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Controle Químico, Notas de estudo de Agronomia

Controle Químico

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 17/06/2010

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE AGRONOMIA "ELISEU MACIEL"
DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE
DISCIPLINA DE FITOPATOLOGIA
CONTROLE QUÍMICO
1
Ronei de Almeida Douglas
Gilberto Ceciliano Luzzardi
1. INTRODUÇÃO
Substâncias com propriedades fungicidas já eram útilizadas pelas antigas civilizações, embora
de forma bastante empírica. Os povos daquela época, através de suas experiências, descobriram a efetividade
de certos produtos contra o que denominavam de pestes. Entretanto, o progresso no conhecimento dos
fungicidas ocorreu após o culo XVIII, graças aos avanços da química, durante os dois últimos séculos. A
seguir serão relatados alguns fatos interessantes durante a história do desenvolvimento dos fungicidas.
Demócrito, que viveu mais de 500 anos antes da era cristã, noticia o emprêgo de torta de oliva na
prevenção de doenças (cinzas) e pragas das plantas. Porém, uma mistura de torta de oliva, enxôfre e betume
já era empregada na fumigação de árvores há 200 aC. Em princípio do útimo século (1807) Prevóst na França
mostrou que a cárie do trigo poderia ser controlada pelo sulfato de cobre, devido sua ação sôbre a germinação
dos esporos. Prevost é considerado o pai dos testes com fungicidas. Em 1883, Millardet, na França,
acidentalmente descobriu o valor fungicida da calda bordalesa, para controlar o míldio da videira, constituindo-
se, assim num marco na história da utilização dos fungicidas. Em 1886 uma formulação comercial de enxôfre
e cal líquida foi introduzida nos E.U.A., para controlar a cochonilha e a crespeira do pessegueiro. A mistura de
(enxôfre-cal) tornou-se, assim, o primeiro fungicida erradicante. Em 1905 a mistura foi usada também para
controlar a sarna da macieira, deixando de ser um produto apenas para emprêgo durante o período de repouso
vegetativo das culturas.
Em 1889, C.M. Weed, de Ohio, usou pela primeira vêz a mistura de fungicida com inseticida.
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Professores Adjuntos do Departamento de Fitossanidade, FAEM-UFPel.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE AGRONOMIA "ELISEU MACIEL"

DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE

DISCIPLINA DE FITOPATOLOGIA

CONTROLE QUÍMICO

Ronei de Almeida Douglas Gilberto Ceciliano Luzzardi

1. INTRODUÇÃO

Substâncias com propriedades fungicidas já eram útilizadas pelas antigas civilizações, embora de forma bastante empírica. Os povos daquela época, através de suas experiências, descobriram a efetividade de certos produtos contra o que denominavam de pestes. Entretanto, o progresso no conhecimento dos fungicidas ocorreu após o século XVIII, graças aos avanços da química, durante os dois últimos séculos. A seguir serão relatados alguns fatos interessantes durante a história do desenvolvimento dos fungicidas. Demócrito, que viveu há mais de 500 anos antes da era cristã, noticia o emprêgo de torta de oliva na prevenção de doenças (cinzas) e pragas das plantas. Porém, uma mistura de torta de oliva, enxôfre e betume já era empregada na fumigação de árvores há 200 aC. Em princípio do útimo século (1807) Prevóst na França mostrou que a cárie do trigo poderia ser controlada pelo sulfato de cobre, devido sua ação sôbre a germinação dos esporos. Prevost é considerado o pai dos testes com fungicidas. Em 1883, Millardet, na França, acidentalmente descobriu o valor fungicida da calda bordalesa, para controlar o míldio da videira, constituindo- se, assim num marco na história da utilização dos fungicidas. Em 1886 uma formulação comercial de enxôfre e cal líquida foi introduzida nos E.U.A., para controlar a cochonilha e a crespeira do pessegueiro. A mistura de (enxôfre-cal) tornou-se, assim, o primeiro fungicida erradicante. Em 1905 a mistura foi usada também para controlar a sarna da macieira, deixando de ser um produto apenas para emprêgo durante o período de repouso vegetativo das culturas. Em 1889, C.M. Weed, de Ohio, usou pela primeira vêz a mistura de fungicida com inseticida.


1 Professores Adjuntos do Departamento de Fitossanidade, FAEM-UFPel.

Em 1908, Scott, tentando tornar a mistura exôfre-cal menos fitotóxica, adicionou água e ferveu até, obter uma pasta que deveria ser diluída em volume maior de água, antes de ser usada. Essa mistura denominou-se calda sulfo-cálcica. Em 1934, Tisdale e Williams, nos E.U.A., relataram a fungitoxicidade dos ditiocarbamatos. Esta contribuição marcou o início da era dos fungicidas orgânicos, embora só tenham entrado em produção comercial mais tarde. Em 1966, Von Schmeling e Harshal Kulka relataram a atividade sistêmica fungicida dos derivados do 1,4 oxathiins (carboxin e oxicarboxin) para tratamento de sementes e em atomização para certos Basidiomycetes. O ano de 1966 portanto marca o início da era dos fungicidas sistêmicos. De 1970 para frente numerosos fungicidas sistêmicos, protetores e misturas de fungicidas foram desenvolvidos, mostrando que a importância do contrôle de doenças por processos químicos é cada vêz maior. 2.PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS O emprego de fungicidas no controle de doenças de plantas envolve um ou mais princípios de contrôle, dependendo da‚ época e metodologia de aplicação, da natureza da doença e do fungicida. Baseando-se no princípio em que se fundamenta predominantemente a sua aplicação, os processos químicos podem ser: PROTEÇÃO - o princípio segundo o qual as substâncias fungicidas são aplicadas na superfície de suscetíveis indenes com o fim de impedir a manifestação das doenças; ERRADICAÇÃO - o princípio no qual as substâncias atuam diretamente sôbre o patógeno, na fonte de inóculo ou no hospedeiro doente com a finalidade de reduzir ou minimizar o inóculo primário dos patógenos; IMUNIZAÇÃO - o princípio em que se fundamenta a aplicação de substâncias em suscetíveis sadios com o fim de torná-los imunes às doenças; QUIMIOTERAPIA - se baseia na aplicação de substâncias em suscetíveis doentes com o fim de curá-los. Nesse princípio se fundamentam: cura das plantas infectadas por patógenos e das plantas afetadas por deficiências minerais. 3.CONCEITO A palavra fungicida é originada de duas palavras latinas "caedere" que significa matar e "fungus", fungo. Literalmente, fungicida é todo agente capaz de matar fungos. Por essa definição, calor, ácidos, luz ultravioleta e outros agentes físicos seriam fungicidas. O uso do têrmo fungicida, entretanto, restringiu-se a produtos químicos capazes de previnir infecção de tecidos de plantas vivas por fungos fitopatogênicos. Três são as classes de substâncias fungicidas:

As substâncias químicas que são ativas como fungicidas podem ter uma ampla gama de atividades biológicas e afetar fungos, plantas e animais. Comumente o uso seguro de um fungicida depende de uma toxicidade diferencial, de maneira que uma dose específica mate ou iniba aos fungos sem prejudicar a planta ou ao homem. A razão desta toxicidade diferencial pode dever-se a que:

  1. As substâncias químicas penetram nas membranas das céulas do fungo com mais rapidez que nas do hospedeiro;
  2. Pode suceder que o fungo não possa metabolizar o fungicida e transformá-lo em, compostos menos tóxicos, enquanto que outras espécies (plantas) podem, fazê-lo;
  3. Pode ser que existam compostos metabólicos intermediários ou críticos que os fungicidas inativem no fungo e que estes mesmos compostos não sejam críticos para o metabolismo de outros organismos;
  4. Pode haver outras razões desconhecidas; ou
  5. Associação das raízes acima citadas. Qualquer que seja a razão fundamental, o resultado final é que algumas substâncias que são basicamente tóxica para todos os organimos, quando utilizadas, em concentrações determinadas, controlam especificamente aos fungos, sem prejudicar as plantas cultivadas. A relação da DE50 (dose efetiva que inativa ou inibe 50% da população) do patógeno, e a DE50 da planta hospedeira é um índice da margem da segurança do uso de um fungicida em um cultivo determinado. A DL50 (dose letal é a dosificação letal mortal) para 50% da população de esporos, cobaias ou plantas. A toxidade de certos fungicidas para os microorganismos está vinculada a sua capacidade de penetrar as membranas celulares. A permeabilidade das membranas celulares se relaciona com a solubilidade dos lipídios (gorduras). Por outro lado a toxidade de um fungicida depende de suas propriedades físicas e químicas. As propriedades físicas que afetam a toxicidade são: o tamanho da partícula; polaridade; solubilidade diferencial em água e em lipídios; aderência á superfície das folhas; tamanho e forma molecular; e evaporação. As propriedades químicas envolvem reação diferencial entre o composto (fungicida) e os sistemas metabólicos essenciais do parasita e do hospedeiro, assim como a estabilidade em condições variáveis do ambiente. 5.LIMITAÇÕES Entre os fatôres que ocasionam limitações no uso de fungicidas podemos citar: a) Valor econômico das culturas; b) Falta de conhecimento dos agricultores; c) Fitotoxidez; d) Incompatibilidade com outros defensivos; e) Morte de insetos entomófagos e insetos úteis; f) Problemas de resíduos.

6.FORMULAÇÕES

Os produtos químicos podem ser formulados de várias maneiras. Formulação diz respeito ao método pelo qual o ingrediente ativo do fungicida‚ apresentado sob a forma física mais efetiva, em relação a aplicação, contrôle de doenças e armazenamento. 6.1.FORMA SÓLIDA 6.1.1.PÓ SECO - Esse tipo de formulação geralmente contem de 4 a 10% de princípio ativo. Os outros componentes são denominados de diluentes ou veículo do princípio ativo. Os diluentes mais comumente usados são o caolim, talco, bentonita, cálcio, magnésio, carbonato, gêsso, cal, etc. O polvilhamento com fungicidas tem sido empregado com sucesso no tratamento de sementes e do solo. Entretanto, o polvilhamento da parte aérea das plantas apesar de apresentar uma deposição satisfatória e uma distribuição impar, a adesividade é ineficiente e os pós são muito sujeitos á deriva em virtude do ar, tornando este método totalmente insatisfatório na prática. 6.1.2.PÓS-MOLHÁVEIS - É o tipo de formulação mais comum dos fungicidas usados em pulverizações. Essencialmente esse tipo de formulação é composto do princípio ativo, do diluente de um agente que auxilia na suspensibilidade e na molhabilidade, e possívelmente de um adjuvante capaz de melhorar as características de deposição das partículas, principalmente em plantas com a superfície foliar cerosa. 6.1.3.GRANULADO - Seu uso tem aumentado nos últimos anos. Devido ao tamanho, as partículas não estão sujeitas a deriva observada nas formulações em pó. Outra vantagem é que podem ser formulados de modo a liberar o princípio ativo parceladamente, numa taxa controlável. As formulações granuladas têm aplicação limitada, sendo geralmente confinada ao solo e, em alguns casos, as sementes. 6.2.FORMA LÍQUIDA 6.2.1.CONCENTRADO EMULSIONÁVEL - requer alta concentração de um agente emulsificante solúvel em óleo, frequentemente mais do que 5% de peso total, para dar formação instantânea de uma emulsão homogênea, quando diluído em água. As emulsões apresentam uso restrito devido a sensibilidade das culturas. 6.2.2.SOLUÇÃO - A formulação sob a forma de solução é relativamente simples, a menos que a solubilidade do produto químico seja tão baixa que torne necessário solubilizá-lo com agentes

8.CLASSIFICAÇÃO

Diversas são as classificações dos fungicidas. 8.1.SEGUNDO OS PRINCÍPIOS DE CONTROLE ENVOLVIDOS 8.1.1.FUNGICIDAS PROTETORES OU RESIDUAIS - São aqueles aplicados nas folhagens, ramos novos, flores e frutos, funcionam predominantemente como protetores. Também os fungicidas aplicados no tratamento de sementes são, na maioria dos casos, protetores, estando geralmente associados com ação erradicante e, em alguns casos, com ação curativa ou terapêutica. 8.1.2.FUNGICIDAS ERRADICANTES OU DE CONTATO - Há três casos em que fungicidas erradicantes podem ter ação eficiente: no tratamento de sementes, de solo e no tratamento de inverno. 8.1.3.FUNGICIDAS CURATIVOS OU TERAPÊUTICOS - Fungicidas dos dois grupos anteriores, tendo limitada capacidade de penetração através da cutícula do hospedeiro ou sendo aplicado em condições que atenuam a fitotoxidez, não entram em contato com o protoplasma vivo do hospedeiro e, assim não necessitam ser específicos para atuarem seletivamente contra o patógeno. No caso de fungicidas curativos, entretanto, salvo algumas exceções é importante que não sejam fitotóxicos, tenham alta capacidade de penetração e sejam translocados, uma vez que devem predominantemente atuar dentro da planta. 8.2.SEGUNDO OS USOS MAIS CORRENTES E OS PRINCÍPIOS DE CONTRÔLE ENVOLVIDOS 8.2.1.FUNGICIDAS PROTETORES OU RESIDUAIS DE FOLHAGENS - Os fungicidas deste grupo, para serem eficientes, baseados que são no princípio da proteção, dependem de uma série de características muitas vêzes difíceis de se conciliarem entre si, sendo isso motivo de fracasso de muitos dos compostos químicos candidatos a fungicidas. Vejamos cada uma dessas características: a) Fungitoxicidade e especificidade - O espectro de ação dos fungicidas varia grandemente. Portanto, no contrôle de determinados patógenos, o primeiro fator de sucesso é a fungitoxicidade inerente associado a especificidade. Não se controla míldio da videira com enxôfre, nem requeima da batata com Karathane, isso porque enxôfre e Karathane são fungicidas específicos para oídios. Míldio da videira se controla melhor com calda bordalesa e requeima com Maneb ou Zineb. b) Deposição e distribuição - Os fungicidas protetores, em geral, apresentam textura muito fina, são formulações pós-molháveis ou sêcos, orgânicos ou inorgânicos, com baixa solubilidade, que podem

ser pulverizados ou polvilhados. Para que as partículas se depositem nas plantas, devem ter um momento adequado para superar as forças repulsivas, da natureza eletrostática ou oriundas de correntes de convecção, existentes nas proximidades das superfícies vegetais. Além do problema descrito anteriormente, para que ocorra uma boa deposição redistribuição, devemos levar em consideração, também, o tamanho das partículas no polvilhamento e da gotícula no caso de pulverizações. c) Aderência e cobertura - Os fungicidas protetores, cuja ação depende dos depósitos nas superfícies tratadas, precisam aderir bem e cobrir o máximo possível da superfície tratada. A adesão e cobertura dependem das propriedades do fungicida, da superfície da planta, da formulação e do equipamento utilizado. Uma das maneiras de melhorar a cobertura e aderência é dimunuir o diâmetro das gotas, o que produz um aumento na superfície e na força de adesão. Outra‚ adicionar espalhante, entretanto, isto geralmente implica na diminuição da tenacidade. d) Redistribuição - Apenas o depósito do fungicida na superfície foliar não garantirá a efetividade do produto, em condições de campo. Atualmente, por mais perfeita que seja a aplicação, sempre escapam espaços que ficam sem proteção. A tenacidade e a natureza do fungicida deve ser levada em consideração pois foi comprovado que a redistribuição é eficiente no caso da calda bordalesa cujas partículas são carregadas com cargas eletrocinéticas positivas e têm grande tenacidade, mas é ineficiente e mesmo prejudicial para o Zineb, cujas partículas são carregadas com cargas eletrocinéticas negativas e tem tenacidade menor. e) Tenacidade - É a propriedade que tem os "depósitos" fungicidas de resistir ao intemperismo. Feito um "depósito" sôbre a superfície da planta, sob a ação do intemperismo ele é reduzido a um resíduo. A diferença entre ambos constitui medida de tenacidade (depósito - resíduo = tenacidade). Como regra a tenacidade é diretamente proporcional a insolubilidade dos "depósitos" e inversamente proporcional a toxidez. f) Fitotoxidez - Um composto químico pode ser excelente fungicida mas, se for fitotóxico, na prática, seu uso no contrôle de doenças pode ser limitado. Por exemplo, em cucurbitáceas não se deve aplicar, ou se aplica com muitos cuidados, fungicidas a base de enxôfre e de cobre. A ação fitotóxica se manifesta por crestamento, redução de crescimento, queda de flores e frutos, pequena produção e redução da fotossíntese. g) Toxidez ao homem e animais - Fungicidas não devem ser tóxicos ao homem e aos animais, principalmente aqueles aplicados diretamente na proteção de órgãos comestíveis, como no caso de hortaliças, frutas e grãos de cereais. h) Compatibilidade - Entendem-se como compatíveis duas substâncias que, misturadas, não apresentam alterações em suas características. Em muitos casos é interessante que fungicidas sejam compatíveis com inseticidas, pois é desejável a aplicação simultânea visando controlar doenças e pragas. Em culturas, como a do tomateiro, que está sujeita a muitas doenças e pragas, inclusive vetores de vírus e imprescindível que os fungicidas recomendados sejam compatíveis com os inseticidas. Quando ocorrer incompatibilidade, em alguns casos, a fitotoxidez pode ser aumentada.

são eficientes para o contrôle de podridões moles em hortaliças, mas têm seu uso proibido devido aos inconvenientes que apresentam para a saúde humana. 8.2.6. FUNGICIDAS CURATIVOS SISTÊMICOS - Os fungicidas deste grupo são aqueles que atuam no interior da planta. Os conhecimentos atuais levam a admitir que eles se movem, fundamentalmente, pelo apoplasto têrmo que se refere ao conjunto não vivo na planta (paredes celulares, intercelulares, xilema), de forma ascendente (acropetal). Em consequência de seu movimento apoplático, dependente da transpiração os fungicidas sistêmicos acumulam-se nas margens das folhas, enquanto que se dá uma diminuição da sua concentração na parte central daquelas e nos caules. Geralmente, a movimentação no simplasto (floema e protoplasma) ‚ reduzida ou nula e portanto, a movimentação basipetal ou seja, descendente também o seja. No caso de fungicidas aplicados no solo, dá-se a absorção passiva pelas raízes, o transporte através do xilema do caule e das folhas e nestas o movimento faz-se para as regiões de evaporação, através das paredes celulares, resultando, assim, a acumulação dos fungicidas no vértice e nas margens das folhas. A densidade dos estômatos desempenha um papel importante afetando a distribuição do fungicida dentro dos tecidos. Por exemplo, as pétalas, sem estômatos, não são irrigadas por fungicidas e o mesmo acontecerá aos frutos com índice de transpiração baixo relativamente as suas dimensões, como por exemplo o tomate e as vagens de feijão. Evidentemente que fungicidas com possibilidade de circulação no simplasto teriam vantagens sôbre os que são transportados no apoplasto dado que seriam fácilmente distribuídos dentro da planta, e o movimento descendente daria maior possibilidade no contrôle das doenças, pois, permitiria que um produto aplicado nas folhas fôsse transportado para as raízes. 8.3.SEGUNDO A COMPOSIÇÃO QUÍMICA 8.3.1.MERCURIAIS - Os fungicidas a base de mercúrio ou mercuriais inorgânicos ou orgânicos, utilizados em larga escala nas primeiras décadas do século XX, não serão abordados e nem recomendados para o contrôle de doenças, ou mesmo para o tratamento de sementes e de partes propagativas de plantas em caráter preventivo. Os mercuriais posuem DL50 entre 25-30 mg/Kg/PV e tolerância zero ppm, situando-se entre os produtos mais tóxicos, sendo proibidos por lei, o uso de fungicidas desse grupo. 8.2.3.FUNGICIDAS CÚPRICOS - Fungicidas cúpricos que apresentam espectro amplo, ação bacteriana e algicidas, eficientes contra a ferrugem do cafeeiro são, depois dos sulfurados, os mais extensivamente usados no mundo agrícola. Isso se deve principalmente ao relativo baixo custo e a capacidade de controlar um grande número de patógenos. são essencialmente fungicidas protetores de folhagens. O fungicida mais eficiente do grupo é a da calda bordalesa.

CLASSIFICAÇÃO - os principais compostos de cobre de baixa solubilidade usados em pulverizações podem ser agrupados em quatro categorias: a dos sulfatos básicos; oxicloretos; óxidos e hidróxidos. A dosagem recomendada desses compostos variam com a cultura, condições do meio ambiente e com a severidade da doença. Em geral são usados na concentração de 200 a 500 gramas do produto para 100 l de água, ou de 2 a 4 Kg/ha. a) SULFATO DE COBRE CALDA BORDALESA VANTAGENS - Devido a calda ser de textura muito fina e de consistência gelatinosa apresenta boa adesividade e alta tenacidade na folhagem; seu depósito na superfície foliar é muito mais difícil de ser removido do que qualquer outro fungicida; custo relativamente baixo dos ingredientes que compõem a mistura; possibilidade de contrôle de grande número de doenças e não ser tóxica ao homem. DESVANTAGENS - Fitotoxicidade para certas plantas, principalmente em órgãos em desenvolvimento; apresenta tendência no retardamento do amadurecimento; mais trabalhosa e exige mais cuidado no preparo, podendo causar corrosão em equipamentos. PREPARO - As proporções em pêso de sulfato de cobre e cal apagada (95% de CaO) variam geralmente, de 0,5Kg/0,5Kg, 1Kg/1Kg ou 2Kg/2Kg para 100 litros de água obtendo-se, respectivamente, calda bordalesa 0,5:0,5 (O,5%), 1:1 (1%) ou 2:2 (2%). PREPARO DA CALDA A 1 % Material necessário 1 Kg de cal virgem de boa qualidade (95% de CaO); Barris de madeira, tinas de madeira ou vasilhame de plástico, com capacidade de 100 litros; Canecas alouçadas ou de plástico, graduadas e baldes alouçados ou de plásticos; 1 Kg de sulfato de cobre; Agitadores (colheres de pau); Lâmina (faca) não inoxidável; Papel tornassol ou papel universal Merk com escala de cores; Coador (peneira comum); Água.

Sulfato de cobre 2 Kg Cal virgem 1 Kg Água 12 l Preparação: Dissolver o sulfato de cobre em seis litros de água e preparar idêntica quantidade de "leite de cal". Reunir os componentes acima conjuntamente, enquanto se agita. No passado foram empregadas diversas combinações de sulfatos de cobre com outros compostos no preparo de várias caldas, hoje em dia superadas, tais como a calda Borgonhesa, solução de Burgandy, água celeste e outras. FITOTOXIDEZ: geralmente baixa, exceção para algumas culturas sensíveis como‚ o caso das rosáceas, frutíferas, algumas solanáceas, cucurbitáceas e crucíferas, principalmente em plantas ou órgãos de plantas nos estágios iniciais de desenvolvimento e sob baixa temperatura. b) SULFATO BÁSICO DE COBRE Toxicidade: Considerado não tóxico. Fitotoxicidade: Não apresenta quando aplicado nas dosagens recomendadas (em rosáceas só deve ser pulverizado durante o repouso vegetativo). Carência: Não há exigências. Compatibilidade: compatível com a maioria dos defensivos agrícolas. Produto comercial: Rhodiacuivre. c) OXICLORETO DE COBRE Toxicidade: DL50 10000 mg/Kg. Fitotoxicidade: Efeitos fitotóxicos podem se manifestar através de endurecimento perceptível, amarelecimento e crestamento de folhas em plantas jovens, particularmente em cucurbitáceas e rosáceas. Carência: Não há exigências. Poder residual: 7 a 10 dias. Compatibilidade: É compativel com a maioria dos inseticidas, exceção aos oleosos ou alcalinos, não devendo ser combinado ao TMTD, calda sulfo-cálcica e ditiocarbamatos. Produtos comerciais: Cobre Azul; Cobre 50 Nortox; Coprantol; Cupra Verde Cupramix Super; Cupravit Azul; Cupravit Verde; Cuprosan Azul; Ferticobre 50; Fungicobre 50%; Funguran Azul 35; Funguran Azul 45; Funguran verde; Hokko Cupra Extra 35%; Hokko Super 50%; Kauritil; Oxicloreto de Cobre

50 Nortox; Oxicloreto Sandoz Azul; Pereclor 50%; Recop; Viricobre 50; Vitigran Azul; Vitigran Concentrado; Zetacobre 50 Verde. d) HIDRÓXIDO DE COBRE Toxicidade: DL50 1500 mg/Kg. Fitotoxicidade: Efeitos fitotóxicos podem se manifestar desde endurecimento, levemente perceptível, da planta até evidente amarelecimento do caule e/ou crestamento foliar, particularmente em plantas ou partes de plantas em desenvolvimento. Poder residual: 7 a 10 dias. As formulações de hidróxido de cobre são empregadas como protetores de folhagens. Produtos comerciais: Cupravit Azul; Kocide 35; Kocide 101; Kocide 200. e) ÓXIDO CUPROSO Toxicidade: DL50 470 mg/Kg. Fitotoxicidade: Normalmente não fitotóxico nas doses recomendadas. Pode apresentar fitotoxidez em crucíferas e outras espécies sensíveis a cobre. Carência: 7 dias. Compatibilidade: compatível com todos os defensivos agrícolas de reação neutra. Incompatível com a calda sulfo-cálcica. Produtos comerciais: Cobre Nortox; Cobre Sandoz; Cobre Sandoz R; Perenox. FUNGITOXICIDADE: Os fungicidas a base de cobre interferem com o sistema oxi-redutor dos fungos bloqueando a multiplicação ou matando-os. 8.3.3.FUNGICIDAS SULFURADOS INORGÂNICOS - Entre as razões pelas quais os fungicidas a base de enxôfre são muito utilizados no mundo podemos citar: a) Alta eficiência no contrôle de oídios; b) Além de oídios controlam também outras doenças como a pinta preta da roseira, sarna da macieira, sarna do pessegueiro, podridão parda do pessegueiro, etc.; c) Têm ação acaricida; d) Ausência de resíduos tóxicos; e) Baixo custo em relação aos orgânicos sintéticos. Esses fungicidas não podem ser usados em cucurbitáceas e não devem ser pulverizados durante a floração e em dias ensolarados. CLASSIFICAÇÃO

Cal virgem 10 Kg Água 100 l PREPARAÇÃO - numa vasilha de ferro, fazer uma mistura de enxôfre com água morna, formando uma pasta e, adicionar a cal. Enquanto esta se apaga, adicionar água quente. Completar o volume, de preferência com água quente, agitar a mistura e aquecê-la até a fervura por uma hora. Durante o aquecimento, necessário se torna uma agitação constante dos ingredientes e a manutenção do volume original, por reposição de água evaporada. A calda obtida é constituida por sulfetos e polissulfetos, têm cor amarelo-avermelhada e apresenta concentração correspondente a 24 graus Bé.,depois de coada e fria. Deve ser conservada em recipientes bem fechados. Na ausência destes, deitar óleo sôbre a mesma na quantidade necessária a formação de fina camada superficial isolante. A calda-sulfo-cálcica de fabricação industrial, que se encontra no mercado, têm concentração mais elevada (32-34 graus Bé.). Antes da aplicação sôbre as plantas, sob a forma de pulverização a calda bordalesa deve ser diluída. Para tal, determina-se a densidade através do aerômetro de Beaumé. A partir da calda padrão (concentrada), várias concentrações são formuladas para uso, de acôrdo com a concentração da calda desejada. A concentração vai depender da sensibilidade da cultura, das condições de meio ambiente e do patógeno. Em tempo quente e úmido deve-se dar preferência as caldas mais diluídas (1:40). Na época de repouso vegetativo de determinadas plantas, empregam-se caldas mais concentradas (1:25). Se a calda preparada tem uma concentração de 30 graus Bé., e deseja-se aplicá-la a 4,0 graus Bé., numa dada cultura, determina-se na Tabela 1, o encontro das duas colunas 30 e 4,0 graus Bé., que é de 8,2. Isto significa que se deve tomar 1 litro de calda a 30 graus Bé., e diluí-la em 8,2 litros de água, para ter-se a calda a concentração de 4,0 graus Bé. A calda sulfo-cálcica é bastante fitotóxica para muitas plantas, principalmente quando a temperatura ambiente é elevada. Seu maior emprêgo nas culturas é no período do inverno, ou seja, de repouso vegetativo. É usada como fungicida protetor e erradicante nas regiões de clima temperado, visando eliminar fonte de inóculo em plantas, na fase de repouso vegetativo. Além do efeito fungicida, exerce ação sôbre ácaros, cochonilhas e outros insetos sugadores. PASTA SULFO-CÁLCICA PARA PINTURA Enxôfre 30 Kg Cal virgem 30 Kg Água 100 l PREPARAÇÃO - Semelhante a calda sulfo-cálcica

c) POLISSULFETO DE BÁRIO Produto comercial: Solabar. FORA DE MERCADO FUNGITOXICIDADE: Os fungicidas a base de enxôfre penetram no patógeno através da membrana celular, impedindo a absorção de oxigênio. 8.3.4.FUNGICIDAS DITIOCARBÂMICOS - A introdução dos ditiocarbamatos durante a década de 1930 marcou o começo do uso dos produtos químicos orgânicos para o contrôle de doenças de plantas em grande escala. As propriedades fungicidas dos ditiocarbamatos foram descobertas por Tisdale e Williams, em 1931, nos Estados Unidos. Constitui o conjunto de fungicidas atualmente mais utilizados no contrôle de doenças de plantas, devido serem amplamente empregados na agricultura em pulverização de folhagem, tratamento de sementes, do solo, em pós-colheita e no tratamento de madeiras. Possui também ação acaricida. Outra característica desses produtos é o largo espectro de que possuem. Exercem ação fungitóxica contra vários patógenos. Estas características, aliadas a baixa fitotoxidez e toxidez para o homem, ao baixo custo em relação aos produtos sistêmicos e ao fato de não serem específicos e não induzirem o aparecimento de novas raças fisiológicas de fitopatógenos, fazem com que sejam os produtos químicos mais importantes utilizados no contrôle de doenças de plantas. Todos os fungicidas carbamatos disponíveis no mercado são derivados do ácido ditiocarbâmico. Este ácido não ocorre no estado livre, foi sintetizado na década de 1920, para acelerar a ação do enxôfre na vulcanização da borracha. Não agem contra oídios nem bactérias. Este ácido apresenta a seguinte fórmula estrutural: H S \ " N - C - S - H / H Ácido Ditiocarbâmico CLASSIFICAÇÃO a) ETILENO BIS-DITIOCARBAMATO DE ZINCO (ZINEB) Toxicidade: DL50 5200 mg/Kg/PV.

Poder residual: 20 a 30 dias. Compatibilidade: Compatível com a maioria dos defensivos agrícolas. Incompatível com produtos de reação alcalina. Bom para a antracnose da videira. Produtos comerciais: Rhodisan; Ziram Técnico; Pomarsol Z Forte; Polyram Forte; Fungitox

f) BISSULFETO DE TETRAMETILTIURAM (THIRAM OU TMTD) Toxicidade: DL50 780 mg/Kg/PV. Fitotoxicidade: Não apresenta. Carência: 7 dias. Compatibilidade: Compatível com a maioria dos defensivos agrícolas. Produtos comerciais: Auram 700; Rhodiauram (PM e Pó); Oleosan; Arasan; Thylate; Thiram Ciba Geigy. g) BISSULFETO DE TIURAM DE ZINCO ATIVADO (METHIRAM) Toxicidade: DL50 6400 mg/Kg/PV. Fitotoxicidade: Não apresenta. Poder residual: 7 a 10 dias. Compatibilidade: Incompatível com Parathiom, óleos, produtos a base de cobre fixo e produtos com reação alcalina. Produtos comercias: Dynamal M-80; Polyram Combi; Polyram Combi 10 P. h) PROPILENO BIS-DITIOCARBAMATO DE ZINCO (PROPINEB) Produtos comerciais: Antracol (PM e Pó); Airone 70 PM. FORA DE MERCADO. FUNGITOXICIDADE: Ocasionam distúrbios orgânicos provocados pelos produtos de transformação do enxôfre (íon isotiocinato). 8.3.5.FUNGICIDAS QUINÔNICOS - As quinonas são conhecidas há mais de um século, mas, suas atividades antimicrobianas, identificadas químicamente, só foram relatadas no início do século XX, quando Furuta, em 1902, demonstrou que, 1,4-benzoquinona era fungitóxica, bactericida, algicida e fitotóxica. Em 1923, foi dado a Brodersen e Ext a patente de fenoquinona como fungicida.

Os compostos mais importantes dentro desse grupo são: a) CHLORANIL (Tetracloroparabenzoquinona) Toxicidade: DL50 4000 mg/Kg/PV. Fitotoxicidade: Pode ser fitotóxico em sementes de beterraba, pimentão, espinafre e tomate. Compatibilidade: Compatível com a maioria dos outros protetores de sementes. Esse produto só é empegado para tratamento de sementes e desinfestação de bulbos, estacas e tubérculos. Produto comercial: Spergon. b) DICLONE (Dicloronaftoquinona) Toxicidade: DL50 1300 mg/Kg/PV. Fitotoxicidade: Não apresenta. Compatibilidade: Incompatível com óleos, DNOC, enxôfre e produtos de reação alcalina. Produto comercial: Phygon XL. c) DITHIANON (Dicianoditioantraquinona)´ Toxicidade: DL50 638 mg/Kg/PV. Fitotoxicidade: Baixa nas dosagens recomendadas, exceto para algumas cultivares de maça. Carência: 21 dias. Compatibilidade: Compatível com a maioria dos fungicidas formulados em pó-molhável e inseticidas. Incompatível com produtos de reação alcalina e óleos minerais. Produtos comerciais: Delan; Dela-col; Thynon. FUNGITOXICIDADE: Inibem muitas enzimas oxidativas, carboxilases e outras enzimas implicadas no metabolismo de fósforo e na síntese de citrato. 8.3.6.FUNGICIDAS HETEROCÍCLICOS NITROGENADOS - Estes produtos não têm a ação bactericida. Os fungicidas pertencentes a esse grupo são: a) CAPTAN