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apostila concreto protendido, Transcrições de Construção

este material de concreto protendido.

Tipologia: Transcrições

2021

Compartilhado em 28/09/2023

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
UNESP - Campus de Bauru/SP
FACULDADE DE ENGENHARIA
Departamento de Engenharia Civil
Disciplina: 2139 - CONCRETO PROTENDIDO
NOTAS DE AULA
CONCRETO PROTENDIDO
Prof. Dr. PAULO SÉRGIO DOS SANTOS BASTOS
(wwwp.feb.unesp.br/pbastos)
Bauru/SP
Mar/2018
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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

UNESP - Campus de Bauru/SP

FACULDADE DE ENGENHARIA

Departamento de Engenharia Civil

Disciplina: 2139 - CONCRETO PROTENDIDO

NOTAS DE AULA

CONCRETO PROTENDIDO

Prof. Dr. PAULO SÉRGIO DOS SANTOS BASTOS

(wwwp.feb.unesp.br/pbastos)

Bauru/SP

Mar/

APRESENTAÇÃO

Esta apostila tem o objetivo de servir como notas de aula na disciplina Concreto

Protendido, do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia, da Universidade Estadual

Paulista – UNESP, Campus de Bauru/SP.

O texto apresentado está de acordo com as prescrições contidas na norma NBR

6118/2014 (“ Projeto de estruturas de concreto – Procedimento ”), para o projeto e

dimensionamento de elementos em Concreto Armado e Protendido.

A apostila apresenta o estudo inicial de temas de Concreto Protendido. A bibliografia

indicada deve ser consultada para aprofundar o aprendizado, bem como os textos apresentados

na página da disciplina na internet:

http://wwwp.feb.unesp.br/pbastos/pag_protendido.htm

O autor agradece a Tiago Duarte de Mattos, pela confecção dos desenhos.

Críticas e sugestões serão bem-vindas.

    1. PROTENSÃO NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO
    1. EXEMPLOS DE ESTRUTURAS PROTENDIDAS
    1. CONCRETO PROTENDIDO x CONCRETO ARMADO
    • 3.1 EXEMPLO
    1. BREVE HISTÓRICO DO CONCRETO PROTENDIDO
    1. FABRICAÇÃO DE PEÇAS PROTENDIDAS
    • 5.1 ARMADURA DE PROTENSÃO PRÉ-TRACIONADA
    • 5.2 ARMADURA DE PROTENSÃO PÓS-TRACIONADA
    1. MATERIAIS
    • 6.1 CONCRETO
    • 6.2 AÇO DE ARMADURA ATIVA
      • 6.2.1 Apresentação
      • 6.2.2 Quanto ao Tratamento
      • 6.2.3 Normas Brasileiras
      • 6.2.4 Exemplos de Designação
      • 6.2.5 Massa Específica, Coeficiente de Dilatação Térmica e Módulo de Elasticidade
      • 6.2.6 Acondicionamento
      • 6.2.7 Diagrama tensão-deformação.....................................................................................
    • 6.3 BAINHAS
    • 6.4 CALDA DE CIMENTO
    • 6.5 ANCORAGENS
  • PROTENSÃO NA ARMADURA 7. VALORES-LIMITES DE TENSÃO POR OCASIÃO DA OPERAÇÃO DE
    1. VALORES REPRESENTATIVOS DA FORÇA DE PROTENSÃO
    • 8.1 FORÇA DE PROTENSÃO Pi NA ARMADURA
    • 8.2 FORÇA DE PROTENSÃO Pa
    • 8.3 FORÇA DE PROTENSÃO Po NA ARMADURA/CONCRETO
    • 8.4 FORÇA DE PROTENSÃO Pt NA ARMADURA/CONCRETO
    1. PERDAS DE PROTENSÃO
    • 9.1 ESCORREGAMENTO DOS FIOS NA ANCORAGEM
    • 9.2 RELAXAÇÃO DA ARMADURA
    • 9.3 RETRAÇÃO INICIAL DO CONCRETO EM PISTA DE PROTENSÃO......................
    • 9.4 VARIAÇÃO DA FORÇA DE PROTENSÃO DE Pi A Pa NA PRÉ-TRAÇÃO
    • 9.5 DETERMINAÇÃO DA FORÇA Po NA PRÉ-TRAÇÃO
    • 9.6 DETERMINAÇÃO DE Po NA PÓS-TRAÇÃO...............................................................
    • 9.7 PERDA POR ATRITO NA PÓS-TRAÇÃO
    • 9.8 PERDA NA ANCORAGEM NA PÓS-TRAÇÃO
    • CONCRETO PELO ESTIRAMENTO DOS CABOS RESTANTES 9.9 PERDA DE PROTENSÃO NA PÓS-TRAÇÃO POR DEFORMAÇÃO IMEDIATA DO
    • 9.10 RETRAÇÃO E FLUÊNCIA INICIAL DO CONCRETO NA PÓS-TRAÇÃO
    • 9.11 DETERMINAÇÃO DA FORÇA DE PROTENSÃO FINAL..........................................
    • 9.12 PERDA DE PROTENSÃO POR RETRAÇÃO DO CONCRETO..................................
    • 9.13 VALOR DA RETRAÇÃO
    • 9.14 PERDA DE PROTENSÃO POR FLUÊNCIA DO CONCRETO
      • 9.14.1 Anexo A – Fluência do Concreto (A.2.2)
    • 9.15 PERDAS PROGRESSIVAS
      • 9.15.1 Processo Simplificado para o Caso de Fases Únicas de Operação (Item 9.6.3.4.2)
      • 9.15.2 Processo Aproximado do Item 9.6.3.4.3
      • 9.15.3 Método Geral de Cálculo
    1. CRITÉRIOS DE PROJETO
    • 10.1 Estado-Limite Último (ELU)
    • 10.2 Estado-Limite de Serviço (ELS)
    1. AÇÕES A CONSIDERAR NOS ESTADOS-LIMITES DE SERVIÇO
    • 11.1 COMBINAÇÕES DE SERVIÇO
    • 11.2 NÍVEIS DE PROTENSÃO
    1. ESTIMATIVA DA FORÇA DE PROTENSÃO FINAL P 
    • 12.1 Protensão Completa
    • 12.2 Protensão Limitada
    • 12.3 Protensão Parcial
    1. DETERMINAÇÃO DA FORÇA Pi
  • SOLICITADA PELO CARREGAMENTO EXTERNO......................................................... 14. VERIFICAÇÃO DE TENSÕES NORMAIS NA SEÇÃO DE CONCRETO MAIS
    1. VERIFICAÇÃO DE TENSÕES NORMAIS AO LONGO DO VÃO
    • 15.1 PROCESSO DAS CURVAS LIMITES
      • 15.1.1 Limitações de Tensões para o Estado em Vazio
      • 15.1.2 Limitações de Tensões para o Estado em Serviço
      • 15.1.3 Curvas Limites para as Tensões Devidas à Protensão
      • 15.1.4 Exemplo de Curvas Limites
    • 15.2 PROCESSO DO FUSO LIMITE
      • 15.2.1 Estado em Vazio
      • 15.2.2 Estado em Serviço
      • 15.2.3 Traçado do Fuso Limite
    1. ANÁLISE DA RESISTÊNCIA ÚLTIMA À FLEXÃO (ELU)
    • 16.1 TIPOS DE RUPTURA POR FLEXÃO............................................................................
    • 16.2 PRÉ-ALONGAMENTO...................................................................................................
    • 16.3 DETERMINAÇÃO DO MOMENTO FLETOR ÚLTIMO
      • 16.3.1 Seção Retangular
      • 16.3.2 SEÇÃO T
      • 16.3.3 ROTEIRO PARA CÁLCULO DE Mud
    • 16.4 EXEMPLOS DE CÁLCULO DE Mud
    1. ANÁLISE DO ESTADO-LIMITE ÚLTIMO RELATIVO À FORÇA CORTANTE
    • 17.1 EFEITOS DA FORÇA CORTANTE
    • 17.2 EFEITO DA COMPONENTE TANGENCIAL DA FORÇA DE PROTENSÃO
    • 17.3 VERIFICAÇÃO DO ESTADO-LIMITE ÚLTIMO (ELU)
      • 17.3.1 Modelo de Cálculo I
      • 17.3.2 Modelo de Cálculo II
    1. QUESTIONÁRIO
    1. BIBLIOGRAFIA

1

1. PROTENSÃO NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO

O concreto é um material resistente às tensões de compressão, mas sua resistência à tração

varia de 8 a 15 % da resistência à compressão. O Concreto Protendido surgiu como uma evolução

do Concreto Armado, com a ideia básica de aplicar tensões prévias de compressão, na região da

seção transversal da peça, que será tracionada posteriormente pela ação do carregamento externo

aplicado na peça. Desse modo, as tensões de tração finais são diminuídas pelas tensões de

compressão pré-aplicadas na peça (protensão). Assim, pretende-se diminuir os efeitos da baixa

resistência do concreto à tração.

Sob flexão, o concreto desenvolve fissuras, ainda em estágios iniciais de carregamento, e

para reduzir ou impedir tais fissuras, uma força de compressão concêntrica ou excêntrica pode ser

imposta na direção longitudinal do elemento, que age eliminando ou reduzindo as tensões de

tração nas seções críticas do meio do vão e dos apoios, elevando a capacidade das seções à flexão,

à força cortante e à torção. As seções podem atuar elasticamente e a capacidade “total” do

concreto à compressão pode ser eficientemente utilizada, em toda a altura da seção, a todas as

ações aplicadas.

Estudo complementar: ler e-book de Hanai (2002), item 1.2 – A protensão aplicada ao

concreto, p.3 a 11.

Definição: uma peça é considerada de Concreto Protendido quando é submetida à ação de

forças especiais e permanentemente aplicadas, chamadas forças de protensão, e quando a peça é

submetida à ação simultânea dessas forças, das cargas permanentes e variáveis, o concreto não

seja solicitado à tração ou só o seja dentro dos limites permitidos.

Definições da NBR 6118 (itens 3.1.4 e 3.1.6):

Elementos de Concreto Protendido: aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão, com a finalidade de, em condições de serviço, impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura, bem como propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado-limite último (ELU). Armadura ativa (de protensão): armadura constituída por barras, fios isolados ou cordoalhas, destinada à produção de forças de protensão, isto é, na qual se aplica um pré-alongamento inicial.

Exemplo (Figura 1 ), onde M é o momento fletor solicitante e P a força de protensão:

P Ap P

Viga

t,m

c,m

c,p

t,p

  • =

c

P M M+P

0

Figura 1 – Tensões normais numa viga protendida.

Na fibra inferior de uma viga protendida, sob momento fletor positivo, pode resultar

tensão nula, tensão de compressão ou de tração.

Atividade complementar: ler e-book de Hanai (2002): “Os dez mandamentos do engenheiro

de C.P.”, p.i, ii, e o item 1.1 – O que se entende por protensão? (p.1 a 3).

3

Figura 5 - Pavimentos de edifício em laje maciça protendida.

Figura 6 – Lajes pré-moldadas protendidas.

Figura 7 – Seção duplo T em Concreto Protendido pré-moldado.

3. CONCRETO PROTENDIDO x CONCRETO ARMADO 1. Concreto Protendido utiliza concretos e aços de alta resistência (1900 e até 2100 MPa e

concretos de elevadas resistências, como 85 MPa);

  1. Em Concreto Protendido toda a seção transversal resiste às tensões;
  2. Devido aos itens 1 e 2, elementos de Concreto Protendido são mais leves, mais esbeltos e

esteticamente mais bonitos;

  1. Concreto Protendido fica livre de fissuras, com todas as vantagens daí provenientes;
  2. Concreto Protendido apresenta melhor controle de flechas;

4

  1. Concreto Protendido tem melhor resistência às forças cortantes (devido à inclinação dos

cabos próximos aos apoios e a pré-compressão que reduz as tensões de tração diagonais);

  1. O aço é pré-testado durante o estiramento.

Estudo complementar: “Concreto Protendido”, catálogo da empresa Rudloff.

3.1 EXEMPLO

Laje simplesmente apoiada, h = 30,5 cm, d = ds = 25,4 cm, fck = 48 MPa (fcd = 34,5 MPa),

fp,ef = 1.104 MPa, fyd = 435 MPa, fc,máx = 13,8 MPa (tensão máxima à compressão permitida no

concreto), L = 9,14 m, concr = 16,76 kN/m

3 (concreto leve), ação variável 5,11 kN/m

2 .

A laje será calculada tomando-se uma faixa igual à altura (b = 30,5 cm - Figura 8 ), ao

invés de um metro, de modo que as quantidades de armadura que serão calculadas são relativas à

largura b da laje.

30,

30,5cm

= 25, d

s

Figura 8 – Dimensões (cm) da seção transversal da laje.

Carga permanente e momento fletor (Mg) na faixa b = 30,5 cm:

gpp = 16,76. 0,305. 0,305 = 1,56 kN/m

M

2

g  ^ kN.m = 1.628 kN.cm

Tensões normais no topo e na base da seção (não fissurada):

bh

6 M

2 2

g    kN/cm 2 =  3,45 MPa

Carga variável e momento fletor (Mq) na faixa b = 30,5 cm:

q = 5,11. 0,305 = 1,56 kN/m

Mq  Mg 1.628 kN.cm e σg = σq = σ = ± 3,45 MPa

São apresentados a seguir diversos casos possíveis para o dimensionamento da laje.

1) Laje não-armada

A tensão final máxima de 6,9 MPa, de compressão na borda superior e de tração na borda

inferior, é menor que a tensão máxima de compressão permitida (fc,máx = 13,8 MPa), porém, é

maior que a resistência à tração na flexão máxima do concreto (módulo de ruptura), o que faz a

laje fissurar e romper.

6



 

=







P CG P

(P) 

g q

( g) ( (^) q)

  • ++

Figura 11 – Tensões normais (MPa) na laje com protensão axial.

Força de protensão:

P = P. Ac = ( 0,69) 30,5. 30,5 =  641,9 kN   64 tf

Área da armadura de protensão:

f

P

A

p, ef

p   ^ cm

2

A força de protensão (P) aumentou a tensão de compressão na borda superior para 13,

MPa, igual à tensão máxima permitida (fc,máx = 13,8 MPa). Uma posição mais conveniente para a

força de protensão pode diminuir esta tensão resultante.

4) Laje em Concreto Protendido: protensão excêntrica

Assumindo a força de protensão no limite do núcleo central de inércia (h/6 para seção

retangular).

Considerando que a tensão na face inferior da laje deve ser nula, a força de protensão

deverá causar uma tensão de compressão de 6,9 MPa na face inferior. A força de protensão,

portanto, deve ser:

  320 , 9 2

A

P

2 p base c 

 kN   32 tf

Área da armadura de protensão:

f

P

A

p, ef

p   ^ cm

2

7

=







P P

(P)

h 6 =^

30, 6 = 5,08 cm



g q

( g q)

Figura 12 – Tensões normais (MPa) na laje com protensão excêntrica, com P posicionada no limite do

núcleo central de inércia.

A armadura de protensão é metade da armadura do caso anterior. O resultado mostra a

grande importância da posição de aplicação da força de protensão. A força de protensão

excêntrica diminuiu a tensão final na borda superior para 6,9 MPa, menor que fc,máx.

5) Laje em Concreto Protendido: máxima excentricidade da força de protensão

A tensão na base devida à força de protensão excêntrica é:

 ^ 

h

6 e 1 A

P

bh

P.e

A

P

c

2 c

Pbase

=



P P

(P)

2,



emáx= 10,16 cm

5,





g q

( g q)

Figura 13 – Tensões normais (MPa) na laje com excentricidade máxima da força de protensão.

9

4. BREVE HISTÓRICO DO CONCRETO PROTENDIDO

No mundo:

  • 1866 – primeira aplicação de protensão nos Estados Unidos, por H. Jackson;
  • 1888 – patente para lajes protendidas por Doehring – Alemanha;
  • 1919 – Wettstein – Alemanha – fabricou paineis protendidos;
  • 1928 – Freyssinet – França – apresentou o primeiro trabalho consistente sobre Concreto

Protendido. Inventou métodos construtivos, equipamentos, aços e concretos especiais;

  • 1950 – primeira conferência, na França. Walder construiu a primeira ponte em balanços

sucessivos.

  • 1953 – norma alemã DIN 4227.

No Brasil:

  • 1948 – a primeira ponte em C.P. no Rio de Janeiro, com sistema Freyssinet;
  • 1952 – Companhia Belgo-Mineira iniciou a fabricação de aço de protensão.

5. FABRICAÇÃO DE PEÇAS PROTENDIDAS

São dois os processos principais aplicados na protensão de uma peça: com pré-tração e

com pós-tração.

1

5.1 ARMADURA DE PROTENSÃO PRÉ-TRACIONADA

No processo de pré-tensão o aço de protensão é fixado em uma das extremidades da pista

de protensão

2 , e na outra extremidade

3 um cilindro hidráulico estira (traciona) o aço, nele

aplicando uma tensão de tração pouco menor que a tensão correspondente ao limite elástico.

4 Em

seguida, o concreto é lançado na fôrma, envolve e adere ao aço de protensão pré-estirado. Após o

endurecimento e decorrido o tempo necessário para o concreto adquirir resistência, o aço de

protensão é solto (relaxado) das ancoragens 5 e, como o aço tende elasticamente a voltar à

deformação inicial (nula), ele aplica uma força

6 que comprime o concreto de parte ou de toda a

seção transversal da peça. Esse processo de aplicação da protensão é geralmente utilizado na

produção intensiva de grandes quantidades de peças, geralmente em pistas de protensão. A cura

úmida a vapor é comum, a fim de permitir a transferência da força de protensão em até 24 horas.

cilindro hidráulico ("macaco")

armadura de protensão

fôrma da peça

pista de protensão

bloco de reação

ancoragem passiva

Figura 14 – Esquema simplificado de pista de protensão, para fabricação de peças

protendidas com pré-tração.

(^1) Ler item 1.2 Tipos de concreto protendido quanto à aderência e execução , do livro de CARVALHO, R.C. Estruturas em

Concreto Protendido – Pré-tração, Pós-tensão, Cálculo e Detalhamento. São Paulo, Editora Pini, 2012, 431p. (^2) Chamada ancoragem passiva, onde os fios ou cordoalhas da armadura de protensão são fixados (presos). (^3) Chamada ancoragem ativa, onde os fios ou cordoalhas são estirados, e depois fixados nos dispositivos da ancoragem. 4 Os valores desta tensão a ser aplicada constam da NBR 6118. (^5) O relaxamento também pode ser feito cortando os fios ou cordoalhas da armadura de protensão, individualmente. 6 Chamada força de protensão.

10

A transferência da força de protensão da armadura para a peça ocorre devido à aderência

entre o concreto e a armadura, sendo este processo também chamado “concreto protendido com

aderência inicial”.

Devido à baixa idade do concreto, encurtamentos elásticos e fluência (deformação lenta)

tendem a atingir valores elevados, com consequente redução do alongamento da armadura de

protensão, ou seja, ocorre uma relativamente elevada “perda de protensão”.

Na Figura 15 até a Figura 22 são ilustradas pistas de protensão em fábricas.

Figura 15 – Pista de protensão para fabricação de laje alveolar, mostrando na parte inferior os

dispositivos metálicos da ancoragem passiva (Fábrica SENDI de Pré-moldados).

Figura 16 – Dispositivos metálicos da ancoragem passiva, mostrando a fixação das cordoalhas por meio

de cunhas inseridas em peças porta-cunhas (Fábrica de pré-moldados SENDI).

12

Figura 20 - Pista de protensão para fabricação de viga protendida (PREMONTT Pré-moldados).

Figura 21 - Pista de protensão em fábrica de dormente ferroviário de concreto.

Figura 22 - Pista de protensão em fábrica de dormente ferroviário de concreto.

13

5.2 ARMADURA DE PROTENSÃO PÓS-TRACIONADA

No processo de pós-tensão primeiramente é fabricada a peça de concreto, contendo dutos

(bainhas 7 ) ao longo do seu comprimento, como mostrado na Figura 23. Posteriormente as bainhas

são preenchidas com o aço de protensão (geralmente cordoalhas), de uma extremidade a outra da

peça. Quando o concreto apresenta a resistência suficiente ou necessária, a armadura de protensão,

fixada em uma das extremidades da peça (ancoragem passiva), é estirada (tracionada) pelo

cilindro hidráulico que está na outra extremidade (ancoragem ativa), apoiado na própria peça. 8

Terminada a operação de estiramento, a força no cilindro hidráulico é relaxada, a armadura tende

a voltar à deformação inicial (nula), escorrega alguns poucos milímetros e desse modo fixa as

partes da cunha de aço dentro do furo porta-cunha, existente na placa de aço de ancoragem. Desse

modo, a armadura (fixada nas duas extremidades) aplica a chamada força de protensão , que

comprime a peça, a partir de suas extremidades. Na sequência, geralmente a bainha é totalmente

preenchida com uma calda (nata) de cimento, para, após o endurecimento, proporcionar aderência

do aço de protensão com o concreto da peça. Neste caso tem-se a protensão com pós-tensão com

aderência. Quando a bainha não é preenchida com nata de cimento, tem-se a pós-tensão sem

aderência.

9

A Figura 24 , Figura 25 e Figura 26 mostram também esquematicamente a aplicação da

pós-tensão com aderência, onde a ancoragem passiva ocorre pelo laço das cordoalhas inseridas no

concreto.

10 A Figura 27 até a Figura 34 mostram uma viga construída segundo o processo de pós-

tensão com aderência.

a) Peça concretada duto vazado

Ap

Ap

b) Estiramento da armadura de protenção

c) Armadura ancorada e dutos preenchidos com nata de cimento

Figura 23 – Esquema simplificado de fabricação de peça protendida com pós-tração.

(^7) Bainha : é um tubo geralmente metálico e corrugado onde é inserido o aço de protensão o qual pode se movimentar durante a

operação de protensão. Posteriormente pode ser preenchido com nata de cimento para criar aderência entre o aço e o concreto da

peça. 8 Muitas vezes a protensão é aplicada com o posicionamento de dois cilindros hidráulicos, um em cada extremidade da peça, que

tracionam simultaneamente a armadura de protensão, e neste caso, as duas ancoragens são chamadas ativas. A ancoragem é

chamada passiva quando nela não é feita a operação de estiramento. 9 A pós-tensão com aderência proporciona peças mais seguras (o concreto da peça trabalha em conjunto com a armadura, que tem

maior proteção em caso de incêndio, etc.) que aquelas sem aderência, além da nata de cimento proteger a armadura contra

possíveis agentes agressivos que possam alcançar a bainha. (^10) Existem vários tipos de dispositivos de ancoragem, porém, o mais comum é aquele com placa de aço com furos cônicos e

cunhas inseridas nesses furos. A forma de ancoragem passiva, mostrada no lado direito da peça da Figura 24 , é uma opção.

15

Figura 27 – Viga protendida de seção I para superestrutura

de viaduto em rodovia.

Figura 28 – Ancoragens ativas da Rudloff em uma extremidade da viga.

Figura 29 – Detalhe das cordoalhas na bainha metálica, junto à placa de ancoragem na extremidade da viga.

Figura 30 – Placas de aço da ancoragem ativa (Rudloff), mostrando as cunhas

tripartidas já inseridas dentro dos furos

cônicos da placa.

16

Figura 31 – Cilindro hidráulico posicionado para

estiramento das cordoalhas.

Figura 32 – Aplicação da protensão pelo

conjunto cilindro e bomba hidráulica.

Figura 33 – Aferição do alongamento ocorrido na

armadura de protensão após iniciado o

estiramento.

Figura 34 – Equipamentos para injeção de nata de

cimento nas bainhas.

No caso de não ser injetada nata de cimento no interior da bainha metálica, existirá a pós-

tensão sem aderência. Neste caso, geralmente usa-se a cordoalha engraxada como armadura de

protensão, de uso cada vez mais comum no Brasil (Figura 35 ). A cordoalha engraxada está

mostrada da Figura 35 até a Figura 40.