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curso de compostagem
Tipologia: Notas de estudo
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palavras, fornecer composto às plantas é permitir que elas retirem os nutrientes de que precisam de acordo com as suas necessidades ao longo de um tempo maior do que teriam para aproveitar um adubo sintético e altamente solúvel, que é arrastado pelas águas das chuvas.
Outra importante contribuição do composto é que ele melhora a "saúde" do solo. A matéria orgânica compostada se liga às partículas (areia, limo e argila), formando pequenos grânulos que ajudam na retenção e drenagem da água e melhoram a aeração. Além disso, a presença de matéria orgânica no solo aumenta o número de minhocas, insetos e microorganismos desejáveis, o que reduz a incidência de doenças de plantas.
Na agricultura agroecológica a compostagem tem como objetivo transformar a matéria vegetal muito fibrosa como palhada de cereais, capim já "passado", sabugo de milho, cascas de café e arroz, em dois tipos de composto : um para ser incorporado nos primeiros centímetros de solo e outro para ser lançado sobre o solo, como uma cobertura. Esta cobertura se chama "mulche" e influencia positivamente as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Dentro os benefícios proporcionados pela existência dessa cobertura morta no solo, destacam-se :
Preparar o composto de forma correta significa proporcionar aos organismos responsáveis pela degradação, condições favoráveis de desenvolvimento e reprodução, ou seja, a pilha de composto deve possuir resíduos orgânicos, umidade e oxigênio em condições adequadas.
O local deve ser de acesso fácil, com pontos de manobra e estradas para transporte dos materiais que farão parte do composto e também para a sua retirada depois de pronto.
Atenção: O local deve ser próximo de onde está armazenado o material palhoso, que será usado em grande quantidade.
O local deve ser próximo a uma fonte de água, uma vez que o material é molhado à medida que as camadas são colocadas e também quando o material é removido, o que acontece várias vezes durante o processo de compostagem.
Atenção: Pode-se utilizar mangueira ou baldes, tomando cuidado com a abundância de água e pressão suficiente para chegar ao local da compostagem.
Baixa declividade, até 5%, para facilitar o preparo e o manejo da pilha de composto, mas que permita drenagem da água da chuva.
Atenção: Locais de baixada, suscetíveis a encharcamento, devem ser evitados.
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O composto pode ser feito em campo aberto, em chão batido, sendo desnecessário piso cimentado.
Figura 01: Equipamentos necessários para procedimentos operacionais. Fonte: Coleção SENAR - 70
Todos os restos de lavouras e capineiras, estercos de animais, aparas de grama, folhas, galhos, resíduos de agroindústrias, como: restos de abatedouro, tortas e farinha, podem ser usados. Quase todo material de origem animal ou vegetal pode entrar na produção do composto, contudo, existem alguns materiais que não devem ser usados.
Alerta ecológico: Os materiais que não devem ser usados para fazer compostagem são os
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Figura 03: Fonte de Nitrogênio Fonte: Coleção SENAR – 70.
Figura 04: Fonte de microorganismos(Cama de frango) Fonte: FETAG
3.4.1 Umidade
O material fresco deve ter preferência, pois à medida que o capim seca ou o esterco curte, há perdas de nutrientes importantes para o processo de compostagem.
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3.4.2 Tamanho do material
O material palhoso picado acelera e facilita o processo de compostagem. Na falta de picadeira, o material inteiro poderá ser utilizado.
O composto pode ser enriquecido com a adição de materiais que melhoram suas características químicas e sua qualidade. Esse material enriquecedor pode ter duas finalidades: corrigir uma deficiência do solo, que necessita de determinado nutriente; atender às necessidades da cultura.
Para enriquecer o composto, espalha-se o elemento necessário entre as camadas da pilha.
Podem ser utilizados: cinza, pó de rocha (calcário, fosfato natural, etc.) e resíduos agroindustriais (tortas, farinha de osso, borra de café) etc.
A Composição de alguns materiais de enriquecimento está disponível na tabela abaixo (TAB. 01):
Tabela 01: Materiais de enriquecimento de composto
Material M.O(%) N(%) C/N P 2 O 5 (%) K 2 O (%) Torta de Cacau 64,90 3,28 11/1 2,43 1, Torta de Mamona 92,20 5,44 10/1 1,91 1, Torta de Café 90,46 2,30 22/1 0,42 1, Farinha de Rocha (MB4)
Farinha de Osso - 5,00 - 25,00 - Torta de Filtro 78,78 2,19 20/1 2,32 1, Fonte: Kiehl, 1985
Legenda: MO – Matéria Orgânica N – Nitrogênio C/N – Relação entre carbono e hidrogênio P 2 O 5 – Fósforo K 2 O – Potássio
As recomendações de quantidades usadas no enriquecimento do composto estão disponíveis s na tabela abaixo (TAB. 02):
Tabela 02 -Quantidades recomendadas para enriquecimento de composto
Materiais Quantidades Calcário 0,5 a 1 kg / m³ Farinha de Rocha 200 g / m³ Torta de Mamona 30-50 kg / m³ Cinzas 1-4 kg / m³ Farinha de Osso 0,5 kg / m³ Fonte: Kiehl, 1985
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Material Matéria Orgânica N % C/N % P 2 O 5 (%) K 2 O (%) Abacaxi: fibras 71,41 0,90 44/1 Traços 0, Arroz: Casca 54,55 0,78 39/1 0,58 0, Arroz: palhas 54,34 0,78 39/1 0,58 0, Aveia: cascas 85,00 0,75 63/1 0,15 0, Aveia: palhas 85,00 0,66 72/1 0,33 1, Bagaço de Cana 59,00 1,49 22/1 0,28 0, Café: cascas 82,20 0,86 53/1 0,17 2, Café: palhas 93,13 1,37 38/1 0,26 1, Capim gordura 92,38 0,63 81/1 0,17 - Capim guiné 88,75 1,49 33/1 0,34 - Capim jaraguá 90,51 0,79 64/1 0,27 - Capim mimoso 93,68 0,66 79/1 0,26 - Capim pé de galinha 86,99 1,17 41/1 0,51 - Capim napier 90,00 0,60 65/1 0,35 - Capim colonião 91,00 1,87 27/1 0,53 - Crotalária júncea 91,42 1,95 26/1 0,40 1, Eucalipto: resíduos 77,60 2,83 15/1 0,35 1, Feijão de porco 88,54 2,55 19/1 0,50 2, Feijão guándu 95,90 1,81 29/1 0,59 1, Feijoeiros: palhas 94,68 1,63 32/1 0,29 1, Labelabe 88,46 4,56 11/1 2,08 - Milho: pahas 96,75 0,48 112/1 0,38 1, Mucuna preta 90,68 2,24 22/1 0,58 2, Serragem de madeira 93,45 0,06 865/1 0,01 0, Esterco de Eqüinos 46,00 1,4 18/1 0,53 1, Esterco de bovinos 57,10 1,67 32/1 0,86 1, Esterco de Ovelhas 65,22 1,44 32/1 1,04 2, Esterco de Suínos 53,10 1,86 16/1 0,72 0, Esterco de Frango 54,00 3,04 10/1 4,70 1, Cama de Frango 50,91 2,50 14/1 4,29 4, Fonte: Kiehl, 1985 ; Costa, 1989; Santos, R.H.S. (informação pessoal)
O objetivo deste cálculo é fazer o balanço dos materiais para atingir o valor de 30/1 de relação entre carbono e nitrogênio(C/N).
Calculando-se a percentagem de massa seca do capim elefante e da cama de frango, pode-se encontrar os seguintes resultados:
Capim elefante = 46% de matéria seca
Cama de frango = 51% de matéria seca
Para transformarmos os valores que encontramos no acima para a proporção de massa fresca, basta seguir o cálculo abaixo:
Capim elefante; 46% de matéria seca, que quer dizer que em 100 kg de capim fresco vamos ter 46 kg de material seco (sem água).
Adotado 1 kg de capim seco:
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100 kg material fresco -> 46 kg de material seco. kg material fresco -> 1 kg de material seco -> 100 vezes 1, dividido por 46 é igual a 2,17.
Assim tem-se : 2,17 kg de capim elefante fresco para 1 kg de capim elefante seco.
Cama de frango: 51% de matéria seca quer dizer que em 100 kg de cama de frango fresca vamos ter 51 kg de material seco, ou seja, sem água.
Encontrando-se 0,525 kg de cama de frango:
100 kg cama fresca -> 51 kg de material seco kg cama fresca -> 0,525 kg de material seco => 100 vezes 0,525 dividido por 51 é igual a 1,02.
Assim tem-se: 1,02 kg de cama de frango fresca para 0,525 kg de cama de frango seca.
Massa fresca: 2.17 kg de capim elefante para 1,02 kg de cama de frango.
Trabalhar com volume é muito mais fácil do que com peso. Por isso iremos passar os valores encontrados para volume.
Como exemplo utiliza-se os seguintes dados:
Capim elefante = 175 g/litro = 0,175 kg/litro
Cama de frango = 305 g/litro = 0.305 kg/litro.
Para o capim encontrou-se 2,17 kg de capim fresco no item anterior, passando para volume:
1 litro -> 0,175 kg litro -> 2.17 kg => 2,17 vezes 1 dividido por 0,175 é igual a 12,4 litros Assim temos um volume de 12,4 litros para 2,17 kg de capim fresco.
O mesmo cálculo deverá ser feito para cama de frango. (TAB. 04)
Na prática isso representará:
Tabela 04 -Cálculo da proporção de materiais(Volume).
Cama de Frango Capim elefante 1 litro 3,7 litros 10 litros 37 litros 1 balde 3,7 baldes 1 m³ 3,7 m³ Fonte: Coleção SENAR – 70
A montagem da pilha ou meda é o arranjo do material palhoso, da fonte de nitrogênio e do inoculante. A montagem do composto proporciona uma melhor condição para a decomposição dos diferentes tipos de materiais, intercalando-se os mesmos em camadas
A colocação em camadas facilita a montagem e controla a proporção pré-estabelecida em
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Figura 07: Tamanho de pilha para evitar a penetração de água da chuva e possibilitar seu escorrimento. Fonte: Coleção SENAR - 70
3.11.1 Limpeza da área onde será feita a pilha
A limpeza da área consiste na capina do local, a fim de facilitar a montagem e conservação do material.
3.11.2 Marcação da largura e comprimento da pilha
A marcação pode ser feita com qualquer material visível no solo, por exemplo, com estacas.
Figura 08: Marcação da largura e comprimento da pilha. Coleção SENAR - 70
Figura 09: Marcação da largura e comprimento da pilha. Fonte: Coleção SENAR – 70
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Figura 10: Marcação da largura e comprimento da pilha. Fonte: Coleção SENAR – 70
Atenção: é importante garantir as dimensões da pilha, evitando que ela fique ou muito estreita ou muito larga.
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materiais. Retire a lona após as chuvas.
Nas primeiras 24 horas após a montagem da pilha, a temperatura se eleva rapidamente , atingindo valores em torno de 60%C, estabilizando nesta faixa por 60 dias. Após esta fase, a temperatura cai gradualmente até atingir a temperatura ambiente.
A relação C/N inicial do composto é de 30/1 e com o andamento do processo esta relação cai gradualmente até ficar em torno de 12-10/1.
Caso o andamento do processo não ocorra desta forma, o seu composto está com problemas.
O manejo é feito para se garantir as condições ideais de temperatura e umidade da pilha, fazendo com que a compostagem ocorra eficientemente em cada fase descrita.
O revolvimento é a transferência da pilha de um lugar para o outro. É o “tombo” do composto. Quando a pilha é revirada, ocorre a:
Esse procedimento é muito importante para possíveis correções no composto, como a adição de água se necessário.
O revolvimento pode ser:
As etapas para o revolvimento são:
Uma das finalidades dos primeiros revolvimentos é desmanchar a estrutura de camadas e homogeneizar o material.
O revolvimento deve ser feito de forma que os materiais que estavam na parte externa da pilha fiquem na parte de dentro da nova pilha, e vice-versa.
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O material externo do composto fica ressecado, não entrando em decomposição.Este material deve ficar na primeira camada da pilha revolvida, uniformizando a decomposição.
A mudança do local deve ser feita retirando-se camadas verticais da pilha antiga. Se necessário, irrigue o composto durante o reviramento.
Os revolvimentos subseqüentes deverão ter uma programação preestabelecida de acordo com a disponibilidade de mão-de-obra do produtor.
Ao se revolver o material, acelera-se o processo de compostagem e o ideal seria revirar a pilha a cada 4 dias no primeiro mês e a cada 15 dias no segundo mês.
O processo de compostagem acontece mesmo quando não se revira o material empilhado, porém demora muito mais tempo e com menor qualidade final de produto.
Atenção: Antes de se fazer o reviramento, principalmente na fase de maturação do composto (Fase 3), deve-se retirar as ervas que nascem na superfície o composto, para não se ter infestação no adubo.
Alerta ecológico: Durante o reviramento aproveitar para retirar materiais indesejáveis que estejam entre os materiais utilizados no composto, como: plásticos, papéis, vidro, latas, etc. (FIG. 13)
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Figura 14: Verificação da temperatura Fonte: Coleção SENAR – 70
Atenção: O composto irá aquecer rapidamente depois de um dia de empilhado, e esta temperatura tem que se manter por dois meses. Por dois meses é desejável e esperada uma temperatura acima de 45ºC, indicando que o processo está ocorrendo satisfatoriamente. Após 2 meses, a temperatura deve baixar naturalmente.
O comportamento da pilha fora desse padrão significa que existem falhas no processo.
Aproximadamente após 90 a 120 dias, o com,posto deverá estar pronto, ou seja a pilha não esquenta mais ficando em temperatura ambiente.
Para saber se a umidade está adequada, faz-se o seguinte teste:
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Figura 15: Verificação da umidade Fonte: Coleção SENAR – 70
Figura 16: Verificação da temperatura Fonte:Coleção SENAR - 70
Durante o processo de compostagem, fatores como temperatura, umidade e aeração deverão ser controlados no momento em que se faz o revolvimento da pilha. (TAB. 05)
Tabela 05 - Avaliação e adequação de problemas Problema Causa Possível Solução Pilha com baixa Composto muito seco Revire a pilha e adicione água. temperatura, quando deveria estar com
Composto com excesso de umidade
Revire a pilha deixando que ela vá secando.