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Coesão Textual. Clarissa Reis Melo. Jaciara J. Gomes *. Resumo: ... Dressler, Widdowson, Marcuschi, Tannen, Charolles (apud Koch & Travaglia,.
Tipologia: Slides
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Resumo: O mecanismo lingüístico estudado neste trabalho é a coesão textual, que se refere à ligação de palavras, expressões ou frases dentro de uma seqüência. No texto “Tudo bem intervir na Iugoslávia, mas...” (Ensaio,Veja - 09.06.99) é feita a análise da coesão textual por retomada e/ou por antecipação, mostrando a necessidade de conectores coesivos num texto jornalístico, pois tais elementos facilitam a leitura e as interpretações do texto, resultando num bom entendimento. Dessa forma, o leitor depreende a idéia do autor.
funcionamento dos textos, é capaz de explanar os fenômenos textuais através de uma gramática de enunciado. O texto é composto de grupos de enunciados e para produzi-lo e fazer com que seja entendido se faz necessária a habilidade do falante/escritor para falar/escrever. Para se ter textos, que são frases interligadas e não um monte de palavras soltas, é necessário haver uma produção lingüística, pois o texto é uma criação falada ou escrita que forma um todo significativo. Os textos são considerados unidades da língua com uma função comunicativa definível, caracterizando-se por vários fatores textuais: contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade. Este trabalho pretende, portanto, analisar um importante fenômeno da textualidade: a coesão, mostrando sua necessidade nos encadeamentos frasais por retomada e/ou por antecipação. Esse mecanismo coesivo é necessário à construção textual, pois produz uma relação e uma dependência entre os enunciados que compõem o texto, facilitando o entendimento do mesmo. Então, a coesão por retomada e/ou por antecipação é analisada num ensaio do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, tendo como título “Tudo bem intervir na Iugoslávia, mas...”, da revista Veja de 09 de junho de 1999. Para um melhor desenvolvimento deste trabalho, foram destacadas várias tendências teóricas sobre coesão textual dos seguintes autores: Halliday, Hasan, Beaugrande,
Dressler, Widdowson, Marcuschi, Tannen, Charolles (apud Koch & Travaglia, 1989), Fávero (1997), Platão e Fiorin (1996), Koch e Travaglia (1989) e Koch (1997).
Coesão textual: revisão de conceitos
Coesão textual é um fator importante do texto que se refere à conexão de palavras, expressões ou frases dentro de uma seqüência. O texto coeso se constrói com elementos de ligação que podem ser pronomes, verbos, advérbios, conectores coesivos (termos e expressões); e sem seqüenciadores, sendo o lugar do conector marcado por sinais de pontuação (vírgula, ponto, dois-pontos, ponto-e-vírgula). Segundo Koch e Travaglia (1989:13), a coesão é explicitamente apresentada através de elementos lingüísticos, indicações na estrutura superficial do texto, sendo de caráter claro e direto, expressando-se na organização sucessiva do texto. Halliday e Hasan (1976 apud Koch & Travaglia, 1989:13) afirmam que a coesão é a relação semântica entre os elementos do texto que são decisivos para sua interpretação; e ainda que a coesão é a relação entre os componentes superficiais do texto e a maneira pela qual eles se interligam e se combinam para resultar num desenvolvimento desejado. Essa visão semântica da coesão diz respeito às relações de dependência que transformam enunciados interligados em um texto. Coesão é a relação de significado entre dois componentes do texto, sendo um dependente do outro. Ainda para Halliday e Hasan (apud Koch & Travaglia, 1989:15), “há dois tipos de coesão: coesão gramatical (expressa através da gramática) e coesão lexical (expressa através do vocabulário)”. Além dos conectores coesivos se faz necessário haver um certo grau de coerência para que um discurso seja um texto. Para Beaugrande e Dressler (1981)^1 , a coesão é o modo como os elementos superficiais do texto se interligam numa sucessão linear através de sinais lingüísticos. Widdowson (1978)†^ declara que “a coesão ‘é o modo pelo qual as frases ou partes delas se combinam para assegurar um desenvolvimento proposicional...’ e revela-se por índices formais, sintáticos, sem apelo ao
(^1) (apud Koch & Travaglia, 1989:16) (^2) (apud Koch & Travaglia, 1989:17) (^3) (apud Koch & Travaglia, 1989:21) (^4) (apud Koch & Travaglia, 1989:21) (^5) (apud Koch & Travaglia, 1989:22) (^6) (apud Koch & Travaglia, 1989:23) (^7) (apud Koch & Travaglia, 1989:23)
com o segundo uma relação de todo) ou hipônimo (elemento que mantém com o segundo uma relação de parte) ou por antonomásia (substituição de um nome próprio por um comum ou vice-versa). Estes mecanismos podem ser assim exemplificados:Luís gosta de quadros. Expressionistas, então, ama, existe aí um hiperônimo; o hipônimo aparece assim:O galo canta toda manhã. Essa ave acorda todo mundo bem cedo. A antonomásia é dizerEle é um judas, em vez deEle é um traidor ou se referir aorei do futebol em vez dePelé. Alguns nomes genéricos como gente, coisa, negócio, elemento, funcionam como itens de referência anafórica, comoO eclipse iluminava a todos. Era uma coisa mágica, acoisa é o eclipse. Muitas vezes para se entender as formas nominais definidas (múltiplo referenciamento) se faz necessário haver um conhecimento de mundo, e não apenas a sinonímia, pois expressões comopopulista, pai dos pobres eestadista, se referem aGetúlio Vargas e podem substituí-lo num determinado contexto. A elipse é o apagamento de um termo da frase que pode ser recuperado pelo contexto, exemplo:Em que hospital Luís está? Está no hospital da Restauração, neste caso o sujeito do verboestar, nas duas passagens, éLuís. A coesão seqüencial é feita por encadeamento de segmentos textuais e tem por função assinalar que a informação se desenvolve, ou seja, leva à frente o discurso. Os conectores coesivos seqüenciais (palavras ou expressões) são responsáveis pela concatenação, pela criação de relações entre os segmentos do texto, marcando conclusões, gradações, comparações, argumentos decisivos, generalizações, exemplificações, correções, explicitações, entre outros. Além disso, a coesão seqüencial pode ser feita sem o uso de seqüenciadores, “cabendo ao leitor reconstruir, com base na seqüência, os operadores que não estão presentes na superfície textual” (Platão & Fiorin, 1996:382). Neste trabalho não se fará a análise da coesão seqüencial.
Análise de texto: uma aplicação de conceitos
No texto “Tudo bem intervir na Iugoslávia, mas...” de Roberto Pompeu de Toledo (Ensaio,Veja - 09.06.99), pode-se observar a discordância do jornalista em relação à maneira pela qual os Estados Unidos e os aliados intervieram na Iugoslávia. O texto é construído de forma contestadora mostrando que os interventores se utilizam da supremacia política e do poderio bélico para “se mobilizarem em favor dos direitos humanos”, porém, contra o adversário incapaz de guerrear no mesmo nível, pois já se sabe “de início que o sangue só jorrará de um lado”. Há no texto citações de autores, quer reforçando o caráter opressor da guerra, o que privilegia o adversário mais poderoso, quer recordando que a
guerra em terra contrabalançava sua natureza perversa através de igualdade de condições dos adversários, honrando, em parte, o combate. Além disso, nota-se a presença, no título, do conector coesivomas, que possibilita interpretações das mais diversas por tratar-se de um conector seqüencial que exprime idéia contrária, introduzindo um argumento decisivo à imagem negativa da guerra. Esta relação de contrajunção desenvolve-se ao longo do ensaio de Toledo. O mecanismo analisado, neste texto, é a coesão por retomada e/ou por antecipação. O texto chamou atenção imediatamente para a retomada do mesmo fenômeno por formas diversas, equivalentes, de termos, o que se chama múltiplo referenciamento, o vocábuloguerra, exposto nolead, é retomado em todo o texto pelos termos intervenção militar, operação, combate, marcha batida, ataque, bombardeio. Nolead encontra-se o pronome relativoque na expressãoem que se referindo aum tipo de guerra. O pronome pessoal da terceira pessoaela mais a preposiçãoem resulta no termonela, que é um anafórico por retomada da palavra guerra. No primeiro parágrafo, o termo nisso é um conector catafórico, pois antecipauma era de mobilização das potências em favor das gentes e da punição dos tiranos, já isso tudo é uma anáfora de todas as explicações anteriores referidas neste parágrafo. Presente em todo o texto, a elipse, ou seja, o apagamento de um termo da frase que é facilmente depreendido do texto, torna o texto bastante coeso nas seguintes passagens: no primeiro parágrafo, depois que o sujeitoNorman Mailer é mencionado, vem elíptico nos verbosser,“é um inteligente analista da política americana”, e explicar, “explicou o que é”, além de vir elíptico no terceiro parágrafo,(Norman Mailer) escreve. Há ainda neste parágrafo a elipse do termoo que incomoda, ou seja,(o que incomoda) é a desproporção do risco, e do termoo ataque em duas passagens do verboser,é “opressão” e (o ataque) “é obsceno”. No quarto parágrafo são observadas as elipses:(a guerra) foi mais (cruel), neste caso houve o ocultamento do sujeito e do predicativo destacados entre parênteses, há também o termo o livro foi, que foi suprimido do parêntese do texto:((o livro foi) editado no Brasil...) e ainda o termoos gregos que pode ser depreendido do texto eminventaram o combate face a face. No quinto parágrafo este expediente de coesão é assinalado na primeira frase com o apagamento do termoo padrão era,quando (o padrão era) desrespeitado, é suprimido também o sujeito Bayard demandava executá-lo. A elipse é encontrada também no sexto parágrafo em duas passagens, com o nome próprioPhilippe Morillon, pois ele é o sujeito do verboperguntar,quando (Philippe Morillon) perguntou e em relação ao apagamento do termoestão preparados,não (estão preparados) para morrer?
apresenta subsídios para interpretações reais e não ambíguas, e se dá através de ligações entre palavras, expressões ou frases. Por mais organizado que esteja o texto, a compreensão não se dará se os elementos coesivos não estiverem numa seqüência lógica, e para o leitor, ele se apresentará destituído de coesão. Assim sendo, é necessário que ao se elaborar um texto, utilizem-se recursos coesivos.
Referências Bibliográficas
BLIKSTEIN, Izidoro (1998). Dicionário de lingüística. São Paulo, Cultrix. CRYSTAL, David (1998). Dicionário de lingüística e fonética. Rio de Janeiro, Zahar. FÁVERO, Leonor Lopes (1997). Coesão e coerência textuais. São Paulo, Ática. KOCH, Ingedore & TRAVAGLIA, Luiz Carlos (1989). Texto e coerência. São Paulo, Cortez. KOCH, Ingedore (1997). O texto e a construção dos sentidos. São Paulo, Contexto. PLATÃO, Francisco & FIORIN, José Luiz (1996). Lições de texto: leitura e redação. São Paulo, Ática. TOLEDO, Roberto Pompeu de (1999). Tudo bem intervir na Iugoslávia, mas... Veja, São Paulo, ed. 1601, ano 32, n.23, p.182, 09 jun.