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Este capítulo aborda os princípios gerais da contabilidade que sustentam a contabilidade de custos, bem como as diferentes terminologias e classificações de custos. Ao compreender as definições de gasto, custo do produto vendido e custo de produção acabada, é possível aplicar melhor esses conceitos na contabilidade de custos. Além disso, é apresentada a classificação de custos em diretos e indiretos, e os métodos de custeio por absorção e variável.
Tipologia: Resumos
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Uberaba
Um exemplo seria uma empresa que está iniciando suas atividades e os sócios fazem uma
integralização de capital no valor de R$ 100.000,00.
Repare que a conta “capital social” (capital dos sócios) foi a origem do recurso, sendo
creditada e que a conta “caixa” recebeu este dinheiro, foi o destino, portanto, será debitada.
Vejamos esta operação nas razonetes:
D C D C
CAPITAL SOCIAL CAIXA
R$ 100.000,00 R$ 100.000,
Assim, todas as transações contábeis são registradas para que, no fim do período, possam ser
geradas as Demonstrações Contábeis, sendo as principais a Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE) e o Balanço Patrimonial (BP).
Demonstrações
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) tem como finalidade demonstrar o
desempenho da entidade para um determinado período (demonstração dinâmica), verificando quais
foram as receitas, os custos associados a estas receitas e as despesas no período. Tudo isso para
apuração do lucro. Abaixo temos um exemplo simplificado de DRE:
CUSTO DA MERCADORIA VENDIDA
LUCRO BRUTO
-R$ 17.000,
LUCRO OPERACIONAL R$ 13.000,
OUTRAS
TOTAL DESPESAS
R$ 80.000,
-R$ 10.000,
-R$ 5.000,
-R$ 2.000,
SALÁRIO
ALUGUEL
RECEITA
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Exercício findo em 31 de Dezembro de 2012
DESPESAS
-R$ 50.000,
R$ 30.000,
O Balanço Patrimonial é uma demonstração da situação patrimonial da empresa, envolvendo
os ativos, passivos e patrimônio líquido para um período específico. Lembrando que, no final do
balanço, o total de ativos tem que ser igual ao total de passivos. Abaixo temos um exemplo
simplificado de BP:
R$ 113.000,00 FORNECEDORES R$ 25.000,
R$ 0,00 Passivo Circulante R$ 25.000,
R$ 113.000,
Passivo não Circulante 0
R$ 25.000,
R$ 25.000,00 CAPITAL SOCIAL R$ 100.000,
RESERVA DE LUCROS R$ 13.000,
Patrimônio Líquido R$ 113.000,
R$ 138.000,00 Passivo Total R$ 138.000,
EMPRESA X
BALANÇO PATRIMONIAL
Exercício findo em 31 de Dezembro de 2012
CAIXA
ESTOQUE
Ativo Não Circulante
Ativo Total
Ativo Circulante
MÓVEIS E UTENSÍLIOS
promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro).
Desembolso Pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço.
Investimento
Gasto ativado em função da sua vida útil ou benefícios atribuíveis a futuros
períodos.
Custo
Gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou
serviços.
Despesa
Bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de
receitas.
Perda Bem ou serviço consumido de forma anormal ou involuntariamente.
Quadro 2 Quadro comparativo de alguns termos utilizados na contabilidade de custos.
Fonte: adaptado de Martins (2006)
O fluxograma abaixo (Figura 1) ajuda a entender melhor como este processo funciona.
Repare que, sendo o gasto um sacrifício financeiro gerado pela compra, este pode ser pago de
imediato gerando um desembolso ou pode ser postergado gerando uma promessa de pagamento
futura. Se o gasto tiver seus benefícios atribuídos a futuros períodos ele se torna um investimento,
então, é necessário saber se ele foi utilizado na fabricação de algum produto ou execução de algum
serviço, se sim, vira custo. Assim, quando existe a realização da receita, ou seja, a transferência de
bens ou serviços para terceiros, o custo se transforma em despesa (que é um bem ou serviço
consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas(Martins, 2006)) por meio do custo
do produto vendido
1
e o gasto responsável por gerar aquela receita também se transformará em
despesa.
1
Pode parecer estranho uma despesa chamada de custo de produto (ou mercadoria) vendida, porém, teoricamente é
isso que acontece.
Figura 1 Fluxograma de transformação de gastos em despesas.
Fonte: do autor com base nos conceitos adaptados de Martins (2006)
GASTO
DESEMBOLSO
SIM
NÂO
O dinheiro realmente
saiu do caixa?
Seus benefícios serão
atribuíveis a futuros
períodos?
INVESTIMENTO
SIM
NÃO
Foi utilizado na
fabricação de um
produto ou execução
de um serviço?
INÍCIO
DESPESAS
(Custo da
Mercadoria Vendia
ou Custo do
Produto Vendido +
Despesas Totais)
CUSTO
NÃO
SIM
Houve a
realização da
Receita?
SIM
FIM
· Compra
· Sacrifício
Financeiro
· Entrega ou
promessa de
entrega
Pagamento
resultante
Gasto ativado em
função da sua vida útil
ou benefícios
atribuíveis a futuros
períodos.
Gasto relativo à
bem ou serviço
utilizado na
produção de
outros bens ou
serviços.
Ocorre quando da
transferência do bem ou
serviço para terceiros
Bem ou serviço
consumido direta
ou indiretamente
para a obtenção
de receitas.
Custos diretos são aqueles que podem ser apropriados diretamente aos produtos, bastando
haver uma unidade de consumo(Martins, 2006).
Custos indiretos são aqueles que não oferecem condição de medida objetiva e qualquer
tentativa de alocação tem que ser feita de maneira estimada e muitas vezes arbitrária(Martins,
Custos Fixos e Variáveis.
Esta classificação também é muito importante, em termos gerenciais, pois dá base para a
realização de diversos métodos de custeio, principalmente o custeio variável (ou direto).
Independente de uma fábrica estar produzindo ou não ela tem alguns custos que são fixos, a
exemplo dos custos de aluguel da fábrica, de salários de funcionários etc. Porém, se não estiver
produzindo, deixa de ter outros tipos de custo que variam de acordo com a produção, como os
custos com matéria prima. Assim:
Custos Variáveis são aqueles que variam diretamente com o volume de produção(Martins,
Custos Fixos são aqueles custos que se mantem estáveis independente do volume
produzido(Martins, 2006) (note que os custos fixos podem mudar de um período para outro, ou seja,
sofrer variação, porém, sua característica principal é não variar em função do volume de produção).
O objetivo deste capítulo é apresentar e entender os principais métodos utilizados para
custear um produto ou serviço. Uma vez que, no capítulo anterior, aprendemos a classificar os
custos, agora, aprenderemos como combinar e dividir estes custos por meio daquelas classificações
para definir o custo de um produto ou serviço.
Custeio por Absorção
Vimos no capítulo anterior o que é o custo indireto, ou seja, aquele custo que não se
consegue apropriar diretamente a um produto ou serviço. Este tipo de custo é um problema para a
gestão de custos, uma vez que, fica difícil saber exatamente o quanto cada produto “absorveu” deste
custo indireto no momento da apuração do custo total do produto.
Assim, o custeio por absorção é um método de custeio que atribuí os custos diretos
diretamente ao produto e trabalha indicadores de distribuição dos custos indiretos, ou seja, tenta
criar critérios por meio dos quais os custos indiretos devem ser distribuídos e absorvidos para cada
produto ou serviço.
Um exemplo seria uma fábrica de roupas que possuí dois diferentes produtos: camisas (
unidades produzidas e vendidas por mêspreço R$15,00) e bermudas ( 8 00 unidades produzidas e
vendidas por mêspreço R$15,00). Sabe-se que a camisa tem um custo de matéria-prima de
R$5,00 e a bermuda de R$ 4,50. A matéria prima pode ser facilmente atribuída para cada produto,
por isso, é um custo direto. A mão de obra (quatro funcionários, R$4.800,00), a energia elétrica
(R$1.600,00) e o aluguel da fábrica (R$3.000,00) são custos indiretos. As despesas somam
Repare que os custos indiretos somam R$9.400,00. Como fazer a divisão destes custos para
cada produto? Poderíamos usar um critério para cada tipo de custo indireto, por exemplo, a mão de
obra seria rateada de acordo com o tempo de trabalho gasto para produzir cada tipo peça. A energia
elétrica seria rateada de acordo com a quantidade produzida de cada tipo de peça e o aluguel da
fábrica seria rateado igualmente para os dois tipos de peça. Observe que os critérios de rateio destes
custos indiretos foram determinados de modo subjetivo, podendo outros critérios terem sido
adotados. Assim, teríamos:
Assim, para este tipo de custeio teríamos os custos (diretos) variáveis, os custos indiretos
variáveis e os custos indiretos fixos. Os custos variáveis indiretos podem ter duas soluções de
alocação: ou ser alocados em função da quantidade produzida aos custos variáveis totais ou ser
alocado como custo indireto fixo.
Com isso, tanto os custos diretos quanto os custos indiretos seriam resumidos em custos
variáveis e custos fixos. Os custos fixos são então tratados como trataríamos as despesas no custeio
por absorção, ou seja, não compõe o custo do produto e são lançadas diretamente no resultado.
Lembrando o exemplo dado para o custeio por absorção:
“Uma fábrica de roupas que possuí dois diferentes produtos: camisas (1000 unidades
produzidas e vendidas por mêspreço R$15,00) e bermudas (800 unidades produzidas e vendidas
por mêspreço R$15,00). Sabe-se que a camisa tem um custo de matéria-prima de R$5,00 e a
bermuda de R$ 4,50. A matéria prima pode ser facilmente atribuída para cada produto, por isso, é
um custo direto. A mão de obra (quatro funcionários, R$4.800,00), a energia elétrica (R$1.600,00) e
o aluguel da fábrica (R$3.000,00) são custos indiretos. As despesas fixas somam R$4.000,00.
Este exemplo no método de custeio variável:
Produtos
Camisa Bermuda
Preço de Venda R$15,00 R$15,
Custo variável Unitário R$5,00 R$4,
Despesa variável Unitária R$1,00 R$1,
Margem de Contribuição
Unitária
R$9,00 R$9,
Então, uma demonstração de resultado do exercício (DRE) ficaria assim organizada para o
custeio variável:
Tabela 3 DRE básico para o método de custeio variável
Vendas R$ 27.000,
variáveis)
R$ 8.600,
= Margem de contribuição R$ 16.400,
=Lucro Operacional R$ 3.000,
Fonte: do autor
Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio (contábil, econômico e financeiro) e Margem
de Segurança.
Margem de contribuição (MC) é a diferença entre o preço de venda e o custo variável de
cada produto(Martins, 2006), ou seja, MC = Preço de Venda – Custo Variável Unitário (MC=P-
CVu). Neste sentido o “ custo variável unitário ” é composto não só do “custo variável unitário”
(relacionado com a produção), mas também da “despesa variável unitária”. Ponto de equilíbrio é o
ponto que iguala os custos e despesas totais com as receitas totais, ou seja, é o ponto em que não se
tem nem lucro, nem prejuízo (Martins, 2006). Pode ser de três tipos:
Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)– é o ponto de equilíbrio encontrado quando da divisão
dos custos fixos (CF) muitas vezes denominados CDF (custos e despesas fixas) pela margem de
contribuição (Preço de Venda – Custo Variável Unitário), então,
CF
Margem de contribuição
Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) – é o ponto de equilíbrio semelhante ao contábil,
porém, com a diferença que o PEE adiciona nos CFs o valor do custo oportunidade ou custo do
capital próprio, ou seja, leva em consideração uma remuneração mínima exigida em comparação
com alternativas de investimento no mercado.
Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) – é o ponto de equilíbrio semelhante ao contábil,
porém, com a diferença que o PEF subtrai dos CFs os valores que não foram desembolsados na
realidade, como por exemplo, as depreciações.
Assim, a Margem de Segurança da empresa serão aqueles valores que estiverem acima do
ponto de equilíbrio.
Custeio Baseado em Atividades (ABC)
O ABC é um método de custeio que visa amenizar os erros cometidos no custeio por
absorção quando do rateio dos custos indiretos. Para isso, o método divide a empresa em unidades
de atividades, ou seja, menores unidades de processamento da empresa.
Uma vez que as atividades foram estabelecidas, pelo método ABC, devemos ratear os custos
indiretos de acordo com o consumo de cada atividade por meio dos direcionadores de custos de
recursos. Assim, em um primeiro momento iremos custear as atividades. Posteriormente, temos que
verificar o quanto cada produto consome de cada atividade por meio dos direcionadores de custos
de atividades.
O objetivo deste capítulo é entender quais são as principais variáveis que interferem na
precificação de um produto ou serviço. Em um primeiro momento pode parecer que apenas os
custos e a margem de lucro desejada influenciam no preço, porém, o preço é um importante
instrumento da estratégia da empresa e muito dependente do contexto no qual a empresa se encontra
inserida. Vamos analisar estas variáveis...
Preço baseado em Custos
Um dos mais importantes fatores para a precificação de um produto ou serviço é saber
quanto custa para produzi-lo e vendê-lo. Em outras palavras, é muito importante saber quais são
seus custos e despesas, que chamaremos aqui de custos totais.
Um dos métodos mais básicos de precificação a partir dos custos é o chamado markup. O
markup é um valor ou uma percentagem imputada normalmente sobre o custo total (pode ser
imputado sobre o preço de venda). Na maioria dos casos o markup se refere ao lucro desejado pelo
empresário. Assim, o custo total mais o markup da origem ao preço de venda. A fórmula genérica
para calcular o markup pode ser assim descrita:
lucro desejado
custo total
Para um produto que tem o custo total de R$ 16,00 no qual se deseja um lucro de R$ 4,
temos, 𝑀𝑎𝑘𝑢𝑝% =
4 , 00
16 , 00
= 0,25 ou 25%. O preço de venda pode então obtido pela fórmula:
𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎 = Custo total ∗ ( 1 + 𝑚𝑎𝑟𝑘𝑢𝑝),
Assim o 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎 = 16 , 00 ∗ ( 1 + 0 , 25 )= R$ 20,00.
O markup é usado com os diversos métodos de custeio. Por exemplo, o custeio alvo.
Imagine que o preço de uma mercadoria já é dado pelo mercado R$20,00 e que você estipule um
markup de 25% sobre o custo total do produto. Qual o custo máximo que o produto pode ter, ou
seja, qual o custo alvo?
Pela fórmula 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎 = Custo total ∗ ( 1 + 𝑚𝑎𝑟𝑘𝑢𝑝).
Então,
20 = Custo total ∗ ( 1 + 𝑚𝑎𝑟𝑘𝑢𝑝)
logo,
Custo total =
𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎
𝑅$ 20 , 00
( 1 + 0 , 25 )
Assim, o preço de venda depende tanto do custo total quanto do markup desejado.
Lembrando que, no nosso exemplo, o markup era sobre o custo total (neste caso o custo econômico,
que inclui custo total do produto mais despesas totais – o markup neste caso cobriria os lucros
desejados), porém, podemos ter o markup sobre custos variáveis (custos e despesas variáveis –
comum em comércio – o markup neste caso cobriria os custos e despesas fixos e mais o lucro
desejado), o markup sobre o custo total puro (apenas os custos e não as despesas – neste caso, o
markup cobriria as despesas totais mais o lucro desejado) e outros tipos.
Entretanto, não é apenas o custo que deve determinar o preço de venda. O preço é um
instrumento estratégico para a empresa na relação com seu ambiente, portanto, outras variáveis
devem ser observadas.
Preço baseado na elasticidade da demanda
Se lembrarmos da lei geral da oferta e demanda, temos que quanto maior o preço de um
bem, menor a quantidade demandada deste bem. Desta maneira a elasticidade da preço da demanda
pd
) diz respeito a variação percentual na quantidade demandada causada pela variação percentual
no preço de um determinado bem. A seguinte fórmula nos permite calcular a elasticidade da
demanda em determinado ponto da curva para um determinado bem[ 5 ]:
𝑝𝑑
%Δ Q
%Δ P
ou
𝑝𝑑
Δ Q
Δ P
P
Qd
, sendo que para
E=1 temos demanda unitária;
E > 1 temos a demanda elástica e
E < 1 temos a demanda inelástica.
Como a elasticidade pode ser diferente para cada ponto, recomenda-se calculá-la como um
termo médio da variação dos pontos (elasticidade arco)[ 5 ] assim, a seguinte fórmula será mais
apropriada para o nosso uso:
𝑝𝑑
o preço dos concorrentes, a ameaça de substitutos, a estratégia de posicionamento da empresa,
dentre outros.
Martins, E. (2006). Contabilidade de Custos (9 ed.). São Paulo: Atlas.
Neves, S., & Paulo, E. V. (2009). Contabilidade Básica (14ª ed.). São Paulo: Frase Editora.