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Material sobre calculo de combustão
Tipologia: Notas de estudo
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A forma mais empregada para produção de calor na indústria é a combustão, definida como a reação entre os elementos químicos de um combustível e o oxigênio.
A oxidação dos combustíveis é uma reação exotérmica, sendo a quantidade de calor liberada função da composição química do combustível e dos produtos finais de combustão. Observe as reações:
Nessa reação, 1 Kg de C irá produzir 8.100 Kcal
1 Kg de H 2 produzirá 34.100 kcal
1 Kg de S produzirá 2.200 kcal
1 Kg de C produzirá 2.407 Kcal
1 Kg de CO produzirá 5.693 Kcal
Os elementos que não participam da combustão se mantém inalterados.
Na combustão o objetivo é obter o máximo possível de calor. Não basta porém que o rendimento calorífico atenda às necessidades requeridas, é preciso que isto seja feito de forma econômica. A fim de maximizar-se o rendimento da combustão, deve-se obter o melhor aproveitamento possível do potencial energético do combustível através de alguns fatores operacionais, como:
A íntima mistura do combustível com o ar aumenta a superfície de contato entre ambos e têm influência decisiva na velocidade de combustão. Quanto mais íntima a união dos elementos, melhor a combustão.
Conhecendo-se a composição do combustível e com base na estequiometria da reação, consegue-se calcular o ar necessário para a queima do combustível.
A quantidade de ar que fornece o oxigênio teoricamente suficiente para a combustão completa do combustível, é chamada de "ar teórico" ou "ar estequiométrico".
Na prática, sabe-se que é muito difícil obter uma boa combustão apenas com o ar
estequiométrico. Se utilizarmos somente o "ar teórico", há grande probabilidade do combustível não queimar totalmente (haverá formação de CO ao invés de CO 2 ) e conseqüentemente a quantidade de calor liberada será menor.
Para se garantir a combustão completa recorre-se a uma quantidade adicional de ar além do estequiométrico, garantindo desse modo que as moléculas de combustível encontrem o número apropriado de moléculas de oxigênio para completar a combustão. Essa quantidade de ar adicional utilizada é chamada de excesso de ar. O excesso de ar é a quantidade de ar fornecida além da teórica.
O excesso de ar proporciona uma melhor mistura entre o combustível e o oxidante, mas deve ser criteriosamente controlado durante o processo de combustão. Deveremos conhecer a quantidade ideal mínima possível de excesso a ser introduzida na queima, pois o ar que não participa da combustão tende a esfriar a chama, sem contribuir para a reação. Quanto maior o excesso de ar, maior o volume de gases nos produtos de combustão e conseqüentemente maior a perda de calor pela chaminé, influindo negativamente na eficiência da combustão.
Entretanto as perdas por excesso de ar aumentam em proporção muito menor que as perdas com combustível não queimado. Assim, nos processos de combustão industrial sempre se trabalha com excesso de ar.
A figura abaixo apresenta uma relação entre a vazão de ar para a combustão e as perdas de calor nos gases de exaustão da caldeira. Pode-se observar que caminhando-se da esquerda para a direita, passa-se de uma zona onde as perdas de energia se dão através de combustíveis não queimados para outra onde estas perdas ocorrem por excesso de ar. Existe entretanto, na transição entre as duas curvas, uma zona de máxima eficiência de operação, ou seja, onde as perdas são mínimas. A largura desta faixa de perdas mínimas depende das particularidades da instalação, do tipo de queimadores e do combustível.
O teor de excesso de ar a ser utilizado varia de acordo com o tipo de combustível a ser queimado e também com o equipamento de queima, sendo menor para combustíveis gasosos e maior para combustíveis líquidos e sólidos.
massa total acima calculada. Assim:
mO2 = 2,66 (%C) + 8 (%H) + 1 (%S) - 1 (%O 2 ) (kg O 2 /Kg comb.)
onde:
%O2 = porcentagem de oxigênio existente na composição do combustível.
Na maioria dos processos de combustão, o oxigênio é fornecido pelo ar atmosférico. A composição do ar em peso é aproximadamente: 23% de oxigênio e 77% de nitrogênio. Logo, a quantidade teórica de ar para a combustão completa será:
moar = 11,5 (%C) + 34,8 (%H) + 4,35 (%S) – 4,35 (%O 2 ) (kg ar/Kg comb.)
onde:
Se temos uma mO2 = 2,66 e sabemos que isso corresponde a 23% da composição em peso da ar, então a massa total de ar irá equivaler a:
x – 100% x = 11,5 Kg ar
x – 100% x = 34,8 Kg ar
x – 100% x = 4,35 Kg ar
Obs.:
Para obter o número de moles (n) estequiométrico do ar de combustão, basta utilizar a fórmula:
n =
Logo, teremos:
n (^) O2 = m (^) O2 / 32
n (^) N2 = m (^) N2 / 28
Logo:
nº moles ar estequiométrico = n 02 + n (^) N
Considerando a massa específica do ar a P = 1 atm e T = 0º C, r (^) (ar) igual a 1,2928 Kg/m^3 , teremos que o volume teórico de ar para a combustão completa será:
rar =
V o^ ar = 8,89 (%C) + 26,9 (%H) + 3,36 (%S) - 3,36 (%O2) (m^3 ar/ Kg comb.)
Onde:
1,2928 = 11,5 / Var Var = 8,
1,2928 = 34,8 / Var Var = 26,
1,2928 = 4,35 / Var Var = 3,
Como este volume se refere a condições de P = 1atm e T = 0ºC (273 K), devemos convertê-lo para condições de trabalho normais utilizando a seguinte expressão:
Nesses cálculos não será levado em conta a formação de CO, uma vez que a priori, não se pode determinar quanto de carbono irá formar CO 2 e quanto irá formar CO. Também admite-se que o nitrogênio não participe da reação.
Caso não se disponha da composição elementar exata do combustível usado em determinado processo de queima, poderão ser utilizados os valores médios abaixo mostrados:
Exemplo composição média de um combustível
Lenha 47-52 6-9 - 40-44 -
Óleo combustível 83-87 11-16 Até 5 Até 7
Gás natural 73-77 23-26 - 1,5-2 1-
Bagaço cana 46-47 6-7 - 43-
Como dito anteriormente para conseguirmos uma queima completa do combustível, há necessidade de se introduzir um excesso de ar. A quantidade desse excesso depende de vários fatores, mas apresentamos a seguir os valores comumente utilizados para os combustíveis mais comuns:
Combustível Excesso ar utilizado - a (%)
Lenha 40 – 50
Óleo combustível 15 – 20
Gás natural 5 -
Logo, a massa e volume reais de ar a ser introduzida para queima do combustível será:
m (^) ar = m o^ ar. a (Kg ar / Kg comb.)
V (^) ar = V o ar. a (m^3 ar / Kg comb.)
Pode-se também considerar a água presente no ar e para isso devemos fazer uso de uma carta psicrométrica, onde dependendo da umidade relativa do ar encontraremos a quantidade de água presente no ar:
mtotal ar = mar + (mar. x)
onde:
x = quantidade de água no ar (kg água/kg ar seco) de acordo com a umidade relativa