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Neste documento, aprenda sobre a filosofia de rené descartes e sua busca por um fundamento indubitável do conhecimento. Descartes coloca em causa todas as crenças e ideias, rejeitando aqueles que apresentam a menor sombra de dúvida. Ele reconhece que as bases do conhecimento são os sentidos e a aceitação de que o que acontece quando estamos acordados é real. No entanto, ele questiona a confiabilidade dos sentidos e considera a hipótese de um gênio maligno que engana-o. Apesar disso, descartes chega à primeira certeza, a famosa frase 'cogito, ergo sum' (eu penso, logo eu existo), que serve de base para todo o conhecimento. Ele também argumenta que deus existe, pois ele tem a ideia de um ser perfeito e, portanto, deus deve existir para ter colocado essa ideia nele.
Tipologia: Resumos
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Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém Filosofia 11.º Ano Profª Teresa Fonseca A resposta de Descartes ao problema filosófico da possibilidade do conhecimento As razões para duvidar Descartes procura mostrar que o conhecimento é possível, contrariando, assim, os céticos. Para mostrar que o conhecimento é possível, primeiro vai colocar-se na pele dos céticos, vai submeter todas as nossas crenças à dúvida, com o objetivo de encontrar uma crença de que não seja possível duvidar e que sirva de fundamento à sua filosofia. Vai, então colocar em causa as suas crenças, mas diz ele, não conseguirá analisar todas, uma a uma, pelo que o melhor é atacar os fundamentos, os princípios, as bases nas quais o conhecimento se baseia. Assim, irá considerar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor sombra de dúvida. Contudo, ele quer alcançar o tal fundamento indubitável, e para isso, tem de colocar tudo em causa e só aquilo que resistir a este teste da dúvida é que será algo no qual ele pode confiar. Ele começa por reconhecer ter admitido coisas falsas por verdadeiras e todo o conhecimento que sobre elas fundou afigura-se como sendo duvidoso. Pelo que se quer encontrar algo seguro vai rejeitar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor dúvida e só aceitar o que é indubitável. Considera que não será possível por em causa todas as crenças que tem, todo o conhecimento que tem, pelo que decide por em causa os fundamentos, as bases nas quais se suporta o conhecimento que adquiriu até agora. Reconhece que uma base do conhecimento são os sentidos , mas eles enganam, não é sempre, mas não é prudente confiar em quem nos enganou nem que seja uma só vez. Assim, todo o conhecimento que foi adquirido pelos sentidos é rejeitado. Outro fundamento no qual se suporta o conhecimento é a aceitação de que o que acontece quando está acordado é real e, portanto, fornece-lhe conhecimento. Mas, às vezes, acontece-lhe que enquanto dorme e sonha lhe aparecem na sua cabeça coisas como estar sentado em frente à lareira apensar e a escrever, quando, afinal está na cama deitado a dormir. Ora, o que lhe acontece quando acordado (realidade) também lhe acontece quando está a dormir (sonho). Assim, em que confiar? Descartes afirma que não consegue distinguir claramente o sono da vigília e não pode confiar em nada. Contudo, nesta fase ele afirma que pode confiar nas verdades matemáticas, pois quer esteja acordado, quer a dormir, 2+3 são sempre cinco. Outra base do conhecimento era a crença num Deus poderoso e criador dele e do mundo, mas quem lhe garante que Deus seja bom e criador? Provavelmente tudo aquilo que ele pensa que o rodeia como as cores, os sons, as figuras, os lugares, o céu, a terra não existem tal como ele pensa. Para ter a certeza de que está a colocar tudo em causa, ele admite a hipótese de existir um génio maligno , cujo propósito é enganar Descartes, pregando-lhe partidas, fazendo-o acreditar que há céu, terra, ar, cores, sons, mas nada disto existe. Até as verdades matemáticas são postas em causa com esta hipótese, pois 2+3 serem 5 pode ser uma partida deste génio maligno.
As características da dúvida Com a finalidade de encontrar o fundamento para a sua filosofia, Descartes só aceita como certo aquilo que não lhe levante a menor dúvida. Só poderá ter garantia de que o conhecimento é possível se aceitar como certo, apenas o que é indubitável. Para isso ele levou a dúvida ao exagero. A dúvida cartesiana é:
Ora, a ideia de Deus é uma ideia inata, pois Descartes apercebe-se que a tem e isso só pode ter acontecido à nascença. Depois de demonstrar a existência de Deus, Descartes afasta, definitivamente, a possibilidade de existir um génio maligno e pode agora confiar que tudo o que se lhe apresente clara e distintamente, como o eu penso, eu existo é verdadeiro, pois Deus existe e se é perfeito é bom e não o engana, garante-lhe que tudo o que seja claro e distinto é verdade_._ Pode avançar no conhecimento e sair da solidão do cogito, basta-lhe ver com cuidado quais as ideias que são claras e distintas e só aceitar essas. Chega à conclusão que tem corpo e que existe um mundo à sua volta, o qual inclui outras pessoas e uma diversidade de coisas captadas pelos seus sentidos, pois se Deus existe é criador e poderoso, criou-o a ele e ao mundo exterior a ele. Conclui que os sentidos permitem-nos descobrir muitas coisas, mas nenhuma das crenças baseadas nos sentidos é fundamental. A fonte de justificação das nossas crenças verdadeiras é a razão, não é a experiência sensorial, por isso Descartes é racionalista.