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biofertilizante, Notas de estudo de Engenharia Agrícola

Arquivo que fala sobre biofertilizantes, encontrado na revista de Biotecnologia

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 07/09/2011

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38 Revista Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento - Edição nº 31 - julho/dezembro 2003
Pesquisa
Biofertilizantes
Líquidos
Marcos Barros de Medeiros
Doutor em Entomologia - ESALQ/USP
Professor Adjunto Centro de Formação de
Tecnólogos / UFPB - Campus de Bananeiras.
Paulo Alves Wanderley
Doutor em Agronomia - FCAV/UNESP,
Professor nível E do Centro de Formação de
Tecnólogos / UFPB - Campus de Bananeiras
Maria José Araújo Wanderley
Doutora em Agronomia - FCAV/UNESP,
Bolsista de Desenvolvimento Científico Regional
CNPq, UFPB Departamento de Ciências Básicas e
Sociais, Campus de Bananeiras
Ilustrações cedidas pelos autores
Processo trofobiótico para proteção de plantas em cultivos orgânicos
1 - Introdução
Nos países desenvolvidos e em
vários outros em desenvolvimento,
como o Brasil, os organoclorados fo-
ram proibidos para o uso agrícola.
Porém, essa foi apenas uma medida
isolada, uma vez que tais produtos
circulam hoje por toda a biosfera
(Paschoal, 1995). O uso de produtos
químicos sem a observação da com-
plexidade de fatores que interagem
nos agroecossistemas tem sido a mai-
or causa de desequilíbrio nesses siste-
mas, tais como o desenvolvimento de
resistência ao pesticida, ressurgimen-
to e desencadeamento de pragas se-
cundárias e quebra de cadeias alimen-
tares a partir da eliminação de seus
inimigos naturais (parasitóides e pre-
dadores) (Medeiros, 1998).
Até 1945 os ácaros fitófagos eram
tidos como pragas secundárias da
agricultura. No entanto, o desenvol-
vimento destas espécies nocivas vem
atingindo, cada vez mais, uma eleva-
da significação econômica, ao mes-
mo tempo em que sua lista não pára
de crescer. Antes de 1946, havia
apenas 10 espécies de insetos e car-
rapatos resistentes, todas a produtos
inorgânicos minerais. Em 1969 a re-
sistência foi confirmada para 424 es-
pécies, sendo 97 de importância
médica ou veterinária e 127 de im-
portância agrícola e florestal e de
produtos armazenados (Paschoal,
1979; Chaboussou 1980). Na década
de 90, pelo menos 504 espécies de
insetos e ácaros foram dadas como
resistentes a pelo menos um pesticida.
Destas, 23 espécies são benéficas e
481 são nocivas, sendo 283 de impor-
tância agrícola e 198 de importância
médico-veterinária (Georghiou &
Lagunes-Tejeda, 1991).
Uma nova teoria, hoje ampla-
mente difundida, converge ao expli-
car que, além destes fatores, estes
desequilíbrios também estão forte-
mente associados ao estado de
proteólise dominante nos tecidos da
planta. Estudos comprovam que pro-
dutos químicos sintéticos, tais como
agrotóxicos e fertilizantes minerais
solúveis, contêm substâncias que in-
terferem na proteossíntese, provocam
o acúmulo de aminoácidos livres e
açúcares redutores nos tecidos da plan-
ta, reduzindo sua resistência às pragas
e doenças (Alves et al., 2001;
Chaboussou, 1999; Tokeshi, 2002).
Segundo Primavesi (1998), três
condições são necessárias para que
uma planta seja atacada por pragas e
doenças: 1) a planta deve ser defici-
entemente nutrida, oferecendo algu-
ma substância utilizável para o agen-
te; 2) o agente possa se multiplicar
livremente sem controle biológico, o
que ocorre mais facilmente em
monoculturas; 3) o sistema de auto-
defesa da planta deve estar desequi-
librado, em função da nutrição e do
uso de agrotóxicos. Estes princípios
convergem com os fundamentados
por Francis Chaboussou, então dire-
tor do “Institut National de la
Recherche Agronomique” (INRA) na
França, que em 1979 formulou a
Teoria da Trofobiose. Segundo essa
teoria, todo processo vital está na
dependência da satisfação das ne-
cessidades dos organismos vivos,
sejam eles vegetais ou animais. Des-
sa forma, a planta, ou mais precisa-
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Pesquisa

Biofertilizantes

Líquidos

Marcos Barros de Medeiros Doutor em Entomologia - ESALQ/USP Professor Adjunto Centro de Formação de Tecnólogos / UFPB - Campus de Bananeiras. [email protected]; [email protected]

Paulo Alves Wanderley Doutor em Agronomia - FCAV/UNESP, Professor nível E do Centro de Formação de Tecnólogos / UFPB - Campus de Bananeiras

Maria José Araújo Wanderley Doutora em Agronomia - FCAV/UNESP, Bolsista de Desenvolvimento Científico Regional CNPq, UFPB Departamento de Ciências Básicas e Sociais, Campus de Bananeiras

Ilustrações cedidas pelos autores

Processo trofobiótico para proteção de plantas em cultivos orgânicos

1 - Introdução

Nos países desenvolvidos e em vários outros em desenvolvimento, como o Brasil, os organoclorados fo- ram proibidos para o uso agrícola. Porém, essa foi apenas uma medida isolada, uma vez que tais produtos circulam hoje por toda a biosfera (Paschoal, 1995). O uso de produtos químicos sem a observação da com- plexidade de fatores que interagem nos agroecossistemas tem sido a mai- or causa de desequilíbrio nesses siste- mas, tais como o desenvolvimento de resistência ao pesticida, ressurgimen- to e desencadeamento de pragas se- cundárias e quebra de cadeias alimen- tares a partir da eliminação de seus inimigos naturais (parasitóides e pre- dadores) (Medeiros, 1998). Até 1945 os ácaros fitófagos eram tidos como pragas secundárias da agricultura. No entanto, o desenvol- vimento destas espécies nocivas vem atingindo, cada vez mais, uma eleva- da significação econômica, ao mes- mo tempo em que sua lista não pára de crescer. Antes de 1946, havia apenas 10 espécies de insetos e car- rapatos resistentes, todas a produtos inorgânicos minerais. Em 1969 a re- sistência foi confirmada para 424 es- pécies, sendo 97 de importância médica ou veterinária e 127 de im- portância agrícola e florestal e de produtos armazenados (Paschoal, 1979; Chaboussou 1980). Na década de 90, pelo menos 504 espécies de insetos e ácaros foram dadas como resistentes a pelo menos um pesticida. Destas, 23 espécies são benéficas e 481 são nocivas, sendo 283 de impor-

tância agrícola e 198 de importância médico-veterinária (Georghiou & Lagunes-Tejeda, 1991). Uma nova teoria, hoje ampla- mente difundida, converge ao expli- car que, além destes fatores, estes desequilíbrios também estão forte- mente associados ao estado de proteólise dominante nos tecidos da planta. Estudos comprovam que pro- dutos químicos sintéticos, tais como agrotóxicos e fertilizantes minerais solúveis, contêm substâncias que in- terferem na proteossíntese, provocam o acúmulo de aminoácidos livres e açúcares redutores nos tecidos da plan- ta, reduzindo sua resistência às pragas e doenças (Alves et al., 2001; Chaboussou, 1999; Tokeshi, 2002). Segundo Primavesi (1998), três condições são necessárias para que uma planta seja atacada por pragas e doenças: 1) a planta deve ser defici- entemente nutrida, oferecendo algu- ma substância utilizável para o agen- te; 2) o agente possa se multiplicar livremente sem controle biológico, o que ocorre mais facilmente em monoculturas; 3) o sistema de auto- defesa da planta deve estar desequi- librado, em função da nutrição e do uso de agrotóxicos. Estes princípios convergem com os fundamentados por Francis Chaboussou, então dire- tor do “Institut National de la Recherche Agronomique” (INRA) na França, que em 1979 formulou a Teoria da Trofobiose. Segundo essa teoria, todo processo vital está na dependência da satisfação das ne- cessidades dos organismos vivos, sejam eles vegetais ou animais. Des- sa forma, a planta, ou mais precisa-

mente o órgão vegetal, será atacado somente quando seu estado bioquí- mico, determinado pela natureza e pelo teor de substâncias nutritivas solúveis, corresponder às exigências tróficas (de alimentação) da praga ou do patógeno em questão. Estudando-se a relação entre o estado nutricional de plantas e sua resistência às doenças constatou-se que toda circunstância desfavorável ao crescimento celular tende a pro- vocar um acúmulo de compostos solúveis não utilizados, como açú- cares e aminoácidos, diminuindo a resistência da planta ao ataque de pragas e doenças (Dufrenoy, 1936). Comprovou-se mais tarde que a ação dos agrotóxicos na planta resulta na inibição da proteossíntese, resultan- do num aumento de ácaros, pulgões e lepidópteros e de doenças (Chaboussou, 1999; Tokeshi, 2002). Espécies de pulgões, cochonilhas, cigarrinhas, cigarras, tripes, outros insetos sugadores e várias espécies de ácaros fitófagos, não são capazes de desdobrar proteínas em aminoá- cidos para serem posteriormente recombinados à conveniência de cada um. Por isso, eles dependem de aminoácidos livres existentes na seiva das plantas ou suco celular e de microrganismos simbiontes (Chaboussou, 1980; Panizzi & Parra, 1991; Pinheiro & Barreto, 1996; Gallo

et al., 2002) Os adubos minerais solúveis, especialmente os nitroge- nados, e os agrotóxicos orgânicos sintéticos, que quando absorvidos pelas plantas e translocados em seu interior, são capazes de interferir com a fisiologia vegetal, reduzem a proteossíntese, desencadeando pro- cesso de acúmulo de aminoácidos livres e açúcares redutores, substân- cias prontamente utilizáveis pelas pragas e agentes fitopatogênicos, o que foi correlacionado positivamen- te com o aumento populacional des- ses organismos (Chaboussou, 1985). Na agricultura orgânica o uso de biofertilizantes líquidos, na forma de fermentados microbianos enriqueci- dos, têm sido um dos processos mais empregados no manejo trofobiótico de pragas e doenças. Essa estratégia é baseada no equilíbrio nutricional da planta (trofobiose), onde a resis- tência é gerada pelo melhor equilí- brio energético e metabólico do ve- getal (Chaboussou, 1985; Pinheiro & Barreto, 1996). Os biofertilizantes fun- cionam como promotores de cresci- mento (equilíbrio nutricional) e como elicitores na indução de resistência sistêmica na planta. Além disso, aju- dam na proteção da planta contra o ataque de doenças, por antibiose (Bettiol et al, 1998) e contra o ataque de pragas, por ação repelente, fagodeterrente (inibidores de alimen-

tação) ou afetando o seu desenvolvi- mento e reprodução.

2 - Biofertilizantes líquidos e sua aplicação na proteção de plantas

Os biofertilizantes possuem com- postos bioativos, resultantes da biodigestão de compostos orgânicos de origem animal e vegetal. Em seu conteúdo são encontradas células vi- vas ou latentes de microrganismos de metabolismo aeróbico, anaeróbico e fermentação (bactérias, leveduras, algas e fungos filamentosos) e tam- bém metabólitos e quelatos organo- minerais em soluto aquoso. Segundo Santos & Akiba (1996), os metabólitos são compostos de proteínas, enzimas, antibióticos, vitaminas, toxinas, fenóis, ésteres e ácidos, inclusive de ação fitohormonal produzidos e libe- rados pelos microrganismos. Na citricultura paulista, os bio- fertilizantes vêm sendo produzidos pelo método de compostagem líqui- da contínua em “piscinas” escavadas no solo, revestidas de lona plástica de polietileno, com capacidade de até 50 mil litros. No processo são utilizados água não clorada e o inoculante à base de esterco fresco bovino, e posteriormente enriqueci- do com um composto orgânico nutri- tivo. O Microgeo é um composto orgânico, com registro no Ministério da Agricultura e certificado pelo IBD, preparado à base de diversas fontes orgânicas e inorgânicas, sendo enri- quecido com rochas moídas que con- têm cerca de 48% de silicatos de magnésio, cálcio, ferro e outros oligoelementos, fundamentais para estimulação do metabolismo primá- rio e secundário das plantas. Segun- do Alves et al. (2001) biofertilizantes obtidos com o Microgeo vêm sendo utilizados, em pulverização sobre as plantas, em mais de 8 milhões de pés de laranja no estado de São Paulo. A potência biológica de um bio- fertilizante é expressa pela grande quantidade de microrganismos ali existentes, responsáveis pela libera- ção de metabólitos e antimetabólitos, entre eles vários antibióticos e hormônios vegetais. Castro et al. (1992) e Bettiol et al. (1998) isolaram

Figura 01. Simulação da cinética de crescimento celular e da produção de metabólitos ao longo da fermentação aeróbica do biofertilizante no processo de CLC. Metabólitos primários: (Etapas de anabolismo e catabolismo): Açúcares, aminoácidos, ácidos graxos, proteínas, lipídeos, bases nitrogenadas (nucleotídeos e ácidos nucleicos), precursores moleculares etc. Metabólitos secundários: (Biossíntese de macro- moléculas de elevado peso molecular): toxinas, antibióticos, fitoreguladores (IAA e giberelinas), ácidos graxos de cadeia longa, fosfolipídeos, polissacarídeos, terpenos fenóis, polifenois, citoquininas, etc.

das as reservas de energia, as células começam a morrer numa velocidade exponencial. Cada microrganismo participan- te degrada alimento para outro, numa relação de interdependência mútua e harmônica e, assim, o processo de fermentação acaba sendo contínuo, desde que seja alimentado com meio nutritivo, o que fundamentou o pro- cesso de compostagem líquida des- crito por D’Andréa & Medeiros (2002).

4 - Produção do biofertilizante pelo processo de Compostagem Líquida Contínua (CLC)

4.1 - Dimensionamento da Produção

Tanques para compostagem do biofertilizante podem ser utilizados para volumes de até 1.000 litros, cai- xas de fibrocimento ou plásticas. Para volumes maiores constrói-se direta- mente no solo, ‘piscinas’ com as di- mensões do volume pretendido, e com a profundidade máxima de um metro, as quais são revestidas com lona plástica. A localização do tanque deve ser em área ensolarada, manten- do-o descoberto. Para o dimensiona- mento do volume do tanque, deverá ser considerado um consumo diário

máximo de 10% de biofertilizante, da sua capacidade. Exemplo: Para um consumo diário de 100 litros de bio- fertilizante, o tanque deverá ter o volume de 1.000 litros.

4.2- CLC com uso de esterco e composto orgânico enriquecido

Início da CLC: Para início da produção do biofertilizante, adiciona- se no tanque o esterco fresco de gado (inoculante), um composto orgânico enriquecido com minerais (Ex.: MICROGEO MCO) e água (não clorada). No caso do Microgeo, pesquisado e desenvolvido pela equi- pe do Laboratório de Patologia e Con- trole Microbiano da ESALQ, o preparo é feito nas seguintes proporções:1, quilo do composto orgânico / 4, litros esterco de gado / 20,0 litros água (completando o volume ). Exemplo: Para a produção de 1.000 litros de biofertilizante, adiciona-se no tanque 50 quilos do composto, mais 200 litros de esterco de gado de qualquer ori- gem, completando com água o volume de 1.000 litros do tanque. Agitar duas vezes ao dia manualmen- te com um ‘rodo’, que também permi- tirá determinar a espessura da camada orgânica (biomassa) depositada no fundo do tanque, com o objetivo de se quantificar a reposição do esterco de

gado no processo CLC. Iniciar o uso do biofertilizante com aproximada- mente 15 dias, após a mistura inicial dos insumos. Manutenção da CLC: Para manter a compostagem em meio líquido de forma contínua, contabilizar diariamente os volumes de biofertili- zante consumidos repondo no tanque os insumos nas seguintes proporções: a) Reposição do composto orgânico: para cada 30,0 a 40,0 litros de biofer- tilizante usado, repor 1,0 quilo do composto/inoculante. O intervalo de reposição poderá ser semanal até mensal, ou seja, intervalos menores quanto maior o volume de biofertili- zante utilizado. b) Reposição do ester- co de gado: adicionar um volume de esterco de gado (fresco) suficiente para manter a mesma proporção biomassa/ água do início do proces- so, sempre quando se verificar com ajuda do ‘rodo’ a diminuição da cama- da orgânica no fundo do tanque. c) Reposição da água: está em função do volume de biofertilizante consumido, da evaporação e das chuvas. O volu- me de água a ser adicionado deverá ser o suficiente para a manutenção do nível inicial do tanque. A freqüência de reposição poderá ser diária, usan- do-se registro bóia ou até mensal, também em função do volume de biofertilizante usado. Nos períodos de chuvas, recomenda-se fechar os tan- ques de até 1.000 litros nos momentos de ocorrência delas. Manter descober- tos os tanques maiores de 1.000 litros, retirando para uso posterior o volume do biofertilizante que eventualmente poderá transbordar, armazenando-o em tambores. É importante sempre manter as proporções de composto inoculante e esterco de gado, descri- tas acima, evitando o uso do bioferti- lizante muito diluído (Microbiol, 2001; D’Andréa & Medeiros, 2002).

5 - Recomendações de uso

Segundo Pinheiro & Barreto (1996), devido aos elevados efeitos hormonais e altos teores das substân- cias sintetizadas, o uso de biofertili- zantes em pulverizações foliares nor- malmente são feitos com diluições entre 0,1 e 5%. Concentrações maio- res, entre 20 e 50%, foram utilizadas por Santos & Akiba (1996) com o

Figura 3. Detalhes do experimento utilizando-se ácaros de B. phoenicis criados em arena, sobre a folha a planta de Canavalia ensiformis. Fonte: Medeiros (2002)

biofertilizante “Vairo”. Porém, em concentrações muito elevadas, o bi- ofertilizante pode causar estresse fi- siológico na planta retardando seu crescimento, floração ou frutificação. Isso se deve provavelmente ao ex- cessivo desvio metabólico para pro- dução de substâncias de defesa. Para hortaliças recomendam-se pulveriza- ções semanais, utilizando entre 0,1 e 3 % de concentração do biofertilizan- te, considerando que as plantas são de ciclo vegetativo curto e possuem maior velocidade de crescimento, com demanda constante de nutrientes. Em fruteiras, pulverizações entre 1 e 5% do biofertilizante com Microgeo produziram resultados significativos na sanidade na cultura. Este bioferti- lizante também vem sendo emprega- do sobre o solo em concentrações de até 20%. Este quando aplicado sobre o mato roçado, como “input” microbiano, é capaz de aumentar a compostagem laminar, isto é direta- mente no campo, acelerando os pro- cessos bioquímicos e potencializando maior atividade microbiana sobre o solo (D’Andréa & Medeiros, 2002). As aplicações de biofertilizantes deverão ser realizadas durante as fases de crescimento e/ou produção, evitando-se no florescimento. Deve- se dar preferência pelos dias de chu-

va ou irrigação e os horários vesper- tino ou noturno, evitando-se os perí- odos secos e as horas mais quentes do dia. Altas concentrações do bio- fertilizante podem provocar na plan- ta demanda de água muito maior para o seu equilíbrio. Mesmo assim, pulverizações com o biofertilizante, na diluição de 1%, nos períodos se- cos são possíveis. Apesar de estarem sob os efeitos do estresse hídrico, as plantas estarão recebendo energia entrópica (não utilizável pelos inse- tos) e outros fatores de proteção.

6 - Biofertilizantes, bioinseticidas e biorremediação

O aumento da população e a maior atividade industrial fizeram com que o problema da poluição do am- biente atingisse níveis alarmantes. Além de contaminação por detritos pouco biodegradáveis, como plásti- cos e detergentes, soma-se o proble- ma dos resíduos de industrias e, prin- cipalmente, dos resíduos agroindus- triais, como a vinhaça ou o vinhoto, resultante da produção de etanol em grande escala. Estes problemas po- dem ser atacados pelo desenvolvi- mento de linhagens microbianas ca- pazes de degradar ou assimilar esses

compostos para uso como agentes de biorremediação. O processo da biorremediação consiste na descoberta e procriação de bactérias capazes de “comer” os agrotóxicos que ficam por muitos anos no solo e na água. Estas bactérias devoram os componentes químicos existentes nos venenos, fazendo com que o produto perca sua capacidade de poluir o solo, a água e até mesmo o organismo humano. Estas bactérias também não são prejudiciais ao meio ambiente. Caso os resultados da pes- quisa sejam confirmados, será um grande avanço para a preservação do meio ambiente, pois o uso do veneno é um grande vilão que prejudica o solo, a água, os animais e o homem (Azevedo, 1998). Uma saída promis- sora para esses problemas seria a multiplicação em massa desses agen- tes de biodegradação de agentes quí- micos, em tanques abertos, adotando- se a técnica de cultura em composta- gem líquida contínua. A produção de biofertilizantes líquidos, à base de resíduos oriundos da agricultura e da indústria, modificados por microorga- nismos, gerarão substratos úteis como fertilizantes de solo e como bioprote- tores de plantas para a agricultura. A partir de compostos ricos em nutrientes, facilmente acessíveis e de baixo custo operacional, como os resíduos sólidos e líquidos oriundos da agricultura e da indústria, é possí- vel a adição de microrganismos (le- veduras, bactérias e actinomicetos, por exemplo) previamente selecio- nadas, com as condições necessárias de ecologia nutricional, que promo- verem o rápido crescimento popula- cional, resultando em alta produção de massa microbiana. Técnicas sofisticadas, porém com o mesmo princípio, têm sido utiliza- das em laboratórios, sob condições controladas em biofermentadores, na produção líquida de inseticidas à base de microrganismos entomo patogê- nicos (fungos, vírus, bactérias e nematóides) capazes de controlar as pragas em níveis aceitáveis, econô- micos e ecológicos (Alves, 1998). A preocupação em se gerar alter- nativas ecológicas ao problema dos rejeitos líquidos e sólidos na agricultu- ra, transformá-los em insumos de bai-

Figura 4. Caracterização de cadáveres do ácaro da leprose dos citros Brevipalpus phoenicis: (a) control, (b) Ácaro morto por ação de contato do biofertilizante; (c) e (d) Foco microbiano e vista ventral e dorçal do gnatosoma e pernas anteriores aderidas por uma substancia coloidal (goma). Fonte: Medeiros (2002).

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