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material para estudo de concreto protendido
Tipologia: Trabalhos
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Compartilhado em 07/01/2020
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Em oferta
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
Concreto
Protendido
Professor Assistente M. Sc. Eng. de Estruturas, UFMG/
Professor Assistente M. Sc. Eng. Civil, UFF/
4a. Edição: novembro/
A presente publicação tem por principal objetivo dar suporte bibliográfico à disciplina CIV 457 - Concreto Protendido, do Curso de Engenharia Civil da UFV. Foi elaborada a partir de estudos e experiências vividos ao longo de vários semestres. A bibliografia sobre o assunto produzida no Brasil até o início da década de 90 é bastante dispersa, e muitas vezes incipiente, o que dificulta consideravelmente o acesso dos estudantes a referências de interesse, ao longo do curso. Durante muito tempo o concreto protendido foi tratado como um material distinto do concreto armado. Esse fato fica evidente na bibliografia, com livros específicos para cada material, e nas normas técnicas, também específicas para estruturas de concreto armado e estruturas de concreto protendido. Atualmente existe uma tendência de unificar os dois temas, pois a teoria do Concreto Armado convencional é totalmente válida para o Concreto Protendido, tão somente acrescida dos aspectos peculiares da introdução da protensão e respectivas armaduras ativas. Nesse sentido, o Comité Euro-Internacional du Betón (CEB/FIP) tem exercido um papel preponderante. Desde a publicação do Código Modelo para Estruturas de Concreto Armado e Concreto Protendido em 1978, e mais recentemente com as versões de 1990 e 1994, entidades de vários países têm caminhado em direção a um consenso sobre a normalização da Teoria do Concreto Armado. No Brasil, a ABNT está trabalhando numa nova norma para estruturas de concreto armado e protendido, que substituirá as antigas NBR 6118 (Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado) e NBR 7197 (Projeto de Estruturas de Concreto Protendido). Atentando para essa perspectiva, procuramos colecionar e avaliar, dentre a literatura existente, as proposições mais interessantes e consistentes e discorrer sobre o tema, de uma forma adequada à evolução da disciplina. Dessa forma intencionamos dar uma visão prática do comportamento do Concreto Protendido, seus mecanismos de resistência, bem como propiciar ao aluno o domínio dos métodos de verificação das estruturas. Agradecemos antecipadamente quaisquer críticas, sugestões e comentários dos leitores, para que a partir deles possamos melhorar sempre este trabalho, no sentido de atender cada vez melhor aos alunos.
Gustavo de Souza Veríssimo Julho de 1997
Fundamentos básicos
Uma roda de carroça é também um exemplo de estrutura protendida. Ao contrário do que se pode imaginar, não se trata de uma peça única. A roda é constituída de várias partes de madeira, devidamente preparadas, montadas apenas por encaixes. Em torno da roda de madeira é colocado um aro de aço cuja função é, além de proteger as partes de madeira do desgaste, solidarizar o conjunto. No momento da colocação, o aro de aço é aquecido, de forma que seu diâmetro original aumenta devido à dilatação do material. Depois de colocado, o aro se resfria, voltando à temperatura ambiente, e seu diâmetro tende a diminuir até ao valor inicial. Não obstante, a roda de madeira se opõe ao movimento de contração do aro e este, consequentemente, aplica esforços sobre ela, solidarizando-a, protendendo-a. Pode-se citar ainda o caso de um barril composto por gomos de madeira apertados por cintas metálicas. A compressão produzida pelas cintas se opõe às tensões causadas pela pressão interna do líquido dentro do barril. Uma roda de bicicleta também é uma estrutura tensionada. Um aro externo é ligado a um anel interno por meio de fios de aço sob tensão. As tensões de tração previamente aplicadas aos raios garantem a estabilidade do aro externo sob carga. Esses exemplos elucidam uma potencialidade importante da protensão, qual seja, a possibilidade de promover a solidarização de partes de uma estrutura, como por exemplo nas estruturas de concreto pré-moldado (FIGURAS 1.2 e 1.5).
FIGURA 1.2 - União de blocos pré-moldados com protensão.
Fica evidente, portanto, que a protensão pode ser aplicada aos mais diversos tipos de estruturas e materiais. Nesse sentido, Pfeil (1984) propõe a seguinte definição: "Protensão é um artifício que consiste em introduzir numa estrutura um estado prévio de tensões capaz de melhorar sua resistência ou seu comportamento, sob diversas condições de carga."
O desenvolvimento do concreto armado e protendido deu-se a partir da criação do cimento Portland, na Inglaterra, em 1824. Nos anos que se seguiram, os franceses e os alemães também começaram a produzir cimento e a criar várias formas de melhorar a capacidade portante do concreto.
Fundamentos básicos
Em meados do século 19, já se conhecia mundialmente a possibilidade de reforçar elementos de concreto através de armaduras de aço. Em 1855, foi fundada a primeira fábrica de cimento Portland alemã. No mesmo ano o francês Lambot patenteou uma técnica para a fabricação de embarcações de concreto armado. A partir de 1867, outro francês, Monier, começou a fabricar vasos, tubos, lajes e pontes, utilizando concreto com armadura de aço. Nessa época as construções em concreto armado eram desenvolvidas em bases puramente empíricas. Ainda não se conhecia claramente a função estrutural da armadura de aço no concreto. Foi em 1877 que o americano Hyatt reconheceu claramente o efeito da aderência entre o concreto e a armadura, após executar vários ensaios com construções de concreto. A partir de então, passou-se a colocar a armadura apenas do lado tracionado das peças. A primeira proposição de pré-tensionar o concreto foi anunciada em 1886, por P. H. Jackson, de São Francisco (EUA). No mesmo ano, o alemão Matthias Koenen desenvolveu um método de dimensionamento empírico para alguns tipos de construção de concreto armado, baseado em resultados de ensaios segundo o sistema Monier. No final do século 19, seguiram-se várias patentes de métodos de protensão e ensaios, sem êxito. A protensão se perdia devido à retração e fluência do concreto, desconhecidas naquela época. No começo do século 20, Mörsch desenvolveu a teoria iniciada por Koenen, endossando suas proposições através de inúmeros ensaios. Os conceitos desenvolvidos por Mörsch constituíram, ao longo de décadas e em quase todo o mundo, os fundamentos da teoria do concreto armado, e seus elementos essenciais ainda são válidos. Por volta de 1912, Koenen e Mörsch reconheceram que o efeito de uma protensão reduzida era perdido com o decorrer do tempo, devido à retração e deformação lenta do concreto.
FIGURA 1.3 - Ponte protendida em balanços sucessivos - (cortesia J. Muller International, Inc. ).
Fundamentos básicos
importado da França: o aço, as ancoragens, os equipamentos e até o projeto. Em 1952 a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira iniciou a fabricação do aço de protensão. A segunda obra brasileira, a ponte de Juazeiro, já foi feita com aço brasileiro.
juntas coladas com epoxi
forças de protensão solidarizam as aduelas umas contra as outras
seção transversal
FIGURA 1.5 - Sistema de construção em balanços sucessivos.
(a) (^) (b)
FIGURA 1.6 - Pontes protendidas em balanços sucessivos: (a) Marginal Tietê - São Paulo; (b) Itália ( cortesia FIP Industriale ).
Fundamentos básicos
Em 1953, foi publicada a DIN 4227, norma alemã de concreto protendido. A partir de 1956, seguiu-se um aumento da capacidade das unidades de protensão e a racionalização dos métodos construtivos, principalmente na construção de pontes. Na década de 1970, consagrou-se a preferência por cabos protendidos internos, constituídos por cordoalhas ancoradas individualmente por meio de cunhas. Este sistema tornou-se o mais competitivo por permitir a construção de cabos de grande capacidade, com protensão da ordem de 200 tf a 600 tf. O Comité Euro-Internacional du Betón (CEB/FIP) publicou, em 1978, o Código Modelo para Estruturas de Concreto Armado e Concreto Protendido. Muitas entidades de normalização em vários países usam o Código Modelo do CEB como base para a elaboração de suas normas técnicas.
FIGURA 1.7 - Ponte protendida em balanços sucessivos - ( cortesia FIP Industriale - Itália ).
Como se pode constatar, a idéia da protensão é muito antiga; há muito já se pensava em barris e rodas de carroça tensionadas. A protensão aplicada ao concreto, mais propriamente, se desenvolveu nos últimos 100 anos.
É muito comum a utilização de peças pré-moldadas de concreto protendido (FIGURA 1.8). A quantidade de equipamentos e materiais envolvidos no processo construtivo, bem como a necessidade de um concreto de melhor qualidade, motivam a construção das peças num canteiro de obras apropriado, onde é possível executar as protensões e processar a cura do concreto em condições favoráveis com rigoroso controle tecnológico.
Fundamentos básicos
Várias indústrias brasileiras de pré-moldados de concreto dominam a tecnologia do concreto protendido, produzindo postes, pilares, painéis, vigas, reservatórios e silos, dentre outros elementos (FIGURAS 1.10, 1.11 e 1.12).
FIGURA 1.10 - Seções típicas de pré-moldados em concreto protendido.
(a) (b) (c) (d) (e) ( f )
FIGURA 1.11 - Exemplos de seções de peças com armaduras pré-tracionadas: a ) estaca ou poste de seção quadrada; b ) estaca ou poste de seção circular oca (podem ser fabricados por centrifugação do concreto); c ) viga T simples, usada em construção civil; d ) viga T dupla, usada em construção civil; e ) viga I para pontes; f ) viga celular para pontes.
FIGURA 1.12 - Seções típicas de vigas pré-moldadas protendidas ( Cortesia PRECON )
Fundamentos básicos
FIGURA 1.13 - Aspecto de construções em pré-moldados; galpões industriais ( Cortesia PRECON )
FIGURA 1.14 - Aspecto de construções em pré-moldados - edifícios ( Cortesia PRECON )
Fundamentos básicos
FIGURA 1.17 - Edifício em pré-moldados protendidos ( USA )
O número de aplicações do concreto protendido é infinito, uma vez que é sempre possível inventar um modo diferente de utilizar a protensão, haja visto os vários exemplos já citados. Vale a pena citar as estruturas protendidas de grande porte tais como as plataformas marítimas ( offshore ) de exploração de petróleo ou gás, os invólucros de proteção de centrais atômicas, as torres de concreto e as pontes estaiadas. É comum, também, a utilização de tirantes de ancoragem protendidos em obras de terra como cortinas atirantadas, estruturas de contenção, barragens, etc (FIGURA 1.7).