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Capítulo 1 - Elementos de Microbiologia, Notas de estudo de Biotecnologia

Capítulo 1 - Elementos de Microbiologia

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 14/08/2014

luiz-amaral-11
luiz-amaral-11 🇧🇷

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BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL COORDENADORES: VOLUME | WALTER BORZANI WILLIBALDO sCHMIDELL FUNDAMENTOS URGEL DE ALMEIDA LIMA EUGÊNIO AQUARONE QU) VA Bioquímica:, GioLOGIA | [| MOLECULAR À BioTEcNoLOGIA EE | M INDUSTRIAL Título: Biotecnologia industrial. A 122178 Ae, 18661 V. LEx4 SENALPR-MGA: EDITORA EDGARD BLÚCHER LTDA xi “ELEMENTOS DE MICROBIOLOGIA..... 11 12 13 14 15 16 17 TÉCNICAS BÁSICAS EM MICROBIOLOGIA. ELEMENTOS DE GENÉTICA DE MICRORGANISMOS. ELEMENTOS DE ENGENHARIA GENÉTICA....... 41 42 43 Introdução à Microbiologia Morfologia e estrutura Nutrição microbiana Meios de cultura ... Crescimento microbiano Controle dos microrganismos pela ação dos agentes físicos Controle pela ação de agentes químicos Bibliografia .... Segurança no laboratório ... Preparo de meios de cultura . Técnicas de assepsia .... Instrumentos do microbiologista Métodos de inoculação Culturas puras....... Meios de cultura e condições de incubação para anaeróbicos Métodos utilizados para quantificar os microrganismos .... Coloração de microrganismos Referências bibliograficas Leitura complementar. Introdução ...... Mutação... Recombinação em microrganism: Herança extracromossômica em microrganismos . Considerações finais Referências bibliográfica: Introdução Enzimas de restr s tesouras moleculares que cortam a molécula de DNA em pontos específicos... Vetores genéticos: as moléculas de DNA que veículam a propagação dos fragmentos de DNA de interesse .... | | | | “ELEMENTOS |. DE MICROBIOLOGIA Flávio Alterthumm I.1 — Introdução à Microbiologia A partir da descoberta e início dos estudos dos microrganismos, ficou claro que a divisão dos seres vivos em dois reinos, animais e plantas, era insu- ficiente. O zoólogo E.H. Haeckel, em 1866, sugeriu a criação de um terceiro reino, denominado Protista, englobando as bactérias, algas, fungos e proto- zoários. Essa classificação mostrou-se satisfatória até que estudos mais avan- cados sobre ultra-estrutura celular demonstraram duas categorias de células: as procarióticas e as eucarióticas. Nas eucarióticas o núcleo é limitado pela membrana nuclear e apresenta no seu interior vários cromossomas. Assim, em 1969, R.H. Wittaker propôs a expansão da classificação proposta por Haeckel, baseado não só na organização celular mas também na forma de obter energia e alimento: Reino Plantae, Reino Animalia, Reino Fungi, Rei- no Protista (microalgas e protozoários) e Reino Monera (bactérias e ciano- bactérias) (Fig. 1.1). Estudando as similaridades e diferenças do RNA ribossômico, C. Woese propôs, em 1979, uma nova classificação para os seres vivos: Domínio ou Su- pra-reino Arquibactérias (incluindo bactérias metanogênicas, bactérias termó- filas, bactérias acidófilas e bactérias halófilas), Domínio ou Supra-reino Eubactéria (incluindo as demais bactérias e cianobactérias) c Domínio ou Su- pra-reino Eucarioto (incluindo plantas, animais, fungos, protozoários e algas) (Fig. 1.2). 2 Elementos de Microbiologia Por não apm dos seres vivos e! mados basica os dois simult: mais compl Os vírus, quan | e portanto não células hospedeh bolismo. O aume: como nos organis , Tabela LE. —— | | CARACEE [8 Membrana ma L Nucléolo o o Número de | cromossoi Figura 1.1 — Distribuição dos organismos vivos em reinos, de acordo com a proposta de Whittaker. (Figura adapta- ! E ] Retículo da do livro Microbiology. Concepts and Applications de Michael |.Pelczar Jr., E.C.S. Chan e Noel R. Krieg, 1993.) endop ias Aparelho del ! Mitocôndria , Lisossomas 4 Histonas assa cromossoma, Ribossomas | Cloroplastos Parede celula mucocomple Transporte di Fagocitose — Pinocitose | * Há exceções! | Figura 1.2 - Distribuição dos organismos em Domínios ou Supra-reinos, de acordo com a proposta de Carl R. Woese IT 4 tlementos de Microbiologia Os vírus são classificados de acordo com o ácido nucléico, composição química e morfologia. Embora sejam objetos de estudo da microbiologia, não serão abordados neste capítulo introdutório. O sistema formal de organização, classificação e nomenclatura dos seres vivos é chamado de taxonomia. A organização está baseada em sete níveis descendentes, sendo o reino o mais amplo e maior, e a espécie o mais específi- co e menor. Os demais níveis são, em ordem decrescente: divisão, classe, or- dem, família e gênero. A classificação é o arranjo dos organismos em grupos, de preferência obedecendo às relações evolutivas. A nomenclatura é o processo de dar no- mes às espécies existentes. É binominal, sendo o nome científico uma combi- nação do nome genérico (gênero) seguido da espécie. O nome do gênero é iniciado com letra maiúscula, mas o da espécie não, e ambos os nomes são es- critos em itálico ou grifado. Exemplos: Saccharomyces cerevisiae Escherichia coli o je gênsro espécie Saccharomyces cerevisiae Escherichia coli eêneco espécio gênero espécie O microscópio foi e ainda é, em muitos casos, o equipamento laboratorial mais utilizado no estudo dos microrganismos. Há duas categorias principais de microscópios empregados: óptico e eletrônico. Eles diferem na forma pela qual se dá a ampliação e visualização do objeto. Na microscopia óptica um sistema de lentes manipula um feixe de luz que atravessa o objeto e chega ao olho do observador; na microscopia eletrônica a luz é substituída por um fei- xe de elétrons, e as lentes por um sistema de campo magnético. A microscopia óptica comum aumenta até 2.000 vezes e tem variações como a microscopia de fase, de campo escuro e de fluorescência. A microscopia eletrônica permite um aumento de cerca de 400.000 vezes e apresenta variações como a de trans- missão e a de varredura. A Fig. 1.3 apresenta alguns exemplos comparativos de tamanho de mi- crorganismos, vírus e a tabela de equivalência das unidades empregadas na microbiologia. Neste capítulo abordaremos somente aspectos gerais relativos a bacté- rias e fungos. Figura 1.3 — Limitesa moléculas e átomos. 1.2 —- Mo 12.1 — Ba Quando ob senta-se em uma térias de forma & piraladas, quand nome de espirilo meia espiral, rece , Composição crobiologia, não aclatura dos seres a em sete níveis = o mais específi- ão, classe, or- de preferência esso de dar no- Sfico uma combi- nome do gênero é = os nomes são es- o laboratorial ias principais n na forma pela scopia óptica um mbjeto e chega ao E por um fei- & microscopia = microscopia de irônica permite como a de trans- famanho de mi- empregadas na melativos a bacté- Morfologia e estrutura 5 Limite de resolução do microscópio ótico Limite de resolução do microscópio eletrônico 100 um «4 — Célula epitelial 10 um «— — Hemócio ] Bactérias típicas «4 — Micoplasmas Vírus COCA DRA DAE RNA DR E Proteínas Microscópio — se de varredura inn áci. Aminoácidos Átomos Figura 1.3 - Limites de resolução dos microscópios e possibilidades de visualização de células, bactérias, vírus, moléculas e átomos. 1.2 — Morfologia e estrutura 12.1 — Bactérias Quando observadas ao microscópio, a maior parte das bactérias apre- senta-se em uma das três formas: esféricas, cilíndricas ou espiraladas. As bac- térias de forma esférica denominam-se cocos e as cilíndricas, bacilos. Nas es- piraladas, quando o corpo é rígido e apresenta várias espirais, recebem o nome de espirilos e quando o corpo é rígido, porém em forma de vírgula ou meia espiral, recebem a designação de vibriões (Fig. 1.4). Morfologia e estrutura 7 Diplococos Tétrade amentos caracte- em cadeias, são e permanecem ento das cilíndri- uma bactéria de peixes que vi- Estafilococo erísticas dos Figura 1.5 — Arranjos dos cocos em função do plano de divisão. 8 Flementos de Microbiologia “= Parede celular = Membrana itoplasmática - Citoplasma Cromossoma: =-—— Ribossoma —— Cápsula Flagelo: Figura 1.6 — Representação esquemática de uma célula procariótica (bactéria) e suas principais estruturas (Figura adaptada do livro Microbiology. Concepts and Applications de Michael ). Pelezar Jr, EC.S. Chan e Noel RKrieg, 1993). A célula é delimitada pela membrana citoplasmática, de composição lipo- protéica e de importância vital. Além de regular as trocas com o meio ambiente, a membrana executa várias funções que, nas células eucarióticas, dependem de estruturas especiais: processos respiratórios (mitocôndrias), fotossíntese (cloroplastos), sustentação de ribossomas (retículo), orientação da divisão nu- clear (fuso) e biossíntese de estruturas de superfície. Externamente à membrana, as bactérias possuem uma parede celular rígida, que garante a forma da célula e a protege contra a diferença de pres- são osmótica entre o meio interno e o ambiente (a pressão dentro da célula pode ser vinte vezes maior do que fora). A parede é constituída de um arca- bouço básico, denominado mucopeptídeo ou peptideoglicano, formado de cadeias de polissacarídeos (unidades alternantes de N-acetilglicosamina e de ácido N-acetilmurâmico) unidas entre si por meio de cadeias peptídicas. A esse arcabouço podem se unir proteínas, polissacarídeos e, no caso de bactérias gram-negativas, uma fração bastante significativa de lipopolissa- carídeos: Algumas bactérias apresentam externamente à parede uma camada mu- cosa que, quando definida, é chamada de cápsula. Esta tem natureza polipeptí- dica ou polissas: ter importâncial No citopla dos, pequenas. táis como: ribos tese protéica; gr ou fosfatos. O material DNA (um crome da membrana ci contrar plasmída Eles codificam im senciais ou indis Algumas É constituídos de | na membrana ci Entre outra brias ou pili, que de biofilmes. Ha — a fímbria sem transferência de) ria fêmea (F). Menção es apenas por cerb vida de certas ba imperfeitamente getativa normal dos, baixo teor! dipicolínico. Al várias camadas, pecto importani aos agentes exte tem a temperai do que sucede o! produção, pois. trando eventual uma bactéria (Fã A reprodus processo da divã minado tamanho 10 Elementos de Microbiologia = MGériminação: E) a Fine da airtaso ss Capa o aumento a jeratidado 6 rastência termica. “Simtoseida cepa. Figura 1.7 — Esquema de formação do endósporo bacteriano. 1.2.2 — Fungos Os fungos são seres eucarióticos, heterotróficos, que não sintetizam clo- rofila, portanto não fazem fotossíntese, não armazenam amido como material de reserva e sim glicogênio e não têm celulose na parede celular, com exceção de alguns fungos aquáticos. São ubíquos, podendo ser encontrados no ar, solo, água, vegetais e animais. Do ponto de vista morfológico, é conveniente distingui-los em leveduras e bolores. Essa distinção não tem valor taxonômico, pois ambas as formas po- dem ser encontradas num mesmo grupo de fungos. As leveduras são geralmente unicelulares, de forma esférica, elíptica ou filamentosa. O tamanho varia de 1 a 5 um de diâmetro a 5-30 um de com- primento. d e / Figura 1.8 — Formas de apresentação das leveduras (esquerda) e bolores (direita). Os bolores formam tubos d As hifas podem! A célula Hd protéica, cuja fu sui uma parede & mecânicas. Sua E bém proteínas & usuais em solue mas, material de cariótico, conter uma membrana: Figura 1.9 — Repress Microbiology. An intros Os fungos fungos possuem Os esporos! rem a forma mai seminação. Os e pela qual se for cação, particular zados na Fig. 1.1 [ITR Edo como material ir, com exceção trados no ar, em leveduras as formas po- esférica, elíptica 5-30 um de com- Morfologia eestutue IE Os bolores são constituídos por células multinucleadas (cenócitos), que formam tubos chamados hifas; ao conjunto de hifas dá-se o nome de micélio. As hifas podem ser contínuas ou septadas (Fig. 1.8). A célula fúngica (leveduras e bolores), tem membrana citoplasmática lipo- protéica, cuja função principal é regular as trocas com o meio ambiente. Pos- sui uma parede celular rígida, que confere resistência às pressões osmóticas e mecânicas. Sua natureza é polissacarídica em maior proporção, contendo tam- bém proteínas e lipídeos. No citoplasma encontram-se, além dos componentes usuais em solução, vacúolos, mitocôndrias, retículo endoplasmático, ribosso- mas, material de reserva (gorduras e carboidratos). O núcleo, tipicamente eu- cariótico, contém nucléolo, vários cromossomas e histonas envolvidos por uma membrana nuclear (Fig. 1.9). ANIMAL E PROTOZOÁRIO. Ribossoma Complex» tie Goiat. Citoplasma. = Membrana plasmática Mitocêndiria Microilamento. Reticuo. É Endoplasmático ragasa “Centríolo Microtúbuio Reticulo É ondoplasmática liso Corpo basal Flagelo igura 1.9 - Representação esquemática da célula cucariótica e suas principais estruturas (Figura adaptada do livro Microbiology. An introduction de Gerard ). Tortora, Berdel! R.Funke e Christine L, Case, 1995). Os fungos aquáticos apresentam flagelos para sua locomoção e poucos fungos possuem cápsula. Os esporos fúngicos têm uma importância toda especial, pois além de se- rem a forma mais frequente de reprodução, são os principais veículos de dis- seminação. Os esporos podem ter origem assexuada ou sexuada. A maneira pela qual se formam e se dispõem, constitui elemento importante na identifi- cação, particularmente nos bolores. Os tipos fundamentais podem ser visuali- zados na Fig. 1.10. gepresenta 100 um extremidade de célula especial, idióforo. saco denomina- = uma hifa. micélio, em tor- entes que os ou- o de duas cé- um número Morfologia e estrutura 13 Zigosporos. Consegiuentes da fusão de duas células idênticas. Semelhante aos bolores, as leveduras podem se reproduzir assexuada ou sexuadamente. No primeiro caso, o processo mais comum é o brotamento, do qual resultam células-filhas inicialmente menores que a célula-mãe. Algumas leveduras reproduzem-se por divisão binária, como as bactérias. A reprodução sexuada se faz pela formação de ascosporos, isto é, esporos contidosno interior de um asco. 1.3 - Nutrição microbiana [.3.1 — Considerações gerais Basicamente as necessidades nutritivas dos microrganismos são as mes- mas que as de todos os seres vivos, que, para renovarem seu protoplasma e exercerem suas atividades, exigem fontes de energia e fontes de material plás- tico. Nos seres superiores, todavia, encontramos apenas dois tipos nutritivos: a) os vegetais são fotossintéticos, isto é, obtêm energia da luz solar, e auto- tróficos, nutrindo-se exclusivamente de substâncias inorgânicas; b) os animais são quimiotróficos, obtendo energia às custas de reações químicas e heterotróficos, por exigirem fontes orgânicas de carbono. Entre os microrganismos, principalmente as bactérias, há uma variedade de tipos intermediários entre os dois tipos mencionados. 1.3.2 — Fontes de energia As algas e algumas bactérias são fotossintéticas. Nas primeiras o pig- mento principal é a clorofila, como nas plantas; durante o processo a água é utilizada como doadora de elétrons, com desprendimento de oxigênio. Esse processo é importantíssimo e cerca de 50% do oxigênio atmosférico provém dele. Nas bactérias, o pigmento fotossintético não é a clorofila vegetal; não há produção de oxigênio, pois a água não é utilizada como fonte de elétrons. Bac- térias que utilizam compostos inorgânicos (FLS, por exemplo) para esse fim são chamadas de litotróficas; as organotróficas são as que exigem doadores or- gânicos de elétrons. Os fungos e a grande maioria das bactérias são quimiotróficos, obtendo energia às custas de reações químicas, onde substratos adequados são oxida- dos. Os microrganismos litotróficos oxidam compostos inorgânicos, enquanto que os organotróficos oxidam compostos orgânicos. No primeiro grupo en- contramos somente bactérias, algumas de considerável importância. Como exemplo, as bactérias do gênero Thiobacillus são capazes de oxidar enxofre produzindo ácido sulfúrico. São, por isso, utilizadas na lixiviação de metais ou minérios pobres, como de cobre ou de urânio, onde o processo químico 14 Elementos de Microbiologia usual seria pouco econômico. No segundo grupo encontramos os fungos, além de um grande número de bactérias. 1.3.3 — Fontes de material plástico Para a renovação da matéria viva, os elementos quantitativamente mais importantes são o carbono, o hidrogênio, o oxigênio, o nitrogênio, o enxofre e o fósforo. Fontes de carbono. Para os microrganismos autotróficos a única fonte de carbono é o CO, ou o íon bicarbonato, a partir dos quais conseguem sinteti- zar todos os compostos orgânicos de que necessitam. Fungos e a maioria das bactérias são heterotróficos, exigindo fontes orgânicas de carbono; des- tas, as mais comuns são os carboidratos, particularmente D-glicose; ami- noácidos, ácidos monocarboxílicos, lipídeos, álcoois e mesmo polímeros como amido e celulose podem também ser utilizados. Na realidade, qual- quer composto orgânico natural e muitos sintéticos podem ser utilizados por algum microrganismo. Essa versatilidade é de uma extraordinária im- portância, permitindo o emprego de microrganismos numa extensa série de transformações úteis para o homem. Na maior parte das vezes, o mesmo composto é usado para obter energia e esqueletos de carbono. Além disso, os microrganismos heterotróficos são também capazes de fixar CO, (muitos o exigem em quantidades maiores), embora não como fonte única de carbo- no. Os elementos químicos oxigênio e hidrogênio geralmente fazem parte dos compostos orgânicos. Fontes de nitrogênio. Quanto à necessidade de nitrogênio há, em linhas gerais, três categorias de microrganismos. Algumas bactérias retiram o nitro- gênio diretamente da atmosfera e o convertem a nitrogênio orgânico. Essa “fi- xação” de nitrogênio é exercida por bactérias dos gêneros Azotobacter, Clostridium e Rhizobium. Elas executam o processo em simbiose com plantas leguminosas. Estudos recentes têm demonstrado que, além desses, outros mi- crorganismos são capazes de fixar diretamente o nitrogênio atmosférico: algu- mas algas azul esverdeadas e bactérias dos gêneros Achromobacter, Nocardia, Pseudomonas e Aerobacter. Novamente temos aqui um processo de considerá- vel importância econômica. Tais microrganismos podem contribuir de maneira significativa na fertilidade e produtividade do solo. Numerosos fungos, algas e a quase totalidade das bactérias utilizam compostos inorgânicos de nitrogê- nio, em especial sais de amônio e ocasionalmente nitratos (raramente nitritos). Fungos e algumas bactérias exigem fontes orgânicas de nitrogênio, represen- tadas por um número variável de aminoácidos. De um modo geral, a adição de aminoácidos ou hidrolisados de proteínas favorece o crescimento da maio- ria dos microrganismos heterotróficos. Íons inorgânicos essenciais. Além de carbono e nitrogênio, os microrganis- mos exigem uma série de outros elementos, sob a forma de compostos inorgã- nicos. Alguns sã enquanto que, & temos o fósforo, co e na síntese, aminoácidos cos na e tiamina; 08 o magnésio, ative ção; o ferro, nece papel dos micra seu estudo. Tem de de elementos outros. Fatores des tos orgânicos im não consegue si para que o mica em especial do « dos graxos. As díssimas. Um dos as que, quando um será limitado pel tes, o cresciment te a elaboração | medida do crese uma série de sub 134 À A água nã para o crescime! dos protozoário se nutrem pela E toplasmática. A. primordial na re fico, na regulaça porulados, morr 13.5 — O Como a és nas como recepf Os microrganise microrganismos 16 Elementos de Microbiologia o exigem em pequena quantidade, não tolerando as pressões normais de O, atmosférico; são os microaerófilos; microrganismos anaeróbios não toleram a presença de oxigênio livre, morrendo rapidamente nessas condições; micror- ganismos facultativos tanto podem crescer na presença como na ausência de oxigênio livre. Entre as bactérias, encontramos os três tipos de comportamentos. Os fungos são aeróbios ou facultativos, raramente anaeróbios. 1.4 — Meios de cultura 1.4.1 — Considerações gerais Nas condições artificiais do laboratório o crescimento de microrganis- mos é conseguido pela semeadura dos mesmos em meios de cultura, cuja composição deve atender aos princípios expostos no item anterior. Dada a variedade de tipos nutritivos, é fácil compreender que não há um meio de cul- tura universal. Muitas vezes, o que é exigido por um determinado microrga- nismo inibe totalmente o crescimento de outros; é o que sucede com a matéria orgânica necessária ao crescimento de germes heterotróficos que, na maioria das vezes, inibe totalmente a proliferação de autotróficos. Assim, para compor um meio adequado, é necessário conhecer a fisiologia dos microrganismos em estudo. Lembramos que cada microrganismo duplicado ou multiplicado deve possuir todos os componentes da célula original. Para se ter uma idéia aproxi- mada da composição química de uma bactéria, por exemplo a Escherichia coli, veja a Tab. 1.2. Os números apresentados são válidos para essa bactéria, quando cultivada nas condições estabelecidas; eles não são válidos para outros micror- ganismos (outras bactérias ou fungos), mas servem de referencial. 1.42 — Composição dos meios de cultura Basicamente existem dois grandes grupos de meios de cultura: os meios sintéticos e os meios complexos. Chamam-se meios sintéticos àqueles cuja com- posição química é qualitativa e quantitativamente conhecida. Considere-se, por exemplo, o seguinte meio: NH,CL, 1,0g; KHPO,, 1,0g; MgsSO,. 7H,0, 0,2g; FesO,. 7H,0, 0,01g; CaCL, 0,02g; MnCL,. 4H,0, 0,002; NaMoO.. 2H,0, 0,001g; água q.s.p., 1 L. Temos aqui um meio que se enquadra na definição de sintético. Tam- bém está de acordo com os princípios gerais, já expostos, no que tange à fonte de nitrogênio e íons inorgânicos; não contém, entretanto, uma fonte de carbo- no nem fonte de energia. Isso sucede porque o meio foi planejado para a cultura de germes fotoli- totróficos: só contém material inorgânico; a fonte de carbono é o CO, (prove- niente do ar) e a fonte de energia é a luz solar. Para que os microrganismos cresçam nesse meio, eles devem ser incubados em presença de luz e em condi- ções de aerobiose. Macromoléculs | Proteína RNA (total) 237RNA 16rRNA 5rRNA transferência mensageiro DNA Lípide Lipopolissacarídes Mucocomplexo. À Glicogênio | Total de macromoléculs Material em solus Subunidades, vitaminas, metabe Íons orgânicos | Massa seca - total Massa de uma back Conteúdo aquoso: & Massa seca de uma, * Há quatro classese Se a essem ser enquadrado gânica de energ notróficos come dos mamíferos. síntese, pois, a P todos os compa bactéria com car monella typhi), se fano; S.typhi não mormais de O, s não toleram a ições; micror- ma ausência de tamentos. Os de microrganis- e cultura, cuja erior. Dada a com a matéria e, na maioria im, para compor organismos em riplicado deve a idéia aproxi- Escherichia coli, actéria, quando outros micror- : os meios cuja com- Considere-se, sintético. Tam- me tange à fonte Fonte de carbo- germes fotoli- o CO, (prove- icrorganismos e luz e em condi- Meios de cultura 7 Tabela 1.2 - Composição química da célula bacteriana , Massa | Massa/célula | Peso Número de | Diferentes Macromoléculas seca a moloviar | moléculas/ | tipos de (%h) nan E a célula moléculas Proteína 550 155,0 4,0 x10 2.360.000 1.050 | RNA (total) 20,5 59,0 | 6 23RNA | 310, LOx10 18.700 1 16rRNA | 160, 510 18.700 1 | SrRNA 10 | 39x10º 18.700 1 transferência 86 | 250! 205.000 60 mensageiro 24] 10x0º 1.380 400 J | | 9 DNA 31 9,0 2550" 213 1 | Lípide 9,1 26,0 75 22.000.000 4 Lipopolissacarídeo 34 10,0 1346 1.200.000 1 Mucocomplexo 25 z0 (og 1 1 Glicogênio [25 70 1ox0 4.360 1 Total de 96,1 2730 macromoléculas Material em solução: | 29 8,0 Subunidades, 70 vitaminas, metabólitos LO Íons orgânicos LO 30 Massa seca - total 100,0 | 2840 Massa de uma bactéria: 9,5 x 10“g Conteúdo aquoso: 6,7x 10“ Massa seca de uma bactéria: 2,84x 10“g * Há quatro classes de fosfolipídeos, cada uma delas com composições variáveis de ácidos graxos. Se a esse meio de cultura adicionarmos 0,5 g de glicose, ele continuaria a ser enquadrado na definição de sintético, mas, contendo agora uma fonte or- gânica de energia e carbono (glicose), permitirá o crescimento de quimiorga- notróficos como, por exemplo, Escherichia coli, habitante normal do intestino dos mamíferos. Trata-se de um organismo de excepcionais capacidades de síntese, pois, a partir da glicose e dos sais minerais do meio, consegue fabricar todos os componentes do protoplasma. Se quisermos, contudo, cultivar uma bactéria com características nutritivas semelhantes à E.coli, o bacilo tífico (Sal- monella typhi), será necessário, além da glicose, adicionar o aminoácido tripto- fano; S.typhi não consegue sintetizar triptofano, que, para ela, como definimos