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Conversor boost para estação de telecomunicações
Tipologia: Notas de estudo
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Guilherme Zirr Mauro Fonseca Rodrigues Renan Hermes
Ijuí, 01 de julho de 2009.
Neste trabalho iremos projetar um conversor CC-CC elevador na configuração
Boost.
O intuito do trabalho, além de dominar e praticar as ferramentas matemáticas
usuais para projeto de conversores, é encontrar uma aplicação prática para um
conversor no dia-dia da Engenharia Elétrica.
No caso a expor iremos, hipoteticamente, gerar uma necessidade inusitada
ocasionada por uma implantação de novos equipamentos com tensão nominal diferente
dos antigos. Dessa forma, para não retardar a instalação e atender a nova
especificação de alimentação projetaremos o conversor para suprir as novas
necessidades.
Existem casos que as trocas de equipamentos acarretam problemas na
alimentação dos mesmos gerando solicitações para a concessionária de energia e
revisões na planta instalada como carga e demanda do local.
No caso deste trabalho buscamos uma possibilidade real, que pode acontecer a
qualquer momento, onde a substituição de equipamentos gera a necessidade de
adaptação da tensão de entrada com a tensão de saída.
O exemplo utilizado situa-se numa estação de telecomunicações, provedora de
serviço de voz e dados para os clientes de uma pequena localidade. Essa estação
possui uma demanda total máxima de 15A e os novos equipamentos instalados
funcionam com 48V de tensão nominal. Os equipamentos antigos, substituídos,
funcionavam com 44V e estavam ligados diretamente na Unidade Retificadora que
convertia a tensão alternada fornecida pela concessionária.
De forma a não precisar substituir a Unidade Retificadora, UR, pode-se implantar
um Conversor CC-CC para ampliar a tensão de entrada com vista a atender a nova
tensão nominal do equipamento instalado. A opção, como a tensão de saída será maior
que a tensão de entrada, é implantar um conversor elevador ou Boost, como é mais
conhecido.
A seguir apresentaremos um pouco sobre a teoria de funcionamento deste
conversor e as etapas de projeto para o mesmo. Utilizaremos as metodologias
estudadas na Disciplina de Eletrônica de Potência da faculdade de Engenharia Elétrica
da Unijuí.
1.1.. Teoria conversores CC-CC
Conversores CC-CC são sistemas formados por semicondutores de potência operando como interruptores, e por elementos passivos, normalmente indutores e capacitores que tem por função controlar o fluxo de potência de uma fonte de entrada para uma fonte de saída, adaptando tensão de entrada e saída conforme especificado em projeto.
Figura 1-Conversor cc-cc e forma de onda de tensão de saída
Onde Fs é a freqüência de comutação. Esta freqüência tende a ser a mais alta possível, diminuindo assim o volume dos elementos magnéticos e capacitivos do conversor e melhorando ou eliminando os ruídos audíveis produzidos pela oscilação. A razão entre o intervalo de comutação (T s) e o intervalo de condução do interruptor S (T on ) é definida por razão cíclica e dada por:
A tensão média na saída deste conversor é calculada por:
Usando T on = D.Ts tem-se:
A relação entre a tensão de saída e a tensão de entrada é definida por ganho estático do conversor e dada então por:
Pelo gráfico mostrado na Figura 2 pode-se notar que a variação da tensão de saída contra a razão cíclica é linear.
Gráfico 1-Ganho estático em função de D.
Os sinais de comando do interruptor podem ser gerados com freqüência de comutação fixa ou variável. Uma forma de gerar os sinais de comando com frequência fixa é através de modulação por largura de pulso (PWM). Na Figura 2 mostra uma forma simples de realizar PWM.
Figura 2-Exemplo de circuito PWM.
Algumas aplicações de conversores:
As principais características do conversor Boost são:
Uma estação de pequeno porte para telecomunicações possui, geralmente, uma configuração mínima com central telefônica – para serviços de voz, meio de transmissão – para transporte da voz, UR (Unidade Retificadora) – para transformar a tensão senoidal da rede em contínua e alimentar banco de baterias e os equipamentos. No caso específico deste projeto, estamos utilizando como exemplo hipotético a estação de Linha Santo Antônio, localizada no município de Cerro Largo e alimentada com 220VAC a partir da concessionária de energia. Os antigos equipamentos eletromecânicos possuíam diversas tensões de alimentação que foram sendo padronizadas em 48VCC. Para aplicarmos o conversor boost na planta estamos simulando uma possível troca de equipamentos alimentados com a tensão 44VCC para outros mais novos com alimentação de 48VCC. Os conversores eram muito utilizados nas estações de telecomunicações devido às várias faixas de alimentação dos equipamentos. Hoje, no entanto, estão sendo retirados para economizar energia e uma única fonte integrada (UR) realiza a conversão de energia para os equipamentos. A estabilidade da saída é atingida através do banco de baterias que funciona como filtro e fonte de alimentação para os casos de falta de energia a partir da concessionária. Para os dados apresentados até agora ficaria mais ou menos assim quanto à distribuição de corrente para os consumidores principais, onde Ic = corrente consumidor:
1.. Circuito e aplicação
O nosso conversor será analisado a partir do diagrama em bloco abaixo apresentado. Sua função é atuar como adaptador de tensão e suprir o banco de
baterias com a nova tensão de projeto, sem a necessidade de substituição da UR
empregada na estação. Além disso, mantém monitoramento sobre a demanda de energia fornecida pelo
banco de baterias, buscando suprir variações de carga e transitórios que, porventura, apareçam durante o funcionamento.
Figura 7 - Diagrama em bloco da estação de telecom
Figura 8 - Diagrama do conversor Boost a implementar
C = 54,68uF
Chave semicondutora controlada S 1 e o diodo de saída D 1 : as correntes de pico da
chave e no diodo são iguais às do indutor. Uma vez que é estabelecido um equilíbrio de energia no indutor, a corrente média da chave e do diodo é igual à metade da corrente média de entrada. A corrente de entrada tem a forma de uma senóide retificada, assim o valor médio para a condição de operação nominal é dado por: IS(media) = 14,73A
Quando a chave semicondutora controlada está no estado de condução a tensão de saída recai sobre o diodo. Quando a chave é bloqueada o diodo passa a conduzir e com isso a tensão de saída é aplicada diretamente à chave semicondutora. Como a operação se dá em alta frequência o diodo a ser usado deve ser do tipo rápido. Como chave semicondutora controlada pode-se usar IGBT (Isulated Gate Bipolar Transistor) ou MOSFET. (Metal-Oxide-Semiconductor Field-Effect Transistor) Assim as exigências para o diodo e a chave semicondutora controlada são:
3.. Circuito Projetado e Simulado
Abaixo o diagrama do circuito desenvolvido e as simulações.
Circuito implementado
Tensão de entrada (retificador) e saída (banco de baterias)
Tensão média de entrada e de saída
VS1 - Tensão sobre a chave
VL – Tensão sobre o indutor (geral e ampliada)
As aplicações envolvendo conversores são vastas. Abrangem um rol imenso de
possibilidades onde podem ser empregados para melhorar o sistema, como otimizar
recursos de tensão, diminuir ondulações, amplificar corrente ou fixar saída para uma
entrada variável.
De posse das especificações da necessidade a ser suprida pode-se adotar a
melhor configuração disponível para empregar ou pesquisar formas inovadoras de
atender àquela demanda.
Neste trabalho projetamos e simulamos um conversor elevador de tensão de
forma que atendesse uma estação de telecomunicações, a partir das especificidades
desta. A aplicação prática dos conceitos de Eletrônica de Potência melhorou o
entendimento sobre o funcionamento de fontes chaveadas, alimentadores de bateria,
etc. Enfim, equipamentos que utilizam conversores para realizarem suas funções.
Sendo assim, obtivemos uma chance de vislumbrar um campo novo de
aplicações técnicas para os conceitos por nós aprendidos nas aulas da Engenharia
Elétrica e mais especificamente na área de eletrônica de potência.