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Guias e Dicas
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Caderno e dicas de projeto, Manuais, Projetos, Pesquisas de Engenharia Civil

Todas as dicas de projeto de madeira.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 22/04/2021

adjacir-cidrao
adjacir-cidrao 🇧🇷

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Introdução 1

O telhado destina-se a proteger o edifício contra a ação das intempéries,

tais como chuva, vento, raios solares, neve e também impedir a penetração de

poeiras e ruídos no seu interior.

A origem do nome telhado provém do uso das telhas, mas nem todo o sis-

tema de proteção superior de um edifício, obrigatoriamente, constitui-se num

telhado como, por exemplo, lajes com espelho d’água, terraços e jardins suspen-

sos. O telhado compõe-se de duas partes principais:

Cobertura — Podendo ser de materiais diversos, desde que impermeáveis

às águas pluviais e resistentes à ação do vento e intempéries. A cobertura pode

ser de telhas cerâmicas, telhas de concreto (planas ou capa e canal) ou de cha-

pas onduladas de fibrocimento, aço galvanizado, madeira aluminizada, PVC e

fiberglass. As telhas de ardósia e chapas de cobre foram praticamente banidas

da nossa arquitetura.

Armação — Corresponde ao conjunto de elementos estruturais para sus-

tentação da cobertura, tais como: ripas, caibros, terças, tesouras e contra-

ventamentos.

As estruturas que compõem a armação dos telhados podem ser total-

mente ou parcialmente executadas em madeira, aço, alumínio ou concreto

armado. A armação dos telhados executados em madeira denomina-se tam-

bém madeiramento.

Introdução

Introdução 3

2) Caibros — Peças de madeira de pequena esquadria, apoiadas sobre as ter-

ças para sustentação das ripas.

3) Terça — Viga de madeira apoiada sobre as tesouras ou sobre paredes para

a sustentação dos caibros.

As coberturas executadas em chapas onduladas de fibrocimento, alumínio

ou PVC apresentam a vantagem econômica de dispensar o emprego de ripas

e caibros, pois se apoiam diretamente sobre as terças, permitindo, ainda,

maior distanciamento entre as terças.

1 a 5) Trama , é o conjunto formado pelas ripas, caibros e terças, que servem de lastro ao material da cobertura. 6) Frechal. 7) Chapuz , pedaço de madeira, geralmente de forma triangular, prega- do na asna da tesoura, destinado a suster ou apoiar a terça. Conjunto de peças 8 a 12 – Tesoura, viga em treliça plana vertical, formada de barras dispostas de maneira a compor uma rede de triângulos, tornando o sistema estrutural indeslocável. 8) A sna, perna, empena ou membrura superior. 9) Linha, rochante, tirante, tensor, olivel ou membrura inferior. 10) Pendural ou pendural central. 11) Escora. 12) Pontalete, montante, suspensório ou pendural. 13) Ferragens ou estribos.

  1. Ferragem ou cobrejunta. 15) Testeira ou aba. 16) Mão francesa.

Figura 1.1 Tesoura e trama.

4 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira

4) Cumeeira — Terça da parte mais alta do telhado.

5) Contrafrechal — Terça da parte inferior do telhado.

6) Frechal — Viga de madeira colocada em todo o perímetro superior da pa-

rede de alvenaria de tijolos (respaldo), para amarração e distribuição da

carga concentrada da tesoura. Atualmente o contrafrechal de madeira foi

substituído pelas cintas de amarração de concreto, sendo utilizado apenas

um bloco de madeira para o nivelamento e distribuição da carga da tesoura

sobre pilares ou paredes. Isso tem criado o hábito costumeiro de chamar a

terça de extremidade simplesmente de “frechal”. Também já se tornou há-

bito generalizar de “terças”, sem fazer diferenciação às vigas da cumeeira e

do contrafrechal, isto na comunicação entre engenheiros estruturais.

Consolo Emenda Tirante Tarugo ou cavilha

Contratirante

Estribos

R

e

Figura 1.

Observação: Empregam-se consolos para aumentar a resistência do tirante no apoio devido ao efei-

to do momento M = Re.

Guarda-pó — Forro pregado sobre os caibros, numa largura de 30 a 60 cm,

junto à platibanda, destinado ao apoio da calha.

Platibanda — Prolongamento do alinhamento da parede externa, acima

dos frechais, para camuflagem do telhado. A platibanda é sempre contornada

por calha e rufo.

Parede

Platibanda

Calha Guarda-pó Ripas Ripas Caibros

Caibros

Linha Empena Escora Pendural

Forro fixado nos caibros

Forro pendurado na tesoura (teto)

Figura 1.

6 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira

Parede

Ripa dupla ou sarrafo

Ripas

(a)

Testeira

Calha de beiral

(b)

Forro

Moldura, cordão ou tabeira

Forro

(c)

Cachorro

(d)

Capeamento

(e)

Calha

Laje Condutor

b

Estuque

b

Figura 1.

Mansarda — tipo de tesoura que permite o aproveitamento do desvão do

telhado, constituindo um cômodo denominado sótão. O nome mansarda deve-se

a Mansard, arquiteto de Luís XIV.

Os telhados tipo Mansard eram geralmente cobertos com telhas de ardósia,

e dispunham de janelas denominadas trapeira, para iluminação, ventilação e

acesso ao telhado.

Introdução 7

Trapeira

Janela ou claraboia

Sótão

Esquema da trapeira ou água-furtada

Figura 1.

Ponto do telhado — é a relação entre sua altura e a largura ou vão. O ponto

varia, em geral, entre os limites de 1 : 2 a 1 : 8.

L

i %

α

h

Ponto h Inclinação α Declividade i % i = 100 x arctag α

Figura 1.

Ponto

h

L

Designação

Inclinação

Declividade

i%

1/2 Ponto meio 45º 100%

1/3 Ponto terço 33º 40’ 66%

1/4 Ponto quarto 26º 50’ 49%

Introdução 9

Figura 1.8 Telhado de duas águas.

S V
I

h

α

L
P
D D N S
N

Tesoura

Contraventamento vertical

Travejamento do nó inferior Terças e mãos- da tesoura francesas (^1)

Ripas

Caibros

Contraventamento horizontal

Oitão

V

10 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira

Figura 1.9 Telhado de quatro águas.

Espigão

  • Meia tesoura e contraventamento vertical

Água

Espigão

Cumeeira

Água

Água Água c

L
L
L

Planta da cobertura

b

b

a

a

a

c

3 3 3 3 8 6 L

Planta da armação

L

b

a

a

a

b

c

h

12 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira

Veneziana

Viga-mestra

Terças

Calha

Caixilho

Meias tesouras

Figura 1.11 Telhado Shed.

Os inúmeros ensaios, realizados com várias espécies botânicas pelos nossos

institutos de pesquisas, procuraram atender as recomendações do Anexo B da

NBR 7190: 1997, cujo escopo é a determinação das propriedades físicas e mecâ-

nicas da madeira para o projeto estrutural.

O anexo E da mesma Norma fornece valores usuais de resistência e rigidez

de algumas madeiras nativas e de reflorestamento, que citaremos em local apro-

priado no Capítulo 4 deste livro.

Dimensões mínimas das seções transversais

A área mínima das seções transversais das vigas ou barras longitudinais

de treliças principais será de 50 cm

e a espessura mínima de 5 cm. Nas peças

secundárias os limites reduzem-se a, respectivamente 2,5 cm, podendo cair a

1,8 cm para peças secundárias múltiplas.

Introdução 13

Bitolas comerciais usuais de madeira serrada

Padrão métrico

Tipo de madeira

Medida transversal

(cm)

Comprimento

(m)

Ripas 1,5 3 5 básico: 4,

Caibros 5 3 6 médio de 2,00 a 4,

Vigas 6 3 12 médio: 5,

6 3 16 médio: 5,

Tábuas 2,6 3 16 básico: 4,

2,6 3 23 básico: 4,

1,3 3 31 básico: 4,

Padrão americano

Bitola

(pol)

Medida transversal

(cm)

Comprimento básico

3 3 1 ½ 7,5 3 3,80 14 pés (4,27 m)

3 3 2 7,5 3 5,10 14 pés (4,27 m)

3 3 4 ½ 7,5 3 11,3 14 pés (4,27 m)

3 3 6 7,5 3 15,2 14 pés (4,27 m)

3 3 9 7,5 3 23,0 14 pés (4,27 m)

1.3.2. Madeira laminada e colada

Peças laminadas em tábuas de 2 e 4 cm de espessura, coladas de modo a

formar perfis, em que todas as fibras sejam paralelas, sem dúvida representam a

tendência futura das estruturas de madeira, onde a matéria-prima proveniente

das árvores nativas passará a ser substituída pelos produtos de reflorestamento.

Temos com isso um produto industrializado, com melhor controle de qualidade,

a exemplo de outros materiais fabricados em usinas, caso do concreto.

Além da pré-fabricação de peças retas ou curvas, poderemos contar com

uma série de bitolas, semelhantes às das peças serradas (Figura 1.12) — Seção

mínima de 6 3 10 cm até a máxima de 35 3 90 cm (conforme o Timber Cons-

truction Manual da AITC – American Institute of Timber Construction).