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Introdução 1
O telhado destina-se a proteger o edifício contra a ação das intempéries,
tais como chuva, vento, raios solares, neve e também impedir a penetração de
poeiras e ruídos no seu interior.
A origem do nome telhado provém do uso das telhas, mas nem todo o sis-
tema de proteção superior de um edifício, obrigatoriamente, constitui-se num
telhado como, por exemplo, lajes com espelho d’água, terraços e jardins suspen-
sos. O telhado compõe-se de duas partes principais:
Cobertura — Podendo ser de materiais diversos, desde que impermeáveis
às águas pluviais e resistentes à ação do vento e intempéries. A cobertura pode
ser de telhas cerâmicas, telhas de concreto (planas ou capa e canal) ou de cha-
pas onduladas de fibrocimento, aço galvanizado, madeira aluminizada, PVC e
fiberglass. As telhas de ardósia e chapas de cobre foram praticamente banidas
da nossa arquitetura.
Armação — Corresponde ao conjunto de elementos estruturais para sus-
tentação da cobertura, tais como: ripas, caibros, terças, tesouras e contra-
ventamentos.
As estruturas que compõem a armação dos telhados podem ser total-
mente ou parcialmente executadas em madeira, aço, alumínio ou concreto
armado. A armação dos telhados executados em madeira denomina-se tam-
bém madeiramento.
Introdução
Introdução 3
2) Caibros — Peças de madeira de pequena esquadria, apoiadas sobre as ter-
ças para sustentação das ripas.
3) Terça — Viga de madeira apoiada sobre as tesouras ou sobre paredes para
a sustentação dos caibros.
As coberturas executadas em chapas onduladas de fibrocimento, alumínio
ou PVC apresentam a vantagem econômica de dispensar o emprego de ripas
e caibros, pois se apoiam diretamente sobre as terças, permitindo, ainda,
maior distanciamento entre as terças.
1 a 5) Trama , é o conjunto formado pelas ripas, caibros e terças, que servem de lastro ao material da cobertura. 6) Frechal. 7) Chapuz , pedaço de madeira, geralmente de forma triangular, prega- do na asna da tesoura, destinado a suster ou apoiar a terça. Conjunto de peças 8 a 12 – Tesoura, viga em treliça plana vertical, formada de barras dispostas de maneira a compor uma rede de triângulos, tornando o sistema estrutural indeslocável. 8) A sna, perna, empena ou membrura superior. 9) Linha, rochante, tirante, tensor, olivel ou membrura inferior. 10) Pendural ou pendural central. 11) Escora. 12) Pontalete, montante, suspensório ou pendural. 13) Ferragens ou estribos.
- Ferragem ou cobrejunta. 15) Testeira ou aba. 16) Mão francesa.
Figura 1.1 Tesoura e trama.
4 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira
4) Cumeeira — Terça da parte mais alta do telhado.
5) Contrafrechal — Terça da parte inferior do telhado.
6) Frechal — Viga de madeira colocada em todo o perímetro superior da pa-
rede de alvenaria de tijolos (respaldo), para amarração e distribuição da
carga concentrada da tesoura. Atualmente o contrafrechal de madeira foi
substituído pelas cintas de amarração de concreto, sendo utilizado apenas
um bloco de madeira para o nivelamento e distribuição da carga da tesoura
sobre pilares ou paredes. Isso tem criado o hábito costumeiro de chamar a
terça de extremidade simplesmente de “frechal”. Também já se tornou há-
bito generalizar de “terças”, sem fazer diferenciação às vigas da cumeeira e
do contrafrechal, isto na comunicação entre engenheiros estruturais.
Consolo Emenda Tirante Tarugo ou cavilha
Contratirante
Estribos
R
e
Figura 1.
Observação: Empregam-se consolos para aumentar a resistência do tirante no apoio devido ao efei-
to do momento M = Re.
Guarda-pó — Forro pregado sobre os caibros, numa largura de 30 a 60 cm,
junto à platibanda, destinado ao apoio da calha.
Platibanda — Prolongamento do alinhamento da parede externa, acima
dos frechais, para camuflagem do telhado. A platibanda é sempre contornada
por calha e rufo.
Parede
Platibanda
Calha Guarda-pó Ripas Ripas Caibros
Caibros
Linha Empena Escora Pendural
Forro fixado nos caibros
Forro pendurado na tesoura (teto)
Figura 1.
6 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira
Parede
Ripa dupla ou sarrafo
Ripas
(a)
Testeira
Calha de beiral
(b)
Forro
Moldura, cordão ou tabeira
Forro
(c)
Cachorro
(d)
Capeamento
(e)
Calha
Laje Condutor
b
Estuque
b
Figura 1.
Mansarda — tipo de tesoura que permite o aproveitamento do desvão do
telhado, constituindo um cômodo denominado sótão. O nome mansarda deve-se
a Mansard, arquiteto de Luís XIV.
Os telhados tipo Mansard eram geralmente cobertos com telhas de ardósia,
e dispunham de janelas denominadas trapeira, para iluminação, ventilação e
acesso ao telhado.
Introdução 7
Trapeira
Janela ou claraboia
Sótão
Esquema da trapeira ou água-furtada
Figura 1.
Ponto do telhado — é a relação entre sua altura e a largura ou vão. O ponto
varia, em geral, entre os limites de 1 : 2 a 1 : 8.
L
i %
α
h
Ponto h Inclinação α Declividade i % i = 100 x arctag α
Figura 1.
Ponto
h
L
Designação
Inclinação
aº
Declividade
i%
1/2 Ponto meio 45º 100%
1/3 Ponto terço 33º 40’ 66%
1/4 Ponto quarto 26º 50’ 49%
Introdução 9
Figura 1.8 Telhado de duas águas.
S V
I
h
α
L
P
D D N S
N
Tesoura
Contraventamento vertical
Travejamento do nó inferior Terças e mãos- da tesoura francesas (^1)
Ripas
Caibros
Contraventamento horizontal
Oitão
V
10 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira
Figura 1.9 Telhado de quatro águas.
Espigão
- Meia tesoura e contraventamento vertical
Água
Espigão
Cumeeira
Água
Água Água c
L
L
L
Planta da cobertura
b
b
a
a
a
c
3 3 3 3 8 6 L
Planta da armação
L
b
a
a
a
b
c
h
12 Caderno de Projetos de Telhados em Estruturas de Madeira
Veneziana
Viga-mestra
Terças
Calha
Caixilho
Meias tesouras
Figura 1.11 Telhado Shed.
Os inúmeros ensaios, realizados com várias espécies botânicas pelos nossos
institutos de pesquisas, procuraram atender as recomendações do Anexo B da
NBR 7190: 1997, cujo escopo é a determinação das propriedades físicas e mecâ-
nicas da madeira para o projeto estrutural.
O anexo E da mesma Norma fornece valores usuais de resistência e rigidez
de algumas madeiras nativas e de reflorestamento, que citaremos em local apro-
priado no Capítulo 4 deste livro.
Dimensões mínimas das seções transversais
A área mínima das seções transversais das vigas ou barras longitudinais
de treliças principais será de 50 cm
e a espessura mínima de 5 cm. Nas peças
secundárias os limites reduzem-se a, respectivamente 2,5 cm, podendo cair a
1,8 cm para peças secundárias múltiplas.
Introdução 13
Bitolas comerciais usuais de madeira serrada
Padrão métrico
Tipo de madeira
Medida transversal
(cm)
Comprimento
(m)
Ripas 1,5 3 5 básico: 4,
Caibros 5 3 6 médio de 2,00 a 4,
Vigas 6 3 12 médio: 5,
6 3 16 médio: 5,
Tábuas 2,6 3 16 básico: 4,
2,6 3 23 básico: 4,
1,3 3 31 básico: 4,
Padrão americano
Bitola
(pol)
Medida transversal
(cm)
Comprimento básico
3 3 1 ½ 7,5 3 3,80 14 pés (4,27 m)
3 3 2 7,5 3 5,10 14 pés (4,27 m)
3 3 4 ½ 7,5 3 11,3 14 pés (4,27 m)
3 3 6 7,5 3 15,2 14 pés (4,27 m)
3 3 9 7,5 3 23,0 14 pés (4,27 m)
1.3.2. Madeira laminada e colada
Peças laminadas em tábuas de 2 e 4 cm de espessura, coladas de modo a
formar perfis, em que todas as fibras sejam paralelas, sem dúvida representam a
tendência futura das estruturas de madeira, onde a matéria-prima proveniente
das árvores nativas passará a ser substituída pelos produtos de reflorestamento.
Temos com isso um produto industrializado, com melhor controle de qualidade,
a exemplo de outros materiais fabricados em usinas, caso do concreto.
Além da pré-fabricação de peças retas ou curvas, poderemos contar com
uma série de bitolas, semelhantes às das peças serradas (Figura 1.12) — Seção
mínima de 6 3 10 cm até a máxima de 35 3 90 cm (conforme o Timber Cons-
truction Manual da AITC – American Institute of Timber Construction).