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Doenca Foliar Milho, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

doenca foliar

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 03/10/2011

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Comunicado
Técnico
48
ISSN 1679-0162
Dezembro, 2002
Sete Lagoas, MG
CULTIVO DO MILHO
Doenças Foliares
Carlos Roberto Casela1
Alexandre da Silva Ferreira
Fernando Tavares Fernandes
Nicésio F.J. de Almeida Pinto
1 Eng. Agr., PhD, Embrapa Milho e Sorgo. Caixa Postal 151 CEP 35 701-970 Sete Lagoas, MG.
A cultura do milho está sujeita à ocorrência de
várias doenças que podem afetar a produção,
a qualidade, a palatabilidade e o valor
nutritivo dos grãos e da forragem. Dentre as
doenças que ocorrem na cultura do milho,
merecem destaque, pela sua importância:
Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e
C. sorghi f. sp. maydis)
Importância e Distribuição: Essa doença foi
observada inicialmente no Sudoeste do estado
de Goiás, em Rio Verde, Montividiu, Jataí e
Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente,
está presente em praticamente todas as áreas
de plantio de milho no Centro Sul do Brasil e
ocorre com alta severidade em cultivares
suscetíveis, podendo as perdas serem
superiores a 80%.
Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por
manchas de coloração cinza, retangulares a
irregulares, com as lesões desenvolvendo-se
paralelas às nervuras. Pode ocorrer
acamamento, em ataques mais severos da
doença (Figura 1).
Figura 1. Cercosporiose do milho.
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Comunicado

Técnico

ISSN 1679- Dezembro, 2002 Sete Lagoas, MG

CULTIVO DO MILHO

Doenças Foliares

Carlos Roberto Casela^1

Alexandre da Silva Ferreira

Fernando Tavares Fernandes

Nicésio F.J. de Almeida Pinto

(^1) Eng. Agr., PhD, Embrapa Milho e Sorgo. Caixa Postal 151 CEP 35 701-970 Sete Lagoas, MG. E-mail: [email protected]

A cultura do milho está sujeita à ocorrência de várias doenças que podem afetar a produção, a qualidade, a palatabilidade e o valor nutritivo dos grãos e da forragem. Dentre as doenças que ocorrem na cultura do milho, merecem destaque, pela sua importância:

Cercosporiose ( Cercospora zeae-maydis e

C. sorghi f. sp. maydis )

Importância e Distribuição: Essa doença foi observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás, em Rio Verde, Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente, está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no Centro Sul do Brasil e ocorre com alta severidade em cultivares suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%.

Sintomas: Os sintomas caracterizam-se por manchas de coloração cinza, retangulares a irregulares, com as lesões desenvolvendo-se paralelas às nervuras. Pode ocorrer acamamento, em ataques mais severos da doença (Figura 1).

Figura 1. Cercosporiose do milho.

Epidemiologia: A disseminação ocorre através de esporos e restos de cultura levados pelo vento e respingos de chuva. Os restos de cultura são, portanto, fonte local e fonte para outra áreas.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Evitar a permanência de restos da cultura de milho em áreas em que a doença ocorreu com alta severidade, para reduzir o potencial de inóculo. Realizar rotação com culturas como soja, sorgo, girassol, algodão e outras, uma vez que o milho é o único hospedeiro da Cercospora zeae-maydis. Para evitar o aumento do potencial de inóculo da Cercospora zeae-maydis, deve-se evitar o plantio de milho após milho. Plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época de plantio. Realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas, para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas de milho, favoráveis ao desenvolvimento desse patógeno, principalmente a relação nitrogênio/potássio. Para que essas medidas sejam eficientes, recomenda-se a sua aplicação regional (em macrorregiões), para evitar que a doença volte a se manifestar a partir de inóculo trazido pelo vento de lavouras vizinhas infectadas.

Mancha de phaeosphaeria ( Phaeosphaeria

maydis )

Importância e Distribuição: A doença apresenta ampla distribuição no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores a 60% em determinadas situações.

Sintomas: As lesões iniciais apresentam um aspecto de encharcamento (anasarca), tornando-se necróticas, com coloração palha de formato circular, a oval, com 0,3 a 2 cm de diâmetro. Há coalescência de lesões em ataques mais severos (Figura 2).

Epidemiologia: Alta precipitação, alta umidade relativa (>60%) e baixas temperaturas noturnas em torno de 14ºC são favoráveis à doença. Plantios tardios favorecem a doença. Há o envolvimento da bactéria Pantoeae ananas nas fases iniciais da doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes. Plantios realizados mais cedo reduzem a severidade da doença. O uso da prática da rotação de culturas contribui para a redução do potencial de inóculo.

Ferrugem Polissora ( Puccinia polysora

Underw. )

Importância e Distribuição Geográfica: No Brasil, foram já determinados danos de 44,6%, à produção de milho pelas ferrugens branca e polissora, sendo a maior parte atribuída à P. polysora e parte à Physopella zeae. A doença está distribuída por toda a região Centro-Oeste, Noroeste de Minas Gerais, São Paulo e parte do Paraná. Sintomas: Pústulas circulares a ovais, marron- claras, distribuídas na face superior das folhas e com muito menor abundância na face inferior da folha (Figura 3).

Figura 2. Mancha de phaeosphaeria.

Figura 3. Ferrugem polissora. Epidemiologia: A ocorrência da doença depende da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700m.

Epidemiologia: O patógeno sobrevive em folhas e colmos infectados. A disseminação ocorre pelo transporte de conídios pelo vento, a longas distâncias. Temperaturas moderadas (18-270ºC) são favoráveis à doença, bem como a presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim sudão, o sorgo de halepo e o teosinto.

Manejo da Doença: O controle da doença é feito através do plantio de cultivares com resistência genética. A rotação de culturas é também uma prática recomendada para o manejo dessa doença.

Helmintosporiose ( Bipolaris maydis )

Importância e Distribuição: Essa doença encontra-se bem distribuída no Brasil, porém com severidade baixa a média.

Sintomas: A Raça 0 produz lesões alongadas, delimitadas pelas nervuras, com margens castanhas, com forma e tamanho variáveis. O patógeno ataca apenas as folhas. A Raça T produz lesões de coloração marrom, de formato elíptico, margens amareladas ou cloróticas (Figura 7).

Mancha Foliar de Diplodia ( Diplodia

macrospora )

Importância e Distribuição: Essa doença está presente nos Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso e na região Sul do país. Apesar de amplamente distribuída, tem ocorrido com baixa severidade até o momento. Sintomas: As lesões são alongadas, grandes, semelhantes às de H. turcicum. Diferem desta por apresentarem, em algum local da lesão, pequeno círculo visível contra a luz (ponto de infecção). Podem alcançar até 10 cm de comprimento (Figura 8).

Figura 7. Helmintosporiose causada por Bipolaris maydis.

Epidemiologia: A sobrevivência ocorre em restos culturais infectados e grãos. Os conídios são transportados pelo vento e por respingos de chuva. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 22 a 30ºC. A doença é favorecida por alta umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de seca e dias de muito sol entre dias chuvosos é desfavorável à doença.

Manejo da Doença: Plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.

Figura 8. Mancha foliar de diplodia. Epidemiologia: A disseminação ocorre através dos esporos e os restos de cultura levados pelo vento e por respingos de chuva. Os restos de cultura são fonte local e fonte de disseminação da doença para outra áreas. Manejo da doença: plantio de cultivares resistentes e rotação de culturas.

Antracnose do Milho ( Colletotrichum

graminicola )

Importância e Distribuição: O aumento dessa doença está associado ao cultivo mínimo e ao plantio direto e também pela não utilização da rotação de cultura. A doença está presente nos estados de GO, MG, MT, MS, SP, PR e SC. Sintomas: Na fase foliar, a doença caracteriza- se pela presença de lesões de formas variadas, sendo, às vezes, difícil o seu diagnóstico. Nas nervuras, é comum a presença de lesões elípticas com frutificações (acérvulos do patógeno) (Figura 9). Epidemiologia: A taxa de aumento da doença é função da quantidade inicial de inóculo presente nos restos de cultura, o que indica a

Comitê de Publicações

Presidente: Ivan Cruz Secretário-Executivo: Frederico Ozanan Machado Durães Membros: Silva, Carlos Roberto Casela, Fernando Tavares Fernandes e Antônio Carlos de Oliveira, Arnaldo Ferreira da Paulo Afonso Viana

Expediente Supervisor editorial: Revisão de texto: Dilermando Lúcio de Oliveira^ José Heitor Vasconcellos Editoração eletrôncia: Tânia Mara Assunção Barbosa

Comunicado Técnico, 48

Exemplares desta edição podem ser adquiridos na: Embrapa Milho e Sorgo Caixa Postal 151 CEP 35701-970 Sete Lagoas, MG Fone: 0xx31 3779 1000 Fax: 0xx31 3779 1088 E-mail: [email protected]

1ª edição 1ª impressão (2002) Tiragem: 200

importância do plantio direto e plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Outro fator a influir na quantidade de doença é a taxa de reprodução do patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça do patógeno presente.

Manejo da doença: Plantio de cultivares resistentes. A rotação de cultura é essencial para a redução do potencial de inóculo presente nos restos de cultura.

Figura 9. Antracnose foliar.

Literatura Consultada

BERGQUIST, R. R.; MASIAS, O. R. Physiologic specialization in Trichometasphaeria turcica f. sp. zeae and T. turcica f. sp. sorghi in Hawaii. Phytopathology , St. Paul, v. 64, p. 645-649,

LATTERELL, F. M.; ROSSI, A. E. Gray leaf spot of corn: a disease on the move. Plant Disease , St. Paul, v. 67, p. 842-847, 1983. ROBERT, A. L. Host ranges and races of the corn rusts. Phytopathology , St. Paul, v. 52, p. 1010-1012, 1962.

SHURTLEFF, M. C. Compendium of corn disease .2.ed. St. Paul: American Phytopathological Society, 1986. 105p.

WARD, J. M. J.; STROMBERG, E. L.;

NOWELL, D. C.; NUTTER JR., F. W. Gray leaf spot: a disease of global importance in maize production. Plant Disease , St. Paul, v. 83, p. 884-895, 1999.

WARREN, H. L.; NICHOLSON, R. L. Kernel

infection, seedling blight and wilt of maize

caused by Colletotrichum graminicola.

Phytopathology , St. Paul, v. 65, p. 620-