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Automaçao Predial
Tipologia: Notas de estudo
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José Maurício S. Pinheiro
A partir da década de 1990, a abertura dos mercados de informática e de telecomunicações no Brasil possibilitou a popularização de diversas tecnologias de controle e serviços de automação. Sistemas que antes eram utilizados exclusivamente nos ambientes corporativos das empresas e do comércio passaram igualmente a ser projetados e utilizados também nos ambientes domésticos.
Nesse universo, a automação predial se desenvolveu tendo como objetivo principal a melhoria do estilo de vida dos ocupantes de uma edificação através do aumento do conforto ambiental, da segurança física e do aumento da eficiência energética da casa ou escritório, tornando o ambiente mais confortável, seguro e eficiente.
A necessidade de maior conforto, informação e segurança não foram os únicos motivadores desse desenvolvimento. Os equipamentos eletroeletrônicos também evoluíram e passou a ser cada vez mais interessante para os fabricantes promover a integração das diversas funcionalidades de cada um. Dentro desse conceito, a automação predial englobou o controle dos diversos dispositivos de iluminação, entretenimento, segurança, telecomunicações, controles de temperatura ambiental, eletroeletrônicos, eletrodomésticos e outros.
Pequeno Histórico
Cronologicamente o desenvolvimento dos sistemas de automação predial ocorreu depois de seus similares nas áreas industrial e comercial, sendo que os primeiros sistemas de controle automatizados foram concebidos na década de 1970 para aplicações especificamente industriais.
Consolidada a automação industrial, o comércio foi o próximo segmento contemplado com as tecnologias de automação na década de 1980. Foi nesse período que surgiram os primeiros prédios chamados de "prédios inteligentes", que normalmente eram voltados para o uso comercial, equipados com sistemas automatizados destinados ao atendimento dos serviços de comunicação, sistemas de ar condicionado e aquecimento, segurança patrimonial, controle de acesso, entre outros.
A partir da década de 1990, com as propostas de padronização apresentadas pelos organismos e grupos de padronização internacionais e também graças aos avanços nas tecnologias das redes de computadores, foram conseguidos maiores índices de integração entre as diversas topologias dos sistemas existentes. Essa integração de tecnologias representou o suporte necessário aos diversos dispositivos e acessórios envolvidos na elaboração de um projeto de automação predial completo. Com isso, os projetos que até então se destinavam apenas à telefonia ou aos sistemas de aquecimento e energia, passaram a observar os novos requisitos dos sistemas para voz, dados e imagem.
Mercado Doméstico
A realidade atual é que cada vez mais se trabalha em casa, cada vez mais o trabalho se parece com a nossa casa, ou nossas casas vão assumindo ares de escritório. As residências, como complementos dos escritórios, passaram a solicitar então uma maior demanda por serviços com maiores índices de conforto, novos sistemas de comunicação e espaço para o entretenimento. Esse novo mercado de automação representado pelos pequenos escritórios e usuários domésticos ficou conhecido como "Mercado SOHO" (Small Office & Home Office), tornando-se fato na arquitetura, no mobiliário, nas comunicações e até mesmo nos eletrodomésticos mais modernos.
O mercado doméstico de automação também é caracterizado por um número crescente de dispositivos e periféricos dotados ou não de algum tipo de processamento, associados a equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos que, apesar de não ter ainda o mesmo apelo mercadológico dos sistemas de automação industriais e comerciais, tornou-se uma vitrine justamente por integrar itens sofisticados de tecnologia e demonstrar, na prática, as vantagens proporcionadas pela automação. Construtores, integradores e até mesmo os ocupantes desses novos prédios passaram a encarar a realidade da automação predial como uma parte essencial de qualquer projeto arquitetônico.
Cabeamento Predial
Até o início da década de 1990, a automação predial era associada somente aos projetos de grandes edifícios e os sistemas de cabeamento destinados à transmissão de voz, dados e imagem, utilizavam estruturas proprietárias, sendo que os projetos de automação eram executados de forma independente, não existindo, portanto, um padrão comum para ser seguido por construtores, fabricantes de equipamentos e integradores.
Atualmente, muitas das tecnologias desenvolvidas para automação predial já estão incorporadas de fato aos novos projetos e essa demanda do mercado doméstico gerou a necessidade de uma infra-estrutura de cabeamento capaz de suportar as atuais e novas aplicações das telecomunicações e de controle predial, devendo ser capazes de permitir o funcionamento adequado de todos os sistemas em operação.
O fato é que para a implantação de um projeto que atenda aos requisitos destes sistemas, é necessário um planejamento prévio e que a execução do projeto seja feita por pessoal técnico especializado. Da mesma forma, é crucial o emprego de mão-de-obra qualificada para a instalação e o teste de todos os dispositivos envolvidos. Um projeto de automação predial deve prever uma estrutura capaz de suportar todos os tipos de dispositivos de automação eletroeletrônicos (sensores, atuadores, etc), equipamentos para voz, imagens e dados. Também deve incluir igualmente todos os serviços adicionais possíveis ao nível de automação para o bem estar dos ocupantes da edificação.
Com essa finalidade, os projetos passaram a adotar uma infra-estrutura baseada em normas e técnicas de cabeamento estruturado, o que possibilitou um sistema com conectividade universal, capaz de atender ao crescimento das exigências e novos serviços de seus ocupantes, possibilitando ainda a atualização tecnológica dos dispositivos constituintes. As diversas normas técnicas, utilizadas em conjunto, passaram a estabelecer um padrão para a instalação dos sistemas de cabeamento visando assegurar a uniformidade e interoperabilidade dos diversos dispositivos e acessórios, garantindo um desempenho mínimo para o sistema de automação como um todo.
Automação Residencial
A Automação Residencial tem a finalidade de minimizar a intervenção do homem nas rotinas da vida contemporânea, tornando a vida no lar mais prática, segura e confortável, sem deixar de lado o aspecto pessoal e familiar necessário a um agradável ambiente. Entre estas rotinas encontra-se, por exemplo, a operação de sistemas como segurança, iluminação, controle térmico e entretenimento.
Dentro do conceito de Automação Residencial, três são os graus de integração destes sistemas:
Sistemas Autônomos - são sistemas independentes e não há a interligação entre os dispositivos;
Sistemas Integrados - todos os sistemas estão integrados a um controlador (central de automação);
Sistemas Complexos - princípio de funcionamento da casa inteligente, onde o sistema pode ser personalizado de acordo com a vontade do usuário.