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Bioética e seus conceitos e princípios, Notas de estudo de Filosofia

Filosofia - Filosofia

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 20/11/2009

deusfernandes-fernades-12
deusfernandes-fernades-12 🇧🇷

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Bioética
Neste trabalho vamos abordar o tema da bioética. Vamos começar com uma
breve introdução, onde iremos definir alguns conceitos relacionados com o tema.
Posteriormente iremos colocar problemas. Por último iremos relacionar os problemas
com a sociedade actual.
Nesta fase do trabalho iremos definir alguns conceitos. Começaremos pelo
conceito de ética (do grego ethos), ou seja, o estudo dos conceitos desenvolvidos no
raciocínio prático, o bem, a acção correcta, o dever, a obrigação, a virtude, a liberdade,
a racionalidade e a escolha. Ética pode também ser interpretada como a “ciência da
moralidade” ou como “a estética do interior humano”
Relacionado também com este trabalho está inserido o conceito de ciência (do
latim scientia), que filosoficamente tem o significado comum o saber em geral. Apesar
da existência de um conceito generalista, foi definido na antiguidade grega como um
saber superior, universal, teórico que correspondia à própria filosofia, sendo esta a
ciência suprema que se opunha às opiniões particulares e a aptidões práticas (Sofistas).
Nos tempos modernos foi definida como um conhecimento experimental que se apoia
nos critérios precisos de verificação permitindo uma objectividade dos resultados
(Empirismo). “Há uma perpétua troca de serviços entre a ciência e o empirismo. Muitas
vezes a função da primeira consiste em formalizar o que a segunda descobriu”
Sendo uma conjugação dos dois conceitos anteriores a bioética surge como a
relação entre ciência e ética. Por outras palavras, bioética é o ramo da ética que
investiga os problemas que derivam especificamente da prática médica e biológica,
como o conjunto de interrogações éticas e investigações suscitadas após os anos 60
perante os progressos das técnicas científicas, biológicas e biomédicas.
Agora vamos apresentar certos problemas como: Será moralmente aceitável
guardar em embriões humanos e manipula-los como “coisas”? Será possível para fins
científicos ou da medicina fabricar geneticamente clones? Poder-se-á encarar num
futuro próximo levar a cabo a gestão de um embrião in vitro? Estes são alguns
problemas colocados actualmente sobre o tema da bioética ou ética da vida. Mas sobre
que princípios nos devemos basear para decidir com equidade sobre questões tão
problemáticas e cujas consequências poderão alterar a realidade humana em si?
As posições referentes a este problema dependem das orientações filosóficas dos
seus autores. Para alguns autores a pesquisa de compromissos práticos, ou seja, a
procura de fins utilitários, tende a sobrepor-se a reflexões teóricas e éticas sobre
problemas que não possuem uma resposta unânime tais como, o embrião é uma pessoa?
Ou tem a vida um valor incondicional? Para outros a interrogação sobre os fins e os
meios deve manter-se preponderante, ou seja, os valores ético-morais deverão sobrepor-
se a práticas utilitárias. De qualquer maneira as discussões e as experiencias de um certo
número de especialistas permitem-nos elaborar uma “ética de investigação” considerada
hoje em textos internacionais. Esses textos constituem, em relação à pesquisa
biomédica, uma adaptação da mesma aos valores descritos na Declaração Universal
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Bioética

Neste trabalho vamos abordar o tema da bioética. Vamos começar com uma breve introdução, onde iremos definir alguns conceitos relacionados com o tema. Posteriormente iremos colocar problemas. Por último iremos relacionar os problemas com a sociedade actual.

Nesta fase do trabalho iremos definir alguns conceitos. Começaremos pelo conceito de ética (do grego ethos ), ou seja, o estudo dos conceitos desenvolvidos no raciocínio prático, o bem, a acção correcta, o dever, a obrigação, a virtude, a liberdade, a racionalidade e a escolha. Ética pode também ser interpretada como a “ciência da moralidade” ou como “a estética do interior humano”

Relacionado também com este trabalho está inserido o conceito de ciência (do latim scientia ), que filosoficamente tem o significado comum o saber em geral. Apesar da existência de um conceito generalista, foi definido na antiguidade grega como um saber superior, universal, teórico que correspondia à própria filosofia, sendo esta a ciência suprema que se opunha às opiniões particulares e a aptidões práticas (Sofistas). Nos tempos modernos foi definida como um conhecimento experimental que se apoia nos critérios precisos de verificação permitindo uma objectividade dos resultados (Empirismo). “Há uma perpétua troca de serviços entre a ciência e o empirismo. Muitas vezes a função da primeira consiste em formalizar o que a segunda descobriu”

Sendo uma conjugação dos dois conceitos anteriores a bioética surge como a relação entre ciência e ética. Por outras palavras, bioética é o ramo da ética que investiga os problemas que derivam especificamente da prática médica e biológica, como o conjunto de interrogações éticas e investigações suscitadas após os anos 60 perante os progressos das técnicas científicas, biológicas e biomédicas.

Agora vamos apresentar certos problemas como: Será moralmente aceitável guardar em embriões humanos e manipula-los como “coisas”? Será possível para fins científicos ou da medicina fabricar geneticamente clones? Poder-se-á encarar num futuro próximo levar a cabo a gestão de um embrião in vitro? Estes são alguns problemas colocados actualmente sobre o tema da bioética ou ética da vida. Mas sobre que princípios nos devemos basear para decidir com equidade sobre questões tão problemáticas e cujas consequências poderão alterar a realidade humana em si?

As posições referentes a este problema dependem das orientações filosóficas dos seus autores. Para alguns autores a pesquisa de compromissos práticos, ou seja, a procura de fins utilitários, tende a sobrepor-se a reflexões teóricas e éticas sobre problemas que não possuem uma resposta unânime tais como, o embrião é uma pessoa? Ou tem a vida um valor incondicional? Para outros a interrogação sobre os fins e os meios deve manter-se preponderante, ou seja, os valores ético-morais deverão sobrepor- se a práticas utilitárias. De qualquer maneira as discussões e as experiencias de um certo número de especialistas permitem-nos elaborar uma “ética de investigação” considerada hoje em textos internacionais. Esses textos constituem, em relação à pesquisa biomédica, uma adaptação da mesma aos valores descritos na Declaração Universal

dos Direitos do Homem de 1948. Derivado da concordância entre a biomédica e esses direitos mencionados anteriormente surgiram três grandes princípios:

  1. Princípio do respeito pela pessoa humana: a dignidade da pessoa humana reside na autonomia moral, na sua liberdade.
  2. Princípio utilitário: evitar prejudicar e fazer bem o mais possível, ou ainda minimizar o mal.
  3. Princípio da justiça: os seres humanos são iguais em dignidades e em direitos, devem ser tratados de maneira igual

Para finalizar iremos apresentar um exemplo relacionando-o com os problemas, e posições que deles derivam, apresentados anteriormente.

Neste último século assistimos a grandes avanços científicos, que permitiram um enorme desenvolvimento na medicina e na indústria farmacêutica, mas será que esses avanços foram conseguidos a partir dos princípios mencionados anteriormente? O filme O Fiel Jardineiro é um bom exemplo de um problema que emerge em conjunto com o tema da bioética. Este filme retrata a história de um casal que viaja até ao Quénia com o propósito de acabar com uma empresa de pesticidas, que se servia da iliteracia da população local para testar novos medicamentos, facto que levava a que ocorresse um elevado número de mortes sem explicação retratando bem uma realidade ainda existente em África.

Fazendo uma relação entre esta situação e o método da “ética de investigação” podemos concluir que nenhum dos princípios anteriormente mencionados é respeitado, na medida em que a população do Quénia é levada a consumir esse produto, retirando- lhes, de certa maneira, a sua liberdade, desrespeitando assim o primeiro princípio. O segundo princípio é também desrespeitado, pois em vez de o medicamento ter um papel positivo no combate à doença em causa, acaba por prejudicar os cidadãos. Por último, podemos concluir que estes indivíduos ao serem utilizados como cobaias, devido às suas dificuldades sociais e económicas, estão a ser inferiorizados relativamente a indivíduos de sociedades mais poderosas. Em suma, podemos perceber que nesta situação prevalece uma posição utilitária relativamente ao problema apresentado anteriormente, onde os fins justificam os meios.

Em conclusão, “A ciência, que devia ter por fim o bem da humanidade, infelizmente pode contribuir na obra de destruição dos valores de uma sociedade humanitária”. Esta frase de Léon Tolstoi explicita bem que apesar de a ciência dever ser construída de modo a visar o benefício universal do ser humano, tendo por base os valores éticos e morais, por vezes, devido a práticas utilitárias, que têm como objectivos alcançar um fim sobre o qual se possa retirar um lucro, a ciência poderá desencadear divergências no que toca aos valores ético-morais, ou seja, esta poderá representar um papel maligno na sociedade contemporânea, pois sendo utilizada para atingir fins lucrativos, irá desrespeitar valores básicos da ética e da moralidade.