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INTRODUÇÃO LÍNGUA - LINGUAGEM - FALA
Tipologia: Notas de estudo
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DISCIPLINA: Int. Prod. Textos
PROFESSOR: GERALDO CABRAL
INTRODUÇÃO LÍNGUA - LINGUAGEM - FALA
Ouverture la vie em close
em latim “porta” se diz “janua” e “janela” se diz “fenestra”
a palavra “fenestra” não veio para o português mas veio o diminutivo de “janua”, “januela”, “portinha”, que deu nossa “janela” “fenestra” veio mas não como esse ponto da casa que olha o mundo lá fora, de “fenestra”, veio “fresta”, o que é coisa bem diversa
já em inglês “janela” se diz “window” porque por ela entra o vento (“wind”) frio do norte a menos que a fechemos como quem abre o grande dicionário etimológico dos espaços interiores (LEMINSKI, Paulo. La vie em close. São Paulo, Brasiliense, 1991. p. 12.)
Língua e fala Através desse texto, podemos observar como línguas diferentes possuem maneiras diversas de expressar um mesmo referente. A esta parte social da linguagem chamamos língua, que o sistema de sinais pertencentes a uma coletividade, através do qual as vivências desse grupo de indivíduos são transmitidas.
(^1) CASTRO. M. C. Língua & Literatura. 2.ed. Saraiva, São Paulo, 1994.
Ao comunicar-se, o indivíduo seleciona os elementos da língua que deseja usar, combinado-os de acordo com determinadas regras gramaticais. Todos os brasileiros fazem uso da língua portuguesa, mas isso não quer dizer que todos se expressem de forma idêntica. A utilização individual da língua é chamada de fala. Observe estes exemplos em que um mesmo referente (o pôr-do-sol) permite três construções diferentes: “Estava de ouro na janela o poente”. (Guilherme de Almeida)
“Um resto de sol bate, alaranjado, nas vidraças”. (Érico Veríssimo)
- Eta sor danado de bonito! Inté parece uma queimada nas bandas do poente – diz o caboclo.
Além das diferenças individuais, que fazem com que cada ser humano se expresse de maneira particular, convém destacar outras particularidades da fala: a)- Regionalismo ou linguagem regional : é a fala característica de certas regiões do país, marcada por vocabulário próprio, construções gramaticais determinadas e, oralmente, sotaque definido: Veja: “Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego”. (Guimarães Rosa) b)- Gíria : É a linguagem própria de determinados grupos com intereses comuns, como surfistas, skatistas, estudantes, etc. Uma gíria dura pouco tempo, sendo rapidamente substituída por outra. Renan Rocha, em Backdoor “Cheguei em Pipeline e estava melhor Backdoor (para direita) do que Pipe (para esquerda). Eu nunca tinha surfado ali. Estava muito crowd mas dei sorte. Essa foi minha segunda onda.Inesquecível” (Revista Fluir, n. 3, Azul, ano 8) c)- Linguagem coloquial ou informal : é a forma popular de utilização da língua, nem sempre atendendo às regras gramaticais. É a linguagem comumente utilizada no nosso dia- a-dia. “- Quem foi o miserável... Quéde o oficial de dia?” (Fernando Sabino) d)- linguagem culta ou formal : é a aquela que obedece às normas gramaticais; é usada por pessoas que tiveram uma boa escolarização. “A mata dormia o seu sono jamais interrompido. Sobre ela passavam os dias e as noites, brilhava o sol do verão, caíam as chuvas do inverno. Os troncos eram centenários, um eterno verde se sucedia pelo monte afora, invadindo a planíce, se perdendo no infinito. Era como um mar nunca explorado, cerrado no seu mistério”. (Jorge Amado) e)- Jargão : è a linguagem específica de um determinado grupo de profissionais, que se utilizam de palavras, expressões ou siglas próprias de sua área de atuação, como médicos, economistas, advogados etc.
Linguagem, Língua e Fala
Sendo assim, língua é um subconjunto da linguagem: a linguagem abrange todos os seres do nosso planeta, enquanto a língua envolve apenas uma parte desses seres. Por outro lado, pode-se definir a língua como um código ou sistema , onde são encontrados todos os signos e todas as possibilidades articulatórias desses signos, residindo tal sistema dentro do cérebro indivíduo falante.
Fala é uma realização individual, momentânea e insubstituível de uma entre todas as possibilidades articulatórias que a língua oferece. Quando alguém fala ou escreve, está, na verdade, escolhendo, entre todos os signos conhecidos, apenas alguns, entre todas as regras de combinação (corcodância, regência, colocação) apenas algumas. E, enquanto fala transforma em concreto (som, letra) algumas palavras e regras, ao passo que deixa em abstrato, ou seja, em língua, todas as outras palavras e regras que não são utilizadas. Por isso diz- se que o ato da fala é uma concretização da língua.
“E eis que veio uma peste e acabou com todos os homens. Mas em compensação ficaram as bibliotecas: E nelas estava escrito o nome de todas as coisas. Mas as coisas podiam chamar-se agora como bem quisessem.” (Mário Quintana) Elementos da comunicação Para que haja comunicação eficaz, são necessários alguns elementos, quais sejam: a) o emissor - envia a mensagem ao receptor; b) o receptor - recebe a mensagem; é o destinatário. Num ato de comunicação, tanto o emissor quanto o receptor podem trocar suas funções, enviando ou recebendo mensagens. c) a mensagem é a informação que o emissor deseja enviar ao receptor; d) (^) o código é o conjunto de sinais organizados e escolhidos pelo emissor para transmitir a mensagem. Se o emissor e receptor não tiverem o mesmo código, não ocorrerá comunicação. e) O canal é contato entre o emissor e o receptor, o elemento através do qual a mensagem se propaga. Se houver interrupção de uma ligação telefônica, por exemplo, a mensagem não chegará a seu destinatário. f) O referente é o elemento ao qual a mensagem se reporta, ou seja, aquilo de que o emissor está falando. É o contexto exterior a mensagem.
SIGNIFICANTE E SIGNIFICADO
Como vimos anteriormente, a linguagem é um sistema codificado de sinais, usado na transmissão de idéias e emoções e na comunicação entre as pessoas. Sabemos, também, que não há comunicação se o código usado pelo emissor é desconhecido do receptor. Isto quer dizer que o emissor e o receptor devem usar o mesmo código e conhecer o seu significado; é preciso que ambos falem a mesma linguagem.
Seria muito bom se cada palavra correspondesse apenas a um conceito ou a uma mesma idéia: tivesse um só sentido. Sabemos que isso não ocorre. Dependendo do contexto, a palavra assume um significado diferente. Exemplos: A grama do jardim foi aparada recentemente. Comprei apenas cem gramas de queijo.
Quando pronunciamos uma palavra (por exemplo, amor ), chega aos nossos ouvidos um conjunto de sons que compõem essa palavra. Esses sons são levados ao cérebro. Um conceito daquela palavra é associado aos sons. Em lingüística:
Em resumo: O signo lingüístico associa elemento concreto, material, representado por letras ou sons (o significante) a um elemento mental, abstrato, imaterial, representado por idéias, conceitos (o significado).
Um conjunto de letras (por exemplo, caob) não é um signo lingüístico, é preciso que seja formado por dois elementos: o significante e o significado.
Exemplo:
S.O.S. – combinação de três letras
significante S.O.S. – sinal de socorro, usado em situação de emergência
significado
Exemplo: significado significante
Não-coeso: Ele é muito estudioso, porém sempre tira notas boas. Coeso: Ele é muito estudioso, por isso sempre tira notas boas.
No primeiro fragmento, o elemento que articula as duas idéias dá o sentido de contradição, sendo que sentido é de conseqüência. Poré m, deu noção de contradição e por isso , de conseqüência.
Coerência – é a lógica entre as idéias expostas em um texto. Para se manter
coerente, basta saber que a idéia apresentada deve se relacionar ao todo textual, com a seqüência das demais idéias, com a progressão dos argumentos e afirmativas que vêm a ser explicadas. Exemplo incoerente: O carro era adequado para as viagens de nossa família. Haviam várias malas em meus pés. Atividades
A - Analise o parágrafo seguinte e explique as razões de sua incoerência:
Na verdade, a televisão é um passatempo mortificante, pois, além de proporcionar às famílias alguns momentos de distração, reduz-lhes o tempo que poderiam dedicar à conversa, que cada vez se torna mais rara entre pais e filhos.
B - Substitua, nas frases abaixo, os conectivos de transição e palavras de referência que sejam inadequadas às relações de idéias que pretendem estabelecer: a) Levantei-me às 6 horas, pois me tinha deitado às 3:30; dormi, aliás, pouco mais de três horas. b) Não nos entendíamos, embora falássemos línguas deferentes.
C - Leia o texto abaixo para responder às questões a seguir:
A evasão tributária, a sonegação e a expansão da economia informal assumem proporções alarmantes no Brasil. Segundo divulgações pela imprensa recentemente, o governo federal inicia uma operação anti-sonegação e se prepara para ampliar seu quadro de fiscalização. Ademais, passa a fazer exigências que ultrapassam a tênue barreira do sigilo bancário e do direito de privacidade dos cidadãos, quando requisita informações de companhias administrativas de cartões de crédito. É simplesmente patético se observar as mais recentes técnicas de arrecadação tributária em voga no país. Aumentam-se os controles, a burocracia, as ameaças. De troco, aumentam-se os custos que a sociedade é forçada a suportar para manter um sistema tributário falido. Com o advento da informática, a sociedade tem a sua disposição meios mais modernos e mais eficazes para efetuar a coleta de impostos. A informatização bancária permite a arrecadação de forma automatizada, sem emissão de papel ou comprovação contábil, como se propõe com o Imposto Único sobre transações. Ademais, a moeda manual se torna cada vez mais uma “relíquia bárbara” como disse Lord Keynes, um vestígio dos tempos em que possuía valor intríseco. Hoje, trabalha-se com a moeda escritural, com os cartões de crédito, com lançamentos on-line e com impulsos eletrônicos. E isso permite a coleta de impostos no ato de lançamento dessas transações nas contas correntes bancárias.
O mundo evolui, mas a sistemática tributária ainda perdura na forma artesanal, como idealizada há séculos. Vamos ao ato de coragem. Vamos ao Imposto Único sobre Transações. (Folha de São Paulo, 09/07/92)
03 ) Em relação ao vocabulário do texto, pode-se afirmar que: a) a palavra evasão significa no texto sofisma , subterfúgio e está na esfera semântica de ilogismo ; b) a palavra bárbara refere-se positivamente à idéia de moeda, pois tem o sentido de rara , preciosa , valiosa. c) a palavra advento , está sendo utilizada na acepção de vulgarização , popularização. d) a palavra patético , embora possa ter em outros contextos o sentido de comovente, no texto significa trágico.
04 ) A expressão “ relíquia bárbara ” encontra-se entre aspas no texto porque é: a) latinismo traduzido; b) estrangeirismo aportuguesado; c) eufemismo d) citação de expressão alheia.
D - Texto A burocracia da terra
O modelo agrário brasileiro, embora com inúmeros defeitos, possui uma característica que merece ser destacada, elogiada e preservada: a produção agropecuária brasileira é a última atividade econômica ainda totalmente nas mãos dos brasileiros. Pouco se fala disso, mas o fato é que não encontramos multinacionais responsáveis por qualquer parcela significativa da produção. Também não encontramos, no campo, as famigeradas empresas estatais. Embora existam multinacionais proprietárias de terra, o percentual de produção rural em suas mãos não é significativo. A produção rural, na verdade, é o reduto