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Uma análise da importância da interatividade e afetividade em cursos online, baseada em um estudo de caso em duas instituições de ensino superior que oferecem educação a distância (ead). O texto discute as relações afetivas desenvolvidas entre alunos e professores, a importância da interação aluno-aluno e aluno-professor, e as estruturas permanentes do curso que promovem o contato social entre alunos e professores. Além disso, o documento apresenta dados sobre a frequência e natureza dos contatos entre alunos e professores, e as atividades realizadas pelos alunos.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Universidade Federal de Minas Gerais FAE – Faculdade de Educação
Marina Rodrigues Ramos
Afetividade e interatividade na educação a distância: dimensões dos processos educativos em cursos de graduação
Belo Horizonte 2018
Marina Rodrigues Ramos
Afetividade e interatividade na educação a distância: dimensões dos processos educativos em cursos de graduação
Dissertação apresentada ao Programa de Pós- graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais para obtenção do grau de Mestre em Educação, Conhecimento e Inclusão Social. Área de concentração: Política, Trabalho e Formação Humana.
Orientador: Eucidio Pimenta Arruda
Belo Horizonte 2018
Afetividade e interatividade na educação à distância: dimensões dos processos educativos em cursos de graduação MARINA RODRIGUES RAMOS Dissertação submetida à Banca Examinadora designada pelo Colegiado do Programa de Pós- graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão social, como requisito para obtenção do grau de Mestra em Educação, área de concentração Política, Trabalho e Formação Humana.
Aprovada em 25 de maio de 2018, pela banca constituída pelos membros:
Prof. Dr. Eucidio Pimenta Arruda – Orientador UFMG
Prof. Dr. Marcello Ferreira UnB
Profª. Drª. Adriana Araújo Pereira Borges UFMG
Prof. Dr. Fernando Selmar Rocha Fidalgo UFMG
Profª. Drª. Juliane Corrêa UFMG
Profª. Drª. Mára Lúcia Fernandes Carneiro UFRGS
A Deus, por guiar meus passos e conceder-me sabedoria nas escolhas dos caminhos trilhados. Aos meus pais e à minha irmã, pelo amor incondicional, apoio, confiança e por me impulsionarem sempre em busca de aprimoramento constante. Ao meu marido, por ser um companheiro presente em toda a caminhada.
Agradeço ao meu orientador, Eucidio Pimenta Arruda, pela leveza na condução do processo, por ser um exemplo de professor, pela paciência, pela confiança em me escolher sem mesmo me conhecer, por apostar no meu potencial. Conciliar o trabalho e o mestrado não foi uma tarefa fácil. Na maioria das vezes, o Eucidio agendava as orientações de acordo com a minha disponibilidade, conciliando com a dele, sendo que o correto seria o inverso. Aprendi muito com você, professor, obrigada de coração!
Agradeço ao Senac, empresa na qual estou há seis anos, que me oportunizou conciliar os estudos com o mestrado. Foi uma rotina intensa de casa, trabalho e UFMG; porém, me orgulho de ter desenvolvido meu trabalho enquanto profissional da educação e ter conseguido ampliar meus olhares, fazendo uma transposição com o que a academia estava me proporcionando de saberes, vivências e novas aprendizagens.
Agradeço aos docentes da UFMG, por permitirem que eu ampliasse significativamente meus saberes. Quero destacar, em especial, a Mafá, por ter me orientado em relação às problemáticas da pesquisa voltadas à psicologia.
Agradeço aos colegas, que se fizeram presentes ao longo desta caminhada, as amizades construídas na UFMG. As problematizações, estudos e trocas foram muito significativas para meu desenvolvimento enquanto educadora.
Aos sujeitos e às instituições envolvidos nesta pesquisa, que foram tão acolhedores e abertos para que eu pudesse realizar todos os procedimentos aos quais me propus, com as melhores condições. Meu muito obrigada a todos os atores envolvidos nas instituições pública e privada. Em especial, às coordenações dos cursos, por fazerem todas as interlocuções necessárias.
Por fim, agradeço por ter conseguido cursar meu mestrado em uma Universidade Pública Federal. O aprendizado que adquiri ao longo desses dois anos e meio na UFMG é indescritível. A sensação que eu tinha após cada aula assistida, cada lauda redigida, é a de que quanto mais eu aprendia, mais eu constatava o quanto ainda tenho a aprender.
“Que as coisas são inatingíveis? Ora! Isso não é motivo para não querê-las. Que tristes seriam os caminhos sem a presença distante das estrelas.” (Mario Quintana)
This research aims to analyze how the relations of affectivity and interactivity in the processes involving the actors (student, teacher, tutor and team of professionals) of distance learning (EaD) are established and to what extent do these relationships lead to greater involvement, participation and engagement of the students in the educational activities developed. The problematization seeks to investigate how the relations of interactivity and affectivity in the processes involving the actors (student, teacher, tutor and team of professionals) of distance education? To what extent do these relationships lead to greater involvement, participation, and engagement of students in their activities? The theoretical framework was structured in order to understand the concept of affectivity and its implications. For this, a study of Vygostsky's theory was carried out, which deals with the question of affectivity through the study of the experiences and of Henri Wallon, which integrates affectivity, intelligence and motor act. Subsequently, the regulatory framework of EaD is presented based on legislation that regulates the modality and the issue of affectivity in the educational processes is explored, taking as reference Freire (1996) and Vygostsky (1993). Based on authors such as Peters (2006), Moore and Kersley (2008), Marco Silva (2014), Lilian Valle and Estrella Bohadana (2012), the last theoretical chapter presents the concept of dialogue, interaction and interactivity in distance education. The empirical research was obtained in a bachelors degree in Administration, offered by a private university and a degree in Pedagogy offered by a public university linked to the Open University of Brazil (UAB) system. The methodological procedures were semi-structured interviews and questionnaires with a representative sample of students enrolled in the courses. The data were analyzed from the perspective of Laurence Bardin's content analysis. Two analytical categories were chosen: the first dialogue, interaction and interactivity, and the second affectivity, in order to identify elements that characterize the presence of affect and of interactivity in the offer of distance courses. The results show that although the professionals seek to provide different teaching strategies in order to contribute to the teaching and learning process of the students, there is still a long way to go in order to develop the potential of interactivity and affectivity in higher education and learning processes. With this research, we intend to seek subsidies for the educational act developed in the EaD courses to be permeated by care in relationships in order to give students a productive, pleasurable and instigating learning.
Keywords: Affectivity. Interactivity. Distance Learning. Higher education.
Figura 1 – Apresentação da disciplina Ensino e Aprendizagem de Ciências de Ambiente I Figura 2 – Unidade 1 da disciplina Ensino e Aprendizagem de Ciências de Ambiente I Figura 3 – Unidade 2 da disciplina Ensino e Aprendizagem de Ciências de Ambiente I Figura 4 – Unidade 3 da disciplina Ensino e Aprendizagem de Ciências de Ambiente I Figura 5 – Trabalho final da disciplina Ensino e Aprendizagem de Ciências de Ambiente I Figura 6 – Última atividade do semestre e link para postagem de atividades em atraso Figura 7 – Pesquisa Interatividade e afetividade na EaD Figura 8 – Exame especial
AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem EaD – Educação a Distância IES – Instituição de Ensino Superior NDE – Núcleo Docente Estruturante PNE – Plano Nacional de Educação TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação UAB – Sistema Universidade Aberta do Brasil ZDI – Zona de Desenvolvimento Iminente
Gráfico 1 – Contatos IES Privada x IES Pública Gráfico 2 – Frequência IES Privada x IES Pública Gráfico 3 – Outras ferramentas utilizadas – IES Privada x IES Pública Gráfico 4 – Conversas no AVA – IES Privada x IES Pública Gráfico 5 – Linguagem – IES Privada x IES Pública Gráfico 6 – Feedback – IES Privada x IES Pública Gráfico 7 – Relação com a equipe pedagógica – IES Privada x IES Pública
São diversos os estudos sobre a Educação a Distância (EaD) e, comumente, as pesquisas realizadas têm como foco aspectos relacionados às práticas pedagógicas de ensino e aprendizagem na EaD, ao trabalho realizado pelo tutor e seus desafios, à história da EaD e suas gerações, às tecnologias digitais de informação e comunicação utilizadas ou aos materiais didáticos para EaD^1. Os estudos sobre as relações de interatividade e afetividade no processo de ensino e aprendizagem da EaD são ainda escassos na literatura acadêmica, motivo pelo qual nos interessamos pela temática.
Na sociedade em que estamos inseridos, a comunicação, informação e conhecimento estão presentes, seja no ensino presencial ou na educação a distância, e a escola com o seu papel de “educar” busca possibilitar que advenha um ser humano, membro de uma sociedade e de uma cultura, sujeito singular e insubstituível (CHARLOT, 2013). Assim, o maior desafio das escolas é fazer com que esses elementos presentes na sociedade sejam levados para o ambiente escolar, de forma a oportunizar uma aprendizagem que faça sentido e contribua com o desenvolvimento dos alunos.
Durante o percurso que a escola vem trilhando, Silva (2014) elucida que esse processo de comunicação, informação, produção de conhecimento e de aprendizagens vem sendo construído por meio das interações entre os sujeitos envolvidos nesta ação – professores e alunos que se beneficiam de elementos da comunicação presentes em cada tempo histórico que contribuem com a educação. Elementos estes que oportunizavam, na maioria das vezes, uma comunicação unidirecional.
Para exemplificar esta análise, Silva (2014) argumenta que a escola vem preparando os sujeitos por meio de lições-padrão, para ocupar seu espaço, e atualmente ainda tem que
(^1) Exemplificamos alguns autores que tratam dos temas das pesquisas comumente realizadas sobre EaD, como Mill e Pimentel (2010) no qual os autores discutem as práticas pedagógicas cotidianas, na relação dialógica entre professores e alunos, além de problematizarem a questão dos materiais didáticos para EaD. Rêgo (2010) traz uma problematização importante em relação ao trabalho do tutor sendo um dos principais responsáveis pela interação com os alunos na EaD. Carmem (2007) apresenta as gerações da EaD, a história da EaD no Brasil e no ensino superior e Rosa (2014) trata das tecnologias digitais de informação e comunicação e os processos de reconfiguração de modelos de educação a Distância de Nível Superior.
dependendo do grau de interação ou interatividade estabelecido entre os atores envolvidos em um processo educativo.
É preciso aprofundar o estudo e a pesquisa sobre esse termo, para verificar algo tão questionado nos cursos realizados a distância que são, muitas vezes, interpretados como uma modalidade de educação “fria”, na qual existe um distanciamento dos envolvidos devido à inexistência ou à pouca frequência com que ocorrem os encontros presenciais.
Corroborando com esse questionamento, Carvalho e Lima (2015) destacam que a afetividade exerce um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, pois, além de influenciar decisivamente a percepção, a memória, o pensamento, a vontade e a ação, constitui um componente essencial da harmonia e do equilíbrio: a personalidade humana.
A educação a distância tem uma história construída por meio da utilização de suportes tradicionais, como o impresso via correio, o rádio e a TV, e com o surgimento da internet vive o seu boom. A EaD on-line , para Silva (2003), é demanda da sociedade da informação, que cada vez mais compartilha e produz informações. Neste contexto, os cursos realizados nesta modalidade ganham adesão devido à flexibilidade de tempo e espaço, porém, apresentam um grande desafio, que é proporcionar a aprendizagem dos estudantes por meio dos recursos de interação disponíveis nos AVAs e do pouco contato físico entre docente e discente.
Uma das hipóteses a esta problemática pressupõe que o tutor é o principal responsável pelo estabelecimento de vínculos de interatividade e afetividade com os alunos de um curso realizado a distância. Outra seria a de que o professor é o principal responsável pelo estabelecimento dessas relações. E, por fim, existe uma probabilidade de que a equipe de profissionais que os alunos têm contato nos encontros presenciais é a mais próxima deles, por isso, eles estabelecem uma relação de interatividade e afetividade maior com esses sujeitos.
O objetivo principal desta pesquisa consiste em analisar como são estabelecidas as relações de interatividade e afetividade nos processos que envolvem os atores da
educação a distância (aluno, professor, tutor e equipe de profissionais) e de que forma essas relações contribuem para o processo de ensino e aprendizagem.
De maneira específica, pretendemos verificar como são realizados os contatos e as possíveis relações de interatividade e afetividade entre tutor/aluno, aluno/aluno, aluno/professor, aluno e equipe de profissionais e tutor/professor/aluno; identificar o tipo de linguagem utilizada na interação entre tutor/aluno, aluno/aluno, aluno/professor, aluno e equipe de profissionais e tutor/aluno/professor; compreender como acontecem os feedbacks recebidos pelo aluno nas atividades realizadas e observar as intervenções da equipe pedagógica nas atividades desenvolvidas, sejam individuais ou em grupo, e a presença da interatividade e afetividade.
Em busca de respostas para esses questionamentos, o primeiro Capítulo busca compreender quais os autores da psicologia irão subsidiar a pesquisa. Inicialmente, tínhamos como referência Piaget, Vygotsky^2 e Wallon, porém, mediante estudo das concepções teóricas dos autores, definimos pela psicologia histórico-cultural, que nos permitiu analisar o conceito de afetividade e suas nuances entre emoções, sentimentos e afetos sob a ótica de Vygotsky e Wallon.
Segundo Bastos (2014), Vygotsky concebe o ser humano como sujeito social, influenciado e determinado pelas condições socioculturais, contextualizado e em constante transformação. Já Wallon concebe o sujeito a partir da integração de afetividade, inteligência e ato-motor (motricidade). Assim, referenciamo-nos nesses autores para compreensão da afetividade e procuramos estabelecer uma conexão teórica entre eles.
Consideramos que a afetividade é interpretada como um campo mais amplo que o das emoções, na concepção de Wallon (1968). E, a partir do referencial de Clot (2016), compreendemos a afetividade como um conceito amplo que engloba as emoções, sentimentos e os afetos, sendo o afeto correspondente à atividade. Consideramos os afetos como ação transformadora que aumenta ou diminui a potência de agir, e as
(^2) O nome Vygotsky será apresentado respeitando a grafia dos diferentes autores consultados, por isso terá variações relacionadas ao emprego do (i) ou (y).