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Capitulo 3 Textos Tematicos e Figurativos, Notas de estudo de Direito

PORTUGUES 2

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 18/08/2010

cristina-alves-14
cristina-alves-14 🇧🇷

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Capítulo 3
Professor: Edson
Comunicação e Expressão
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Capítulo 3

Comunicação e Expressão

Capítulo 3

TEXTOS TEMÁTICOS E TEXTOS FIGURATIVOS:

DUAS FORMAS DE CONSTRUIR MEU TEXTO

Caro aluno, Se fossem solicitadas duas palavras que pudessem simbolizar o amor, quais palavras você escolheria? Talvez você tenha pensado em várias, mas podemos destacar duas: coração e paixão. Qual dessas duas palavras é a mais concreta para você, ou seja, você consegue visualizar a forma, a cor? Tenho certeza de que respondeu a palavra coração. E você está certo. Já da palavra paixão nós podemos ter uma noção do que seja, mas nós não conseguimos visualizar sua aparência, ou seja, concretizá- la. É isso o que acontece também com o texto. Existem textos que são mais concretos, que são chamados figurativos e há textos que são mais abstratos, como ocorre com a palavra paixão, que são nomeados temáticos. A seguir temos três textos. O primeiro é um editorial, o segundo é um conto e o terceiro é uma fotografia. Leia-os atentamente.

Texto 1

Remuneração de trabalhadores brancos é 90,7% maior que de pretos

A remuneração média de trabalhadores brancos foi 90,7% maior que a de pretos e pardos em setembro, último dado disponível, aponta estudo do economista Marcelo Paixão baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, que reúne dados sobre as seis maiores regiões metropolitanas do País. Desde o início da crise econômica global, o auge da desigualdade entre os dois grupos no mercado de trabalho tinha sido registrado em fevereiro, quando a renda dos brancos era 102% superior. "Acho que qualquer queda de desigualdade é para ser comemorada. O que não se pode é ser exagerado no grau de otimismo, porque não vejo nos indicadores motivos para supor que esse ritmo de redução da desigualdade vá se manter nos próximos meses", diz Paixão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde coordena o Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER). Formado em economia e doutor em sociologia, o professor tem algumas hipóteses para a redução registrada até setembro, um ano após o início da crise

Capítulo 3

a comida que fazem para os seus patrões ou qualquer outra coisa que lhes mandem fazer e que não deva ficar senão limpa. O Senhor Antunes da Coca-Cola, que só aparece na vila de vez em quando, quando as coca-colas das cantinas já tenham sido todas vendidas, disse-me que tudo o que me tinham contado era aldrabice. Claro que não sei se realmente era, mas ele garantiu-me que era. Depois de eu lhe dizer que sim, que era aldrabice, ele contou então o que sabia desta coisa das mãos dos pretos. Assim: “Antigamente, há muitos anos, Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, Virgem Maria São Pedro, muitos outros santos, todos os anjos que nessa altura estavam no céu e algumas pessoas que tinham morrido e ido para o céu, fizeram uma reunião e decidiram fazer pretos. Sabes como? Pegaram em barro, enfiaram-no em moldes usados e para cozer o barro das criaturas levaram-nas para os fornos celestes; como tinham pressa e não houvesse lugar nenhum, ao pé do brasido, penduraram- nas nas chaminés. Fumo, fumo, fumo e aí os tens escurinhos como carvões. E tu agora queres saber porque é que as mãos deles ficaram brancas? Pois então se eles tiveram de se agarrar enquanto o barro deles cozia?!”. Depois de contar isto o Senhor Antunes e os outros Senhores que estavam à minha volta desataram a rir, todos satisfeitos. Nesse mesmo dia, o Senhor Frias chamou-me, depois de o Senhor Antunes se ter ido embora, e disse-me que tudo o que eu tinha estado para ali a ouvir de boca aberta era uma grandessíssima pêta. Coisa certa e certinha sobre isso das mãos dos pretos era o que ele sabia: que Deus acabava de fazer os homens e mandava-os tomar banho num lago do céu. Depois do banho as pessoas estavam branquinhas. Os pretos, como foram feitos de madrugada e a essa hora a água do lago estivesse muito fria, só tinham molhado as palmas das mãos e as plantas dos pés, antes de se vestirem e virem para o mundo. Mas eu li num livro que por acaso falava nisso, que os pretos têm as mãos assim mais claras por viverem encurvados, sempre a apanhar o algodão branco de Vírginia e de mais não sei aonde. Já se vê que a Dona Estefânia não concordou quando eu lhe disse isso. Para ela é só por as mãos desbotarem à força de tão lavadas. Bem, eu não sei o que vá pensar disso tudo, mas a verdade é que ainda que calosas e gretadas, as mãos dum preto são sempre mais claras que todo o resto dele. Essa é que é essa! A minha mãe é a única que deve ter razão sobre essa questão de as mãos de um preto serem mais claras do que o resto do corpo. No dia em que falamos disso, eu e ela, estava-lhe eu ainda a contar o que já sabia dessa questão e ela já estava farta de se rir. O que achei esquisito foi que ela não me dissesse logo o que pensava disso tudo, quando eu quis saber, e só tivesse respondido depois de se fartar de ver que eu não me cansava de insistir sobre a coisa, e mesmo assim a chorar, agarrada à barriga como quem não pode mais de tanto rir. O que ela me disse foi mais ou menos isto: “Deus fez os pretos porque tinha de os haver. Tinha de os haver, meu filho, Ele pensou que realmente tinha de os haver... Depois arrependeu-se de os ter feito porque os outros homens se riam deles e levavam- nos para as casas deles para os pôr a servir como escravos ou pouco mais. Mas como Ele já não os pudesse fazer ficar todos brancos porque os que já se tinham habituado a vê-los pretos reclamariam, fez com que as palmas das mãos deles

Capítulo 3

ficassem exatamente como as palmas das mãos dos outros homens. E sabes porque é que foi? Claro que não sabes e não admira porque muitos e muitos não sabem. Pois olha: foi para mostrar que o que os homens fazem, é apenas obra dos homens... Que o que os homens fazem, é feito por mãos iguais, mãos de pessoas que se tiverem juízo sabem que antes de serem qualquer outra coisa são homens. Deve ter sido a pensar assim que Ele fez com que as mãos dos pretos fossem iguais às mãos dos homens que dão graças a Deus por não serem pretos”. Depois de dizer isso tudo, a minha mãe beijou-me as mãos. Quando fugi para o quintal, para jogar à bola, ia a pensar que nunca tinha visto uma pessoa a chorar tanto sem que ninguém lhe tivesse batido. Luis Bernardo Honwana (autor moçambicano)

Texto 3

Capítulo 3

Platão e Fiorin, em seus livros “Lições de texto: leitura e redação” e “Para entender o texto: leitura e redação”, discutem de forma muito clara essas questões, por isso, nós nos pautaremos neles, quase que integralmente, para explicá-las.

Desde os primeiros anos de escola, aprendemos que os substantivos classificam-se em concretos e abstratos e assim criou-se a seguinte definição:

  • Concreto o É todo termo que indica algo presente no mundo natural, material ou espiritual, real ou fictício: casa, cor, Deus, fada, saci, amigo etc. o É aquilo que está na realidade, ou seja, no mundo visível e palpável. É o que pode ser visto ou tocado pelos olhos, sentimentos e mãos humanas.

Capítulo 3

Essas definições têm algumas deficiências. A primeira que podemos destacar é que elementos concretos e abstratos não são categorias da realidade, mas da linguagem. Por conseguinte, a expressão mundo natural não é somente a realidade exterior, visível, sensível, mas as realidades criadas pelo discurso. Assim, não há o menor propósito em perguntar se Deus, fada ou saci são concretos ou não e em responder que isso depende da crença que se tenha neles. Eles são concretos, porque Deus é um ser efetivamente presente no universo criado pelo discurso religioso, fada tem existência na realidade criada pelo conto maravilhoso, saci ganha o estatuto de ser nas narrativas folclóricas. Diante dessas definições, nós ampliamos aquele conceito ao pensarmos que somente os substantivos são classificados em concreto e abstrato, mas todos os termos podem ter essa classificação. Assim, temos substantivos, adjetivos e verbos concretos e abstratos. Por exemplo, noite remete a algo efetivamente existente no mundo natural, enquanto raiva não, embora possamos concretizar esse sentimento dizendo: ficar vermelho, dar murro na mesa, gritar etc.; azul é um adjetivo concreto, pois expressa uma qualidade imediatamente perceptível do mundo natural, enquanto inteligente é abstrato, pois é o termo que designa uma série de elementos concretos (aprender rapidamente, compreender tudo o que é explicado etc.); plantar é um verbo concreto, enquanto envergonhar-se é abstrato, pois o que é concreto são as manifestações da vergonha, por exemplo, ficar vermelho, corar etc.

  • Abstrato o É toda palavra que não indica algo presente no mundo natural, mas é uma categoria que ordena o que está nele manifesto - é o pensamento, a reflexão humana ou filosófica -, o existir, a consciência e o conhecimento. o Demonstra ideias, conceitos, ações, estados e qualidades que não possuem uma imagem/figura previamente concebida: amor, saudade, trabalho, tristeza, alegria - é possível ver uma imagem de uma pessoa triste ou alegre, mas não é possível desenhar a tristeza e a alegria.

Capítulo 3

Era uma vez um escorpião que estava na beira de um rio, quando a vegetação da margem começou a queimar. Ele ficou desesperado, pois, se pulasse na água, morreria afogado e, se permanecesse onde estava, morreria queimado. Nisso, viu um sapo que estava se preparando para saltar no rio e, assim, livrar-se do fogo. Pediu-lhe, então, que o transportasse nas costas para o outro lado. O sapo respondeu-lhe que não faria de jeito nenhum o que ele estava solicitando, porque ele poderia dar-lhe uma ferroada, levando-o à morte por envenenamento. O escorpião retrucou que o sapo precisaria guiar-se pela lógica; ele não poderia dar- lhe uma ferroada, pois, se o sapo morresse, ele também morreria, porque se afogaria. O sapo disse que o escorpião estava certo e concordou em levá-lo até a outra margem. No meio do rio, o escorpião pica o sapo. Este, sentindo a ação do veneno, vira-se para aquele e diz que só gostaria de entender os motivos que fizeram que ele o picasse, já que o ato era prejudicial também ao escorpião. Este, então, responde que simplesmente não podia negar a sua natureza.

Esse texto não narra simplesmente a história de um escorpião que conseguiu enganar um sapo. Essa narrativa está apoiada sobre um tema, que poderíamos apontar como: a imutabilidade do caráter humano, ou seja, ele procura retratar que o ser humano tem uma índole e uma propensão natural que não muda. Esse caráter, muitas vezes, manifesta-se nas circunstâncias da vida, até mesmo quando essa manifestação contraria o bom senso. Esse texto foi construído na linguagem figurativa, utilizando-se de termos concretos como: escorpião, sapo, margem, rio, fogo, água etc., para desenvolver um assunto, produzindo um efeito de realidade para criar uma imagem do mundo.

Capítulo 3

Um leitor ingênuo permanece apenas no nível figurativo e não é capaz de perceber os significados mais abstratos que estão sob os termos concretos. Portanto, a sua leitura ficaria apenas na narrativa da história do sapo e do escorpião. Já um leitor mais avisado procuraria logo um significado mais amplo para o texto, que fossem além desses fatos concretos. Qual é o tipo de leitura que você fez: de um leitor ingênuo ou de um leitor mais avisado? Buscar essa leitura mais profunda do texto é fundamental para que você desenvolva o senso crítico, que será fundamental para o seu desenvolvimento profissional. Como já dissemos, todo texto se constrói pautado em um assunto. Portanto, podemos dizer que um texto figurativo sempre trabalha com elementos concretos para, por meio deles, revelar significados mais abstratos. Por isso, o nosso próximo passo é entender como depreender um tema do texto figurativo e também do texto temático.

O encadeamento de figuras Quando estamos diante de um texto figurativo, como achar o tema que está implícito nas figuras espalhadas ao longo do texto? Antes de responder essa questão, é preciso, primeiramente, dizer que uma figura não tem significado em si mesma. Isoladamente, ela pode sugerir ideias muito variadas e noções muito imprecisas. Seu sentido só nasce do encadeamento com outras figuras. Você está lembrado da propaganda que usamos no Capítulo 1, que alertava contra o uso de bebida alcoólica antes de dirigir? Conforme já dissemos nessa primeira aula, um texto é uma unidade de sentido, portanto, todos os elementos nele presentes têm que ter relações para estabelecer o sentido. Assim sendo, num texto figurativo, o que dá sentido às figuras é um tema. Por isso, encontrar o sentido de um conjunto de figuras encadeadas é achar o tema que está subjacente a elas. Imagine uma equipe de publicitários que tenha como meta produzir uma propaganda que associe o produto ao tema saúde e juventude. As figuras que poderiam mostrar esse tema são: alguém praticando esporte; uma jovem bonita,

Capítulo 3

A Galinha Todo ovo Que eu choco Me toco De novo Todo ovo É a cara É a clara Do vovô

Mas fiquei Bloqueada E agora De noite Só sonho Gemada

A escassa produção Alarma o patrão As galinhas sérias Jamais tiram férias “Estás velha, te perdôo Tu ficas na granja Em forma de canja''

Ah!!! é esse o meu troco Por anos de choco??? Dei-lhe bicada E fugi, chocada

Quero cantar Na ronda Na crista Da onda

O Lobo e o Cordeiro

Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo da água.

  • Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o lobo, que estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome.
  • Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando.
  • Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal de mim no ano passado.
  • Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido. O lobo pensou um pouco e disse:
  • Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
  • Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.
  • Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais sossegado. Fábula de La Fontaine

Capítulo 3

Pois um bico a mais Só faz mais feliz A grande gaiola Do meu país (Enriquez - Bardotti - Chico Buarque)

Os textos “A Galinha” de Chico Buarque e a fábula “O Lobo e o Cordeiro” de La Fontaine são textos figurativos. Eles utilizam elementos concretos diferentes para desenvolver o mesmo tema. Qual é o tema? Lembra que o desafio é que você faça a leitura do texto como um leitor mais avisado e não como um leitor ingênuo. No texto “A Galinha”, os elementos concretos permitem-nos fazer a seguinte rede figurativa. Ele fala do animal galinha que choca ovos satisfazendo ao seu patrão, mas por estar velha a sua produção não é mais a mesma, por isso, ela sabe que o seu destino será virar canja. A sua única salvação é dar uma bicada no patrão e fugir para poder cantar. Ao observarmos essas ações e os elementos figurativos apreendemos a temática de um ser que trabalha sob a pressão e que deseja a liberdade. Quando nas duas últimas estrofes nos deparamos com a figura gaiola e país, esses elementos ampliam ainda mais essa temática, remetendo a uma opressão estatal. Assim podemos dizer que a temática desse texto é a opressão daquele que tem o poder para com aquele que o serve. Já na fábula “O Lobo e o Cordeiro” são trabalhadas as figuras do lobo e do cordeiro que estão num riacho bebendo água. O lobo, que é tido como animal feroz, busca algumas razões sem fundamento para atribuir culpa ao cordeiro, que é tido como indefeso, para devorá-lo, o que acaba ocorrendo na história. Vemos, portanto, que aquele que é detentor da força sobrepõe-se ao mais fraco. Desta forma dois textos com elementos concretos diferentes expressam a mesma temática: a utilização do poder e da força na subjugação do mais fraco. O grande desafio foi analisar como esses textos figurativos trabalham com elementos concretos para, por meio deles, revelar significados mais abstratos, que nesse caso seriam a opressão e a liberdade.

Capítulo 3

Talvez a temática que você tenha dito seja: o texto fala sobre a linguagem. Observe que essa temática é muito abrangente, pois existem diversas abordagens sobre a linguagem. Qual é a abordagem que o texto faz sobre a linguagem, ou seja, qual é o tema principal? Para chegar a esse tema geral do texto, é preciso ver o encadeamento dos diferentes temas disseminados ao longo do texto: a linguagem modela os pensamentos, sentimentos, emoções, esforços, vontade e atos do ser humano; com ela, o homem influencia e é influenciado; com ela o homem reflete quando está sozinho e constrói as obras literárias, filosóficas e científicas; a linguagem modela a consciência do homem; as lembranças são constituídas linguisticamente. Todos esses subtemas mostram que o indivíduo pensa e age a partir da linguagem que incorporou. É com a linguagem que convencemos os outros a fazer determinadas coisas, a agir de certa maneira. É com ela também que os outros nos fazem mudar de atitude, nos fazem alterar nossa maneira de pensar. Dessa forma, podemos dizer que o tema central do texto é: a linguagem tem um papel ativo na formação do indivíduo. Portanto, o entendimento de um texto dessa natureza requer do leitor a capacidade de enquadrar todos os temas disseminados ao longo do texto e englobá-los dentro de um tema geral que sintetize de maneira ampla todo o conjunto. Os temas se encadeiam em percursos, formando um conjunto organizado. Quando há quebra nesse percurso significa que o texto foi construído de forma incoerente ou houve alteração no tema geral. Por exemplo, um texto temático que faz apologia ao regime democrático necessita discutir as oportunidades que o povo teve na escolha daqueles que os governam, os sucessivos erros históricos do povo na escolha de seus governantes. Caso haja uma afirmação nesse texto de que o povo não sabe votar e escolher os

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seus governantes ela não estará coerente com a temática, pois esse modo de pensar ressalta o regime autoritário e não democrático. É muito comum ocorrer esses tipos de desvios em produções textuais, pois os alunos acabam se contradizendo em suas próprias afirmações ao discutir os subtemas. Há outro exemplo colocado por Platão e Fiorin: suponhamos que estejamos discorrendo sobre a função que tem o Estado moderno de proteger as pessoas mais indefesas. O tema geral seria: a proteção do Estado aos indefesos. Poderíamos enunciar subtemas relativos à educação das crianças, aos cuidados com sua saúde, aos investimentos em habitação para a população de baixa renda. No entanto, se, num dado ponto do texto, disséssemos que um sistema de aposentadoria seria dispensável, pois o Estado não precisaria ocupar-se dos velhos pobres, o texto seria incoerente, uma vez que a lógica do percurso temático foi violada. Portanto, quando construímos um texto, partimos sempre de uma temática, por isso, devemos buscar ideias ou figuras que sustentam essa temática. O mesmo ocorre quando lemos um texto. Precisamos ligar os conceitos e as figuras usadas pelo autor para entendermos o sentido e o assunto que o texto está tratando.