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Um projeto estrutural de um edifício residencial, detalhando os elementos estruturais de uma estrutura de concreto armado. São abordados conceitos teóricos como a concepção estrutural, planta de forma, resistência à compressão e tração do concreto, módulo de elasticidade e resistência do aço. O trabalho também discute a classe de agressividade ambiental e o cobrimento mínimo necessário para garantir a durabilidade da estrutura. O projeto foi desenvolvido com base nos conhecimentos adquiridos nas disciplinas de Concreto Armado I e II.
Tipologia: Exercícios
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Este trabalho tem por objetivo definir, dimensionar e detalhar os elementos
estruturais de uma estrutura de concreto armado do edifício residencial Vista Hermosa ,
utilizando os conhecimentos adquiridos ao longo das disciplinas de Concreto Armado I e
Concreto Amado II. Os cálculos serão efetuados de forma manual e também com o auxílio
de softwares e planilhas.
A concepção estrutural consiste em escolher um sistema estrutural que constitua
a parte resistente do edifício. Essa etapa, uma das mais importantes no projeto estrutural,
implica em escolher os elementos a serem utilizados e definir suas posições, de modo a
formar um sistema estrutural eficiente, capaz de absorver os esforços oriundos das ações
atuantes e transmiti-los ao solo de fundação (PINHEIRO, 2003).
A base para a elaboração do projeto estrutural é o projeto arquitetônico. A partir
deste determina-se a posição dos pilares, vigas e lajes. O ideal é evitar ao máximo
qualquer incompatibilidade com a arquitetura.
O desenho de formas representa as peças estruturais em um plano horizontal com
suas dimensões e posições. Todas as formas da estrutura são formadas de diversas lajes,
vigas e pilares dispostas em planta, devidamente cotada. Na planta da forma, ao contrário
da planta da arquitetura, é passado um plano horizontal a meia altura do pé direito e
olhamos para cima.
Vigas são elementos lineares, pois o comprimento longitudinal é três vezes
maios que a maior dimensão da seção transversal, em que a flexão é preponderante. Sua
principal função é receber os esforços provenientes das lajes e transferi-los para os pilares,
tendo como principais esforços o momento fletor e os esforços cortantes. As tensões
internas de compressão são resistidas pelo concreto e as de tração pela armadura.
As vigas sempre que possível devem ser posicionadas onde há parede, de modo
que não fiquem aparentes. Em locais como corredores pode ser admitida que parte de
uma viga fique aparente, porém o ideal é evitar essa situação. A altura da viga não deve
ser demasiada a ponto de interferir com portas e janelas. Em pavimentos de garagem essas
recomendações podem ser ignoradas, já que a parte estética não é muito importante nesse
caso, a não ser que seja uma exigência do cliente.
Lajes são elementos planos, em geral horizontais, possuindo a largura e
comprimento muito maiores que a sua espessura, sujeitas na maior parte por ações
normais ao plano em que se encontram. A principal função das lajes é receber os
carregamentos atuantes no pavimento, provenientes do uso da construção (pessoas,
móveis e equipamentos), descarregando esses esforços sobre as vigas em que estão
apoiadas.
2.6.1 Resistência à Compressão
É a principal característica do concreto, obtida através de ensaios. A NBR
6118:2014 no item 12.3.3 determina que, para em caso de ausência de resultados
experimentais, pode-se adotar:
𝑐𝑑
𝑐𝑘
𝑐
Onde:
𝑐𝑑
= é a resistência à compressão de cálculo do concreto;
𝑐𝑘
= é a resistência à compressão característica do concreto, aos 28 dias;
𝑐
= é um coeficiente de ponderação, apresentado na tabela 12.1 da NBR
2.6.2 Resistência à Tração
Pode ser obtida através de ensaios segundo as normas NBR 7222 e NBR 12142.
Na falta destes, a NBR 6118 permite avaliar a resistência a tração média ou característica
com as equações (valores expressos em MPa):
𝑐𝑡𝑘,𝑖𝑛𝑓
𝑐𝑡𝑚
𝑐𝑡𝑘,𝑠𝑢𝑝
𝑐𝑡𝑚
Sendo que, para concretos com classe até C50:
𝑐𝑡𝑚
𝑐𝑘
2 / 3
2.7.2 Módulo de Elasticidade
A NBR 6118:2014, diz que o módulo de elasticidade do aço pode ser admitido
igual a 210 GPa, caso não haja ensaios ou informação do fabricante.
No item 6.4 da NBR 6118:2014 é definido que a classe de agressividade do
ambiente está relacionada a fatores físicos e químicos que atuam sobre estruturas de
concreto, independente das ações mecânicas. A partir da tabela 6.1 da mesma norma,
utilizando o tipo de ambiente em que a construção se localiza como dado de entrada, é
possível definir em qual classe de agressividade ambiental o projeto se enquadra. Para o
trabalho em questão, definiu-se a classe de agressividade ambiental moderada (CAA II).
A durabilidade da estrutura está diretamente ligada com a qualidade do concreto
de cobrimento empregado. A tabela 7.1 da NBR 6118:2014 mostra a correspondência que
pode ser adotada na falta de ensaios comprobatórios, entre a classe de agressividade
ambiental e relação água/cimento e a resistência à compressão do concreto.
O cobrimento mínimo é a distância livre entre uma face da peça estrutural e a
camada de barras mais próxima dessa face (CARVALHO E FIGUEIREDO FILHO,
2007), visando criar uma camada de proteção para a armadura, evitando que ela fique
exposta aos efeitos do ambiente, impedindo sua corrosão.
Para a CAA II, os requisitos mínimos expressos na tabela são uma relação
água/cimento maior ou igual a 0,60 e uma classe de concreto superior ou igual à C25.A
tabela 7.2 da norma apresenta o cobrimento mínimo de concreto de acordo com a classe
de agressividade ambiental para cada elemento estrutural.
O módulo de elasticidade adotado foi de 19600 MPa, a fim de considerar a não-
linearidade do concreto devido a fissuração, conforme recomenda o item 15.7.2 da NBR
6118 (2003). Para as armaduras longitudinais do pilar é utilizado o aço CA-50.
Primeiramente, procurou-se definir a forma da estrutura do edifício na
sequência: localização dos pilares, localização das vigas e, consequentemente, a
localização das lajes. Sempre que possível, os pilares devem estar dentro das paredes e
suas posições devem atrapalhar o mínimo nas manobras dos carros nas garagens.
Iniciou-se a localização dos pilares pelos cantos, em seguida, pelas áreas comuns
a todos os pavimentos, como área de elevadores e escadaria.
Outro cuidado que foi tomado no presente trabalho foi o de não distanciar
demasiadamente os pilares, para não gerar vigas com alturas incompatíveis e ainda
acarretam maiores custos ás construção (maior taxa de armadura, maiores seções dos
pilares, etc.). O vão médio econômico entre os pilares está entre 4,5 e 5,5m.
O passo seguinte foi o posicionamento das vigas, que ficam praticamente
definidas pelo alinhamento dos pilares, salvo quando da necessidade de uma viga apoiada
em outra.
Neste trabalho será realizado um pré-dimensionamento dos pilares, ou seja,
determinar, de forma aproximada, as dimensões das seções transversais dos elementos
estruturais, as quais serão utilizados numa análise preliminar. Após esta análise inicial,
devem-se fazer os ajustes necessários, determinando a geometria final e,
consequentemente, o carregamento real que permite o dimensionamento das armaduras
segundo os procedimentos normativos.
O projeto desses elementos consiste numa tarefa de grande responsabilidade para
o engenheiro estrutural. Pode-se dizer que um bom pré-dimensionamento é o que resulta
em dimensões de seções e em taxas de armaduras finais (após dimensionamento)
próximas às adotadas inicialmente.
3.5.1. Áreas de influência
Este processo consiste em se dividir o pavimento em áreas de influência de cada
pilar e, a partir daí, estimar a carga que os pilares irão receber, calculando-se a área de
seção transversal de cada pilar considerando-o submetido à compressão centrada.
3.5.2 Seção transversal dos pilares
Sob a situação de força normal centrada, a área bruta da seção transversal do
pilar na fase de pré-dimensionamento é calculada por:
𝐶
𝑑
∗
𝑐𝑑
𝑠2%
Onde:
𝜌 = é a taxa de armadura longitudinal total no pilar, que deve ser adotada
inicialmente na fase de pré-dimensionamento. Recomenda-se utilizar valores entre 2% e
𝑐𝑑
= é a resistência à compressão de cálculo do concreto;
𝑠2%
= é a tensão de compressão nas barras das armaduras para a
deformação de 0,2‰ Em se tratando de aço CA-50, essa tensão corresponde a 42 kN/cm.
Assim, a força normal centrada equivalente na seção do pilar pode ser avaliada
por:
𝑑
∗
𝑘
Onde:
Nk = é a força normal no pilar, a qual pode ser estimada a partir do processo das
áreas de influência;
𝛾 = é um coeficiente adimensional que considera o efeito dos momentos
fletores, no qual são embutidos os coeficientes de majoração das ações do Estado Limite
Último.
BACARJI (1993) propõe os valores contidos na Tabela 2 para o coeficiente
adimensional 𝛾, de acordo com a posição dos pilares o edifício (Figura 2).
Figura 2 – Posição dos pilares nos edifícios.
Fonte: FUSCO (1981).
Tabela 2 – Coeficiente adimensional 𝛾.
Fonte: BACARJI (1993).
3.5.3 Exemplo de dimensionamento pilar Edifício Vista Hermosa
Como o cálculo de todos os pilares do edifício demandaria muito tempo, será
detalhado o dimensionamento do pilar 1. Os restantes dos pilares serão calculados com
planilha elaborada pelo Excel. No Anexo 1 encontrasse a tabela com o dimensionamento
de todos os pilares.
Para o pilar P1 do pavimento térreo tem-se:
𝑑
2
𝑑
𝑑
Figura 3 – Vão efetivo.
Fonte: NBR 6118:
Da relação entre maior e menor vão efetivo encontra-se o parâmetro λ, sendo
este calculado pela expressão:
3.6.2 Vinculação
São considerados três tipos vinculação das lajes: bordo livre, bordo
simplesmente apoiado e engaste. Devem ser feitas algumas considerações para escolha
de engastamento ou não da laje, sendo elas:
entre as lajes vizinhas devido a rebaixos, dependendo da magnitude do
rebaixo, pode-se desprezar a continuidade e calcular-se a laje rebaixada
supondo tal apoio como se fosse apoio simples ou considerar
continuidade e calculá-lo como engaste. A laje adjacente deverá ser
considerada devido à falta de continuidade;
com continuidade entre lajes vizinhas de mesmo nível, despreza-se a
continuidade e considera-se tal apoio como simples. Quando houver 2/
ou mais de continuidade ao longo de um apoio, considera-se este apoio
como engaste.
Desta forma, podem ser considerados nove tipos diferentes de vinculação de
lajes, que são representados na Figura 4.
Figura 4 – Situações de vinculação das placas isoladas constantes nas tabelas.
Fonte: CARVALHO E FIGUEIREDO FILHO (2007).
3.6.3 Carregamentos Atuantes
Os carregamentos atuantes na laje são o peso próprio, peso de revestimentos,
peso de paredes e cargas de utilização. A tabela 1 da NBR 6120:1980 apresenta o peso
específico dos materiais utilizados em construção. Neste projeto as cargas são as
seguintes:
Para lajes que possuem carregamento de parede, o item 2.1.2 da NBR 6120:
cita:
considerado simplesmente apoiado;
Este processo, chamado processo das áreas é ilustrado conforme a figura abaixo.
Figura 5 – Regiões da laje para o cálculo das reações nas vigas.
O cálculo das reações pode ser feito mediante o uso de expressões com o auxílio
de tabelas, como as encontradas em Carvalho e Figueiredo (2012). Tais tabelas, baseadas
no Processo das Áreas, fornecem coeficientes adimensionais (k) a partir das condições de
apoio e de λ, com os quais se calculam as reações, dadas por:
𝑥
𝑥
𝑥
𝑥
𝑥
𝑥
𝑦
𝑦
𝑥
𝑦
𝑦
𝑥
Dessa forma, substituindo os coeficientes obtidos nas expressões acima, são
obtidas as cargas que são transferidas para cada uma das vigas.
3.6.5 Momentos fletores e compatibilização
Os cálculos realizados neste trabalho foram feitos com o auxílio das tabelas de
Bares, retiradas de Carvalho e Figueiredo (2012), para obter os coeficientes μ e então
coloca-los nas equações para se ter os momentos positivos e negativos das lajes.
𝑥
𝑥
𝑥
2
𝑦
𝑥
𝑥
2
𝑥
𝑥
𝑥
2
𝑦
𝑥
𝑥
2
O valor do carregamento será feito pela combinação de ações últimas normais.
Geralmente lajes adjacentes se diferenciam nas condições de apoio, vãos
teóricos ou carregamentos, resultando no apoio em comum em dois momentos negativos
diferentes (PINHEIRO, 2010). Por isso deve-se fazer uma compatibilização entre esses
momentos. Onde o critério a ser tomado seja utilizar o maior valor entre a média entre os
dois momentos ou 80% do maior.
Em decorrência desta compatibilização, talvez haja a necessidade de correção
dos momentos positivos. Se a correção diminuir o valor do momento positivo ignora-se
a redução (a favor da segurança). Caso contrário, a correção é feita somando-se ao valor
deste momento fletor a média das variações ocorridas nos momentos negativos sobre os
respectivos apoios (PINHEIRO, 2010). A Figura 6 demonstra as situações.
principal e deve haver no mínimo três barras por metro (uma a cada 33
cm).
A equação que define a área de aço As é dada por:
𝑠
𝑠𝑑
𝑦𝑑
3.6.7 Detalhamento
Não está previsto em norma um espaçamento mínimo para as barras em lajes,
porém a prática recomenda que sejam deixados espaços horizontais entre 10 e 20 cm.
O espaçamento máximo das barras de armadura principal dado pelo menor valor
entre 20 cm ou duas vezes a altura da laje. O espaçamento máximo das barras de armadura
secundária é de 33 cm, totalizando um mínimo de 3 barras por metro.
O comprimento total da armadura negativa será composto por 0,25lxmáx e pelo
comprimento do gancho, que será determinado pelo cobrimento da laje com um desconto
devido a dobra que será realizada e depende do diâmetro da barra.
A tabela 9.1 da Norma define que para aço CA-50 com diâmetro inferior a 20
mm o pino de dobramento deve ter diâmetro de 5 ø. O comprimento da dobra pode ser
considerado o comprimento de um setor circular, como pode ser observado na Figura 7.
Figura 7 – Detalhe da dobra do aço.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto
de Estruturas de Concreto. Rio de Janeiro, 2007.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cargas para o
cálculo de estruturas de edificações. NBR 6120:1980. São Paulo, SP, 1980.
BACARJI, E. Análise de estruturas de edifício: projeto de pilares.
Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São
Paulo. São Carlos: USP, 1993.
CARVALHO, Roberto Chust & FIGUEIREDO, Jasson Rodrigues. Cálculo e
detalhamento de estruturas usuais de concreto armado: segundo a NBR6118:2007.
3ª ed. EdUFSCAR, São Carlos, SP, 2007.
PINHEIRO, Libânio M. Estruturas de concreto: ábacos para flexão oblíqua.
São Carlos, SP, 2009. Universidade de São Paulo – USP.