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Apostila completa sobre classificação dos solos.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































R. WEIL and W. KROONTJE
Horizonte hístico------------------------------------- Horizonte A chernozêmico------------------------- Horizonte A proeminente--------------------------- Horizonte A húmico--------------------------------- Horizonte A antrópico------------------------------- Horizonte A fraco------------------------------------ Horizonte A moderado------------------------------
HORIZONTES DIAGNÓSTICOS SUB SUPERFICIAIS---------------------------
Horizonte B textural--------------------------------- Horizonte B latossólico----------------------------- Horizonte B incipiente------------------------------ Horizonte B espódico------------------------------- Horizonte B plíntico--------------------------------- Horizonte concrecionário--------------------------- Horizonte litoplíntico------------------------------- Horizonte glei----------------------------------------- Horizonte E álbico----------------------------------- Fragipã------------------------------------------------- Duripã-------------------------------------------------- Horizonte cálcico------------------------------------- Horizonte petrocálcico------------------------------- Horizonte sulfúrico----------------------------------- Horizonte vértico------------------------------------- Horizonte plânico------------------------------------ Horizonte B nítico------------------------------------
NÍVEIS CATEGÓRICOS DO SISTEMA----------------------------------------------
1 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – ORDEM-------------- 2 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – SUB ORDEM------- 3 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – GRANDE GRUPO- 4 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – SUB GRUPO-------- 5 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – FAMÍLIA------------ 6 o^ NÍVEL CATEGÓRICO – SÉRIE-----------------
NOMENCLATURA DAS CLASSES----------------------------------------------------
SÍMBOLOS ALFABÉTICOS UTILIZADOS NA NOMENCLATURA DAS CLASSES DE SOLOS------------ ------------------------------------------------
SIMBOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO PARA AS CLASSES DE 1o^ , 2o^ E 3o^ NÍVEIS CATEGÓRICOS--------- -----------------------------------------------
Argissolos----------------------------------------------- Cambissolos--------------------------------------------- Chernossolos-------------------------------------------- Espodossolos-------------------------------------------- Gleissolos------------------------------------------------
Latossolos----------------------------------------------- Luvissolos----------------------------------------------- Neossolos------------------------------------------------ Nitossolos------------------------------------------------ Organossolos-------------------------------------------- Planossolos---------------------------------------------- Plintossolos---------------------------------------------- Vertissolos-----------------------------------------------
CHAVE E PERFIS TÍPICOS PARA O RECONHECIMENTO DAS CLASSES DE SOLOS NO 1o CATEGÓRICO------------------------------
Organossolos-------------------------------------------- Neossolos--------------------------------------------------------------------------------------------------
Vertissolos----------------------------------------------- Espodossolos-------------------------------------------- Planossolos---------------------------------------------- Gleissolos------------------------------------------------ Latossolos----------------------------------------------- Chernossolos-------------------------------------------- Cambissolos--------------------------------------------- Plintossolos---------------------------------------------- Luvissolos----------------------------------------------- Nitossolos------------------------------------------------ Argissolos-----------------------------------------------
OUTROS CRITÉRIOS PARA CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS NOS 5 o^ E 6o^ NÍVEIS CATEGÓRICOS (FA E SÉRIE)-------------------------------------
Saturação por bases------------------------------------ pH-------------------------------------------------------- Saturação por Alumínio------------------------------- Mineralogia da fração argila-------------------------- Teor de ferro-------------------------------------------- Caráter catiônico---------------------------------------- Caráter aniônico---------------------------------------- Fases de relevo------------------------------------------ Distribuição de cascalho------------------------------- Fases de pedregosidade-------------------------------- Grupamentos texturais--------------------------------- Fases de profundidade do solo------------------------
EQUIVALÊNCIAS ENTRE SOLOS (EMBRAPA, SOIL TAXONOMY E FAO)------------------------------------ ----------------------------------------------
RESUMO COM EXEMPLOS DE ALGUNS ATRIBUTOS DO SOLO----------
Material orgânico--------------------------------------- Material mineral---------------------------------------- Valor T--------------------------------------------------- V %-------------------------------------------------------
Esta apostila é direcionada aos acadêmicos dos cursos oferecidos pelo Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá. É uma tentativa de expor de maneira mais aplicada o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos ( SiBCS ). Um melhor entendimento das terminologias pedológicas utilizadas no (SiBCS) e outras obras que tratem do assunto classificação de solos, também é objetivo deste trabalho. O resultado deste Projeto de Ensino está disponível a comunidade acadêmica e não acadêmica na home page do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá ( o login é Viana e a senha é jdvmata ). Também existe uma cópia em papel no CAJOL.
Inicialmente posso dizer que o ( SiBCS ) não é novo, pois vem sendo trabalhado e aprimorado pelos pedólogos (cientistas do solo) desde 1960. Várias aproximações (tentativas de organização de um sistema hierárquico, multicategórico e aberto) foram desenvolvidas, mediante discussões e circulação de documentos para críticas e sugestões da comunidade científica. Na verdade, o atual SiBCS talvez seja o documento ideal, fruto das quatro aproximações elaboradas até hoje. Ou seja, a primeira aproximação (Embrapa, 1980); a segunda aproximação (Embrapa 1981); a terceira aproximação (Embrapa, 1988) e a quarta aproximação (Embrapa, 1997). A partir de 1999 com o lançamento da primeira edição do SiBCS passamos a ter, reunidos, numa única obra, todas as informações, anteriormente dispersas em várias circulares e boletins técnicos que dificultavam o entendimento da classificação de solos no Brasil. A nomenclatura das classes de solos até então identificadas e classificadas mudou substancialmente. Por exemplo, o que era chamado de Terra Roxa Estruturada, hoje é um Nitossolo Vermelho. O que era chamado de Terra Bruna, hoje é um Nitossolo Bruno. Outrora, o que era chamado de Areia Quartzosa hoje é um Neossolo Quartzarênico, o que era chamado de Solo Aluvial, hoje é um Neossolo Flúvico e assim por diante. Todas estas equivalências entre nomenclaturas antigas e atuais serão abordadas nesta apostila. A segunda edição do ( SiBCS - 2006 ) pode ser adquirida via on line, ([email protected]) ou diretamente na EMBRAPA-Soja de Londrina-PR.
Preliminarmente é importante dizer que quando saímos a campo não, necessariamente, estamos classificando os solos. A menos que tenhamos muito conhecimento pedológico e trate-se de uma nova classe de solo. Parece que o mais adequado seria dizer que estamos tentando reconhecer ou identificar as classes de solos que ocorrem numa determinada paisagem, região ou propriedade agrícola. A maioria das classes de solos existentes no Brasil já está classificada, assim como a maioria das pragas que atacam as nossas lavouras. O que realmente fazemos é, em primeira instância, descrever um perfil no local, amostrá-lo, analisá- lo corretamente e comparar os resultados encontrados com o que está padronizado no SiBCS (EMBRAPA, 2006).
A escolha de perfis idôneos é outra preocupação importante. Nem todos os barrancos de estradas e mesmo trincheiras abertas em áreas já cultivadas representam com fidelidade as classes de solos ali existentes. É o caso, por exemplo, de locais onde houve movimentação de terras, voçorocas, poços comuns de água e sanitários rurais, agora talvez sistematizados; passagem de fios elétricos e/ou cabos telefônicos, torres de transmissão de energia, etc... Assim como, o não desmascaramento de um perfil alterado pela incidência dos componentes do clima já é um fato que pode camuflar a atuação dos fatores e processos de formação dos solos.
Figura 1 - Preparo de parede de trincheira para descrição morfológica, amostragens e determinações físico-químicas de um perfil de solo. Foto e prospecção de: Jonez Fidalski, Marcelo Luiz Chicati e Roney Berti de Oliveira
É conveniente, antes de irmos à campo, fazermos uma pré consulta sobre a região a ser trabalhada: mapa geológico, geomorfológico, de clima, topográfico, hidrográfico, da vegetação primária, etc... Se existente um mapa de solos, mesmo que em nível de reconhecimento, facilitará nosso trabalho permitindo deduções e inferências, diminuindo custos com prospecções e análises, por vezes, até desnecessárias.
Alguns acadêmicos da nossa Agronomia, mesmo os de 5o^ ano, insistem em tentar identificar os solos de suas propriedades de Estágio, somente, com informações ou dados de uma análise de fertilidade e uma análise física (que na verdade é apenas uma análise granulométrica do solo). Primeiramente, gostaria de observar que determinações realizadas na parte mais superficial dos solos (por exemplo de 0 a 0,20m) têm, em primeira instância, aplicação para fins de avaliação da fertilidade do solo. Secundariamente, resultados da parte mais superficial dos solos poderiam ajudar na identificação do tipo de horizonte diagnóstico superficial (tipos de Horizonte A). Outra observação importante é que amostragens ou determinações em posições entre 0 a 0,20 e 1,0 a 1,20m num perfil de solo podem ser válidas para inferência, somente, em perfis de horizontes B latossólicos (Bw), que por definição não apresentam alterações expressivas de cor, textura e estrutura ao longo do perfil. Esta opção para baratear custos com análises complementares e reduzir esforço braçal de campo não é válida, por exemplo, para solos com B textural (Bt). Conforme a localização e espessura do horizonte B, pode-se não ter informações ou dados de uma parte do perfil (por exemplo àquela localizada entre 0,21 e 0,99 m) e assim sermos conduzidos a uma identificação errônea da classe de solo. Reforço que o certo é, antes de tudo, fazer uma descrição morfológica
Na evolução dos solos são importantes os fatores de formação: passivos (material de origem e relevo); a atividade dos organismos (macro, meso e micro flora e fauna), bem como o tempo e a intensidade que estes fatores exerceram e ainda exercem ação sobre o material originário do solo que pode ser tanto a rocha matriz como materiais retrabalhados pela pedogênese (por exemplo: sedimentos de rochas, anteriormente, intemperizadas). A ação de processos pedogenéticos chamados gerais como adição, perda, transformação e transferência de materiais no corpo do solo bem como a ação de processos pedogenéticos mais específicos como, por exemplo, a latossolização, a podzolização, a carbonatação e a gleização, também desenvolvem importantes papeis na formação dos solos. Tudo isto confere características, feições, impressões aos perfis de solos. Os atributos diagnósticos nada mais são que as marcas, sinais que estes processos pedogenéticos impuseram aos solos. Cabe a nós, devidamente treinados, identificar e reconhecer estas evidências nos perfis de solos associando-as às características e propriedades (atributos) de cada classe de solo que se diferenciarão uma das outras em função da atuação maior ou menor dos processos de formação geral e específica, de maneira concomitante ou não. Além disto, justifica-se ainda o estudo destes atributos, porque farão parte da nomenclatura do solo, principalmente, a partir do 3o^ nível categórico.
M ATERIAL ORGÂNICO É aquele constituído por materiais orgânicos, originários de resíduos vegetais em diferentes estágios de decomposição, fragmentos de carvão finamente divididos, substâncias húmicas, biomassa meso e microbiana, e outros compostos orgânicos naturalmente presentes no solo, os quais podem estar associados a material mineral em proporções variáveis. O conteúdo de constituintes orgânicos impõe preponderância de suas propriedades sobre os constituintes minerais. O material do solo será considerado como orgânico quando o teor de carbono for igual ou maior que 80 g/kg, avaliado na fração TFSA, tendo por base valores de determinação analítica conforme método adotado pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Solos.
M ATERIAL MINERAL É aquele formado, predominantemente, por compostos inorgânicos, em vários estágios de intemperismo. O material do solo é considerado material mineral quando não satisfizer o requisito exigido para material orgânico (item anterior).
ATIVIDADE DA FRAÇÃO ARGILA (VALOR T) Refere-se à capacidade de troca de cátions correspondente à fração argila, calculada pela expressão: CTC (^) total x 1000/g kg de argila. Atividade alta (Ta) designa valor igual ou superior a 27 cmolc/kg de argila, sem correção para carbono e atividade baixa (Tb), valor inferior a 27 cmolc/kg de argila, sem correção para carbono. Este critério não se aplica aos solos das classes texturais areia e areia franca. Para distinção de classes por este critério, é considerada a atividade da fração argila no horizonte B, ou no C, quando não existe B.
S ATURAÇÃO POR BASES 2 Refere-se à proporção (taxa percentual, V% = 100* S / CTC) de cátions básicos trocáveis em relação à capacidade de troca determinada a pH 7. A expressão alta saturação se aplica a solos com saturação por bases igual ou superior a 50% (eutrófico) e baixa saturação para valores inferiores a 50% (Distrófico). Utiliza-se, ainda, o valor de V > 65% para identificação do horizonte A chernozêmico.
C ARÁTER C ARBONÁTICO Propriedade referente à presença de 150g/kg de solo ou mais de CaCO 3 equivalente sob qualquer forma de segregação, inclusive concreções, desde que não satisfaça os requisitos estabelecidos para horizonte cálcico.
C ARÁTER C OM C ARBONATO Propriedade referente à presença de CaCO 3 equivalente sob qualquer forma de segregação, inclusive concreções, igual ou superior a 50g/kg de solo e inferior a 150g/kg de solo. Esta propriedade discrimina solos sem caráter carbonático, mas que possuem CaCO 3 em algum horizonte.
P LINTITA É uma formação constituída da mistura de material de argila, pobre em carbono orgânico e rica em ferro, ou ferro e alumínio, com grãos de quartzo e outros minerais. Ocorre comumente sob a forma de mosqueados vermelhos, vermelho-amarelados e vermelho-escuros, com padrões usualmente laminares, poligonais ou reticulados. Quanto à gênese, a plintita se forma em ambiente úmido, pela segregação de ferro, importando em mobilização, transporte e concentração final dos compostos de ferro, que pode se processar em qualquer solo onde o teor de ferro for suficiente para permitir a segregação do mesmo, sob a forma de manchas vermelhas brandas. A plintita não endurece irreversivelmente como resultado de um único ciclo de umedecimento e secagem. No solo úmido a plintita é suficientemente macia, podendo ser cortada com a pá.
A plintita é um corpo distinto de material rico em óxido de ferro, e pode ser separada dos nódulos ou concreções ferruginosas consolidadas (petroplintita) que são extremamente firmes ou extremamente duras, sendo que a plintita é firme quando úmida e dura ou muito dura quando seca, tendo diâmetro > 2mm e podendo ser separada da matriz do solo, isto é, do material envolvente. Ela suporta amassamento e rolamento moderado entre o polegar e o indicador, podendo ser quebrada com a mão. A plintita quando submersa em água, por período de duas horas, não esboroa, mesmo submetida a suaves agitações periódicas, mas pode ser quebrada ou amassada após ter sido submersa em água por mais de duas horas. As cores da plintita variam nos matizes 10R a 7,5YR, com cromas altos e está comumente associada a mosqueados que não são considerados como plintita, de cores bruno-amareladas, vermelho-amareladas ou corpos que são quebradiços ou friáveis ou firmes, mas desintegram- se quando pressionados pelo polegar e o indicador, e esboroam na água. A plintita pode ocorrer em forma laminar, nodular, esferoidal ou irregular.
P ETROPLINTITA Material normalmente proveniente da plintita, que sob efeito de ciclos repetitivos de umedecimento seguidos de ressecamento acentuado, sofre consolidação vigorosa, dando lugar à formação de nódulos ou de concreções ferruginosas (“ironstone”, concreções lateríticas, canga, tapanhoacanga) de dimensões e formas variadas (laminar, nodular, esferoidal ou em forma alongada arranjada na vertical ou irregular) individualizadas ou aglomeradas.
C ARÁTER P LÍNTICO Usado para distinguir solos que apresentam plintita em quantidade ou espessura insuficientes para caracterizar horizonte plíntico em um ou mais horizontes, em algum ponto da seção de controle que defina a classe. É requerida plintita em quantidade mínima de 5 % por volume.
C ARÁTER C ONCRECIONÁRIO Termo usado para definir solos que apresentam petroplintita na forma de nódulos ou concreções em um ou mais horizontes dentro da seção de controle que defina a classe em
quantidade e/ou espessura insuficientes para caracterizar horizonte concrecionário. É requerida petroplintita em quantidade mínima de 5% por volume.
C ARÁTER L ITOPLÍNTICO Usado para definir solos que apresentam petroplintita na forma contínua e consolidada em um ou mais horizontes em alguma parte da seção de controle que defina a classe, cuja espessura do material ferruginosos é insuficiente para caracterizar horizonte litoplíntico.
C ARÁTER A RGILÚVICO Usado para distinguir solos que têm concentração de argila no horizonte B, expressa por gradiente textural (B/A) igual ou maior que 1,4 e/ou iluviação de argila evidenciada pela presença de cerosidade moderada ou forte e/ou presença no sequum de horizonte E sobrejacente a horizonte B (não espódico), dentro da seção de controle que defina a classe.
C ARÁTER P LÂNICO Usado para distinguir solos intermediários com Planossolos, ou seja, com horizonte adensado e permeabilidade lenta ou muito lenta, cores acinzentadas ou escurecidas, neutras ou próximo delas, ou com mosqueados de redução que não satisfazem os requisitos para horizonte plânico e que ocorrem em toda a extensão do horizonte excluindo-se horizonte com caráter plíntico.
C ARÁTER C OESO Usado para distinguir solos com horizontes pedogenéticos subsuperficiais adensados, muito resistentes à penetração da faca e muito duros a extremamente duros quando secos, passando a friáveis ou firmes quando úmidos. Uma amostra úmida quando submetida à compressão, deforma-se lentamente, ao contrário do fragipã, que apresenta quebradicidade (desintegração em fragmentos menores). Estes horizontes são de textura média, argilosa ou muito argilosa e, em condições naturais, têm uma fraca organização estrutural, são geralmente maciços ou com tendência a formação de blocos. O caráter coeso é comumente observado nos horizontes transicionais AB e, ou, BA entre 30 cm e 70 cm da superfície do solo, podendo prolongar-se até o Bw ou coincidindo com o Bt, no todo ou em parte. Uma amostra de horizonte com caráter coeso, quando seca, desmancha-se ao ser imersa em água.
C ARÁTER DÚRICO Utilizado para caracterizar solos que apresentem cimentação forte em um ou mais horizontes dentro da seção de controle que defina a classe, incluindo os solos com presença de duripã, ortstein e outros horizontes com cimentação forte que não se enquadrem na definição de horizontes litoplíntico, concrecionário e petrocálcico.
C ARÁTER Ê UTRICO Usado para distinguir solos que apresentam pH (em H 2 O) > 5,7, conjugado com valor S (soma de bases) > 2,0 cmolc/kg de solo dentro da seção de controle que defina a classe.
C ARÁTER V ÉRTICO Presença de “slickensides” (superfícies de fricção), fendas, ou estruturas cuneiforme e/ou paralepipédica, em quantidade e expressão insuficientes para caracterizar horizonte vértico.
CONTATO LÍTICO Refere-se à presença de material extremamente resistente subjacente ao solo (exclusive horizontes petrocálcico, litoplíntico, concrecionário, duripã e fragipã), cuja consistência é de tal ordem que mesmo quando molhado torna a escavação com a pá reta impraticável ou muito difícil e impede o livre crescimento do sistema radicular e circulação da água, que é limitado às fraturas e diáclases que por ventura ocorram. Tais materiais são representados pela rocha sã e por rochas muito fracamente alteradas (R), de qualquer natureza (ígneas, metamórficas ou sedimentares), ou por rochas fraca ou moderadamente alteradas (RCr, CrR). Este conceito ainda carece de detalhamento para melhor definição, quando aplicado a material de rocha fracamente alterado, rochas sedimentarres, e algumas metamórficas, que apresentem forte fissilidade em função de planos de acamamento, diaclasamento ou xistosidade.
CONTATO LÍTICO FRAGMENTÁRIO Refere-se a um tipo de contato lítico em que o material endurecido subjacente ao solo encontra-se fragmentado, usualmente, em função de fraturas naturais, possibilitando a penetração de raízes e a livre circulação da água.
M ATERIAIS SULFÍDRICOS São aqueles que contêm compostos de enxofre oxidáveis e ocorrem em solos de natureza mineral ou orgânica, localizados em áreas encharcadas, com valor de pH maior que 3,5, os quais, se incubados na forma de camada com 1cm de espessura, sob condições aeróbicas úmidas (capacidade de campo), em temperatura ambiente, mostram um decréscimo no pH de 0,5 ou mais unidades para um valor de pH 4,0 ou menor (1:1 por peso em água, ou com um mínimo de água para permitir a medição) no intervalo de 8 semanas. Materiais sulfídricos se acumulam em solo ou sedimento permanentemente saturado geralmente com água salobra. Os sulfatos na água são reduzidos biologicamente a sulfetos à medida que os materiais se acumulam. Materiais sulfídricos, muito comumente, estão associados aos alagadiços costeiros e próximos a foz de rios que transportam sedimentos não calcários, mas podem ocorrer em alagadiços de água fresca se houver enxofre na água. Materiais sulfídricos de áreas altas podem ter se acumulado de maneira similar em períodos geológicos passados. Se um solo contendo materiais sulfídricos for drenado, ou se os materiais sulfídricos forem expostos de alguma outra maneira às condições aeróbicas, os sulfetos oxidam-se e formam ácido sulfúrico. O valor de pH, que normalmente está próximo da neutralidade antes da drenagem ou exposição, pode cair para valores abaixo de 3. O ácido pode induzir a formação de sulfatos de ferro e de alumínio. O sulfato de ferro, jarosita, pode segregar, formando os mosqueados amarelos que comumente caracterizam o horizonte sulfúrico. A transição de materiais sulfídricos para horizonte sulfúrico normalmente requer poucos anos e pode ocorrer dentro de poucas semanas. Uma amostra de materiais sulfídricos submetida à secagem ao ar à sombra, por cerca de dois meses com reumedecimento ocasional, torna-se extremamente ácida. Apesar de não haver especificação de critério de cor para materiais sulfídricos, os materiais de solo mineral (ou da coluna geológica) que se qualificam como sulfídricos apresentam, quase sempre, cores de croma 1 ou menor (cores neutras N ). Por outro lado, materiais de solo orgânico sulfídrico
Chernossolos: com cor escura (ebânico) - perfil 5 (amostra de laboratório nº 80.1528/33 - Embrapa, 1980j);cor menos escura (não-ebânico) - perfil 70 (Embrapa, 1984, tomo 2, p.565).
C ARÁTER R ÚBRICO Caráter utilizado para solos das subordens Latossolos Brunos e Nitossolos Brunos, que apresentam em alguma parte da seção de controle que defina a classe, cor úmida amassada com matiz mais vermelho que 5YR, valor na amostra úmida menor que 4 e na amostra seca, com apenas uma unidade a mais.
TEOR DE ÓXIDOS DE FERRO O emprego do teor de óxidos de ferro (expresso na forma Fe 2 O 3 e determinado por extração com ataque sulfúrico) possibilita uma melhor separação das classes de solo. Considerando-se os teores de óxidos de ferro, pode-se separar:
G RAU DE DECOMPOSIÇÃO DO MATERIAL ORGÂNICO Os seguintes atributos são utilizados nos ORGANOSSOLOS:
- material orgânico-fíbrico - material orgânico, constituído de fibras, facilmente identificável como de origem vegetal. Tem 40% ou mais de fibras esfregadas, por volume, e índice do pirofosfato igual a 5 ou maior. Se o volume de fibras for 75% ou mais, por volume, o critério do pirofosfato não se aplica. O material fíbrico é usualmente classificado na escala de decomposição de von Post nas classes 1 a 4. .Apresenta cores, pelo pirofosfato de sódio, com valores e cromas de 7/1, 7/2, 8/1, 8/2 ou 8/3 (Munsell soil color charts, 1994, p.10YR); - material orgânico-hêmico - material orgânico em estágio de decomposição intermediário entre fíbrico e sáprico. O material é parcialmente alterado por ação física e bioquímica. Não satisfaz os requisitos para material fíbrico ou sáprico. O teor de fibra esfregada varia de 17 a 40%, por volume. O material hêmico é usualmente classificado na escala de decomposição de von Post na classe 5 ou 6.
Fibra - é definida como o material orgânico que mostra evidências de restos de plantas, excluídas as partes vivas, retido em peneira de abertura 100 mesh (0,149mm de diâmetro). Excetuam-se os fragmentos lenhosos que não podem ser amassados com os dedos e são maiores que 2cm na menor dimensão. Fibra esfregada - refere-se à fibra que permanece na peneira de 100 mesh após esfregar, cerca de 10 vezes, uma amostra de material orgânico entre o polegar e o indicador.
- material orgânico-sáprico - material orgânico em estágio avançado de decomposição. Normalmente, tem o menor teor de fibras, a mais alta densidade e a mais baixa capacidade de retenção de água no estado de saturação, dentre os três tipos de materiais orgânicos. É muito estável, física e quimicamente, alterando-se muito pouco no decorrer do tempo, a menos que drenado. O teor de fibra esfregada é menor que 17%, por volume, e o índice do pirofosfato é igual a 3 ou menor. O material sáprico é usualmente classificado na escala de decomposição de von Post, na classe 7 ou mais alta (Apêndice E). Apresenta cores, pelo pirofosfato de sódio, com valores menores que 7, exceto as combinações de valor e croma de 5/1, 6/1, 6/2, 7/1, 7/2, ou 7/3 (Munsell soil color charts, 1994, p.10YR). Critério derivado de Estados Unidos 1998).
CEROSIDADE
É a concentração de material inorgânico, na forma de preenchimento de poros ou de revestimentos de unidades estruturais (agregados ou peds) ou de partículas de frações grosseiras (grãos de areia, por exemplo), que se apresentam em nível macromorfológico com aspecto lustroso e brilho graxo. Podem ser resultante do revestimento por material inorgânico, freqüentemente argila e/ou do re-arranjamento de partículas nas superfícies das unidades estruturais causado pela mudança de volume da massa do solo em resposta a mudanças na umidade entre períodos secos e úmidos.
Freqüentemente esta característica observada e descrita no campo pode ser também observada micromorfológicamente, correspondendo a revestimentos de argila iluvial – argilas de iluviação, ou argilas de estresse. A cerosidade engloba também feições brilhantes (nítidas) ou quase sem brilho sobre os agregados, sem, no entanto, apresentar revestimentos.
Incluem-se nesta condição, todas as ocorrências em suas diversas formas de expressão (clay skins, shiny peds, cutans, etc.) e também feições mais ou menos brilhantes, verificadas na superfície dos agregados, que não constituem revestimentos.
Em suma, apresentam-se tanto como revestimentos com aspecto lustroso e brilho graxo, similar à cera derretida e escorrida, revestindo unidades estruturais ou partículas primárias quanto como superfícies brilhantes. Em ambos os casos podem ser observadas com maior facilidade com o auxílio de lupas de pelo menos 10 X de aumento, por observação direta na superfície dos elementos ou nas arestas das seções produzidas quando são quebrados os peds. Feições brilhantes ou quase sem brilho, sobre os agregados, também podem ser observadas com lentes de 10 X.
S UPERFÍCIE DE COMPRESSÃO São superfícies alisadas, virtualmente sem estriamento, provenientes de compressão na massa do solo em decorrência de expansão do material, podendo apresentar certo brilho quando úmidas ou molhadas. Constitui feição mais comum a solos de textura argilosa ou muito argilosa, cujo elevado teor de argila ocasiona algo de expansibilidade por ação de hidratação, sendo que as superfícies não têm orientação preferencial inclinada em relação ao prumo do perfil e usualmente não apresentam essa disposição.
G ILGAI É o microrrelevo típico de solos argilosos que têm um alto coeficiente de expansão com aumento no teor de umidade. Consiste em saliências convexas distribuídas em áreas quase planas ou configuram feição topográfica de sucessão de pequenas depressões e elevações.