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Curso Azulejista, Notas de estudo de Urbanismo

Curso Azulejista

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 16/03/2015

alex-gomes-ag-3
alex-gomes-ag-3 🇧🇷

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Seja Bem Vindo!
Curso
Azulejista
Parte 1
Carga horária: 30hs
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Seja Bem Vindo!

Curso

Azulejista

Parte 1

Carga horária: 30hs

Dicas importantes

  • Nunca se esqueça de que o objetivo central é aprender o conteúdo, e não apenas terminar o curso. Qualquer um termina , só os determinados aprendem!
  • Leia cada trecho do conteúdo com atenção redobrada , não se deixando dominar pela pressa.
  • Explore profundamente as ilustrações explicativas disponíveis, pois saiba que elas têm uma função bem mais importante que embelezar o texto, são fundamentais para exemplificar e melhorar o entendimento sobre o conteúdo.
  • Saiba que quanto mais aprofundaste seus conhecimentos mais se diferenciará dos demais alunos dos cursos.

Todos têm acesso aos mesmos cursos, mas o aproveitamento que cada aluno faz do seu momento de aprendizagem diferencia os “alunos certificados” dos “alunos capacitados”.

  • Busque complementar sua formação fora do ambiente virtual onde faz o curso, buscando novas informações e leituras extras , e quando necessário procurando executar atividades práticas que não são possíveis de serem feitas durante o curso.
  • Entenda que a aprendizagem não se faz apenas no momento em que está realizando o curso , mas sim durante todo o dia-a-dia. Ficar atento às coisas que estão à sua volta permite encontrar elementos para reforçar aquilo que foi aprendido.
  • Critique o que está aprendendo, verificando sempre a aplicação do conteúdo no dia-a-dia. O aprendizado só tem sentido quando pode efetivamente ser colocado em prática.

u n i d a d e 1

Um olhar para o

passado

Quando olhamos para os diversos lugares nos quais vivemos, seja na cidade ou no campo, percebemos uma infnidade de tipos de construção que envolvem uma enorme variedade de materiais.

Mas nem sempre foi assim.

Os seres humanos continuamente procuraram locais onde pu- dessem se proteger do frio, da chuva, do ataque de animais, do sol excessivo etc. E essa procura, possivelmente, foi uma de suas primeiras motivações para que passassem a buscar lugares para fxar sua moradia com segurança.

Mas, entre procurar abrigo e começar, de fato, a criar e a cons- truir espaços para morar, muito tempo se passou.

De acordo com pesquisas sobre como viveram os primeiros homens e mulheres, descobriu-se que eles se abrigavam em ca- vernas encontradas na natureza e interferiam pouco para mo- difcar esse ambiente.

Arte rupestre no alto de caverna no deserto do Saara, na África.

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© Geo rge

Steinme tz /SPL DC/La tinstock

Trata-se de um período conhecido como Pré-história ou, como se prefere defnir atualmente, sociedades sem Estado. Esse período vai da origem do homem, há cerca de 5 milhões de anos, até o ano 3500 a.C. (antes de Cristo), quando surgiu a escrita. O ato de construir – ou, mais propriamente, de criar um espaço que servisse para moradia, culto, comércio etc., usando técnicas diferentes, novas – tem início apenas no fm desse período que conhecemos como Pré-história, ou sociedades sem Estado, e no começo da chamada Idade Antiga.

Piso de mosaico da Casa Aion, escavação arqueológica em antigo povoado romano na Ilha de Chipre, Grécia.

Conjunto de ladrilhos hidráulicos.

Para marcar as diferentes etapas do desenvolvimento da humanidade e facilitar a compreensão dos acontecimentos, os estudiosos dividiram a história em grandes períodos de tempo. Veja a seguir essa cronologia:

© Imagebro ker/Alamy /Other Images

© Thays Tateoka /Edito ra Pini

É difícil afrmar que a ideia de construção já existisse na época pré-histórica. En- tretanto, pinturas decorativas, nas quais os seres humanos retrataram aspectos de suas vidas, mostram que nessas sociedades eles alteravam seus espaços de moradia, dando-lhes características próprias e tornando-os diferentes dos demais. Essas pinturas fcaram conhecidas como pinturas rupestres , um tipo de arte rea- lizada nas paredes das cavernas.

Pintura rupestre. Wadi Anshal, nos montes Tadrart Acacus, Deserto de Acacus (parte do Saara), Líbia.

© José Fuste Raga/age fotostock/Easypix

Muito se evoluiu na arte e nas técnicas de construção, desde a primeira obra de que se tem notícia: Stonehenge , no sul da Inglaterra, um monumento construído com enormes blocos de pedra há aproximadamente 4 mil anos. Observe o contraste entre esta edifcação e as ultramodernas edifcações dos séculos X X (20) e X XI (21), exem- plifcados pela Filarmônica de Berlim (Alemanha) ou pelo Museu Guggenheim em Bilbao (Espanha).

Stonehenge, na Inglaterra.

Filarmônica de Berlim, na Alemanha. Museu Guggenheim, em Bilbao, Espanha.

Com a evolução dos materiais usados nas construções (desde as pedras até as arga- massas, concreto, madeira, vidro, estruturas metálicas etc.), veio também a evolução dos materiais de revestimento.

Vamos explorar como foi essa evolução, tratando em particular de azulejos, ladrilhos e pastilhas, que são o tema deste curso.

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© David Nunuk/SPL/Latinstock

©^ Adam Eastland/Easypix

© Flaperval/123RF

Atividade 1

H i s t ó r i a d a a r t e e H i s t ó r i a

da H u man i dad e

Muitas pessoas usam o termo Renascimento para falar sobre o movimento artístico que aconteceu na Europa, entre os séculos XIV (14) e XVI (16).

Mas esse foi também um período de mudanças muito intensas na sociedade, na política, na religião, na economia e na cultura europeia, que marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna, bem como o início do ca- pitalismo.

  1. A classe vai se dividir em cinco grupos. Cada grupo vai pesquisar um aspecto desse período e preparar uma apresentação para os demais.

Cada pessoa da classe pode escolher em qual grupo pre- fere fcar, de acordo com seu interesse; mas é importante que cada grupo tenha pelo menos três pessoas.

Capitalismo: Modo de or- ganização da produção em que o motor da atividade econômica é a indústria. Na sociedade capitalista existe uma divisão básica entre as classes sociais: de um lado estão os proprietá- rios dos meios de produção (terras, ferramentas, máqui- nas, indústrias etc.) e, de outro, aqueles que possuem apenas a sua própria força de trabalho (o proletariado).

  • Grupo 1: Arte
  • Grupo 2: Ciência
  • Grupo 3: Política
  • Grupo 4: Economia
  • Grupo 5: Religião
  1. A pesquisa poderá ser realizada no laboratório de in- formática – com a ajuda do monitor. Cada grupo deve buscar responder o que acontecia na Europa nesse período em relação ao assunto escolhido. A classe precisa ainda combinar o dia em que serão feitas as apresentações dos resultados das pesquisas.

Por que dividir a apresentação e cada pessoa falar uma parte? Não seria mais fácil um único colega falar tudo? Sugerimos que todos falem porque falar em voz alta e conseguir explicar um assunto para um grupo de pessoas é um saber importante para qualquer ocupação.

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© MapsWorld

  1. Para compartilhar com seus colegas o que cada grupo descobriu, planejem a divisão das tarefas entre os par- ticipantes do grupo. Depois, façam um ou mais carta- zes e preparem uma apresentação de cerca de 20 mi- nutos. Vocês podem organizar algumas anotações para não se perderem na hora da apresentação. Mãos à obra!

Como se deu a evolução dos azulejos

Um século equivale a cem anos. Assim, quando fala- mos de algo que aconte- ceu no século I (1) estamos falando de um período que vai do ano 1 d.C. (depois de Cristo) até o ano 100 d.C. (depois de Cristo). O sécu- lo II (2) vai do ano 101 d.C. (depois de Cristo) ao ano 200 d.C. (depois de Cristo); o século III (3) do ano 201 d.C. (depois de Cristo) ao ano 300 d.C. (depois de Cristo) e assim por diante. Atualmente estamos no século XXI (21).

Para conhecer como azulejos, ladrilhos e pastilhas co- meçaram a fazer parte das construções ao longo dos séculos , vamos voltar no tempo, até a Antiguidade. As regiões com maior destaque no mundo não eram as mesmas que se destacam hoje. Egito (no norte da África), Mesopo- tâmia (região que atualmente é parte do Iraque, no Orien- te Médio, onde viveram vários povos: sumérios, acádios, babilônios, assírios, persas etc.), China, Grécia e Roma (cujo império se estendeu da região onde hoje é a Itália até o Oriente) constituíam alguns dos lugares de maior expressão política, econômica e cultural nessa época. Veja o mapa:

[AZL_C1_008] [Deixar meia página para a inserção de um mapa]

Você sabia?

Trópico de Câncer

Roma GRÉCIA

OCEANO ÍNDICO

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009, p. 32-33, 43 (adaptado).

IRAQUE

CHINA

EGITO

30º L

30º L

90º L

90º L

Equador

0 1 010 km

Anos mais tarde, mas ainda na Idade Antiga, azulejos e pastilhas também estiveram presentes na cultura romana. Em ruínas de cidades e estradas construídas pelos romanos – que datam do perío- do de maior expansão desse Império – , vê-se a utilização de pastilhas em pisos , formando mosaicos bastante sofsticados. Em certos locais, vestígios das obras dessa época estão bastante conservados ainda hoje. Um exemplo é a cidade portuguesa Conímbriga, localizada em uma via ocu - pada pelos romanos no ano de 139 a.C. (antes de Cristo). A cidade ganhou importância a partir do século I (1), tendo sido urbanizada no reinado de César Augusto.

Mosaico nas ruínas de Curium, Ilha de Chipre, Grécia.

Conímbriga, em Portugal, ainda apresenta vestígios romanos nos dias de hoje.

©Jose Elias/Lusoimages/Getty Images

© Michael Short/Easypix © José Elias/age fotostock/Easypix

Embora os azulejos fossem conhecidos na Idade Antiga, foi com a expansão islâ- mica para a Europa que esse tipo de material foi divulgado e passou a ser utilizado no Ocidente. Isso ocorreu já durante a Idade Média.

Com a ocupação islâmica, a técnica de produção de azulejos foi levada do Oriente para o sul da Espanha. Eles eram produzidos com barro coberto por um líquido que, após o cozimento, torna o material vidrado. Seus desenhos eram sempre de formas geométricas, porque a religião muçulmana (islamismo), seguida pelos árabes, não permite a reprodução de fguras humanas.

Veja o exemplo abaixo:

Azulejo alicatado em El-Hedine, Marrocos.

O que foi a expansão islâmica? Foi o processo de crescimento e domínio territorial dos árabes na Península Ibérica, iniciado por volta do ano 700 d.C. (depois de Cristo), após as tribos árabes terem sido unificadas por Maomé. Os mouros – como ficaram conhecidos esses povos – conseguiram isolar a Europa. Ao assumirem o controle do Mar Mediterrâneo, eles bloquearam o comércio entre a Europa e os países do Oriente. Com isso, passaram a fazer a ligação entre a Europa, a Ásia e a África. A ocupação islâmica da Península Ibérica começou no século VIII (8) e terminou quase no fim do século XV (15), quando os chamados “reis católicos”, Fernando e Isabel de Castela, os expulsaram da Espanha. A Península Ibérica é formada por Portugal, Espanha, Gibraltar (cuja soberania pertence ao Reino Unido), Andorra e pequena fração do território da França, no lado ocidental dos Pireneus. Para localizar essa região no mundo, consulte o atlas disponível na sala de aula.

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© Travel Ink /Ge tty Images

A chegada dos azulejos a Portugal – país que possuía certa tradição na produção de cerâmica – deu-se no sé- culo XV (15). Contam os historiadores que o rei de Por- tugal da época, dom Manuel I, conheceu os azulejos de infuência islâmica, feitos na Espanha, e quis levar a téc- nica para seu país.

A residência ofcial da Corte portuguesa, nesse período

  • o Palácio Nacional de Sintra , vila que faz parte de Lisboa, em Portugal – , foi construída com azulejos im- portados de Sevilha, na mesma época em que o Brasil foi ocupado pelos portugueses.

Veja, a seguir, um azulejo proveniente do Palácio Na- cional de Pena, em Sintra, com a representação de uma “esfera armilar” – instrumen- to usado para orientação nas navegações. Essa esfera era um dos emblemas do rei de Portugal, dom Manuel I.

Pátio interno do Palácio Nacional de Sintra, em Portugal.

Azulejo produzido em Sevilha, oficina de Fernan Martinez Guijaro, ou de Pedro de Herrera, por volta de 1508-1509, proveniente do Palácio Nacional de Pena, em Sintra, e exposto no Museu Nacional do Azulejo, Lisboa (Portugal).

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© Kevin O´Hara /Easypix

© Derek

Gale/Alamy/Other Images

No século XVI (16), os azulejos passaram a ocupar espaço crescente na produção artística e arquitetônica nacional portuguesa; começaram a fazer parte das residên - cias, das paredes e dos tetos dos palácios, das igrejas, dos jardins, das praças e dos prédios públicos.

Grande panorama de Lisboa (detalhe), c. 1700. Faiança azul sobre branco, 115 cm x 2247 cm. Museu Nacional do Azulejo, Lisboa, Portugal.

Produzidos em Portugal, os azulejos ganham feição di- ferenciada:

  • seu tamanho torna-se padronizado;
  • as cores predominantes são o azul e o branco; O que foi a expans ã o marítima? A expansão marítima portu- guesa começou no início dos anos 1400, com a conquista de colônias africanas, e per- durou por cerca de cem anos. Nesse processo, os portugue- ses chegaram ao território brasileiro e passaram a ocu- pá-lo progressivamente.
  • e, no lugar de formas geométricas, passaram a repro- duzir cenas do dia a dia, símbolos religiosos, vistas das cidades ou de conquistas de terras pelos portugueses, na chamada expansão marítima. Estes últimos fcaram conhecidos como “azulejos históricos”. Os chamados “azulejos de repetição” não desapareceram; mas os painéis e as paisagens tenderam a ganhar mais espaço.

© Daniel Thierry /Photonon stop /Glow Images

Exemplos de azulejos em estilo Art Nouveau.

© Gregor Schuster/Ge tty Images

© Rebecca Erol/Alamy/Othe r Images

© Simon Cu rtis/Ala my/Other Images

© Simon Cu rtis/Ala my/Other Images

E no Brasil? Quando chegaram os azulejos?

Existem registros de que as primeiras peças de azulejo no Brasil foram trazidas de Portugal, no começo dos anos 1600, para decorar um convento na cidade de Olin- da, no Estado de Pernambuco.

Depois disso, os azulejos portugueses começaram a ser utilizados em igrejas e con- ventos , principalmente da região Nordeste.

Convento de São Francisco de Assis, em Salvador, Bahia, com painéis deazulejos trazidos de Portugal por volta de 1740.

Convento de São Francisco de Assis, detalhe do painel de azulejos.

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© Ricardo Azoury/Olhar Image m

© Ricardo Azoury/Pulsar Imagens