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Desenvolvimento de Sementes: Relações com o Ponto de Colheita e o Potencial Fisiológico, Notas de estudo de Máquinas

Este documento aborda o desenvolvimento de sementes, incluindo aspectos morfológicos, variações do teor de água e matéria seca, e o processo de germinação. Além disso, discute as determinantes da maturidade fisiológica, a transferência e assimilação de reservas, e a reversão do metabolismo de desenvolvimento. O documento também apresenta dados experimentais relacionados a diferentes espécies de plantas.

Tipologia: Notas de estudo

2022

Compartilhado em 07/11/2022

Reginaldo85
Reginaldo85 🇧🇷

4.5

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DESENVOLVIMENTO (MATURAÇÃO)
DE SEMENTES
Julio Marcos Filho
Tecnologia de Sementes
Depto. Produção Vegetal
USP/ESALQ
DESENVOLVIMENTO OU MATURAÇÃO
Início
indução do florescimento e diferenciação
Florescimento não é completamente uniforme:
mesma inflorescência, mesma planta, população
Desenvolvimento da semente:
sequência de eventos controlada pelo genótipo
Conjunto de etapas sucessivas de preparação para
a futura germinação
Fundamental
relações com o ponto de colheita e
o potencial fisiológico das sementes
O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
DAS SEMENTES
Primeiros critérios propostos para estudar o
processo de maturação e identificar o ponto de
colheita:
Período entre semeadura ou emergência de
plântulas e a colheita
Aspectos morfológicos de sementes, frutos e
plantas
Variações do teor de água das sementes
(Brenchley & Hall, 1909)
Delouche (1971) conceituou maturação:
Processo constituído por uma série de
alterações morfológicas, físicas, fisiológicas
e bioquímicas, que se verificam a partir da
fecundação do óvulo e prosseguem até o
momento em que as sementes se desligam
fisiologicamente da planta-mãe
O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES
Maturação x Maturidade
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DESENVOLVIMENTO (MATURAÇÃO)

DE SEMENTES

Julio Marcos Filho

Tecnologia de Sementes

Depto. Produção Vegetal

USP/ESALQ

DESENVOLVIMENTO OU MATURAÇÃO

Início  indução do florescimento e diferenciação

Florescimento não é completamente uniforme:

mesma inflorescência, mesma planta, população

Desenvolvimento da semente:

sequência de eventos controlada pelo genótipo

Conjunto de etapas sucessivas de preparação para

a futura germinação

Fundamental  relações com o ponto de colheita e

o potencial fisiológico das sementes

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO

DAS SEMENTES

Primeiros critérios propostos para estudar o

processo de maturação e identificar o ponto de

colheita:

Período entre semeadura ou emergência de

plântulas e a colheita

Aspectos morfológicos de sementes, frutos e

plantas

Variações do teor de água das sementes

(Brenchley & Hall, 1909)

Delouche (1971) conceituou maturação:

Processo constituído por uma série de

alterações morfológicas, físicas, fisiológicas

e bioquímicas, que se verificam a partir da

fecundação do óvulo e prosseguem até o

momento em que as sementes se desligam

fisiologicamente da planta-mãe

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

Maturação x Maturidade

Delouche (1971) conceituou maturação:

Processo constituído por uma série de

alterações morfológicas, físicas, fisiológicas

e bioquímicas, que se verificam a partir da

fecundação do óvulo e prosseguem até o

momento em que as sementes se desligam

fisiologicamente da planta-mãe

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

Dure III (1975)

Dias após o início do florescimento

Matéria seca do embrião

DIVISÃO E EXPANSÃO CELULAR (FASES I e II)

DEPOSIÇÃO DE RESERVAS
(FASE III)
DESSECAÇÃO
(FASE IV)

HISTODIFERENCIAÇÃO

PARÂMETROS GERAIS PARA CARACTERIZAR O
PROCESSO DE MATURAÇÃO

Amostras coletadas (plantas individuais ou populações)

em intervalos pré-determinados

Identificação de parâmetros associados ao progresso

da maturação

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

1. Variação do teor de água

Sementes em frutos carnosos

Desidratação final

Recalcitrantes

Sementes em frutos secos

3. Massa seca

2 5 8 11

2

4

6

Número de células/semente x 10

-^

número de células

matéria seca

10

40

30

20

(Massa de matéria seca (mg/semente)

Egli Período de frutificação (Fase I)

Espécie Teor de água (%) Referência

Algodão 50-60 Carvalho, 1972 Amendoim 47-50 Carvalho et al., 1976 Aveia 45 Frey et al., 1958 Feijão 38-44 Neubern e Carvalho, 1976 Milho 25-30 Hunter et al. (1991) Soja 50 Andrews, 1966 Sorgo 23-30 Kersting et al. (1961) Trigo 40 Carvalho e Yanai, 1976

Teor de água de sementes de diferentes espécies no momento em que atingem o máximo acúmulo de matéria seca

4. Germinação

Protrusão raiz primária x Plântulas normais

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

Início da germinação, em relação à época de fecundação do óvulo, em sementes de algumas espécies cultivadas (Delouche, 1971)

Espécie

Início da Germinação

(dias após a antese)

Centeio 05

Trigo 05

Sorgo 06 a 10

Trevo 10

Algodão 22

Soja 38

Germinação

Tempo

Germinação (%)

Denise Dias

4. Germinação

Germinação x dormência durante a maturação

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

Dias após a Semeadura

Teor de Água (%)

Matéria Seca (mg/semente)

Germinação (%)

Vigor (mg m.s./plântula) 78 55,3 20,40 05 5, 84 50,6 25,34 28 4, 90 48,1 28,80 77 7, 96 39,8 34,10 37 7, 102 27,2 36,44 11 4, 108 14,1 34,10 09 4, 111 11,0 37,24 06 5, 117 8,8 37,54 81 9, 123 9,9 37,90 83 10, 126 10,7 37,84 65 9,

Valores médios obtidos para diferentes parâmetros avaliados durante a maturação de sementes de trigo 'IAS -54'. (Carvalho & Yanai, 1976)

Por que sementes não germinam no interior do fruto??

melão tomate

Denise Dias

Padrões isoenzimáticos em sementes de pimenta extraídas de frutos colhidos aos 40, 50, 60 e 70 DAA e armazenados por 0, 6 e 12 dias, revelados para a enzima álcool desidrogenase (ADH) Vidigal et al. (2009).

Envolvida na respiração anaeróbica: proteção contra ação do acetaldeído

Padrões isoenzimáticos em sementes de pimenta extraídas de frutos colhidos aos 40, 50, 60 e 70 DAA e armazenados por 0, 6 e 12 dias, revelados para a enzima superóxido dismutase (SOD). Vidigal et al. (2009) Envolvida na defesa contra formas reativas de oxigênio ( transf. superóxido em H 2 O (^) 2)

AnalIses dos níveis de RNAm durante o desenvolvimento de sementes de algodão sugerem a ação de vários programas reguladores:

  • ABA
  • Cotilédones (Cot)
  • Maturação (Mat)
  • Pós-Abscisão (PA)
  • Germinação (Grm)

Hughes and Galau, 1989

ORGANIZAÇÃO MOLECULAR DURANTE O
DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE

genes relacionados à maturação genes relacionados à germinação

Delouche (1971) conceituou maturação:

Processo constituído por uma série de

alterações morfológicas, físicas, fisiológicas

e bioquímicas, que se verificam a partir da

fecundação do óvulo e prosseguem até o

momento em que as sementes se desligam

fisiologicamente da planta-mãe

O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES

Maturação x Maturidade

a) Maturidade da semente é identificada pelo

máximo acúmulo de matéria seca

b) A maturidade fisiológica é atingida quando não

mais ocorrem acréscimos significativos na

massa de matéria seca

c) A maturidade é alcançada quando as sementes

atingem máxima massa de matéria seca,

germinação e vigor

CONCEITOS

DETERMINAÇÃO DA MATURIDADE FISIOLÓGICA Espécie Período Médio †

(dias) Alface 0 Cebola - 4 Fumo 0 Milho Linhagem Híbrido Simples Híbrido Duplo

Soja - 7 Tomate + Trigo - 6 Diferenças entre os momentos em que as sementes atingem valores máximos de matéria seca e de vigor durante a maturação (TeKrony & Egli, 1997) (†) (-): dias antes do ponto de máxima massa de matéria seca (+): dias após o ponto de máxima massa de matéria seca

DETERMINAÇÃO DA MATURIDADE FISIOLÓGICA

Maturidade fisiológica = máxima massa de matéria seca

IDÉIA PREDOMINANTE

“Maturidade relativa”, “Maturidade morfológica”,

“Maturidade de massa”, “Maturidade de colheita”,

“Maturidade agronômica”, “Ponto de colheita” ??

Determinação da maturidade em indivíduos ou em

populações ??

MATURAÇÃO X MATURIDADE !!!!!

Maduro

Potencial fisiológico

“Passado”

Contreras

Maturação tomate

Dificuldade para identificar o momento em que a

semente atinge a maturidade (máxima massa de

matéria seca)

NECESSIDADE DE AUMENTAR A PRECISÃO:

  • Número de repetições estatísticas
  • Reduzir intervalos entre colheitas
  • Cuidados adicionais para a avaliação da massa

de matéria seca: temperatura, pesagens …

DETERMINAÇÃO DA MATURIDADE FISIOLÓGICA

Dificuldade para identificar o momento em que a

semente atinge a maturidade (máxima massa de

matéria seca)

Uso de 14 C para monitorar o acúmulo de reservas

DETERMINAÇÃO DA MATURIDADE FISIOLÓGICA

Dias após a Antese

Matéria Seca (mg/semente)

14 C

(dpm/mg m.s.) 20 21,5 196 21 22,4 87 22 23,0 †^10 23 23,3 30 24 22,5 15 25 22,5 05 26 22,2 02 27 22,7 00 28 22,9 00 30 22,7 00

Alterações no peso da matéria seca e translocação de 14C em sementes de aveia durante a maturação (Lee et al., 1979)

Estádios de
maturação
(vagens)
Germinação (%) Envelhecimento (%)

Intactas Debulhadas^ Intactas Debulhadas

Verdes 92 00 91 00
Verde-amareladas 99 31 97 07
Amarelas 99 99 98 85
Marrons 99 99 99 98

Porcentagens de plântulas normais nos testes de germinação e de envelhecimento acelerado, conduzidos com sementes colhidas em quatro estádios de maturação e secadas no interior da vagem ou debulhadas (Samarah et al., 2009)

MATURIDADE X PONTO DE COLHEITA

  • Maturidade Fisiológica: Reconhecimento

 Camada negra

Hilhorst

IDENTIFICAÇÃO DOS ESTÁDIOS DE LINHA DE LEITE
  • Maturidade Fisiológica: Reconhecimento

 Linha de leite

MATURIDADE X PONTO DE COLHEITA

  • Maturidade Fisiológica: Reconhecimento

Cereais de inverno: trigo, cevada, aveia

 Hortaliças, Frutíferas

 Soja: cor da vagem e da semente

Ordem das Umbelas

Umbelas / Planta

Proporção (%)

Germin. (%)

1 a^ Contagem (%)

1000 sementes (g)

Primária 1 11 75 54 2,

Secundária 11 58 65 43 2,

Terciária 24 31 54 37 1,

Número de umbelas por planta, contribuição para a produção de sementes (%), germinação (%), vigor (primeira contagem - %) e massa de 1000 sementes referentes a diferentes ordens de umbelas de cenoura (Nascimento, 1991)

  • Maturidade Fisiológica x Atraso da Colheita

Quantidade de sementes

MATURIDADE X PONTO DE COLHEITA

Data
(L1)
Produção
(kg/ha)
Data
(L2)
Produção
(kg/ha)

Efeito da época de colheita sobre a produção de sementes de milho, em dois locais (L1 e L2) do estado do Paraná (Hadlich, 1983)

Tiguera

ANO MF PC 14* 28*

Vigor (envelhecimento acelerado) de sementes de soja “Kent’, colhidas em épocas diferentes, durante cinco anos experimentais (TeKRONY et al., 1980).

Qualidade (desempenho) de sementes

Tomate

Prof. Paulo Cesar T. Melo Roberto K. ZIto

  • Uso de dessecantes e época de aplicação

Denise Dias

USO DE DESSECANTES

Vantagens

  • Antecipação da colheita
  • Planejamento racional da colheita
  • Eficiência das máquinas colhedoras
  • Sementes mais “limpas”
  • Eficiência secagem e beneficiamento
  • Potencial fisiológico das sementes

Aplicação dessecantes soja

Castiglioni

Comparação de plântulas de soja provenientes do tratamento glifosato (A) com plântulas do tratamento testemunha (B). Plântulas produzidas no teste de emergência de plântulas em solo. Foto: Odair Costa. Daltro et al. (2010)

A B

TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Sequência de eventos programados geneticamente
    • Monocotidedôneas  endosperma

Dicotiledôneas  cotilédones

  • Produção final: número de sementes formadas + taxa de
crescimento das sementes + duração do período de
“enchimento”
TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Fontes de açúcares
    • Folhas, frutos, fotossíntese pré e pós antese:

fotossintatos transferidos através de gradiente

osmótico

  • Carbono é, em grande parte, integrante de

componentes estruturais

  • Fotossintatos (açúcares e outros solutos)  fruto

(via floema)  semente

TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Minerais: raízes  gemas, folhas e ramos (via xilema)

 fruto (via floema)

  • Senescência e remobilização de reservas (fruto, nucela,

endosperma)

  • Nitrogênio e Minerais
    • Raízes
    • Nódulos
TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Sementes maduras  dois a três tipos principais de

reservas armazenadas.

  • Síntese é paralela durante a maturação, de modo que as

sementes possuem capacidade múltipla de biossíntese.

  • Síntese ocorre em compartimentos celulares distintos:

amido, em amiloplastos

lipídios, em esferossomos

proteínas, no citosol e retículo endoplasmático

endosperma amiláceo

células de transferência região chalaza/placenta

embrião

pedicelo floema

endosperma basal

TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Sementes endospermáticas

Desenvolvimento do endosperma precede o do embrião

TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Sementes cotiledonares f^ f

ct

ee h

O PROCESSO DE ACÚMULO DE MATÉRIA SECA

filamentos vasculares

ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • Atividade enzimática determina o direcionamento

dos processos de síntese.

Ácidos nucleicos

Carboidratos (amido em plastídios)

Lipídios (síntese em esferossomos)

Proteínas (síntese no citosol e retículo endoplasmático)

  • Acúmulo de carboidratos precede o de lipídios e

de proteínas.

FATORES QUE AFETAM O DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE
  • Número potencial de sementes

Número de sementes que será produzido se toda a

estrutura reprodutiva completar o desenvolvimento de

todos os óvulos formados; lembrar que o limite de

produção é imposto pelo genótipo

Depende do número de flores produzidas, eficiência da

polinização e fecundação, taxa de abortamento,

disponibilidade de nutrientes

TRANSFERÊNCIA E ASSIMILAÇÃO DAS RESERVAS
  • A maioria das plantas produz quantidade de
óvulos superior ao número de sementes
que podem suportar até a maturidade
  • O período de polinização/fecundação é
crítico para determinar o número de
sementes produzidas e o potencial de
produção
  • Período de transferência/assimilação de reservas é extremamente vulnerável a estresses: tamanho e potencial fisiológico podem ser drasticamente afetados Zinselmeier et al. (1999)

O suprimento de assimilados determina o grau de

desenvolvimento das sementes; estresses durante

esse período podem ser devastadores à produção e

desempenho das sementes

Isso mostra que a planta tem limite de produção,

limitado pelo genótipo.

A produção máxima é alcançada se a planta

alcançar um nível mínimo (“X”) de

desenvolvimento, não sendo ultrapassada mesmo

quando níveis superiores a esse são atingidos

FATORES QUE AFETAM O DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE