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Cinemática da Rotação, Notas de aula de Engenharia Mecânica

AULAS DE FÍSICA

Tipologia: Notas de aula

2013

Compartilhado em 19/10/2013

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jose-cruz-7 🇧🇷

4.8

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8 – Cinemática da Rotação
8.1 – Cinemática do corpo rígido
Um corpo rígido corresponde a um conceito limite ideal, de um corpo indeformável
quaisquer que sejam as forças a ele aplicadas: um corpo é rígido quando a distância
entre duas partículas quaisquer do corpo é invariável. Nenhum corpo real é
perfeitamente rígido: uma barra de aço se deforma sob a ação de forças sucientemente
intensas e duas bolas de bilhar que colidem deformam-se ao entrar em contato. Entretanto, as
deformações são em geral sucientemente pequenas para que possam ser desprezadas em
primeira aproximação.
Diz-se que um corpo rígido tem um movimento de translação quando a direção de
qualquer segmento que une dois de seus pontos não se altera durante o movimento. Isto
implica que todos os pontos do corpo descrevem curvas paralelas, ou seja, superponíveis umas
às outras por translação. Todos os pontos sofrem o mesmo deslocamento durante o mesmo
intervalo de tempo, de modo que todos têm, em qualquer instante, a mesma velocidade e
aceleração, que se chamam, respectivamente, velocidade e aceleração de translação do corpo
rígido. Para estudar o movimento de translação do corpo rígido, basta estudá-lo para qualquer
um de seus pontos (por exemplo, o centro de massa). Este tipo de movimento reduz-se então
ao de um único ponto material.
Fixando dois pontos e de um corpo rígido, isto equivale a xar todos os pontos da reta
denida porpois todos eles têm de manter inalteradas suas distâncias de e Qualquer partícula
do corpo situada fora desta reta tem de manter invariável sua distância ao eixo de modo que
só pode descrever um círculo com centro neste eixo. Logo, é um eixo de rotação: todas as
partículas descrevem círculos com centro no eixo, e giram de um mesmo ângulo no mesmo
intervalo de tempo. O estudo do movimento reduz-se neste caso ao estudo do movimento
circular de qualquer partícula situada fora do eixo: tem-se uma rotação em torno de um eixo
xo, que pode ser descrita em termos de uma única coordenada, o ângulo de rotação.
Fixando um único ponto do corpo, qualquer outro ponto situado a uma distância de
tem de mover-se sobre uma esfera de raio com centro em Tem-se uma rotação em torno de
um ponto xo, e o deslocamento de um ponto como sobre a esfera pode ser descrito por duas
coordenadas: por exemplo, os ângulos de latitude e longitude. Essas coordenadas descrevem
a posição de
Fixando a posição de 3 pontos e não colineares, ca xada a posição do corpo rígido.
Com efeito, xando e ca xado o eixo O ponto não colinear só poderia descrever um círculo
em torno de logo, xando xa-se o corpo rígido.
Surge agora a questão: Quantos parâmetros é preciso dar para especicar
completamente a posição de um corpo rígido em relação a um dado referencial? Inicialmente,
para especicar a posição de um ponto do corpo, precisa-se de 3 coordenadas. Uma vez
xado outro ponto do corpo à distância de permanece sobre uma esfera de raio e sua
posição sobre essa esfera é especicada por mais 2 coordenadas (latitude e longitude, por
exemplo). Finalmente, uma vez especicadas as posições dos 2 pontos e qualquer outro
ponto do corpo tem de estar sobre um círculo com centro no eixo e sua posição sobre esse
círculo pode ser especicada por mais 1 coordenada (ângulo de rotação em torno do eixo).
Logo, precisa-se de coordenadas para especicar completamente a posição de um corpo
rígido. Diz-se que um corpo rígido tem 6 graus de liberdade.
De forma geral, chamam-se graus de liberdade de um sistema os parâmetros que são
necessários para especicar a posição do sistema. Uma partícula livre tem 3 graus de
liberdade e um sistema de partículas têm gruas de liberdade (3 coordenadas para cada
partícula). Uma partícula que se desloca sobre uma superfície tem 2 graus de liberdade; uma
conta que desliza sobre um o tem 1 grau de liberdade.
O deslocamento mais geral de um corpo rígido tem 6 graus de liberdade, 3 deles
associados à translação e os outros 3 à rotação. Um corpo rígido com um ponto xo tem 3
graus de liberdade, associados à rotação em torno desse ponto; se girar em torno de um eixo
xo, tem 1 só grau de liberdade.
8.2 – Representação vetorial das rotações
O movimento mais simples de rotação de um corpo rígido é a rotação em torno de um
eixo xo. O estudo desse movimento reduz-se ao do movimento circular de um ponto qualquer
numa seção transversal ao eixo. O sistema tem 1 grau de liberdade: a rotação pode ser
descrita pelo ângulo de rotação do ponto nesse movimento circular.
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8 – Cinemática da Rotação

8.1 – Cinemática do corpo rígido Um corpo rígido corresponde a um conceito limite ideal, de um corpo indeformável quaisquer que sejam as forças a ele aplicadas: um corpo é rígido quando a distância entre duas partículas quaisquer do corpo é invariável. Nenhum corpo real é perfeitamente rígido: uma barra de aço se deforma sob a ação de forças suficientemente intensas e duas bolas de bilhar que colidem deformam-se ao entrar em contato. Entretanto, as deformações são em geral suficientemente pequenas para que possam ser desprezadas em primeira aproximação. Diz-se que um corpo rígido tem um movimento de translação quando a direção de qualquer segmento que une dois de seus pontos não se altera durante o movimento. Isto implica que todos os pontos do corpo descrevem curvas paralelas, ou seja, superponíveis umas às outras por translação. Todos os pontos sofrem o mesmo deslocamento durante o mesmo intervalo de tempo, de modo que todos têm, em qualquer instante, a mesma velocidade e aceleração, que se chamam, respectivamente, velocidade e aceleração de translação do corpo rígido. Para estudar o movimento de translação do corpo rígido, basta estudá-lo para qualquer um de seus pontos (por exemplo, o centro de massa). Este tipo de movimento reduz-se então ao de um único ponto material. Fixando dois pontos e de um corpo rígido, isto equivale a fixar todos os pontos da reta definida porpois todos eles têm de manter inalteradas suas distâncias de e Qualquer partícula do corpo situada fora desta reta tem de manter invariável sua distância ao eixo de modo que só pode descrever um círculo com centro neste eixo. Logo, é um eixo de rotação : todas as partículas descrevem círculos com centro no eixo, e giram de um mesmo ângulo no mesmo intervalo de tempo. O estudo do movimento reduz-se neste caso ao estudo do movimento circular de qualquer partícula situada fora do eixo: tem-se uma rotação em torno de um eixo fixo, que pode ser descrita em termos de uma única coordenada, o ângulo de rotação. Fixando um único ponto do corpo, qualquer outro ponto situado a uma distância de tem de mover-se sobre uma esfera de raio com centro em Tem-se uma rotação em torno de um ponto fixo, e o deslocamento de um ponto como sobre a esfera pode ser descrito por duas coordenadas: por exemplo, os ângulos de latitude e longitude. Essas coordenadas descrevem a posição de Fixando a posição de 3 pontos e não colineares, fica fixada a posição do corpo rígido. Com efeito, fixando e fica fixado o eixo O ponto não colinear só poderia descrever um círculo em torno de logo, fixando fixa-se o corpo rígido. Surge agora a questão: Quantos parâmetros é preciso dar para especificar completamente a posição de um corpo rígido em relação a um dado referencial? Inicialmente, para especificar a posição de um ponto do corpo, precisa-se de 3 coordenadas. Uma vez fixado outro ponto do corpo à distância de permanece sobre uma esfera de raio e sua posição sobre essa esfera é especificada por mais 2 coordenadas (latitude e longitude, por exemplo). Finalmente, uma vez especificadas as posições dos 2 pontos e qualquer outro ponto do corpo tem de estar sobre um círculo com centro no eixo e sua posição sobre esse círculo pode ser especificada por mais 1 coordenada (ângulo de rotação em torno do eixo). Logo, precisa-se de coordenadas para especificar completamente a posição de um corpo rígido. Diz-se que um corpo rígido tem 6 graus de liberdade. De forma geral, chamam-se graus de liberdade de um sistema os parâmetros que são necessários para especificar a posição do sistema. Uma partícula livre tem 3 graus de liberdade e um sistema de partículas têm gruas de liberdade (3 coordenadas para cada partícula). Uma partícula que se desloca sobre uma superfície tem 2 graus de liberdade; uma conta que desliza sobre um fio tem 1 grau de liberdade. O deslocamento mais geral de um corpo rígido tem 6 graus de liberdade, 3 deles associados à translação e os outros 3 à rotação. Um corpo rígido com um ponto fixo tem 3 graus de liberdade, associados à rotação em torno desse ponto; se girar em torno de um eixo fixo, tem 1 só grau de liberdade.

8.2 – Representação vetorial das rotações O movimento mais simples de rotação de um corpo rígido é a rotação em torno de um eixo fixo. O estudo desse movimento reduz-se ao do movimento circular de um ponto qualquer numa seção transversal ao eixo. O sistema tem 1 grau de liberdade: a rotação pode ser descrita pelo ângulo de rotação do ponto nesse movimento circular.

Por conseguinte, se o eixo de rotação permanece fixo, a rotação pode ser descrita por uma grandeza escalar, que é o ângulo de rotação Entretanto, isto deixa de valer para um movimento de rotação mais geral. Por exemplo, no movimento de um pião, a direção do eixo de rotação varia a cada instante. Logo, para caracterizar uma rotação no caso geral, não basta dar um ângulo de rotação: é preciso dar também uma direção, a direção do eixo de rotação.

Figura 1 – Ilustração do fato que as rotações finitas não são vetores.

Pode-se pensar em associar um vetor a uma rotação pelo ângulo a direção desse vetor sendo dada pela direção do eixo. O sentido de pode ser associado ao sentido da rotação, convencionando-se que a rotação, vista a partir da “flecha” de é no sentido anti-horário. Entretanto, embora tenha magnitude, direção e sentido, não é um vetor. Para provar isto, seja a operação de composição de duas rotações finitas, representadas por e (em torno de eixos quaisquer), deveria corresponder à soma dos “vetores” correspondentes, da mesma forma que o deslocamento resultante de dois deslocamentos é a soma dos vetores correspondentes. A Fig.1 mostra que esta operação de “soma” deixa de satisfazer à propriedade comutativa:

(1) Entretanto, se em lugar de rotações finitas forem consideradas apenas aquelas por ângulos infinitesimais, pode-se mostrar que rotações infinitesimais são comutativas e têm caráter vetorial. A magnitude de é o ângulo de rotação infinitesimal e sua direção é a do eixo de rotação. Entretanto, fisicamente não há nada que permita associar um sentido ao vetor. Isto só pode se feito por convenção. A convenção usualmente adotada é a que está ilustrada na Fig.2: um observador com a cabeça na extremidade do vetor e os pés na origem, olhando para “baixo”, vê a rotação ocorrer no sentido anti-horário.

Figura 2 – Características do vetor

Seja agora um corpo rígido em rotação em torno de um eixo e uma seção transversal (perpendicular ao eixo de rotação) do corpo, tomado como o plano de um sistema de coordenadas com origem no eixo de rotação (Fig.3).

Figura 3 – Rotação infinitesimal de um corpo rígido.

Um ponto da seção transversal à distância da origem sofre um deslocamento em conseqüência da rotação infinitesimal. Relacionando-se o deslocamento vetorial com e o vetor posição obtém-se:

(2)

Ou seja, o produto vetorial dos vetores e é um vetor, o deslocamento cuja magnitude é dada por:

(3)

8.3 – Rotações e velocidade angular Quando um corpo sólido gira em torno de um eixo próprio, as coordenadas e de cada ponto no corpo aumentam e diminuem continuamente à medida que o objeto percorre uma trajetória circular. O uso de coordenadas e é em geral uma forma complicada de descrever as rotações. Em particular, as rotações confinadas em um plano podem ser facilmente descritas por um ângulo. Para a maioria de nós é familiar a utilização de medidas envolvendo ângulos (graus e radianos). A escolha de 360 graus para denotar uma revolução completa foi feita pelos babilônios e que provavelmente teve origem nos seus estudos e interesses em astronomia, principalmente na previsão das estações do ano, já que a rotação da Terra em torno do Sol tem aproximadamente 360 dias. Com isto, a rotação de um grau feita pela Terra, em sua órbita, equivaleria a um dia. Seja o comprimento do segmento de um círculo contido no ângulo como indicado na Fig.4a. Se o círculo tem um raio o comprimento de sua circunferência é dado por

(4)

Então, como

cuja solução é

Escrevendo-se a aceleração angular como

então,

Se o ângulo tem o valor quando e se a velocidade angular inicial é então,

e

(16)

A Tabela 8.1, mostra a analogia entre as equações do movimento com aceleração angular constante e as do movimento com aceleração linear constante.

Tabela 8.1 – Analogia entre os movimentos de translação e rotação com acelerações constantes.

Movimento com aceleração linear constante

Movimento com aceleração angular constante constante constante