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Este documento discute as condições iniciais ruins dos solos no processo de conversão para o processo agroecológico/orgânico e a produção orgânica no brasil, que geralmente é destinada à exportação. O texto enfatiza a importância da matéria orgânica no solo para as culturas e outros organismos presentes, além dos benefícios da compostagem, como a eliminação de microrganismos indesejáveis e a liberação de nitrogênio para as plantas. O documento também aborda a importância da relação carbono/nitrogênio (c/n) na fermentação da matéria orgânica e na aproveitamento do nitrogênio pelas plantas. Além disso, são apresentados materiais utilizados na compostagem, como estercos de animais, capim elefante e materiais fibrosos, e o processo de obtenção do material fibroso. O texto também discute as diferentes formas de compostagem, como a compostagem com materiais palhosos sem picagem e a compostagem com napier inteiro e uso de bananeira para fornecer umidade.
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 17/02/2016
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As condições dos solos no início do processo de conversão para o processo agroecológico/ orgânico, normalmente tem sido muito ruins. Por outro lado a produção orgânica desenvolvida no Brasil tem sido uma produção para “exportação”: Quase tudo o que se planta é para vender. Para recuperar os solos degradados é necessário acrescentar nutrientes e para manter os níveis de fertilidade de um solo já melhorado é necessária a reposição dos nutrientes exportados. A maioria dos nutrientes necessários para as plantas deve, obrigatoriamente, ser colocados no solo através da matéria orgânica uma vez que os adubos concentrados são em sua maioria proibidos ou de liberação de uso muito restrito, pela legislação da agricultura orgânica. A matéria orgânica no solo trás vantagens consideráveis para as culturas e os demais organismos presentes. No processo de compostagem são eliminados muitos micro-organismos indesejáveis no processo de produção e algumas substâncias nocivas. Outro fator importante é que a adubação localizada é mais eficiente no aumento da produção do que a adubação a lanço e é muito mais fácil distribuir, localizadamente, o composto orgânico do que a matéria orgânica in natura. A matéria orgânica “crua” traz alguns problemas para as plantas tais como a captura do N do solo pelos microorganismos da decomposição fazendo com que as plantas fiquem com deficiência; O aquecimento do solo provocando queima das raízes e o colo das plantas entre outras. Pelos motivos listados anteriormente é que se torna fundamental a utilização de compostos orgânicos no processo de produção orgânico/agroecológico.
2 MATERIAIS UTILIZADOS NA COMPOSTAGEM. Relação Carbono/Nitrogênio (relação C/N) é uma muito importante para processo de fermentação da matéria orgânica e no aproveitamento do Nitrogênio pelas plantas. Matéria orgânica com relação C/N acima de 30/1 tem um processo de fermentação mais lenta e durante a fermentação o Nitrogênio do solo é capturado pelos micro-organismos fermentadores com isto causando deficiência nas plantas. Durante o processo de fermentação da matéria orgânica com relação C/N entre 20/1 e 30/ existe um equilíbrio entre a liberação de N no processo e a captura pelos micro-organismos presentes. Durante o processo de fermentação de matéria orgânica com relação C/N abaixo de 20/ normalmente existe a liberação de N para o meio o que propicia o seu aproveitamento pelas plantas. Tabela 1 Relação Carbono/Nitrogênio de alguns materiais utilizados em compostagem. Material Relação C/N Esterco de gado 13/ Esterco de aves (gaiola) 14/ Esterco de aves (cama) 20/ Casca de café 53/ Palha de café 38/ Capim meloso 75/ Capim napier verde 40/ Crotalária juncea 26/ Feijão de porco 19/ Feijão Guandu 29/ Palhas de feijão 32/ Palhas de milho 112/ Mucuna preta 22/ Serragem de madeira de lei 865/ 2.1 OBTENÇÃO DO MATERIAL FIBROSO As propriedades normalmente possuem uma boa quantidade de
materiais palhosos para a confecção de compostos orgânicos (palhas de milho, palha de café, palha de feijão, capim meloso, etc.). Normalmente esta quantidade de material é muito abaixo das necessidades de produção de composto que uma propriedade orgânica necessita para a adubação de suas lavouras. Por este motivo se faz necessário a compra de materiais (pó de serra de madeira mole, bagaço de cana, casca de eucalipto, etc) ou a produção de materiais fibrosos para utilização no composto. A planta mais comumente utilizada para a produção deste tipo de material é o capim elefante (napier, cameroom verde, cameroom roxo). O capim elefante é uma plante perene, muito rústica e com uma alta produtividade de massa. Até 250 toneladas/ha/ano de massa verde ou 60 a 80 toneladas de massa seca/ha/ano. Como material de baixa relação C/N para enriquecimento do composto normalmente usa estercos (bovinos, aves e suínos), porém pode-se usar tortas de mamona, resíduas de fábricas de chocolates e outras Leguminosas também podem ser usadas como material de enriquecimento. 2.2 MISTURA DE MATERIAIS A combinação dos materiais deve ser feita no sentido de que a média ponderada da relação C/N fique no intervalo de 30/1 a 40/1 isto para facilitar a fermentação e para não perder nitrogênio. Misturas de materiais cuja média da relação C/N sejam superiores a 40/1 demoram muito para sofrer o processo de fermentação e diminuem muito o peso em relação ao peso inicial. Misturas com relação C/N inferiores a 30/ podem perder nitrogênio no processo de compostagem.
2.3.1 Composto com materiais palhosos sem picagem Este é o modelo de compostagem é o tradicionalmente usado e consiste na utilização de palhadas de milho, palhadas de feijão, palha de café, capim meloso e outros vegetais não lenhosos com o enriquecimento feito através da utilização de esterco de animais (aves, suínos, caprinos, bovinos, etc). A leira de composto é montada fazendo-se uma camada de 20 cm de palha sobre a qual se coloca uma camada de 2 a 5 cm de esterco (dependendo do tipo de esterco) e assim sucessivamente até atingir uma altura máxima de 1,50m. A largura não deve ultrapassar os 3 m enquanto que o comprimento pode ser variável. As dimensões da largura e da altura não podem ser maiores porque se o forem provocam bolsões anaeróbicos no interior da pilha o que compromete o processo de compostagem. A irrigação deve ser feita ao longo da montagem da leira de composto se possível camada por camada. A quantidade de água deve ser suficiente para molhar o material, porém não deve ser suficiente para provocar escorrimento. O ideal e cobrir as pilhas de composto com uma camada de palhas para evitar a perda excessiva de água e o ressecamento da camada superficial da pilha o que atrasa o processo de compostagem. A cobertura também evita a perda de nitrogênio. Em períodos de muita chuva é recomendável a cobertura com material impermeável (lona plástica, fazer o composto em áreas cobertas, etc). Normalmente se fazem três ou quatro reviramentos (aos 15 dias, aos 30 dias, aos 60 dias e aos 90 dias ou aos 30 dias, aos 60 dias e aos 90 dias após a confecção das leiras). Este tipo de composto fica pronto ao redor dos 120 dias.
enriquecidos com outros produtos tem tido teores de Mg bastante baixos. Tabela 2 Composição de alguns compostos orgânicos Materiais Utilizados M.O. C/N P/H N P K CA Mg Composto enriquecido com esterco de galinha 48 15/1 7,2 1,9 1,1 1,2 5,3 0, Composto enriquecido com composto 49 15/1 7,1 2 1,0 1,1 3,3 0, Composto enriquecido com torta de cacau 63 12/1 6,5 3,2 0,7 1,5 1,8 0, Composto enriquecido com terriço de mata 35 18/1 6,7 1,1 0,4 0,6 1,2 0, Fonte SOUZA, 2005
ARAUJO, João Batista. Composto com bananeira e capim elefante triturado com enxada rotativa. V CBA, Guarapari,2007. ABA. SOUZA, Jacimar Luiz de. Agricultura Orgânica: tecnologias para a produção de alimentos saudáveis. Vitória,,ES: INCAPER, 2005 2V. 257P. SOUZA, Jacimar Luiz de. Agricultura Orgânica: tecnologias para a produção de alimentos saudáveis. Vitória,ES: INCAPER, 2005 2V. 257P. SOUZA, Jacimar Luiz de e Rezende Patrícia. Manual de horticultura orgânica. Viçosa: Aprenda Fácil, 2007. 564p. il. SILVEIRA , 2004.