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Guias e Dicas
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Curso de Didatica Geral , Notas de aula de Geografia

Curso de Didática

Tipologia: Notas de aula

2018

Compartilhado em 11/03/2018

rildo-nobrega-7
rildo-nobrega-7 🇧🇷

4.7

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Sobre a obra:

A presente obra é disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer conteúdo para uso parcial em pesquisas e estudos acadêmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura.

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Sobre nós:

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível."

© Regina Célia Cazaux Hay dt

Versão Impressa

Editor-chefe Carlos S. Mendes Rosa Editor assistente Frank de Oliveira Coordenadora de revisão Ivany Picasso Batista Revisor Maurício Katay ama Editor de arte Vinicius Rossignol Felipe Diagramadora Leslie Morais Editoração eletrônica EXATA Editoração

Versão ePUB 2.0.

Tecnologia de Educação e Formação de Educadores Ana Teresa Ralston Gerência de Pesquisa e Desenvolvimento Roberta Campanini Coordenação geral Antonia Brandao Teixeira e Rachel Zaroni Coordenação do projeto Eduardo Araujo Ribeiro Estagiária Olivia Do Rego Monteiro Ferragutti Revisão Fábio Ferroni e Morena Borba Lopes

Ao comprar um livro, você remunera e reconhece o trabalho do autor e de muitos outros profissionais envolvidos na produção e comercialização das obras: editores, revisores, diagramadores, ilustradores, gráficos, divulgadores, distribuidores, livreiros, entre outros. Ajude-nos a combater a cópia ilegal! Ela gera desemprego, prejudica a difusão da cultura e encarece os livros que você compra.

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE

LIVROS, RJ.

H33c | 1.ed. Hay dt, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral / Regina Célia Cazaux Hay dt. - 1.ed. - São Paulo : Ática, 2011.-(Educação) Inclui bibliografia: 1. Didática. I. Titulo. II. Serie. 06-2524. | CDD 370.7 | CDU 37.02 | 015315 1ª Edição - Arquivo criado em 21/07/ e-ISBN 9788508148356

Sumário

Capítulo 1 Didática e Filosofia

  1. Educação e ensino
  2. Conceito de Didática
  3. Evolução histórica da Didática

Capítulo 2 Didática e Psicologia

  1. Contribuição das ciências do comportamento para a Pedagogia
  2. O movimento da Escola Nova
  3. Jean Piaget e a Psicologia Genética
  4. Consequências pedagógicas da teoria de Piaget

Capítulo 3 A interação professor-aluno

  1. O valor pedagógico da relação professor-aluno
  2. A importância do diálogo na relação pedagógica
  3. Autoridade versus autoritarismo
  4. A questão da disciplina na sala de aula
  5. Motivação e incentivação da aprendizagem
  6. Direção de classe

Capítulo 4 O planejamento da ação didática

  1. A distinção entre planejamento e plano
  2. Tipos de planejamento na área da educação
  3. O planejamento didático ou de ensino
  1. A função do planejamento das atividades didáticas
  2. Características de um bom plano didático ou de ensino

Capítulo 5 A formulação de objetivos educacionais

  1. A importância do estabelecimento de objetivos para a ação pedagógica
  2. Os objetivos educacionais e seus níveis
  3. Um pouco de história
  4. A função dos objetivos específicos
  5. Sugestões para definir objetivos específicos

Capítulo 6 Seleção e organização dos conteúdos curriculares

  1. A importância do conteúdo
  2. Critérios para a seleção de conteúdos
  3. A organização do conteúdo
  4. O desenvolvimento dos conteúdos e as concepções pedagógicas

Capítulo 7 Escolha dos procedimentos de ensino e organização das experiências de aprendizagem

  1. Critérios básicos para a escolha dos métodos de ensino
  2. Classificação dos métodos de ensino

Capítulo 8 Procedimentos de ensino-aprendizagem individualizantes

  1. A aula expositiva
  2. Estudo dirigido
  3. Método Montessori
  4. Centros de interesse

Capítulo 9 Procedimentos de ensino-aprendizagem socializantes

Avaliação do processo ensino-aprendizagem

  1. O conceito de avaliação da aprendizagem e as concepções pedagógicas
  2. O que é avaliar: princípios básicos
  3. Distinção entre testar, medir e avaliar
  4. Funções da avaliação
  5. Relação funcional entre objetivos e avaliação
  6. Técnicas e instrumentos de avaliação da aprendizagem
  7. O que a avaliação deve significar para o aluno

Bibliografia

Apresentação

N as últimas décadas, tem se questionado muito o ensino, sobretudo de nossas escolas públicas. Novas técnicas foram introduzidas nas escolas, pensando que com elas todos os problemas pedagógicos pudessem ser resolvidos. Fala-se também da necessidade de mudar o comportamento do professor. Mas por quê? Para quê? A educação e o ensino fazem parte do contexto social e, como esse contexto é dinâmico, a educação e o ensino também o são. Por isso, o professor precisa estar sempre se atualizando. Mas mudar um comportamento não é fácil, principalmente quando a pessoa já tem hábitos arraigados. Toda mudança de comportamento gera insegurança. Por isso, essas "inovações" pedagógicas criam inquietações e até mesmo confusão na mente dos professores, sobretudo daqueles que gostam de realizar seu trabalho com eficácia. Os educadores conscientes da ação que praticam e do papel que desempenham não se contentam com a rotina pedagógica e os hábitos escolares estruturados. Querem saber sempre mais, conhecer o que há de novo na sua área, para refletir sobre as novas práticas educativas. Querem também verificar a validade dessas práticas para depois incorporá-las às já adotadas e tidas como seguras. Em educação, como em todas as áreas, a reflexão e a ação são companheiras inseparáveis. Não há dicotomia entre reflexão e ação. A reflexão desvinculada da prática conduz a uma teorização vazia. Por sua vez, a ação que não é guiada pela reflexão leva a uma rotina desgastante e rígida. Por isso, o trabalho do professor, em especial daquele que pretende ser um profissional consciente de sua tarefa, deve seguir o caminho da reflexão-ação-reflexão. A unidade entre reflexão e ação permitirá que o verdadeiro educador não confunda os meios com os fins, nem se deixe escravizar pelas técnicas, que são meros instrumentos. Este livro é destinado a todos os que se preparam para o magistério e também aos professores que já se encontram no exercício de sua profissão. É dirigido especialmente àqueles que desejam estar atualizados e que procuram aperfeiçoar cada vez mais seu trabalho. Os tópicos a serem incluídos num livro de Didática são amplos e variados. Este livro não pretende esgotar o assunto. Ele apenas visa introduzir o leitor no vasto campo da Didática, oferecendo-lhe um referencial para aprofundamentos futuros. A Autora

formativo. Ao falar da necessidade de conciliar os interesses de uma educação centrada no indivíduo com os interesses básicos da ordem social, Walter Garcia afirma que "é necessário verificar em que medida um sistema de ensino coletivo pode, mantendo sua orientação marcadamente social, conservar, em seu interior, elementos que permitam a solução dos problemas de adaptação individual. A convergência dos aspectos sociais e individuais talvez seja um dado fundamental ao

qual os novos educadores devam dedicar maior atenção"^3. Enquanto a educação pode se processar tanto de forma sistemática como assistemática, o ensino é uma ação deliberada e organizada. Ensinar é a atividade pela qual o professor, através de métodos adequados, orienta a aprendizagem dos alunos.

2. Conceito de Didática

A Pedagogia é o estudo sistemático da educação. É a reflexão sobre as doutrinas e os sistemas de educação. A Didática é uma seção ou ramo específico da Pedagogia e se refere aos conteúdos do ensino e aos processos próprios para a construção do conhecimento. Enquanto a Pedagogia pode ser conceituada como a ciência e a arte da educação , a Didática é definida como a ciência e a arte do ensino. Mauro Laeng diz que "a pesquisa didática deve adaptar os métodos e as técnicas de maneira a obter o máximo resultado com o mínimo de esforço (princípio comeniano da Didática magna^4 ), tendo em conta quer os requisitos objetivos da matéria de ensino e da sua lógica interna quer as

capacidades subjetivas do aluno e da sua psicologia"^5. Referindo-se ao ensino, que é o objeto da Didática, Laeng esclarece que "o estudo predominante do ensino caracterizou sobretudo a didática do passado, dominada, até certo ponto, pela figura central do professor; na didática contemporânea cedeu o lugar a uma nova projeção

do aspecto correlativo da aprendizagem"^6. Ensinar e aprender são como as duas faces de uma mesma moeda. A Didática não pode tratar do ensino, por parte do professor, sem considerar simultaneamente a aprendizagem, por parte do aluno. O estudo da dinâmica da aprendizagem é essencial para uma Didática que tem como princípio básico não a passividade, mas sim a atividade da criança. Por isso, podemos afirmar que a Didática é o estudo da situação instrucional, isto é, do processo de ensino e aprendizagem, e nesse sentido ela enfatiza a relação professor-aluno. Todo sistema de educação está baseado numa concepção do homem e do mundo. São os aspectos filosóficos que dão à educação seu sentido e seus fins. A Filosofia, sendo a reflexão sistemática sobre a concepção da vida, exerce influência direta e está em estreita conexão com a Pedagogia, que é a reflexão sistemática sobre o ideal da educação e da formação humana. Uma doutrina pedagógica, sendo um conjunto de princípios e diretrizes que orientam a ação educativa, fundamenta-se numa teoria filosófica. Dessa forma, toda pedagogia supõe uma filosofia. Como diz Butler, "o valor de nossa doutrina da educação depende do valor de nossa

concepção do homem e da vida"^7. A Didática, por sua vez, sendo parte da Pedagogia, também está calcada numa concepção

filosófica. Até o século XIX, a Didática encontrava seus fundamentos exclusivamente na Filosofia. Mas no século passado, a Psicologia começou a estruturar-se e passou a reivindicar status de ciência. Assim, a partir do final do século XIX, a Didática, que até então havia baseado seus pressupostos apenas em aspectos filosóficos, passou a buscar seus fundamentos também nas ciências do comportamento, em especial na Biologia e na Psicologia, através das pesquisas experimentais.

3. Evolução histórica da Didática

Da Antiguidade até o início do século XIX, predominou na prática escolar uma aprendizagem de tipo passivo e receptivo. Aprender era quase exclusivamente memorizar. Nesse tipo de aprendizagem, a compreensão desempenhava um papel muito reduzido. Esta forma de ensino baseava-se na concepção de que o ser humano era semelhante a um pedaço de cera ou argila úmida que podia ser modelado à vontade. Na antiga Grécia, Aristóteles já professava essa teoria, que foi retomada frequentemente, ao longo dos séculos, reaparecendo sob novas formas e imagens. A ideia difundida no século XVII, por exemplo, de que o pensamento humano era como se fosse uma tábua lisa, um papel em branco sem nada escrito, onde tudo podia ser impresso, é apenas uma variação da antiga teoria. Ensinava-se a ler e a escrever da mesma forma que se ensinava um ofício manual ou a tocar um instrumento musical. Por meio da repetição de exercícios graduados, ou seja, cada vez mais difíceis, o discípulo passava a executar certos atos complexos, que aos poucos iam se tornando hábitos. O estudo dos textos literários, da gramática, da História, da Geografia, dos teoremas e das ciências físicas e biológicas caracterizou-se, durante séculos, pela recitação de cor. Os conhecimentos a serem adquiridos eram, até certo ponto, reduzidos. E para que os alunos pudessem repeti-los correta e adequadamente, o professor utilizava o procedimento de perguntas e respostas, tanto em sua forma oral como escrita. Este era o chamado método catequético, cuja origem remonta, pelo menos na cultura ocidental, aos antigos gregos. A palavra catecismo provém do termo grego katechein, que significa "fazer eco". Este método era usado por todas as disciplinas e consistia na apresentação, pelo professor, de perguntas acompanhadas de suas respostas já prontas. O importante nessa forma de aprendizagem era que o aluno reproduzisse literalmente as palavras e frases decoradas. A compreensão do que se falava ou se escrevia ficava relegada a um segundo plano. Em consequência, o aluno repetia as respostas mecanicamente, e não de forma inteligente, pois ele não participava de sua elaboração e, em geral, não refletia sobre o assunto estudado. Embora esse ensino de caráter verbal, baseado na repetição de fórmulas já prontas, tenha predominado na prática escolar por muito tempo, vários foram os filósofos e educadores que exortaram os mestres, ao longo dos séculos, a dar mais ênfase à compreensão do que à memorização. Com isso pretendiam tornar o ensino mais estimulante e adaptado aos interesses dos alunos e às suas reais condições de aprendizagem. Surgiram, assim, algumas teorias que tentavam explicar como o ser humano é capaz de apreender e assimilar o mundo que o circunda. Com base nessas teorias do conhecimento, alguns princípios didáticos foram formulados.

físicos nos currículos e nos livros escolares. Escreveu o primeiro livro didático ilustrado para crianças, intitulado O mundo das coisas sensíveis ilustrado. Criou, também, um método para o ensino de línguas de acordo com suas ideias educacionais, considerado revolucionário para a época. Devido a sua longa experiência como professor, Comenius não foi apenas um teórico da educação. Ele teve também grande importância para a prática da instrução escolar, contribuindo para a melhoria dos processos de ensino. A seguir, apresentamos alguns princípios defendidos por Comenius na sua obra Didática magna, publicada em 1632, e que teve influência direta sobre o trabalho docente. Ao ensinar um assunto, o professor deve:

  1. Apresentar o objeto ou ideia diretamente, fazendo demonstração, pois o aluno aprende através dos sentidos, principalmente vendo e tocando.
  2. Mostrar a utilidade específica do conhecimento transmitido e a sua aplicação na vida diária.
  3. Fazer referência à natureza e origem dos fenômenos estudados, isto é, às suas causas.
  4. Explicar primeiramente os princípios gerais e só depois os detalhes.
  5. Passar para o assunto ou tópico seguinte do conteúdo apenas quando o aluno tiver compreendido o anterior. Como se pode ver, esses pressupostos da prática docente já eram proclamados por Comenius em pleno século XVII. Heinrich Pestalozzi (1746-1827) Defendendo a doutrina dos naturalistas, em especial a de Rousseau, Pestalozzi acreditava que o ser humano nascia bom e que o caráter de um homem era formado pelo ambiente que o rodeia. Sustentava que era preciso tornar esse ambiente o mais próximo possível das condições naturais, para que o caráter do indivíduo se desenvolvesse ou fosse formado positivamente. Para ele, a transformação da sociedade iria se processar através da educação, que tinha por finalidade o desenvolvimento natural, progressivo e harmonioso de todas as faculdades e aptidões do ser humano. Para a sua época, esta ideia era um tanto inovadora, porque, na segunda metade do século XVIII, a concepção corrente era de que as transformações revolucionárias seriam o remédio que curaria todos os males sociais. Por isso, ao advogar a ideia de que a educação era um meio de regenerar a sociedade, ele estava introduzindo um elemento novo no ideário pedagógico de seu tempo, e este pensamento assumiria um significado especial nos anos subsequentes. Portanto, para Pestalozzi, a educação era um instrumento de reforma social. Ele pregava a educação das massas e proclamava que toda criança deveria ter acesso à educação escolar, por mais pobre que fosse seu meio social e mesmo que suas condições fossem limitadas. Na teoria educacional de Pestalozzi podemos encontrar as sementes da Pedagogia moderna. Foi ele o primeiro a formular de forma clara e explícita o princípio de que a educação deveria respeitar o desenvolvimento infantil. Na concepção de Pestalozzi, o principal objetivo da educação era favorecer o desenvolvimento físico, intelectual e moral da criança e do jovem, através da vivência de experiências selecionadas e graduadas, necessárias ao exercício dessas capacidades.

Para alcançar esse objetivo, ele elaborou um método, que era a base de seu trabalho educativo, e organizou atividades sequenciais, que, vivenciadas pelo aluno de forma graduada, contribuíam para seu desenvolvimento intelectual e moral. O método pestalozziano, como foi posteriormente chamado, tinha as seguintes características:

  1. Apresentava o conhecimento começando por seus elementos mais simples e concretos, de forma a estimular a compreensão.
  2. Utilizava o processo de observação ou percepção pelos sentidos, denominado por ele de intuição.
  3. Fixava o conhecimento por meio de uma série progressiva de exercícios graduados, que se baseavam mais na observação do que no mero estudo de palavras. Portanto, a essência do seu método era a "lição de coisas", como era então chamada. Mas ele empregou a "lição de coisas" de forma mais ampla, como base para o completo desenvolvimento mental da criança, e não como foi usada posteriormente, de forma mais restrita, com o simples propósito de obter o conhecimento do objeto ou de apenas treinar a capacidade de observação. Em consequência do pressuposto de que a "lição de coisas" era um recurso para favorecer o desenvolvimento do aluno, o método de Pestalozzi trazia vários elementos inovadores: o emprego do cálculo mental, o uso de técnicas silábicas e fonéticas na linguagem, e o estudo da Geografia e das ciências feito em contato direto com o ambiente natural. Outro aspecto inovador do método pestalozziano foi o fato de combinar as atividades intelectuais com o trabalho manual, fazendo os dois caminharem juntos. Pestalozzi escreveu várias obras sobre educação, e como mestre-escola teve oportunidade de testar sua teoria, colocando-a em prática. Assim, pôde experimentar diretamente a reforma das práticas educativas. Ele dedicou também grande parte de sua vida à preparação de professores. Os princípios educacionais formulados por Pestalozzi podem ser assim resumidos:
  4. A relação entre o mestre e o discípulo deve ter como base o amor e o respeito mútuo.
  5. O professor deve respeitar a individualidade do aluno.
  6. A finalidade da instrução escolar deve basear-se no fim mais elevado da educação, que é favorecer o desenvolvimento físico, mental e moral do educando.
  7. O objetivo do ensino não é a exposição dogmática e a memorização mecânica, mas sim o desenvolvimento das capacidades intelectuais do jovem.
  8. A instrução escolar deve auxiliar o desenvolvimento orgânico por meio da atividade, isto é, da ação tanto física como mental.
  9. A aprendizagem escolar deve corresponder não apenas à aquisição de conhecimentos, mas principalmente ao desenvolvimento de habilidades e ao domínio de técnicas.
  10. O método de instrução deve ter por base a observação ou percepção sensorial (que Pestalozzi chamava de intuição) e começar pelos elementos mais simples.
  11. O ensino deve seguir a ordem psicológica, ou seja, respeitar o desenvolvimento infantil.

Herbart afirmava que o conhecimento constitui um todo inter-relacionado, e só é compartimentalizado em matérias escolares para fins didáticos, tendo em vista facilitar o seu estudo e assimilação. Por isso, o professor deve organizar e apresentar os materiais de instrução de forma que o aluno perceba a relação existente entre as várias matérias de estudo e a unidade do conhecimento. Para alcançar esse objetivo, Herbart elaborou e aplicou um método instrucional que consistia numa série de passos baseados na ordem psicológica de aquisição do conhecimento. Esses passos deveriam ser seguidos em cada unidade de instrução e apresentavam a seguinte sequência: preparação, apresentação, associação, sistematização e aplicação. John Dewey (1859-1952) A concepção que Dewey tinha do homem e da vida, e que serve de base à sua pedagogia, é de que a ação é inerente à natureza humana. A ação precede o conhecimento e o pensamento. Antes de existir como ser pensante, o homem é um ser que age. A teoria resulta da prática. Logo, o conhecimento e o ensino devem estar intimamente relacionados à ação, à vida prática, à experiência. O saber tem caráter instrumental: é um meio para ajudar o homem na sua existência, na sua vida prática. Para Dewey, o homem é um ser eminentemente social. Assim sendo, são as necessidades sociais que norteiam sua concepção de vida e de educação. Para ele, os motivos morais devem estar a serviço de fins sociais. O trabalho em comum e a cooperação são os elementos fundamentais da vida coletiva e satisfazem as necessidades sociais e psíquicas do ser humano. Dewey instituiu a fórmula: Vida humana = vida social = cooperação. Como o trabalho e a cooperação são o fundamento da vida, é em torno desses elementos que deve gravitar a educação escolar. Salientando a importância social do trabalho e valorizando o trabalho manual, ele afirma que a escola deve tornar-se uma verdadeira comunidade de trabalho, em vez de um lugar isolado onde se aprendem lições sem ligação com a vida. A criança, por sua própria natureza, é ativa, quer agir, fazer alguma coisa, produzir. Assim, a escola deve respeitar a natureza da criança e aplicar o princípio do aprender fazendo, agindo, vivendo. A criança deve adquirir o saber pela experiência e pela experimentação próprias. O papel da escola não é comunicar o saber pronto e acabado, mas ensinar as crianças a adquiri-lo, quando lhes for necessário. Como? Desenvolvendo a atenção e o pensamento reflexivo, a capacidade de estabelecer relações entre fatos e objetos, a habilidade para diferenciar o essencial do acessório e para remontar às causas e prever os efeitos. Ressalta que, na aquisição do saber, o fundamental é a atividade mental, e que esta pode ou não vir acompanhada da atividade física. Por isso, Dewey é um grande defensor dos métodos ativos e prega o ensino pela ação. Embora vários outros filósofos e educadores tenham defendido a necessidade de se rever os processos de ensino, os educadores aqui apresentados, por sua obra tanto teórica como prática, tornaram-se verdadeiros marcos do pensamento educacional, e suas ideias repercutiram diretamente no campo da Didática. Eles não só pregaram a reforma dos métodos de ensino como também aplicaram, em suas práticas educativas, as ideias que defendiam. Apesar de apresentarem concepções diferentes de educação, os educadores aqui mencionados tiveram um aspecto em comum: tentaram fazer com que a reforma do ensino não ficasse restrita a uma elite, mas fosse estendida a parcelas cada vez maiores da população. Nesse sentido, eles

acreditaram na educação popular e tentaram mostrar que qualidade e quantidade não são termos indissociáveis, e que podem, num certo momento, andar juntos.

Resumo

1. Educar é um termo mais amplo que ensinar, pois, enquanto a educação refere-se ao processo **de formação humana, o ensino é a orientação da aprendizagem.

  1. Enquanto a Pedagogia é o estudo e a reflexão sobre a teoria da educação, a Didática é uma** **área específica da Pedagogia e se refere à teoria e à prática da instrução e do ensino.
  2. Toda teoria pedagógica tem seus fundamentos baseados num sistema filosófico. E a Filosofia** que, expressando uma concepção de homem e de mundo, dá sentido à Pedagogia, definindo seus objetivos e determinando os métodos da ação educativa. Nesse sentido, não existe educação neutra. Ao trabalhar na área da educação, é sempre necessário tomar partido, assumir posições. E toda escolha de uma concepção de educação é, fundamentalmente, o **reflexo da escolha de uma filosofia de vida.
  3. Alguns dos pressupostos didáticos atualmente adotados não são construções inteiramente** recentes, mas foram elaborados pelos educadores ao longo do tempo, e reformulados a partir de um processo contínuo de reflexão-ação-reflexão.

Atividades

  1. Faça uma pesquisa procurando outras definições para os termos educação e ensino. Analise cada uma das definições coletadas. Depois, elabore seu próprio conceito de educação e de ensino.
  2. Determine a diferença existente entre Pedagogia e Didática, mostrando a abrangência de cada termo.
  3. Analise e comente a seguinte afirmação, justificandoa por escrito: "O arcabouço pedagógico é o reflexo do arcabouço filosófico. No domínio da educação, sobretudo, é a concepção da vida que determina as teorias pedagógicas."^8
  4. Trabalho em grupo Neste capítulo, fizemos uma breve exposição sobre as ideias pedagógicas de alguns educadores importantes e de suas contribuições para o processo didático, tentando mostrar como suas teorias educacionais foram influenciadas por suas concepções do homem e do mundo. Agora, escolha um dos educadores abaixo e faça uma pesquisa sobre seu trabalho pedagógico, tentando vincular suas ideias acerca da educação e da didática com sua visão de vida e de ser humano: a) Frederico Froebel b) Maria Montessori