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Este documento aborda os principais conceitos relacionados aos distúrbios ácido-básicos, incluindo a produção de cargas ácidas no organismo, o papel do sistema tampão fosfato e amônia, a relação entre ph, bicarbonato e co2, os tipos de distúrbios (acidose e alcalose metabólica e respiratória), a compensação fisiológica, o uso do anion gap como ferramenta diagnóstica, e o tratamento das diferentes formas de distúrbios ácido-básicos. O texto fornece uma visão abrangente e detalhada deste tópico fundamental da nefrologia, com explicações claras e exemplos práticos, sendo uma leitura essencial para estudantes e profissionais da área da saúde.
Tipologia: Resumos
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Nosso organismo produz cargas ácidas, parte delas a partir de metabolismo de carboidratos, CO2, e é eliminado pelo pulmão. Porém temos uma carga ácida produzida pelo metabolismo proteico, lipídico, que tem que ser eliminada pelo rim, e nele temos uma célula especializada em eliminar e reabsorver ácido, que é a célula intercalada. São 2 tipos. A Alfa tem uma hidrogênio ATPase jogando H+ na luz tubular, secretando-o. A Beta ao invés de eliminar, ela reabsorve o hidrogênio, ficando essa na extremidade baso-lateral da célula. Devido a nossa alimentação ser feita predominantemente de carne, temos uma predominância de células Alfa. Indivíduos com alimentação predominantemente vegetariana tem predomínio de células beta, nosso organismo regula isso. Essa H+ATPase consegue jogar H+ até um gradiente limite de 1000x, ou seja, faz a concentração de H+ tubular ficar até 1000x maior que dentro da célula, porém essa quantidade não é a necessária para eliminar cargas ácidas do nosso organismo. Para conseguirmos eliminar todas essas cargas, esse H+ tem que ser tamponado, deve se ligar a alguma substância, e esse sistema é o tampão é formado pelo Sistema Tampão Fosfato (H+ se liga ao Fosfato e vira Ácido Fosfórico) e pelo Sistema Tampão Amônia (Glutamina produz Amônia, atravessa a célula e na luz se liga ao H+ e forma Amônio).
A maioria dos eletrólitos é dosado em mEq/L, porém o H+ é dosado em pH. As concentrações de H+ livres são muito baixas. Podemos ter uma água sem Na, K, porém não existe água sem H+, se não, não seria H 2 O (OH + H). Nos pHs ácidos, temos maiores concentrações de H+, nos alcalinos teremos mais OH. Por isso se prefere expressar isso em pH, o qual o normal do plasma é 7,4. Ácido não é o H+, é uma molécula que libera o H+ em uma solução. Ex, Ácido Fosfórico, quando jogado em solução se dissocia em HPO4 e H+, então ele é um ácido, libera um H+. Base recebe o H+, ou doa um OH/Hidroxila. pH é uma escala logarítima negativa de base 10 da concentração de H+, se ela fosse expressa em moles, será um número muito grande. O Tampão ele não ocorre somente na luz tubular, também acontece no plasma e nas células. O conceito de tampão são moléculas proteicas que recebem ou liberam H+ conforme a necessidade. Exemplo: Duas soluções com água, uma com tampão, e jogamos HCL nas duas. Na solução que não tem tampão, ele se dissocia e vai ficar cheio de H+ livre, e com isso o pH vai cair. Na outra solução que tem tampão, parte desses H+ vai se ligar ao tampão e aí teremos ele menos livre e consequentemente o pH vai cair bem menos. Ele diminui a variação do pH. Isso serve para as duas situações, tanto ácidas quanto alcalinas. Se jogássemos uma solução alcalina teríamos a mesma reposta só que o tampão liberaria o H+, aumento o pH.
Hemoglobina, Proteínas (Albumina), Osso e Bicarbonato/Ácido Carbônico (mais utilizado na prática clínica) são exemplos de tampão no nosso organismo. OBS: As células do nosso organismo não toleram grandes variações de pH, elas morrem. pH menor que 6,8 e maior que 7,8, dificilmente o indivíduo irá sobreviver. pH menor que 7,35 (acidemia) ou maior que 7,45 (alcalemia) paciente já tem distúrbio. Distúrbios que levam a essas alterações podem ser metabólicos, quando alteram bicarbonato, ou respiratórios, quando envolvem a PaCO2. Acidose metabólica é uma redução do bicarbonato, e a tendência é que elas causem acidemia, porém o pH pode ainda ser mantido. Seu aumento provoca uma alcalose metabólica, tende a provocar alcalemia. Queda da PaCO2 gera alcalose respiratória, enquanto seu aumento gera acidose respiratória. Porque essas variações geram acidose a alcalose? O pH depende da concentração estabilizada de H+. Essa reação abaixo é constante que pode ser acelerada pela Anidrase Carbônica, para formar Ácido Carbônico, e ele pode ser dissociado de duas formas. Ou em CO2 + H2O ou H+ e HCO3. O CO2 está sob controle pulmonar, e o bicarbonato sob controle do rim. Exemplo: Paciente DPOC, que acumula muito CO2, ele desvia a reação pra direita, pois terei mais CO2 se ligando a H2O e assim a quantidade de H+ aumenta, caindo o pH e gerando acidemia. Se o CO2 cai, a reação é desviada para esquerda, e assim iremos diminuir a quantidade de H+ livre, o pH sobe, levando o paciente a uma alcalemia. Paciente com vômitos incessantes, ele tem aumento de HCO3, teremos mais bicarbonato se ligando ao H+ e ele diminui, aumento pH e gerando uma alcalemia. Se o HCO3 diminuir, teremenos menos para se ligar ao H+, ele fica mais livre e o pH do paciente cai, levando a uma acidemia.
Assim analisamos uma gasometria. Identificamos o evento primário e analisamos se há distúrbio secundário de reposta.
quando tá fora da faixa de resposta fisiológica. Pode ver que o o pH não está tão alto, devido a resposta estar dentro do esperado. IMPORTANTE: A presença de um pH normal, não exclui a possibilidade de um distúrbio ácido-básico. Quando temos um distúrbio ácido-básico com pH normal, geralmente tem distúrbio secundário, porém não importará qual é o primário ou o secundário, de qualquer forma você encontrá o secundário no final. Escolhemos como evento primário o HCO3, temos 36. ALCALOSE METABÓLICA. E ao comparar com o quanto de PCO2 deveria estar, percebemos que há um distúrbio secundário, pois deveria estar entre 43 e 52. ACIDOSE RESPIRATÓRIA.
Acúmulo de ácidos – cetoacidose diabética - ou redução de bases – diarréia com perda de bicarbonato. O Aumento do H+ livre se liga ao HCO3 e consome ele. Faz compensação respiratória, do tipo Kussmaul (profunda, ampla e frequente)
Mais relacionada a bradiarritmias, hipotensão postural, disautonomia. Aumento do HCO3 com pH alcalino. Bem mais raro que acidose.