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Projeto objetiva dimensionar um eixo propulsor e seus demais componentes
Tipologia: Notas de estudo
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Belém, setembro de 2014
1. OBJETIVO
O presente exercício objetiva o projeto de dimensionamento de um eixo propulsor e demais componentes da linha de eixo de um navio com dois motores independentes e dois eixos de acordo com a figura 1:
Figura 1. Linha de eixo propulsor e demais componentes de um navio
Como podemos observar na figura acima, nos foram dispostos uma série de dados a fim de tanto possibilitar quanto facilitar um bom projeto de eixo e demais componentes. Esses dados serão listados a seguir:
R: Rotação à velocidade dada; C1: 560 – valor usado para embarações com mais de 47,5m de comprimento; C2: 160; U: Tensão de Ruptura.
Para a resolução, usaremos o fator de forma (K) igual a 1,22, escolhido através das tabelas 1 e 2 existentes na seção 4-3-1. A tensão de ruptura (U) para eixos de aço carbono, ligas e aços inoxidáveis austeníticos com mancais de lubrificação a óleo, ou eixos contínuos lineares, ou equivalentes, vale 600 N/mm 2.
Calculando:
Adotaremos, portanto, um diâmetro (D) igual a 340 mm em virtude das dimensões dos mancais e acoplamentos.
2.1.1. SEPARAÇÃO ENTRE APOIOS
A separação entre os apoios se dará por meio do Critério de Vibração de Whirling e das tensões no eixo. O Critério de Vibração de Whirling é dado por:
Onde, L: Distância entre os apoios do eixo (mm); ɳk : Velocidade angular crítica (rpm); E: módulo de elasticidade; G: peso do trecho considerado por mm (Kg/mm); Iaxial : momento de inércia axial.
Pela figura 1, temos que a distância entre os apoios do eixo (L) é igual a 8900mm. O módulo de elasticidade do material (E) vale 20,6.10^4 N/mm^2. Para calcularmos o peso do trecho considerado por mm, usaremos a fórmula:
Onde, ρ: massa específica do aço;
Para o aço utilizado (C45 E naval), a massa específica (ρ) vale 7800 kg/m 3. Logo:
Por sua vez, o momento de inércia axial (I (^) axial) é dado por:
Logo:
Calculando a velocidade angular crítica (ɳ (^) k ):
Podemos notar, portanto, que a velocidade angular crítica é bastante superior à rotação do eixo, de forma a nos possibilitar concluir que não haverá ressonância e/ou fadiga.
Verificaremos, agora, o diâmetro do eixo pelo critério das tensões combinadas. A tensão admissível deve ser o menor valor entre 18% da tensão de ruptura e 30% da tensão de escoamento (330N/mm^2 ). Logo:
Ou
A tensão axial de flexão é dada pela fórmula:
Onde, MF : Tensão axial de flexão.
Já a tensão cisalhante devido à torção:
Onde, MT : Tensão axial de flexão.
Onde:
E, então:
2.1.2. VERIFICAÇÃO DAS RESSONÂNCIAS SEGUNDO OS CRITÉRIOS DA ABS
Segundo a ABS, a frequência natural de um eixo apoiado em dois mancais é dada pela equação:
Onde, : Frequência natural; a (^) n: Constante tabelada para cada n-harmônico.
Para o 1º harmônico, temos que an vale 9,87. Calculando, portanto:
Verificando que a frequência natural do 1º harmônico () é bastante superior à rotação do eixo, podemos concluir que não necessitamos nos preocupar com ressonância do eixo.
2.2. SELEÇÃO DA CAIXA DE ENGRENAGENS PARA O GERADOR DE EIXO
A caixa de engrenagens selecionada foi a Jack Generator Drives, modelo 1120-600. A seleção dessa gearbox foi baseada na relação entre a potência do gerador (P (^) g ) e rotação do eixo do motor (n), sendo esta a que mais se adequou ao projeto dentre as gearboxes disponíveis no catálogo, sendo também a de menor dimensão. A tabela abaixo (Tabela 1) e a figura 2, extraídas do catálogo Hollow shaft gearboxes GDH-2S , da Jack Generator Drivers, nos permite verificar a procedência dessa seleção.
O acoplamento da caixa de engrenagens com o eixo intermediário será do tipo hidráulico com flange dimensionada segundo a ABS. O momento torsor transmitido, considerando que houve perda de 3% na transmissão de potência pela caixa de engrenagens, será:
Para a seleção do acoplamento da caixa de engrenagens com o eixo intermediário, utilizamos o livro da Universidad de Cádiz, Proyectos de fin de carrera de Ingeniería Técnica Naval. Na página 108 do livro citado, há uma tabela (tabela 3) que expõe as características dimensionais e de resistência dos acoplamentos.
Tabela 3. Tabela de Acoplamentos OKF 310 - 700
Com base no diâmetro calculado do nosso eixo, foi selecionado o acoplamento OKF 340, de diâmetro de eixo de 340mm e 1020KN.m de torque máximo. Observa-se que a flange do acoplamento tem diâmetro máximo de 730mm, e a espessura (e) do flange é de:
2.5.1. CÁLCULO E VERIFICAÇÃO DO FLANGE DE ACOPLAMENTO
Para a fixação do nosso flange, adotaremos 8 parafusos. Como diâmetro primitivo (D (^) p) do flange, adotaremos:
Calcularemos, agora, o diâmetro dos pernos do parafuso (d (^) p) adotando a fórmula da ABS, exposta no volume 2, parte 3, seção 4.7.1:
Onde, P: Potência do motor considerando as perdas de transmissão; n: Número de parafusos; D (^) p: Diâmetro primitivo do flange;
dos parafusos EN ISO 4014:2000, presente no livro Ligações metálicas de acordo com o Eurocódigo 3 , da Universidade de Aveiro, exposta abaixo (Tabela 4), a fim de selecionar um parafuso com diâmetro próximo ao calculado e, por conseguinte, determinar o diâmetro dos furos dos parafusos no flange.
Tabela 4. Geometria dos parafusos EN ISO 4014:
A partir dos cálculos e considerações realizados, adotamos o parafuso EN ISO 4014:2000 M45, de diâmetro (dp) de 45 mm e que necessita um diâmetro de furo de 48 mm no flange. Posteriormente, verificaremos se o parafuso escolhido permite que nosso projeto se mantenha em um fator de segurança aceitável. Caso não, repetiremos o processo com parafusos de diâmetro (d (^) p) superior.
Em seguida, calcularemos a força cortante (suportada pelos parafusos, pela fórmula:
MT : Momento torsor; R: Raio.
Para calcularmos o momento torsor (MT ), fazemos:
Em seguida, calculamos a tensão de cisalhamento () suportada pelos parafusos pela fórmula:
Tabela 5. Modelos de porcas e dimensões correspondentes Selecionamos o modelo DIN 934 M45, com diâmetro de 45mm a partir do diâmetro (D (^) p) do parafuso, com espessura de 34,4 mm.
A seguir, selecionamos as arruelas também com base no diâmetro (Dp ) do parafuso a partir da tabela 6 abaixo, que indica os modelos e dimensões de arruelas baseados na norma ISO 7089 e onde está indicada a arruela escolhida para compor o projeto. As dimensões estão representadas na figura 7.
Diâmetro Di (^) nominal Di (^) Maximo De (^) nominal De (^) Maximo S (^) nominal Smaximo Sminimo M-20 21 21.33 37 36.38 3 3.3 2. M-22 23 23.33 39 38.38 3 3.3 2. M-24 25 25.33 44 43.38 4 4.3 3. M-27 28 28.33 50 49.38 4 4.3 3. M-30 31 31.39 56 55.26 4 4.3 3. M-33 34 34.62 60 58.8 5 5.6 4. M-36 37 37.62 66 64.8 5 5.6 4. M-39 42 42.62 72 70.8 6 6.6 5. M-42 45 45.62 78 76.8 8 9 7 M-45 48 48.62 85 83.6 8 9 7 M-48 52 52.74 92 90.6 8 9 7 M-52 56 56.74 98 96.6 8 9 7 M-56 62 62.74 105 103.6 10 11 9 M-60 66 66.74 110 18.6 10 11 9 M-64 70 70.74 115 113.6 10 11 9 Tabela 6. Modelos e dimensões de porcas baseados na norma ISO 7089
Figura 7. Representação das dimensões expostas na tabela 6
A arruela selecionada foi a ISO 7089 M-45, cuja espessura é 9 mm. É importante que saibamos as espessuras da porca, arrulela e flange pois, baseados nelas, descobriremos o comprimento mínimo (Lmin ) que o nosso parafuso necesstará possuir para que possa compor com eficiência o nosso projeto. Portanto:
Onde, Lporca : espessura da porca; Larruela : espessura da arruela; Lflange : espessura do flange; Lfolga : comprimento excedente do parafuso para segurança.
Calculando:
2.6. ACOPLAMENTO HIDRÁULICO DO EIXO INTERMEDIÁRIO COM O EIXO PROPULSOR
Nesta seção, projetaremos o acoplamento hidráulico do eixo intermediário com o eixo propulsor. Já sabemos que nosso momento torsor (M (^) T) vale 277,36 KN.m. Baseados nisso, selecionamos, a partir da tabela de acoplamentos exposta abaixo (tabela 7) o acoplamento SKF OKC 340, a partir do diâmetro do nosso eixo. Esse acoplamento suporta até 1020 KN.m, muito superior ao valor do momento torsor calculado no nosso projeto.
Tabela 7. Modelos e dimensões de acoplamentos hidraulicos da série OKC
2.7. SELEÇÃO DOS MANCAIS DE APOIO
A seleção dos mancais de apoio é baseada na força de reação que cada um deles suporta. Essas reações nos são apresentadas na linha de eixo propulsor e demais componentes de um navio exposta na figura 1.
2.7.1. MANCAIS DO ASTERN TUBE
Os mancais do astern tube são de metal patente e do tipo bucha. A seleção destes mancais é feita baseada na pressão específica. Segundo a sociedade classificadora (ABS), volume 2, parte 3, capítulo 2, seção 4.16.2, o comprimento dos mancais refrigerados por óleo será duas vezes o diâmetro, e a pressão específica (P) não excederá 0,8 N/mm^2.
Assim, para os mancais do astern tube:
Como podemos observar, ambos os mancais não excedem a pressão específica imposta pela sociedade classificadora, estando aptos a serem utilizados no projeto.
A partir do diâmetro do nosso eixo (D=340 mm), utilizamos a tabela abaixo (tabela 8) de mancais sterntube do fabricante Cedervall e selecionamos os mancais Cedervall modelo 31-40 refrigerados a óleo.
Tabela 9. Tabela 8. Modelos e dimensões dos mancais Cedervall intermediários
2.8. SELOS DO ASTERNTUBE
Os selos do Asterntube têm a imprescindível função de impedir que a água do mar escoe para o interior do navio por meio de frestas entre o eixo de propulsão e a carcaça da embarcação.
Sabendo que o eixo possui o mesmo diâmetro, podemos selecionar os mesmos selos para vante e ré. Com base nas tabelas abaixo (tabela 10 e tabela 11) extraídas do catálogo de selos da Cedervall, selecionamos os selos Cedervall modelo SQA 14 e SQF 14.
Tabela 10. Selos Cedervall SQA Tabela 11. Selos Cedervall SQF
2.9. VEDAÇÃO DA ANTEPARA
Esta vedação é imprescindível a fim de manter segurança quanto a alagamento do compartimento. Selecionamos nossa vedação da antepara a partir do diâmetro do nosso eixo, baseados na tabela exposta abaixo (Tabela 12), retirada do catálogo da Centrax. A vedação selecionada foi, portanto, a CENTRAX 340, indicada na tabela 12, que atende eixos de diâmetros entre 321 e 340 mm.
Tabela 12. Modelos e características de vedações Centrax