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Apostila aborda as principais aplicacções do ci ne555 e o funcionamento do mesmo
Tipologia: Notas de estudo
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Instituto Superior de Engenharia de Coimbra
Licenciatura em Engenharia Electrotécnica 2007/
O Temporizador 555
Conhecer o temporizador 555, as suas características principais e modos de funcionamento.
Projectar circuitos temporizadores que utilizem o CI 555 nos modos monoastável (disparo único) e astável (oscilador).
Em 1971 a Signetics Corporation lançou o temporizador SE555/NE555, tendo-o designado por "The IC Time Machine", sendo este o primeiro temporizador em forma de Circuito Integrado (CI) disponível no mercado. Após ter surgido, este CI desfrutou de uma enorme popularidade, podendo o seu sucesso ser atribuído a várias características das quais se destacam a simplicidade de utilização, a versatilidade, a estabilidade e o baixo custo. A simplicidade do temporizador, juntamente com a capacidade para produzir temporizações curtas e longas numa variedade de aplicações, atraiu muitos projectistas e entusiastas da electrónica.
Este trabalho pretende dar a conhecer o temporizador 555, assim como mostrar as suas potencialidades. Para além da descrição apresentada de seguida é sugerida uma leitura atenta
de fabricantes que produzem este CI, como por exemplo, NXP (ex-Philips), Fairchild Semiconductor, ST Microelectronics, Motorola ou Intersil, existindo versões cujo preço é muito baixo, da ordem dos 0,13€ por unidade (depende do fabricante e da tecnologia em que está implementado).
1.1. Aplicações típicas do 555
O CI 555 apresenta uma grande versatilidade podendo ser utilizado nas mais variadas aplicações. Apontam-se como exemplo as seguintes: temporizador (com tempo fixo ou
temporização sequencial, controlo de velocidade de rotação (Tacómetro), disparo de varrimento para osciloscópios, conversor de tensão DC-DC, conversor tensão Positivo-Negativo, controlador de Motores servo, conversor Tensão Frequência (VCO – Voltage Controlled Oscilator), gerador de sinal em dente de serra, alarmes, etc.
1.2. Características principais e descrição do funcionamento do 555
Na figura 1 apresenta-se o CI 555 e a pinagem no encapsulamento DIP e na figura 2 o seu diagrama funcional.
Figura 1. Encapsulamento do CI 555 e identificação dos pinos
Figura 2. Diagrama funcional
O 555 consiste em dois comparadores de tensão, um Flip-Flop, um transístor de descarga e uma malha divisora resistiva. A rede de resistências é usada para fixar os níveis de tensão dos comparadores. Como as três resistências são de valor igual (5KΩ), o comparador superior (C1), é internamente referenciado a 2/3 da tensão VCC e o Comparador C2 é referenciado a 1/3 de VCC. As saídas dos dois comparadores estão ligadas às entradas do Flip- Flop RS, que definem se a saída (pino 3) está no estado Alto ou Baixo. Existe ainda uma saída complementar (pino 7), que está activa quando pino 3 está no nível baixo e vice-versa.
Nota: os níveis de comparação de 1/3 e 2/3 de VCC existem quando o pino 5 (Control) não se encontra ligado.
Definição e função dos pinos do CI
1 – GND – Tensão de referência, correspondendo à massa da fonte de alimentação DC;
2 – Trigger – Se a tensão neste pino for inferior a 1/3 de VCC, a saída do comparador interno C 2 fica no estado Alto, activando desta forma a entrada S (Set) do Flip-Flop e a saída do 555 (pino 3) fica no nível Alto, desactivando ainda o pino 7; esta mantém-se neste estado até haver uma activação da entrada R(Reset) do Flip-Flop;
R 5k
R 5k
R 5k
1k
S
R Q
Q
3 Output
7 Discharge
1 GND
Trigger 2
Control 5
Threshold 6
8 VCC 4 Reset
C
C
Flip-Flop
mantém-se no nível Baixo. Aplicando um pulso de tensão abaixo de 1/3 de VCC na entrada de Trigger, a saída (pino 3) vai para o estado Alto e o transístor de descarga é desligado. Como o condensador C se carrega através da resistência RA, a partir de uma tensão nula, este atinge 2/3 de VCC num tempo igual a 1,1*RAC segundos. Este intervalo de tempo é o tempo que o estado da saída do 555 se encontra no nível alto. Após este nível ser atingido, a saída passa ao estado Baixo e é ligado o transístor de descarga, descarregando praticamente instantaneamente o condensador. O 555 permanece neste estado até que exista um novo pulso na entrada de Trigger.
1.3.2. Modo de funcionamento Astável.
A configuração da figura 4a) permite o funcionamento em modo astável ou oscilador. Neste modo de funcionamento é gerado na saída do 555 uma onda quadrada com duração dos níveis Alto e Baixo proporcionais às malhas RC, não sendo necessário nenhum pulso específico para iniciar o seu funcionamento.
a) b) Figura 4. a) Esquema para funcionamento em Modo Monoestável; b) alteração para Duty Cycle inferior a 50%
Os pinos de Trigger e de Threshold estão ligados ao condensador, monitorizando em contínuo a sua tensão. Quando se liga o circuito o condensador está descarregado, apresentando uma tensão nula. Como esta é inferior a 1/3 de VCC, a saída do comparador C 2 fica no estado Alto o que por sua vez por actua na entrada S do Flip-Flop e faz com que a saída do 555 fique no estado Alto, ficando o transístor de descarga desligado. Assim, o condensador carrega-se através da série de resistências RA e RB. Quando a tensão no condensador atinge 2/3 de VCC, o comparador de C1 faz reset ao Flip-Flop do 555 e a sua saída vai para o estado Baixo, ligando ainda transístor de descarga. Como o transístor de descarga está ligado, faz com que o condensador descarregue através da resistência RB. Quando a tensão no condensador alcançar 1/3 de VCC, há novo disparo, repetindo-se o processo descrito. O CI está então em ciclo, onde o tempo de carga e descarga, que correspondem ao tempo em que a saída está no estado Alto e Baixo, respectivamente, são dados pelas expressões:
O período é igual à soma dos dois tempos anteriores, pelo que a frequência de oscilação é:
A B
VCC
RA
C
RB
RB
D
Output D Threshold
VCC
Trigger Control
Reset Discharge
GND
Repare-se que com este esquema não é possível obter um Duty Cycle (relação entre tempo no estado Alto e Período do sinal) inferior a 50%. Para se obter um Duty Cycle inferior a 50% pode-se substituir a resistência RB pelo esquema da figura 4b). Com esta alteração a carga do condensador dá-se através da resistência RA e a descarga através de RB, permitindo controlar de modo independente o tempo de carga e de descarga e na realidade obter qualquer Duty Cycle (tipicamente entre 5% e 95%).
Figura 5. Funcionamento em Atraso temporal
Neste modo de funcionamento a saída (pino 3) só muda de estado após decorrer um tempo determinado pela malha RC, a partir do momento em que a entrada (interruptor) muda de estado. Os pinos de Trigger e de Threshold estão ligados juntos, monitorizado a tensão do condensador, não sendo usada a função de descarga. A sequência de funcionamento começa quando o interruptor T1 é ligado mantendo o condensador descarregado e forçando a saída do 555 ao estado alto. Quando T1 é aberto, inicia-se o ciclo de carga do condensador. A tensão no condensador ao atingir a tensão de Threshold (2/3*VCC), faz a saída do 555 comutar para o estado Baixo, ficando nesse estado até fecharmos novamente o interruptor.
1.4. Considerações práticas para projecto de temporizadores com o 555
Para que o 555 funcione correctamente a tensão de alimentação deverá possuir um valor entre 4,5V e 18V, sendo o intervalo de tempo projectado independente de VCC, uma vez que as tensões de Trigger e Threshold são proporcionais a VCC. A fonte de alimentação contínua VCC
poderá influenciar o erro da temporização. Como este CI consegue activar cargas de 200 mA
condensador de desacoplamento de 0,01 a 10 μF o mais perto possível dos pinos de alimentação (8 e 1), uma vez que a carga ao ser activada pode re-disparar o temporizador. O erro de temporização deve-se principalmente aos componentes externos. Na escolha do condensador e da resistência deve-se utilizar resistências de filme metálico e condensadores com correntes de fuga baixas. É de notar que as resistências normalmente têm tolerâncias de 1 a 20% e os condensadores de 5 a 20%. Para um ajuste “fino“ pode ser usado um trimer em série com a resistência de maior valor, e não devem ser usados condensadores de disco cerâmicos, uma vez que não são suficientemente estáveis. Podem ser usados condensadores de Prata, Mica, Mylar, policarbonato, polyestireno, tântalo, ou similares.
VCC
C
RA
Trigger
Output
VCC
Control GND
Discharge
Reset
Threshold
Analise o circuito apresentado e diga qual a sua possível aplicação.
Figura 6. Circuito “Mistério 1”
2.5. Explique o funcionamento do circuito da figura 7 dimensionando o 555 para funcionar em regime astável com C6 igual a 10 nF, frequência de saída de 5 KHz e Duty Cycle de 55%.
0
5V^ V
C
C31 u
555
2 1
3
4
6 5
7
8
TRIGGERGND
OUTPUT
RESET
THRESHOLDCONTROL
DISCHARGE
VCC
R
R
C 220 micro
220 micro^ C
D11N D1 (^) 1N
Vout
Figura 7. Circuito “Mistério 2”
Monte o circuito projectado em 2.1 e demonstre o seu correcto funcionamento. Faça as medições que considerar adequadas e obtenha formas de onda em pontos chave (por exemplo capture em simultâneo a tensão no condensador e na saída do 555) que demonstrem o correcto funcionamento do circuito. Não se esqueça de comentar as formas de onda obtidas.
3.2.
Monte o circuitos projectado em 2.2 e verifique o seu funcionamento. Faça as medições que considerar adequadas e obtenha formas de onda em pontos chave que demonstrem o correcto funcionamento do circuito. Não se esqueça de comentar as formas de onda obtidas.
C 1uF
R 1k
D1 (^) D
M
RG 10K
Rv 22K
Threshold
Reset
GND
Discharge
Output
Trigger
Control
VCC
RL
Confirme a análise que fez no ponto 2.3.
a) Monte o circuito da figura 6. Capture formas de onda que justifiquem o funcionamento do circuito. Confirme ou actualize a análise feita na preparação.
b) Verifique se consegue controlar a intensidade luminosa de um LED com este circuito.
Monte o circuito da figura 7. Capture formas de onda que justifiquem o funcionamento do circuito. Confirme ou actualize a análise feita na preparação.
Material utilizado
Condensadores: 10nF, 100nF, 1μF, 10μF e 100μF, 220 μF.
Potenciómetro: 22K, 220K.
Resistências: 1K, 10K, 100K.
Díodos: 2x1N4148.
CIs: 1xNE
LEDS: 1 verde, 1 vermelho