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Nesta unidade, exploramos a história dos azulejos e pastilhas, seus estilos e origens, além de aprender a identificar as diferentes características e tipos de materiais. Vamos conhecer as ferramentas necessárias para seu trabalho e as técnicas de aplicação em paredes e pisos. O documento também aborda as medidas e cálculos necessários para a realização de obras.
Tipologia: Esquemas
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9
Unidade 4 71
Unidade 3 45
Unidade 2 33
Conteúdo
Unidade 1
u m o l h a r p a r a o p a s s a d o
c o n h e c i m e n t o s d a o c u p a ç ã o e o s m e u s p r ó p r i o s c o n h e c i m e n t o s
f e r r a m e n t a s d e t r a b a l h o e m a t e r i a i s b á s i c o s
p l a n e j a m e n t o d o t r a b a l h o
Trata-se de um período conhecido como Pré-história ou, como se prefere defnir atualmente, sociedades sem Estado. Esse período vai da origem do homem, há cerca de 5 milhões de anos, até o ano 3500 a.C. (antes de Cristo), quando surgiu a escrita. O ato de construir – ou, mais propriamente, de criar um espaço que servisse para moradia, culto, comércio etc., usando técnicas diferentes, novas – tem início apenas no fm desse período que conhecemos como Pré-história, ou sociedades sem Estado, e no começo da chamada Idade Antiga.
Piso de mosaico da Casa Aion, escavação arqueológica em antigo povoado romano na Ilha de Chipre, Grécia.
Conjunto de ladrilhos hidráulicos.
Para marcar as diferentes etapas do desenvolvimento da humanidade e facilitar a compreensão dos acontecimentos, os estudiosos dividiram a história em grandes períodos de tempo. Veja a seguir essa cronologia:
© Imagebroker/Alamy/Other Images
© Thays Tateoka/Editora Pini
IDADE MÉDIA Da queda do Império Romano até a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos
476 d.C. até 1453 d.C.
Império Romano Surgimento de grandes construções, como castelos e igrejas. Projeto e obra executados ao mesmo tempo.
IDADE CONTEMPORÂNEA Da Revolução Francesa até nossos dias (^) 1789 até os dias atuais
Revolução Industrial Novos materiais, técnicas e sistemas construtivos. Tecnologia dos materiais da construção civil.
IDADE MODERNA Da tomada de Constantinopla até a Revolução Francesa (^1453) até 1789
Período Renascentista Desenvolvimento da arte de construir. Desenvolvimento do projeto e posterior execução da obra.
IDADE ANTIGA Do surgimento da escrita até a queda do Império Romano (^) 3500 a.C. até 476 d.C.
Surgimento da escrita Início do ato de construir, criando espaços que servissem de moradia. Construção mais organizada.
PRÉ-HISTÓRIA Da origem dos seres humanos até o ano de 3500 a.C. (antes de Cristo). Origem do homem até 3500 a.C.
Sociedade sem Estado Abrigavam-se em cavernas encontradas na natureza. Não havia quase nenhuma interferência para modificar este ambiente.
Muito se evoluiu na arte e nas técnicas de construção, desde a primeira obra de que se tem notícia: Stonehenge , no sul da Inglaterra, um monumento construído com enormes blocos de pedra há aproximadamente 4 mil anos. Observe o contraste entre esta edifcação e as ultramodernas edifcações dos séculos X X (20) e X XI (21), exem- plifcados pela Filarmônica de Berlim (Alemanha) ou pelo Museu Guggenheim em Bilbao (Espanha).
Stonehenge, na Inglaterra.
Filarmônica de Berlim, na Alemanha. Museu Guggenheim, em Bilbao, Espanha.
Com a evolução dos materiais usados nas construções (desde as pedras até as arga- massas, concreto, madeira, vidro, estruturas metálicas etc.), veio também a evolução dos materiais de revestimento.
Vamos explorar como foi essa evolução, tratando em particular de azulejos, ladrilhos e pastilhas, que são o tema deste curso.
© David Nunuk/SPL/Latinstock
© Adam Eastland/Easypix
© Flaperval/123RF
No entanto, não podemos ignorar que as pedras e as pinturas artísticas nas paredes também tiveram lugar de destaque como materiais de revestimento , em diferentes épocas da história da humanidade.
Pirâmides de Gizé, Egito.
Detalhe do Parque Güell, criado pelo arquiteto Antoni Gaudí, Barcelona, Espanha. Nôtre-Dame
Revestimentos de pedra acompanham a história da humanidade, existindo desde a Idade Antiga, quando as construções eram feitas quase exclusivamente com esse material. Você pode ver outros exemplos na internet ou consultar a Unidade 1 do Arco Ocupacional Construção Civil – Pedreiro.
Os afrescos são pinturas artísticas feitas sobre paredes de argamassa de gesso ou cal ainda molhadas ou frescas. Sua origem é muito remota, e seu uso foi intenso entre os artistas italianos no final da Idade Média e início da Idade Moderna – e entre os anos de 1300 e 1500. Esse período ficou conhecido como Renascimento.
Afrescos do pintor Michelangelo na Capela Sistina, Roma, Itália.
Catedral de Paris, França.
© Azam/AgenceIamges/GettyImages
© Vito Arcomano/Easypix
© Pius
Lee/123RF
© Andre Lebrun/Easypix
© MapsWorld
Um século equivale a cem anos. Assim, quando fala- mos de algo que aconte- ceu no século I (1) estamos falando de um período que vai do ano 1 d.C. (depois de Cristo) até o ano 100 d.C. (depois de Cristo). O sécu- lo II (2) vai do ano 101 d.C. (depois de Cristo) ao ano 200 d.C. (depois de Cristo); o século III (3) do ano 201 d.C. (depois de Cristo) ao ano 300 d.C. (depois de Cristo) e assim por diante. Atualmente estamos no século XXI (21).
Para conhecer como azulejos, ladrilhos e pastilhas co- meçaram a fazer parte das construções ao longo dos séculos , vamos voltar no tempo, até a Antiguidade. As regiões com maior destaque no mundo não eram as mesmas que se destacam hoje. Egito (no norte da África), Mesopo- tâmia (região que atualmente é parte do Iraque, no Orien- te Médio, onde viveram vários povos: sumérios, acádios, babilônios, assírios, persas etc.), China, Grécia e Roma (cujo império se estendeu da região onde hoje é a Itália até o Oriente) constituíam alguns dos lugares de maior expressão política, econômica e cultural nessa época. Veja o mapa:
[AZL_C1_008] [Deixar meia página para a inserção de um mapa]
Azulejista 1
Trópico de Câncer
Roma GRÉCIA
OCEANO ÍNDICO
Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009, p. 32-33, 43 (adaptado).
16
IRAQUE
CHINA
EGITO
30º L
30º L
90º L
90º L
Equador
0 1 010 km
Os azulejos eram conhecidos no Egito e na Mesopotâmia.
No Egito, azulejos em tons azuis e verdes já eram usados há cerca de 5 mil anos a.C. (antes de Cristo).
Na Mesopotâmia, sabe-se que os assírios e os babilônios, desde o século XIII (13) a.C. (antes de Cristo), fabricavam azulejos e tijolos pintados. Os persas, que ocupa- ram a mesma região vários séculos depois, usavam a mesma técnica de produção de azulejos esmaltados.
A cidade da Babilônia era murada e a maior de suas portas era revestida por azule- jos decorados com o desenho de dragões e touros. Uma reprodução dessa porta pode ser vista atualmente na cidade de Berlim, na Alemanha, em um museu cha- mado Pergamon.
Detalhe do Portal de Ishtar.
Portal de Ishtar, Museu Pergamon, em Berlim, Alemanha. Detalhe do Portal de Ishtar.
© Sean Gallup/Getty Images
© Veronique Durruty/Gamma
© Gillian Price/Alamy/Glow Images
Embora os azulejos fossem conhecidos na Idade Antiga, foi com a expansão islâ- mica para a Europa que esse tipo de material foi divulgado e passou a ser utilizado no Ocidente. Isso ocorreu já durante a Idade Média.
Com a ocupação islâmica, a técnica de produção de azulejos foi levada do Oriente para o sul da Espanha. Eles eram produzidos com barro coberto por um líquido que, após o cozimento, torna o material vidrado. Seus desenhos eram sempre de formas geométricas, porque a religião muçulmana (islamismo), seguida pelos árabes, não permite a reprodução de fguras humanas.
Veja o exemplo abaixo:
Azulejo alicatado em El-Hedine, Marrocos.
O que foi a expansão islâmica? Foi o processo de crescimento e domínio territorial dos árabes na Península Ibérica, iniciado por volta do ano 700 d.C. (depois de Cristo), após as tribos árabes terem sido unificadas por Maomé. Os mouros – como ficaram conhecidos esses povos – conseguiram isolar a Europa. Ao assumirem o controle do Mar Mediterrâneo, eles bloquearam o comércio entre a Europa e os países do Oriente. Com isso, passaram a fazer a ligação entre a Europa, a Ásia e a África. A ocupação islâmica da Península Ibérica começou no século VIII (8) e terminou quase no fim do século XV (15), quando os chamados “reis católicos”, Fernando e Isabel de Castela, os expulsaram da Espanha. A Península Ibérica é formada por Portugal, Espanha, Gibraltar (cuja soberania pertence ao Reino Unido), Andorra e pequena fração do território da França, no lado ocidental dos Pireneus. Para localizar essa região no mundo, consulte o atlas disponível na sala de aula.
© Travel Ink/Getty Images
O estilo desse azulejo fcou conhecido como hispano-mourisco e, até os dias de hoje, a arquitetura mudéjar – como foi chamada a arte islâmica mesclada com traços cristãos – prevalece em cidades do sul da Espanha, a exemplo do Palácio de Alham- bra , em Granada, e da cidade de Sevilha, onde eram produzidos.
Palácio de Alhambra, em Granada, Espanha.
Detalhe do Palácio de Alhambra, em Granada, Espanha.
Além da Espanha, que manteve a tradição de uso de azulejos mesmo após a expul- são dos mouros, Portugal e Holanda também utilizaram azulejos, contribuindo para que seu uso se tornasse comum na arquitetura europeia, como parte dos revesti- mentos para a decoração de ambientes.
© Peter Adams/Getty Images
© Max Hunn/Photoresearchers/Latinstock
No século XVI (16), os azulejos passaram a ocupar espaço crescente na produção artística e arquitetônica nacional portuguesa; começaram a fazer parte das residên- cias, das paredes e dos tetos dos palácios, das igrejas, dos jardins, das praças e dos prédios públicos.
Grande panorama de Lisboa (detalhe), c. 1700. Faiança azul sobre branco, 115 cm x 2247 cm. Museu Nacional do Azulejo, Lisboa, Portugal.
Produzidos em Portugal, os azulejos ganham feição di- ferenciada:
Os chamados “azulejos de repetição” não desapareceram; mas os painéis e as paisagens tenderam a ganhar mais espaço.
© Daniel Thierry/Photononstop/Glow Images
Ainda que sua posição em Portugal tenha sido muito mais destacada do que em outros países da Europa, os azulejos também estiveram presentes na arquitetura da Holanda (principalmente), da Itália, da Inglaterra e da França.
Interior do Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, Portugal.
Com o passar dos anos, os azulejos ganharam novas cores e padrões, acompa- nhando as manifestações artísticas das diferentes épocas e a evolução das técnicas de fabricação. No fnal do século XIX (19) e início do século X X (20), tem destaque um movimento das artes e da arquitetura chamado Art Nouveau, que, em francês, signifca Arte Nova. Seu surgimento coincide com o uso, em maior escala, de novos materiais nas construções: o ferro e o vidro.
Nos azulejos e outras peças de cerâmica, chamam a atenção os desenhos com formas mais arredondadas, representando a natureza: fores e folhas com cores variadas, mas sempre com grande suavidade.
Decoração em mosaico de estilo Art Nouveau, Hotel Metropol, em Moscou, Rússia.
© Sylvain Sonnet/Corbis (DC)/Latinstock
© Snappdragon/Alamy/Other Images
Existem registros de que as primeiras peças de azulejo no Brasil foram trazidas de Portugal, no começo dos anos 1600, para decorar um convento na cidade de Olin- da, no Estado de Pernambuco.
Depois disso, os azulejos portugueses começaram a ser utilizados em igrejas e con- ventos , principalmente da região Nordeste.
Convento de São Francisco de Assis, em Salvador, Bahia, com painéis de azulejos trazidos de Portugal por volta de 1740.
Convento de São Francisco de Assis, detalhe do painel de azulejos.
© Ricardo Azoury/Olhar Imagem
© Ricardo Azoury/Pulsar Imagens
Você sabe por que a Corte portuguesa mudou-se para o Brasil em 1808? No início do século XIX (19), por volta de 1800, a Inglater- ra tinha grande poder na Europa e os franceses briga- vam para ampliar seu pode- rio e seu território.
Mas o uso mais constante dos azulejos no Brasil ocorreu depois de 1800. Você sabe por quê? Porque em 1808 a Cor- te portuguesa mudou-se de Portugal para o Brasil, tendo vindo morar no nosso país cerca de 15 mil portugueses. Como eram bastante populares em Portugal, com a vin- da da Corte, os azulejos passam a ser também cada vez mais utilizados por aqui.
Com um exército forte, a França determinou que os países da Europa que nego- ciassem com a Inglaterra seriam invadidos. Os portu- gueses ficaram – como diz o ditado popular – “entre a cruz e a espada”. Posicionar- -se contra a França significa- ria ter sua terra invadida pelo exército francês. Mas, se apoiassem o bloqueio econô- mico francês, era a Inglaterra que invadiria Portugal.
A aplicação de azulejos em fachadas de prédios – ou seja, como material de revestimento – parece ter se iniciado na região Norte, em função do clima mais quente e das chuvas mais frequentes.
Para não se colocar clara- mente de um lado ou de outro, e contando com o apoio da Inglaterra, a Corte portuguesa decidiu se mudar para o Brasil. Por que escolheram o Brasil? Porque o Brasil, nesse perío- do, era colônia de Portugal, tendo permanecido nessa si- tuação até o ano de 1822 – chamado “ano da Indepen- dência”, que se comemora no dia 7 de setembro.
Fachada decorada com azulejos portugueses em São Luís, Maranhão.
Seu uso nesse tipo de clima é adequado por duas ra- zões: é impermeável, o que protege a fachada das chu- vas intensas, e refete calor, tornando o ambiente interno mais “fresquinho”. Ainda hoje, muitas facha- das de azulejos são encontradas nos Estados do Pará e do Maranhão. Passado um tempo, os azulejos deixaram de ter papel predominante na decoração de igrejas e de casas e se tornaram um produto de uso comum na construção civil, principalmente para colocação nos “lugares frios” das residências e de outros tipos de edifcação: cozinhas e banheiros, paredes de hospitais etc. A facilidade de limpeza (por serem laváveis e impermeáveis) e de aplica- ção contribuiu para sua popularização.
© Rubens Chaves/Pulsar Imagens