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Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes: Projeto na Odontologia da UFMG, Resumos de Cirurgia Dentária

O projeto 'promoção de saúde bucal para adolescentes' desenvolvido na faculdade de odontologia da ufmg, que tem por objetivo realizar ações de promoção da saúde odontológica e atender adolescentes de belo horizonte. O projeto tem existido por mais de 10 anos e oferece treinamento e desenvolvimento para alunos de odontologia na definição de diagnósticos e decisões de tratamento. Os adolescentes são um grupo de risco para doenças bucais como cárie e doença periodontal, e o acesso aos serviços de saúde odontológica é um desafio. O documento também discute a importância de programas preventivos para reduzir a prevalência de cárie dentária e modificar a consciência popular sobre os cuidados com os dentes.

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 08/12/2020

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Promoção de saúde bucal para adolescentes
Promotion of oral health for adolescents
Ana Cristina Oliveira1, Viviane Elisângela Gomes1, Andréia Maria Duarte Vagas1, Efigênia Ferreira e Ferreira1
resUMO
Considerando-se que os adolescentes não são beneficiados pelos cuidados e atenção dispensados
às crianças nem desfrutam da assistência direcionada aos adultos, a adolescência é considerada um período
de risco para doenças bucais como cárie e doença periodontal. Este trabalho descreve o projeto de extensão
“Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes” desenvolvido na Faculdade de Odontologia da Universidade
Federal de Minas Gerais (FO-UFMG). O Projeto “Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes” existe há mais
de 10 anos e faz parte do “Programa Promoção de Saúde” da FO-UFMG. Foi criado com o intuito de realizar
ações de promoção da saúde bem como o atendimento odontológico de adolescentes de Belo Horizonte. O
projeto vem ocupar um espaço necessário e lacunar, propondo uma atenção especial aos adolescentes. Tem
como meta propiciar atendimento odontológico com vistas à promoção de saúde do adolescente. Permite
ao aluno do curso de graduação em odontologia conhecer as especificidades dos pacientes adolescentes e
também maior treinamento e desenvolvimento na definição do diagnóstico e na decisão do tratamento a ser
realizado. O projeto acontece em uma das clínicas da FO-UFMG, sendo ofertadas 24 vagas por semestre. São
realizados procedimentos preventivos, cirúrgicos e restauradores. Os alunos são todos voluntários, sendo que
apenas o aluno monitor é contemplado com uma bolsa de auxílio financeiro. Os alunos envolvidos, em sua
maioria, mostram-se satisfeitos e valorizam o aprendizado durante a participação no projeto. O atendimento
ao adolescente é um grande desafio. Não existe uma fórmula pronta. Se o profissional não compreendê-lo na
sua individualidade, não poderá relacionar-se de forma adequada e dificilmente atingirá a meta de prevenção
almejada, pois não saberá motivá-lo.
descritores: Adolescente. Cárie dentária. Atenção primária à saúde. Acesso aos serviços de saúde.
Odontologia.
1departamento de Odontologia social e Preventiva, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo
Horizonte, MG, Brasil
inTrOdUÇÃO
Cerca de 20% da população mundial é
composta por adolescentes, estando 34 milhões
deles no Brasil (22% dos brasileiros) (Brasil, 2008).
O período da adolescência é determinado pela
puberdade, pelo ambiente familiar e cultural. O
adolescente está em busca de uma nova identidade.
Seu estado emocional é marcado por constantes
flutuações de humor, insegurança e por contradição
de condutas.
Apesar da prevalência de cárie dentária na
adolescência tenha apresentado declínio nos últimos
20 anos, ainda permanece em níveis preocupantes. O
percentual médio de adolescentes afetados pela doença
cárie varia em torno de 80% a 90%2-4. Considerando-
se que os adolescentes não são beneficiados pelos
cuidados e atenção dispensados às crianças nem
desfrutam da assistência direcionada aos adultos, a
adolescência é considerada um período de risco para
doenças bucais como cárie e doença periodontal. A
presença de lesões cariosas, sangramento gengival e
cálculo dentário são problemas comuns nessa parcela
da população.
Levantamentos epidemiológicos nacionais,
realizados no Brasil, demonstraram redução
na prevalência e gravidade da cárie dentária. O
primeiro levantamento epidemiológico nacional
em saúde bucal foi realizado em 1986 nas capitais
brasileiras. Dentre outras idades ou faixas etárias,
foram examinados adolescentes entre 15 e 19
anos de idade, encontrando-se um CPOD médio
de 12,4 na Região Sudeste, semelhante á média
nacional, 12,7 (Brasil,1986). Em 2003, outro
levantamento nacional mostrou o declínio do CPOD
médio (6,7±4,82) para esta faixa etária7. O último
levantamento epidemiológico nacional, realizado
em 2010, apontou um CPOD médio de 4,2 para esta
faixa etária (Brasil, 2010), mostrando uma redução
de 30% do CPOD dessa faixa etária, entre os períodos
de 2003 a 2010.
Arq Odontol, Belo Horizonte, 47(Supl 2): 64-67, dez 2011
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Promoção de saúde bucal para adolescentes

Promotion of oral health for adolescents

Ana Cristina Oliveira^1 , Viviane Elisângela Gomes^1 , Andréia Maria Duarte Vagas 1 , Efigênia Ferreira e Ferreira^1

resUMO

Considerando-se que os adolescentes não são beneficiados pelos cuidados e atenção dispensados às crianças nem desfrutam da assistência direcionada aos adultos, a adolescência é considerada um período de risco para doenças bucais como cárie e doença periodontal. Este trabalho descreve o projeto de extensão “Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes” desenvolvido na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG). O Projeto “Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes” existe há mais de 10 anos e faz parte do “Programa Promoção de Saúde” da FO-UFMG. Foi criado com o intuito de realizar ações de promoção da saúde bem como o atendimento odontológico de adolescentes de Belo Horizonte. O projeto vem ocupar um espaço necessário e lacunar, propondo uma atenção especial aos adolescentes. Tem como meta propiciar atendimento odontológico com vistas à promoção de saúde do adolescente. Permite ao aluno do curso de graduação em odontologia conhecer as especificidades dos pacientes adolescentes e também maior treinamento e desenvolvimento na definição do diagnóstico e na decisão do tratamento a ser realizado. O projeto acontece em uma das clínicas da FO-UFMG, sendo ofertadas 24 vagas por semestre. São realizados procedimentos preventivos, cirúrgicos e restauradores. Os alunos são todos voluntários, sendo que apenas o aluno monitor é contemplado com uma bolsa de auxílio financeiro. Os alunos envolvidos, em sua maioria, mostram-se satisfeitos e valorizam o aprendizado durante a participação no projeto. O atendimento ao adolescente é um grande desafio. Não existe uma fórmula pronta. Se o profissional não compreendê-lo na sua individualidade, não poderá relacionar-se de forma adequada e dificilmente atingirá a meta de prevenção almejada, pois não saberá motivá-lo. descritores: Adolescente. Cárie dentária. Atenção primária à saúde. Acesso aos serviços de saúde. Odontologia.

(^1) departamento de Odontologia social e Preventiva, Faculdade de Odontologia, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil Conato: [email protected], [email protected], [email protected], [email protected]

inTrOdUÇÃO Cerca de 20% da população mundial é composta por adolescentes, estando 34 milhões deles no Brasil (22% dos brasileiros) (Brasil, 2008). O período da adolescência é determinado pela puberdade, pelo ambiente familiar e cultural. O adolescente está em busca de uma nova identidade. Seu estado emocional é marcado por constantes flutuações de humor, insegurança e por contradição de condutas. Apesar da prevalência de cárie dentária na adolescência tenha apresentado declínio nos últimos 20 anos, ainda permanece em níveis preocupantes. O percentual médio de adolescentes afetados pela doença cárie varia em torno de 80% a 90%2-4. Considerando- se que os adolescentes não são beneficiados pelos cuidados e atenção dispensados às crianças nem desfrutam da assistência direcionada aos adultos, a adolescência é considerada um período de risco para doenças bucais como cárie e doença periodontal. A

presença de lesões cariosas, sangramento gengival e cálculo dentário são problemas comuns nessa parcela da população. Levantamentos epidemiológicos nacionais, realizados no Brasil, demonstraram redução na prevalência e gravidade da cárie dentária. O primeiro levantamento epidemiológico nacional em saúde bucal foi realizado em 1986 nas capitais brasileiras. Dentre outras idades ou faixas etárias, foram examinados adolescentes entre 15 e 19 anos de idade, encontrando-se um CPOD médio de 12,4 na Região Sudeste, semelhante á média nacional, 12,7 (Brasil,1986). Em 2003, outro levantamento nacional mostrou o declínio do CPOD médio (6,7±4,82) para esta faixa etária 7. O último levantamento epidemiológico nacional, realizado em 2010, apontou um CPOD médio de 4,2 para esta faixa etária (Brasil, 2010), mostrando uma redução de 30% do CPOD dessa faixa etária, entre os períodos de 2003 a 2010.

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Os dados relacionados ao acesso ao atendimento odontológico desse ultimo levantamento mostraram que 13,5% dos adolescentes brasileiros nunca haviam tido uma consulta nesta área. Esse é um fator que deve ser considerado de maneira especial, uma vez que, dentre os fatores que podem influenciar a situação de cárie dentária em um grupo ou população, destaca-se a dificuldade para ampliar o acesso aos recursos de prevenção e para assegurar tratamento dentário às pessoas afetadas^8 Para reverter o alto índice de cárie no Brasil e promover a saúde bucal de forma abrangente, é necessária a implantação de um amplo programa de prevenção, que inclua assistência odontológica preventiva e curativa associada à educação da população9,10^. Ainda é grande o grau de desinformação das pessoas quanto à saúde da boca e dos dentes11-12. As consequências provenientes da realização de programas preventivos são observáveis não apenas clinicamente, através da redução dos índices de cárie, mas também pela modificação da consciência popular, quanto aos cuidados com os dentes, hábitos de higiene bucal e dieta alimentar^13. É consenso que programas preventivos proporcionam, comparativamente às ações curativas, menores custos de implantação e operacionalização, ofertando, em função da baixa complexidade dos procedimentos, uma cobertura maior da população^13. Considerando a importância da atenção odontológica direcionada aos adolescentes, o presente artigo objetivou descrever o projeto de extensão “promoção de saúde bucal para adolescentes” desenvolvido na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG).

desCriÇÃO das aTividades de eXTensÃO Frente à demanda de assistência aos adolescentes, foi iniciado, há cerca de 10 anos, o projeto de extensão “Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes”, que faz parte do “Programa Promoção de Saúde” da FO-UFMG. Foi criado com o intuito de realizar ações de promoção de saúde, dentre elas o atendimento odontológico de adolescentes de Belo Horizonte. O projeto vem ocupar um espaço necessário e lacunar, propondo uma atenção especial aos adolescentes. Tem por objetivos:

  • Propiciar atendimento odontológico com vistas à promoção de saúde a adolescentes na faixa etária de 13 a 18 anos.
  • Propiciar ao aluno do curso de graduação em odontologia conhecer as especificidades dos pacientes desta faixa etária;
  • Permitir ao aluno do curso de graduação em odontologia maior treinamento e desenvolvimento na

definição do diagnóstico e na decisão do tratamento a ser realizado;

  • Propiciar ao aluno do curso de graduação em odontologia um treinamento maior de sua prática clínica. O agendamento dos pacientes atendidos no projeto era organizado por livre demanda, o que ocasionava, muitas vezes, a falta de comprometimento dos pacientes com o cumprimento dos horários e assiduidade. A fim de aprimorar o projeto, tornando-o mais efetivo em suas ações, foi feito, em 2009, um contato com a Pró-Reitoria de Recursos Humanos da UFMG visando a inclusão dos adolescentes da Cruz Vermelha que prestam serviço na referida universidade. A resposta foi muito positiva, inclusive com a disponibilização dos dados necessários. A Pró-Reitoria de Recursos Humanos reconheceu a importância e necessidade da inclusão desses adolescentes no projeto. Embora tais adolescentes necessitassem de atenção odontológica os mesmos não eram contemplados, de forma regular, nos serviços prestados pela FO-UFMG. Tendo em vista essa demanda, as coordenadoras do projeto consideraram de extrema relevância social, a inclusão desses adolescentes no atendimento oferecido. Com o intuito de orientar os pacientes e acompanhantes enquanto aguardavam pelo horário do atendimento, o projeto “Promoção de Saúde Bucal para Adolescentes” integrou-se ao projeto de extensão “Sala de Espera”, onde são abordadas questões relacionadas aos cuidados com a saúde e incentivo ao autocuidado. A cada semana um tema diferente, de interesse aos adolescentes, é abordado. Dentre eles pode-se citar a herpes simples, o uso de piercings , hábitos de alimentação saudável, pericoronarite, doenças sexualmente transmissíveis, halitose. O projeto se desenvolve em uma das clínicas da FO-UFMG, as sextas-feiras no período da tarde. Primeiramente os adolescentes passam por uma triagem e são cadastrados. A ordem de atendimento é determinada de acordo com o risco e atividade da doença. Os pacientes são informados sobre sua situação bucal e sobre o plano de tratamento a ser cumprido. São convidados e incentivados a participar, de forma ativa, na busca da sua saúde bucal.

Plano de trabalho dos alunos O projeto de extensão contribui muito na formação acadêmica dos alunos do curso de graduação em odontologia, algo reconhecido por todos que participam do projeto. Os alunos são todos voluntários, sendo que apenas o aluno monitor é contemplado com uma bolsa de auxílio financeiro.

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população brasileira, 2002-2003: resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde; 2004 [acesso em 2008 dez 12]. Disponível em: http:// portal.saude.gov.br/saude/visualizar_texto. cfm?idtxt=

  1. Brasil. Ministério da Saúde [Internet]. Projeto SB Brasil 2010. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal. Brasília: Ministério da Saúde; 2010 [acesso em 2011 jun 22]. Disponível em: http://dab.saude. gov.br/cnsb/.
  2. Antunes JL, Peres MA, Mello TR, Waldman EA. Multilevel assesment of determinants of dental caries experience in Brazil. Community Dent Oral Epidemiol. 2006; 34:146-52.
  3. Rosa FB, Rosa ME, Cury NF, Oliveira SC. Projeto para um sorriso feliz: Programa de orientação de prevenção para mães. Rev ABO Nac. 1996; 4:36-
  4. Zuanon AC, Motisuki C, Bordin MM, Zuim K.

Quando levar a criança para a primeira visita ao dentista? JBP, J Bras Odontopediatr Odontol Bebê. 2001; 44:321-4.

  1. Barbosa TR, Chelotti A. Avaliação do conhecimento de aspectos da prevenção e educação em Odontologia, dentição decídua e oclusão, em gestantes e mães até 6 anos pós- parto, como fator importante na manutenção da saúde bucal da criança. Rev Inst Ciênc Saúde. 1997; 4:13-7.
  2. Pinto VG. Saúde bucal coletiva. 5ª ed. São Paulo: Santos, 2008.
  3. Ferreira AR, Gaíva MA. Atenção odontológica para bebês: percepção de um grupo de mães. JBP, J Bras Odontopediatr Odontol Bebê. 2001; 4:485-9.

autor correspondente: Ana Cristina Oliveira Av. Antônio Carlos 6627 – Campus Pampulha CEP: 31270-901 - Belo Horizonte – MG - Brasil Belo Horizonte-MG E-mail: [email protected]

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