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Eliseu Martins
Da Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade da Universidade de São Paulo
Contabilidade de Custos
O Uso da Contabilidade de Custos como Instrumento
Gerencial de Planejamento e Controle
Sua Utilização para Fins Fiscais e Societários
As Diferenças entre os Métodos de Custeio:
Custeio por Absorção
Custeio Variável
RKW
ABC (Custeio Baseado em Atividades)
9ª Edição
SÃO PAULO
EDITORA ATLAS S.A. – 2003
© 1977 by EDITORA ATLAS S.A.
1. ed. 1978; 2. ed. 1980; 3. ed. 1987; 4. ed. 1990; 5. ed. 1996; 6. ed. 1998;
7. ed. 2000; 8. ed. 2001; 9. ed. 2003; 3á tiragem
Composição: Formato Serviços de Editoração S/C Ltda.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Martins, Eliseu, 1945
Contabilidade de custos / Martins, Eliseu. - 9. ed. - São Paulo : Atlas,
Bibliografia.
ISBN 85-224-3360-
1. Contabilidade de custos I. Título.
90-0846 CDD-657.
Índices para catálogo sistemático:
1. Contabilidade de custos 657.
2. Custos : Contabilidade 657.
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4
1.825, de 20 de
dezembro de 1907.
Impresso no Brasil/Printed in Brazil
- Prefácio à Nona Edição........................................................................................................................................................
- Sugestões para utilização do livro........................................................................................................................................
- Parte I - Introdução à Contabilidade de Custos....................................................................................................................
- 1 - A contabilidade de custos, a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial............................................................
- 1.1 DA CONTABILIDADE FINANCEIRA À DE CUSTOS.............................................................................................
- 1.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS INDUSTRIAL........................................................
- 1.3 DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A CONTABILIDADE GERENCIAL............................................................
- 1.4 A MODERNA CONTABILIDADE DE CUSTOS EM EMPRESAS NÃO INDUSTRIAIS
- EXERCÍCIO PROPOSTO
- 2 - Terminologia contábil básica
- 2.1 TERMINOLOGIA EM CUSTOS INDUSTRIAIS
- 2.2 A TERMINOLOGIA EM ENTIDADES NÃO INDUSTRIAIS
- 2.3 A TERMINOLOGIA NESTE LIVRO
- RESUMO
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- Parte II - Princípios para Avaliação de Estoques.................................................................................................................
- 3- Princípios contábeis aplicados a custos...............................................................................................................................
- 3.1 ALGUNS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS À CONTABILIDADE DE CUSTOS......................................
- 3.1.1 Princípio da realização da receita............................................................................................................................
- 3.1.2 Princípio da competência ou da confrontação entre despesas e receitas.................................................................
- 3.1.3 Princípio do custo histórico como base de valor.....................................................................................................
- 3.1.4 Consistência ou uniformidade.................................................................................................................................
- 3.1.5 Conservadorismo ou prudência...............................................................................................................................
- 3.1.6 Materialidade ou relevância....................................................................................................................................
- 3.2 CUSTEIO POR ABSORÇÃO.......................................................................................................................................
- 3.3 O PROBLEMA ESPECÍFICO DOS ENCARGOS FINANCEIROS............................................................................
- 3.4 A DIFÍCIL SEPARAÇÃO, NA PRÁTICA, DE CUSTOS E DESPESAS...................................................................
- 3.5 ONDE TERMINAM OS CUSTOS DE PRODUÇÃO..................................................................................................
- 3.6 OS GASTOS DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS NOVOS................................................
- 3.7 GASTOS DENTRO DA PRODUÇÃO QUE NÃO SÃO CUSTOS.............................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 4 - Algumas classificações e nomenclaturas de custos............................................................................................................
- 4.1 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DA INDÚSTRIA........................................................................................
- 4.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS EM DIRETOS E INDIRETOS.............................................................................
- 4.3 OUTRA CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS: FIXOS E VARIAVEIS.........................................................................
- 4.4 OUTRAS NOMENCLATURAS DE CUSTOS............................................................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 5 - Esquema básico da contabilidade de custos (1).................................................................................................................
- 5.1 1° PASSO: A SEPARAÇÃO ENTRE CUSTOS E DESPESAS.................................................................................
- 5.2 2º PASSO: A APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS.........................................................................................
- 5.3 3° PASSO: A APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS.....................................................................................
- 5.4 ESQUEMA BÁSICO.....................................................................................................................................................
- 5.5 CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS...........................................................................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 6 - Esquema Básico da Contabilidade de Custos (II) —Departamentalização........................................................................
- 6.1 POR QUE DEPARTAMENTALIZAR.........................................................................................................................
- 6.2 QUE É DEPARTAMENTO E COMO SE CLASSIFICA............................................................................................
- 6.3 DEPARTAMENTO E CENTRO DE CUSTOS............................................................................................................
- 6.4 CUSTOS DOS DEPARTAMENTOS DE SERVIÇOS.................................................................................................
- 6.5 ESQUEMA COMPLETO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS...............................................................................
- 6.6 SÍNTESE DO ESQUEMA BÁSICO COMPLETO......................................................................................................
- 6.7 CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS DE PRODUÇÃO........................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 7 - Critério de rateio dos custos indiretos.................................................................................................................................
- 7.1 ANÁLISE DOS CRITÉRIOS DE RATEIO - CUSTOS COMUNS.............................................................................
- 7.2 RATEIO DOS CUSTOS DOS DEPARTAMENTOS...................................................................................................
- 7.3 INFLUÊNCIA DOS CUSTOS FIXOS E DOS CUSTOS VARIÁVEIS.......................................................................
- 7.4 IMPORTÂNCIA DA CONSISTÊNCIA NOS CRITÉRIOS.........................................................................................
- 7.5 CONCILIAÇÃO ENTRE CUSTOS E CONTABILIDADE FINANCEIRA................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 8 - Custeio baseado em atividades (abc) — abordagem inicial...............................................................................................
- 8.1 IMPORTÂNCIA DO CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES...............................................................................
- 8.2 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA......................................................................................................................
- 8.3 ATRIBUIÇÃO DOS CIP DIRETAMENTE AOS PRODUTOS - SEM DEPARTAMENTALIZAÇÃO....................
- 8.4 SOLUÇÃO COM DEPARTAMENTALIZAÇÃO........................................................................................................
- 8.5 APLICAÇÃO DO ABC À SOLUÇÃO DO PROBLEMA............................................................................................
- 8.5.1 Identificação das atividades relevantes...................................................................................................................
- 8.5.2 Atribuição de custos às atividades..........................................................................................................................
- 8.5.3 Identificação e seleção dos direcionadores de custos..............................................................................................
- 8.5.4 Atribuindo custos dos recursos às atividades no modelo apresentado....................................................................
- 8.5.5 Atribuição dos custos das atividades aos produtos.................................................................................................
- 8.5.6 Uma comparação dos resultados.............................................................................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 9 - Aplicação de Custos Indiretos de Produção........................................................................................................................
- 9.1 PREVISÃO DA TAXA DE APLICAÇÃO DE CIP......................................................................................................
- 9.2 CONTABILIZAÇÃO DOS CIP APLICADOS.............................................................................................................
- 9.3 VARIAÇÃO ENTRE CIP APLICADOS E REAIS......................................................................................................
- 9.4 USO DOS CIP APLICADOS DURANTE O EXERCÍCIO..........................................................................................
- 9.5 ANÁLISE DAS VARIAÇÕES ENTRE CIP APLICADOS E REAIS.........................................................................
- 9.6 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA PREVISÃO DO VOLUME.................................................................................
- 9.7 PREVISÃO DAS TAXAS DE SERVIÇOS..................................................................................................................
- 9.8 EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA NA CONTABILIDADE E USO DOS CUSTOS INDIRETOS APLICADOS.........
- 9.9 PRESENÇA DE ALTAS TAXAS DE INFLAÇÃO.....................................................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 10 - Materiais Diretos...............................................................................................................................................................
- 10.1 O QUE INTEGRA O VALOR DOS MATERIAIS.....................................................................................................
- 10.3 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS MATERIAIS: PEPS (FIFO)...........................................................................
- 10.4 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS MATERIAIS: UEPS (LIFO)..........................................................................
- 10.5 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS MATERIAIS: COMBINAÇÕES E SUMÁRIO............................................
- 10.6 TRATAMENTO CONTÁBIL DAS PERDAS DE MATERIAIS...............................................................................
- 10.7 TRATAMENTO CONTÁBIL DOS SUBPRODUTOS E DAS SUCATAS..............................................................
- 10.8 IMPOSTOS NA AQUISIÇÃO DE MATERIAIS: O IPI............................................................................................
- 10.9 IMPOSTOS NA AQUISIÇÃO DE MATERIAIS: O ICMS.......................................................................................
- 1O.1O PROBLEMA DA ALTA TAXA DE INFLAÇÃO..................................................................................................
- RESUMO.............................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO...................................................................................................................................................
- 11 - Mão-de-obra direta............................................................................................................................................................
- 11.1 EXEMPLOS DE SEPARAÇÃO ENTRE MÃO-DE-OBRA DIRETA E INDIRETA...............................................
- 11.2 MÃO-DE-OBRA DIRETA: CUSTO FIXO OU VARIÁVEL?..................................................................................
- 11.3 O QUE INTEGRA O CUSTO DA MÃO-DE-OBRA DIRETA.................................................................................
- BRASILEIRO...................................................................................................................................................................... 11.4 COMPATIBILIZAÇÃO COM A CONTABILIDADE GERAL (OU FINANCEIRA): TIPICO PROBLEMA
- 11.5 PROBLEMA DA INFLAÇÃO ALTA E AS PROVISÕES......................................................................................
- 11.6 TEMPO NÃO PRODUTIVO DA MÃO-DE-OBRA DIRETA.................................................................................
- 11.7 ADICIONAL DE HORAS EXTRAS E OUTROS ADICIONAIS...........................................................................
- 11.8 OUTROS GASTOS DECORRENTES DA MÃO-DE-OBRA.................................................................................
- 11.9 APONTAMENTO DA MÃO-DE-OBRA DIRETA.................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 12 - Problemas Especiais da Produção por Ordem: Custeio de Ordens e de Encomendas....................................................
- 12.1 DISTINÇÃO ENTRE PRODUÇÃO POR ORDEM E PRODUÇÃO CONTÍNUA.................................................
- 12.2 DIFERENÇAS NO TRATAMENTO CONTÁBIL...................................................................................................
- 12.3 CONTABILIZAÇÃO NA PRODUÇÃO POR ORDEM - DANIFICAÇÕES..........................................................
- 12.4 ENCOMENDAS DE LONGO PRAZO DE EXECUÇÃO.......................................................................................
- 12.5 ALTA INFLAÇÃO....................................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 13 - Problemas Especiais da Produção Contínua: Custeio por Processo...............................................................................
- 13.1 EQUWALENTE DE PRODUÇÃO...........................................................................................................................
- 13.2 PEPS (FIFO) E CUSTO MÉDIO NA PRODUÇÃO CONTÍNUA...........................................................................
- 13.3 EQUIVALENTE DE PRODUÇÃO: CASO MAIS COMPLEXO............................................................................
- 13.4 VARIAÇÕES NAS QUANTIDADES DE PRODUÇÃO.........................................................................................
- 13.5 CONTABILIZAÇÃO E PROBLEMA DAS QUANTIDADES FÍSICAS................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 14 - Produção Conjunta e Problemas Fiscais na Avaliação de Estoques Industriais: Custos Conjuntos..............................
- 14.1 DISTINÇÃO ENTRE CO-PRODUTOS, SUBPRODUTOS E SUCATAS..............................................................
- 14.2 APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS CONJUNTOS AOS CO-PRODUTOS................................................................
- 14.3 PRINCIPAIS CRITÉRIOS DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS CONJUNTOS...................................................
- 14.4 PROBLEMAS FISCAIS COM RELAÇÃO À CONTABILIDADE DE CUSTOS..................................................
- 14.5 CONCEITO FISCAL DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO.........................................................................................
- 14.6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES..................................................................................................
- 14.7 COORDENAÇÃO E INTEGRAÇÃO ENTRE AS CONTABILIDADES GERAL E DE CUSTOS......................
- 14.8 VALOR ARBITRADO E PRINCÍPIOS CONTÁBEIS............................................................................................
- 14.9 UM ENORME PROBLEMA: A INFLAÇÃO..........................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- Parte III - Custos para decisão..............................................................................................................................................
- 15 - Custo Fixo, Lucro e Margem de Contribuição...........................................................................................................
- 15.1 PROBLEMA DA ALOCAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS FIXOS....................................................................
- 15.2 CONCEITO DE MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.................................................................................................
- 15.3 UMA FORMA ALTERNATIVA DE DEMONSTRAR O RESULTADO..............................................................
- 15.4 OUTRA APLICAÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO PARA FINS DECISORIAIS................................
- 15.5 MAIS UM EXEMPLO DO USO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO...............................................................
- 15.6 DECISÃO COM TAXAS DE INFLAÇÃO..............................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 16 - Margem de Contribuição e Limitações na Capacidade de Produção.............................................................................
- 16.1 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO ANTES DA EXISTÊNCIA DE LIMITAÇÕES...............................................
- 16.2 EXISTÊNCIA DAS LIMITAÇÕES NA CAPACIDADE PRODUTIVA................................................................
- 16.3 COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DO CRITÉRIO CORRETO.......................................................................
- 16.4 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO E FATOR DE LIMITAÇÃO.............................................................................
- 16.5 OUTRO EXEMPLO DE LIMITAÇÃO NA CAPACIDADE PRODUTWA...........................................................
- 16.6 EXISTÊNCIA DE DWERSOS FATORES LIMITANTES......................................................................................
- 16.7 TEORIA DAS RESTRIÇÕES...................................................................................................................................
- 16.8 ALOCAÇÃO DE CUSTO FIXO E DECISÃO.........................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 17 - Custeio Variável..............................................................................................................................................................
- 17.1 CUSTEIO VARIÁVEL.............................................................................................................................................
- 17.2 EXEMPLO DA DISTINÇÃO ENTRE CUSTEIO VARIÁVEL E POR ABSORÇÃO...........................................
- 17.3 RAZÕES DO NÃO-USO DO CUSTEIO VARIÁVEL NOS BALANÇOS.............................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 18 - Margem de Contribuição, Custos Fixos Identificados e Retorno sobre o Investimento................................................
- 18.1 MARGENS DE CONTRIBUIÇÃO E CUSTOS FIXOS IDENTIFICADOS...........................................................
- 18.2 VALORES QUE INTEGRAM O CÁLCULO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO...........................................
- 18.3 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO E TAXA DE RETORNO..................................................................................
- RETORNO......................................................................................................................................................................... 18.4 OUTRO EXEMPLO DA APLICAÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO AO CÁLCULO DA TAXA DE
- 18.5 DE NOVO A ALTA TAXA DE INFLAÇÃO...........................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 19 - Fixação do Preço de Venda e Decisão sobre Compra ou Produção...............................................................................
- 19.1 FIXAÇÃO DO PREÇO DE VENDA........................................................................................................................
- 19.1.1 Formação de preços com base em custos............................................................................................................
- 19.1.2 “RKW”....................................................................................................................................................................
- 19.1.3 Uso do ABC para fixar preço de venda..................................................................................................................
- 19.1.4 Uso dos conceitos do custeio variável na fixação do preço de venda.....................................................................
- 19.1.5 Target costing (Custeio Meta); o uso do ABC para se chegar ao target cost......................................................
- 19.2 COMPRAR OU PRODUZIR.................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 20 - Custos Imputados e Custos Perdidos.............................................................................................................................
- 20.1 CUSTO DE OPORTUNIDADE................................................................................................................................
- 20.2 EFEITO DA INFLAÇÃO NO CUSTO DE OPORTUNIDADE E NO RESULTADO...........................................
- 20.3 CONSEQÜÊNCIAS DO CUSTO DE OPORTUNIDADE E DA TAXA DE RETORNO......................................
- 20.4 CUSTOS PERDIDOS (SUNK COSTS)....................................................................................................................
- 20.5 CUSTOS IMPUTADOS............................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 21 - Alguns Problemas Especiais: Custos de Reposição e Mão-de- obra Direta como Custo Variável................................
- 21.1 CUSTOS DE REPOSIÇÃO.......................................................................................................................................
- 21.2 CUSTOS DE REPOSIÇÃO COM INFLAÇÃO........................................................................................................
- 21.3 CONCILIAÇÃO ENTRE CUSTOS PARA DECISÃO E PARA ESTOQUE..........................................................
- 21.4 UM PROBLEMA ESPECIAL: A MÃO-DE-OBRA DIRETA COMO CUSTO VARIÁVEL................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIOS PROPOSTOS.............................................................................................................................................
- 22 - Relação Custo/Volume/Lucro - Considerações Iniciais.................................................................................................
- 22.1 CUSTOS (E DESPESAS) FIXOS.............................................................................................................................
- 22.2 CUSTOS (E DESPESAS) VARIAVEIS...................................................................................................................
- 22.3 PONTO DE EQUILÍBRIO........................................................................................................................................
- 22.4 MARGEM DE SEGURANÇA E ALAVANCAGEM OPERACIONAL.................................................................
- 22.5 PONTOS DE EQUILÍBRIO CONTABIL, ECONÔMICO E FINANCEIRO..........................................................
- 22.6 PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO NA INFLAÇÃO...................................................................................
- 22.7 INFLUÊNCIA DAS ALTERAÇÕES DOS CUSTOS E DESPESAS FIXOS NO PONTO DE EQUILÍBRIO.......
- 22.8 INFLUÊNCIA DAS ALTERAÇÕES DOS CUSTOS E DESPESAS VARIÁVEIS................................................
- 22.9 INFLUÊNCIA DAS ALTERAÇÕES DOS PREÇOS DE VENDA.........................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 23 - Considerações Adicionais sobre Custo/Volume/Lucro..................................................................................................
- 23.1 ESTRUTURAS DIFERENCIADAS E RELAÇÕES CUSTO/VOLUME/ LUCRO................................................
- 23.2 PODER DE COMPETIÇÃO E ESTRUTURAS DIFERENCIADAS......................................................................
- 23.3 REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS DE ALTERAÇÕES NO PE..............................................................................
- 23.4 LIMITAÇÕES AO USO DO PONTO DE EQUILÍBRIO........................................................................................
- 23.5 PONTOS DE EQUILÍBMO POR PRODUTO..........................................................................................................
- 23.6 OUTRA REPRESENTAÇÃO GRÁFICA.................................................................................................................
- 23.7 UM PONTO DE EQUILÍBRIO ÀS AVESSAS........................................................................................................
- 23.8 TAXA DE INFLAÇÃO.............................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 24 - Custeio Baseado em Atividades - (ABC) — Abordagem Gerencial e Gestão Estratégica de Custos............................
- 24.1 SEGUNDA GERAÇÃO DO ABC............................................................................................................................
- 24.2 ABC E REENGENHARIA........................................................................................................................................
- 24.3 ABC E ANÁLISE DE VALOR.................................................................................................................................
- 24.4 ABC E GESTÃO BASEADA EM ATWIDADES....................................................................................................
- 24.5 DEFINIÇÃO DO ESCOPO DO PROJETO ABC.....................................................................................................
- 24.6 VOLTANDO AO CASO DO CAPÍTULO 8.............................................................................................................
- 24.6.1 Custeando produtos.............................................................................................................................................
- 24.6.2 Custeando processos...........................................................................................................................................
- 24.7 ABC E CUSTEIO VARIÁVEL.................................................................................................................................
- 24.8 OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ABC.......................................................................................................
- 24.9 GESTAO ESTRATEGICA DE CUSTOS.................................................................................................................
- 24.9.1 Limitações dos sistemas tradicionais de custeio.....................................................................................................
- 24.9.2 Princípios fundamentais da gestão estratégica de custos........................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- Parte IV - Custos para planejamento e controle...................................................................................................................
- 25 - Controle, Custos Controláveis e Custos Estimados.......................................................................................................
- 25.1 SIGNIFICADO DE “CONTROLE”..........................................................................................................................
- 25.2 ALGUNS PROBLEMAS COMPORTAMENTAIS DECORRENTES DE “CUSTOS PARA CONTROLE”........
- 25.3 CUSTOS POR PRODUTO VERSUS CUSTOS POR DEPARTAMENTO.............................................................
- 25.4 CUSTOS POR RESPONSABILIDADE; CUSTOS CONTROIÁVEIS...................................................................
- 25.5 BASES DE COMPARAÇÃO....................................................................................................................................
- 25.6 ESTIMATIVAS DE CUSTOS..................................................................................................................................
- 25.7 UNIDADE DE ESFORÇO DE PRODUÇÃO (UEP)................................................................................................
- 25.7.1 Um exemplo........................................................................................................................................................
- 25.8 INFLAÇÃO E PRAZOS............................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 26 - Custo-padrão...................................................................................................................................................................
- 26.1 CONCEITOS DE CUSTO-PADRÃO.......................................................................................................................
- 26.2 FINALIDADES E UTILIDADES DO CUSTO-PADRÃO......................................................................................
- 26.3 FIXAÇÃO DO PADRÃO..........................................................................................................................................
- 26.4 CUSTO-PADRÃO E ORÇAMENTO.......................................................................................................................
- 26.5 INFLUÊNCIA DAS VARIAÇÕES DE PREÇO.......................................................................................................
- 26.6 CONTABILIZAÇÃO DO CUSTO-PADRÃO..........................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 27 - Análise das Variações de Materiais e Mão-de-obra.......................................................................................................
- PADRÃO VERSUS REAL..........................................................................................................................................
- 27.2 VARIAÇÃO DE MATERIAIS DIRETOS................................................................................................................
- 27.3 VARIAÇÃO DE QUANTIDADE.............................................................................................................................
- 27.4 VARIAÇÃO DE PREÇO..........................................................................................................................................
- 27.5 VARIAÇÃO MISTA.................................................................................................................................................
- 27.6 EXEMPLOS ADICIONAIS DE VARIAÇÕES DE MATERIAIS DIRETOS.........................................................
- 27.7 VARIAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA DIRETA...........................................................................................................
- 27.8 ANÁLISE PROPRIAMENTE DITA DAS VARIAÇÕES DE MATERIAIS..........................................................
- 27.9 ANÁLISE DAS VARIAÇÕES DE MÃO-DE-OBRA DIRETA..............................................................................
- 28 - Análise das Variações de Custos Indiretos.....................................................................................................................
- 28.1 VARIAÇÃO TOTAL DE CIP...................................................................................................................................
- 28.2 VARIAÇÃO DE VOLUME DOS CIP......................................................................................................................
- 28.3 VARIAÇÃO DE CUSTO..........................................................................................................................................
- 28.4 INTRODUÇÃO DE OUTRA VARIAÇÃO: A DE EFICIÊNCIA............................................................................
- 28.5 COMPARAÇÃO ENTRE O USO DE DUAS E DE TRÊS VARIAÇÕES..............................................................
- 28.6 ANÁLISE DETALHADA DA VARIAÇÃO DE CUSTOS.....................................................................................
- 28.7 UMA FORMA ALTERNATIVA DE CÁLCULO DAS VARIAÇÕES DE CIP.....................................................
- 28.8 ANÁLISE DETALHADA DAS VARIAÇÕES DE EFICIÊNCIA E DE VOLUME...............................................
- 28.9 UM RESUMO GLOBAL DAS VARIAÇÕES..........................................................................................................
- 28.10 CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE AS VARIAÇÕES DE CIP.........................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- 29 - Contabilização do Custo-padrão — o Problema da Inflação..........................................................................................
- 29.1 UMA FORMA SIMPLIFICADA DE CONTABILIZAÇÃO À BASE DO PADRÃO............................................
- 29.2 TRATAMENTO CONTÁBIL DAS VARIAÇÕES..................................................................................................
- 29.3 UMA FORMA COMPLEXA DE CONTABILIZAÇÃO..........................................................................................
- 29.4 INFLAÇÃO E CUSTO-PADRÃO............................................................................................................................
- 29.5 USO DE OUTRA MOEDA.......................................................................................................................................
- 29.6 USO DE PADRÕES A VALORES CORRENTES PROJETADOS........................................................................
- 29.7 CONCEITO DE VALOR PRESENTE......................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIO PROPOSTO.................................................................................................................................................
- Parte V – Implantação de sistemas de custos.........................................................................................................................
- 30 - Implantação de Sistemas de Custos...............................................................................................................................
- 30.1 SISTEMAS DE CUSTOS - APRECIAÇÕES GERAIS............................................................................................
- 30.2 SISTEMAS DE CUSTOS - QUANTIFICAÇÕES FÍSICAS....................................................................................
- 30.3 REAÇÃO AO SISTEMA..........................................................................................................................................
- 30.4 CUSTO DO SISTEMA E SEU BENEFÍCIO............................................................................................................
- 30.5 ESCOLHA DO SISTEMA........................................................................................................................................
- 30.6 IMPLANTAÇÃO GRADAT1VA.............................................................................................................................
- 30.7 “IMPORTAÇÃO” DE SISTEMAS DE CUSTOS....................................................................................................
- 30.8 PROBLEMA DE INFLAÇÃO..................................................................................................................................
- RESUMO...........................................................................................................................................................................
- EXERCÍCIOS PROPOSTOS.............................................................................................................................................
- Bibliografia.............................................................................................................................................................................
Prefácio à Nona Edição
Uma das maiores novidades da presente edição está no processo de informatização, que vai permitir aos
estudantes, professores e profissionais em geral o acesso a determinadas informações pela Internet, tais como:
- acesso dado aos professores, para baixar slides e utilizá-los como apoio em suas aulas;
- acesso permitido aos estudantes, para obter respostas-chaves dos exercícios e conferir suas respostas no
site: .
No que se refere ao conteúdo do livro-texto, as principais melhorias introduzidas foram:
- introdução, ao final de cada capítulo, de exercício proposto;
- transferência, para o Capítulo 30, dos itens relativos à implantação de sistemas de custos, que antes
estavam no 2. Com a alteração, o Capítulo 2 passa a contemplar exclusivamente a terminologia contábil
básica;
- inclusão, no Capítulo 16, de um item sobre a Teoria das Restrições; no 19, um sobre a formação de
preços com base em custos, por meio do uso de markup; e no 25, outro sobre Unidades de Esforço de
Produção (UEP);
- adequação de vários exemplos de taxas de inflação e de custos e preços unitários à realidade brasileira,
embora mantendo os comentários específicos, uma vez que os conceitos continuam válidos para situações
e ambientes que apresentem taxas significativas de inflação;
- utilização de linguagem mais genérica, com termos e conceitos que permitam ao leitor perceber sua
aplicabilidade não apenas ao setor de manufatura mas também ao de serviços.
Quanto ao Livro de exercícios, foram introduzidos vários novos, contemplando atividades de prestação de
serviços; exercícios antigos foram remodelados, alguns, retirados. Houve também padronização da quantidade
de exercícios: quatro por capítulo. Nele também foram inseridas as respostas-chaves dos exercícios propostos
neste livro-texto.
O Manual do professor, além de trazer as respostas de todos os exercícios - os propostos no livro-texto e
no de exercícios, oferece, ainda, um problema extra por capítulo (com a solução), para ser utilizado a critério do
professor como exercício em sala, exercício para casa ou mesmo como prova.
0 Livro de exercícios e o Manual do professor estão saindo com o nome do Prof. Welington Rocha
como co-autor. Agradeço a ele, enormemente, por sua participação nesses livros e também pelas colaborações
na melhoria do livro-texto.
Em edições anteriores, tivemos também as colaborações de Éric Aversari Martins, Prof. Geraldo Barbieri,
Rodolfo Garcia Montosa e colegas da FEA/USP, bem como as sugestões de inúmeros professores e
profissionais que remeteram sugestões. A todos, o eterno agradecimento e a solicitação de que continuem com
suas idéias para a introdução de novas melhorias.
Ao Sr. Luiz Herrmann, presidente da Editora Atlas, o reconhecimento por seu ingente esforço em prol do
autor nacional e os agradecimentos pelo apoio.
Peço escusa ao público leitor pelo fato de, por razões fora de meu controle, haverem saído duas tiragens
sob número de edições (7á e W, inclusive sem prefácio deste autor), quando continham apenas pequenas
revisões da 6a edição.
O Autor
Parte I - Introdução à Contabilidade de Custos
1 - A contabilidade de custos, a contabilidade financeira e a contabilidade
gerencial
Sentimo-nos muitas vezes confundidos com as expressões Contabilidade Financeira, Contabilidade de
Custos e Contabilidade Gerencial. São sinônimas? Representam disciplinas distintas? São apenas enfoques
diferentes dados à Contabilidade?
Essas e outras dúvidas são comumente dirimidas por meio de uma ligeira análise histórica; esta, ao
explicar cronologicamente o aparecimento de cada expressão e a razão de seu uso, acaba por dar-nos uma visão
mais ampla dos conceitos em questão. Por isso, e para podermos também saber o porquê de muitos dos
princípios utilizados na Contabilidade de Custos, faremos um breve retrospecto histórico.
1.1 DA CONTABILIDADE FINANCEIRA À DE CUSTOS
Até a Revolução Industrial (século XVIII), quase só existia a Contabilidade Financeira (ou Geral), que,
desenvolvida na Era Mercantilista, estava bem estruturada para servir as empresas comerciais.
Para a apuração do resultado de cada período, bem como para o levantamento do balanço em seu final,
bastava o levantamento dos estoques em termos físicos, já que sua medida em valores monetários era
extremamente simples: o Contador verificava o montante pago por item estocado, e dessa maneira valorava as
mercadorias. Fazendo o cálculo basicamente por diferença, computando o quanto possuía de estoques iniciais,
adicionando as compras do período e comparando com o que ainda restava, apurava o valor de aquisição das
mercadorias vendidas, na clássica disposição:
Estoques Iniciais
(+) Compras
(-) Estoques Finais
(=) Custo das Mercadorias Vendidas
Confrontando esse montante com as receitas líquidas obtidas na venda desses bens, chegava-se ao lucro
bruto, do qual bastava deduzir as despesas necessárias à manutenção da entidade durante o período, à venda dos
bens e ao financiamento de suas atividades. Daí o aparecimento da também clássica Demonstração de
Resultados da empresa comercial:
Vendas Líquidas XXXXX
(-) Custo das Mercadorias Vendidas
Estoques Iniciais XXXXXX
(+) Compras XXXXXX
(-) Estoques Finais (XXXXXX ) (XXXXXX)
(=) Lucro Bruto XXXXXXX
(-) Despesas
Comerciais (Vendas) XXXXXX
Administrativas XXXXXX
Financeiras XXXXXX (XXXXXX)
Resultado Antes do Imposto de Renda XXXXXX
Os bens eram quase todos produzidos por pessoas ou grupos de pessoas que poucas vezes constituíam
entidades jurídicas. As empresas propriamente ditas viviam basicamente do comércio, e não da fabricação (fora,
é lógico, as financeiras). Dessa, forma, eram bastante fáceis o conhecimento e a verificação do valor de
compra dos bens existentes, bastando a simples consulta aos documentos de sua aquisição.
Com o advento das indústrias, tornou-se mais complexa a função do Contador que, para levantamento do
balanço e apuração do resultado, não dispunha agora tão facilmente dos dados para poder atribuir valor aos
estoques; seu valor de "Compras" na empresa comercial estava agora substituído por uma série de valores pagos
pelos fatores de produção utilizados.
Nada mais razoável, para solução desse problema, do que vermos o Contador tentando adaptar à empresa
industrial os mesmos critérios utilizados na comercial. Nesta, no balanço final, permaneciam como estoques no
Ativo apenas os valores sacrificados pela compra dos bens. Nenhum outro valor relativo a juros e outros
encargos financeiros, a honorários dos proprietários e administradores, a salários e comissões de vendedores etc.
era ativado. Todos estes gastos eram automaticamente apropriados como despesas do período,
independentemente da venda ou não de mercadorias.
Começou-se então a adaptação, dentro do mesmo raciocínio, com a formação dos critérios de avaliação
de estoques no caso industrial.
1.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS INDUSTRIAL
O valor do Estoque dos produtos existentes na empresa, fabricados por ela, deveria então corresponder ao
montante que seria o equivalente ao valor de "Compras" na empresa comercial. Portanto, passaram a compor o
custo do produto os valores dos fatores de produção utilizados para sua obtenção, deixando-se de atribuir
aqueles outros que na empresa comercial já eram considerados como despesas no período de sua incorrência:
despesas administrativas, de vendas e financeiras.
Esta forma de avaliação tem sido seguida ao longo dos anos em quase todos os países, continuando em
vigor com a mesma estrutura principalmente por duas razões:
Primeira: Com o desenvolvimento do Mercado de Capitais nos EUA e em alguns países europeus,
fazendo com que milhares de pessoas se tornassem acionistas de grandes empresas, interessadas agora na
análise de seus balanços e resultados, e também com o aumento da complexidade do sistema bancário e
distanciamento do banqueiro com relação à pessoa do proprietário ou administrador da companhia necessitada
do crédito, surgiu a figura da Auditoria Independente. E esta, no desempenho de seu papel, acabou por fumar e
às vezes criar princípios básicos de Contabilidade de tal modo que pudesse ter critérios relativamente
homogêneos para comparar as demonstrações contábeis de empresas diferentes (além de comparar os da mesma
empresa, feitos em datas diferentes). Ao deparar a Auditoria independente (ou Externa) com essa forma de
avaliação de estoques, em que o valor de compra é substituído pelo valor de fabricação, acabou por consagrá-la,
já que atendia a diversos outros princípios mais genéricos, tais como: Custo como Base de Valor,
Conservadorismo (ou Prudência), Realização etc. (estes aspectos estão mais detalhadamente tratados no
Capítulo 3).
Essa consagração por parte dos Auditores Externos foi a responsável, então, pela manutenção dos
princípios básicos da Contabilidade de Custos até hoje, no que diz respeito a sua finalidade de avaliação de
estoques.
Segunda: Com o advento do Imposto de Renda, provavelmente em função da influência dos próprios
princípios de Contabilidade já então disseminados, houve a adoção do mesmo critério fundamental para a
medida do lucro tributável; no cálculo do resultado de cada período, os estoques industrializados deviam ser
avaliados sob aquelas regras. Apesar de algumas pequenas alterações e opções, na grande maioria dos países o
Fisco tem adotado essa tradicional forma de mensuração (há exceções, como a Holanda, por exemplo).
1.3 DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A CONTABILIDADE GERENCIAL
A preocupação primeira dos Contadores, Auditores e Fiscais foi a de fazer da Contabilidade de Custos
uma forma de resolver seus problemas de mensuração monetária dos estoques e do resultado, não a de fazer dela
um instrumento de administração. Por essa não-utilização de todo o seu potencial no campo gerencial, deixou a
Contabilidade de Custos de ter uma evolução mais acentuada por um longo tempo.
Devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da distância entre administrador e
ativos e pessoas administradas, passou a Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de
Balanço era quase irrelevante (pela ausência de estoques), passou-se a explorar seu potencial para o controle e
até para as tomadas de decisões.
Mesmo nas empresas prestadoras de serviços que eventualmente faziam uso de Custos para avaliação dos
“Estoques de Serviços em Andamento”, ou seja, para a avaliação dos custos incorridos em projetos ainda não
acabados, seu campo alargou-se de maneira formidável.
É hoje relativamente comum encontrarmos Bancos, Financeiras, Lojas Comerciais, Escritórios de
Planejamento, de Auditoria, de Consultoria1 etc. utilizando-se de Contabilidade de Custos.
O fato de nós, neste livro, nos utilizarmos de seus princípios básicos para uso predominantemente
industrial não significa que olhemos Custos exclusivamente como válido para essa tarefa. Aliás, em inúmeros
pontos faremos referências a situações não industriais para tentarmos ilustrar melhor o verdadeiro campo dessa
disciplina.
O uso de certas metodologias, como o ABC, vem ajudando a propagar o uso de Custos nessas empresas
não industriais.
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RESUMO
A Contabilidade de Custos nasceu da Contabilidade Financeira, quando da necessidade de avaliar
estoques na indústria, tarefa essa que era fácil na empresa típica da era do mercantilismo. Seus princípios
derivam dessa finalidade primeira e, por isso, nem sempre conseguem atender completamente a suas outras duas
mais recentes e provavelmente mais importantes tarefas: controle e decisão. Esses novos campos deram nova
vida a essa área que, por sua vez, apesar de já ter criado técnicas e métodos específicos para tal missão, não
conseguiu ainda explorar todo o seu potencial; não conseguiu, talvez, sequer mostrar a seus profissionais e
usuários que possui três facetas distintas que precisam ser trabalhadas diferentemente, apesar de não serem
incompatíveis entre si.
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EXERCÍCIO PROPOSTO
Assinalar Falso (F) ou Verdadeiro (V):
( ) A Contabilidade de Custos é mais ampla do que a Contabilidade Gerencial.
( ) O conhecimento do custo é vital para se saber, dado o preço, se um produto é lucrativo ou não, e
quanto.
( ) A Controladoria e a Tecnologia de Informação vêm criando sistemas de informação que permitem um
melhor e mais ágil gerenciamento de custos.
( ) O papel da Contabilidade de Custos, no que tange a decisões, é fazer a alimentação do sistema sobre
valores relevantes apenas no curto prazo.
( ) O papel da Contabilidade de Custos, no que tange a decisões, é fazer a alimentação do sistema sobre
valores relevantes tanto no curto quanto no longo prazo.
2 - Terminologia contábil básica
Desde que duas pessoas resolvam comunicar-se, é absolutamente necessário que passem a dar aos
objetos, conceitos e idéias o mesmo nome, sob pena de, no mínimo, reduzir-se o nível de entendimento. O que
comumente se denomina de “mero problema de terminologia” talvez fosse mais bem tratado como “magno
problema de terminologia”.
Infelizmente, encontramos em todas as áreas, principalmente nas sociais (e econômicas, em particular),
uma profusão de nomes para um único conceito e também conceitos diferentes para uma única palavra.
Sem que tenhamos nenhuma pretensão de resolver o impasse ou de conseguir generalizar a terminologia
de Custos, adotaremos a nomenclatura e a conceituação a seguir explanadas, principalmente por sua maior
correção do ponto de vista técnico (mesmo que às vezes não sejam as mais usuais nas circunstâncias).
2.1 TERMINOLOGIA EM CUSTOS INDUSTRIAIS
“Despesas com Matéria-prima” ou “Custos de Matéria-prima”?
“Gastos” ou “Despesas de Fabricação”?
“Gastos” ou “Custos de Materiais Diretos”?
“Despesas” ou “Gastos com Imobilização”?
“Custos” ou “Despesas de Depreciação”?
Gastos, Custos e Despesas são três palavras sinônimas ou dizem respeito a conceitos diferentes?
Confundem-se com Desembolso? E Investimento tem alguma similaridade com elas? Perda se confunde com
algum desses grupos?
No meio desse emaranhado todo de nomes e idéias, normalmente o principiante se vê perdido, e às vezes
o experiente, embaraçado; por isso, passamos a utilizar a seguinte nomenclatura:
a) Gasto — Compra de um produto ou serviço qualquer, que gera sacrifício financeiro para a entidade
(desembolso), sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente
dinheiro).
Conceito extremamente amplo e que se aplica a todos os bens e serviços adquiridos; assim, temos Gastos
com a compra de matérias-primas, Gastos com mão-de-obra, tanto na produção como na distribuição, Gastos
com honorários da diretoria, Gastos na compra de um imobilizado etc. Só existe gasto no ato da passagem para
a propriedade da empresa do bem ou serviço, ou seja, no momento em que existe o reconhecimento contábil da
dívida assumida ou da redução do ativo dado em pagamento.
Não estão aqui incluídos todos os sacrifícios com que a entidade acaba por arcar, já que não são incluídos
o custo de oportunidade ou os juros sobre o capital próprio, uma vez que estes não implicam a entrega de ativos.
Note que o gasto implica desembolso, mas são conceitos distintos.
b) Desembolso — Pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço.
Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada, portanto defasada Ou não do
momento do gasto.
c) Investimento — Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuro(s)
período(s).
Todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são “estocados” nos Ativos
da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua
desvalorização são especificamente chamados de investimentos.
Podem ser de diversas naturezas e de períodos de ativação variados: a matéria-prima é um gasto
contabilizado temporariamente como investimento circulante; a máquina é um gasto que se transforma num
investimento permanente; as ações adquiridas de outras empresas são gastos classificados como investimentos
circulantes ou permanentes, dependendo da intenção que levou a sociedade à aquisição.
d) Custo — Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.
O Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização
dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço.
Exemplos: a matéria-prima foi um gasto em sua aquisição que imediatamente se tornou investimento, e assim
ficou durante o tempo de sua Estocagem; no momento de sua utilização na fabricação de um bem, surge o Custo
da matéria-prima como parte integrante do bem elaborado. Este, por sua vez, é de novo um investimento, já que
fica ativado até sua venda.
A energia elétrica é um gasto, no ato da aquisição, que passa imediatamente para custo (por sua
utilização) sem transitar pela fase de investimento. A máquina provocou um gasto em sua entrada, tornado
investimento (ativo) e parceladamente transformado em custo, via Depreciação, à medida que é utilizada no
processo de produção de utilidades.
e) Despesa — Bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas.
A comissão do vendedor, por exemplo, é um gasto que se torna imediatamente uma despesa.
O equipamento usado na fábrica, que fora gasto transformado em investimento e posteriormente considerado
parcialmente como custo, torna-se, na venda do produto feito, uma despesa. O microcomputador da secretária
Assim, há nessas situações certa sofisticação e refinamento na separação das diversas fases.A palavra
custo também significa o preço original de aquisição de qualquer bem ou serviço, inclusive leigamente; daí se
falar em “custo de uma obra”, “custo de um automóvel adquirido”, “custo de uma consulta” etc.
Contudo, quando se fala em “Contabilidade de Custos”, estamos nos referindo apenas aos bens ou
serviços utilizados na produção de outros bens e serviços.
2.3 A TERMINOLOGIA NESTE LIVRO
Faremos uso aqui dos conceitos vistos anteriormente no item 2.1; só usaremos a palavra Custo para o
gasto relativo a consumo na produção. Gastos que se destinam às fases de administração, esforço de vendas e
financiamento serão chamados de Despesas.
Como já foi dito, faremos menção a exemplos de empresas não industriais, ou a situações em que a
atenção recaia sobre valores que não custos; e isso é devido ao fato de termos em mente a necessidade de
mostrar a ampla possibilidade de uso das técnicas desenvolvidas pela Contabilidade de Custos. Mas
utilizaremos separadamente as palavras Custo e Despesa com seus significados próprios já descritos.
Em alguns momentos, como exigência do tema a ser abordado, poderão ser usadas terminologias
diferentes das apontadas anteriormente. Entretanto, quando da ocorrência de tal fato, o leitor será devidamente
alertado para tais mudanças.
RESUMO
Custo e Despesa não são sinônimos; têm sentido próprio, assim como Investimento, Gasto e Perda. A
utilização de uma terminologia homogênea simplifica o entendimento e a comunicação. Neste livro, Custo só se
refere a sacrifício na produção, salvo quando expressamente alertada a modificação da terminologia utilizada.
Logo, temos Custos de Produção e Despesas de Administração, de Vendas e Financeiras.
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EXERCÍCIO PROPOSTO
Classifique os eventos descritos a seguir em Investimento (1), Custo (C), Despesa (D) ou Perda (P):
( ) Compra de matéria-prima
( ) Consumo de energia elétrica
( ) Utilização de mão-de-obra
( ) Consumo de combustível
( ) Gastos com pessoal do faturamento (salário)
( ) Aquisição de máquinas
( ) Depreciação das máquinas
( ) Remuneração do pessoal da contabilidade geral (salário)
( ) Pagamento de honorários da administração
( ) Depreciação do prédio da empresa
( ) Utilização de matéria-prima (transformação)
( ) Aquisição de embalagens
( ) Deterioração do estoque de matéria-prima por enchente
( ) Remuneração do tempo do pessoal em greve
( ) Geração de sucata no processo produtivo
( ) Estrago acidental e imprevisível de lote de material
( ) Gastos com desenvolvimento de novos produtos e processos
( ) Imposto de circulação de mercadorias e serviços (ICMS)
( ) Comissões proporcionais às vendas
( ) Reconhecimento de duplicata como não recebível
Parte II - Princípios para Avaliação de Estoques
3- Princípios contábeis aplicados a custos
Já foi vista no início do Capítulo 1 a origem histórica da Contabilidade de Custos e também sua aderência
aos princípios de contabilidade geralmente aceitos em razão de sua vinculação com a Contabilidade Financeira.
Verificaremos aqui com um pouco mais de detalhes como alguns dos princípios contábeis são aplicados à
Contabilidade de Custos.
3.1 ALGUNS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS À CONTABILIDADE DE CUSTOS 3.1.1 Princípio da realização da receita
Determina este princípio o reconhecimento contábil do resultado (lucro ou prejuízo) apenas quando da
realização da receita. E ocorre a realização da receita, em regra, quando da transferência do bem ou do serviço
para terceiros.
Portanto, normalmente as indústrias só reconhecem o resultado obtido em sua atividade quando da
realização da receita, ou seja, no momento em que há a transferência do bem elaborado para o adquirente. Com
isso, a Contabilidade de Custos, quando aplicada no contexto da Contabilidade Financeira, também não pode
apurar resultado antes desse instante e, no máximo, pode servir como ferramenta para previsão de rédito. Do
ponto de vista econômico, o lucro já surge durante a elaboração do produto, pois há agregação de valores nessa
fase, inclusive do próprio resultado, mesmo que ainda numa forma potencial, sem se concretizar em dinheiro,
direitos a recebimento futuro ou outros ativos.
Este princípio é o responsável por uma das grandes diferenças entre os conceitos de lucro na Economia e
na Contabilidade.
Contabilmente, já que a receita só será reconhecida futuramente, os valores agregados de gastos, relativos
a fatores utilizados no processo de produção, vão sendo acumulados na forma de estoques. Só serão
considerados como despesas também futuramente.
Apesar da existência de várias exceções, apenas uma delas será vista mais adiante com relação a esse
princípio. Trata-se do caso de construção, produção de bens e serviços, projetos realizados sob encomenda etc.
que demandam longo prazo e que, excepcionalmente, têm sua receita reconhecida antes da entrega para
terceiros; conseqüentemente, também seus custos serão transformados em despesas antes desse momento.
No caso de serviços, existem dois tipos básicos de transferências: numa só vez, ao final de sua execução,
ou paulatinamente. Como exemplo do primeiro caso, temos a execução de plantas de residências, e como
exemplo do segundo temos a assessoria contínua. Quando do caso de serviço executado e entregue numa única
vez, os princípios são exatamente os mesmos que para o caso de bens: os custos relativos ao trabalho são
estocados para reconhecimento como despesas tão-somente por ocasião do reconhecimento das receitas. E na
hipótese de transferência contínua de serviços praticamente não há estocagem dos custos, já que estes passam
imediatamente à condição de despesas.
Esse é o caso, por exemplo, de serviços prestados por instituições financeiras, empresas de
telecomunicações, de auditoria, assessoria, consultoria etc.
(Diversos estudos importantes dos princípios não serão abordados neste livro, já que só nos interessam os
aspectos de maior relevância com relação a Custos, e não à Teoria da Contabilidade em geral.)