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Conceitos Básicos para Semicondutores
Tipologia: Notas de estudo
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O modelo do elétrons livre em metais explica várias propriedades dos metais, porém falha completamente na explicação das propriedades de isolantes e de semicondutores. Isto já é esperado, tendo em vista que nos isolantes e semicondutores, os elétrons em geral não estão livres mas sim presos nas ligações covalentes entre os átomos. É por este motivo que eles apresentam baixíssima condutividade elétrica. Isto significa que necessitamos de um modelo alternativo, sendo que um modelo útil deve satisfazer aos seguintes requisitos:
O modelo de bandas de energia em sólidos é a resposta do modelo alternativo requerido, que atende aos requisitos acima. O desenvolvimento da teoria de bandas não é tarefa simples e inclui muitos conceitos novos e importantes para o aluno. A utilidade prática do modelo também pode não parecer óbvia no início. No entanto, a familiarização com ela é essencial pois, só assim sua utilidade tornar-se-á clara e simples. Sua utilização é essencial para o entendimento, projeto, fabricação, caracterização e uso de um enorme número de dispositivos eletrônicos, optoeletrônicos e sensores de todo tipo (temperatura, pressão, fluxo, pH, gases, elementos químicos, campos, radiação, etc.)
No caso de 2 átomos de hidrogênio se aproximando, ocorre uma acoplamento entre os estados quânticos de cada átomo, resultando numa divisão em 2 novos estados, dados por E 0 -A e E 0 +A. Um efeito similar acontece ao aproximarmos N átomos de qualquer elemento. Os níveis discretos dos vários átomos, agora próximos, sofrem acoplamentos, resultando em faixas ou bandas de energias de estados permitidos, como ilustrado na Fig. 1 Cada banda formada apresenta um número muito grande de estados permitidos. Uma banda pode estar separada da próxima banda por uma faixa de energia proibida, ou seja, sem estados permitidos. A largura desta banda proibida pode variar bastante, dependendo do elemento químico constituinte do sólido, podendo inclusive ser negativo, ou seja, com a sobreposição de duas bandas consecutivas. A Fig. 2 ilustra a transformação dos estados discretos de átomos de Na em bandas de energia, com dependência da distância interatômica. Estas bandas de energia correspondem às soluções possíveis da equação de Schrödinger para diferentes distâncias entre os átomos. Observa-se dos dados da Fig. 2, que o nível 2p continua discreto mesmo para distância de 3.67Å, enquanto que os níveis de energia maior como 3s, 3p e 4s transformam-se em bandas de estados permitidos. Os átomos de Na possuem estados ocupados até o nível 3s, com 1 elétron ocupando esta orbital. Calculando-se a energia média dos elétrons para cada distância interatômica, obtém-se uma energia mínima para a distância de 3.67Å. Desta forma, esta é a distância adotada pelo sólido, por ser a situação mais estável. A figura mostra também que as bandas correspondentes aos orbitais 3s, 3p e 4s
apresentam uma sobreposição na distância interatômica natural. Como temos apenas um elétron por átomo, a banda formada apresentará muitos estados desocupados. Isto é coerente com o modelo do elétron livre.
Fig. 1 Ilustração da transformação de níveis discretos de átomos isolados em bandas de energia em sólido formado pela aproximação de n átomos, resultando em n estados em cada banda.
De forma similar, aproximando-se N átomos de Si, teremos que seus orbitais da última camada ocupada, 3s e 3p, com um total de 8 estados para cada átomo, sofrerão um acoplamento. Este acoplamento resulta na formação de duas bandas com um total de 4N estados em cada banda. O número total de estados é conservado, como no caso dos átomos da molécula de H 2 , onde tínhamos 2 estados com energia E 0 -A e 2 estados com energia E 0 +A. A Fig. 3 ilustra a formação das duas bandas de energia, sendo que no caso do Si elas estão separadas por uma banda de energia proibida (1.12 eV). Como cada átomo de Si apresenta 4 elétrons na camada 3 (3s^2 + 3p^2 ), estes irão preferencialmente ocupar os estados da banda inferior, chamada de banda de valência, deixando a banda superior, chamada de banda de condução, preferencialmente vazia.
Realizando medidas de condutividade elétrica à temperatura próxima de 0 K, observa-se que alguns materiais apresentam-se como bons condutores enquanto que, outros materiais como excelentes isolantes. Até as primeiras décadas do século 20, não havia uma explicação plausível para esta observação. Obtém-se uma explicação baseada no que foi exposto no presente capítulo. Vejamos a explicação baseada no modelo desenvolvido para o cristal unidimensional. Obtivemos que cada banda de energia contém um total de 2NaL estados quânticos. Se cada átomo do cristal contribuir com um único elétron para uma dada banda, esta banda ficará preenchida até a sua metade (NaL elétrons no total), ou seja, metade dos estados da banda estarão ocupados. Como na metade da altura da banda, a derivada da relação E x k é máxima (Fig. 4 e 5), este material, com uma banda ocupada pela metade, terá alta condutividade.
Fig. 4 Curvas de relação E x k , para k > 0, como soluções válidas da equação de Schrödinger do modelo de Kronig e Penney.
Fig. 5 (a) Relação E x k da primeira banda permitida de cristal unidimensional de estados e (b) a variação da velocidade de grupo e (c) da massa efetiva com k.
Analogamente, um material em que cada átomo contribui com dois elétrons para preencher uma banda, resulta em uma banda completamente preenchida. Vimos que, a relação E x k apresenta derivada nula (Fig. 4) para os estados do topo da banda e que como conseqüência o número efetivo de elétrons de condução desta banda é nulo. Este material será então um isolante, como já foi discutido no item 7.5. Analogamente, um material com átomos com número impar de elétrons será um condutor, enquanto que materiais com átomos com número par de elétrons será um isolante.
A regra acima funciona apenas para cristais unidimensionais. Para cristais tridimensionais e reais a regra funciona apenas parcialmente, porém continua sendo válida, de forma geral, a regra que, se a última banda estiver parcialmente cheia teremos um condutor e se a banda estiver totalmente cheia teremos um isolante. Esta regra geral no entanto também pode falhar em alguns casos, quando houver sobreposição parcial de
(a) (b)
Fig. 7 Diagramas de banda de energia típicos: (a) de metais e (b) de isolantes
c) Semicondutores: Semicondutores são um caso particular de materiais isolantes, sendo a única diferença a magnitude da banda proibida de energia do seu diagrama de bandas (Fig. 7 b). Se for menor ou até da ordem de 3 eV podemos classificá-lo como semicondutor, enquanto que se for maior que este valor o classificamos como isolante. À temperatura de 0 K, tanto o semicondutor como o próprio isolante serão ambos isolantes. Eles não poderão conduzir corrente elétrica, pois em ambos os casos, as bandas de valência encontram-se totalmente preenchidas. Aumentando-se a temperatura, acima de 0 K, de um material semicondutor, com largura da banda proibida reduzida, alguns poucos elétrons da banda de valência adquirem energia térmica da rede e poderão pular dos seus estados da banda de valência para estados vazios da banda de condução. Desta forma, passamos a uma condição em que os elétrons, tanto da banda de valência (banda não mais totalmente preenchida) como da banda de condução (apenas parcialmente preenchida), podem conduzir corrente elétrica. A condutividade será no entanto bem reduzida, tendo em vista o número reduzido de elétrons na banda de condução, bem como uma banda de valência ainda quase preenchida. Esta situação no entanto não ocorre em materiais isolantes que tenham largura da banda proibida de valor grande o suficiente, a não ser que elevemos muito a temperatura. A Tabela 7.1 apresenta alguns materiais com a largura da sua banda proibida e a sua correspondente classificação como isolante ou semicondutor.
Tabela 7.1 Exemplos de materiais com sua respectiva largura da banda proibida (EG) e classificação como isolante ou semicondutor. Material EG [eV] a 300 K Classificação Ge 0.66 Semicondutor Si 1.12 Semicondutor GaAs 1.42 Semicondutor C (diamante) 5.47 Isolante SiO 2 9.0 Isolante Si 3 O 4 5.0 Isolante
Lacunas referem-se a estados da banda de valência vazios, não preenchidos por elétrons. Elas são também chamadas por buracos ou holes em Inglês. Veremos que a lacuna pode ser tratada como uma partícula de carga positiva, e que esta sua característica deve-se ao comportamento estranho dos demais elétrons da banda de valência onde se encontra a lacuna. Na realidade a lacuna não existe como partícula ou como entidade isolada, mas ela é uma conseqüência do movimento de elétrons num potencial periódico. Assim, a lacuna livre não existe. Não é possível criar um canhão de lacunas como existe para elétrons. Lacunas resultam de um artifício matemático que mostraremos a seguir.
Define-se a massa efetiva pela seguinte relação:
1 2
2
−
k
m