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Tipologia: Notas de estudo
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1- Fundamentos A condição sanitária de uma dada população humana é determinada, em larga escala, por sua capacidade de controlar eficazmente as populações microbianas. Os processos podem ser muito específicos, como o fornecimento de medicação eficaz na eliminação dos microrganismos infectantes, ou podem ser mais gerais, como as práticas sanitárias utilizadas no lar e nos hospitais. Cuidados diários, tais como a purificação da água, a pasteurização do leite e a preservação dos alimentos concorrem para o controle das populações microbianas. Não somente torna-se o produto de consumo seguro sob o ponto de vista de saúde pública, como também o processo traz muitos benefícios para o bem-estar da comunidade. As principais razões para desenvolver o controle de microrganismos podem, em resumo, ser:
2- Condições que influenciam a ação antimicrobiana Na aplicação de qualquer agente físico ou químico destinado a inibir ou destruir populações microbianas, devem ser considerados fatores como: Temperatura : o aumento da temperatura, quando usado em combinação com outro agente, como uma substância química, apressa a destruição dos microrganismos. Tipo de microrganismo : as espécies de microrganismos diferem em sua susceptibilidade aos agentes físicos e químicos. Nas espécies esporuladas, as formas vegetativas são muito mais sensíveis que as formas esporuladas, sendo estas extremamente resistentes. Estado fisiológico das células : células jovens, metabolicamente ativas, são mais facilmente destruídas que as células velhas ou em latência, no caso de o agente nocivo agir através de uma interferência sobre o metabolismo (as células que não estão crescendo não seriam afetadas). Condições ambientais : as propriedades físicas e químicas do meio ou das substâncias que sustentam os microrganismos têm profunda influência sobre o ritmo, assim como sobre a eficácia da destruição microbiana. A eficiência do calor, por exemplo, é muito maior nos meios ácidos do que nos alcalinos. A consistência do material (aquosa ou viscosa) também influi na penetração do agente, e as altas concentrações de carboidratos aumentam, em geral, a resistência térmica dos microrganismos. A presença da matéria orgânica estranha pode reduzir, significativamente, a eficácia de uma droga antimicrobiana, inativando-a ou protegendo o microrganismo.
3- Modo de ação dos agentes antimicrobianos A revisão de certas características da célula microbiana pode apontar os possíveis locais de ação de um agente antimicrobiano. Eles podem agir causando lesões na parede celular, alterações na permeabilidade celular, alterações das moléculas de proteínas e de ácidos nucleicos, inibição da ação enzimática, inibição da síntese de ácidos nucleicos, entre outras coisas. 4- Controle pelos agentes físicos 4.1 Aplicação das altas temperaturas
Os processos práticos, nos quais se emprega o calor, dividem-se em duas categorias: calor úmido e calor seco. 4.1.1 Calor úmido a) Vapor d'água sob pressão : é o agente mais prático e seguro para fins de esterilização, proporcionando temperaturas mais elevadas que as obtidas por ebulição. O aparelho que usa o vapor de água sob pressão regulada chama-se auto-clave. Consiste em uma câmara de vapor com parede dupla, equipada com dispositivos que permitem o enchimento da câmara com vapor saturado e sua manutenção em determinadas temperatura e pressão por quaisquer períodos de tempo. Geralmente, embora não sempre, ela é operada numa pressão de aproximadamente 15 libras por polegada quadrada (1 atmosfera=121°C). Esterilização fracionada, água em ebulição e pasteurização são outros processos de calor úmido, empregados no controle de microrganismos. 4.1.2 Calor seco a) Esterilização pelo ar quente : é recomendada quando o contato direto ou completo do vapor d'água sob pressão com o material a ser esterilizado é considerado como indesejável ou improvável, o que é verdadeiro para certos tipos de vidraria laboratorial (placas de Petri, tubos de ensaio), óleos, pó e substâncias similares. O aparelho utilizado neste tipo de esterilização pode ser um forno elétrico especial (ou a gás) - estufa - ou mesmo um forno de cozinha, admitindo-se que, para a vidraria de laboratório, uma exposição de 2 horas à temperatura de 160°C seja suficiente para a esterilização. b) Incineração : é usada para a eliminação de carcaças de animais de laboratório infectadas ou de outros materiais contaminados. A destruição de microrganismos pelo calor direto é, também, praticada rotineiramente quando a agulha de inoculação (ou alça de platina) é levada à chama de um bico de Bunsen.
4.2 Aplicação de baixas temperaturas As temperaturas inferiores ao ponto ótimo para o crescimento diminuem o ritmo metabólico e, sendo a temperatura suficientemente baixa, cessa o metabolismo e o crescimento. As temperaturas baixas são úteis na manutenção de culturas, pois os microrganismos apresentam uma capacidade típica de sobrevivência em face do frio; culturas em ágar de algumas bactérias, leveduras e fungos, são usualmente armazenadas durante longos períodos de tempo sob temperatura de refrigerador, ou seja, entre 4° e 7° C. Além disso, muitas bactérias e vírus podem ser mantidos em unidades de alta refrigeração, entre -20° e -70° C. O nitrogênio líquido, em temperaturas de -196° C, é empregado na preservação de culturas de muitos vírus e microrganismos, assim como as fontes de células de mamíferos usadas em virologia. A partir de exposto acima, torna-se aparente que as temperaturas baixas, embora extremas, não podem se indicadas para a desinfecção ou esterilização. Os microrganismos mantidos em temperatura de congelamento ou mesmo inferiores podem ser considerados dormentes; não efetuam atividade metabólica aparente. Esta condição estática é a base da bem sucedida aplicação do frio na preservação dos alimentos. A tabela resume os métodos que usam a temperatura no controle de microrganismos.
Outros agentes químicos são aplicados na esterilização de materiais e são denominados de esterilizantes químicos. São particularmente utilizados para a esterilização de materiais médicos sensíveis ao calor, como bolsas de sangue para transfusão, seringas plásticas descartáveis e equipamentos de cauterização. Também são utilizados para esterilizar ambientes fechados, incluindo câmaras assépticas utilizadas para procedimentos que devem ser livres de microrganismos. Os principais esterilizantes químicos utilizados são: a) Óxido de etileno: composto orgânico (C 2 H 4 O) que é líquido a temperaturas abaixo de 10,8 o^ C, mas acima desta temperatura torna-se um gás. Tem grande poder de penetração, podendo atravessar e esterilizar o interior de grandes pacotes com objetos, roupas e certos plásticos. Desvantagem: é inflamável e é potencialmente explosivo em forma pura; b) Beta- Propiolactona: é um composto líquido incolor em temperatura ambiente. Destina-se à esterilização de instrumentos e materiais termossensíveis. Tem baixo poder de penetração e seu uso foi restringido devido a sua provável propriedade carcinogênica. c) Glutaraldeído: é um líquido oleoso e incolor. É utilizado em medicina para esterilizar instrumentos urológicos, lentes de instrumentos, equipamentos respiratórios e outros equipamentos específicos. Como desvantagem, tem uma estabilidade limitada. d) Formaldeído: é um gás que se mostra estável somente em altas concentrações e em temperaturas elevadas. Em temperatura ambiente, ele polimeriza-se formando uma substância sólida incolor, o paraformaldeído. O formaldeído é comercializado em solução aquosa como formalina , que contém 37 a 40% (p/v) da substância. Este é utilizado para a esterilização de instrumentos e a forma gasosa é utilizada para a desinfecção e esterilização de áreas fechadas. Desvantagem: tem fraco poder de penetração, é corrosivo, é extremamente tóxico e seus vapores são irritantes às mucosas.
Alguns desinfetantes e anti-sépticos comumente utilizados (fonte: Pelczar et al_._ , 1996).
***** Nível de atividade microbicida: alta = mata todas as formas de vida microbiana, inclusive os esporos bacterianos; intermediário = mata o bacilo da tuberculose, fungos e vírus mas não os esporos bacterianos; baixo = não mata esporos bacterianos, bacilo da tuberculose ou vírus não lipídicos em um tempo aceitável.
6- Antibióticos e outros agentes quimioterápicos Os agentes quimioterápicos são substâncias empregadas no tratamento das doenças infecciosas e daquelas que são causadas pela proliferação de células malignas. Estas substâncias são preparadas em laboratórios químicos ou obtidas de microrganismos, algumas plantas e animais. Em geral, as drogas naturais são diferenciadas dos compostos sintéticos pela denominação específica de antibióticos. Alguns destes são preparados por via sintética, mas a maioria é comercialmente produzida por biossíntese. As antitoxinas e outras substâncias formadas pelos organismos de animais infectados não são consideradas como agentes quimioterápicos, o mesmo sendo válido para os compostos que causam a destruição ou inibição de microrganismos in vitro , usualmente classificados como desinfetantes, anti-sépticos ou germicidas. Um agente quimioterápico satisfatório deve:
dentro da célula bacteriana. A sulfonamida compete com o PABA pelo sítio ativo de uma enzima envolvida na síntese do ácido fólico, provocando uma diminuição na produção do mesmo, que é essencial na síntese de importantes constituintes celulares. As sulfonamidas são particularmente úteis no tratamento de infecções causadas por meningococos e Shigella , de infecções respiratórias por estreptococos e estafilococos e das infecções urinárias devidas a microrganismos Gram-negativos. São importantes na prevenção da febre reumática, da endocardite bacteriana, da infecção de ferimentos e de infecções urinárias, após cirurgia ou cateterismo. Os antibióticos formam um tipo especial de agentes quimioterápicos, geralmente obtidos de organismos vivos. O termo antibiótico designa um produto metabólico de um organismo que é prejudicial ou inibidor para certos microrganismos, em concentrações muito pequenas. Propriedades de um antibiótico útil: