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tudo sobre a criação de quelonios!!
Tipologia: Notas de estudo
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(Projeto Diagnóstico da criação de animais silvestres no Estado do Amazonas) Organização: Paulo César Machado Andrade - M.Sc. Laboratório de Animais Silvestres - Ufam Coordenador do Projeto Pé-de-Pincha
Apoio: Programa Trópico Úmido/CNPq
Publicação:
Dr.Luís Alberto dos S.Monjeló- Ufam Sônia Luzia de O.Canto, MSc. -SDS
Equipe do ProVárzea/Ibama Alzenilson Santos Aquino, Antônia Barroso, Anselmo de Oliveira, Arlene Souza, César Teixeira, Cleilim Albert de Sousa, Cleucilene da Silva Nery, Flávio Bocarde, Gionete Pimentel de Miranda, Kate Anne de Souza, Maria Luiza G. de Souza, Mário Thomé de Souza, Patrícia Maria Ferreira, Raimunda Queiroz de Mello, Tatiane Patrícia Santos de Oliveira, Tatianna Silva Portes, Valdênia Melo e Willer Hermeto.
ProVárzea/Ibama - Rua Ministro João Gonçalves de Souza, s/nº - Distrito Industrial - 69.075-830. Manaus, AM. Tel. (92) 3613-3083 / 6246 / 6754. Fax. (092) 3237-5616. Site: www.ibama.gov.br/provarzea
Ministério do Meio Ambiente – MMA Marina Silva Secretaria Executiva João Paulo Ribeiro Capobianco Departamento de Articulação de Ações da Amazônia André Rodolfo de Lima Programa-Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil Nazaré Lima Soares Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama Bazileu Alves Margarido Neto Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas Antônio Carlos Hummel Coordenação Geral de Autorização de Uso e Gestão de Fauna e Recursos Pesqueiros José Dias Neto Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea Coordenador: Marcelo Bassols Raseira Gerente Executivo: Manuel da Silva Lima Gerente Componente Iniciativas Promissoras: Marcelo Derzi Equipe GTZ: Viktor U. Dohms, Wolfram Maennling Assessora de Comunicação: Jane Dantas
Introdução........................................................................ 1 Capítulo 1: Manejo comunitário de quelônios – a parceria ProVárzea/Ibama – Pé-de-Pincha........................ 12 Capítulo 2: Revisão sobre as características das principais espécies de quelônios aquáticos amazônicos..................................................................... 24 Capítulo 3: Áreas de reprodução de quelônios protegidas pelo RAN-Ibama/Amazonas e Ufam................. 55 Capítulo 4: Ecologia de quelônios pelomedusídeos na Reserva Biológica do Abufari...................................... 127 Capítulo 5: Genética molecular das populações das espécies de quelônios do gênero Podocnemis na Amazônia: resultados preliminares................................. 174 Capítulo 6: Fisiologia e bioquímica de quelônios e suas implicações para o manejo e a criação em cativeiro......................................................................... 193 Capítulo 7: Instalações para a criação de quelônios....... 222 Capítulo 8: Alimentação e nutrição de quelônios aquáticos amazônicos ( Podocnemis spp_._ )........................ 259 Capítulo 9: Desenvolvimento de tartaruga-da- amazônia ( P.expansa ) e tracajá ( P. unifilis ) em cativeiro, alimentados com dietas artificiais em diferentes instalações..................................................... 287 Capítulo 10: Manejo em criações de quelônios aquáticos no Amazonas: adubação, densidade de cultivo, desempenho de diferentes espécies, populações e sexo.......................................................... 329 Capítulo 11: Manejo reprodutivo, predação e sanidade....................................................................... 367 Capítulo 12: Caracterização socioeconômica e ambiental da criação de quelônios no estado do Amazonas e comercialização........................................... 408 Capítulo 13: Cultivo de tartaruga-da-amazônia ( P. expansa ): alternativa ecológica, técnica e econômica ao agronegócio amazônico.............................................. 437 Capítulo 14: Abate experimental da tartaruga-da- amazônia ( P. expansa ) criada em cativeiro..................... (^449) Referências bibliográficas........................................... 487
Introdução
O homem da Amazônia sempre aproveitou os recursos da fauna como alimento ou fonte de subprodutos (peles, penas, óleos, etc.) para a venda. A proibição da caça, em 1967, não extinguiu essa atividade, mas a reduziu drasticamente, retirando uma das fontes de renda dos ribeirinhos.
Desde o século XVII que a região onde hoje se situa o estado do Amazonas é conhecida como o grande berçário de quelônios de água doce. A exploração realizada pelos portugueses trazia à capitania de São José da Barra do Rio Negro, milhões de tartarugas ( Podocnemis expansa ), tracajás ( Podocnemis unifilis ) e iaçás ( Podocnemis sextuberculata ) para serem abatidos. Em 1792, segundo relatos de Silva Coutinho apud Andrade (1988), registra- se em apenas um ano o abate de 24 milhões de tartarugas na cidade da Barra do Rio Negro, a futura Manaós. A primeira proibição surge em 1849, restringindo a produção de manteiga de ovos e proibindo o consumo de filhotes. Em 1855, surge a primeira Resolução de nº 54 protegendo os tabuleiros do Solimões, Amazonas, Urucurituba, Negro e outros, pois as espécies, principalmente a tartaruga, começavam a desaparecer. Todavia, na Manaus dos idos de 1950 e 1960, era comum vender tartarugas em carrinhos de mão pelas ruas. No Mercado Adolpho Lisboa, o principal da cidade, havia uma área com “curral” para armazenamento dos animais vivos que, posteriormente, eram abatidos. No Careiro, Terra Nova e outras áreas próximas a Manaus, eram mantidos grandes depósitos de quelônios para abastecer a capital amazonense (Andrade, 1988)
com, aproximadamente, 6 anos de idade, quando eram comercializados. O criatório pertencia ao sr. José Maria Vieira que, segundo relatos, recebeu em um único lote 100. tartaruguinhas.
No Estado do Amazonas, as atividades do Projeto Quelônios da Amazônia tiveram início em 1975 com trabalhos no rio Branco (afluente do rio Negro) e em Codajás, sendo que em 1977 foram criados oficialmente vários tabuleiros no Purus (Axioma, Santa Luzia, Aramiã, e outros) e no Juruá (próximo a Carauari: Deus é Pai, Pão, Pupunha, Manariã; e em Itamarati: Walter Buri, Marimari, Iracema, etc.). Grande parte dessas áreas eram tabuleiros oriundos do trabalho de conservação executado por grandes seringalistas daquela região. O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), com apoio dos proprietários locais e da experiência das comunidades próximas, treinou pessoas e, já naquele ano, houve produção de cerca de 55.000 filhotes nas áreas protegidas do Juruá (RAN-AM, 2001). Em 1989, a proteção passou a ser realizada apenas nos tabuleiros do Abufari (rio Purus) e em Walter Buri (rio Juruá), sendo a produção desses dois tabuleiros estimada em 108. filhotes de quelônios. A partir de 1995, os trabalhos de proteção passam a se concentrar na Reserva Biológica do Abufari (onde se encontra o tabuleiro/praia de maior produção de quelônios no Amazonas), em Walter Buri e na Reserva Extrativista do Médio Juruá (maior área produtora de quelônios do estado). A produção da praia do Abufari foi de 67.680 filhotes em 1977, subindo para 415.000 em 1994, caindo para 170.000 em 2000. Em 2003, a produção estimada de filhotes de tartaruga em Abufari foi de 260.000 animais. A Resex do Médio Juruá protege cerca de dez tabuleiros remanescentes das áreas protegidas pelos antigos donos de seringais: Jacaré (seringal Pupunha, comunidade Nova Esperança), Deus é Pai, Manariã, Ati
(comunidade do Roque), Gumo do Facão, Bauana, Bom Jesus, Marari
(comunidade do Pau-Furado), Itanga, Mandioca. A produção média é estimada em 250.000 filhotes de tartaruga, tracajá e iaçá. Desde 2001,
o Ibama tem trabalhado em 73 áreas diferentes, em oito calhas de rio (Juruá, Purus, Madeira, Negro, Uatumã, Amazonas, Nhamundá e
Trombetas), com uma produção média anual de 1.500.000 filhotes de quelônios (Andrade, 2002).
A venda ilegal de quelônios capturados na natureza ainda é extremamente elevada no Estado do Amazonas. A tartaruga e o tracajá
são as espécies mais procuradas para a criação comercial. A criação de quelônios depende da retirada de milhares de filhotes dos tabuleiros
protegidos pelo Ibama. O principal fornecedor, de 1995 a 1998, era a
Reserva Biológica do Abufari, sendo que a retirada anual de filhotes carecia de qualquer critério científico, com cotas arbitrariamente
estabelecidas. Não existiam informações ou qualquer investigação sobre os estoques naturais. Nada se sabia sobre a abundância e
densidade, área de vida, uso de habitats, taxas de sobrevivência de filhotes em diferentes estágios de vida (filhotes, jovens, subadultos e
matrizes). Hoje, os principais fornecedores de filhotes para os
criadores do Amazonas são os tabuleiros de Walter Buri, no rio Juruá, monitorado pelo Posto de Eirunepé, e Sororoca e Toró, no rio
Branco/RR. No Estado do Amazonas existem aproximadamente 196 projetos de criação comercial de animais silvestres, em análise, junto
ao Ibama-AM, sendo que já encontram-se registrados 78 criadouros em Manaus, 21,66%; Manacapuru, 21,66%; Itacoatiara, 21,7%;
Iranduba, 4,7%; Rio Preto da Eva, 21,66%; Lábrea, 4,7%; São Gabriel da Cachoeira, 2%; e Urucará, 2% (Canto et al., 1999). Destes, 88,46%
são criatórios de tartaruga. O Estado é o que possui o maior número
vaqueiros na pecuária, na agricultura de subsistência ou como pescadores. Como essas atividades não geram tanta renda, a subsistência e a captação de recursos são conseguidas pela exploração dos recursos naturais. Nesse contexto, entram a castanha, a madeira e a fauna, em sua grande maioria exploradas de maneira predatória e irracional (Smith & Pinedo, 2002).
Devido à caça de adultos e à coleta de ovos, as populações de quelônios vêm desaparecendo. Adultos e ovos são coletados pelas comunidades locais para consumo ou venda para Manaus. Em Carauari, Juruá e Parintins/AM, todavia, algumas áreas foram protegidas por iniciativa dos próprios produtores rurais e por associações comunitárias ambientalistas. Desde 1999, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o RAN/Ibama-AM, com o apoio das comunidades de Parintins, Nhamundá, Barreirinha, Terra Santa, Juruti e Oriximiná, das prefeituras locais, CNPq, Fapeam, Programa Universidade Solidária e ProVárzea vêm realizando o manejo participativo de quelônios, tendo realizado as seguintes atividades: Seminário Sobre Manejo Sustentável de Tracajás (255 participantes) e reuniões (21.630 participantes); Capacitação de 101 agentes ambientais; Curso e Reciclagem em Educação Ambiental para 405 professores; Construção de cercados nas áreas protegidas e transferência de ninhos; 5. Fiscalização; Palestras nas escolas e comunidades (67. participantes) sobre meio ambiente e alternativas de desenvolvimento; Minicursos (tecnologia do pescado, criação caipira de galinhas, plantas medicinais, hortas comunitárias, manejo de quelônios, etc., 1.021 participantes); Treinamento de campo para 86 professores, 684 alunos e 238 comunitários, e visita a campo com 660 participantes; Participação de 850 famílias, envolvimento direto de 3.455 pessoas, e abrangência de 23. pessoas nas 83 comunidades e na sede. Nos primeiros anos, em 1999 - 2000, foram transferidos 1.847 ninhos, 38.229 ovos
e soltos 29.476 filhotes na natureza (Andrade et al., 2001). O número total de filhotes devolvidos à natureza de 1999 a 2007 chega a 646.459 (74,4% tracajás, Podocnemis unifilis ; 7,6% tartarugas, P.expansa ; 10,9% iaçás, P.sextuberculata ; e 7,1% irapucas, P.erythrocephala) em oito anos. Através deste programa de conservação de recursos naturais e extensão, denominado “Pé-de- Pincha”, o Ibama e a Ufam conscientizaram e capacitaram essas 83 comunidades de 7 municípios do Médio-Baixo Amazonas para o manejo racional de quelônios.
Apesar de explorados de forma predatória, sem técnicas para o extrativismo de forma sustentável, a tartaruga ( Podocnemis expansa ), o tracajá ( P. unifilis ) e o iaçá ( P. sextuberculata ) têm ampla distribuição e potencial reprodutivo, sendo uma alternativa real de proteína (qualidade e quantidade) na dieta dos habitantes da Amazônia. Contudo, para o uso desse recurso é necessário que seja desenvolvido um programa de manejo para evitar uma superexploração (Voigt, 2003). As taxas de exploração da população, sua sobrevivência, recrutamento e tamanho podem ser estimados através do estudo de dinâmica de populações. A avaliação dos estoques (grupos discretos de animais com parâmetros populacionais constantes na área de distribuição) tem como finalidade fornecer orientações sobre o nível ótimo da exploração desses recursos aquáticos renováveis (Ibama, 2003; Bataus, 1998). A criação de quelônios em cativeiros licenciados poderá, de certa forma, amenizar a situação desses animais quanto à pressão de caça e à extinção. Através da Portaria nº 142/92 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, que normatiza a criação comercial da tartaruga- da-amazônia e do tracajá, em cativeiro, o Governo brasileiro pretendeu proporcionar ao consumidor de produtos da fauna, a oportunidade de conseguir o animal para consumo, de forma legal,
pioneiros não tiveram
criações no conhecimento empírico e em algumas informações
repassadas pelo Cenaqua – Ibama, Amazonas (Duarte, 1998). Diante da real situação da criação em cativeiro de tartaruga e tracajá no estado do Amazonas, percebeu-se a necessidade de determinar parâmetros zootécnicos para a queloniocultura e a partir desse quadro, diagnosticado, propor formas de manejo para garantir melhores desempenhos desses animais em cativeiro.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Ibama iniciaram em 1997 o projeto Estudos de Zootecnia, Biologia e Manejo de Animais Silvestres para a Região Amazônica e em 1998 o
Diagnóstico da Criação de Animais Silvestres no Estado do Amazonas, com apoio do Programa Trópico Úmido/CNPq. Através dessa parceria, um grupo de pesquisadores das duas instituições passou a desenvolver trabalhos sistematizados de manejo, nutrição, genética, fisiologia e bioquímica, parasitologia, ecologia reprodutiva, biologia do crescimento e estudos socioeconômicos sobre os criatórios. Em visitas bimestrais aos criadores, os pesquisadores passaram a prestar assistência técnica repassando,
simultaneamente, os resultados das pesquisas que estavam realizando. Além dessa atividade de extensão direta, os trabalhos do grupo foram divulgados através da mídia, o que gerou uma procura muito grande por implantação de projetos individuais e comunitários, cursos e material bibliográfico.
A Ufam e o Ibama conseguiram, nos últimos nove anos,
aprovar projetos na área de criação e manejo de animais silvestres, que totalizam R$ 827.828,19 destinados à pesquisa básica e aplicada, sendo que a Ufam destinou recursos de capital e custeio
assistência técnica adequada, baseando suas
de mais de R$ 61.533,10 como contrapartida para o projeto “Diagnóstico.../PTU” e para projetos PIBIC, e de R$ 65.000,00 para o Projeto de Extensão “Pé-de-Pincha”, além da concessão de bolsas institucionais de iniciação científica e de extensão, totalizando R$ 58.560,00. As principais unidades de pesquisa com criação de animais silvestres são a Fazenda Experimental da Universidade, com criatórios comerciais de quelônios e capivaras, e científicos, de caititus, queixadas, pacas, cutias e jabutis, e o Centro Experimental de Criação de Animais Nativos de Interesse Econômico (Cecan), do Ibama-AM. Além desses, completam as unidades de pesquisa os laboratórios de criação de animais silvestres, de zoologia, de parasitologia e de genética. O campus avançado de Parintins é a base logística para os trabalhos com manejo participativo de quelônios, por comunidades no Baixo Amazonas e oeste do Pará.
Essas informações demonstraram a importância estratégica que a Universidade Federal do Amazonas e a Divisão de Fauna do Ibama-AM conferiram à pesquisa com criação e manejo de animais silvestres, sendo que, graças aos resultados alcançados, pode-se dizer que, hoje o Amazonas possui um pacote tecnológico mínimo para servir de referência aos criadores de quelônios, capivaras, pacas e cutias no estado (densidade de cultivo; tipo de instalação; alimentos preferidos; comportamento; desempenho de diferentes populações; aspectos de nutrição; avaliação socioeconômica das criações; índices zootécnicos; principais parasitas, local e época de abate). Além da pesquisa aplicada, o projeto gerou inúmeras informações sobre a variabilidade genética e citogenética de animais silvestres, parâmetros fisiológicos dos animais pesquisados e sobre a ecologia reprodutiva e predação de quelônios. O trabalho junto aos criadores permitiu o repasse imediato dos resultados da pesquisa e uma conseqüente melhoria nas técnicas de criação.
Marcelo Derzi Vidal^1 Tiago Viana da Costa^2
A várzea é um dos ecossistemas mais ricos da bacia amazônica em termos de produtividade biológica, biodiversidade e recursos naturais. Meio de vida para mais de 1,5 milhão de ribeirinhos, a várzea ocupa 300 mil km , ao longo da calha dos rios^2 Amazonas/Solimões e seus principais tributários, tamanho equivalente a 6% da superfície da Amazônia Legal (Santos, 2004). Seus rios e lagos, bem como outros corpos de água da Amazônia, abrigam 25% das espécies de peixes de água doce do mundo e outro número expressivo de anfíbios, répteis, aves e mamíferos que interagem em um complexo e exuberante, porém frágil, ecossistema. Apesar de sua capacidade produtiva e resiliência natural, o atual modelo humano de utilização dos recursos naturais está levando à degradação progressiva de suas áreas. Entre as principais causas desse processo podemos destacar (a) a gestão ineficiente; (b) a falta de políticas específicas para promover o desenvolvimento sustentável em seu ambiente – crédito, desenvolvimento tecnológico, infra-estrutura e regularização fundiária; (c) a escassez de sistemas
1- Gerente do Componente Iniciativas Promissoras do ProVárzea/Ibama – [email protected] [email protected]
2 - Técnico do Componente Iniciativas Promissoras do ProVárzea/Ibama – [email protected]
efetivos de manejo dos recursos naturais; (d) a deficiência do sistema de monitoramento e controle; e (e) a falta de uma estratégia de conservação específica para o ecossistema de várzea (Santos, 2005).
O ProVárzea/Ibama
Visando atenuar a progressiva degradação nessa região, considerada uma das mais vulneráveis da Amazônia, o Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (Ibama, 2002) surgiu para fomentar a conservação e o desenvolvimento sustentável da várzea, incentivando a participação das populações tradicionais que nela habitam. Vinculado ao Programa-Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG-7 e executado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o projeto tem como objetivo estabelecer as bases técnica, científica e política para a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais das várzeas da região central da bacia amazônica.
Uma das ações para o alcance de seu objetivo é o apoio a projetos que desenvolvam sistemas inovadores de manejo dos recursos naturais, que sejam sustentáveis dos pontos de vista social, econômico e ambiental, e que possam ser multiplicáveis não somente em outras áreas da várzea amazônica, mas também em outras regiões do país. No período de 2002 a 2006, o ProVárzea/Ibama, por meio do Componente Iniciativas Promissoras, investiu um montante de R$ 8.451.456,57 em 25 projetos nas seguintes linhas temáticas: (a) manejo dos recursos florestais; (b) manejo dos recursos pesqueiros; (c) agropecuária; e (d) fortalecimento institucional. Desse total de recursos, uma expressiva parcela foi destinada a atividades de capacitação, monitoramento e manejo de recursos, e escoamento e comercialização da produção. Ao todo, 115.486 pessoas foram atingidas diretamente nos 38 municípios dos estados do Amazonas e Pará, por meio dos projetos (Figura 1).