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Alguns possíveis defeitos encontrados em sorvetes
Tipologia: Notas de aula
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Os defeitos do sorvete podem ser divididos em: 1. defeitos de sabor; 2. de corpo e textura; 3. de derretimento; 4. de cor e 5. de embalagem Defeitos do sabor Os defeitos de sabor podem estar relacionados com os agentes flavorizantes que provocam ausência de sabor, sabor muito pronunciado ou artificial. Os adoçantes também podem provocar defeitos de sabor, o sorvete pode estar muito ou pouco doce. Outro defeito é o gosto de cozido no produto final causado durante o processamento de produtos lácteos em temperaturas muito elevadas, que serão posteriormente adicionados na formulação do sorvete, ou pela própria pasteurização da calda em elevadas temperaturas. O uso de ingredientes lácteos ácidos, salgados, oxidados ou com sabor metálico ou rançoso pode também causar defeito de sabor. A fabricação de um sorvete com alto teor de sólidos não gordurosos pode causar um gosto salgado, além do uso de grande quantidade de soro em pó ou de manteiga salgada em vez de manteiga sem sal. O sabor oxidado no sorvete pode ser causado pela oxidação de gorduras e também dos emulsificantes (mono e diacilglicerol e polissorbato 80) utilizados no sorvete. O sabor rançoso pode ser proveniente do alto teor de ácido butírico proveniente da lipólise da gordura do leite. Isso pode ser originado dos produtos lácteos utilizados na formulação do sorvete ou do tratamento térmico inadequado na calda antes da homogeneização que não inativou completamente a enzima lipase, responsável pela lipólise da gordura. Defeitos de corpo e textura Os defeitos de corpo e textura estão relacionados com a formação de cristais de gelo, um corpo quebradiço, pastoso ou fraco, ou uma textura fofa ou arenosa. Um dos defeitos do sorvete é a presença de cristais de gelo, que podem ser perceptíveis quando consumido. Isso pode estar relacionado com uma quantidade insuficiente de sólidos totais, com alto teor de água; quantidade insuficiente de proteína ou de estabilizante, ou uso de estabilizante inadequado. Além dos ingredientes, pode ser causado pelo processamento, como pressão de homogeneização insuficiente, que provoca efeito na formação da estrutura da gordura; tempo insuficiente de maturação da calda; congelamento lento provocado pelo equipamento utilizado; incorporação de ar inadequada com formação de bolhas de ar grandes, causada pelas características da calda ou do equipamento utilizado. Também a distância entre a máquina de bater o sorvete e o equipamento para seu endurecimento pode causar alteração na temperatura. Durante o armazenamento, as modificações de temperatura podem provocar esse defeito pela recristalização. Durante a estocagem, a recristalização ocorre com o aumento dos cristais de gelo. Essa alteração provoca uma textura “grosseira” no sorvete, com redução da qualidade do produto final. Essa recristalização pode ocorrer de duas formas: acreação ou migração. A junção de dois ou mais cristais de gelo próximos um dos outros leva a formação de um cristal maior (acreação). A migração envolve o derretimento de pequenos cristais, a água proveniente dos cristais migra para a superfície de outros cristais que ficam maiores. Isso é causado pela água descongelada que migra para a fase soro do sorvete e provoca aumento no tamanho do cristal do gelo. O resultado é uma redução do número de cristais e o aumento do seu tamanho (Figura 1).
Figura 1. Representação microscópica de cristais de gelo (A) em sorvete endurecido, e (B) após mudanças na temperatura durante o armazenamento e/ou distribuição. A recristalização está diretamente relacionada com a viscosidade da fase soro não congelada. Quanto maior a viscosidade, menor a taxa de difusão e, consequentemente, o crescimento do cristal de gelo. A recristalização é minimizada pela manutenção de temperaturas baixas e constantes de armazenamento. Quanto menor o ponto de congelamento, maior a quantidade de água não congelada durante a fase de congelamento, o que permite que a água recristalize durante a estocagem. Entretanto, o teor de sólidos totais no sorvete tem um efeito inversamente proporcional à recristalização. Quanto maior o teor de sólidos na calda, menor a quantidade de água disponível para a formação de cristais de gelo. O overrun acima de 70% também impacta na estrutura do sorvete e no tamanho dos cristais. O defeito de corpo quebradiço é proveniente da formulação, como teor baixo de sólidos totais, ou de proteína, ou de estabilizante ou de emulsificante, além de um overrun elevado com formação de grandes bolhas de ar. O defeito inverso ao do corpo quebradiço é o sorvete apresentar uma textura gomosa ou pastosa. Isso pode ser causado por: quantidade pequena de estabilizante, ou uso de estabilizante inadequado para a função, ou também um overrun muito baixo. Na textura extremamente macia, o sorvete apresenta uma textura esponjosa parecida com marshmallow. Esse defeito por ser causado por baixo teor de sólidos ou de estabilizante, ou incorporação de muita quantidade de ar no sorvete. O defeito do sorvete com uma textura arenosa é facilmente perceptível quando degustado, pela presença de cristais de lactose, que promovem a sensação de arenosidade na boca. É diferente dos cristais de gelo que derretem na boca; os de lactose não derretem. No entanto, o defeito pode ser prevenido da mesma forma da dos cristais de gelo: endurecer rapidamente o sorvete, mantê-lo em baixas temperaturas e evitar modificações de temperatura durante estocagem e comercialização. Defeito de derretimento O derretimento com aspecto “coagulado” é percebido quando o sorvete derretido apresenta partículas de gordura visíveis ou proteína coagulada. Pode ser causado pela alta acidez do leite ou pelo seu equilíbrio salino, que provoca a coagulação das proteínas; também por altas pressões de homogeneização ou supercongelamento no freezer que podem provocar o aparecimento de partículas de gordura. Outro defeito é quando o sorvete não derrete e pode ser causado por uma alta emulsificação, emulsificação inadequada, ou alto teor de gordura na calda. A aglomeração excessiva de gordura pela homogeneização em temperatura muito baixa ou utilização de homogenizador de um estágio, além de um congelamento em temperatura muito baixa, também podem causá-lo. A separação de soro (wheying off) no sorvete é provocado pela precipitação da proteína na calda, e pode ser induzido por alguns estabilizantes, como goma locusta e carboximetilcelulose. Ocorre incompatibilidade da ligação hidrocoloide/proteína com a água e a separação de fase quando o sorvete derrete. O equilíbrio salino do leite, a composição da proteína, a adição de carragena ou a falta dela também podem provocar esse defeito.