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Conceitos e preconceitos na modalidade eja, Notas de estudo de Ciências Biologicas

Este artigo tem como principal objetivo discutir a questão do preconceito no ensino de EJA. Por meio de uma abordagem histórica, demonstrou como essa influenciou na atual concepção do Ensino de Jovens e Adultos. Tal estudo foi desenvolvido para avaliar a atual situação dos conceitos e preconceitos a que sujeitos e a própria instituição estão sofrendo na atualidade. Para que se pudesse ter conhecimento sobre isso, desenvolveu-se uma pesquisa no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) Seis

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 12/11/2014

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CONCEITOS E PRECONCEITOS NA MODALIDADE EJA
Eliane Oliveira dos Santos
1
Matheus Dal Zot Camillo²
Lucimar de Freitas Novais³
RESUMO
Este artigo tem como principal objetivo discutir a questão do preconceito no ensino
de EJA. Por meio de uma abordagem histórica, demonstrou como essa influenciou
na atual concepção do Ensino de Jovens e Adultos. Tal estudo foi desenvolvido para
avaliar a atual situação dos conceitos e preconceitos a que sujeitos e a própria
instituição estão sofrendo na atualidade. Para que se pudesse ter conhecimento
sobre isso, desenvolveu-se uma pesquisa no Centro de Educação de Jovens e
Adultos (CEEJA) Seis de Julho. Para tal foi aplicado um questionário
semiestruturado com questões relevantes ao tema. Onde obteve-se resultados
animadores em relação a pessoas nunca ter sofrido ou presenciado nenhum tipo de
preconceito, mais ainda preocupantes pois mesmo em pequena proporção a
conceituação e a discriminação existem.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. História. Preconceito.
1
Graduanda do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas - IFRO-Campus Colorado do Oeste. e-
²Graduando do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas - IFRO-Campus Colorado do Oeste. e-
³Professora no IFRO, graduada em Pedagogia, Especialista em Metodologia e Didática do Ensino
Superior, Mestre em Ciências em Educação Agrícola. e-mail: [email protected]
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CONCEITOS E PRECONCEITOS NA MODALIDADE EJA

Eliane Oliveira dos Santos^1 Matheus Dal Zot Camillo² Lucimar de Freitas Novais³

RESUMO Este artigo tem como principal objetivo discutir a questão do preconceito no ensino de EJA. Por meio de uma abordagem histórica, demonstrou como essa influenciou na atual concepção do Ensino de Jovens e Adultos. Tal estudo foi desenvolvido para avaliar a atual situação dos conceitos e preconceitos a que sujeitos e a própria instituição estão sofrendo na atualidade. Para que se pudesse ter conhecimento sobre isso, desenvolveu-se uma pesquisa no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) Seis de Julho. Para tal foi aplicado um questionário semiestruturado com questões relevantes ao tema. Onde obteve-se resultados animadores em relação a pessoas nunca ter sofrido ou presenciado nenhum tipo de preconceito, mais ainda preocupantes pois mesmo em pequena proporção a má conceituação e a discriminação existem.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. História. Preconceito.

(^1) Graduanda do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas - IFRO-Campus Colorado do Oeste. e- mail: [email protected] ²Graduando do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas - IFRO-Campus Colorado do Oeste. e- mail: [email protected] ³Professora no IFRO, graduada em Pedagogia, Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior, Mestre em Ciências em Educação Agrícola. e-mail: [email protected]

1. INTRODUÇÃO

O termo “LER E ESCREVER” foi por vários anos a concepção que orientou a maioria das campanhas de alfabetização de jovens e adultos em todo o mundo. Primeiramente com a criação de campanhas que sustentavam a ideia de que em poucos meses se pudesse ensinar o principio básico da decodificação de letras e fonemas e então o individuo estaria apto a usá-lo a seu proveito. Essa ideia levou a maioria das campanhas de alfabetização de adultos ao fracasso. Ao término da campanha os indivíduos simplesmente retomavam às suas vidas cotidianas. Em um ambiente em que a linguagem escrita estava praticamente ausente, bastando um par de meses para que a grande maioria esquecesse tudo que havia aprendido, passando para uma situação, onde o individuo consegue decodificar a letras, mas, não consegue domina-las ou utiliza-las de maneira critica. Alfabetizar jovens e adultos é uma prática antiga, que anteriormente tinha a finalidade de capacitar o individuo para realizar determinadas funções como catequização (no caso dos indígenas), leitura do catecismo e cumprimento de ordens vindas da corte. Nos dias atuais essa concepção de educação vem mudando e com ela suas preocupações, por não se tratar apenas de um exercício meramente escolar para aquisição de um título, mas por perpassar conhecimentos históricos e a construção moral e social do individuo, incluindo-o socialmente (FREIRE, p. 59, 1996). Pois a educação está intrinsicamente relacionada às expectativas e anseios por mudanças de vida social e cultural de pessoas que não tiveram oportunidade de frequentar o ensino regular e que veem esta defasagem educacional como um empecilho que retarda seu desenvolvimento como ser humano. Sobre isso Fuck (1994) diz:

Que a educação seja o processo através do qual o indivíduo toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma. Como? Acreditando no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as consequências de sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizandos com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. (FUCK, 1994, p. 14 - 15)

os índices de analfabetismo (por falta de incentivo este programa foi extinto em 1963). Segundo Codato (2004), quando ocorreu o 2º Congresso Nacional de Educação de Adultos, nasceu a ideia de um programa permanente de EJA, o Plano Nacional de Alfabetização de Adultos (PNAA), extinto pelo Golpe de Estado em

Em 1967, surge o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). O projeto MOBRAL permite compreender bem esta fase ditatorial pela qual passou o país. A proposta de educação era toda baseada aos interesses políticos vigentes na época. Por ter de repassar o sentimento de bom comportamento para o povo e justificar os atos da ditadura, esta instituição estendeu seus braços a uma boa parte das populações carentes, através de seus diversos Programas (BELLO, 1993, p.38). Em 1971 a Lei nº. 5.692 (BRASIL, 1971) regulamenta o Ensino Supletivo (esse grau de ensino visa a contemplar os jovens adultos) como proposta de reposição de escolaridade. Na sequência, o Parecer do Conselho Federal de Educação nº. 699, publicado em 28 de julho de 1972 e o documento “Política para o Ensino Supletivo”:

[...] o Ensino Supletivo visou se constituir em “uma nova concepção de escola”, em uma “nova linha de escolarização não-formal, pela primeira vez assim entendida no Brasil e sistematizada em capítulo especial de uma lei de diretrizes nacionais”, e, segundo Valnir Chagas, poderia modernizar o Ensino Regular por seu exemplo demonstrativo e pela interpenetração esperada entre os dois sistemas (HADDAD; DI PIERRO, 2000, p. 116). A partir de 1985 com a redemocratização do país, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) é extinto e em seu lugar surge a Fundação EDUCAR, com as mesmas características do MOBRAL, porém sem o suporte financeiro necessário para a sua manutenção. Com a extinção da Fundação EDUCAR em 1990 ocorre a descentralização política da EJA, transferindo a responsabilidade pública dos programas de alfabetização e pós-alfabetização aos municípios. Na década de 90 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Institui a modalidade EJA (BRASIL, 1996).

A mudança de ensino supletivo para educação de jovens e adultos não é uma mera atualização vocabular. Houve um alargamento do conceito ao mudar a expressão de ensino para educação. Enquanto o termo “ensino” se restringe à mera instrução, o termo “educação” é muito mais amplo compreendendo os diversos processos de formação (SOARES, 2002, p. 12).

3. FUNÇÕES E FINALIDADES DA EJA

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que tem por objetivo permitir que as pessoas jovens ou adultas que por qualquer motivo, não tiveram oportunidade de concluir o ensino fundamental e/ou o médio na idade convencional, possibilitando assim recuperar o tempo perdido.

Considerando ser a Educação de Jovens e Adultos uma modalidade educativa direcionada, basicamente, para os setores mais vulneráveis, do ponto de vista socioeconômico, e que seus atores carregam marcas profundas causadas pela desigualdade das oportunidades sociais e educativas (ANDRADE, 2004b, p. 17). O Parecer CNE/CEB nº 11 (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2000), das Diretrizes Curriculares para a EJA descreve esta modalidade da seguinte maneira: reparadora, equalizadora e qualificadora. Esta medida é uma forma de quitação de uma divida do estado para com a população, (BRASIL, 2000, p. 1). Assim,

A educação de jovens e adultos representa uma dívida social não reparada para com os que não tiveram acesso a e nem domínio da escrita e leitura como bens social, na escola ou fora dela, e tenham sido força de trabalho empregada na constituição de riqueza e na relação das obras públicas (BRASIL, 2000, p. 2). Cada uma das três maneiras do parecer citado anteriormente tem uma especificidade: A reparadora,

Significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração de um direito negado: o direito a uma escola de qualidade, mas também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo e qualquer ser humano. Desta negação, evidente na história brasileira, resulta uma perda: o acesso a um bem real, social e simbolicamente importante. (BRASIL, 2000, p. 7). A equalizadora,

Vai dar cobertura a trabalhadores e a tantos outros segmentos sociais como donas de casa, migrantes, aposentados e encarcerados. A reentrada no sistema educacional, dos que tiveram uma interrupção forçada seja pela repetência ou pela evasão, seja pelas desiguais oportunidades de permanência ou outras condições adversas, deve ser saudada como uma reparação corretiva, ainda que tardia, de estruturas arcaicas, possibilitando aos indivíduos novas inserções no mundo do trabalho, na vida social, nos espaços da estética e na abertura dos canais de participação (BRASIL, 2000, p. 9). E a Qualificadora, sustenta que,

Tendo-se o preconceito como situação problematizadora, buscou-se a analise prática deste tema voltado ao ensino de EJA.

5. ANÁLISE DO PRECONCEITO NO CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (CEEJA) SEIS DE JULHO Para a analise do preconceito no CEEJA Seis de julho foi utilizada a metodologia de questionário semiestruturado. O questionário foi produzido com base em leituras feitas previamente. De acordo com Parasuraman (1991) ele deve ser elaborado de maneira simples e de fácil compreensão, e ainda de forma que aborde as reais necessidades do tema proposto. Sendo assim foram propostas três questões objetivas, mas que estavam abertas a comentários pessoais. Para obtenção dos dados, foram distribuídos vinte e seis questionários de forma aleatória para alunos do ensino fundamental e médio do CEEJA. Houve a leitura do questionário com os alunos, apenas com o objetivo de esclarecer acerca do questionário, sem que essa leitura interferisse ou induzisse nas respostas. Com a obtenção das informações requeridas pelo formulário, houve a tabulação dos dados e a quantificação dos resultados, para verificar se os alunos e/ou a instituição sofrem ou já sofreram algum tipo de preconceito. O questionário foi respondido por vinte e seis pessoas, obtendo 65,3% das amostras de pessoas do sexo feminino e 34,5% de pessoas do sexo masculino. A primeira pergunta do questionário indaga sobre preconceitos ou objeções que os alunos por ventura teriam antes de ingressar na EJA, e se tivessem, se esta visão teria mudado no decorrer do curso. Como resposta obteve-se 96% de indivíduos afirmando que nunca tiveram nenhum preconceito ou objeção ao ensino de EJA. E apenas 4,0% apontaram ter objeções ao ensino de EJA alegando, achar que o programa tenha uma durabilidade muito pequena, mas que com o passar do tempo percebeu ser um ensino de qualidade. A segunda pergunta esta relacionada com o preconceito ou descriminações sofridas por estudarem na EJA. Das respostas obtidas 30,7% dos alunos disseram já ter sofrido algum tipo de discriminação.

“Sim, pessoas já me disseram que não iria aprender nada.” “Sim, porque, falam que a escola é pra velho e muito mais!”

“Sim, que eu não estudei quando mais jovem, não seria em um EJA que iria aprender alguma coisa, que o ensino do EJA é muito inferior ao que realmente necessitamos.” Já 69,2% disseram nunca ter sofrido nenhum tipo de preconceito ou discriminação. Para a terceira pergunta questionou-se, sobre preconceitos por meio da sociedade contra a EJA. Como resultado obteve-se uma amostra de 34,5% de sim e 65,38% de não.

“sim porque muitos dizem que a escola não ensina muito bem” “sim, já ouvi pessoas dizendo que alunos da EJA, não tem a menor chance de passar em um vestibular.” Machado (2008) afirma que esses relatos são frutos da falta de conhecimento e pela confusão feita entre o atual sistema de Ensino de Jovens e Adultos Com o antigo Supletivo e até mesmo com o MOBRAL.

6. CONCLUSÃO

Observando os resultados obtidos pode-se concluir que o preconceito e a discriminação contra a modalidade são realidades no cotidiano da EJA. Mesmo com a comprovação da existência de certos conceitos e preconceitos que a EJA enfrenta, observou-se que a maioria dos estudantes que responderam o questionário demostraram não ter preconceitos antes de iniciarem as atividades e disseram ainda nunca ter sofrido ou presenciado nenhum tipo de preconceito. No entanto aproximadamente um terço dos alunos descreveu já ter sofrido ou presenciado algum tipo de preconceito. Mesmo os relatos de preconceito sendo baixos em relação a aqueles que disseram nunca ter sofrido, este índice não deve ser considerado normal. Pois o papel da EJA é promover a inclusão e não ser um pivô de exclusão ou de diferenciação social.

SOARES, L. J. G. Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.