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CAPITAL E FORÇA DE TRABALHO NO SETOR ..., Slides de Máquinas

CAPITAL E FORÇA DE TRABALHO NO SETOR. SECUNDÁRIO EM PRESIDENTE PRUDENTE1. Olga Lúcia Castreghini de FREITAS 2. Universidade Federal do Paraná. Introdução.

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CAPITAL E FORÇA DE TRABALHO NO SETOR
SECUNDÁRIO EM PRESIDENTE PRUDENTE1
Olga Lúcia Castreghini de FREITAS 2
Universidade Federal do Paraná
Introdução
Presidente Prudente localiza-se numa região denominada no final do
século passado e início do atual de “Sertão do Paranapanema”. Segundo
Abreu (1972), o café foi a primeira atividade aqui desenvolvida entre as
décadas de 20 e 30, sua época de maior produção. A crise de 1929, as
constantes geadas, o cansaço da terra e a baixa qualidade do café para
exportação, foram fatores que muito contribuíram para provocar uma
mudança de cultura, surgindo como novas tendências o plantio do algodão
e amendoim e a criação de gado bovino, que suplantaram o café
efetivamente a partir de 1940; além de mudança de atividades – da agrícola
às primeiras tentativas de atividade industrial – representada pelas
máquinas beneficiadoras e pequenas indústrias, como veremos mais
abaixo.
Os tipos de atividade industrial desenvolvidos na cidade foram um
complemento à economia agrícola, predominante até hoje. Surgem, então,
as máquinas beneficiadoras da produção agrícola regional (café, algodão e
amendoim). Observamos que além do café ter sido um importante
produto agrícola, sua presença favoreceu a instalação das primeiras
máquinas beneficiadoras da região, sendo as pequenas de iniciativa local e
as maiores vindas de fora.
Assim, as primeiras indústrias foram as serrarias, as olarias, as
máquinas beneficiadoras e os curtumes, todas ligadas à agricultura, ao
extrativismo e à pecuária.
“Com o crescimento do centro urbano, surgiram fábricas de bebidas
e gelo, de massas alimentícias, de sabão e sabonáceo, serralherias, gráficas,
fábricas de ladrilhos e engarrafamento de água de fonte natural. São
pequenas empresas, exigindo pouco capital e empregando pequeno
1Artigo publicado no Caderno Prudentino de Geografia nº8, de 1986.
2Quando escreveu o artigo, a autora era aluna do Curso de Graduação da
Universidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente, então Instituto de
Planejamento e Estudos Ambientais.
Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho...
60
número de operários. A produção visava a abastecer a cidade e a região
eventualmente, alguma sobra era encaminhada para fora” (ABREU, 1972,
p.140).
A partir desse crescimento do centro urbano, algumas firmas de fora
se estabeleceram em Presidente Prudente, o que levou ao fechamento de
muitas indústrias pequenas, pois essas levavam desvantagem na qualidade e
no preço de seus produtos. Nos últimos anos da década de 30 instalaram-
se em Presidente Prudente algumas firmas de expressão como a S/A I.R.F.
Matarazzo e a Anderson Clayton e Co. S.A., motivadas pela presença do
algodão na região. A instalação de máquinas de beneficiamento e outros
tipos de atividade industrial funcionou como um atrativo para que as
pessoas da região se fixassem em Presidente Prudente em busca de
emprego, aumentando, assim, o movimento comercial e financeiro.
Notamos, então, o grande vínculo indústria/agricultura onde, sem
dúvida, a indústria surgiu na região como um complemento às atividades
agro-pecuárias.
Através da análise temporal dos dados obtidos no cadastro
industrial do SENAI, levando em conta o ano de fundação constatamos
que as primeiras iniciativas ligadas à atividade industrial não sobreviveram
como tal, pois a indústria mais antiga data de 1945.
No quadro abaixo, poderemos observar a freqüência de instalações
segundo as décadas:
Décadas
40 50 60 70 80
(até 83) Total
Número de es-
tabelecimentos 6 18 57 108 33 222
Fonte: SENAI – Cadastro Industrial, 1981
Prefeitura Municipal de Presidente Prudente
A evolução do número de estabelecimentos é clara e convém
lembrar que os dados da década de 80 são parciais. Desse modo fica
evidente o aumento do número de estabelecimentos industriais na década
de 70; nessa época o Brasil iniciava seu “milagre econômico” e a
industrialização passava a ser uma das prioridades para o desenvolvimento
do país. Nesse contexto encontra-se a cidade de Presidente Prudente
tendo, durante os anos setenta, dobrando o número total de
estabelecimentos industriais em relação à década anterior (sessenta).
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CAPITAL E FORÇA DE TRABALHO NO SETORSECUNDÁRIO EM PRESIDENTE PRUDENTE

1

Olga Lúcia Castreghini de

FREITAS

(^2)

Universidade Federal do Paraná

Introdução

Presidente Prudente localiza-se numa região denominada no final do século passado e início do atual de “Sertão do Paranapanema”. SegundoAbreu (1972), o café foi a primeira atividade aqui desenvolvida entre asdécadas de 20 e 30, sua época de maior produção. A crise de 1929, asconstantes geadas, o cansaço da terra e a baixa qualidade do café paraexportação, foram fatores que muito contribuíram para provocar umamudança de cultura, surgindo como novas tendências o plantio do algodãoe^ amendoim

e^

a^ criação

de

gado

bovino,

que

suplantaram

o^

café

efetivamente a partir de 1940; além de mudança de atividades – da agrícolaàs^

primeiras

tentativas

de

atividade

industrial

–^

representada

pelas

máquinas

beneficiadoras

e^

pequenas

indústrias,

como

veremos

mais

abaixo.

Os tipos de atividade industrial desenvolvidos na cidade foram um complemento à economia agrícola, predominante até hoje. Surgem, então,as máquinas beneficiadoras da produção agrícola regional (café, algodão eamendoim).

Observamos

que

além

do

café

ter

sido

um

importante

produto

agrícola,

sua

presença

favoreceu

a^

instalação

das

primeiras

máquinas beneficiadoras da região, sendo as pequenas de iniciativa local eas maiores vindas de fora.

Assim, as primeiras indústrias foram as serrarias, as olarias, as máquinas beneficiadoras e os curtumes, todas ligadas à agricultura, aoextrativismo e à pecuária.

“Com o crescimento do centro urbano, surgiram fábricas de bebidas e gelo, de massas alimentícias, de sabão e sabonáceo, serralherias, gráficas,fábricas de ladrilhos e engarrafamento de água de fonte natural. Sãopequenas

empresas,

exigindo

pouco

capital

e^

empregando

pequeno

1 Artigo publicado no Caderno Prudentino de Geografia nº8, de 1986. 2 Quando escreveu o artigo, a autora era aluna do Curso de Graduação daUniversidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente, então Instituto dePlanejamento e Estudos Ambientais.

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho...número de operários. A produção visava a abastecer a cidade e a regiãoeventualmente, alguma sobra era encaminhada para fora” (ABREU, 1972,p.140). 60

A partir desse crescimento do centro urbano, algumas firmas de fora se estabeleceram em Presidente Prudente, o que levou ao fechamento demuitas indústrias pequenas, pois essas levavam desvantagem na qualidade eno preço de seus produtos. Nos últimos anos da década de 30 instalaram-se em Presidente Prudente algumas firmas de expressão como a S/A I.R.F.Matarazzo e a Anderson Clayton e Co. S.A., motivadas pela presença doalgodão na região. A instalação de máquinas de beneficiamento e outrostipos de atividade industrial funcionou como um atrativo para que aspessoas da região se fixassem em Presidente Prudente em busca deemprego, aumentando, assim, o movimento comercial e financeiro.

Notamos, então, o grande vínculo indústria/agricultura onde, sem dúvida, a indústria surgiu na região como um complemento às atividadesagro-pecuárias.

Através

da

análise

temporal

dos

dados

obtidos

no

cadastro

industrial do SENAI, levando em conta o ano de fundação constatamosque as primeiras iniciativas ligadas à atividade industrial não sobreviveramcomo tal, pois a indústria mais antiga data de 1945.

No quadro abaixo, poderemos observar a freqüência de instalações segundo as décadas:

Décadas

(^80) (até 83)

Total

Número de es-tabelecimentos

Fonte: SENAI – Cadastro Industrial, 1981Prefeitura Municipal de Presidente Prudente

A evolução do número de estabelecimentos é clara e convém lembrar que os dados da década de 80 são parciais. Desse modo ficaevidente o aumento do número de estabelecimentos industriais na décadade^

70;^

nessa

época

o^

Brasil

iniciava

seu

“milagre

econômico”

e^

a

industrialização passava a ser uma das prioridades para o desenvolvimentodo país. Nesse contexto encontra-se a cidade de Presidente Prudentetendo,

durante

os

anos

setenta,

dobrando

o

número

total

de

estabelecimentos industriais em relação à década anterior (sessenta).

Caderno Prudentino de Geografia, nº27 59-

61

Nessa

perspectiva

todos

os

ramos

industriais

tiveram

um

significativo

aumento

no

número

de

estabelecimentos,

exceção

feita

àqueles ligados ao produto “madeira” que tiveram na década de sessentaum certo número de estabelecimentos instalados o qual não foi superadona década seguinte. Outros ramos também se destacaram na década desessenta como o metalúrgico, o alimentício e o de vestuário. Origem do capital

Um dos objetivos do trabalho foi o de detectar a origem do capital aplicado

nas

indústrias

prudentinas;

para

tanto

efetuamos

algumas

entrevistas que nos levaram a algumas considerações que estão a seguir.

Primeiramente cabe-nos situar o processo da origem do capital industrial

de

forma

global,

ou

seja,

levando

em

conta

o^

Estado

e

principalmente a cidade de São Paulo, que é sem dúvida o universo maisrepresentativo em se tratando de industrialização no país. Desse modoretrocedemo-nos à fase cafeeira onde o processo se inicia e temos asprimeiras investidas financeiras no setor industrial, uma vez que os grandesfazendeiros

do

café

detinham

o^

capital,

possibilitando-lhes

grandes

investimentos, porém esses não eram “bons” empresários o que os levou avender suas indústrias a terceiros.

Nesse

contexto

aparecem

os

imigrantes,

até

então

a^

maioria

trabalhando

na

lavoura,

porém

quando

obtém

recursos

financeiros

satisfatórios transferem-se para os centros urbanos. Os imigrantes vinhamde países, na maioria europeus, onde o desenvolvimento industrial era bemmaior e as relações capitalistas mais adiantadas; assim acabavam tendo umaexperiência

anterior

valiosa

e^

desse

modo

começaram

a^

investir

em

indústrias, geralmente de tamanho modesto, onde o capital era pequeno eproveniente de pequeno acúmulo adquirido no Brasil ou remanescente dosbens e acúmulos feitos nos países de origem.

Inserida nesse processo aparece-nos Presidente Prudente, em uma região voltada à agricultura, em princípio dedicada ao café, depois aoalgodão e amendoim; desse modo passou a receber imigrantes que vinhampara o Brasil e mais especificamente para o oeste paulista à procura detrabalho na lavoura. Os imigrantes que para cá vieram eram originários nãosó da Europa mas também houve uma grande incidência de orientais,principalmente japoneses.

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho... 62

Os japoneses tiveram e têm certa importância no processo de industrialização prudentina e exemplificam muito bem a ascensão social doimigrante no Brasil.

A^

relação

imigrante/industrialização

existente

em

Presidente

Prudente comprova o estudo feito por Mamigonian (1976), onde o autorrelaciona a industrialização de São Paulo à presença do imigrante a partirdo século passado.

Com a execução da entrevistas formulamos algumas conclusões sobre a origem do capital aplicado nas indústrias prudentinas:a) capital proveniente diretamente do campo;b) capital proveniente indiretamente do campo, ou seja, a indústria atualnão foi o primeiro investimento quando da saída do campo, porém aoinvestir na indústria o capital para o negócio era remanescente do campo;c) capital proveniente do comércio, a atividade comercial forneceu oacúmulo necessário para o investimento na indústria;d) capital proveniente de negócios em ramos afins do atual: oficinas,moinhos, alfaiataria, etc...e) capital proveniente de pequenos acúmulos, empréstimos ou venda debens, feitos por funcionários que posteriormente adquiriram seus própriosnegócios; ef) “negócios de ocasião”; o capital é levantado em empréstimos ou vendade bens, a escolha do ramo é aleatória, à vontade do investidor.

Reduzindo em dois grupos teríamos: as indústrias originadas com capital vindo do campo e as provenientes de acúmulo do comércio ouserviços. Entre aquelas de capital proveniente do campo cabe-nos salientara^ não

freqüência

de

investimentos

feitos

por

grandes

fazendeiros

e

pecuaristas, os quais, ao que parece, preferem investir seu capital emaquisições de terras em estados vizinhos.

As indústrias cujo capital provém do campo são pertencentes a imigrantes

ou

a^

seus

descendentes

diretos,

os

quais

trabalhavam

inicialmente na lavoura e depois adquiriram suas próprias terras que,quando vendidas, forneceram o capital necessário ao investimento nacidade. Alguns aplicaram diretamente na compra de indústrias, outrospassaram antes pelo comércio; o início era em sociedade com um irmão ouparente próximo.

Outras iniciaram suas atividades como pequenas oficinas, seja de reparo de peças, seja de trabalho em madeira além de outras, e hoje sãoconsideráveis indústrias metalúrgicas, madeireiras, etc...

Caderno Prudentino de Geografia, nº27 59-

65

15

Prod.

farmac., médic. e perf.

1

-^ -^

1

-^

1,^

0,^

0

1,^

0,

16

Prod. de matériaplástica

5

1

3

1

-^

3,^

1,^

0

0,^

0,

17

Vestuário, calç. eartef. tecidos

26

5

16

5

-^

8,^

6,^

0

5,^

0,

18

Prod.

aliment. origem agrícola

9

-^

4

3

2

6,^

18

0

46,^

4,

19

Prod.

aliment. vários

14

2

8

4

-^

4,^

6,^

0

4,^

0,

20

Bebidas, liq. alc. evinagre

5

-^

2

2

1

5,^

13,^

0,^

6,^

1,

21

Editora e gráfica

4

-^

3

1

-^

1,^

0,^

0

0,^

0,

22

Diversos

2

-^

2

-^ -^

0,^

0,^

0

0,^

0,

23

Ind. trans. pedrase outros mat. p/construção

3

-^

3

-^ -^

0,^

0,^

0

0,^

0,

24

Frigoríficos

1

-^ -^ -^

1

39,

18

99,

4,

86,

Total

172

44

80

36

8

  • Há nesse grupo indústrias que não tiveram movimento financeiro e não foram classificadas.Fonte: Fichas “modelo B” – Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, 1983.

Tentamos fazer uma classificação das indústrias em micro, média e grande,

baseado

no

número

de

funcionários;

porém,

não

retratou

a

realidade, pois o que dá realmente a dimensão e importância de umaindústria é o giro de capital da mesma e o número de funcionários nemsempre é o reflexo disso, uma vez considerada a produção artesanal emcontraste

com

a^

moderna

(maquinaria).

Assim,

para

efetuar

essa

classificação, levamos em conta o movimento financeiro e obtivemosquatro categorias: micro indústria (menos de Cr$ 5.000.000); pequenaindústria (de Cr$ 5.000.000 a menos de Cr$ 100.000.000); média indústria(de Cr$ 100.000.000 a menos que Cr$ 1.000.000.000) e grande indústria(mais de Cr$ 1.000.000.000).

Desse modo, temos a seguinte distribuição:Categoria

Nº de estabelecimento

% sobre vendas

Micro indústria

Pequena indústria

Média indústria

Grande indústria

Sem movimento

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho... 66

Observando essa distribuição, fica evidente a participação de cada categoria no montante.

Os estabelecimentos classificados como micro indústrias são os chamados “familiares”, denominados por Souza (1981), como de “pequenaprodução”, onde a característica principal é que o “proprietário dos meiosde produção não está totalmente desvinculado das tarefas diretamenteprodutivas”.

É^

comum

vermos

nas

micro

e^

em^

algumas

pequenas

indústrias, o proprietário ou seus familiares trabalhando diretamente naprodução, exercendo atividades que vão desde a compra de matéria-prima,passando pela auxílio direto na produção, até a venda do produto acabado.Essas indústrias têm pouca maquinaria, a produção se faz geralmente àbase do trabalho manual; o capital não é intensivo.

Os principais ramos onde a maior incidência é de micro indústrias são: produção de minerais não metálicos (olarias); produtos metalúrgicos;mobiliários e vestuário, calçados e artefatos de tecidos. A participaçãodesse grupo com 44 estabelecimentos (25% do total) é diminuta no queconcerne às vendas totais do município, pois se restringem a 0,2%.

As indústrias classificadas como pequenas apresentam, as menores, características de “produção familiar”, e dentre os vários ramos, são maisexpressivos:

produtos

metalúrgicos,

mobiliário,

vestuário,

calçados

e

artefatos

de

tecidos

e^

produtos

alimentícios.

Esse

grupo,

com

estabelecimentos (46%), é o maior numericamente, porém participa com3,2% das vendas totais.

As indústrias classificadas como médias, são de capital local e algumas

apresentam

franca

tendência

ao

crescimento

e^

mudança

de

categoria, de média para grande. Vários ramos estão nesta classificação enão

nenhum

que

se

sobressaia

em

termos

de

número

de

estabelecimentos. As médias indústrias são em número de 36 (21%) e suaparticipação no total das vendas é de 12,5%.

Entre as grandes indústrias temos 50% de capital externo à cidade e 50% de iniciativa local; são geralmente voltadas para o ramo alimentício(ver tabela 1). Quanto a essas, é visível sua importância, onde apenas 8(oito) estabelecimentos concentram 84% do total de vendas.

Assim, fica patente a força do capital externo à cidade; apesar do pequeno número de estabelecimentos, sua participação é importante naeconomia prudentina (como fonte de emprego, entre outras coisas), e abaixa

participação

das

indústrias

de

capital

local

no

montante

do

movimento financeiro.

Caderno Prudentino de Geografia, nº27 59-

67

Proveniência da matéria-prima

No que concerne à matéria-prima, com base nos gêneros industriais encontrados em Presidente Prudente, notamos que a mesma é fator delocalização industrial somente para as indústrias vindas de fora, unidadesde grandes firmas, nacionais ou não, como o Frigorífico Bordon, instaladona cidade em virtude desta área ser de engorda para o gado (Mamigonian,1976). Além dessa, outras firmas como a CICA, a Lotus, a Sanbra – estaúltima entre outras que estão desativadas – foram atraídas pela matéria-prima existente na região, ou como a CICA, que organizou sua própriarede de abastecimento de tomate com incentivos ao produtor, como“certeza” de venda da produção.

O destaque em fornecimento de matéria-prima é dado à cidade de São Paulo, isto porque a maior utilização se dá não da matéria-prima “innatura”, o que ocorre é uma “re-transformação”, ou seja, a matéria-primajá sofreu uma transformação antes de ser utilizada, por exemplo: asindústrias químicas existentes em Presidente Prudente somente fazem amistura dos elementos químicos, pois não possuem laboratórios; no setorgráfico ocorre o mesmo, segundo um proprietário entrevistado “as gráficasde Presidente Prudente são prestadoras de serviço, não há gráficas emnível industrial como é por exemplo a Tilibra, que é fábrica, as daquiproduzem por encomenda”.

Segundo as fichas “modelo B”, o fornecimento de matéria-prima para as indústrias prudentinas é feito em 39% por cidades do Estado deSão Paulo e em 61% por cidades de outros Estados.

O interior dos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, participam com destaque no fornecimento da matéria-prima utilizada nasindústrias alimentícias: farinha, gado bovino, tomate, algodão entre outras.(figura 1). Destino dos produtos industrializados

A comercialização da produção é feita a nível local, regional, dentro e fora do Estado de São Paulo e algumas indústrias chegam a comercializarcom o exterior, mas em pequenas proporções. Sem dúvida o mercadoregional

é^

o^ mais

importante,

entendendo-se

por

regional

o^

espaço

compreendido entre os municípios vizinhos de Presidente Prudente no

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho...Estado de São Paulo, o norte do Paraná e a porção meridional do MatoGrosso 68

do

Sul.

Esse

é^

o^ principal

raio

de

atuação

das

indústrias

prudentinas, porém algumas extrapolam essa delimitação e distribuem seusprodutos para todo o Brasil através de filiais comerciais, revendedores edistribuidores, esporadicamente alcançam países vizinhos como o Paraguaie a Bolívia (no caso de bebidas).Figura 1 – Presidente Prudente: Procedência da matéria-prima destinada

aos estabelecimentos industriais – 1.

Das

vendas

de

produtos

fabricados

em

Presidente

Prudente,

segundo as fichas “modelo B”, ficam no Estado de São Paulo 52% e vãopara outros Estados 48% da produção; essa porcentagem de fornecimentopara outros Estados tem como principais ramos participantes: produtosalimentícios, couro, peles e produtos similares, frigoríficos e bebidas. Já no

Caderno Prudentino de Geografia, nº27 59-

71

“natural” de empregos, em virtude do próprio aumento da população,houve uma redução em termos absolutos.

Em 1973 os ramos mais representativos enquanto porcentagem de absorção da mão-de-obra total eram: alimentício (57,8%), químico (11,5%),metalúrgico (10%) e vestuário (8,2%); em 1981 a participação era aseguinte: alimentício 49,8%; metalúrgico, 15,2%; químico, 10% e vestuário,9,1%,

ou

seja,

os

quatro

ramos

que

mais

absorvem

mão-de-obra

continuaram sendo os mesmos, somente houve uma variação no índiceentre o metalúrgico e o químico.Tabela 2 – Distribuição dos funcionários por ramos de atividade industrialRamos

tícioAlimen-

o Vestuári

Madeira

ãoConstruç

Químico

gicoMetalúr-

Gráfico

Outros

Total

Totalfuncionáriospara o ramo

Porcentagemdo ramo so-bre o total defuncionários

9,^

5,^

5,^

Número totalde^ funcioná-rios qualifica-dos

--^

Porcentagemde^

qualifica- dos^

sobre

o total do ramo

4,^

Porcentagemdos^

funcio- nários

quali- ficados sobreo^ total

de qualificados

2,^

Fonte: Cadastro Industrial – SENAI, 1981.

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho...Tabela 3 – Número de estabelecimentos industriais e de funcionários por 72

ramos de atividade industrial

Ramo

Número deestabelecimentos

Número defuncionários

% de func.sobre o total

Nº de func.qualificados

1973

1981

1973

1981

1973

1981

1981

Alimentício

Vestuário

8,^

9,^

Madeira

5,^

5,^

Construção

3,^

5,^

Químico

Metalúrg.

Gráfico

3,^

3,^

Outros

0,^

0,^

Total

Fonte: Cadastro Industrial – SENAI, 1973 e 1981.

Com os dados obtidos em entrevistas diretas nas indústrias, (uma amostragem de 157 funcionários) pudemos construir algumas tabelas,gráficos e mapas, enfocando: idade, salário, deslocamento da residência aolocal de trabalho, correspondentes a 4% da mão-de-obra total, ocupadanesse setor.

Construímos uma pirâmide das idades dos ocupados na indústria prudentina (Figura 2), onde constatamos que a maior ocorrência é defuncionários com idade variando entre 15 e 29 anos, com destaque para afaixa de 15 a 19 anos; assim, caracterizaríamos o funcionalismo industrialprudentino principalmente como jovens.

A distribuição dos funcionários do sexo masculino dá-se de modo mais equilibrado, ou seja, praticamente em todas as classes de idade queaparecem na pirâmide, há a presença de homens, o que já não ocorre comas mulheres, cuja participação diminui sensivelmente após a faixa dos 29anos e há também uma progressiva diminuição das mesmas nas faixas 15-19, 20-24 e 25-29 anos, evidenciando uma maior instabilidade.

A^

presença

de

mulheres

dá-se

principalmente

nas

indústrias

alimentícias e de calçados, de modo geral, em indústrias onde o trabalhomanual ainda prevalece e o “artesanato” seja a base da produção.

Caderno Prudentino de Geografia, nº27 59-

73

Figura 2 – Presidente Prudente – Pirâmide das idades dos ocupados na

indústria – 1984.

Fonte: Entrevistas nas indústrias (amostragem)

Quanto ao salário, 86% dos funcionários recebem de um a dois salários mínimos, 8,8% de dois a quatro, 3,5% menos que um e 0,8% maisque quatro; isso evidencia o baixo nível de remuneração da grande maioriado funcionalismo industrial prudentino. Temos ainda uma redução nosalário das mulheres de aproximadamente um terço em relação ao doshomens, ou seja, para funções similares as mulheres – bem como osmenores – tem seu salário um terço mais baixo que o dos homens.

Dispondo dos salários e dos endereços dos funcionários, fizemos uma relação entre ambos e tivemos algumas áreas de destaque em moradiade funcionários cujos salários variam de um a dois salários mínimos, comoé o caso da zona leste da cidade, dos bairros chamados popularmente“além linha” devido a sua localização a leste dos trilhos da Estrada deFerro Sorocabana que corta parte da cidade. Há ainda outras áreas quedemonstram uma certa concentração de mão-de-obra como é o caso dos

Olga Lúcia Castreghini de Freitas – Capital e força de trabalho...bairros populares (COHAB/CECAP e adjacências), ou seja, entre asporções oeste e nordeste da cidade. 74

O cartograma (figura 3) foi elaborado levando em conta o local de moradia e o local de trabalho do funcionário, dando-nos o fluxo e odeslocamento

dos

mesmos

para

atingirem

seus

locais

de

trabalho.

Notamos que a minoria mora perto do trabalho; a maioria tem um grandedeslocamento diário e muitos atravessam quase que a cidade inteira,utilizando-se para tanto de ônibus urbano, visto que limitadas indústriastransportam seu pessoal com ônibus próprio. Os que residem próximo aotrabalho deslocam-se de bicicleta ou então “a pé”.Figura 3 – Presidente Prudente – Deslocamento diário dos funcionários

das indústrias na cidade - 1984