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Eventos estressores e depressão são uma das causas para o suicídio, segundo estudos realizados por esses profissionais
Tipologia: Teses (TCC)
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Resumo O objetivo deste estudo foi estimar a prevalência de eventos estressantes, suporte social e depressão e verificar a associa- ção entre essas variáveis e as tentativas de suicídio atendidas em um hospital de emergência na cidade do Rio de Janeiro, durante o período de 2006 a 2007. Trata-se de um estudo de caso-controle (caso: n=59) (controle: n=118). Os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico, International Development Interview (CIDI), versão 2.1, para avaliação de depressão, Escala de Avaliação de Reajustamento Social e a Escala de Apoio Social (Medical Outcomes Study). Foi obser- vada diferença estatisticamente significante entre casos e controles na prevalência de eventos estressantes, escassez de apoio social e depressão. Os casos e controles foram nível baixo de escolaridade (50,8 e 61,9%, respectivamente) e não
(^1) Mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). End: Rua Thompson Flores, 28, casa 4, apto 201 – Méier – Rio de Janeiro, RJ – CEP: 20710-030 – Email: [email protected] (^2) Doutora em Saúde Pública. Professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ. (^3) Doutor em Saúde Pública. Professor Adjunto do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ. (^4) Doutora em Saúde Pública. Professora Associada do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ.
Diego de Lima Fonseca, Lúcia Abelha, Giovanni Marcos Lovisi, Letícia Fortes Legay Introdução No ano 2000, a Organização Mundial de Saúde relatou que, aproximadamente, 1 milhão de pessoas morreu por suicídio, com uma taxa global de 16 por 100 mil habitantes. Isso repre- senta 1 morte a cada 40 segundos (WHO, 2007). O suicídio é um fenômeno encontrado em diversos países, desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo a quarta causa de óbito entre a população de 15 a 44 anos (WHO, 2002). No que se refere às tentativas de suicídio, o número pode ser ainda mais preocupante. Estima-se que o número de tentativas supere o de suicídios em 40 vezes, dependendo da localidade (Schmidtke et al., 1996). Aproximadamente um quarto dos casos de tentativas acaba tentando novamente o suicídio no ano seguinte. Estudos de seguimento mostram que 10% das pessoas que tentam suicídio acabam se matando, ou seja, o risco de suicídio na população que tenta praticá-lo é 100 vezes maior do que na população em geral (Kreitmann e Casey, 1988; Diekstra e Gulbinat, 1993). Segundo a Organi- zação Mundial de Saúde (WHO, 2002), apenas 25% dos casos de tentativa de suicídio procuram atendimento em hospitais públicos. Entre os fatores de risco para as tentativas de suicídio sobressaem-se variáveis sociodemográficas e clínico-epide- miológicas, a história de tentativa de suicídio anterior e os transtornos mentais, principalmente a depressão (de 13 a 53,8%) (WHO, 2002; Brasil, 2006). As variáveis sociodemo- gráficas e clínicas mais frequentemente observadas nas tenta- tivas são: sexo feminino, jovem, desempregado(a), solteiro(a), com baixo nível educacional, uso de álcool ou drogas durante a tentativa e tratamento psiquiátrico anterior. A ingestão de medicamentos é o método mais utilizado (Schmidtke et al.,1996; Fleischmann et al., 2005; Suomien et al., 2004; Borges et al., 2000; Feijó et al., 1996). Estudos apontam a importância da história de tentativa de suicídio anterior como um impor- tante preditor de novas tentativas e do suicídio (Schmidtke et al.,1996; Skogman et al., 2004; Suokas et al., 2001; Hawton et al., 1998). Os eventos estressantes podem estar relacionados com a ausência de apoio social. Estudos têm demonstrado os efeitos deletérios da ausência do suporte social em situações estres- santes, como a morte de pessoas íntimas, separação conjugal, desemprego ou qualquer mudança nociva no meio ambiente. Todas essas situações podem propiciar transtornos mentais, principalmente a depressão, ou agravar os já existentes naque- les indivíduos que não contam com um apoio social adequado (Brown e Rundell, 1990). Embora a pesquisa de eventos estressantes e apoio social seja de grande importância, o trabalho nessa área está sujeito a várias limitações metodológicas. Uma delas é a dificuldade de conceituação do que exatamente seriam apoio social e eventos estressantes, pré-requisito para estudar o quer que seja. Vá- rios conceitos de apoio social têm sido utilizados por diversos autores (Bowling, 1997; Cohen e Wills, 1985; Minkler, 1985; Cobb, 1976). Utilizaremos o conceito de Nutbeam (1986), que definiu apoio social associado aos eventos estressantes. Ele o define como a ajuda oferecida aos indivíduos pela co- munidade para apoiá-lo em situações estressantes. Essa ajuda compreende a ajuda material, o apoio afetivo, o oferecimento de informações ou aconselhamentos. A compreensão sobre como o apoio social estaria associa- do aos agravos à saúde e estresse é baseada em dois modelos distintos. Um deles é o modelo do efeito direto que considera que recursos sociais têm um efeito benéfico à saúde, indepen- dentemente de a pessoa estar vivenciando eventos estressantes ou não; já o modelo do efeito indireto (buffer-amortecimento) propõe que o apoio social é associado ao bem-estar somente, ou primariamente, para pessoas sob eventos estressantes (Co- hen e Wills, 1985). É muito plausível que, no evento estressante presente e apoio social ausente, um exerça ação potencializadora sobre o outro e, assim, forme-se um bloco causal de agravos à saúde, como as tentativas de suicídio. Isso pode explicar o resultado de estudos que encontraram associação seja de ausência de apoio social, seja de presença de eventos estressantes com agravos à saúde. Se nesses estudos não se controla o outro fator (apoio ausente ou estresse presente) e o mesmo esteja operando, vai-se encontrar provavelmente uma associação espúria entre os fatores envolvidos no estudo (Lovisi et al., 1996). Esse modelo de interação: eventos estressantes __^ apoio social __^ agravos à saúde é ainda incipiente para o estudo das tentativas de suicídio. No Brasil, há poucos estudos realizados sobre fatores sociodemográficos e transtornos mentais nas tentativas de suicídio. Nesses estudos predominaram mulheres e adoles- centes, estudantes, com histórias anteriores de tentativas e de transtornos mentais, sendo a depressão o mais frequente (Feijó et al., 1996; Rapeli e Botega, 2005; Marcondes Filho et al, 2002; Rapeli e Botega, 1998; Botega et al., 1995). O método mais utilizado por elas foi o de intoxicação por medicamentos psicoativos. Nos homens predominaram os adolescentes e de- sempregados, e o método mais frequente foi o de intoxicação por pesticida (Feijó et al., 1996; Marcondes Filho et al., 2002; Werneck et al., 2006). Atualmente, têm aumentado as pesquisas nacionais (Cas- sorla, 1984; Feijó et al., 1999; Prieto, 2002; Gaspari e Botega,
Diego de Lima Fonseca, Lúcia Abelha, Giovanni Marcos Lovisi, Letícia Fortes Legay de, no máximo, dez dias. Todos os controles foram recrutados no setor de emergência do hospital. Os controles foram sele- cionados segundo os critérios supra, excluindo-se os menores de 18 anos, assim como a repetição de patologias idênticas que motivaram sua entrada no hospital. Por meio da escolha de controles com uma diversidade de patologias, procurou-se evitar possíveis confusões, variáveis associadas às exposições investigadas e ao desfecho, embora fosse inevitável a presença de transtornos psicológicos leves como comorbidades relacio- nadas à própria situação de hospitalização, as quais variavam conforme a gravidade do caso que motivou a internação. Como o hospital estudado não possui um sistema de refe- rência geográfica fechado, atendendo pessoas de todo o muni- cípio ou mesmo do estado, não é possível selecionar controles provenientes da população que gerou os casos. Nessa situa- ção, a escolha de controles do mesmo hospital aproxima-se do pressuposto de que aquele controle poderia ser um caso em potencial se tentasse o suicídio, encaminhando-se provavel- mente para o mesmo hospital. Estudos recentes trazem uma discussão sobre a impor- tância de se avaliar a intencionalidade no comportamento suicida, visando a uma melhor definição do termo “tentati- va de suicídio” como proposta para redução dos problemas metodológicos. Para o presente estudo, utilizou-se a definição adotada pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2002): Ato com resultados não fatais no qual um indivíduo inten- cionalmente inicia um comportamento não habitual, sem a intenção de outros, causando autolesão ou ingerindo intencionalmente excesso de medicamentos (em relação à dosagem prescrita ou aceita como normal), com a finalidade de provocar mudanças em decorrência das consequências físicas ocorridas ou esperadas. Os critérios de exclusão foram:
Apoio social, eventos estressantes e depressão em casos de tentativa de suicídio: um estudo de caso-controle realizado em um hospital de emergência do Rio de Janeiro emocional e de informação e o suporte material, consistindo em 19 perguntas respondidas como “nunca”, “raramente”, “às vezes”, “quase sempre” e “sempre”. Os dados resultantes foram dicotomizados segundo a seguinte regra:
Tabela 2 - Avaliação de eventos estressantes no último ano em casos de tentativa de suicídio e controles atendidos em um hospital de emergência do Rio de Janeiro Probabilidades
Diego de Lima Fonseca, Lúcia Abelha, Giovanni Marcos Lovisi, Letícia Fortes Legay grande maioria das pesquisas internacionais (Skogman et al., 2004; Bernal et al., 2007; Blackmore et al., 2008) e nacionais (Rapeli e Botega, 2005; Marcondes Filho et al., 2002). A forte associação encontrada (OR=4,97) é compatível com os estu- dos que apontam o episódio depressivo como um dos mais importantes fatores de risco para as tentativas de suicídio (Bernal et al., 2007; Nock e Kessler, 2006; Haw et al., 2001; Beautrais et al., 1996). Os casos de tentativas de suicídio apresentaram um número substancialmente maior de eventos estressantes (Cassorla, 1984; Gould et al., 1996; Feijó et al., 1999; Prieto, 2002). Dentre esses eventos, aqueles que apresentaram maior associação com as tentativas de suicídio foram mudança de escola e reconciliação com o cônjuge. A mudança de escola pode estar associada tanto aos sin- tomas depressivos como ao comportamento suicida. Ela pode ser verificada em situações tais como: problemas escolares (expulsão da escola, reprovação), mudança de residência e separação dos pais. Resultado semelhante foi encontrado em um estudo de caso-controle realizado em adolescentes grávi- das e não-grávidas, buscando comparar o perfil psicossocial e o comportamento suicida entre os dois grupos. Os autores encontraram o fato de “não estar estudando por seis meses” associado ao comportamento suicida (Freitas e Botega, 2001). Na escala de eventos estressantes utilizada em nosso estudo, os eventos com maior escore são morte do cônjuge, divórcio e separação (100, 73 e 65 pontos, respectivamente). A reconciliação com o cônjuge está fortemente relacionada a brigas/separações anteriores, podendo ser esta uma explica- ção para a sua significância em nosso modelo de regressão fi- nal. Outro aspecto importante é que a reconciliação gera uma carga de estresse em um indivíduo que já está sob efeito de uma briga/separação anterior. A escala baseia-se justamente nessa sobrecarga de eventos em curto período de tempo (um ano) para apontar indivíduos com maiores chances de terem problemas de saúde. Chama a atenção a grande frequência de divórcio e sepa- ração nos casos, principalmente no sexo feminino (44,1%). Como abordado por Corney (1987) e Goerin et al. (1992), a desarmonia conjugal pode predispor, principalmente nas mu- lheres, a transtornos depressivos. Correlações entre tentativa de suicídio, divórcio e/ou separação têm sido encontradas por diferentes estudos, os quais apontam esses eventos como um importante fator precipitante para o comportamento suicida (Meneghel et al., 2004; Werneck et al., 2006; Gaspari e Botega, 2002). A pior percepção de apoio afetivo apresentou-se associada, no nosso estudo, aos casos de tentativa de suicídio. No mode- Tabela 3 - Modelos de regressão Variáveis OR IC95% Valor de p Eventos estressantes Acidentes ou doenças 0,13* 0,05 - 0,32 0, Reconciliação com o cônjuge 4,88 1,54 - 15,45 0, Dificuldades sexuais 4,49 1,10 - 18,32 0, Mudança de escola 3,03 7,14 - 1,26 0, Acréscimo ou diminuição de pessoas morando na casa 0,01^ 0,00 - 0,12^ 0, Apoio social Com quem distrair a cabeça 4,81 1,82 - 12,72 0, Com quem fazer coisas agradáveis 4,00 1,28 - 12,48 0, Que você ame e que faça você se sentir querido 3,03 1,10 - 8,371 0, Modelo final Acidentes ou doenças 0,22 0,09 - 0,54 0, Reconciliação com o cônjuge 7,63 2,26 - 25,64 0, Mudança de escola 15,38 1,47 - 166,67 0, Acréscimo ou diminuição de pessoas morando na casa 0,33* 0,12 - 0,89 0, Com quem distrair a cabeça 4,90 1,43 - 16,79 0, Com quem fazer coisas agradáveis 6,55 1,69 - 25,32 0, Depressão 4,97 1,89 - 12,99 0,
Diego de Lima Fonseca, Lúcia Abelha, Giovanni Marcos Lovisi, Letícia Fortes Legay condição e seu ambiente. Um dos problemas a que se deve estar atento é a possibilidade, por exemplo, de um paciente ter uma visão pessimista do mundo, consequente de sua doença, e isso influir na sua visão acerca dos seus relacionamentos sociais, isto é, ele provaria falseadamente sua interação com o mundo, che-falseadamente sua interação com o mundo, che-sua interação com o mundo, che- gando a atribuir ausência de suporte social em circunstâncias que caracterizariam um suporte satisfatório quando fora da de- pressão. Isso poderia explicar a significativa menor percepção de apoio social em quase todos os itens em nosso estudo. As características sociodemográficas predominantes foram: adulto jovem, sexo feminino, solteiro, baixo nível edu- cacional e fora do mercado formal de trabalho. Esses aspectos foram compatíveis com os estudos nacionais e internacionais sobre tentativas de suicídio (Schmidtke et al., 1996; Rapeli e Botega, 1998, Gaspari e Botega, 2002). Embora a literatura aponte que o desemprego e baixo nível socioeconômico são mais frequentes nos indivíduos que tentam o suicídio (Platt, 1984; Blackmore et al., 2008; Qin et al., 2003; Nunes, 1988), não encontramos diferenças significantes com o grupo controle. Isso, contudo, pode ser explicado pelo fato de o Grupo Controle ser constituído por pacientes atendidos em um hospital público, em sua maioria da camada populacional menos favorecida. Os métodos mais utilizados pelas mulheres foram ingestão de medicamentos psicoativos e ingestão de pesticidas (37,1% para ambas). Esse resultado foi corroborado por estudos nacionais e internacionais (Werneck et al., 2006; Botega et al., 1995; Kachava e Escobar, 2005; Nunes, 1988; Marcondes Filho et al., 2002). O uso abusivo de medicamentos psicoa- tivos é um problema de Saúde Pública no Brasil. Segundo a OMS, em 1990, consumiram-se 500 milhões de doses diárias de tranquilizantes no Brasil. Essa quantia foi três vezes mais alta do que a esperada (WHO, 1990). A ingestão de pesticida foi o método utilizado por quase metade dos homens (41,7%). Esse resultado é consistente com os de outros estudos nacionais (Werneck et al., 2006; Botega et al., 1995; Kachava e Escobar, 2005; Nunes, 1988). Em nossa investigação, os 23 indivíduos que tentaram o uso de pesticida utilizaram a fórmula denominada “chumbinho”. O uso desse pesticida também foi identificado como principal método utilizado nas tentativas em outros estudos realizados no Rio de Janeiro (Werneck et al., 2006; Moraes, 1999). A ingestão de pesticidas constitui a terceira maior causa de intoxicação agu- da no Brasil. Um recente estudo sobre intoxicação realizado no Ceará indicou que 84,2% de todos os casos de intoxicação por pesticida eram relacionados à tentativa de suicídio (Mar- ques, 2005). Todos esses estudos, incluindo nossa investiga- ção, sugerem a necessidade de se desenvolverem estratégias que restrinjam o acesso a esse método. É necessário e urgente ampliar o controle da aquisição do “chumbinho”, uma vez que, apesar de a venda ser proibida, o acesso é fácil e barato. Quanto à medicação psicoativa, além da fiscalização para o cumprimento da exigência da apresentação da prescrição médica para o seu acesso, faz-se também necessária maior conscientização da comunidade médica quanto à dispensação desses medicamentos. Em razão da grande variedade regional, as taxas de suicídio variam de 2 a 16 mortes por 100 mil habitantes no Brasil. Exis- te a necessidade de se pesquisar sobre os transtornos mentais. Encontramos uma alta prevalência de eventos estressantes, escassez de apoio social e depressão, além da predominância de baixo nível educacional e trabalhadores fora do mercado formal de trabalho. Nossos achados sugerem que a prevenção das tentativas de suicídio precisa ser multissetorial, incluindo ações e políticas para educação e empregos, além das medidas de intervenção e tratamento dos transtornos mentais. Limitações Neste estudo, por não se garantir a temporalidade, não foi possível estabelecer uma relação causal entre os fatores estu- dados. Outro fato é o de que os casos de tentativas de suicídio não são representativos de todos os casos ocorridos no Rio de Janeiro, e sim dos casos de tentativas que buscaram atendi- mento médico emergencial. Dessa forma, estes representam os casos mais graves e com maior probabilidade de apresenta- rem depressão. Tentou-se diminuir o viés de informação (ou viés de memória), ocasionado pela tendência dos casos a se lembrarem melhor dos eventos passados do que os controles com a adoção das seguintes medidas: realização de entrevis- tas estruturadas; treinamento rigoroso das entrevistadoras; e pesquisa dos eventos no último ano de vida. Questões sobre esquizofrenia devem ser consideradas em estudos que ava- liam a depressão, devido ao chamado “quadro de depressão pós-psicótica”. Referências Beautrais, A. L. et al. Prevalence and comorbidity of mental disorders in persons making serious suicide attempts: a case-control study. American Journal of Psychiatry, v. 153, n. 8, p. 1009 - 1014, 1996. Bernal, M. et al. Risk factors for suicidality in Europe: results from the ESEMED study. Journal of Affective Disorders, v. 101, n. 1-3, p. 27 - 34,2007. Bille-Brahe, U. et al. (Eds.). WHO/EURO multicentre study on parasuicide facts and figures. 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