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CONSEPÇAO DE PROJETO HOTEL DE SELVA
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!






















o Ambientação e mobiliário do hotel; o Recursos energéticos; o Tratamento de resíduos;
o Construção sem danos; o Conforto térmico; o Linguagem arquitetônica; o Materiais e sistemas construtivos; o Algumas possíveis técnicas construtivas; o Fundações o Estrutura e vedações o Portas e janelas o Coberturas o Tipologias possíveis de cobertura o Louças sanitárias o Uso de tradições locais o Água limpa – abastecimento o Água suja – efluentes líquidos o Energia
o Partido – Estudo Preliminar o Estudos setoriais – croquis o Estudo de Uso do Solo – croquis
Breve Histórico sobre Hotelaria
Na antiguidade, os primeiros vestígios de hospedagem estavam associados ao comércio. Famílias reais, sábios, músicos, artistas e comerciantes de um modo geral, deixavam suas casas com o propósito de comercializar seus produtos e serviços em outras localidades. No entanto, os viajantes dessa época dividiam-se em duas classes sociais distintas: nobreza e peregrinos. Estes últimos eram atendidos precariamente em albergues, estalagens ou em igrejas e mosteiros. Já a nobreza hospedava-se em castelos e palácios luxuosos com várias mordomias. Na Grécia e na Roma antiga, surgiram para abrigar frequentadores das termas e os participantes das primeiras versões dos Jogos Olímpicos". A evolução dos meios de transporte tornou as viagens mais acessíveis para outros segmentos da população além da nobreza. Após a Segunda Guerra Mundial, o caráter das viagens não era mais apenas comercial; estava relacionado também ao lazer. O primeiro hotel verdadeiramente planejado foi o Hotel Ritz, em Paris, no ano de 1870 construído pelo suíço César Ritz. A principal inovação desse hotel foi a existência de banheiros privativos nos apartamentos, mas ocorreu ainda a uniformização de empregados e outras melhorias. No Brasil, havia a divisão de classes sociais. Os viajantes comuns eram acolhidos em ranchos e casas de senhores de engenho da época. Este fato, além de ter contribuído para o desenvolvimento hoteleiro no país, proporcionou também a formação de novas cidades surgidas da aglomeração de ranchos que se expandia com rapidez. Enquanto isso, os viajantes considerados ilustres eram hospedados nas igrejas e nos mosteiros. Aliás, no século XVI, no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, foi construída uma área destinada especialmente para hospedar viajantes de prestígio. Em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, mais especificamente ao Rio de Janeiro, houve uma grande abertura para que estrangeiros de outras procedências também viessem ao país para ocupar cargos diplomáticos, científicos e econômicos. Devido a isso, ocorreu o aumento da procura por alojamentos, a ponto de a estrutura física hoteleira do Rio de Janeiro tornar-se insuficiente. Diante dessa situação, empreendedores de outras regiões notaram que o setor de hotéis era um bom empreendimento para capitalização, e então começaram surgir novos meios de hospedagem por todo o Brasil, em especial nas grandes capitais, áreas paisagísticas e em estâncias minerais. Dessa forma, descobriu-se o potencial turístico e hoteleiro do país, sendo este hoje uma das atividades econômicas mais significativas e em expansão no país.
Antigo Albergue em Santiago de Compostela -Espanha - 1752
Castelo de Chillon - Suíça - 1150
Mosteiro de São Bento - RJ
Foco da disciplina → hotéis de selva
Hotéis de selva ou de floresta, são localizados em áreas florestais. Sua estrutura é direcionada ao turismo de natureza, como o ecoturismo. Seu público-alvo geralmente são turistas de classe alta, principalmente os estrangeiros. São denominados também como lodges* e a maioria deles estão nas florestas da Amazônia e são considerados grandes agentes no desenvolvimento dessa atividade, ou seja, a de contato direto com a selva tropical.
(*) O lodge, por sua vez, possui forte apelo ecológico pelo seu estilo de construção e dos recursos que utiliza. Pode ser composto por chalés, bangalôs, cabanas e similares, destinado ao turismo ecoturismo, turismo de caça, de pesca e de aventura. Eco hotéis (EH), ou hotéis ecológicos, pousadas ecológicas, são meios de hospedagem localizados em florestas tropicais, flutuantes em rios, lagos ou lagoas e visam proporcionar aos hóspedes o contato com áreas naturais protegidos por lei específica.
Atividades e coleta de dados que precedem o início do estudo preliminar
I. Estudos de Caso;
“mínimas” para espaços interiores. a. Pé-direito mínimo dos dormitórios e de varandas; b. Altura de guarda-corpo de corrimões; c. Dimensões de degraus para escadas: altura do espelho e largura do piso d. Dimensões mínimas de portas de acesso: altura e largura; e. Largura mínima de corredores e/ou circulações para o público; f. Lay out com dimensões mínimas de conforto em banheiros privativos e públicos.
(*) Lei Complementar 003 de janeiro / 2014 - Art. 52. Os compartimentos deverão atender as medidas necessárias conforme abaixo:
( * ) consultar o livro compartilhado no Google Drive: Las dimensiones humanas em los espacios interiores →
Planejamento- Aspectos Construtivos
É importante a escolha do local de construção do hotel, tanto o bloco central como todas as habitações que fazem parte do complexo e para isso, é necessário pesquisar os níveis de cheia e de vazante, observando as áreas alagadiças e as de terra firme. Não menos importante é a orientação, insolação, topografia, vegetação e regime dos ventos e chuvas para gerar soluções arquitetônicas que propiciem o maior conforto térmico possível sem o uso de equipamentos mecânicos de ventilação. As edificações devem proporcionar segurança para os turistas e funcionários, tanto no interior como no exterior das construções. As construções em áreas que alagam, deverão ser suspensas do solo (palafitas) com circulação e acessos por passarelas elevadas e as que ficam em terra firme podem dispensar o uso de palafitas ou seguir o mesmo sistema elevado. Quanto ao
Manaus deve ser realizado por meio de barcos ou lanchas. Nas áreas do hotel, o meio de locomoção acontece através de barcos, lanchas, canoas ou a pé.
Com relação às questões ligadas ao recolhimento e tratamento de resíduos, os hotéis- selva devem: Providenciar nas cabeceiras as trilhas, recipientes para coleta de lixo ambientalmente adequados, para os hóspedes e visitantes; Adotar métodos para a remoção do lixo que não prejudiquem o meio ambiente com uma armazenagem que seja segura em relação a insetos e outros animais e tecnologias apropriadas para o tratamento de resíduos orgânicos tais como Estação de Tratamento de Esgoto - ETE; Utilizar meios de reciclagem como o da água para usos não-potáveis e métodos de tratamento de águas contaminadas antes que elas sejam lançadas novamente aos rios. O projeto de um hotel de selva deve: prever um baixo impacto ecológico; proporcionar comodidade em um ambiente considerado de difícil acesso para as pessoas; uma experiência enriquecedora para os visitantes, permitindo-lhes apreciar a floresta com segurança e relativo conforto.
A concepção, o planejamento, a implantação e a construção do espaço físico de um empreendimento ecoturístico (e seu posterior funcionamento) devem sempre buscar ter o menor impacto sobre o sítio e a menor pegada
ecológica possível sobre o planeta.
A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a
pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais
https://www.wwf.org.br/natureza̲brasileira/especiais/pegada̲ecologica/o̲que̲e̲pegada̲ecologica/
Isso significa que a sustentabilidade ambiental deve estar presente em todas as etapas de concepção, planejamento, construção e operação de um hotel de selva. Deve estar, ainda, explicitada de todas as formas possíveis para o ecoturista. Nesse sentido, o Hotel de selva pode ser visto ao mesmo tempo como:
ele deve apresentar: Trata-se de uma instalação para acomodação turística que vai ao encontro dos seguintes critérios: Ajuda na conservação do ambiente circundante (tanto natural como cultural); Tem o mínimo impacto no entorno natural durante sua construção; Se encaixa em seu contexto físico e cultural específico por meio da atenção cuidadosa com a forma, o paisagismo, a cor, assim como do uso da arquitetura vernacular; Usa meios alternativos e sustentáveis para o abastecimento de água e reduz seu consumo; Prevê o manejo e a deposição cuidadosos dos resíduos sólidos e esgotos; Supre suas necessidades de energia por meio deum desenho apropriado (solar passivo) e do uso de fontes renováveis de energia; Usa materiais e técnicas tradicionais de construção sempre e onde isso for possível e combina seu uso com tecnologias modernas para maior sustentabilidade; Oferece programas interpretativos para educar tantos empregados como turistas sobre o ambiente natural e cultural local; Procura trabalhar junto com a comunidade local e Contribui para o desenvolvimento sustentável local por meio de programas de pesquisa.
O processo construtivo não deve perturbar e/ou prejudicar o ambiente natural durante nem depois da sua implantação no que se refere aos seus atributos naturais. O ecoturista escolhe o hotel por pressupor que que o local foi construído e se mantém respeitando a natureza. O canteiro de obra deve ser muito bem planejado de maneira que os materiais devem ficar estocados em locais que posteriormente virão a ser pavimentados ou construídos e devem ser trazidos em quantidades tais que possibilitem esse tipo de gerenciamento. Utilizar para a circulação de materiais o mesmo sistema (marcação) de circulação desenhado para o hotel de selva. Veículos pesados para escavações, aterros e nivelamentos devem ser evitados ao máximo, mas, se forem considerados inevitáveis, devem ter sua circulação e movimentos dirigidos pelo projetista de forma a seguir os futuros caminhos propostos para o hotel de selva, do mesmo modo que os materiais e equipamentos.
Linguagem arquitetônica
Deve valorizar e interpretar a arquitetura vernacular local naquilo que tem de mais significativo, mas não deve se ater rigidamente a ela, nem a copiar, por no mínimo dois motivos:
Assim, tem-se, no projeto de um hotel de selva, a possibilidade de apresentar técnicas, elementos, formas e alternativas que, de outro modo, não estariam acessíveis à população local. Isso deve estar presente desde o planejamento da propriedade até o uso de novas técnicas construtivas que sejam um passo à frente em relação às tradicionalmente existentes, passando pelo uso de elementos de alta tecnologia, como as placas fotovoltaicas, ou pela introdução de tecnologias apropriadas e simples, mas que pressupõem mudanças de paradigma como é o caso dos sanitários compostáveis e das coberturas vivas.
Materiais e sistemas construtivos
Os materiais e as técnicas a serem utilizados nos hotéis de selva serão quase tão variados quanto os ecossistemas e climas em que os estabelecimentos estiverem inseridos. Evidentemente, deve ser dada a mais absoluta prioridade aos materiais naturais e àqueles industrializados com garantia de terem sido elaborados com processos o mais ambientalmente amigáveis possível. O ideal é que o responsável pelo projeto arquitetônico proceda a uma investigação cuidadosa e sem preconceitos a respeito de:
O empreendimento deve se propor a servir de modelo de como se inserir de forma harmônica no ambiente, permanecendo lá por várias gerações, utilizando técnicas que algumas dessas populações já conhecem e outras das quais nunca ouviram falar. Mesmo assim, os materiais e as técnicas a serem utilizados, se não forem conhecidos pela população local, devem ser facilmente apropriáveis, de forma que sua mão-de-obra possa ser aproveitada e capacitada quando da construção do hotel de selva.
É sempre interessante proceder uma prévia “análise do berço ao túmulo” dos possíveis materiais. Trata-se da pesquisa do ciclo completo de vida de cada material utilizado, com toda sua implicação em termos de energia consumida, consequências ambientais e resíduos produzidos, desde a extração de sua matéria-prima, refino, processamento, manufatura e tratamento até seu transporte, uso e eventual reutilização ou deposição final.
Algumas possíveis técnicas construtivas
Coberturas
A escolha dos materiais para as coberturas dos hotéis de selva deve partir dos mesmos critérios dos outros materiais. Em geral, esse item costuma ser um gargalo. Para evitar o inconveniente de insetos e poeira, típicos das coberturas de palha, diversos forros podem ser usados, como esteiras de palha, bambu, com tela contra inseto entre elas e a palha. Também podem ser usados forros de madeira e armações de bambu ou madeira com tecido. Além da palha, outros materiais podem ser usados, como o cavaco, para regiões com boa oferta de madeira, as coberturas vivas (telhados de grama), as abóbadas e cúpulas de tijolos cerâmicos, as telhas cerâmicas e as de bambu, estas pouco disseminadas.
Algumas possíveis tipologias de
coberturas
· Telhas de barro · Telhas feitas com materiais reciclados · Telhas de bambu · Telhados vivos · Palhas de diversas espécies · Capim santa-fé; · Cavacos ou tabilhas; · Tijolos cerâmicos (abóbadas e cúpulas)
Louças, metais e instalações
Neste item, dificilmente se escapa dos materiais industrializados, apesar de existir sempre a possibilidade de se utilizarem elementos artesanais em madeira ou bambu que podem fazer às vezes de pias, torneiras e canos.
TELHA DE BAMBÚ
IGREJA DE CAVACO RIO PRETO DA EVA – SEVERIANO PORTO
Uso de tradições locais
É importante dar o maior espaço possível para a manifestação criativa do artesanato local em um hotel de selva. Elementos ou técnicas artesanais devem ser aproveitados até como elementos construtivos, além de objetos de decoração, o que já costuma acontecer.
Esteiras de palhas e tramados de cestaria podem ser usados como divisórias internas, portas de armários, forros para telhados, revestimentos para paredes. Com cerâmica podem ser confeccionados apliques e luminárias, além de moringas, pratos, panelas, potes, saboneteiras e outros. Com madeira e bambu podem ser feitos corrimões, esquadrias, bancadas, armários e móveis. Com madeira entalhada podem ser feitos, além do que já foi citado, pequenos objetos e acabamentos diferenciados. Tecidos artesanais podem ser cortinas, colchas, revestimentos de paredes, portas e móveis, forros para telhados, divisórias e até uniforme de funcionários
Água limpa (abastecimento)
A água é um item fundamental para a sustentabilidade de qualquer edificação. Ela deve contar com uma fonte segura de abastecimento de Água potável ou, melhor ainda, com pelo menos duas fontes de água potável, de forma a não correr riscos de carência desse produto fundamental. As principais fontes de abastecimento podem ser:
Como regra geral, o projeto do hotel de selva deve prever a plantação de árvores de forma intensa, a fim de facilitar a recarga do lençol freático para a manutenção da quantidade e qualidade da água das nascentes e dos poços. Deve-se tratar e reutilizar toda a água consumida pelo hotel de selva em todas as suas atividades.
SISTEMA FLUTUANTE DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DE RIOS
Painéis solares para aquecimento de água (capturam o calor do sol e o transferem para a água) são uma tecnologia
totalmente diferente e bem mais acessível que a fotovoltaica, sendo já bastante difundida pelo brasil;
Turbinas eólicas são um sistema altamente eficiente e indicadas para locais varridos por ventos fortes; em geral, são mais viáveis
em sistemas mistos ou híbridos com o solar;
Turbinas estacionárias que funcionam em baixa rotação com o fluxo constante de um curso d’água e que são sistemas
interessantes para locais que contam com um rio caudaloso, mas sem quedas significativas;
Biomassa, em que se tira partido do calor e dos gases gerados a partir da decomposição de matéria orgânica para gerar calor
ou energia elétrica, como fazem as termelétricas.
Um bom planejamento deve prever um sistema auxiliar de geração de energia, para o caso de haver problemas com o sistema
principal. Assim, pode-se ter um sistema misto de energia solar e eólica e um gerador auxiliar a diesel ou gasolina, para ser
acionado só em caso de emergência
ESTUDO DA FORMA
Inicialmente os primeiros esboços (croquis) podem não apresentar nenhuma relação clara com os objetivos a serem atingidos por serem rabiscos quase aleatórios, então, é necessário seguirmos um roteiro de procedimentos que nos conduzam a bons resultados. Estamos enganados ao pensar que a concepção do projeto tem início no Estudo Preliminar. Na verdade, ele inicia a partir do momento que começamos a pesquisar o tema e obviamente a imaginá-lo.
O objetivo aqui é o de possibilitar o entendimento espacial do PNA, não só em duas dimensões, mas, possível/desejável, em 3D. Este tópico refere-se ao estudo da(s) forma(s) adequada(s) e de suas dimensões, possíveis ou consagradas a cada uma das funções ou grupo de funções.
Trata-se de elaborar esquemas de funcionamento e inter-relacionamento lógico das partes do PNA, por exemplo: o setor de administração; o setor de serviços; o setor de cozinha etc. Em casos de elementos repetidos: o módulo do quarto de hotel, a sala de aula, a sala do edifício de escritórios, bem como as possibilidades de associação dos módulos. Nos casos singulares, a oficina, o laboratório, a sala de estudo em grupo etc. Nesta fase, poderá ser necessário definir a configuração de setores do projeto em termos de tipologias usuais ou desejadas, como seria o caso de um auditório, impondo grandes vãos. O mesmo vale para casos de repetições de um prédio modulado.