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Distúrbios Ácido-Básicos, Resumos de Histologia

Este documento aborda os principais conceitos relacionados aos distúrbios ácido-básicos, incluindo a produção de cargas ácidas no organismo, o papel do sistema tampão fosfato e amônia, a relação entre ph, bicarbonato e co2, os tipos de distúrbios (acidose e alcalose metabólica e respiratória), a compensação fisiológica, o uso do anion gap como ferramenta diagnóstica, e o tratamento das diferentes formas de distúrbios ácido-básicos. O texto fornece uma visão abrangente e detalhada deste tópico fundamental da nefrologia, com explicações claras e exemplos práticos, sendo uma leitura essencial para estudantes e profissionais da área da saúde.

Tipologia: Resumos

2022

Compartilhado em 14/05/2022

ana-carolina-adalberon-11
ana-carolina-adalberon-11 🇧🇷

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NEFROLOGIA Distúrbio Ácido-Básico
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Distúrbio Ácido-Básico
Nosso organismo produz cargas ácidas, parte delas a partir de
metabolismo de carboidratos, CO2, e é eliminado pelo pulmão.
Porém temos uma carga ácida produzida pelo metabolismo
proteico, lipídico, que tem que ser eliminada pelo rim, e nele temos
uma célula especializada em eliminar e reabsorver ácido, que é a
célula intercalada.
São 2 tipos. A Alfa tem uma hidrogênio ATPase jogando H+ na luz
tubular, secretando-o. A Beta ao invés de eliminar, ela reabsorve o
hidrogênio, ficando essa na extremidade baso-lateral da célula.
Devido a nossa alimentação ser feita predominantemente de carne,
temos uma predominância de células Alfa. Indivíduos com
alimentação predominantemente vegetariana tem predomínio de
células beta, nosso organismo regula isso.
Essa H+ATPase consegue jogar H+ até um gradiente limite de 1000x, ou seja, faz a concentração de H+ tubular
ficar até 1000x maior que dentro da célula, porém essa quantidade não é a necessária para eliminar cargas
ácidas do nosso organismo.
Para conseguirmos eliminar todas essas cargas, esse H+ tem que ser tamponado, deve se ligar a alguma
substância, e esse sistema é o tampão é formado pelo Sistema Tampão Fosfato (H+ se liga ao Fosfato e vira
Ácido Fosfórico) e pelo Sistema Tampão Amônia (Glutamina produz Amônia, atravessa a célula e na luz se liga
ao H+ e forma Amônio).
Definições
A maioria dos eletrólitos é dosado em mEq/L, porém o H+ é dosado em pH. As concentrações de H+ livres são
muito baixas. Podemos ter uma água sem Na, K, porém não existe água sem H+, se não, não seria H2O (OH +
H).
Nos pHs ácidos, temos maiores concentrações de H+, nos alcalinos teremos mais OH. Por isso se prefere
expressar isso em pH, o qual o normal do plasma é 7,4.
Ácido não é o H+, é uma molécula que libera o H+ em uma solução. Ex, Ácido Fosfórico, quando jogado em
solução se dissocia em HPO4 e H+, então ele é um ácido, libera um H+.
Base recebe o H+, ou doa um OH/Hidroxila.
pH é uma escala logarítima negativa de base 10 da concentração de H+, se ela fosse expressa em moles, será
um número muito grande.
O Tampão ele não ocorre somente na luz tubular, também acontece no plasma e nas células. O conceito de
tampão são moléculas proteicas que recebem ou liberam H+ conforme a necessidade.
Exemplo: Duas soluções com água, uma com tampão, e jogamos HCL nas duas. Na solução que não tem
tampão, ele se dissocia e vai ficar cheio de H+ livre, e com isso o pH vai cair. Na outra solução que tem tampão,
parte desses H+ vai se ligar ao tampão e aí teremos ele menos livre e consequentemente o pH vai cair bem
menos. Ele diminui a variação do pH. Isso serve para as duas situações, tanto ácidas quanto alcalinas. Se
jogássemos uma solução alcalina teríamos a mesma reposta só que o tampão liberaria o H+, aumento o pH.
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Distúrbio Ácido-Básico

Nosso organismo produz cargas ácidas, parte delas a partir de metabolismo de carboidratos, CO2, e é eliminado pelo pulmão. Porém temos uma carga ácida produzida pelo metabolismo proteico, lipídico, que tem que ser eliminada pelo rim, e nele temos uma célula especializada em eliminar e reabsorver ácido, que é a célula intercalada. São 2 tipos. A Alfa tem uma hidrogênio ATPase jogando H+ na luz tubular, secretando-o. A Beta ao invés de eliminar, ela reabsorve o hidrogênio, ficando essa na extremidade baso-lateral da célula. Devido a nossa alimentação ser feita predominantemente de carne, temos uma predominância de células Alfa. Indivíduos com alimentação predominantemente vegetariana tem predomínio de células beta, nosso organismo regula isso. Essa H+ATPase consegue jogar H+ até um gradiente limite de 1000x, ou seja, faz a concentração de H+ tubular ficar até 1000x maior que dentro da célula, porém essa quantidade não é a necessária para eliminar cargas ácidas do nosso organismo. Para conseguirmos eliminar todas essas cargas, esse H+ tem que ser tamponado, deve se ligar a alguma substância, e esse sistema é o tampão é formado pelo Sistema Tampão Fosfato (H+ se liga ao Fosfato e vira Ácido Fosfórico) e pelo Sistema Tampão Amônia (Glutamina produz Amônia, atravessa a célula e na luz se liga ao H+ e forma Amônio).

• Definições

A maioria dos eletrólitos é dosado em mEq/L, porém o H+ é dosado em pH. As concentrações de H+ livres são muito baixas. Podemos ter uma água sem Na, K, porém não existe água sem H+, se não, não seria H 2 O (OH + H). Nos pHs ácidos, temos maiores concentrações de H+, nos alcalinos teremos mais OH. Por isso se prefere expressar isso em pH, o qual o normal do plasma é 7,4. Ácido não é o H+, é uma molécula que libera o H+ em uma solução. Ex, Ácido Fosfórico, quando jogado em solução se dissocia em HPO4 e H+, então ele é um ácido, libera um H+. Base recebe o H+, ou doa um OH/Hidroxila. pH é uma escala logarítima negativa de base 10 da concentração de H+, se ela fosse expressa em moles, será um número muito grande. O Tampão ele não ocorre somente na luz tubular, também acontece no plasma e nas células. O conceito de tampão são moléculas proteicas que recebem ou liberam H+ conforme a necessidade. Exemplo: Duas soluções com água, uma com tampão, e jogamos HCL nas duas. Na solução que não tem tampão, ele se dissocia e vai ficar cheio de H+ livre, e com isso o pH vai cair. Na outra solução que tem tampão, parte desses H+ vai se ligar ao tampão e aí teremos ele menos livre e consequentemente o pH vai cair bem menos. Ele diminui a variação do pH. Isso serve para as duas situações, tanto ácidas quanto alcalinas. Se jogássemos uma solução alcalina teríamos a mesma reposta só que o tampão liberaria o H+, aumento o pH.

Hemoglobina, Proteínas (Albumina), Osso e Bicarbonato/Ácido Carbônico (mais utilizado na prática clínica) são exemplos de tampão no nosso organismo. OBS: As células do nosso organismo não toleram grandes variações de pH, elas morrem. pH menor que 6,8 e maior que 7,8, dificilmente o indivíduo irá sobreviver. pH menor que 7,35 (acidemia) ou maior que 7,45 (alcalemia) paciente já tem distúrbio. Distúrbios que levam a essas alterações podem ser metabólicos, quando alteram bicarbonato, ou respiratórios, quando envolvem a PaCO2. Acidose metabólica é uma redução do bicarbonato, e a tendência é que elas causem acidemia, porém o pH pode ainda ser mantido. Seu aumento provoca uma alcalose metabólica, tende a provocar alcalemia. Queda da PaCO2 gera alcalose respiratória, enquanto seu aumento gera acidose respiratória. Porque essas variações geram acidose a alcalose? O pH depende da concentração estabilizada de H+. Essa reação abaixo é constante que pode ser acelerada pela Anidrase Carbônica, para formar Ácido Carbônico, e ele pode ser dissociado de duas formas. Ou em CO2 + H2O ou H+ e HCO3. O CO2 está sob controle pulmonar, e o bicarbonato sob controle do rim. Exemplo: Paciente DPOC, que acumula muito CO2, ele desvia a reação pra direita, pois terei mais CO2 se ligando a H2O e assim a quantidade de H+ aumenta, caindo o pH e gerando acidemia. Se o CO2 cai, a reação é desviada para esquerda, e assim iremos diminuir a quantidade de H+ livre, o pH sobe, levando o paciente a uma alcalemia. Paciente com vômitos incessantes, ele tem aumento de HCO3, teremos mais bicarbonato se ligando ao H+ e ele diminui, aumento pH e gerando uma alcalemia. Se o HCO3 diminuir, teremenos menos para se ligar ao H+, ele fica mais livre e o pH do paciente cai, levando a uma acidemia.

Assim analisamos uma gasometria. Identificamos o evento primário e analisamos se há distúrbio secundário de reposta.

  • Exemplos pH ácido (acidemia), HCO3 baixo (acidose) e PCO2 baixo (alcalose). Qual desses dois distúrbios combinam com o pH? O HCO3 baixo/acidose, então é distúrbio metabólico, ACIDOSE METABÓLICA. Para cada de 1 mEq que cai o HCO3, a PaCO2 tem que cair de 1 – 1,5. Se o HCO3 normal é 24 (média de 22 a
  1. e está 10, caiu 14. A PaCO2 então tem que cair de 14 a 21, se o normal é 40 (média de 35 a 45), então tem que ficar de 19 a 26. A PaCO2 está 32, maior do que esperado, então temos como distúrbio secundário uma ACIDOSE RESPIRATÓRIA. Temos uma Acidose Mista, pois a PaCO2 está maior do que deveria estar. 1 _______________ 1 – 1, 5 14 _______________ 19 - 26 Vendo essa alteração em um paciente intubado, você poderia aumentar a oferta de O2 pra ele na tentativa de diminuir esse CO2, que aumentaria o pH do paciente e tiraria o paciente desse estado crítico de acidemia. Por isso é importante ver o distúrbio secundário. pH básico (alcalemia), HCO3 alto (alcalose) e PCO2 alta (acidose). O distúrbio que mais combina com o pH é o HCO3. ALCALOSE METABÓLICA. O HCO3 subiu 12, então de acordo com a tabela, esperaríamos uma resposta de aumento de 3 a 12 de PCO2, e ele subiu 8, ficando 48, está dentro da faixa esperada. Então não temos distúrbio secundário, só temos

quando tá fora da faixa de resposta fisiológica. Pode ver que o o pH não está tão alto, devido a resposta estar dentro do esperado. IMPORTANTE: A presença de um pH normal, não exclui a possibilidade de um distúrbio ácido-básico. Quando temos um distúrbio ácido-básico com pH normal, geralmente tem distúrbio secundário, porém não importará qual é o primário ou o secundário, de qualquer forma você encontrá o secundário no final. Escolhemos como evento primário o HCO3, temos 36. ALCALOSE METABÓLICA. E ao comparar com o quanto de PCO2 deveria estar, percebemos que há um distúrbio secundário, pois deveria estar entre 43 e 52. ACIDOSE RESPIRATÓRIA.

ACIDOSE METABÓLICA

Acúmulo de ácidos – cetoacidose diabética - ou redução de bases – diarréia com perda de bicarbonato. O Aumento do H+ livre se liga ao HCO3 e consome ele. Faz compensação respiratória, do tipo Kussmaul (profunda, ampla e frequente)

  • Anion Gap Anion Gap é um instrumento diagnóstico para investigarmos as acidoses metabólicas, represnetando por essa f´romula abaixo. A média da normalidade é entre 10 a 12, e o limite da normalidade sendo 16.
  • Tratamento Tratar a doença de base. As Acidoses com Anion Gap Normal ou Hiperclorêmicas respondem muito bem ao bicarbonato, ou a Solução de Shohl. As com Anion Gap Aumentado não existe comprovação de benefícios, só repondo bicarbonato em situações mais críticas: Essa tabela é utilizada para reposição de Bicarbonato de Sódio IV. Geralmente a acidose da cetoacidose respondem muito bem ao tratar a distúrbio glicêmico do paciente A Diálise é reservada para pacientes que não respondem aos outros métodos com HCO3 baixíssimo.
  • Riscos da Reposição de HCO As soluções de HCO3 são muito hiperosmóticas, por isso hoje em dia temos as soluções bicarbonatadas, que são diluídas. Diminui a liberação de O2 pela hemoglobina, piorando oxigenação tecidual Ter cuidado ao fazer a reposição de HCO3, e só fazer quando tiver indicação.

ALCALOSE METABÓLICA

Mais relacionada a bradiarritmias, hipotensão postural, disautonomia. Aumento do HCO3 com pH alcalino. Bem mais raro que acidose.

  • Etiologia Perdas gastrointestinais podem ser causas tanto de alcalose quanto acidose, depende da composição da perda, se é perda alcalina ou acidótica. Quase toda situação que leva a uma alcalose metabólica tem aumento da aldosterona (hipovolemia por perda líquida, fibrose cística...) ou que imitam aumento da aldosterona (Diuréticos elimina mais Na, quando chega no coletor reabsorve mais Na e joga K e H+ pra fora, Mineralocorticóides, Cushing, Liddle e Barter são situações que imitam ação de Diuréticos...). Aldosterona alta também aumenta perda de H+ pelo rim. O instrumento utilizado na Alcalose pra investigar a causa do distúrbio é o CL urinário. Se ele vier baixo, irei pesquisar estados de perda (perdas líquidas, baixa ingestão de CL, Fibrose Cística...), se vier alto, vou pesquisar as causas relacionadas a Renina (Diuréticos, Hiperladosteronismo, Cushing...)
  • Tratamento Com CL urinário baixo ou Cloreto Sensíveis, por serem estados hipovolêmicos por perda, se tratar com HCL e líquido, as vezes tendo que repor K, eles melhoram. Os Cloreto Resistentes, com CL urinário alto, vão variar de acordo com a causa, tenho que tratar a causa base. Tirar diurético, tratar tumores secretores de aldosterona, Tratar síndrome de Cushing... Pode se usar drogas que fazem perder HCO3 na urina como Acetazolamida (inibidor da Anidrase Carbônica), Diurético poupador de K (Espinorolactona) que antagoniza ação da Aldosterona. Ter que repor ácido é raríssimo.