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Os conceitos básicos da gestão financeira, incluindo objetivos, organização da função financeira, fluxos reais e financeiros, e as importâncias de assegurar a melhor situação financeira, estrutura financeira adequada e constante solvibilidade. O texto também discute as decisões financeiras e as atividades representativas da função financeira.
Tipologia: Exercícios
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Nuno Ferreira
Aluno Nº 20101095
Sílvia Esperto
Aluno N.º 21150356
RESUMO: O objectivo deste trabalho é visualizar de uma forma geral a Gestão Financeira. Para tal abordaremos os conceitos fundamentais para a sua fácil compreensão em três partes distintas: o conceito de Gestão Financeira (objectivos, organização nas empresas), conceito de contabilidade e documentos contabilísticos fundamentais para a análise financeira da empresa (demonstração de resultados, balanço e rácios).
INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE COIMBRA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
JUNHO DE 2007
A razão mais importante pela gestão financeira em qualquer organização é de assegurar que a empresa saiba de quanto dinheiro vai necessitar, como obter o dinheiro de que necessita e como deve empregar esse dinheiro para alcançar os seus objectivos de forma ética, responsável e sustentável. É impossível uma organização sobreviver sem uma gestão financeira apropriada.
Um elemento importante a lembrar é que, a menos que a organização empregue os seus recursos financeiros de forma aberta e responsável, a probabilidade de receber dinheiro dos doadores é nula. Os doadores querem estar seguros que o dinheiro deles está a ser bem empregue e, para este fim, a organização que recebe o financiamento deve estar dotada de uma forte gestão financeira.
Estruturas fortes de gestão financeira facilitam a prestação de contas por parte da organização perante os doadores, o que, por sua vez, instala confiança nos doadores a respeito da gestão da organização. É lógico que os doadores preferem dar dinheiro a organizações em que têm confiança do que àquelas em que não confiam.
A gestão financeira trata-se de uma tarefa e responsabilidade que abarca o passado, o presente e o futuro. Em primeiro lugar, uma boa gestão financeira exige que seja mantido um registo de todo o dinheiro que a sua organização já recebeu ou gastou (o passado). Segundo, há que controlar o dinheiro na posse da organização (o presente) e, por último, a gestão financeira ajuda-o a tomar decisões acerca do futuro da organização.
Uma boa gestão financeira ajuda a direcção da organização a planear para o futuro, uma vez que indica quanto dinheiro tem em mão, quanto dinheiro é necessário e quanto custarão os planos que tem para o futuro. A administração das finanças do passado, do presente e do futuro da sua organização passa por três tarefas de gestão financeira que, embora distintas, estão interligadas. Estas são:
Do que trata a gestão financeira?
A gestão financeira assenta em dois princípios muito importantes:
ao administrar o dinheiro de modo a não pôr a organização em risco desnecessariamente. Se a organização prevê continuar a existir no futuro, deve certificar-se que recebe dinheiro suficiente e que o gasta com prudência.
Através de uma boa gestão financeira, poderá identificar o que pode fazer, quanto dinheiro tem, de quanto dinheiro precisa, como foi gasto o seu dinheiro, e onde pode obter mais dinheiro. Este processo integra três actividades:
Fixar uma política: A organização deve decidir quais as normas e procedimentos que devem ser seguidos para assegurar que o dinheiro seja gasto prudente e seguramente;
Fixar as atribuições: A organização deve decidir quem será permitido a gastar dinheiro, quanto lhes será permitido gastar e quando poderão gastá-lo. É importante também decidir quem pode vincular a organização do ponto de vista financeiro;
Fixar a responsabilidade: Há que decidir quem é responsável pelos recursos financeiros da organização. É importante que a responsabilidade pelo dinheiro da organização seja assumida por uma determinada pessoa ou pessoas. Nem todos podem estar encarregues das finanças.
As acções e decisões dos gestores financeiros têm essencialmente os seguintes objectivos:
a) Assegurar à empresa a estrutura financeira mais adequada
Tal estrutura caracteriza-se pela importância relativa das diferentes aplicações dos capitais obtidos pela empresa, comparada com a importância relativa das fontes desses capitais. A estrutura financeira obedece a certas regras de equilíbrio, devendo corresponder a uma perfeita adequação dos meios financeiros postos à disposição da empresa para a realização dos seus objectivos económicos.
b) Manter a integridade do capital e promover o seu reforço
Este objectivo traduz-se em estudar a realização dos ciclos de exploração da empresa de modo a evitar que nos mesmos se verifiquem insuficiências dos proveitos e receitas obtidos relativamente aos custos e despesas, mantendo uma taxa de lucro adequada para remunerar capital e constituir autofinanciamento necessário. Os resultados positivos aumentam as possibilidades financeiras da empresa mas não se deverá distribuir aos sócios esse excedente sem comprometimento da integridade do capital. A manutenção na empresa de uma parte dos resultados sob a forma de reservas (autofinanciamento) permite aumentar o capital investido.
c) Permitir a constante solvibilidade da empresa
Este objectivo atinge-se vigiando as evoluções dos recursos financeiros e das suas aplicações, de modo a encontrar-se a empresa em condições de vir satisfazendo as suas dívidas nos vencimentos. A solvibilidade é a aptidão para pagar as suas dívidas. A solvibilidade final de uma empresa determina-se admitindo ou considerando a hipótese da liquidação da empresa, na qual corresponde à demonstração de que no caso de a empresa ter de extinguir-se, a realização forçada dos activos permite ou não pagar as dívidas existentes e as que derivam de indemnizações e outros encargos dos actos de dissolução e liquidação. Os factores de solvibilidade são pois o grau de liquidez dos capitais investidos, isto é, a sua aptidão a transformar-se em disponibilidades, e o prazo das exigibilidades.
d) Assegurar a rendibilidade dos capitais
A rendibilidade dos capitais analisa-se comparando os rendimentos obtidos com os capitais próprios ou alheios. Normalmente os capitais próprios são remunerados pelos lucros enquanto que os capitais alheios são remunerados pelos juros. A ausência de rendibilidade vai desencorajar os sócios e eventualmente os credores, pois a manutenção do capital garante a estabilidade e o reembolso.
O objectivo do gestor financeiro é aumentar o valor do património líquido da empresa, por meio da geração de lucro líquido, decorrente das actividades operacionais da empresa. Para realizar essa tarefa, o gestor financeiro precisa ter um sistema de informações gerenciais que lhe permita conhecer a situação financeira da empresa e tomar as decisões mais adequadas, maximizando seus resultados.
Segundo um estudo realizado na London School of Economics , intitulado “ The Changing Role of the Finance Director ”, o gestor financeiro gasta em média 20% do seu tempo nas decisões estratégicas da empresa sendo considerados elementos chave nas suas organizações.
Neste sentido, designou-se para esta função um executivo financeiro (director, gestor ou administrador), que deverá ter certas qualificações especiais e características chave para exercer a sua função.
Das suas características e qualificações destacam-se (de entre outras relativas à gestão e liderança):
Outro aspecto importante é o facto de as decisões a longo prazo e curto prazo serem complementares, pois as decisões de curto prazo permitem alargar os limites da restrição do financiamento do ciclo de exploração (5.2.2) e permitem libertar capitais a longo prazo para aumentar capitais.
A organização interna das direcções financeiras varia consideravelmente consoante a dimensão das empresas.
No organigrama de muitas pequenas e médias empresas (PMEs) apenas surge o serviço de contabilidade mais ou menos desenvolvido. Este serviço tem a seu cargo a recolha dos dados contabilísticos e fornece a informação ao director financeiro, sendo que o contabilista assegura a função de tesoureiro.
Quando a empresa se desenvolve, a direcção geral também gere uma parte das suas finanças. Normalmente a direcção financeira está associada a outras direcções:
Fig.1: Direcção financeira nas PMEs
As actividades representativas da função financeira são:
Nas grandes empresas o sistema financeiro é muito mais complexo, na medida em que o número de serviços especializados aumenta e as funções a desempenhar sofrem um
desenvolvimento onde os planos da empresa se inscrevem a longo prazo e o universo económico e financeiro se alarga.
Os fluxos financeiros não resultam apenas das actividades industriais e financeiras, mas também das participações de outras empresas.
Dos funcionários mais importantes da actividade financeira destacam-se a Tesoureiro e o Caixa que têm as seguintes funções:
Tesoureiro : Dirige a tesouraria, em escritórios em que haja departamento próprio, tendo a responsabilidade dos valores de caixa que lhe estão confiados; verifica as diversas caixas e confere as respectivas existências; prepara os fundos para serem depositados nos bancos e toma as disposições necessárias para levantamentos; verifica periodicamente se o montante dos valores em caixa coincide com o que os livros indicam. Pode autorizar certas despesas e executar outras tarefas relacionadas com as operações financeiras.
Caixa : Tem a seu cargo as operações de caixa e registo do movimento relativo a transacções respeitantes à gestão da empresa, recebe numerário e outros valores e verifica se a sua importância corresponde à indicada nas notas de venda ou nos recibos; prepara os sobrescritos segundo as folhas de pagamento. Pode preparar os fundos destinados a serem depositados e tomar as decisões necessárias para os levantamentos.
A inexistência de uma adequada gestão financeira pelas empresas provoca uma série problemas de análise, planeamento e controle financeiro das suas actividades operacionais, entre os quais citamos:
Fig.3 : Fluxos das Empresa
Ao olharmos para este esquema convém conhecer bem os seguintes conceitos:
5.2.1. Fluxos Reais e Financeiros
Chama-se fluxo à quantidade de bens ou dinheiro, transferida durante um dado período entre dois agentes económicos. Através desta definição, e olhando para a fig.3, chega-se à conclusão que existem duas categorias de fluxos: fluxos reais (ou económico, representado pelos bens e serviços prestados e aos investimentos realizados) e fluxos financeiros (corresponde à tesouraria onde se recebe dinheiro derivado das actividades
realizadas). Como exemplo apresenta-se na figura 4 o diagrama de fluxos financeiros de uma empresa industrial.
Dos objectivos da gestão financeira releva-se como fundamental o ajustamento dos fluxos financeiros, classificando-se em induzidos e autónomos. Os fluxos financeiros induzidos, que compreendem aqueles derivados dos fluxos reais, podem classificar-se em directos ou indirectos. Os fluxos financeiros directos são os que envolvem unicamente os dois agentes económicos intervenientes na própria transacção, ou no fluxo real. Os fluxos directos podem ser imediatos ou diferidos : são imediatos quando o fluxo real e financeiro coincidem no tempo, ou seja, um dos agentes económicos intervenientes concede ou obtém crédito. Os fluxos financeiros indirectos são os que resultam da intervenção de mais do que dois agentes económicos. Os fluxos financeiros autónomos não decorrem de qualquer fluxo real, por exemplo a obtenção de um empréstimo, a curto ou a médio prazo. De uma forma resumida apresenta-se o que foi dito:
pois é considerado uma despesa imediata que pode ter efeitos negativos na estrutura da empresa se o investimento não for devidamente ponderado. A nível financeiro o incorrecto financiamento pode ter consequências graves na estrutura de tesouraria da empresa, pois a recuperação das despesas do investimento processa-se de uma forma lenta, contínua e geralmente linear.
b) Ciclo das operações financeiras
O ciclo financeiro engloba as decisões financeiras derivadas de opções de económicas, tais como investimentos em capital fixo e participações financeiras, e de opções estritamente financeiras ligadas aos fluxos financeiros autónomos e que afectam a tesouraria.
As decisões financeiras procuram fontes de financiamento que vai desde empréstimos a entidades de crédito até aos accionistas para proporcionar a sobrevivência da empresa.
Os fluxos financeiros autónomos compreendem os empréstimos obtidos e concedidos. O empréstimo concedido avalia-se com a transformação do dinheiro em activo financeiro, onde o reembolso é superior ao valor emprestado devido aos juros. O empréstimo obtido é a operação inversa, na qual a empresa recebe dinheiro mas em contrapartida contrai uma dívida, reembolsando e pagando os juros.
c) Ciclo das operações de exploração
O ciclo das operações de exploração é o conjunto das operações realizadas pala empresa para atingir o seu objectivo: produzir bens e serviços para troca, ou seja, compreende um ciclo (económico de exploração) que se inicia com a aquisição dos materiais destinados ao ciclo de produção e finaliza com a formação dos proveitos (venda e variação das existências de produtos acabados), e o ciclo das operações financeiras de exploração, que começa também, com a aquisição dos materiais e termina com os recebimentos efectuados das vendas dos produtos acabados:
O balanço proporciona uma visão geral da situação financeira de uma organização a um determinado momento, normalmente no fim do exercício financeiro.
Demonstra em detalhe tudo quando a organização possui os seus activos e tudo quanto a organização deve. Os activos não se limitam ao dinheiro em caixa, mercadorias, terreno, edifícios, equipamentos, maquinaria, mobiliário, patentes, marcas comerciais e congéneres, mas incluem também o dinheiro que é devido à organização por outras organizações e pessoas, (conhecido por contas a receber).
O passivo é o dinheiro ou artigos que uma organização deve a outras organizações ou pessoas. Isto pode incluir os valores monetários concedidos em empréstimo à organização ou quaisquer produtos ou serviços que a organização comprou a crédito.
Um bom exemplo disto seria o dinheiro devido ao banco depois de a sua organização ter obtido um empréstimo para comprar equipamentos de escritório. O montante ainda por liquidar ao banco a um determinado momento aparece sempre no balanço como passivo. É importante notar que o passivo não se refere às dívidas a curto prazo, como a conta de electricidade. Refere-se, sim, à dívida a ser reembolsada num prazo mais longo.
A qualquer momento, os activos de uma organização equivalem ao total dos passivos, acrescidos do total dos valores introduzidos na organização pelos fundadores ou sócios. O balanço tem por intuito demonstrar como os activos, o passivo, e o capital se encontram distribuídos a qualquer momento. É normalmente preparado a intervalos regulares; por exemplo, no fim de cada mês e, sobretudo, no fim de cada exercício fiscal.
Através da preparação regular deste sumário do que a organização possui e deve (o balanço), a gestão pode identificar e analisar as tendências e a força financeira do negócio. Também apresenta uma boa perspectiva do que a gestão deve fazer para melhorar a sua situação financeira, tal como a redução progressiva da dívida da organização perante os credores.
Todos os balanços contêm as mesmas categorias de activos, passivos e capital. Os activos são expostos em ordem decrescente em relação à rapidez com a qual podem ser transformados em dinheiro (liquidez). Os passivos são apresentados em função do período
de reembolso, seguidos pelos lucros retidos (valores monetários que podem ser retidos na organização).
As categorias e o formato do balanço são fixadas num sistema designado de princípios de contabilidade geralmente aceites, cujos princípios são aplicados a todas as organizações, grandes e pequenas, a fim que todos quanto leiam o balanço entendam a história que relata.
Categorias do balanço
O activo e o passivo são compostos das categorias abaixo descritas:
Activo: um activo é tudo quanto possua um valor monetário e que seja propriedade do negócio.
Passivo: tratam-se de as reivindicações dos credores contra o activo do negócio (dívidas a reembolsar pelo negócio).
Capital: equivale ao activo da organização menos o seu passivo.