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CUIDANDO DE QUEM CUIDA: AVALIAÇÃO DA SAÚDE MENTAL DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS EM EQUOTERAPIA
Tipologia: Resumos
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Não perca as partes importantes!





























































































Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Psicologia, área de concentração: Psicologia da Saúde, sob a orientação da Profa^ Dra Heloísa Bruna Grubits Freire.
A dissertação apresentada por MARIA LECIANA NUNES PINHEIRO MEDINA, intitulada “CUIDANDO DE QUEM CUIDA: AVALIAÇÃO DA SAÚDE MENTAL DOS CUIDADORES DE CRIANÇAS EM EQUOTERAPIA”, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em PSICOLOGIA à Banca Examinadora da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), foi .........................................
Profa^ Dra^ Heloísa Bruna Grubits Freire (Orientadora – UCDB)
Profa^ PhD Sônia Grubits - UCDB
Profa^ Dra^ Luciane Pinho de Almeida – UCDB
Profa^ Dra^ Marília Martins Vizzotto – UMESP
Campo Grande, MS / /2014.
Dedico esta dissertação aos cuidadores de crianças praticantes de Equoterapia e suas famílias, as quais justificam a existência desse trabalho.
Ao meu esposo Paulo e meus filhos Maria Valentina e Pedro Dácio, exemplos concretos de “Seres Cuidados e Cuidadores”.
Ao meu esposo Paulo pelo respeito, amor maior de Todos , cumplicidade, cautela, tranqüilidade e muita paciência, fatores essenciais para a construção desse trabalho e para a realização dos nossos sonhos! Muito obrigada por entender que venceríamos juntos essa etapa e por ter me dado a oportunidade de morar em Campo Grande MS, onde concretizo com muito carinho meu mestrado. Essa vitória também é sua!
Aos meus filhos amados Maria Valentina e Pedro Dácio que mesmo pequenos me ensinam a cada dia a grande arte de ser Mãe, Psicóloga, Dona de Casa, Amiga, Mulher e Mestranda.
À minha mãe Cecília , pela sua dedicação, história de vida, amor e cuidado prestados aos meus filhos para que eu pudesse dar continuidade aos meus estudos e chegar até aqui. Sua ajuda foi uma das mais valiosas que eu poderia ter para chegar onde agora estou!
Ao casal de amigos e compadres Marcos Anelo e Claudia Regina que não apenas me acolherem na sua casa, mas me apoiaram do começo ao fim e em especial, ao meu afilhado Anelinho, que me brotou boas risadas nas minhas estadias na sua casa!
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) , pela tão sonhada bolsa de mestrado concedida.
À Glauce Sandim Motti e a Kellen por me darem a oportunidade de conhecer mais sobre a Equoterapia, pela disponibilidade, gentileza, acolhimento e viabilização para o contato direto com os cuidadores.
À Ana Flávia Gama Weis Serpa , minha terapeuta durante o tempo que morei em Campo Grande, a qual me ensinou ao longo de 04 anos a respirar, pensar, agir melhor e o mais importante: ser Psicóloga e Pessoa, duas coisas essenciais que os livros não conseguiriam dar conta por si só. Obrigada por me fazer compreender de uma forma tão leve e reforçadora o sentido do que um dia o Skinner falou: “Não considere nenhuma prática imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna”. Sou-lhe muito grata!
Ao meu amigo e companheiro de mestrado Rodrigo Aranda , que compartilhou comigo esse processo árduo que foi essa dissertação. Obrigada pelos cafés, almoços, desabafos, cobranças de leituras, risadas, angústias, alegrias, brigas via WhatsApp e pelas valiosas trocas de conhecimento. Foram desses momentos que nasceu uma amizade, rompendo as barreiras do coleguismo.
Ao Programa de Equoterapia da UCDB/Acrissul , em especial as crianças , as quais participaram dessa pesquisa através de seus cuidadores.
À minha amiga Germana Alcântara pelas várias demonstrações de amizade e companheirismo, me ajudando de uma maneira extremamente especial para que eu não me perdesse nas leituras, estudos e buscas de conhecimento, me oferecendo seu ombro, seu valioso tempo e sua escuta. Muito obrigada AMIGA!
À minha amiga de longas datas (infância) Anne Kalyne Félix , por ter brincado com meus “Pequenos” nas minhas idas e vindas Campo Grande/Fortaleza.
As minhas amigas da Psiconfraria , que me ensinaram ao longo do curso da graduação até o mestrado o caminho do respeito e da amizade, através das palavras de apoio e das ações de incentivo durante todos esses estudos sobre/de Psicologia.
Ao Lucky (meu Labrador) pelos olhares, escuta e pelas lambidas carinhosas nas manhãs das minhas escritas, quando eu mais precisava de silêncio - pelo seu jeitinho acolhedor de me falar a sua maneira que estava ali comigo!
À amiga Geracina , que desde o início mostrou preocupação e interesse para que eu me tornasse Mestre. Obrigada pela sua amizade e seu carinho incessante em dizer que eu conseguiria “chegar lá!”.
À Universidade Católica Dom Bosco – UCDB , onde fui aluna do último ano da graduação de Psicologia, mestranda e bolsista CAPES.
Ao Prof. Dr. Márcio Luiz Costa que me auxiliou nas dúvidas sobre o Comitê de Ética e Pesquisa, oferecendo-me apoio, prontidão e escuta diante dos ajustes e re-ajustes da pesquisa. Sou-lhe muito grata!
Aos professores do Programa de Mestrado em Psicologia da Saúde da UCDB , pelos valiosos conhecimentos transmitidos e pelo apoio e incentivo constante a Leitura e a busca de novos olhares.
Às professoras: Luciane Pinho e Sônia Grubits, por terem aceitado prontamente o convite de participar da Banca e por terem me orientado de uma forma tão ética, profissional e humana para que eu tivesse novos olhares e novos caminhos a trilhar a partir desse trabalho.
À Profa^ Dra^ Marília Martins Vizzotto por ter aceitado com tanta gentileza e prontidão o convite de participar da Banca de Defesa.
O cuidado não significa um procedimento que se encerra nele mesmo; O cuidado é o modo de estar em relação com o outro; Significa valorizar o outro (alteridade); Não é somente um encontro marcado pelo mecanismo de uma intervenção; O cuidado não aborda a doença, mas o indivíduo/sujeito portador de necessidades; O cuidado não se reduz à dimensão biológica – estende-se às dimensões subjetivas e sociais das crianças e suas famílias; No cuidado não há alienação – há interesse, escuta, olhares, toques, tato, comunicação, não há instrumentos padronizados – há incertezas e surpresas. Sousa e Erdmann (2012)
MEDINA, M. L. N. P. Cuidando de quem cuida: avaliação da Saúde Mental dos cuidadores de crianças em Equoterapia. 2014. 180 p. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, MS, 2014. Introdução: Entende-se por cuidador um membro da família ou não que se dispõe a cuidar da pessoa doente ou que requer dependência, prestando auxilio na realização de atividades cotidianas, podendo receber remuneração ou não. Sendo o cuidador o interlocutor mais próximo à criança deficiente, ele deve estar atento, às questões que dizem respeito tanto a sua saúde física quanto mental, assim poderá estabelecer um bom vínculo com a criança e com o cuidar dirigido a ela. Objetivo: Avaliar a Saúde Mental dos cuidadores de crianças deficientes praticantes de Equoterapia e sua relação com elementos psicossociais. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo exploratório descritivo. Os dados foram coletados individualmente na casa dos participantes e em um Shopping da cidade de Campo Grande MS, realizado com cinco cuidadoras de crianças deficientes que praticam Equoterapia no Programa de Equoterapia da Universidade Católica Dom Bosco (PROEQUO- UCDB/Acrissul). Foram utilizados para obtenção das informações dois instrumentos, sendo uma entrevista gravada com 40 questões norteadoras abertas e fechadas sobre o cuidador, criada especificamente para essa pesquisa, seguido do Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG-60) que avalia a Saúde Geral e a Saúde Mental. Resultados: Os resultados evidenciam a prevalência de cuidadores do sexo feminino, com idades entre 30 e 44 anos, onde a maioria são mães das crianças, seguida de uma tia/madrinha. Constatou-se ainda que o tempo mínimo de dedicação e cuidados à criança é de 01 ano e 10 meses e o máximo de 04 anos. A pesquisa deparou-se com o fato de que, ao prestar cuidados, essas cuidadoras necessitaram reestruturar suas vidas, ocorrendo mudança no seu dia-a-dia, o que veio a significar privar-se da rotina pessoal e a negligenciar em alguns casos a sua saúde. A sobrecarga ficou evidente pelo fato das cuidadoras não terem uma rede de apoio que as auxiliem diante das situações de conflitos no cuidar, bem como, devido o quadro clínico das crianças. O cuidado é realizado de forma integral, 24 horas, e essas atividades são realizadas quase sempre pela mesma pessoa. Em decorrência do comprometimento psicossocial trazido pela patologia da criança para a vida do cuidador, foram observadas várias manifestações de sobrecarga como angústia, medo, ansiedade e cansaço, embora, nos discursos feitos pelas cuidadoras, existam relatos de representações positivas do ato de cuidar e os benefícios trazidos através da Equoterapia para essas crianças que consequentemente, trouxe evidências de que a melhora da criança através da Equoterapia, seja na postura ou no convívio social e com o cavalo, repercute diretamente na elaboração de estratégias positivas para o cuidado, o que se leva a pensar que diante das reações divergentes da sobrecarga do cuidar, as cuidadoras conseguem encontrar sentimentos que as auxiliam a administrar melhor essas situações. No contexto geral dos dados obtidos do QSG-60, observa-se que os resultados não apontam para um prejuízo considerado grave na Saúde Geral dessa população, visto que apenas uma cuidadora apresentou percentil acima de 50%, considerado entre a linha que indica boa saúde e linha indicadora de alerta da saúde. Conclusão: Embora os resultados não apontem diretamente para a severidade da ausência de Saúde Mental na população estudada, os discursos coletivos são sugestivos da escassez de uma rede de apoio para essas cuidadoras e as situações de enfrentamento, muitas vezes são administradas no cotidiano da prática, devido à melhora da criança na terapia, o que se leva a discutir sobre a necessidade de que essas cuidadoras precisam conhecer melhor sua saúde e assim, promover seu papel de cuidar de forma satisfatória para si e para a criança a qual presta cuidados. Palavras-chave: Saúde Mental; Cuidador; Crianças deficientes; Equoterapia.
TABELA 1 - Classificação dos cuidadores de pacientes com demência ................................ 54
TABELA 2 - Dados sócio-demográficos e ocupacionais das cuidadoras entrevistadas e caracterização de suas respectivas crianças ....................................................... 67
TABELA 3 - Resultado dos Fatores do QSG-60 das cuidadoras entrevistadas ...................... 70
ANDE-Brasil – Associação Nacional de Equoterapia AGEPEN – Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais A.S.A. – Assistência a Saúde Acadêmica C1 – Cuidadora 1 C2 – Cuidadora 2 C3 – Cuidadora 3 C4 – Cuidadora 4 C5 – Cuidadora 5 CAPS – Centro de Atenção Psicossocial CBO – Classificação Brasileira de Ocupações CEP – Comitê de Ética em Pesquisa CFP – Conselho Federal de Psicologia CID 10 – Classificação Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde, 10 a^ Edição CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa CNS – Conselho Nacional de Saúde DEA – Distúrbios no Espectro do Autismo DM – Deficiência Mental DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4a^ Edição MS – Mato Grosso do Sul OMS – Organização Mundial de Saúde PC – Paralisia Cerebral PROEQUO/UCDB – Programa de Equoterapia da Universidade Católica Dom Bosco QSG-60 – Questionário de Saúde Geral de Goldberg SD – Síndrome de Down SM – Saúde Mental SNC – Sistema Nervoso Central SRTs – Serviços Residenciais Terapêuticos TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TDAH – Transtorno de Défic de Atenção e Hiperatividade TGD – Transtornos Globais do Desenvolvimento
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A motivação pelo tema surgiu a partir da experiência que essa pesquisadora teve na graduação do curso de Psicologia, no qual vivenciou a oportunidade de estagiar voluntariamente no PROEQUO-UCDB (Programa de Equoterapia da Universidade Católica Dom Bosco) e assim observar o desenvolvimento da criança que pratica Equoterapia, bem como, os cuidados oferecidos a ela pelo seu cuidador.
Com a participação no estágio, apoiando-se em seus estudos e com as constantes indagações a respeito das crianças e seus cuidadores, fomentadas pela experiência do estágio no PROEQUO, pesquisou e desenvolveu a sua monografia sobre a “Equoterapia: percepção dos cuidadores no acompanhamento do processo de desenvolvimento da criança deficiente”, na qual constatou que os cuidadores sentem que as crianças dependem deles por serem na maioria dos casos mães, o que gera vínculos fortes, angústia e medos para o próprio cuidador, surgindo também dúvidas sobre o que fazer com a criança e se os tratamentos que estão sendo feitos são suficientes para o desenvolvimento cognitivo e psicológico delas (MEDINA, 2010).
A convivência com os cuidadores despertou na pesquisadora uma inquietação e interesse sobre a Saúde Mental dessas pessoas, permitindo um questionamento sobre se haveria um abalo emocional com riscos no que tange a certas características de Saúde dessa população. Dessa forma, optou-se por estudar cuidadores de crianças com idade compreendida entre 1 e 7 anos pelo fato de que a criança demanda um cuidado maior e uma atenção especial sobretudo nos primeiros anos de vida, visto que, o cuidador precisa estar atento as intervenções terapêuticas, evolução da criança, as implementações de tratamentos, ter conhecimento necessário sobre o diagnóstico, além de fornecer todos os cuidados necessários a essa criança, o que pode gerar a esse cuidador um agravo na sua saúde logo nos primeiros anos de cuidados realizados.
Nesse sentido, Miltiades e Pruchno (2001) realizaram uma pesquisa com mães de filhos deficientes adultos e concluíram que elas ainda continuam vivendo situações de cuidado e de responsabilidades pela vida dos filhos, negociando com as agências formais de apoio ou auxiliando nas atividades da vida diária, ou seja, assumindo um papel vitalício de cuidadoras.
A investigação pelo tema indicava possivelmente que os cuidadores estivessem com sua Saúde Mental comprometida, apresentando graus de desgaste, fadiga e sofrimento em geral, pela atividade do cuidar, hábitos diários com a criança, mudança da rotina e tempo limitado para realizar seus próprios projetos de vida, assim como aponta a literatura em geral sobre o cuidador de crianças deficientes.
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Essas são questões que podem gerar para os cuidadores estresse e cansaço, ou seja, sentem-se sobrecarregados ao cuidarem das crianças, muitas vezes sozinhos, e sem o apoio de outras pessoas, como também, está presente a falta de informações e programas que possam ajudá-los a interagir de forma adequada com essa criança e ter um melhor conhecimento do prognóstico, o que certamente, contribuirá no tratamento das mesmas, e em uma melhor relação entre família e profissionais- equipe interdisciplinar.
Diante das diversas necessidades, dificuldades e cuidados específicos dedicados às crianças deficientes é importante conhecer sobre a saúde do cuidador, bem como, buscar uma atenção e dedicação maior dos profissionais de saúde em direção não só a criança, mas também aquele que cuida. Partindo desta expectativa, veio o interesse em avaliar a Saúde Mental do Cuidador de crianças deficientes praticantes da Equoterapia, tendo em vista que a Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiência e/ou com necessidades especiais (ANDE, 2005).
Considerando que o cuidador é o principal foco desta pesquisa, Figueiredo (2005) destaca que este é a pessoa que se encontra mais próximo do paciente, mantendo uma relação íntima capaz de reconhecer certas atitudes, desenvolvimento e comportamentos diferenciados do paciente como alegrias, progresso na terapia, dores, sentimentos depressivos, estado de irritabilidade, entre outros, que terminam se refletindo na vida do próprio cuidador.
As reflexões na relação interpessoal cuidador/criança que pratica a Equoterapia são tantas, que se faz necessário pensar nessa inclusão que envolve indivíduo/cuidador num processo de educação e conhecimento sobre a sua Saúde, tornando-o consciente de sua utilidade dentro de um contexto geral, da sua dedicação de cuidar e não apenas se adaptar a uma situação adversa, mas, sobretudo de conseguir transformar a sua realidade na construção de descobertas e mudanças dentro de suas possibilidades, oferecendo a essa criança os cuidados necessários e a si próprio uma melhor compreensão sobre o seu estado de saúde.
De acordo com Silva (2006) a Equoterapia por ser uma forma de tratamento que proporciona efeitos terapêuticos benéficos nas áreas neuromotora, sensoriomotora, sociomotora, psicomotora, bem como, no funcionamento do organismo, garante ao paciente uma evolução constante no seu tratamento, possibilitando assim, uma identificação clara e eficaz de melhoras da criança por parte do seu cuidador, fato que pode gerar a esse, uma influência direta na sua Saúde Mental, proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida,