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cuidados ração
Tipologia: Notas de estudo
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RATION: ANIMAL FOOD PERISHABLE Daniel Pettersen Custódio 2 , Eduardo Valcácer Brandstetter 3 , Itamar Pereira de Oliveira^4 Luana Carvalho Oliveira 5 , Klayto José Gonçalves dos Santos^6 , Orlandina Ferreira Machado 7 , Ailton Antônio de Araujo 8 (^1) Trabalho de revisão sobre conservação de alimento animal (^2) Especialista em georreferência (^3) Especialista em Nutrição Animal (^4) Pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão e Professor da FMB (^5) Estagiária da UCG e CEFET (^6) Professor da FMB e UEG (^7) Professora da FMB/ISEMB (^8) Especialista em Computação
RESUMO. Os alimentos utilizados para a criação de animais devem receber atenção especial no que se refere à sua proteção contra o desenvolvimento de fungos. Durante o seu crescimento, os fungos produzem algumas substâncias que prejudicam os animais que consomem tal alimento contaminado. Cada matéria prima utilizada na confecção da ração deve ser analisada no ato da compra e ao longo de todo o período que passa nas dependências da fábrica de ração. É preciso que a qualidade do alimento seja monitorada para que não se ofereça produtos que possam prejudicar a saúde animal. As matérias primas utilizadas na confecção de ração, por serem ricas em nutrientes servem como um ótimo substrato para o desenvolvimento de fungos. PALAVRAS CHAVE : alimentação animal, fábrica de ração, farelos, farinhas, micotoxina.
SUMMARY. The food used for animal breeding needs to receive especial attention against fungal development protection. During fungus growth, there are toxic substance production prejudicing
the animal food consumers. Each raw material to be used in animal food production needs to be analyzed at buying moment and during the all the time that this same material pass through factory dependence. Its necessary that food quality be accompanied to not offer animal health risks. The raw matter used to produce food, due to its high nutrient composition, is a good substrate to fungal development. KEY WORDS : animal food, flour, fungal toxin, pollard, ration factory
INTRODUÇÃO A atividade pecuária é muito importante para a economia brasileira, sendo desenvolvida em todas as regiões do país. Dentro do setor agropecuário, a alimentação é um aspecto fundamental para a obtenção do máximo desempenho produtivo em uma criação de animais. A indústria de alimentos para animais vem crescendo no Brasil, especialmente em razão do maior número de animais que vem sendo alimentado com rações completas. Também se traduz em uma atividade altamente lucrativa quando bem desenvolvida. Para que sejam atingidos os objetivos de produção de alimentos cada vez melhores e em maior quantidade, a manutenção de animais saudáveis e a utilização racional dos insumos, o nutricionista animal deve utilizar a formulação de rações como instrumento. O profissional pode detectar como um certo problema que acomete aos animais pode estar ligado a uma ração conservada de maneira inadequada ou ao seu uso indevido. Por isso, o controle de qualidade na produção desses alimentos é importante para a correta nutrição dos animais em cada fase da criação. Com isso pode-se explorar melhorar o potencial genético, aumentando a eficiência produtiva, reprodutiva e alimentar.
Figura 01: Vista interna da fábrica de ração, Campus II - UCG: Departamento de Zootecnia. Goiânia, 2003.
A fábrica tem que ser eficiente para que se possa obter lucratividade na comercialização dos produtos, ou seja, deve-se produzir o máximo de ração sem desperdícios de matérias-primas, de mão de obra e de insumos (Aguilar, 1999). Uma empresa produtora de rações tem que possuir um eficiente controle de qualidade dos ingredientes disponíveis para elaboração e que garantam a qualidade da ração produzida. Não resta a menor dúvida que da qualidade das rações depende o desempenho da produção animal. Por isso, são necessários constantes monitoramentos na qualidade dos ingredientes que compõem a ração e no processo de produção das mesmas, com intuito de identificar e solucionar os problemas que possam comprometer a qualidade do produto final (Belaver, 2002). Segundo SINDIRAÇÕES (2002), produzir rações significa submeter os ingredientes a processos distintos e conhecidos. Para isso, é necessário operacionalizar os procedimentos de fabricação com controle de pontos críticos dos processos, visando obter o máximo potencial nutricional com modificações físicas e/ou químicas nos alimentos. Em geral, o controle de qualidade inicia-se no momento da compra das matérias primas, isto é, o comprador precisa adquirir produtos que irão permitir a elaboração de uma ração de alta qualidade, seja ela física, sanitária ou nutricional (Lázzari, 1992). Este autor recomenda ainda que o controle deve ser feito por uma pessoa encarregada e capacitada, que utiliza os próprios sentidos de
visão, olfato, tato e às vezes, o paladar. No processo de compra e recebimento dos ingredientes as seguintes características físicas devem ser usadas para confirmar a qualidade do ingrediente. Para tanto devem ser observados a coloração, odor, umidade, temperatura, textura, uniformidade, presença de contaminantes e de roedores e insetos.
Após as averiguações visuais, devem ser enviadas amostras dos ingredientes ao laboratório para analisar as seguintes frações: proteína e aminoácidos, umidade, fibra, macro e microelementos, energia, micotoxinas, putrefação e rancidez (Belaver, 2002). Segundo Luchesi (1994), os resultados obtidos das análises, deverão ser fixados em um mapa de controle, de modo que possam ser vistas prontamente as características de qualidade dos ingredientes e, em seguida, enviar estes ingredientes para a elaboração de rações. De acordo com Moraes (1997), o monitoramento laboratorial da qualidade das rações produzidas faz parte de um complexo sistema de garantia de qualidade. Para que fique evidente a preocupação com a qualidade do produto final, devem ser estabelecidas rotinas de verificação de qualidade dos ingredientes que chegam a fábrica e dos produtos acabados, as quais podem conter as provas laboratoriais. A garantia de qualidade do produto final, que é a ração, demonstra que estará apta a comercialização. Tardin (1989) citado por Stringhini (2001) apresenta uma série de ingredientes possíveis de serem utilizados nas rações e os classifica como fontes protéicas de origem animal, fontes protéicas de origem vegetal, fontes energéticas de origem vegetal, fontes minerais, microingredientes, fontes sintéticas. Os principais produtos são as farinhas de carne e ossos, de
moagem do trigo para obtenção da farinha (Parreira, 2002). O umedecimento acima de 14,5% dos grãos pode tornar o farelo excessivamente úmido e facilmente fermentável, ocorrendo aparecimento de mofo, rancidez e cheiro anormal (Purina, 1994). Possui ainda altos teores de fibras e é altamente laxativo (Stringhini, 2001). A proteína bruta do farelo de soja varia entre 44 e 48%. O conteúdo em gordura é de no máximo 1 a 2%, o que explica o menor valor energético do farelo em relação aos grãos (Montardo, 1998). Adequadamente processado, o farelo de soja pode ser usado sem restrições, para qualquer espécie animal (Nunes, 1998a). O gérmen de milho é um subproduto obtido durante o processo da industrialização do milho, que consiste do gérmen e da casca do milho (Purina, 1994). É o alimento que possui excelente fonte energética e boa fonte de digestibilidade (Stringhini, 2001). Não poderá ser usado com umidade superior a 13% pois há aparecimento de mofo ou bolor, diminuindo a qualidade da matéria prima (Luchesi, 1994). O milho é o cereal mais utilizado como alimento energético em todo o mundo. É rico em amido e, basicamente, o consumo pelos animais é feito na forma de grãos moídos quando adicionado na ração. Apresenta umidade máxima de 12,50%, 3% de extrato etéreo e 8% de proteína bruta (Andrigueto, 2002a). Deve ter o mínimo possível de grãos podres e mofados, pois se torna mais vulnerável ao ataque de insetos, fungos e fermentação, prejudicando a qualidade, o que pode intoxicar os animais (Montardo, 1998). O sorgo é o cereal que mais se aproxima do valor nutritivo do milho. Pode ser usado para o processamento industrial do milho, produzindo amido, açúcar e óleo. Entre os tipos de sorgos (graníferos, sacarino e forrageiro), devem ser usados de preferências os de variedades graníferas, selecionadas para a alimentação animal, sendo deficientes em pró-vitamina A, pigmentantes e em
gordura. Este baixo teor de extrato etéreo faz com que o sorgo tenha maiores perdas que o milho tanto na estocagem quanto na moagem, produzindo rações pulverulentas (Andrigueto, 2002b).
UMIDADE NO DESENVOLVIMENTO DE MICROORGANISMOS NA RAÇÃO
A umidade é de suma importância no desenvolvimento de fungos, na produção de micotoxinas e na conservação de produtos. Produto úmido oferece as condições para o crescimento de fungos e produção de toxinas fúngicas durante o armazenamento, podendo causar a contaminação e/ou deterioração parcial. Na grande maioria dos casos a deterioração ocorre devido ao fato de o produto ter sido armazenado com excesso de umidade ou por ter sido simplesmente amontoado ou jogado dentro do armazém de estocagem (Lázzari, 1992). Segundo Purina (1994), o excesso de umidade traz como conseqüência uma diluição do total de nutrientes das rações, reduzindo proporcionalmente seu valor nutritivo, pondo em risco a qualidade e dificultando o manuseio e o transporte. Quanto maior a umidade mais rapidamente as rações perderão suas qualidades nutritivas, estando mais suscetível a desenvolvimento de fungos. Por outro lado, alguns fungos são capazes de crescer em materiais com teores de umidade relativamente baixos. À medida que os fungos se desenvolvem, liberam calor e água em quantidades suficientes para aumentar a circulação de ar e promover o crescimento de mais fungos. O desenvolvimento fúngico pode começar a crescer no meio da massa da ração; aumentando vagarosamente por algumas semanas e, quando as condições de umidade forem favoráveis, o desenvolvimento cresce rapidamente e em pouco tempo transformar numa massa quente e fermentada (Lázzari, 1993).
Os fungos de rações armazenados suportam baixas concentrações de oxigênio. Seu crescimento só será afetado em níveis muito baixos de oxigênio, concentração inferior a 0,2%. Nas estruturas normais de armazenamento não é possível obter-se concentrações tão baixas para inibir o crescimento dos fungos. Isso só pode ser conseguido em estruturas herméticas de armazenagem (Lázzari, 1993). Sabe-se que a umidade, a temperatura e o nível de oxigênio auxiliam na propagação dos insetos e outras pragas, e que os produtos limpos e secos oferecem maior resistência ao ataque destes organismos. Os insetos têm como característica principal alta capacidade de proliferação de fungos em decorrência de sua atividade metabólica que promove o aumento do teor de umidade e temperatura da massa de ração armazenada (Athié et al , 1998). A qualidade nutricional de um alimento depende, basicamente, de sua composição em nutrientes, da disponibilidade biológica destes nutrientes e da presença, entre seus componentes, de substâncias e/ou antinutricionais. Por antinutricional define-se toda substância sintetizada pelo metabolismo normal da espécie, da qual o alimento originou-se e que provoca diminuição na eficiência da dieta. São classificados em três grandes grupos: substâncias que prejudicam a digestibilidade assim como o tanino, que é uma substância encontrada no sorgo; substâncias que reduzem a solubilidade como o gossipol encontrado no algodão e substâncias que inativam certas vitaminas, como as vitaminas A,D,E e K (Durigan,1994). De acordo com Durigan (1994), entre os tratamentos mais empregados na eliminação dos efeitos antinutricionais, o calor é o mais usado. Esta solução torna sua utilização limitada para humanos e, são obstáculos muito sérios no preparo de rações animais.
Segundo Corrêa (1991), as micotoxinas podem ser definidas como substâncias produzidas por fungos que crescem nos alimentos em geral. Os fungos vêm assumindo um papel relevante na exploração agropecuária, pela contaminação de produtos armazenados que são destinados a alimentação animal. Quando ingeridos pelos animais domésticos, causam doenças ou até mesmo a morte. As doenças causadas por micotoxinas são denominadas micotoxicose. Certamente, as conseqüências econômicas de contaminação por fungos em rações e micotoxicose (Tabela 2) são sérias. Os mofos consomem a proteína, a energia e outros nutrientes armazenados nos materiais em que eles crescem. Além disso, prejudicam o tecido intestinal reduzindo a absorção de nutrientes, o fígado, os rins, função reprodutiva e que reduz a performance produtiva dos animais. Existe a preocupação de que as micotoxinas podem ser transferidas a partir do alimento dos animais até a carne que faz parte da cadeia alimentar humana (Alltech, 2001a). O desenvolvimento dos fungos toxigênicos e a produção de micotoxinas são dependentes ou influenciados por uma série de fatores, entre eles destacam-se a umidade, a temperatura, o nível de oxigênio e a ocorrência de competição entre os componentes da microbiota normal (Corrêa, 1991). A seguir, será demonstrada na Tabela 2, os principais tipos de fungos e as respectivas micotoxinas que eles produzem em rações armazenadas, e os efeitos que causam no organismo animal. De acordo com Alltech (2001b), uma única espécie de fungo pode produzir inúmeros tipos de micotoxinas. Assim, uma mesma amostra de ingredientes ou rações pode conter mais de um tipo de micotoxinas e seus efeitos podem ser desastrosos.
Tabela 2: Micotoxinas comumente encontradas em rações e seu impacto sobre produção animal. Gênero de Fungo Micotoxinas Grãos Afetados Efeitos Espécies afetadas Aspergillus Aflatoxinas Milho,Amendoim, Caroço de Algodão e Sorgo
HepatotoxicidadeSistema Imune, Depressão Hemorragia Intestinal, Carcinogênese.
Todasespécies as
Aspergillus ePenicillium^ Ocratoxima^ Milho, Cereais eArroz Degeneração Renal^ Principalmente Suínos e aves. Aspergillus e Penicillium Ácido Ciclopaziônico Cereais, Milho e Amendoim Toxina Renal Aves e Suínos. Fusarium Zearalenona^ Milho, Grãos eResíduos ProblemasReprodutivos SuínosOvinos^ e Fusarium Fumonisina Milho e Grãos Problemas Neurológicos Eqüinos, Suínos e Aves FONTE: Alltech, 2001b.
O SINDIRAÇÕES (2002) afirmou que toda movimentação de material que envolva a saída dos produtos após serem vendidos para os consumidores deverá gerar um registro identificando o tipo e o número do documento fiscal utilizado na transação, a descrição e/ou código dos mesmos e as respectivas quantidades. Os produtos que não forem comercializados devem ser retirados quando o prazo de validade estiver vencido, e estes deverão ser colocados em setores separados até que se estabeleça seu destino final. Atualmente o método mais utilizado para o armazenamento de rações ensacadas nas fazendas é o uso de depósitos, que devem proteger as matérias primas, principalmente quanto à umidade. Toda sacaria deve estar seca e limpa, e devem ficar sobre estrados de madeira, em pilhas separadas, para maior proteção contra os ataques de insetos, roedores e umidade, fatores que influirão no produto final quanto à qualidade e à durabilidade, evitando ainda desperdícios. Na
recepção das matérias primas, deve-se proceder à conferência do pedido, teor de umidade (<12%) e examinar a pureza, a coloração e o odor do produto (Vasconcelos, 1993). Além destas características, Vasconcelos (1993) recomenda que se observe a granulometria dos cereais, que poderão se apresentar inteiros, triturados ou moídos, com ou sem casca. Nas leguminosas, as sementes em forma de farinha não podem exceder o teor de umidade de 8%; se em forma farelo ou torta, o teor de umidade é de no máximo 13%, porém, o teor de fibra bruta deve ser no máximo de 20%. Os produtos de origem animal devem ser isentos de toxidez e de germes patológicos, e apresentar estado de conservação normal, sem indício de ranço, fermentações ou putrefações. Deve-se conferir ainda a garantia mínima constante na embalagem. Por exemplo, para a farinha de carne e ossos a análise de garantia é a seguinte: umidade 8% - cálcio 13,5% - fósforo 6,3%.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Produtos úmidos e problemas decorrentes no transporte são conseqüências de um armazenamento com excesso de umidade ou por ter sido simplesmente amontoado, em função do tempo de estocagem e da temperatura ambiente durante o período em que é guardado. Em função da composição química que apresenta, o seu armazenamento pode favorecer o aparecimento de fungos, o que afeta o consumo pelos animais podendo levar até a morte, além de ocorrer grandes perdas das qualidades nutricionais do material a ser estocado. Desse modo nota-se que é importante que os produtos sejam conservados em perfeitas condições técnicas, como em locais secos e limpos, e que ofereçam condições adequadas durante o transporte para que não prejudiquem substancialmente a comercialização.
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