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CONTOS QUE CONTAM SE, Notas de estudo de Pedagogia

CONTOS SERGIPANOS DE AUTORA SERGIPANA QUE PODE TRABALHAR A CULTURA LOCAL NO CONTEXTO ALFABETIZAÇÃO

Tipologia: Notas de estudo

2025

Compartilhado em 31/12/2025

misleide-batista
misleide-batista 🇧🇷

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CONTOS DE QUEM

CONTA

EDILMA SILVA SANTOS

PREFÁCIO

“Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas e mui- tas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser lei- tor é ter um caminho absolutamente in- ¿QLWR GH GHVFREHUWDV H FRPSUHHQVmR GR- mundo”. Fanny Abramovich (1991, p. 16)

As palavras da consagrada escritora de literatura infan- tojuvenil, Fanny Abramovich, carregam a base na qual este livro, cheio de magias e encantos, sustenta-se ao levar o leitor a uma viagem no mundo do imaginário. É que ler ou ouvir histórias fantásticas em contos e recontos aciona funções inenarráveis da mente humana, que são incrivelmente impulsionadoras do ima- ginário. Digo isso por experiência própria: meu avô contava-me lindas e, às vezes, assustadoras histórias que faziam minha men- te construir cenários e personagens, como se eu estivesse dentro de cada conto, vendo tudo de pertinho. Ah, como é incrível essa capacidade nossa! São exatamente essas descobertas, num passeio à imagi- nação, que a autora Edilma Silva Santos propõe nessa obra “Con- tos de Quem conta”. Em cada conto há aprendizados, os quais têm seus fundamentos em vivências e experiências literárias da própria autora que, criativamente, oferece ao leitor não apenas simples histórias, mas lições de vida em cada um de seus con- WRV $¿QDO D IRUPDomR GR OHLWRU p XP GRV SULQFLSDLV SDSHLV GD

Autores(as) da inclusão abraça as criações de estudantes com de- ϐ‹ ‹² ‹ƒ‘Ÿ„‹–‘†ƒ‡†— ƒ ‘’‹ ƒ†‘‘••‘•–ƒ†‘Ǥ

Espera-se que, a cada ano letivo, um novo empreendimento ‡†‹–‘”‹ƒŽ •‡Œƒ †‹˜—މƒ†‘ǡ  ƒ ϐ‹ †‡ “—‡ ƒ• ‘—‹†ƒ†‡• ‡• ‘Žƒ”‡• possam desenvolver uma cultura escolar do hábito da leitura e da produção da escrita.

Josué Modesto dos Passos Subrinho Secretário de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura

Escrever é um prazer inenarrável. É com grande alegria que dedico este livro a to- dos que fazem parte do meu dia a dia, es- pecialmente aos meus alunos!

OLWHUDWXUDLQIDQWRMXYHQLOHQmRVHFRQ¿JXUDDSHQDVQRkPELWRGD FRPSHWrQFLDOHLWRUDPDVWDPEpPQRkPELWRGDVFRPSHWrQFLDV socioemocionais, porque é através da ludicidade, presente nesse gênero literário, que educadores e pais ensinam atitudes impor- WDQWHVSDUDYLGDDVHXVDOXQRVH¿OKRV Em cada conto há um sentimento que impulsiona o leitor a fazer descobertas sobre si e compreender o mundo que o cerca, pois, as histórias apresentam lições de amor, solidariedade, fra- ternidade, acolhimento, dedicação, coragem e muitos outros sen- timentos que ensinam crianças, jovens e adultos a ter um olhar mais leve e positivo acerca das relações humanas e, consequente- mente, da vida.  6XDIRUWHUHODomRFRPDOLWHUDWXUDGHVGHVXDLQIkQFLDSRU meio de seu pai - poeta areia-branquense que colaborou para a FXOWXUDORFDODVVLPFRPRVXDSUiWLFDSUR¿VVLRQDOFRPRSHGD- goga e arteeducadora nas redes estadual e municipal de ensino, contribuíram para que Edilma Silva Santos se tornasse atual- mente uma representação consistente da literatura infanto-ju- venil de nosso estado, apesar de inserir-se na área da produção literária há cerca de um ano. A mais nova escritora e contadora de histórias carrega na bagagem novas propostas e ideias que auxiliarão para seu per- curso como escritora daqui para frente. Certamente, seremos presenteados com novas viagens ao mundo do imaginário que nos levarão a novas descobertas e compreensão do mundo. Solange Melo Vilas-Boas Oliveira Professora e Revisora Textual

CABELO DE MENINA PRETA

Laurinha, uma menininha de quatro aninhos, nasceu na ci- dade de Palmares, de pele preta e cabelos crespos. Sua mãe cos- tumava fazer-lhe tranças, para que esses não virassem uma moi- ta em cima de sua cabeça.

— Ai, mãe! — gritava Laurinha, enquanto sua mãe, com muita paciência, penteava-lhe e falava-lhe com jeitinho:

²6HHXQmRWUDQoDUGLUHLWRRVHXFDEHORYDL¿FDUWRGRHPD- UDQKDGR¿OKD

— Preciso amarrar essas pontas para não soltarem depois.

O cabelo de Laurinha, além de grande, era cheio; por isso, todas as vezes que a mãe lhe penteava, era aquele sofrimento.

Fazer tranças era um costume há muitas gerações de sua fa- mília, e a mãe da menina sabia trançar como ninguém. Aprende- ra com sua mãe, que aprendera com sua avó, que aprendera com sua bisa que dava seguimento à sua ascendência palmarina.

As tranças eram de todos os jeitos: raiz, rasteira, nagô, agar- radinha, de carreirinha, enroladas em laços, em turbantes... E Laurinha sempre estava bem penteada. Mas o que ela queria mesmo era ver seus cabelos soltos.

Certa vez, assistindo televisão, Laurinha viu um comercial de creme capilar para deixar os cabelos crespos mais soltinhos e balanceáveis.

— Compra, mãe! Tenha pena de mim! — dizia Laurinha, im- plorando para a mãe comprar o produto.

Sua mãe era solteira, e o que ganhava trançando cabelos de algumas clientes era a conta para o sustento da menina. Respon- dia que o creme era muito caro e que não dispunha de reservas SDUDFRPSUiOR/DXULQKDHQWHQGLDPDV¿FDYDVRQKDQGRHPXP dia livrar-se dos puxões.

Até que um dia, chegou à sua casa uma tia que morava em São Paulo: Tia Jandira, irmã da sua mãe. O cabelo dela também era lon- go e crespo, mas estava bem soltinho, parecia dançar com o vento.

/DXULQKD¿FRXGHVOXPEUDGDFRPVXDWLDSDXOLVWDSRLVDLQGD era bebezinha quando ela aparecera em sua casa da última vez.

Mais tarde, sentou-se no colo da tia e passou os dedinhos pelos seus cabelos soltos. Sentindo uma leveza em sua mãozinha, co- meçou a desenrolar os cachos da tia. Depois de algum tempo, a PHQLQDFULRXFRUDJHPHSHGLXSDUDTXH¿]HVVHXPMHLWRGHGHL[DU o seu cabelo igualzinho ao dela: — Eu não aguento mais mamãe puxando! — disse ela, olhan- do para a tia com olhinhos chorosos. Tia Jandira, comovida, olhando para sua irmã, falou que no dia seguinte iriam as três para uma loja de cosméticos, pois ela fazia questão de comprar o creme para relaxar os cabelos da so- brinha. $PmHGH/DXULQKDDLQGD¿FRXPHLRUHFHRVDSRUpPIRLFRQ- vencida por Tia Jandira que lhe disse: — Não mudará em nada nossa identidade, minha irmã! Até SDUDWUDQoDUYDL¿FDUPHOKRUHQRVVDSHTXHQDQmRVRIUHUiWDQWR No dia seguinte, Laurinha foi a primeira a levantar-se. De- pois do banho, sua mãe vestiu-lhe com um shortinho e camiseta, e deu-lhe uma sapatilha para calçar. Não foi preciso trançar os FDEHORVSRUTXHVXDVWUDQoDVDLQGDHVWDYDP¿UPHVHDUUXPDGL- nhas na cabeça. As três entraram na loja. Uma vendedora as atendeu. Lau- rinha apressou-se a explicar sobre o creme que elas procuravam. — Aquele da televisão! — falou ela. A vendedora sorriu, vendeu-lhe o produto e ainda indicou

Todas as noites, a mamãe de Joana costumava cobrir-lhe com um lençol azul. Como o lençol já estava velhinho, resolveu colocá-lo também em uma das caixas de doações. No dia seguinte, logo cedo, os pais de Joana entregaram as caixas com doações para as famílias abrigadas na Praça. Uma das FDL[DV IRL HQWUHJXH D XPD PXOKHU TXH WLQKD XPD ¿OKD PDLV RX menos da idade de Joana. Joana tinha ido com eles e na volta, quando o carro rodeou a Praça, a menina resolveu olhar pela janela e viu uma mulher HQURODQGRD¿OKLQKDQRVHXOHQoROD]XO À noite, a família de Joana comemorou o Natal com muita comida e presentes. Depois, mamãe e papai deram um beijo de boa noite na menina e foram deitar. Mas Joana não conseguia dormir. Sentindo falta do seu querido lençol, rolava-se para um lado e para o outro. Então, a menina teve uma ideia. Puxou um dos lençóis de sua cama, enrolou nele um bocado de brinquedos, arrastou-os até a porta, abriu e foi em direção à Praça das Flores. 0DPmHHVFXWRXXPEDUXOKRHFKDPRXSDSDLSDUDYHUL¿FDU se tinha ladrão dentro de casa. Papai viu a porta entreaberta e um brinquedo de Joana no chão. Mamãe percebeu que a menina não estava em sua cama. $ÀLWRVRVGRLVFRUUHUDPSDUDIRUDGHFDVDHYLUDPXPUDVWUR de brinquedos da menina pelo caminho. Quando chegaram à Praça das Flores, encontraram todos dormindo. A mulher de um lado e as duas meninas enroladas no lençol azul.

O BALANÇO

Vovô Laudelino pegou uma corda no seu celeiro e um pe- daço de tábua tirada de um pé de sucupira. Amarrou a tábua na corda e esta no galho do cajueiro. Pronto! Fez um balanço para o seu netinho no quintal da casa. — Mais alto, papai! — gritava Saulinho feliz, ao ser empurra- do por seu pai, enquanto seu avô observava-os pela janela. Saulinho tinha apenas quatro aninhos, mas já gostava de aventuras e de novas descobertas. Pediu que o balançasse com força porque queria avistar do alto o telhado do celeiro. Em cima do telhado, estava uma bola colorida que vovô,

brincando com ele certo dia, chutou lá para cima. Como a escada HVWDYDTXHEUDGDDEROD¿FRXHVTXHFLGD E lá estava o menino sendo empurrado por seu pai, quando de repente, o inesperado aconteceu: Saulinho voou... O pai entusiasmado não tinha calculado sua força ao em- purrar o menino que, se não fosse um monte de feno logo mais adiante para amortecer a queda, teria acontecido um acidente grave. Saulinho não pareceu se importar, pois logo que desceu do feno, foi logo gritando: — Vamos de novo, papai! Depois, olhando para o avô falou: — Viu, vovô, como o seu balanço é mágico e me faz voar?

BANHO DE GATO

Por Ailtinho ser um garotinho da cidade, estava acostumado brincar somente no playground do seu prédio. Assim, não tinha costume de estar com animais, nem mesmo cachorros e gatos que são mais comuns, porque esses eram proibidos no condomí- nio onde morava. Aos seis anos de idade, costumava ir ao interior visitar seu primo Iohan. Em uma dessas visitas, a gata da vizinha pariu qua- WURJDWLQKRVHHOH¿FRXHQFDQWDGRFRPRV¿OKRWHV3DUDHOHDTXH- les bichinhos eram a oitava maravilha no mundo. Queria criá-los,

bim, murchinho, no chão e com uma de suas asinhas quebrada. Curumim nunca tinha visto um menino daquela cor, então DFUHGLWRXTXHVHWUDWDYDGHDOJXPGRV¿OKRVGRKRPHPEUDQFR Destemido, ele tocou na asinha quebrada, fechou os olhos como fazia o seu pajé, sentiu a dor do Querubim e depois saiu corren- do, mas logo voltando com um pedaço de mato. Era uma planta especial usada para curar as feridas dos guerreiros, quando vol- tavam machucados das batalhas. Curumim foi em busca de um lugar seguro e encontrou uma árvore gigante com um grande oco nela. Com muita valentia, co- locou Querubim nas suas costas e levou-o até o oco da árvore. Depois, apanhou algumas frutas e ensinou ao seu novo amigo a comê-las. Anoiteceu. Jaci brilhava no céu. Curumim fez uma cortina de folhas para esconder o oco da árvore e proteger Querubim de algum animal feroz. Após isso, voltou para a sua aldeia e não disse nada a ninguém. No dia seguinte, quando Guaraci já raiava na serra, Curu- mim saiu correndo em direção àquela árvore. Lá, encontrou Que- rubim já curado. Sem falar uma palavra sequer, os novos amigos saíram correndo pela mata, tomaram banho de rio, comeram frutas, caçaram teiú, correram atrás das capivaras, descansaram na relva, voltaram a correr... E entardeceu. Chegara a hora de Querubim voltar para sua casa. Ambos se olharam e depois se abraçaram. Os dois, calados, sentiram seus corações pulsando. Querubim voou para o alto. Os olhinhos dos amigos come- çaram a encher de lágrimas. Olhando para baixo, Querubim dei-

xava cair sobre o leito do rio as gotas de suas lágrimas, que se transformavam em pedrinhas bem brilhantes: diamantes.  &XUXPLP¿FRXROKDQGRSDUDFLPDDWp4XHUXELPGHVDSD- recer por entre as nuvens. O pequeno índio amarrou uma pe- GULQKDHPXPD¿WDGHFLSyHIH]XPEHORFRODU$JRUDWLQKDXP amigo e um segredo. Ninguém viu o que aconteceu. Nem as mulheres, nem os guerreiros, nem outras crianças, nem o curandeiro. Mas uma coisa alguém viu. Esse alguém, infelizmente, foi o homem branco, que viu as pedrinhas no fundo do rio.

CAPRICHOSA

Miriam não gosta de acordar cedo. Miriam não gostava de ir à escola. Miriam não gostava de tomar banho. Miriam não gostava de comer verduras. Miriam não gosta de pentear os cabelos. Miriam tem oito anos, estuda pela manhã e todos os dias é uma novela para se acordar, se arrumar, tomar café e sair. A mãe já não sabe mais o que fazer. Ajeita daqui, ajeita dali e, às vezes, SHQVDHPDWpOKHGDUXPDVSDOPDGDVPDV¿FDFRPPHGRGHVH arrepender. Um dia, para não ir à escola, Miriam inventou que estava do- ente de dor de cabeça. A mãe deu-lhe um analgésico e ela passou

a manhã inteirinha só deitada na cama, assistindo televisão. Justamente naquele dia, teve festa de aniversário da Patrícia, a sua melhor amiguinha da classe. Bartira, uma de suas colegui- nhas, que morava perto de Miriam, levou-lhe, após a aula, um pedaço de bolo da festa. Miriam começou a chorar na sua frente porque perdeu a fes- ta. Bartira voltou em direção à sua casa pensando: — Êta, menina caprichosa!

nhos. Depois, toma banho de chuveiro e veste seu uniforme esco- lar todo engomadinho. Ana põe os pés no chão, vai ao banheiro, lava o rostinho, pega a escova em cima da pia e começa a escovar os seus den- tinhos. Depois, toma banho, tirando a água de um balde e veste seu uniforme escolar já surradinho, mas passado a ferro. Clara senta-se à mesa para tomar o seu café com leite, pão e mamão. Mamãe pergunta se ela quer suco de laranja e um peda- ço de bolo. Ela responde que não. Ana senta-se à mesa e pergunta o que tem para comer. A mamãe diz que não tem nada e que, nesse dia, ela só vai comer na escola. Clara pega sua mochila, contendo caderno de capa dura, es- tojo com canetas coloridas, lápis de cor, borracha, cola, régua e tesourinha sem ponta. Depois, espera seu transporte escolar. Ana pega seu caderno pequeno de espiral, que a irmã usou o ano passado, mas que sobraram algumas folhas, e pega também XPSHGDoRGHOiSLVJUD¿WH O transporte de Clara chega. Mamãe entrega-lhe uma lan- cheira, faz-lhe um carinho, dá-lhe um beijinho e pede para ela tomar cuidado na escola. Mamãe dá um beijinho em Ana, faz-lhe também um carinho e diz para ela se comportar e estudar direitinho. Ana começa a andar até a escola. $HVFRODGH&ODUDpSDUWLFXODU¿FDDPGHVXDUHVLGrQFLD $HVFRODGH$QDpS~EOLFD¿FDDPGHVXDUHVLGrQFLD Clara tem aula de Língua Portuguesa. Sua professora ensi-

na-lhe substantivo, apresentando alguns recursos didáticos so- ¿VWLFDGRV Ana tem aula de Língua Portuguesa. Sua professora ensina- -lhe substantivo, escrevendo com giz branco no quadro verde. Chega a hora do recreio. Clara vai até o pátio da escola e abre sua lancheira. Dentro dela, tem um vasinho de suco, um sanduiche, uma maçã e uma banana. $QDYDLDWpD¿ODGDPHUHQGD$PHUHQGHLUDGiOKHXPSUDWR de macarronada com carne moída. Clara só toma um pouco do suco, come somente a banana e morde o sanduiche pela metade. $QDFRPHDPDFDUURQDGDWRGDHYROWDj¿ODSDUDUHSHWLUPDLV um pouco. Clara brinca feliz no recreio com suas coleguinhas. Ana brinca feliz no recreio com suas coleguinhas. O recreio acaba e Clara volta à sala para aprender Matemá- tica com o material dourado. Ana também volta à sala e começa a escrever o assunto de Matemática que a professora escreve no quadro. A aula de Clara termina e ela volta para casa no seu trans- porte particular. A aula de Ana termina e ela faz seu caminho de volta a pé. Clara chega em casa e sua mãe a recebe com um carinhoso abraço. Depois, pergunta-lhe o que aprendeu na escola hoje. A menina responde. Ana também chega em casa e sua mãe a recebe com um ca-

rinhoso abraço. Depois, pergunta-lhe o que ela comeu na escola hoje. A menina responde. Clara almoça, descansa um pouco e depois vai ver televisão. Como não tem almoço, Ana vai dormir um pouco e, mais tarde, também vai ver televisão. À noite, antes de dormir, a mamãe de Clara faz uma oração: ²2EULJDGR6HQKRUSRUTXHWHQKRXPDYLGDIHOL]HXPD¿- lha amável e saudável! A mamãe de Ana também faz uma oração: ²2EULJDGD6HQKRUSRUTXHPHGHVWHDYLGDXPD¿OKDDPi- vel e na escola dela teve merenda hoje!

MEMÓRIA CHEIA

Matilde tem sete aninhos, mora com seus pais e sua avó ma- terna no centro de uma cidade do interior do Nordeste. A vovó vive sentada numa cadeira de balanço. Matilde gosta de balançar a cadeira, enquanto conversa com sua avozinha, que já não lembra mais das coisas. Ela também percebe que sempre responde as mesmas perguntas que a avó faz. Matilde pergunta para a mamãe por que a avó não se lembra mais das coisas e mamãe lhe responde, dizendo que é porque sua memória está acabando. O papai de Matilde é contador e faz serviços prestados em casa. Matilde ouviu papai dizer que a memória do seu notebook está cheia e que precisa comprar uma nova ou um HD externo o mais depressa possível. Matilde pergunta a papai para que serve uma memória nova

chinho indefeso? Se deixassem-no ali, as outras crianças, na cor- reria, poderiam acabar pisando nele sem querer. — Não podemos deixá-lo aqui! — falou Helena! — De fato, alguém pode machucá-lo! — concordou Suzana. — Como vamos devolver o passarinho ao seu ninho? — per- guntou Valquíria. — E se a gente arrastar um birô até aqui, colocar uma cadei- ra em cima e subir para alcançar a polpa da árvore onde está o ninho? — questionou Suzana. — Vai virar tumulto, isso sim! Além de tomarmos um belo castigo! — concluiu Valquíria. Olhando para cima, Helena percebeu que o galho onde es- tava o ninho não era tão alto assim. Então, acenou para Bianca, uma menina grande e forte, que ninguém costumava brincar com ela porque achavam-na esquisita. Bianca chegou sorridente, pois ninguém nunca lhe dera atenção no recreio, se inteirou do caso e depois falou: — Já sei como ajudar vocês! Vamos chamar a Sabrina para VXELUHPPHXVRPEURV6HHODFRQVHJXLU¿FDUHPSpYDLDOFDQ- oDURQLQKR&RPRHODp¿OKDGHFLUFHQVHVVDEHHTXLOLEUDUVHHP cima das coisas. Quando Sabrina chegou, concordou em subir. Disse que costumava fazer isso no circo e que era moleza para ela. Com MHLWLQKRVXELXQRVRPEURVGH%LDQFD¿FRXHPSpSRUXQVVHJXQ- dos, abrindo os braços para equilibrar-se. Depois, se abaixou um pouco, enquanto Helena colocava o passarinho em sua mãozinha com cuidado.

As outras crianças estavam tão entretidas no recreio que não perceberam a proeza das meninas alcançando o ninho e deixan- do o passarinho dentro dele. Agradecidas, Suzana, Helena e Val- TXtULDGHUDPXPDEUDoRHP%LDQFDHHP6DEULQD(ODV¿FDUDP ao pé da árvore, conversando e fazendo promessas de amizade para toda a vida. Depois, ouviram o sinal tocando. O recreio tinha acabado.

AS GÊMEAS DE QUATRO LETRAS

As gêmeas Lusa e Sula têm cinco anos e moram no Condo- mínio DOCE VIDA com seus avós. Seu avô chama-se Juca, mas todos o conhecem como Caju, pois, quando era menino, vivia atrepado aos cajueiros. Por conta GLVVRXVDHVVHDSHOLGRGHVGHDVXDLQIkQFLD-iVXDDYyFKDPDVH Ana. As duas meninas são curiosas e espertas. Elas estão na al- fabetização e já perceberam que trocando as sílabas do nome do seu avô, forma o seu apelido; também que o nome da sua avó, SURQXQFLDGRRXHVFULWRGHWUiVSDUDIUHQWH¿FDGRPHVPRMHLWL- nho. Na escola onde elas estudam, costumam sempre sentar-se e realizar as atividades juntinhas. Certa vez, a professora recortou quatro letrinhas numa cartolina, formou a palavra LUAS e pediu

para que elas formassem uma nova palavra com as mesmas le- trinhas. — Eu formei a palavra LUSA. — disse Sula. — Eu formei a palavra SULA. — disse Lusa. A professora sorriu e colocou novas letras na mesinha das meninas: O MAR — Eu formei a palavra AMOR. — falou Sula. — Eu formei a palavra ROMA. — falou Lusa. Mais outra vez a professora sorriu e fez uma proposta aos alunos: ² 4XH WDO XP GHVD¿R SDUD IRUPDU QRYDV SDODYULQKDV FRP somente quatro letrinhas? Depois de instigar seus alunos, a professora entregou para todos um saquinho contendo vários alfabetos móveis e depois falou: — Vocês terão que escolher quatro letrinhas e formar novas palavrinhas. Mas antes terei que fazer uma mudança de lugares, só um pouquinho! Então, a professora colocou as meninas em mesas separa- GDVSDUDTXHXPDQmRLQÀXHQFLDVVHDRXWUDQDHVFROKDGDVOHWUDV e na formação das palavras. Enquanto a professora atendia as outras crianças, as meni- nas abriram seus saquinhos e começaram a separar as letrinhas. Depois, quando cada uma formou as palavrinhas em cima de sua mesinha, chamaram a professora quase que simultaneamente. A professora pediu para que elas não mexessem e foto- gravou as palavrinhas de cada uma para não esquecer a ordem