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Controle de processo Petroquímicos, Notas de estudo de Automação

Apostila de Controle de processo Petroquímicos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 07/08/2009

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rafael-reis-de-assis-7 🇧🇷

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CONTROLE DE PROCESSOS QUÍMICOS
ENG – 009
Autor: Prof. Dr. Ricardo de Araújo Kalid – [email protected]
Revisora: Enga Grazziela Gomes
Laboratório de Controle e Otimização de Processos Industriais - LACOI
Departamento de Engenharia Química - DEQ
Escola Politécnica - EP
Universidade Federal da Bahia – UFBA
Salvador, junho de 2004.
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C O N T R O L E D E P R O C E S S O S Q U Í M I C O S

E N G – 0 0 9

Autor: Prof. Dr. Ricardo de Araújo Kalid – [email protected]

Revisora: Eng

a Grazziela Gomes

Laboratório de Controle e Otimização de Processos Industriais - LACOI

Departamento de Engenharia Química - DEQ

Escola Politécnica - EP

Universidade Federal da Bahia – UFBA

Salvador, junho de 2004.

Página 1 de 1

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

Í N D I C E G E R A L

CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 2. FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA

CAPÍTULO 3. ANÁLISE DA DINÂMICA DE PROCESSOS

CAPÍTULO 4. IDENTIFICAÇÃO DA DINÂMICA DE PROCESSOS

CAPÍTULO 5. INSTRUMENTAÇÃO E VÁLVULAS DE CONTROLE

CAPÍTULO 6. SISTEMAS LINEARES EM MALHAS FECHADAS

CAPÍTULO 7. ESTABILIDADE DE SISTEMAS LINEARES

CAPÍTULO 8. ESTRATÉGIAS DE CONTROLE

CAPÍTULO 9. CONTROLE AVANÇADO

CAPÍTULO 10. TEORIA DE CONTROLE MODERNO: ABORDAGEM POR ESPAÇO DE

ESTADOS

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

C A P Í T U L O 1. I N T R O D U Ç Ã O

A finalidade do controle de processos é manter as variáveis de processo nas condições

desejadas com um mínimo custo operacional.

Variáveis de processo são as propriedades intensivas ou extensivas de uma corrente ou

substância.

Como exemplos de variáveis de processo temos:

  • Temperatura;
  • Pressão;
  • Vazão;
  • Composição;
  • Viscosidade;
  • Granulometria;
  • Radioatividade;
  • Condutividade;
  • Dureza;
  • Maleabilidade;
  • Cor;
  • Aroma;
  • Sabor; etc.

1. 1. M o t i v a ç ã o p a r a i m p l a n t a r u m s i s t e m a d a c o n t r o l e

Mudança nas condições de alimentação do processo e no ambiente (perturbações) estão

sempre acontecendo e se nenhuma ação for tomada importantes variáveis do processo não

alcançarão as condições desejadas. Porém, esta ação deve ser estabelecida de modo que:

  1. A segurança dos equipamentos e dos trabalhadores,
  2. A qualidade do produto; e
  3. A produção

sejam asseguradas com um mínimo custo de investimento e/ou operacional.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

√ Exemplo 01

F i g u r a 1 - 1 : E x e m p l o d e c o n t r o l e d e p r o c e s s o.

√ Exemplo 02

Seja um tanque agitado, aquecido pela condensação do vapor d’água, conforme mostra a

Figura 1-2. O objetivo deste processo é aquecer uma corrente de vazão w e temperatura T 1 até

alcançar a temperatura T 2.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

transferência de energia para o fluido no tanque (veja Figura 1-3). Esta estratégia denomina-se

controle por retroalimentação ( Feedback Control ).

T

T

2 (t), w 2 (t)

T 1

(t), w 1

(t)

vapor

condensado

TT

TC

F i g u r a 1 - 3 : T a n q u e d e a q u e c i m e n t o a g i t a d o c o m c o n t r o l e f e e d b a c k.

Na Tabela 1-1 vemos outras alternativas de estratégias de controle para este processo.

T a b e l a 1 - 1 : E s t r a t é g i a s p a r a o c o n t r o l e d e t e m p e r a t u r a d e u m t a n q u e d e a q u e c i m e n t o

a g i t a d o.

Método

Variável

Medida

Variável

manipulada

Classificação

01 T Q Feedback

02 T 1 Q Feedforward

03 T w Feedback

04 T 1 w Feedforward

05 T 1 e T Q Feedback / feedforward

06 T 1 e T w Feedback / feedforward

Podemos ainda instalar um trocador de calor a montante do tanque de aquecimento para

diminuir ou eliminar a oscilação na temperatura T 1 ou utilizar um tanque com um volume maior

de modo a diminuir a oscilação na temperatura de saída T.

Uma vez estabelecida a estratégia de controle é necessário determinar qual a lei ou

algoritmo de controle para o controlador. Uma possibilidade é utilizar o controlador

proporcional , no qual a mudança no fluxo de calor é proporcional à diferença entre a

temperatura desejada (TSP(t)) e a temperatura medida (T(t)):

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

E q u a ç ã o 1 - 3 Q ( t ) Q K .[ T ( t ) T ( t )]

ss c SP

Onde Kc é denominado ganho do controlador , este parâmetro é ajustável e define a

intensidade da correção a ser realizada sobre o processo.

Do discutido anteriormente deduz-se que para definir um sistema de controle é necessário:

(1) Conhecer o comportamento no estado estacionário do processo que desejamos

controlar;

(2) Conhecer o comportamento dinâmico do processo que desejamos controlar;

(3) Estabelecer quais as variáveis de processo que devem ser mantidas o mais

próximo possível dos valores desejados ( set point ), denomina-se de variáveis

controladas ;

(4) Estabelecer quais as variáveis de processo que devem ser monitoradas (variáveis

medidas) a fim de conhecer ou inferir os valores das variáveis controladas ou das

variáveis de processo que podem interferir no mesmo (perturbações).

(5) Estabelecer quais os fluxos de massa e energia que deverão ser modificados

(variáveis manipuladas) para manterem as variáveis controladas nos seus set point.

(6) Escolher e dimensionar os instrumentos necessários para o funcionamento do

sistema de controle:

(a) Sensores das variáveis de processo envolvidas ou elementos primários de

medição,

(b) Transmissores e / ou conversores de sinais,

(c) Indicadores e / ou registradores de sinais,

(d) Controladores,

(e) Elementos finais de controle (válvulas).

Para estabelecer com sucesso o sistema de controle de um processo temos que conhecer

seu comportamento dinâmico, realizando um estudo de processo em malha aberta, assunto

que é tratado de uma apostila deste autor, que deve ser consultada para maiores detalhes.

1. 2. N o r m a s U t i l i z a d a s e m I n s t r u m e n t a ç ã o

A ISA - The Instrumentation, Systems, and Automation Society estabelece normas e

procedimentos para especificação e instalação de instrumentos para controle de processos,

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

F i g u r a 1 - 5 : L e t r a s d e i d e n t i f i c a ç ã o d e i n s t r u m e n t o o u f u n ç ã o p r o g r a m a d a.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

T a b e l a 1 - 3 : E x e m p l o d e i d e n t i f i c a ç ã o d e i n s t r u m e n t o.

T RC 210 02 A

Variável Função

Área de atividades

Nº seqüencial da malha

Identificação funcional Identificação da malha

Sufixo

Identificação do instrumento

Onde:

T Variável medida ou iniciadora: temperatura;

R Função passiva ou de informação: registrador;

C Função ativa ou de saída: controlador;

210 Área de atividades, onde o instrumento ou função programada atua;

02 Número seqüencial da malha;

A Sufixo.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

C A P Í T U L O 2. F U N Ç Ã O D E T R A N S F E R Ê N C I A

“... proporciona uma relação direta entre as entradas (distúrbios, variáveis manipuladas) e as

saídas (variáveis controladas) do processo.”

George Stephanoupolos

Vamos trabalhar com modelos lineares ou linearizados e variáveis desvio:

E q u a ç ã o 2 - 1

ss

ss

X(t) X(t)-X(0) X(t)-X

Y(t) Y(t)-Y(0) Y(t)-Y

Generalizando, as equações diferenciais ordinárias com coeficientes constantes são da

forma:

E q u a ç ã o 2 - 2 (^) ∑ ∑

=

m

j

j

j

n j

n

n n

n

n

n

i

i

i

i dt

dX a Y b dt

dY a dt

d Y a dt

d Y a dt

dY a

0

1 1 0

1

1 0

E q u a ç ã o 2 - 3 b X dt

dX b dt

d X a dt

d X b dt

dX onde b m

m

m m

m

m

m

j

j

j

j_.^.._ 1 ... 1_._ 0_._

1

1 0

Onde, a (^) n, a (^) n -1, ..., a 1 , a 0 e b (^) m, b (^) m -1, ..., b 1 , b 0 são constantes.

Em sistemas fisicamente exeqüíveis n ≥ m.

Assumindo que inicialmente o sistema está relaxado:

E q u a ç ã o 2 - 4 (^) = 0 = 0 k= 0 n− 1

dt

d Y

k t

k

, ,...,

e

E q u a ç ã o 2 - 5 (^) = 0 = 0 l= 0 n− 1

dt

d X

l t

l

, ,...,

Ou seja, o termo relativo às condições iniciais I é nulo: I = 0

Equação transformada:

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

E q u a ç ã o 2 - 6 ∑ (^ )^ ∑ (^ )^ ∑ (^ )^ ∑(^ )

= = = =

m

j

n

i

m

j

j j

i i

j j

n

i

i a (^) i s Y s b s X s a s Y s b s X s 0 0 0 0

E q u a ç ã o 2 - 7 ( 0 )

0

0 ⇒ = = + =

=

= I

a s

b s

X s

Y s G s i i

n

i

m

j

j j

G(s) é chamada de função de transferência e é obtida apenas se I = 0.

E q u a ç ã o 2 - 8

TransformadadeLaplacedaentradaemformade desvio

TransformadadeLaplacedasaída emformadedesvio G s ,

Em diagrama de blocos:

G(s)

X(s) Y(s)

F i g u r a 2 - 1 : D i a g r a m a d e b l o c o s 0 1.

Em geral a função de transferência pode ser representada por uma divisão entre dois

polinômios em s:

E q u a ç ã o 2 - 9 P(s)

Q(s) G(s) =

2. 1. P r o p r i e d a d e s d a F u n ç ã o d e T r a n s f e r ê n c i a

P1. Descreve as características dinâmicas de um sistema. Se adotarmos uma função

perturbação X(t) na entrada, cuja transformada é X(s), a resposta do sistema é Y(s) dada por:

E q u a ç ã o 2 - 1 0 Y ( s )= G ( s ). X ( s )

P2. Se a função de transferência é a resposta do sistema a perturbação impulso unitário:

X(t) = δ(t), então X(s) = L{δ (t)} = 1, logo:

E q u a ç ã o 2 - 1 1 Y ( s )= G ( s ). X ( s )= G ( s )

P3. A equação diferencial do sistema pode ser obtida da função de transferência

substituindo s pelo operador diferencial D ≡ d/dt.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

E q u a ç ã o 2 - 1 7

  1. 5 ( 1 2 .) ( 1 2. )

2 j

C

j

B

s s s s

s Gs

Equação característica:

E q u a ç ã o 2 - 1 8 2 5 0

2 ss + =

Raízes da equação característica:

E q u a ç ã o 2 - 1 9 r 1 (^) =+( 1 + 2. j )

E q u a ç ã o 2 - 2 0 r 2 (^) =−( 1 + 2. j )

Portanto, o sistema é instável pois as raízes do denominador da função de transferência

tem parte real positiva.

P6. As raízes do denominador são os pólos do sistema e as raízes do numerador são os

zeros do sistema. Quando o número de zeros (nz ) é menor que o número de pólos (n (^) p), diz-se

que existem (n (^) z – n (^) p) zeros no infinito; a recíproca é válida. Para a Equação 2-17:

E q u a ç ã o 2 - 2 1 pólos : P 1 = 1 +2.j e P 2 = 1 2.j

E q u a ç ã o 2 - 2 2 zeros : z 1 = - 1 e zz=∞

P7. Em sistemas físicos exeqüíveis: n (^) z ≤ n (^) p.

2. 2. N a t u r e z a Q u a l i t a t i v a d a s R e s p o s t a s d e u m

S i s t e m a

Freqüentemente, estamos interessados apenas em determinar a estabilidade do sistema,

uma forma simples e adequada para os propósitos de controle de processos é encontrar as

raízes do denominador da função de transferência (pólos do sistema) e verificar sua

localização no plano complexo. Seja G(s) uma função de transferência que pode ser escrita por

uma razão de dois polinômios Q(s) e P(s):

E q u a ç ã o 2 - 2 3

( (^) i )

n

i

s p

Qs

Ps

Qs Ys Gs X s Gs

n

= 0

Na Tabela 2-1 vemos as diferentes formas das contribuições da função transferência para

as respostas dos sistemas. Enquanto que na Figura 2-4 podemos verificar a disposição das

raízes da equação característica no plano complexo.

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

T a b e l a 2 - 1 : R a í z e s d a F u n ç ã o d e T r a n s f e r ê n c i a.

Raízes Características Termos em ƒ (t) para t ≥ 0

p (^1)

p 2 , p (^2)

p 3 , p (^3)

p 4 , p (^4)

p (^5)

p (^6)

Real, < 0

Complexa, Re < 0

Complexa, Re = 0

Complexa, Re > 0

Real, > 0

Real, = 0

C 1. e -p1.t

e

-az.t [C (^) 1.cos(b 2 .t) + C (^) 2.sen(b 2 .t)]

C (^) 1.cos(b 3 .t) + C 2 .sen(b 3 .t)

E

a4.t [C 1 .cos(b 4 .t) + C 2 .sen(b 4 .t)]

C 1 e

p5.t

C (^1)

Observações:

  1. Onde a 1 , a 2 , ..., b 1 , b 2 , ..., p 1 , p 2 , ..., são constantes positivas.
  2. Se algumas dessas raízes são repetidas o termo referente a essa raiz é multiplicado por

uma série de potências de t:

K 1 + K 2 .t + K 3 .t

2

  • ... + Kr .t

r- , onde r é o número de repetições.

  1. C 1 + C 2 + K 1 + K 2 , ... + KR são obtidas a partir das condições iniciais.

Na Figura 2-4 vemos a disposição dos pólos no plano complexo. Observe que as raízes

reais geram respostas não oscilatórias amortecidas (p 1 ), não oscilatórias não amortecidas (p 6 )

e não oscilatórias com amplitude crescente (p 5 ), portanto uma resposta instável; enquanto que

as raízes complexas originam respostas oscilatórias amortecidas (p 2 , p 2 *), não amortecidas (p 3 ,

p 3 *) e com amplitudes crescentes (p 4 , p 4 *), isto é, a saída do sistema é instável. Em outras

palavras as raízes localizadas no semi-eixo direito geram respostas instáveis.

Eixo imaginário

Eixo real

p 4

p 3

p 2

p 1

p* 2

p 6 p^5

p* 3

p*

F i g u r a 2 - 4 : L o c a l i z a ç ã o d a s r a í z e s d a e q u a ç ã o c a r a c t e r í s t i c a.

À esquerda do eixo Im: f(t) decresce exponencialmente com t

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

E q u a ç ã o 2 - 2 7 Y 1 (0)=Y 2 (0)=^0

Aplicando a Transformada de Laplace e resolvendo para Y 1 (s) e Y 2 (s):

E q u a ç ã o 2 - 2 8 X (s) P(s)

[(s a )b a b ] X(s) P(s)

[(s a )b a b ] Y (s) 2

22 12 12 22 1

22 11 12 21 1

E q u a ç ã o 2 - 2 9 X (s)

P(s)

[(s a )b a b ] X(s) P(s)

[(s a )b a b ] Y (s) 2 11 22 21 22 1

11 21 21 11 2

Onde P(s) é a equação característica dada por:

E q u a ç ã o 2 - 3 0 P(s) ( 11 22 ). ( 12 21 11 22 )

2 = sa + a sa aa a

E q u a ç ã o 2 - 3 1

2 21 1 22 2

1 11 1 12 2

Y s G s X s G s X s

Y s G s X s G s X s

Ou em notação matricial:

E q u a ç ã o 2 - 3 2  

2

1

21 22

11 12

2

1

X s

X s

G s G s

G s G s

Y s

Y s

O sistema de Equação 2-32 é denominado Matriz das Funções de Transferência.

Em diagramas de blocos:

X 1 (s)

X 2 (s)

G 11 (s)

G 12 (s)

G 21 (s)

G 22 (s)

Y 2 (s)

Y 1 (s)

F i g u r a 2 - 7 : D i a g r a m a d e b l o c o s 0 5.

Os sistemas podem ser:

SISO – Single Input Single Output

SIMO – Single Input Multiple Output

MISO - Multiple Input Single Output

C o n t r o l e d e P r o c e s s o s

MIMO - Multiple Input Multiple Output

Obs.: Os processos químicos são, na sua maioria, MIMO-NL.