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O consumidor exerce um papel essencial dentro da cadeia produtiva, no entanto, ele deixa de ser apenas um sujeito passivo no final do processo, como alguém que tão somente consome. Agora, ele é deslocado para o início do processo, ocupando um papel de agente ativo nas mais variadas etapas, como será visto a partir dos conceitos de consumer centric design, cocriação e user experience. De outro modo, é importante analisar os princípios do estilo, que envolvem a percepção visual e do estilo em si, como fatores sociais, culturais e comerciais.
Tipologia: Notas de aula
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WBA0824_V1.
Aida Franco de Lima São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2021
1ª edição
Foco no consumidor, estilo e criatividade ____________________ 05 Desenvolvimento de produtos nos Métodos Funil ou Cascata ___________________________________________________ 18 Desenvolvimento do Projeto Conceitual _____________________ 30 Lançamento de Produtos e Propriedade Intelectual__________ 47
Foco no consumidor, estilo e criatividade Autoria: Aida Franco de Lima Leitura crítica: Silvana Bárbara Gonçalves da Silva Objetivos
ou serviço oferecido, transformando o seu contato em uma trajetória agradável, evitando que obstáculos possam inviabilizar tal experiência. Para Burdek (2018), é possível assegurar que o termo produto vive um processo de mutação, pois não se trata mais do objeto em si, mas no modo como sua interface ou superfície são configurados. Por meio de produtos, nos comunicamos com outras pessoas, demarcamos nos grupos sociais e definimos nosso papel. 1.1 Princípios do Estilo De acordo com Baxter (2011), o estilo de um produto é o fator que denota a qualidade de sua aparência, que pode ser vista como algo feio, desequilibrado ou grosseiro. De outro modo, essa forma pode ser transformada de forma que as pessoas a contemple como algo que remeta ao belo. Os mais diversos segmentos da sociedade, seja o setor governamental ou o indivíduo comum, compreendem que mesmo que não haja impacto na funcionalidade do produto, o estilo é um fator que agrega valor a ele. Para um produto ter estilo, não significa que ele precisa ser necessariamente vistoso, elaborado ou dispendioso (BAXTER, 2011). Para alcançar o estilo, nada melhor que o desenvolvimento de exercícios, uma habilidade essencial aos designers, aplicados nos desenhos esquemáticos e nos acabamentos ( renderings ), assim como na execução dos modelos. Nesse sentido, tão importante quanto é o processo de inspiração no intuito de criar formas visuais mentalmente no primeiro momento. Para tanto, é essencial ter compreensão sobre os princípios do estilismo e como são aplicados na concepção do estilo de um produto. O estilo é parte essencial de um projeto tanto quanto seus aspectos funcionais, mas isso não significa que há uma única receita que o sintetize. Um bom estilo equivale a uma arte, mas não se reduz a uma ‘caixa-preta’, nas palavras de Baxter (2011, p. 25):
A comunicação em que o designer intervém aborda em maior parte a visão, a audição e o tato. E, sem dúvida, a visão é quase o foco principal. Assim, a comunicação visual é o centro de atenção de abordagem, tanto na teoria como na prática. Ainda, Baxter (2011) destaca que, em relação a um produto, o estilo visual se sobrepõe aos demais, pois é predominante à audição, o olfato e o paladar. Assim, o aspecto visual influencia de modo preponderante em sua atratividade. Quando nos deparamos com um objeto e percebemos uma imagem, nosso cérebro promove uma porção de pequenos impulsos elétricos, gerados na célula da retina e encaminhados até o cérebro por meio das células do sistema nervoso. Por sua vez, essas células trabalham de modo que esse objeto fosse fragmentando, tal qual um quebra-cabeças dividido por linhas, pontos, cores e movimentos. A leitura dessas peças é transmitida ao cérebro, que a processa e pode ser armazenada para uso futuro. O cérebro exerce a função de organizar esse quebra-cabeças, do contrário, enxergaríamos os objetos de modo fragmentado, com aquilo que chamamos aqui de peças, linhas, pontos, cores e movimentos fragmentados. Portanto, é essencial compreender como o cérebro recebe essas informações para trabalhar em torno do estilo de um produto. Alguns dos componentes desse processo são denominados: dois estágios do processamento visual, primeira percepção global e hipótese visual. Esses componentes serão descritos a seguir: a) Os dois estágios do processamento visual: a imagem visual poder ser lida de duas formas distintas. Em um primeiro momento, ela pode ser escaneada em busca de reconhecimento de padrões e formas. Esse ato, involuntário, é chamado de ‘pré-atenção’ e seu processamento é chamado de ‘primeira percepção global’. [...] a pré-atenção é uma etapa preliminar, que precede a atenção visual; 2) o processamento da pré-atenção é global, ou seja, olhamos para o objeto inteiro e não para determinados detalhes; e 3) orienta a visão posterior,
o mesmo procedimento realizado com a anterior, explorando seus detalhes. Desse modo, é inconcebível perceber uma imagem e analisar os detalhes da outra (BAXTER, 2011). A partir dessa propriedade da visão pode-se formular o seguinte princípio do design: “ chamar a atenção e depois prender a atenção ”. No projeto de um cartaz, por exemplo, o mesmo deve ter uma imagem visual global, capaz de chamar a atenção dos transeuntes. Nesse caso, as pessoas não sabem exatamente do que se trata, mas terão a curiosidade de olhar melhor, para ler o seu conteúdo. Diz-se, então, que o cartaz conseguiu prender a atenção. Observe que se ocorrer falha na primeira função de chamar a atenção, o contato com o transeunte será perdido, e ele não se deterá para ler o seu conteúdo. (BAXTER, 2011, p. 27) b) A hipótese visual : de acordo com Baxter (2011), diante de informações que nos soam ambíguas ou incompletas, a tendência é de que sejam construídas hipóteses visuais em nossas mentes para que possamos projetá-las, de modo mental, sobre a figura que é o alvo da observação. Isso ocorre, por exemplo, no caso da Figura 2. Ao observá-la, naturalmente, sua mente irá elaborar hipótese visuais sobre o significado de tais formas, normalmente em círculos, mais aparentes na figura. As figuras parciais de formas mais complexas também são notadas do mesmo modo: rapidamente a mente irá tentar conectá-la a um padrão já observado. Isso ocorre porque são selecionados alguns itens chaves da figura, para aliá-los aos outros padrões já conhecidos. A Figura 2 é formada por muitas manchas, apesar disso, muitas pessoas conseguem identificar com facilidade a imagem de um cachorro dálmata, com a cabeça abaixada, farejando o chão, olhando em direção ao lado esquerdo superior da imagem. Esse resultado é possível porque sua mente formou a hipótese visual do dálmata (BAXTER, 2011).
Figura 2–Dálmata Fonte: Folloni (2017, p. 923). c) Percepção do estilo : conforme Baxter (2011), compreender o processo sobre a visão é essencial, afinal, há uma correlação muito próxima entre a percepção do estilo e a percepção global. Ao projetar um objeto para ser belo, é necessário pensá-lo de forma a relacionar com as propriedades da visão humana e, desse modo, entendendo-a é possível aplicar tal mecanismo no estilo dos produtos. O fato dos produtos exercerem um poder de sedução, prendendo o olhar e despertando a atenção, está conectado com a ‘pré-atenção’, sem necessitar de um olhar mais apurado. A forma ou imagem do produto está diretamente ligada à sua percepção global. “A beleza de um produto relaciona-se, portanto, mais com as propriedades do nosso sistema visual, do que alguma coisa intrinsicamente bela no produto” (BAXTER, 2011, p. 29). Para o autor, se um extraterrestre olhasse para um produto para o qual designamos o conceito de uma beleza exponencial, é possível que ele não identificasse nenhum atrativo, pelo fato do seu padrão visual ser diferente. Desse modo, a beleza não está restrita ao produto, mas também ao olhar e à mentalidade do observador.
A simetria é uma das mais fortes regras da Gestalt , que afirma que temos habilidades para identificar a simetria em formas complexas, naturais com simetria incompleta ou, até mesmo, em objetos com simetria distorcida. Ainda se observado sob diferentes ângulos, diante de imagens diversificadas, não é difícil de identificar se são ou não formas simétricas. Em torno da simetria, há a regra das formas geométricas, na qual as formas simples são mais fáceis de serem identificadas do que as irregulares ou complexas. Segundo Baxter (2011), isso pode ter relação com a habilidade de identificar simetria, pois todas as formas geométricas simples são simétricas. A corrente de psicólogos gestaltistas define em três regras a habilidade especial para detectar padrões regulares: i) proximidade – quando objetos ou figuras estão muito próximos tendem a ser percebidos como um conjunto único; ii) similaridade – objetos ou figuras com aspectos semelhantes tendem a ser considerados com um padrão; iii) continuidade – há uma tendência de ser dada continuidade, trajetória ou prolongamento aos componentes da figura. (BAXTER, 2011). Outra característica é separar parte da imagem que tem mais importância. Assim temos a figura e o fundo é tudo aquilo que sobra da imagem ou uma paisagem. A harmonia visual tem relação com as regras da Gestalt. Nesse contexto, imagine uma xícara e um pires com apenas uma forma geométrica, a repetição de ambas parecerão interligadas, em virtude da regra da similaridade. A mesma sensação já não ocorre diante da repetição de formas geométricas diferentes. Os aspectos da percepção visual que influenciam o modo como enxergamos as formas tridimensionais e o modo como isso interfere ao considerá-las atrativas ou não, se alia, também, aos fatores sociais, culturais e comerciais. Um exemplo da influência dos fatores culturais está em torno da indústria da moda, que dita tendências a cada temporada. Massificadas em forma de coleções em torno das estações
do ano, as peças ‘envelhecem’ tão rapidamente que a vida útil do artigo não é aproveitada. Dessa forma, o consumidor que se deixa levar pela opinião alheia é rapidamente identificado e pode se sentir incomodado por estar com roupas desatualizadas. O contexto cultural de uma sociedade também pode interferir nos valores e nas crenças individuais, podendo fazer com que certos aspectos sejam valorizados e outros desprezados em torno de um produto. Como no caso da Revolução Comunista da Rússia, que teve como um de seus objetivos combater o estilo de vida luxuoso e de ostentação da burguesia, considerados politicamente incorretos. Assim, nos produtos industriais da era soviética predominavam o aspecto do utilitarismo, livre de ornamentos ou coisas supérfluas, diferente do que ocorria no mundo capitalista. Nos tempos em que os produtos eram artesanais, quanto mais adornos tinham mais caros eram e, portanto, apenas uma minoria tinha acesso a eles. Hoje, com a produção em escala, o ornamento de um produto não lhe rende prestígio. As decisões comerciais, que devem considerar o estilo e funcionalidade do produto, estão pautadas na gerência do risco, que “é muito maior na introdução de um novo estilo” (BAXTER, 2011, p. 44). Um exemplo é a introdução do estilo rabo de peixe, nos anos 1930, nos automóveis dos EUA. Amplamente copiado, até que, em 1959, o mercado deu conta de que os carros carregavam meia tonelada adicional de metal, sem necessidade. 1.2 Princípios da Criatividade A criatividade é fator essencial no design e deve estar presente em todas as etapas. Os projetos inovadores, diferentes do que já existem no mercado, nem sempre estão presentes no cotidiano dos designers, contudo, é essencial estimular a criatividade. Para tanto, as diferenças sutis percebidas pelos consumidores que pesarão no momento da
Entre as estratégias adotadas para desenvolver o processo criativo, destacam-se: a. Brainstorming : significa fazer uma tempestade cerebral, momento em que um grupo de seis a dez pessoas é reunida para “gerar, juntar e avaliar diferentes ideias em torno de um problema.” (HSUAN-NA, 2017, p. 244). Um líder expõe um problema e todos participam com ideias, sem espaço para críticas ou julgamentos. O humor é inclusive incentivado. As propostas são anotadas e, após um tempo, são revisadas e desenvolvidas pelo grupo. A essência está em construir pontes em ideias já existentes e aquelas inovadoras. b. Brainwriting : apoia-se no princípio do brainstorming , porém, nessa estratégia, as ideias são escritas e divididas com os demais participantes. A fórmula é composta por seis pessoas que participam de seis rodadas de ideias, com a apresentação de três ideias em cada rodada, compostas de cinco minutos cada. Por isso, a fórmula 6 3 5 foi possível perceber que há diferentes estratégias que auxiliam o designer na criação de produtos e serviços. Para tanto, há a necessidade de um trabalho conjunto, entre todas as partes envolvidas, na cadeia produtiva, incluindo- se o consumidor. Porém, é importante destacar que o profissional deve estar em constante aprendizado e busca de conhecimento, pois uma ideia genial não nasce por acaso. Para que ela ocorra, precisa ter um campo fértil para ser desenvolvida e isso só ocorrerá com dedicação e atualização contínua, colocando em prática os conhecimentos teóricos. Referências BAXTER, M. Projeto de produtos : guia prático para o design de novos produtos. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2011. BURDEK, B. E. Design : história, teoria e prática do design de produto. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2018.
FOLLONI, A. Complexidade, direito e normas jurídicas como emergências. Revista Direito e Praxis, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, p. 905-941, jun. 2017. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaceaju/article/view/21901. Acesso em: 17 ago. 2021. HSUAN-NA, T. Design conceitos e métodos. São Paulo: Blucher, 2017. VILLELA, L.; PEDRO, T. Imagem: análise e prática. 2010. Disponível em: https:// lhvauladon.wordpress.com/2010/06/20/imagens-ambiguas/. Acesso em: 17 ago.
1. Metodologias para desenvolvimento de produtos Não há uma receita pronta e acabada para desenvolver um produto, contudo, a adoção de uma metodologia para a sua concepção é a chave essencial para qualquer empreitada. Nessa etapa, você tomará conhecimento de dois conceitos metodológicos básicos, o funil e a cascata. 1.1 O Método Funil Como os próprios nomes já nos levam a uma imagem de seus significados, o Funil, ou denominado Funil de Decisões, é usado para analisar as probabilidades de risco e as incertezas durante o desenvolvimento de um produto em busca da melhor alternativa que se adeque ao resultado almejado. Para tanto, há uma série de etapas que devem ser seguidas. Já o método denominado Cascata, ou Waterfall , em inglês, enquadra- se na denominada abordagem preditiva ou tradicional, muito adotada pelas organizações de modo geral. Como se fosse uma cascata, cada etapa só tem início quando a anterior é encerrada, com a aprovação das partes interessadas. Qualquer alteração interferirá diretamente no andamento do projeto. De acordo com Baxter (2011), o desenvolvimento de um produto e seu sucesso ou fracasso no mercado depende de inúmeros fatores. Nesse contexto, estudos demonstram que produtos com forte diferenciação entre os concorrentes no mercado e que apresenta características que valorizam o consumidor se sobressaem 5,3 vezes mais. Nesse aspecto, é importante se atentar para o fato de que se a diferença em torno dos concorrentes for significativa e se a ideia é enfatizar um ponto único do produto, é indicado olhar para as necessidades do mercado. De
outro modo, se for possível identificar apenas pequenas diferenças nesse produto, recomenda-se que elas sejam eliminadas durante o desenvolvimento, a fim de evitar o fracasso comercial que é muito provável. Logo, antecipar um lançamento e garantir que o produto chegue ao mercado antes dos concorrentes é um ponto essencial. Outro fator importante se relaciona ao planejamento e especificação, pois, os produtos que foram submetidos antes do desenvolvimento aos estudos de viabilidade técnica e econômica tinham 2,4 vezes mais chances de sucesso em relação aos que não realizaram tais etapas. Já as especificações detalhadas do produto, como função, tamanho, potência, geram 3,3 vezes mais chances de êxito. Os fatores internos à empresa, como alta qualidade nas atividades técnicas ligadas à produção, ampliaram as chances de sucesso em 2,5 vezes. Quando há grande envolvimento entre o pessoal técnico e de marketing na empresa, eles aumentam em 2,7 vezes as chances de sucesso em relação aos demais que não contam com tal engajamento. Isso significa que inúmeros fatores vão interferir no resultado de um projeto e a adoção de determinados métodos é essencial para auxiliar na busca pelo sucesso. O método denominado ‘Funil de Decisões’ é utilizado para analisar as variações de riscos e incertezas, enquanto um novo produto é desenvolvido. Desse modo, as possíveis alternativas são selecionadas para a decisão final: a) Estratégia de negócios: de acordo com Baxter (2011), decidir se quer ou não inovar é a primeira decisão da empresa. A própria concorrência e obsolescência dos produtos já levam à essa decisão. Para uma empresa que tenha uma linha de produtos com boas vendas em um mercado tradicional, isso pode parecer algo sem necessidade, pois, muitas vezes, os investimentos podem não ter garantia de retorno. Porém, ao não inovar, o mercado cada vez mais competitivo pode decretar sua falência.