ao produtor maior controle da qualidade do que produziam.

O homem possui uma tendência a procurar recursos que facilitem ou aumentem sua produtividade, que agregue eficiência ao seu trabalho.

A arte de controlar é tão antiga quanto as necessidades humanas de desenvolver seus próprios sentidos. Mesmo não dispondo de grandes tecnologias, o homem mantinha a qualidade em seus artefatos e desenvolvia projetos eficazes direcionados ao controle de suas exigências. (SILVEIRA; SANTOS, 2002)

É necessário observar que cada invenção utilizada pela sociedade na produção causaram conseqüências que também abrangeram o modo de vida das pessoas e a organização social do trabalho. Esses reflexos apresentaram vantagens e também desvantagens à determinada parcela da população. Até a Idade Média as pessoas utilizavam em seus trabalhos ferramentas primitivas, o trabalho braçal era intenso, com o auxilio de força animal aravam a terra e faziam o transporte de pessoas e mercadorias. Os produtos eram manufaturados e as estruturas de produção

A revolução Industrial teve inicio na Inglaterra, em meados do século XVIII. Caracterizou-se basicamente, pela introdução de máquinas simples que surgiram para a substituição da força muscular pela mecânica e tarefas repetitivas executadas pelo homem. Com efeito, essas atividades produtivas passaram por uma evolução mais rápida, dando origem na Inglaterra à era Industrial. (SILVEIRA; SANTOS, 2002)

. Com o início da Revolução Industrial no século XIX, as mudanças tecnológicas aliadas à produção ocorreram de forma mais intensa, e em conseqüência disso a sociedade sofreu grande reestruturação em seu modo de vida e organização de trabalho. Esse período teve como principal característica a separação de classes sociais entre aqueles que dispunham de meios de produção como máquinas e fábricas (capitalistas) e a outra classe desprovida de qualquer bem de capital (proletariado). A classe que não possuía bens de capital, tinha como único meio de sobrevivência vender sua força de trabalho aos capitalistas. A intensa mecanização ocorrida nesse período modificou de forma irreversível o trabalho e junto com ele a organização social.

David Ricardo foi um dos primeiros economistas a fazer análises mais aprofundadas sobre o assunto. Em seu livro “Princípios de Economia Política e Tributação” ele traz uma reflexão sobre a maquinaria seus efeitos na economia “embora eu acredite não ter publicado nada sobre a maquinaria de que necessite me retratar, já dei meu apoio, por outras formas, a concepções que agora penso serem errôneas” (RICARDO, 1988, p.287). Ricardo descreve em seu livro que pensava que o aumento da produção gerado pela maquinaria proporcionaria benefícios a toda sociedade, incluindo a classe trabalhadora. Essa idéia se justificaria pela seguinte observação de Adam Smith:

O desejo de alimentos é limitado em todos os homens pela pequena capacidade de seu estômago, mas o desejo de confortos e de ornamentos nas residências, roupas, carruagens e mobiliário doméstico parece ilimitado, ou pelo menos, sem limites determinados. (SMITH, 1983 apud RICARDO, 1988). Dessa forma a maior mecanização proporcionaria maiores quantidades de produtos para todos. Tornando menor o custo de produção, a maquinaria possibilitaria redução nos preços e de forma decorrente, o acesso dos trabalhadores a maiores quantidades de produtos com o mesmo salário. Ricardo afirma que essa concepção, que defendia anteriormente, continua intacta, mas só no que diz respeito a classes dos proprietários de terras e capitalistas “estou convencido de que a substituição de trabalho humano por maquinaria é freqüentemente muito prejudicial aos interesses da classe dos trabalhadores.” O autor afirma que a mecanização, apesar de aumentar o produto liquido do país, pode contribuir para um excedente de mão-de-obra humana. Desse modo a mecanização somente não contribuiria para o desemprego, se sua utilização aumentasse tanto o produto líquido de um país de forma em que o produto bruto não decrescesse. Esses debates se tornam mais evidentes em momentos de crise, onde geralmente há um aumento na taxa de desemprego e consequentemente maior reflexão sobre os métodos de produção adotados. Esses debates, no entanto, ocorreram por ondas, como que favorecidas pelo ciclo econômico. Nesse sentido, em períodos de forte crescimento as teses dominantes tenderam a valorizar os efeitos positivos do progresso técnico. Em contrapartida, em períodos de crise e de introdução mais intensa de novas máquinas, equipamentos e formas de produção, proliferaram as análises que viam o progresso técnico como o grande e único responsável pela redução de empregos. (MATTOSO, 2000) Um exemplo foi a grande depressão de 1929, onde os altos índices de desempregos assustaram a sociedade.

A preocupação era tanta que em 1945, a primeira dama dos EUA, Sra. Eleanor Roosevelt, citou em um jornal o impasse existente entre o emprego da máquina e a substituição do trabalho humano: “chegamos, hoje, a um ponto em que os processos para economizar mão- de-obra só são bons quando não deixam o operário sem emprego.”

Em 1767, o inventor Hargreaves construiu a máquina de fiar, este invento possibilitou a substituição da mão-de-obra de 100 homens. Posteriormente Arkwright criou o tear mecânico, esse fato gerou aos trabalhadores na Inglaterra uma enorme preocupação com a diminuição dos postos de trabalho. Ao contrário do que esperavam em 25 anos se verificou o aumento de aproximadamente 4.000% no número de trabalhadores desse setor. (SILVEIRA; SANTOS, 2002)

Para (SILVEIRA; SANTOS, 2002), a automação compensava os empregos perdidos porque gerava maior produtividade aumentando o poder de compra do trabalhador e conseqüentemente o consumo em outros setores, o que aumentaria o número de postos de trabalho.

Na atualidade essa justificativa não se torna concreta, já que a automatização tem alcançado diversos setores da economia como a agricultura e prestação de serviços.

Henry Hazlitt cita em seu livro “Economia Numa única Lição” uma análise de um fabricante de roupas que adquire um equipamento para a confecção de roupas. Essa aquisição gerou um corte de cerca de 50% no número de empregados da fábrica.

Segundo Smitchz, já julgavam que no mínimo 15% dos trabalhos com equipamentos na indústria dos EUA poderiam ser utilizados por robôs já encontrados no mercado, e mais de 40% pelos disponíveis nos dias de hoje no mercado, dotados de capacidades sensoriais aperfeiçoados por redes neurais.

“[...] certas reduções no número de empregados na época foram apenas aparentes, visto que a fabricação de máquinas também possibilitou a abertura de novos empregos. (SILVEIRA; SANTOS, 2002),

É válido analisar também o fato de que este fenômeno tecnológico esta difundido na sociedade a ponto tecnologia ser utilizada em sua própria produção. Um exemplo é a fabricação de microchips, utilizadas em sistemas autômatos e computadores que agora também já pode ser automatizada.

“[...] é muito provável que os novos empregos criados não venham compensar as perdas causadas pela mão-de-obra (OECD, 1982, p.25 apud SMITCHZ, 1985, p. 15)

A automação gera inúmeras vantagens para o empresário e para a qualidade do produto se comparadas à mão –de –obra humana, já que este esta mais susceptível a erros quando exposto a operações repetitivas. As máquinas passaram a executar, em larga escala, tarefas que antes só podiam ser feitas pelo homem e até mesmo aquelas impossíveis de serem efetuadas por ele. A robótica possibilitou o alcance de qualidade e eficiência na produção, os sensores empregados nesses equipamentos substituem os sentidos humanos. Seus movimentos podem ser facilmente programados eliminando a necessidade de longos períodos de treinamento para os funcionários. A precisão e rapidez alcançadas por essas máquinas são bem maiores do que as conseguidas pelo homem. Com a tecnologia da inteligência artificial se tornou possível criar equipamentos capazes de assim como o ser humano responder a estímulos de forma quase imediata, essa tecnologia possibilta a otimização do controle de

ao trabalho humano, ela se torna sua concorrente. Quando implantada ela tende a aumentar o desemprego estrutural visto que ela gera um excedente de mão-de-obra.

Portanto, a fórmula da maquinaria é: não a diminuição relativa da jornada individual de trabalho - jornada esta que é parte necessária da jornada de trabalho, mas a redução da quantidade de trabalhadores, isto é, das muitas jornadas paralelas, formadoras de uma jornada coletiva de trabalho, fundamental à constituição da maquinaria. (MARX, 1863)

Em alguns setores, o emprego da automação e o desenvolvimento da tecnologia da informação, geraram o enfraquecimento dos sindicatos e a perda do poder da greve. Como exemplo dessa afirmação, podemos citar o setor bancário, um dos que mais sofreram reduções de trabalhadores. A redução de empregos no setor já pode ser sentido a partir da década de

Nos últimos 11 anos, os bancos reduziram a categoria bancária, de 655 mil empregados, para 400 mil trabalhadores. Ao mesmo tempo, o setor registrou um aumento no número de contas correntes de 44 milhões para 72 milhões, conforme o balanço social da Fenaban. O corte nos postos de trabalho, somado ao aumento no volume de serviço, resultou em novas pressões aos bancários, dentre as quais o cumprimento de metas, desrespeito à jornada de trabalho e, conseqüentemente, agravos à saúde física e mental dos trabalhadores. (FBRG, 2005 apud MONTECLARO, 2006) Para Monteclaro, os grandes processos inflacionários ocorridos no país, ofereceram enorme rentabilidade ao setor, isso possibilitou o pioneirismo do Brasil na automação bancária. Com a modernização dos bancos houve a diminuição da dependência de mão-de- obra humana, neutralizando o poder pressionador da greve. “A intensificação da automatização e a difusão dos serviços de auto-atendimento nos bancos vêm diminuindo radicalmente a eficácia das greves enquanto instrumento de pressão”. (JINKINGS, 1995:105 apud MONTECLARO, 2006) Um exemplo desse fato pode ser observado com a greve dos bancários ocorrida em outubro de 2011. Foram possíveis diversos serviços como o débito automático em conta corrente de dívidas ou o pagamento de contas nos caixas eletrônicos com o código de barra dos boletos.

“O desenvolvimento tecnológico a serviço do capital transforma grande parte da força de trabalho bancária em coisa descartável, tornada desnecessárias ao processo avassalador de auto-valorização do capital” (JINKINGS, 1995, p.101 apud MONTECLARO, 2006).

Com a evolução dessas tecnologias o perfil profissional tornou-se mais seletivo, o trabalhador não qualificado, que era responsável pela execução de tarefas repetitivas foi deixado para trás e facilmente substituído por sistemas automáticos. O conhecimento técnico e científico, cada vez mais avançado para a operação e suporte a essas máquinas, aumentam de forma gradativa devido à crescente complexidade das mesmas.

Porém, em algumas áreas, os impactos gerados pela automação levam à crescente precarização do trabalho, visto que torna ainda mais grave a situação de países com alto nível de desemprego. A partir desse ponto o trabalhador passa a ter concorrência incomparável da máquina. Sem perspectiva de melhores oportunidades de emprego, ele tende a se sujeitar a trabalhos mal remunerados além de migrar para a informalidade, abrindo mão de seus próprios direitos.

Em países desenvolvidos com reduzidas taxas de natalidade e o aumento da população idosa a automação pode ser vista como uma solução, já que torna esses países mais independentes na necessidade de contratação de trabalhadores estrangeiros.

6. Referências

SCHMITZ, Hubert. (1985) A microeletrônica: suas implicações sobre o emprego e o salário. Pesquisa e Planejamento Econômico, 15(3): 639-680 dez.

SILVEIRA , P. R., SANTOS, W. E. Automação e Controle Discreto. 10a Edição. Editora Érica. São Paulo. 2002

HOBSBAWM, Eric J. Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1979.

ROSÁRIO, J.M. Princípios de Mecatrônica. Pearson, 2004.