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Capitulo 8 Modos de Argumentar e Persuadir, Notas de estudo de Direito

PORTUGUES - PORTUGUES

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 18/08/2010

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cristina-alves-14 🇧🇷

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Capítulo 8
Professor: Edson
Comunicação e Expressão
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Capítulo 8

Comunicação e Expressão

Capítulo 8

MODOS DE ARGUMENTAR E PERSUADIR

Caro aluno,

Quando falamos sobre a dissertação, vimos que existem dois tipos de textos dissertativos: o expositivo e o argumentativo. Você consegue diferenciá-los? Caso ainda não tenha essa diferença clara em sua mente, volte e dê mais uma olhada no guia de estudo, porque isso será fundamental para darmos continuidade aos nossos trabalhos, uma vez que iremos abordá-los com mais profundidade.

Quando produzimos um texto argumentativo visamos persuadir o nosso ouvinte ou leitor, que é o nosso interlocutor, sobre um determinado assunto, ideia ou opinião, lembra-se? Não necessariamente precisamos fazê-lo pensar como nós, mas precisamos estabelecer argumentos convincentes para que mostremos ao nosso interlocutor que há uma lógica ou uma coerência naquilo que pensamos.

Retomando o conceito, podemos dizer que:

Em muitas situações como discussões na imprensa, nas assembleias ou em conversas cotidianas, a argumentação passa a ser um “bate-papo” e, às vezes, podem ocorrer insultos ou sarcasmos. Tudo isso, é claro, não contribui para uma verdadeira argumentação. Pelo contrário, parece que faltou conhecimento de mundo para que houvesse a defesa o ponto de vista de cada um. Cabe ainda comentar que preconceitos e superstições também não colaboram para a construção de um bom texto argumentativo. Uma argumentação legítima precisa ser construtiva e crítica, sempre baseada em fatos, na ideia de pessoas conceituadas e deve sempre estabelecer uma lógica de pensamento.

Argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões em face da evidência das provas e à luz de um raciocínio lógico e consistente.

Capítulo 8

Segundo a pesquisa da FGV, Alagoas concentra o maior patamar de pobres do País, com um índice de 38,8% da população sobrevivendo na chamada classe E. Em comparação com os dados da Pnad de 2007, também analisados pela FGV, nota-se que a pobreza em Alagoas só cresceu. Em 2007, 37,9% dos alagoanos estavam na classe E. Os percentuais de Alagoas chegam a ser piores que o do Maranhão, onde o índice de pobres caiu em vez de subir. Lá, 33,8% da população se encontra hoje na classe E, enquanto que em 2007 esse índice era de 38,3%. (http://www3.fgv.br/ibrecps/Clippings/lc2053.pdf)

Esse tipo de recurso terá muito peso em nossa argumentação, pois partimos de uma fonte conceituada. Todavia, nem sempre quando citamos alguém renomado, estamos tendo um bom argumento, pois poderemos citar o nome da pessoa ou da instituição apenas como uma fonte de crédito, no entanto, o que se afirma poderá não ser verdadeiro. Por exemplo: alguém poderia elaborar um texto em que procurasse argumentar sobre a importância do conhecimento e em seu texto ele afirmasse: “Conforme disse Sócrates, as pessoas precisam buscar mais conhecimento para se constituírem enquanto seres.”

Observe que nessa afirmação está se buscando um argumento de autoridade, todavia, se esse texto for lido por alguém que conhece Sócrates saberá que essa afirmação não é verdadeira e, dessa forma, o texto ficará totalmente desacreditado.

Capítulo 8

Além disso, mesmo que Sócrates tivesse dito isso, sabemos, hoje, que esse tipo de afirmação não procede, pois o homem não se constitui um ser somente pelo conhecimento. Assim, essa afirmação irá contra a ordem real, tornando o argumento enfraquecido.

  1. Argumentos por comprovação

A sustentação da argumentação se dará a partir de dados, estatísticas, percentuais etc. Esse argumento é diferente ao de autoridade, pois aqui, não se pensa no nome da instituição ou da pessoa em si, mas nas informações que são concedidas. A busca do argumento por comprovação ocorre quando o objetivo é contestar um ponto de vista equivocado. Estatísticas e dados percentuais costumam ser encarados, pelo leitor, como uma comprovação da opinião emitida pelo autor do texto: os números falam por si mesmo (desde que sejam confiáveis, é claro!). Suponhamos que você tenha que elaborar um texto, falando sobre a melhora da qualidade educacional no Brasil. É claro que, sem grandes reflexões, esse tema lhe parecerá um tanto absurdo. No entanto, se você buscar dados do Ministério da Educação, encontrará argumentos que sustentem a sua tese. Como exemplo:

Em 2008, o investimento público em Educação foi de 4,7% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), um crescimento de 0,2% em comparação com o ano anterior. Em valores, foi algo em torno de R$ 140 bilhões. É o que revela estudo divulgado ontem pelo Ministério da Educação. A série histórica indica que entre 2000 e 2008 o percentual passou de 3,9% para 4,7%, com alguns períodos de estabilidade e até de queda. O total dos recursos aplicado por um país em Educação proporcionalmente ao PIB é um parâmetro utilizado internacionalmente para aferir os investimentos na área. Em ocasiões anteriores, o ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu que o país chegue a 6%, média do que é aplicado em países desenvolvidos. (http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/investimento-em- educacao-sobe-mas-ainda-e-insuficiente)

É claro que em consequência desse investimento, pode não ter havido uma melhora significativa, mas você pode afirmar que esses dados trazem uma

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Tome muito cuidado ao utilizar esse tipo de argumento, para que você não se contradiga.

  1. Argumento baseado no senso comum

Senso comum é um saber que nasce da experiência quotidiana, da vida que os homens levam em sociedade. Ele descreve as crenças e proposições que aparecem como normais, sem dependerem de uma investigação detalhada para alcançar verdades mais profundas como as científicas.

Por exemplo: quando alguém reclama de dores no fígado, esta pessoa pode fazer um chá de boldo, que já era usada pelas avós de nossas avós, sem, no entanto, conhecer o princípio ativo (substância química responsável pela cura) das folhas e seu efeito nas doenças hepáticas.

Em alguns casos, basear-se no senso comum também pode ser uma estratégia argumentativa bem sucedida. Proposições do tipo “não se faz um grande país sem investimentos em educação”, “a destruição do meio ambiente causará sérios problemas às gerações futuras” são tidas pela sociedade como verdadeiras. Por outro lado, deve-se tomar muito cuidado com opiniões sem validade científica, preconceituosas, tais como: “Deus é brasileiro”, “todo político é corrupto”, “Na primeira vez o mundo acabou em água; na próxima, acabará em fogo”, “o amor é a solução para todos os problemas”. Esses argumentos são equivocados e enfraquecem a sua argumentação, pois serão facilmente contestados.

Esse tipo de recurso é o que predomina num texto argumentativo e isso acaba por torná-lo muito fraco, argumentativamente falando, pois estamos apenas reproduzindo o que a sociedade diz, sem ter uma visão crítica do fato analisado.

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  1. Argumento baseado na Competência Linguística

Em muitas situações de comunicação, devemos usar a língua de forma culta, pois o modo de dizer dará confiabilidade ao que se diz. Como exemplo, se um professor não é capaz de usar a norma culta, achamos que ele não está preparado para ministrar aulas, além disso, seu discurso passa a ser desacreditado. Todavia, utilizar um vocabulário adequado à situação comunicativa também poderá dar credibilidade às informações. Observemos o texto abaixo extraído de um vídeo exibido na Casa de Detenção de São Paulo, para ensinar aos detentos formas de prevenção contra a Aids:

Plínio Marcos: Aqui é bandido. Atenção, malandrage! Eu num vô pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença. Quem pegá essa praga está ralado de verde e amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, nem vela, nem ai, Jesus. Pegou Aids, foi pro brejo! Agora sente o aroma da perpétua: Aids pega pelo esperma e pelo sangue, entendeu? pelo esperma e pelo sangue! (Pausa)

Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá, então se toca! Não é porque tu ta na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cara ruim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode valê pra ninguém nesse negócio de aids. Então, já viu: transá, só de acordo com o parceiro, e de camisinha! ( Pausa) (http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno07-14.html)

Esse texto dá informação sobre o vírus da Aids para detentos. Para que sua comunicação fosse eficaz e sua linguagem fosse persuasiva, o ator Plínio Marcos apresenta-se como sendo um deles, por isso ele utiliza uma linguagem a que eles

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c) Se eu abrir uma exceção para você, deverei abrir também para Marco. Se abrir para Marco, devo abrir para Luísa. E depois abrir para todos. d) Você deve ser rico, pois estuda num colégio de ricos. e) Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira. f) Os brasileiros gostam de praia, café, carnaval e futebol. g) Se você não está a meu favor, então, você está contra mim. h) Os empregados são como pregos: temos que bater para que cumpram suas funções. i) O vinho é uma bebida saudável, que faz bem ao coração. É estimulante. Assim foi reconhecido por todos os povos antigos. Inclusive o Apóstolo São Paulo recomendava vinho em suas epístolas. j) A razão da timidez da maioria das pessoas solteiras reside no carácter possessivo das suas mães. k) Professor, eu preciso tirar boa nota. Se eu aparecer em casa com nota tão baixa, minha mãe pode sofrer um ataque cardíaco.

Todos os enunciados acima devem ser rejeitados. São falácias. São enunciados ou tentativas de persuadir o leitor mediante em raciocínio errôneo, mediante um argumento fraudulento, enganoso. Essas falácias, como você pode constatar, estão em todos os discursos: na publicidade, na política, nas religiões, na economia, no comércio etc.

Nós não podemos confundir falácias com mentiras. Conforme diz Fredric Litto:

Falácia é, pois, todo o raciocínio aparentemente válido, mas, na realidade incorreta, que faz cair em erro ou engano.

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as mentiras são desvios ou erros propositais sobre fatos reais; falácias, por outro lado, são discursos, ou tentativas de persuadir o ouvinte ou leitor; promovendo um engano ou desvio, porque suas estruturas de apresentação de informação não respeitam uma lógica correta ou honesta, pois foram manipuladas certas evidências ou há insuficiência de prova concreta e convincente. Uma afirmação falaciosa pode ser composta de fatos verdadeiros, mas sua forma de apresentação conduz a conclusões erradas. Toda pessoa esclarecida, instada a elaborar argumentos, por força do trabalho que executa ou de situações cotidianas, deve reconhecer nos próprios argumentos o uso proposital do raciocínio falacioso (intenção de ludibriar) e a imperícia de raciocínio (lógica acidentalmente comprometida). (http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/f_litto/index.htm)

Quando há essa intenção ao engano Othon M. Garcia diz que isso é um sofisma. Segundo ele, há diferença entre o sofisma e a falácia. Embora ambos sejam basicamente raciocínios errados, a falácia é involuntária. Ao passo que o sofisma tem como objetivo induzir a audiência ao engano, o raciocínio falacioso decorre de uma falha de quem argumenta. Quem usa sofismas, sabe o que está fazendo quando, por exemplo, tenta nos empurrar uma conclusão para a qual não dispõe de dados ou demonstrações suficientes. Quem se vale de falácias, por sua vez, simplesmente se enganou ou faz o uso do senso comum para isso.

É muito comum ocorrer sofisma quando há alteração de dados estatísticos para estabelecer uma argumentação, ou quando, em um tribunal um advogado tendo consciência de que seu cliente seja culpado, procura estabelecer fatos e provas que ajudem na construção de uma lógica argumentativa a fim de convencer os jurados de que seu cliente é inocente.

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O objetivo dessa propaganda é convencer as pessoas de que a quebra do sigilo bancário é um bem para o país e que, portanto, elas não devem se opor à aprovação de leis que a tornem legal. Para isso, o texto da campanha faz uso de um raciocínio falacioso.

Você é capaz de perceber onde está a falácia? Repare que o mote da campanha se baseia em um ditado muito popular: “quem não deve, não teme.”

Veja como a propaganda começa: “O sigilo bancário é a forma de manter a conta de maus contribuintes em segredo. Graças a ele, o dinheiro dos traficantes de drogas, dos sonegadores de impostos e dos corruptos fica protegido e guardado a sete chaves.” Como podemos ver, este texto parece sugerir que apenas criminosos são favoráveis à manutenção do sigilo bancário, porque dele se beneficiam para cometer seus crimes impunemente. No entanto, não se discute o direito do cidadão honesto de não querer o governo interferindo em suas contas bancárias, mesmo que não tenha absolutamente nada a esconder.

Isso é um modelo de discurso falacioso ou até mesmo, um discurso sofista. Vamos agora examinar algumas falácias e algumas estratégias retóricas mais frequentes, a fim de que possamos não apenas nos prevenir contra elas, como também, quem sabe, mudarmos nossa maneira de falar às pessoas.

  1. Apelo à Autoridade

Você está lembrado de quando falamos sobre o argumento de autoridade? Esse argumento é muito importante para sustentar a nossa ideia, no entanto, quando citamos uma autoridade não-qualificada para sustentar uma opinião, estamos nos apropriando de um discurso falacioso.

Exemplo: Pelé disse que o Governo Federal não está preocupado nem com a educação nem com a saúde, pois destina pouco investimento para essas áreas.

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Análise: Nós poderemos contra-argumentar essa afirmação mostrando que a pessoa citada não é autoridade qualificada para discutir esse assunto. Embora ele seja uma pessoa mundialmente conhecida, nesse assunto, ele não é um especialista. Dessa forma, quando ele dá essa opinião, ele simplesmente fala como um cidadão.

Você se lembra de outro exemplo desse tipo? Pense um pouco.

  1. Apelo ao Status Sócioeconômico

Consiste em apelar à compaixão ou procura garantir que o estado social de pobreza ou de riqueza de alguém seja muito mais virtuoso do que seus atos. Ou então, a sua condição social pouco favorecida o torna mais honesto e íntegro.

Exemplos:

a) Ele não pode ser condenado, porque é arrimo de família, é uma pessoa que ajuda muito sua comunidade e é órfão de pai.

b) Ele é o melhor candidato, porque veio do povo e sabe o que é sofrer. Ele não é nenhum doutor. Ele come arroz e feijão como a gente.

c) Podemos confiar nele, pois é um homem rico, por isso, é o melhor candidato. Ele não precisa roubar.

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c) Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha?

Análise: Nós não podemos ser ingênuos e pensarmos que existem somente essas opções. Para contra-argumentarmos aos falsos dilemas é muito fácil, basta mostrar que há outras opções.

  1. Apelo Dirigido à Emoção

Procura ignorar as evidências e busca convencer o outro mediante um apelo emocional. Sua afirmação está baseada num sentimento de autopiedade.

Exemplo:

Isso é muito comum na escola, quando o aluno quer justificar o seu trabalho incompleto. Às vezes ele diz: "Isto não é o que a senhora queria, mas eu trabalhei bastante nele, dessa forma a senhora deve ficar satisfeita, deve avaliar minha força de vontade. De fato, trabalhei horas extras na biblioteca e em casa. Cheguei até faltar de meu emprego. Então, a senhora deve dar uma boa nota pelo meu esforço e o tempo consumido nesse projeto".

Análise: É preciso perceber que: se não entregou o tipo de trabalho solicitado, não adianta criar uma cortina de fumaça, procurando justificar a sua falha. Esse tipo de argumento se torna irrelevante, pois o enunciador está fazendo um apelo emocional para que o esforço seja aceito em lugar da competência.

  1. Generalização

É quando se faz uma afirmação de caráter geral, em que procura incluir a totalidade. Pode ocorrer, também, o erro de afirmar que o que é verdade em algumas situações deverá ser verdade em todas ou em quase todas as instâncias, ou então, de tentar estabelecer uma regra geral após achar algumas poucas evidências.

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Exemplo: Veja a propaganda da Petrobras:

Observamos que essa promoção promovida pela Petrobras procura trabalhar com a generalização, para procurar convencer o interlocutor que essa rede de postos de combustível tem uma preferência mundial.

Pode ocorrer a generalização quando se diz: “Todo mundo sabe que o brasileiro é apaixonado por futebol, carnaval e samba.”

Análise: É importante dizer que esse é um recurso muito usado, principalmente no discurso publicitário; entretanto, na produção de um texto dissertativo ele deverá ser evitado, pois é facilmente contra-argumentado. Basta ter uma única pessoa que não goste de carnaval ou da rede Petrobras, que esse argumento fica desqualificado. Por isso, precisamos buscar argumentos mais específicos. É sempre bom usarmos termos como: uma boa parte, segundo o conceito de alguns, muitas pessoas etc.

  1. Falsa Analogia

Cometemos uma falsa analogia, quando estabelecemos uma igualdade pela simples verificação de certas semelhanças, sem termos em conta as diferenças, ou seja, quando comparamos objetos ou situações que não são comparáveis entre si.

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Exemplo1:

Ser paraquedista é uma profissão muito perigosa porque é insegura e arriscada.

Análise: Dizer que algo é “inseguro e arriscado” não é o mesmo que dizer que ele é “perigoso”? Ora, o que essa “explicação" acrescentou que justificasse a ideia de que ser paraquedista é perigoso? Nada. Simplesmente repetiu-se a primeira afirmação com outras palavras.

Exemplo 2:

O texto a seguir foi produzido por um aluno na Universidade:

O jovem de classe média está acostumado a receber bombardeios de todos os lados, principalmente nas grandes cidades. O jovem de classe média não tem vez, pois é podado. Os jovens são podados porque se convencionou que o jovem, enquanto não é adulto, é somente jovem o que, para muitos, é sinônimo de ignorância. E o jovem continua sendo podado. Por que? O que pode danificar os jovens são os bombardeios.

Análise: Como podemos notar, nesse texto não há um desenvolvimento de ideia, ele é totalmente circular. Em todas as orações o autor diz a mesma coisa. Os seus argumentos podem ser claramente refutados.

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É claro que existem outros tipos de falácia. Você poderá vê-las no texto complementar. No entanto, essas, que foram abordadas, nos fazem rever nossa forma de argumentar, pois, muitas vezes, podemos estar usando esse tipo de estratégia argumentativa e isso tem prejudicado o nosso texto: quer seja escrito ou oral, principalmente quando estamos debatendo um assunto. Além dos argumentos falaciosos, existem outros defeitos de argumentação. É isso que iremos ver agora.

Defeitos de argumentação

Muitas vezes uma pessoa é muito boa na área comercial e consegue convencer com facilidade o seu cliente a comprar determinado produto. Isso demonstra que oralmente ela tem grande capacidade de persuasão. No entanto, no momento de elaborar um texto, essa mesma capacidade não ocorre, pois ela não consegue defender suas ideias.

Devemos entender que a escrita é uma das modalidades de linguagem, com características típicas, diferentes da modalidade oral. Uma das diferenças entre a conversação e a escrita é que, nesta, normalmente, o interlocutor não pode intervir no momento da produção linguística e solicitar explicações sobre aquilo que está sendo dito. Já na modalidade oral, essa interrupção ocorre frequentemente e isso ajuda a pessoa a ser mais persuasiva.

Por isso, na escrita, tudo deve ser dito com muita clareza para que o leitor possa compreender o que se quer dizer. Salvo em raríssimos casos, ninguém escreve para si mesmo, mas para um interlocutor com a intenção definida de persuadi-lo e de obter sua adesão prática, intelectual ou afetiva. Partindo dessa premissa de que, na escrita, o interlocutor está ausente e não pode fazer interrupções para obter esclarecimentos, o texto escrito deve ser o mais autônomo possível não só no que diz respeito à clareza e à quantidade de informações necessárias como, principalmente, no que toca aos procedimentos argumentativos. Por isso, nesse momento, iremos falar sobre alguns defeitos que ocorrem num texto argumentativo.