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dialetica materialista livro completo pdf
Tipologia: Esquemas
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A DIALÉTICA MATERIALISTA
Categorias e Leis da Dialética
Tradução
São Paulo
Planejamento Gráfico e Produção
Anselmo da Silva Filho
Título do srcinal francês
Categories et lois de la dialectique
Éditions du Progrès — Moscou
© VAAP — Moscou — URSS
Capa
Jayme Leão
Revisão Eunice Aparecida de Jesus
Composto/Impresso
Gráfica A Tribuna - Santos/SP.
Direitos Reservados
EDIT ORA ALFA-OM EGA, LTD A.
05413 — Rua Lisboa, 500 — Tel.: 280-
01000 — São Paulo — SP
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
Este livro dedica-se à análise das principais categorias e
leis da dialética materia lista. Colocando em evidência o con-
teúdo das categorias e das leis da dialética, exporemos a
essência do materialismo dialético, enquanto teoria filosófica
particular.
O materialismo dialético estuda as formas gerais do ser, os
aspectos e os laços gerais da realidade, as leis do reflexo desta
última na consciênc ia dos homens. As for mas essenciai s da
interpretação filosófica, do reflexo das propriedades e das cone-
xões universais da realidade e das leis do funcionamento e do
desenvolvimento do conhecimento são as categorias e as leis da
dialética. Com o elementos necessários da teoria filos ófica, elas
têm uma função ideológica, gnoseológica e metodológica.
Quando estas categorias e leis são usadas pelo homem, para
elaborar um sistema de concepções do mundo e uma concepção
única dos fenômenos que aqui são produzidos, elas cumprem a
fun ção de conce pção do mundo ideológ ico. O conhec imento
das propriedades e das conexões universais da realidade, que
se exprimem nas categorias filosóficas, é absolutamente indis- pensável ao homem para sua orientação, para que possa deter-
minar as vias que lhe permitirão resolver as tarefas práticas
que surgem no proces so de desenvolvimento da sociedade. Fo r-
necendo um sistema global de idéias sobre a realidade ambiente,
a filosofia ajuda o homem a elaborar uma atitude em relação à
vida social, ao regime social, a compreender a essência da polí-
tica adotada por um Estado e, por isso mesmo, permite-lhe
participar de forma consciente da vida política da sociedade, da
luta pelo progresso social e da realização dos grandes ideais da
humanidade.
tecnológicos, além de determinar as vias e as formas do pro-
gresso social. Mas, um pens ame nto criativo correto, corres-
pondente ao nível atual de desenvolvimento da ciência e da
prática social, faz supor que os homen s conheçam as leis do
funcionamento e do desenvolvimento do conhecimento, as leis
da atividade do pensamento, e que aprendam a usá-las racio-
nalmecontemporâneo deve dominar perfeitamente o método dialético nte para resolver as tar efa s práti cas. O especialista
do conhecimento, deve conhecer e aplicar conscientemente os
princípios da dialética, as formas e os procedimentos lógicos da
pesquisa científica e da criação. Tudo isso mostra a necessi-
dade de um estudo profundo da teoria da dialética, de suas
categorias e de suas leis.
O estudo das leis e das categorias da dialética tem um
papel importante na elevação do nível cultural do homem. E
isso porque os resultados do desenvolvimento do conhecimento
científico e da prática social concentram-se nas leis e categorias
filosóficas. As categorias e leis são graus do desenvolvimento
do conhecimento e da prática sociais, conclusões tiradas da história do desenvolvimento da ciência e da atividade prática.
Familiarizar os homens com as categorias e as leis da dialética,
fazê-los assimilar sua essência, nada .mais é do que os iniciar
na cultura humana e alargar seus horizontes.
Em sua exposição das principais categorias e leis, o autor
procura mostrar as funções gnoseológicas, metodológicas e
ideológicas que elas desempenham; ele as considera como
for mas do reflexo de prop ried ades e relações universais da
realidade, como graus e formas do desenvolvimento do conhe-
cimento social, como princípios do método dialético do conhe-
cimento e da transformação orientada pela realidade.
Segundo o autor, essa análise permite que se evidencie o papel importante desempenhado pelas categorias e leis da dialé-
tica na atividade teórica e prática dos homens.
ros tinham muitos traços de semelhança, e que é por essa
razão que eles decidiram que os princípios dos números deve-
riam ser os princípios de todas as coisas e que os números deve-
riam ocupar o primeiro lugar na natureza, medir e reger as
coisas singulares, constituindo sua essência.
Os pitagóricos colocaram em evidência um dos aspectos
(propriedades) universais dos objetos e dos fenômenos da rea-
lidad e: as relações quantitativas. Mas, abstra indo toda s as
outras relações e propriedades (singulares e gerais) das coisas,
eles erigiram a categoria da quantidade, transformando-a em
essência ideal autônoma.
Platão desenvolveu essa doutrina pitagórica das categorias.
Segundo Platão, o ser verdadeiro e real é formado pelas idéias
— as essências ideais que são autônomas, independentes das
coisas singulares e que criam estas últimas, unindo-se à matéria.
Essa matéria existe nelas durante um determinado tempo e
depois elas retornam novamente para o mundo ideal, provocan-
do com isso o des apa rec ime nto das coisas. As essênc ias ideais,
segundo Platão, são eterna s e imutáv eis. As coisas sensíveis
são transitórias, elas aparecem e desaparecem.
Aristóteles critica o ponto de vista pitagórico e platônico
relativo à nat urez a das categorias. Segundo e le, as categorias,
que são noções gerais, não existem antes das coisas singulares,
mas são, pelo contrário, o resultado do conhecimento destas,
assim como o reflexo das propriedades e das relações que lhes
são própria s. Ai nda segundo Aristóteles, perc eben do as coisas
singulares, nós conhecemos não apenas o singular, mas também
o geral, que se reproduz em numerosos objetos ou mesmo em
todos eles. No proces so da perce pção reit erad a das coisas, o
geral, que lhes é próprio, cristaliza-se na consciência dos
homens e exprime-se sob a forma de um conceito geral que
existe ao lad o das image ns singulare s. Qu an do o geral inicial
já foi fixado no espírito, conceitos ainda mais gerais são
formados a partir dele refletindo as propriedades e as ligações
de um grupo maior de coisas, e depois os conceitos mais gerais
de todos — que são chamados categorias, que refletem as
formas universais do ser — são formados.
A teori a de Aristót eles sobre a natu reza das categorias,
embora sendo just a na sua essência , não é conseqüe nte. De-
clarando que, na realidade objetiva, o elemento análogo do
conteúdo dos conceitos gerais são a matéria e a forma, Aris-
tóteles acreditava que a forma era ideal, que ela podia ter uma
existência aut ônom a, independe nte das coisas mater iais. Isso
não significa que todo o geral, próprio ao mundo objetivo,
seja material e que exista apenas por meio das coisas indivi-
duais, sing ulares. Uma part e do geral possui uma natureza
ideal e existe independentemente e fora das coisas sensíveis.
Isso é uma concessão séria feita a Platão e ao mesmo tempo
à visão idealista do problema.
Na Idade Média, a concepção da natureza das categorias,
assim como a solução encontrada para outros problemas filo-
sóficos, adquir iu um a colora ção teológica. Os fil ósof os que
representavam a tendência realista retomavam, sob uma forma
ou outra, o ponto de vista platônico sobre as categorias, que
eles consi dera vam como essên cias ideais aut ônom as, existindo
inde pend ent emen te dos home ns e das coisas. Os nominalis tas
repudiavam essa concepção das categorias, negando-lhes uma
existência independente não apenas na realidade objetiva, mas
também na consciência.
Johannes Scotus Erigena, por exemplo, filósofo realista
da Idade Média, afirmava que os conceitos gerais eram criados
por Deus e constituíam a natureza primeira. Deus, intervindo
no princípio enquanto universal indeterminado, criou um mundo
ideai que constitui o princípio primeiro e a essência das coisas.
Esse mundo ideal divide-se em noções de gênero e espécie que,
reun idas uma s às outras , for mam as coisas singulares. Assim,
para Erigena, as categorias sendo elementos do mun do ideal,
não podiam ser reflexos de formações materiais e de coisas
sensíveis, e sim suas criadoras, existindo anterior e indepen-
dent ement e das últimas. O nominal ista Rosc eli n, pel o contrá-
rio, partiu essencialmente da solução aristotélica do problema,
mas, estabelecendo como absoluta sua negação da existência independente do geral na realidade, ele terminou por negar
completamente a existência do geral, isto é, negou sua exis-
tência na realidade, não apenas sob a forma de uma existência
ideal independente, mas também sob a forma de qualidades,
de prop rie dade s das coisas singulare s. Ess e filó sofo considerou
que os gêneros e as espécies (as noções de gênero e de espécie)
não existiam realmente, eram apenas nomes dados pelos homens
para coisas particulares, coisas que eram absolutamente singu-
lares e que não tinham nada de geral.
aristotélico sobre o conceito, considerado como uma forma do
reflexo do geral na realidade (da natureza geral, das proprie-
dades gerais, das qualidades das coisas singulares).
Hobbes, por exemplo, considerava que, na realidade, exis-
tiam apenas coisas singulares que se caracterizavam por pro-
priedades determinadas ou acidentes. Algumas dessas proprie-
dades ou acidentes pertenciam a todas as coisas e outras a
apenas algu mas dentre ela s. Re fle tin do o processo do conhe-
cimento das propriedades das coisas, o homem criou os con-
ceitos corresp ondentes. A par tir do fat o de que os objetos
possuem propriedades universais, os conceitos que refletiam
essas propri edade s eram aplicáveis a toda s as coisas. São
nomes universais 2 .
Assim, segundo Hobbes, as categorias não representam as
essências ideais gerais autônomas, que determinam a natureza
das coisas, mas são apenas o reflexo das propriedades gerais,
dos acidentes pró pri os das coisas. Lock e desenvolve u esse
mesmo ponto de vista, mas de forma mais conseqüente 3.
George Berkeley opôs-se a essa concepç ão da nature za
de conceitos gerais e de cate goria s. Parti ndo do fat o de que
o geral, na realidade objetiva, existe somente nas coisas sin-
gulares , ele proc urou prov ar a impo ssib ilid ade da existênci a _de
conceitos e de categ orias. Segu ndo Berkel ey, tod os os conceitos
s| õZj in gul ar es , representam as idéias das coisas particul ares
que podemos perceber. Ningué m jamai s percebeu idéias gerais,
ele afirma.
O posterior desenvolvimento filosófico das idéias sobre
a natureza das categorias e dos conceitos gerais ultrapassa a
concepção fundamentalmente nominalista de Berkeley e passa
pela reabilitação do ponto de vista de Locke. Essa atitude
foi desenvolvida particularmente pelos materialistas franceses
do século XVIII (Denis Diderot, Paul-Henri Holbach, Claude-
Adrien Helvétius etc.).
Emanuel Kant expôs um outro ponto de vista sobre a
natur eza das categorias. Segundo ele, as catego rias não são
o reflexo de aspectos ou de conexões da realidade objetiva,
(^2) T. Hobbes, Leviathan or the Matter, Form and Power of a Com-
monwealth Ecclesiasticall and Civil, Londres, 1928, p. 19-20. (^3) J. Locke, Essai philosophique concernant I'entendement humain,
Paris, 1975, t. 1, p. 290-8; t. 2, p. 257-61; t. 3, p. 58-71 e 176-80.
mas representam as formas da atividade do pensamento, con-
cedi das ~ãco nsci ênci a peiã natu reza. Seu conteúdo" è determi-
nã3õ~pèla__consciência, representa uma ou outra forma de suas
características e é introduzido no mundo dos fenômenos pelo
sujeito no decorrer do processo da atividade cognitiva que se
pondentes.
Os pensamentos de Kant encerram uma boa parte racional
se tomarmos um homem isolado, o indivíduo, como sujeito do
conheciment o. Co m rel açã o a cada indivíduo , as categorias são
as formas da atividade do pensamento próprias da consciência
social anterior a qualquer, experiência de conhecimento, anterior
um indivíduo pode pensar'dé acordo com sua época e assim
conhecer a rea lid ade que o rodei a. Mas o sujeito real do
conhecimento nã o é um indivíd uo, é a sociedade. Com relaç ão
à sociedade, as categori as n ão são absolu tamente nad a que
preceda o conhecimento, e tamb ém não são fo rm as da atividade
decorrer do processo da atividade prática e do desenvolvimento,
a partir dela, do conh ecim ento. Seu cont eúdo é dete rmina do
não pela consciência, mas pela atividade objetiva, e se mani-
festa como um reflexo das características das formas universais
do ser. El e não é subjet ivo, nem é intro duzido no mun do dos
fenômenos pelo sujeito, que o tira da realidade objetiva e o
expressa sob uma forma ideal.
O subjetivis mo da conc epçã o kant iana da natur eza das
categorias e a tese, segundo a qual o caráter universal de seu
conteúdo é condicionado pela consciência dos homens, foram
criticados por Hegel: "O material sensível é, segundo a filosofia crítica, profundamente individual... e apenas o entendimento
que o examina lhe traz unidade e o erige, por meio da abstração,
como universal" 4. Cont inuan do, ele diz ainda: "A afirmativa
de Kant consiste no fato de que as determinações do pensa-
mento têm sua srcem no "eu", e é então o "eu" que determina
o universal e o neces sárái o. Assim, o "e u" seria uma espécie
(^4) G. W. F. Hegel, Werke. Vollständige Ausgabe, Berlim, 1843, v. 6,
p. 85-91.
Assim , par a Hegel, as categorias repr ese nta m essências^
ideais^ que exprimem os momentos correspondentes da ideia
absoluta, assim como os graus de seu desenvolvimento dialético (^) L _
Sendo as formas da atividade criadora da idéia, as categorias
determinam a essência das coisas materiais, essência que se
manifesta nelas e que se reproduz no estado puro, em decor-
rência do conhecimento.
Após ter apresentado sob uma forma universal a dialética
do autodesenvolvimento das categorias, e de haver pressentido
a multiplicidade das leis gerais reais do desenvolvimento da
realidade objetiva e do conhecimento, Hegel transforma a dia-
lética das categorias em uma dialética determinante que submete
a si mesma a dialética das coisas, transformando esta última em
um caso particular da lógica.
Embora sem deixar de reconhecer o mérito considerável de
Hegel na ela bora ção da dialética, Ma rx e Enge ls criticaram
severamente sua concepção idealista da natureza das categorias.
Eles assinalaram que, para Hegel, as coisas que existem obje-
tivamente são apenas motivos, cujas categorias lógicas são o esboço. Sendo tirad as das coisas pela abst raçã o do particula r
e do singular, as categorias são, segundo Hegel, essências autô-
nomas, que existem independentemente das coisas e antes delas,
fazendo o papel de substância dessas últimas. "Qu and o, traba-
lhando sobre realidades, maçãs, peras, morangos, amêndoas, eu
formo a idéia geral de "fruto"; quando, indo ainda mais longe,
fatos reais, é um ser que existe fora de mim e, ainda mais, que
"Ora, tanto é fácil, escrevem Marx e Engels ainda, par- tindo de frutos reais, engendrar a representação abstrata do
"fruto", como é difícil, partindo da idéia abstrata do "fruto",
engendrar frutos reais"?.
A razão especulativa procura sair desse embaraço expli-
cando o conceito geral não por uma essência morta, desprovida
de diferenças, mas por uma essência viva, que distingue, no seu
(^6) K. Marx, F. Engels, La Sainte-famille, Paris, Editions Sociales, 1969,
p. 73 -4. (^7) K. Marx, F. Hengels, op. cit. ; p, 74,
interior, as coisas concretas e as faz nascer no curso de seu
desenvolvi mento. O result ado é que fru tos reais pode m ser
manifestações diversas do fruto como tal, isto é, de uma
essência ideal.
"Pode-se ver por isso, concluem Marx e Engels, que
Deus, a filosofia especulativa tem tantas encarnações quantas são as coisas; é assim que ela possui, neste caso, em cada fruto,
uma encarnação da substância do fruto absoluto"8.
Na filosofia burguesa contemporânea, a concepção realista,
que supõe o reconhecimento da existência autônoma das cate-
gorias sob a forma de essências ideais particulares — as uni-
versais —, foi desenvolvida pelo filósofo inglês G. E. Moore.
Segundo ele, o mundo é composto por três espécies de coisas:
os objetos sensíveis, as verdades ou os fatos e os universais 9.
Moore critica particularmente o ponto de vista segundo
o qual existem apenas as coisas sensíveis singulares, enquanto
que as universais são consideradas como produtos do pensa-
men to. El e acredit a que tal pont o de vista nasceu do emprego das palavras "idéia", "conceito", "pensamento" e "abstração"
com duplo sentido. "Nós empregamos, d iz Moor e, a mesma
palavra "idéia", "conceito" e "abstração" tanto para o ato do
pensamento como para os objetos. Sabemos que todos os
universais são, em um certo sentido, abstrações, isto é, coisas
ideais po r sua próp ria natureza. É por isso que vários filósofos
pensam que quan do chamamos uma coisa de abstração, suben-
tende mos que ela é um prod uto do cérebro. Ent ret ant o, esse
é um erro grave. Há , é verdade , um processo físico cham ado
abst raçã o. Mas, no decorrer desse processo, os universais não
são criados, apenas tomam os consciência deles. E é exata-
mente a consciência que nós temos deles que é o produto do processo, e não os universais em si" 1
Apresentando a existência objetiva das categorias (deno-
minadas universais), fora da consciência humana e das dife-
rentes coisas, Moore segue o raciocínio: "A última vez eu
(^8) K. Marx, F. Hengels, op. cit., p. 75.
(^9) G. E. Moore, Some main problems of philosophy, Londres-New
York, 1953, p. 372.
(^1 0) G. E. Moore, op. cit., p. 371.