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Descartes e a Busca por um Fundamento Indubitável do Conhecimento, Resumos de Filosofia

Neste documento, aprenda sobre a filosofia de rené descartes e sua busca por um fundamento indubitável do conhecimento. Descartes coloca em causa todas as crenças e ideias, rejeitando aqueles que apresentam a menor sombra de dúvida. Ele reconhece que as bases do conhecimento são os sentidos e a aceitação de que o que acontece quando estamos acordados é real. No entanto, ele questiona a confiabilidade dos sentidos e considera a hipótese de um gênio maligno que engana-o. Apesar disso, descartes chega à primeira certeza, a famosa frase 'cogito, ergo sum' (eu penso, logo eu existo), que serve de base para todo o conhecimento. Ele também argumenta que deus existe, pois ele tem a ideia de um ser perfeito e, portanto, deus deve existir para ter colocado essa ideia nele.

Tipologia: Resumos

Antes de 2010

Compartilhado em 15/02/2022

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Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém
Filosofia 11.º Ano Profª Teresa Fonseca
A resposta de Descartes ao problema filosófico da possibilidade do conhecimento
As razões para duvidar
Descartes procura mostrar que o conhecimento é possível, contrariando, assim, os céticos. Para
mostrar que o conhecimento é possível, primeiro vai colocar-se na pele dos céticos, vai submeter
todas as nossas crenças à dúvida, com o objetivo de encontrar uma crença de que não seja possível
duvidar e que sirva de fundamento à sua filosofia.
Vai, então colocar em causa as suas crenças, mas diz ele, não conseguirá analisar todas, uma a
uma, pelo que o melhor é atacar os fundamentos, os princípios, as bases nas quais o conhecimento
se baseia. Assim, irá considerar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor sombra de
dúvida. Contudo, ele quer alcançar o tal fundamento indubitável, e para isso, tem de colocar tudo em
causa e só aquilo que resistir a este teste da dúvida é que será algo no qual ele pode confiar.
Ele começa por reconhecer ter admitido coisas falsas por verdadeiras e todo o conhecimento que
sobre elas fundou afigura-se como sendo duvidoso. Pelo que se quer encontrar algo seguro vai
rejeitar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor dúvida e só aceitar o que é indubitável.
Considera que não será possível por em causa todas as crenças que tem, todo o conhecimento que
tem, pelo que decide por em causa os fundamentos, as bases nas quais se suporta o conhecimento
que adquiriu até agora.
Reconhece que uma base do conhecimento são os sentidos, mas eles enganam, não é sempre, mas
não é prudente confiar em quem nos enganou nem que seja uma só vez. Assim, todo o conhecimento
que foi adquirido pelos sentidos é rejeitado.
Outro fundamento no qual se suporta o conhecimento é a aceitação de que o que acontece quando
está acordado é real e, portanto, fornece-lhe conhecimento.
Mas, às vezes, acontece-lhe que enquanto dorme e sonha lhe aparecem na sua cabeça coisas como
estar sentado em frente à lareira apensar e a escrever, quando, afinal está na cama deitado a dormir.
Ora, o que lhe acontece quando acordado (realidade) também lhe acontece quando está a dormir
(sonho). Assim, em que confiar? Descartes afirma que não consegue distinguir claramente o sono
da vigília e não pode confiar em nada. Contudo, nesta fase ele afirma que pode confiar nas verdades
matemáticas, pois quer esteja acordado, quer a dormir, 2+3 são sempre cinco.
Outra base do conhecimento era a crença num Deus poderoso e criador dele e do mundo, mas quem
lhe garante que Deus seja bom e criador? Provavelmente tudo aquilo que ele pensa que o rodeia
como as cores, os sons, as figuras, os lugares, o céu, a terra não existem tal como ele pensa.
Para ter a certeza de que está a colocar tudo em causa, ele admite a hipótese de existir um génio
maligno, cujo propósito é enganar Descartes, pregando-lhe partidas, fazendo-o acreditar que há céu,
terra, ar, cores, sons, mas nada disto existe. Até as verdades matemáticas são postas em causa com
esta hipótese, pois 2+3 serem 5 pode ser uma partida deste génio maligno.
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Agrupamento de Escolas de Santiago do Cacém Filosofia 11.º Ano Profª Teresa Fonseca A resposta de Descartes ao problema filosófico da possibilidade do conhecimento As razões para duvidar Descartes procura mostrar que o conhecimento é possível, contrariando, assim, os céticos. Para mostrar que o conhecimento é possível, primeiro vai colocar-se na pele dos céticos, vai submeter todas as nossas crenças à dúvida, com o objetivo de encontrar uma crença de que não seja possível duvidar e que sirva de fundamento à sua filosofia. Vai, então colocar em causa as suas crenças, mas diz ele, não conseguirá analisar todas, uma a uma, pelo que o melhor é atacar os fundamentos, os princípios, as bases nas quais o conhecimento se baseia. Assim, irá considerar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor sombra de dúvida. Contudo, ele quer alcançar o tal fundamento indubitável, e para isso, tem de colocar tudo em causa e só aquilo que resistir a este teste da dúvida é que será algo no qual ele pode confiar. Ele começa por reconhecer ter admitido coisas falsas por verdadeiras e todo o conhecimento que sobre elas fundou afigura-se como sendo duvidoso. Pelo que se quer encontrar algo seguro vai rejeitar como sendo falso tudo o que lhe apresente a menor dúvida e só aceitar o que é indubitável. Considera que não será possível por em causa todas as crenças que tem, todo o conhecimento que tem, pelo que decide por em causa os fundamentos, as bases nas quais se suporta o conhecimento que adquiriu até agora. Reconhece que uma base do conhecimento são os sentidos , mas eles enganam, não é sempre, mas não é prudente confiar em quem nos enganou nem que seja uma só vez. Assim, todo o conhecimento que foi adquirido pelos sentidos é rejeitado. Outro fundamento no qual se suporta o conhecimento é a aceitação de que o que acontece quando está acordado é real e, portanto, fornece-lhe conhecimento. Mas, às vezes, acontece-lhe que enquanto dorme e sonha lhe aparecem na sua cabeça coisas como estar sentado em frente à lareira apensar e a escrever, quando, afinal está na cama deitado a dormir. Ora, o que lhe acontece quando acordado (realidade) também lhe acontece quando está a dormir (sonho). Assim, em que confiar? Descartes afirma que não consegue distinguir claramente o sono da vigília e não pode confiar em nada. Contudo, nesta fase ele afirma que pode confiar nas verdades matemáticas, pois quer esteja acordado, quer a dormir, 2+3 são sempre cinco. Outra base do conhecimento era a crença num Deus poderoso e criador dele e do mundo, mas quem lhe garante que Deus seja bom e criador? Provavelmente tudo aquilo que ele pensa que o rodeia como as cores, os sons, as figuras, os lugares, o céu, a terra não existem tal como ele pensa. Para ter a certeza de que está a colocar tudo em causa, ele admite a hipótese de existir um génio maligno , cujo propósito é enganar Descartes, pregando-lhe partidas, fazendo-o acreditar que há céu, terra, ar, cores, sons, mas nada disto existe. Até as verdades matemáticas são postas em causa com esta hipótese, pois 2+3 serem 5 pode ser uma partida deste génio maligno.

As características da dúvida Com a finalidade de encontrar o fundamento para a sua filosofia, Descartes só aceita como certo aquilo que não lhe levante a menor dúvida. Só poderá ter garantia de que o conhecimento é possível se aceitar como certo, apenas o que é indubitável. Para isso ele levou a dúvida ao exagero. A dúvida cartesiana é:

  1. Voluntária - Descartes, para alcançar um princípio sólido, uma certeza que lhe dê segurança, duvida de tudo, mas ele duvida porque quer, é um ato da sua vontade.
  2. Metódica – foi a forma que ele utilizou para encontrar algo certo, duvidar de tudo, foi o método de trabalho que ele utilizou.
  3. Radical – apenas aceita como certo aquilo que é completamente certo e indubitável.
  4. Hiperbólica – pois ele duvida de tudo, apenas aceita como certo, claro e evidente o que não apresentar dúvida, tudo o resto ele considera como falso. Ele põe em causa a existência da realidade exterior, a sua dúvida é excessiva, exagerada, pois ele até supõe um génio maligno capaz de lhe fazer crer que a realidade exterior pode ser uma ilusão.
  5. Provisória – a dúvida não é um estado definitivo, ele duvidou até encontrar uma primeira certeza, o cogito , que é uma verdade que resiste à dúvida. A descoberta da 1.ª certeza Ora, porque duvidou, ele conclui que duvidar é uma atividade do seu pensamento e se duvida é porque pensa e para pensar, tem de existir, portanto, ele existe. A dúvida leva-o a encontrar a 1.ª certeza (eu penso, logo eu existo - ( cogito, ergo sum ) Esta 1ª certeza é: Tão firme, tão certa, que nem os céticos a podiam por em causa.Ele pensa, por isso, existe e só existe enquanto pensa. Se deixar de pensar, deixa de existir (é uma coisa pensante). É uma substância, cuja essência ou natureza é apenas o pensamento. Não depende de nenhuma coisa material (não tem corpo, não ocupa espaço, nem lugar). É uma alma (distinta do corpo, não necessita de corpo para existir). Ao descobrir esta primeira certeza, ele adota a regra de que só aceita as proposições que sejam claras e distintas, tal como é a proposição eu penso, eu existo. Todas as proposições que ele encontre do tipo da eu penso, eu existo serão também claras e distintas e pode adotá-las como sendo verdadeiras. A 1.ª certeza: 1. É o alicerce inabalável de todo o conhecimento. É o primeiro princípio do sistema do saber: é de tal modo evidente que o pensamento não pode duvidar dele. 2. É uma verdade puramente racional: foi descoberta pela razão independentemente de qualquer contributo dos sentidos. 3. É uma verdade que vai funcionar como modelo de verdade: serão verdadeiros todos os conhecimentos que forem tão claros e evidentes como este primeiro princípio. Os argumentos apresentados para provar que Deus existe Mas, ainda lhe resta uma hesitação – quem lhe garante que quando diz eu penso, eu existo não está enganado?

Ora, a ideia de Deus é uma ideia inata, pois Descartes apercebe-se que a tem e isso só pode ter acontecido à nascença. Depois de demonstrar a existência de Deus, Descartes afasta, definitivamente, a possibilidade de existir um génio maligno e pode agora confiar que tudo o que se lhe apresente clara e distintamente, como o eu penso, eu existo é verdadeiro, pois Deus existe e se é perfeito é bom e não o engana, garante-lhe que tudo o que seja claro e distinto é verdade_._ Pode avançar no conhecimento e sair da solidão do cogito, basta-lhe ver com cuidado quais as ideias que são claras e distintas e só aceitar essas. Chega à conclusão que tem corpo e que existe um mundo à sua volta, o qual inclui outras pessoas e uma diversidade de coisas captadas pelos seus sentidos, pois se Deus existe é criador e poderoso, criou-o a ele e ao mundo exterior a ele. Conclui que os sentidos permitem-nos descobrir muitas coisas, mas nenhuma das crenças baseadas nos sentidos é fundamental. A fonte de justificação das nossas crenças verdadeiras é a razão, não é a experiência sensorial, por isso Descartes é racionalista.