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Doencas do Milho e Sorgo, Notas de estudo de Agronomia

Doencas do Milho e Sorgo.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 17/06/2010

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE AGRONOMIA "ELISEU MACIEL"
DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE
DISCIPLINA DE FITOPATOLOGIA
DOENÇAS DO MILHO E SORGO
1
Ronei de Almeida Douglas
O Milho é cultivado em quase todos os países do mundo. É uma das
culturas que oferece maior produção, quando cultivada com técnicas eficientes.
O milho está constituído por uma só espécie, Zea mays L., todas as
cultivares estão incluídas nesta espécie e não se conhece formas silvestres.
Existe cultivares botânicas ou espécies de Z. mays L., como o milho tunicado, Z.
mays var. tunicata; o amiláceo, Z. mays var. amylacea; o doce, Z. mays var.
saccharata; o duro, Z. mays var. indurata; o pipoca, Z. mays var. everta e o
dentado, Z. mays var. indentata.
O sorgo por sua vez é uma cultura que responde bem aos tratos
culturais que lhe são feitos, no entanto exige o uso de técnicas mais produtivas.
Existem vários tipos de sorgo que são classificados de acordo com o
aproveitamento da planta. Assim temos:
Sorgos forrageiros - São os que produzem grandes quantidades de
massa verde muito apreciada pelos animais, sendo também, bons produtores de
grãos;
Sorgos forrageiros sacarinos – Tem as mesmas qualidades do sorgo
forrageiro além de possuírem açúcar, o que torna seu sabor adocicado;
Sorgos industriais Tipo de sorgo que produz poucas folhas e
sementes. Sua panícula é formada de fibras longas que são usadas para fazer
vassouras.
Tanto o milho como o sorgo são suscetíveis a um grande número de
microrganismos patogênicos que contribuem para baixar sua produção. A
literatura cita inúmeras doenças que podem ser causadas por fungos, bactérias,
vírus, nematóides, etc.
A maior ou menor importância das diferentes doenças está
relacionada com a freqüência que ocorrem como também pelos danos causados.
_________________________
1
Professor Adjunto, FAEM-UFPel, Departamento de Fitossanidade. 2002.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

FACULDADE DE AGRONOMIA "ELISEU MACIEL"

DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE

DISCIPLINA DE FITOPATOLOGIA

DOENÇAS DO MILHO E SORGO

Ronei de Almeida Douglas O Milho é cultivado em quase todos os países do mundo. É uma das culturas que oferece maior produção, quando cultivada com técnicas eficientes. O milho está constituído por uma só espécie, Zea mays L., todas as cultivares estão incluídas nesta espécie e não se conhece formas silvestres. Existe cultivares botânicas ou espécies de Z. mays L., como o milho tunicado, Z. mays var. tunicata ; o amiláceo, Z. mays var. amylacea ; o doce, Z. mays var. saccharata ; o duro, Z. mays var. indurata ; o pipoca, Z. mays var. everta e o dentado, Z. mays var. i ndentata. O sorgo por sua vez é uma cultura que responde bem aos tratos culturais que lhe são feitos, no entanto exige o uso de técnicas mais produtivas. Existem vários tipos de sorgo que são classificados de acordo com o aproveitamento da planta. Assim temos: Sorgos forrageiros - São os que produzem grandes quantidades de massa verde muito apreciada pelos animais, sendo também, bons produtores de grãos; Sorgos forrageiros sacarinos – Tem as mesmas qualidades do sorgo forrageiro além de possuírem açúcar, o que torna seu sabor adocicado; Sorgos industriais – Tipo de sorgo que produz poucas folhas e sementes. Sua panícula é formada de fibras longas que são usadas para fazer vassouras. Tanto o milho como o sorgo são suscetíveis a um grande número de microrganismos patogênicos que contribuem para baixar sua produção. A literatura cita inúmeras doenças que podem ser causadas por fungos, bactérias, vírus, nematóides, etc. A maior ou menor importância das diferentes doenças está relacionada com a freqüência que ocorrem como também pelos danos causados.


1 Professor Adjunto, FAEM-UFPel, Departamento de Fitossanidade. 2002.

Ronei de Almeida Douglas 2

MANCHA DA FOLHA

GENERALIDADES: O fungo causador desta doença foi

descrito pela primeira vez, na Itália, por Passerini, em 1876. Doença também conhecida pelos nomes de “Leaf Blight”, “Northern Leaf Blight”, “Tizon de la Hoja” e “Helmintosporiose”. É encontrada em quase todas as áreas úmidas onde se cultiva sorgo e milho. Sob condições favoráveis ocasionalmente, pode tornar-se severa. A doença varia em sua prevalência e severidade de ano para ano e de zona para zona porque depende em grande parte, das condições ambientais. Em regiões altamente favoráveis para o crescimento e reprodução do fungo, este já pode estabelecer-se sobre plântulas. A doença ataca folhas, caules e sementes sendo mais característico no primeiro. Quanto mais tarde o aparecimento da doença menor será o prejuízo causado. Adimite-se que a redução no rendimento depende da severidade e sobre tudo do momento em que se estabelece a infecção. Se as condições forem favoráveis ao fungo (alta umidade e temperatura entre 18 e 27°C) e se o cultivar utilizado não possuir nível de resistência satisfatório, o dano econômico pode ser bastante significativo.

SINTOMATOLOGIA: O fungo pode causar podridões em

sementes e crestamento de plântulas, especialmente em solos frios e excessivamente úmidos (o patógeno pode ser carregado pela semente e também sobreviver no solo como saprófita em resíduos culturais). Plântulas infectadas podem morrer ou desenvolver plantas atrofiadas. Nas folhas de plântulas infectadas desenvolvem-se manchas pequenas púrpuras avermelhadas ou amareladas que sob condições favoráveis aumentam de tamanho, coalescem e matam as folhas. Nos tecidos mortos de plantas velhas formam-se manchas grandes elípticas, de coloração amarelada. Geralmente o fungo ataca primeiro as folhas inferiores da planta, progredindo a doença para cima a medida que aumenta a sua severidade. Em áreas úmidas e quentes ocorre abundante esporulação dando a lesão uma coloração escura e facilitando a rápida disseminação do agente pelo vento e chuva. Sob prolongada umidade sobre a inflorescência pode desenvolver- se um mofo preto. Quando a doença coincide com a época de floração sérios prejuízos podem ocorrer na produção.

AGENTE CAUSAL: O Agente causal é Exserohilum turcicum

(Pass.) Leonard & Suggs (sinonímia Helminthosporium turcicum Pass.), fungo da ordem Moniliales e família Dematiaceae que apresenta o micélio claro ou escuro, conidióforos simples ou ramificados, longos, oliváceos, com 2 a 4 septos, medindo 7 a 9 x 150 a 250 μm, que emergem em grupos de 2 a 6 através dos estômatos e

Ronei de Almeida Douglas 4 secundário, pois ocorria somente a raça O do fungo não tão destrutiva, mas com o aparecimento da raça T do fungo a doença assumiu características gravíssimas limitando completamente a produção de certas cultivares de milho portadoras de germoplasma Texas macho estéril. Doença também conhecida pelos nomes de “Southern Corn Leaf Blight”, “Tizon Foliar Sereno” e “Helmintosporiose”. É doença de ocorrência mundial. Em sorgo tem sido relatada apenas na índia e no Sudão. As condições favoráveis ao desenvolvimento da doença são alta umidade e temperatura entre 20 e 32°C.

SINTOMATOLOGIA: A raça O ataca somente folhas

produzindo lesões de coloração amarelo pálido com bordos marrons. A raça T ataca folhas, caules e espigas. Nas folhas as manchas são em forma de fuso ou elípticas de coloração amarelada com bordo marrom avermelhado. Um mofo preto pode cobrir sementes e espigas infectadas. Plântulas de sementes infectadas (raça T) podem murchar e morrer no espaço de 3 a 4 semanas após o plantio. Na palha e colmo os primeiros sintomas são lesões cinzento escuro circulares de aspecto aquoso que podem aumentar rapidamente.

AGENTE CAUSAL: Esta doença tem como agente causal o

fungo Bipolaris maydis (Nisik.) Shoemaker (sinonímia Helminthosporium maydis Nisikado & Myiabe). Os conidióforos são grandes 120 a 170 μm, e curvados. Os conídios são verde oliva com 10 a 17 x 30 a 115 μm, curvos, afilados em direção as extremidades, possuem 3 a 13 septos e germinam por tubos germinativos polares, o hilo não é proeminente. Os esporos podem ser obtidos colocando-se os tecidos infectados em câmara úmida durante 24 a 48 horas, tomando-se o cuidado de não saturar os tecidos. A esporulação ocorre entre 15 a 30°C, com ótimo a cerca de 23°C. Fig. 4. B. maydis Conídios e conidióforos

Doenças do Milho e Sorgo 5 A sua forma sexual foi descrita, em 1925, com o nome de Ophiobolus heterostrophus Drechsler. Mais tarde, em 1934 foi designado como Cochliobolus heterostrophus Drechsler. O fungo pertence ao filo Ascomycota, cujos peritécios desenvolvem-se em tecidos desintegrados.

CICLO DA DOENÇA:

Fig. 6. Ciclo da doença Fig. 5. Sintoma de Bipolaris maydis em espiga (raça T)

sementes infectadas não germinam ou produzem plantas muito fracas. A podridão do caule é notada mais fácilmente depois da polinização. Na superfície do caule pode-se observar em primeiro lugar umas manchas descoloridas e quando se corta, o caule longitudinalmente, internamente, a medula apresenta-se desintegrada e com coloração café ou negra, sem que no entanto, haja desintegração do tecido vascular. Depois de algum tempo também podem apresentar-se nos internódios inferiores infectados da planta os pequenos corpos frutíferos de coloração negra. Estes encontram-se incrustados no colmo (picnídios subepidérmicos).

AGENTE CAUSAL: A doença é causada pelo fungo Diplodia

zeae (Schw.) Lev. (sinonímia Diplodia maydis (Berk.) Sacc.). O fungo produz picnídios globosos ou em forma de frasco contendo esporos de coloração oliva a marrom, elípticos, bicelulares, retos ou ligeiramente curvos, com 5 a 6 x 25 a 30 μm. A fase sexual deste fungo não é conhecida. O milho é o único hospedeiro deste fungo. Ronei de Almeida Douglas 8 Fig. 7. Sintoma externo no colmo Fig. 9. Sintoma interno no colmo Fig. 8. Sintoma na espiga Fig. 10. D. Maydis Picnídio com conídios

CICLO DA DOENÇA: O fungo penetra na planta através

estômatos ou ferimentos. Passa de um ano para outro em caules velhos e outras partes da planta, como pequenos corpos frutíferos, de cor negra (picnídio). Sua disseminação é feita através da chuva, vento, sementes e provavelmente insetos. Temperaturas de 28 a 30°C, excesso de N, falta de K e injúrias causadas por insetos favorecem o aparecimento da doença. Tempo úmido 2 a 3 semanas após a emergência das plântulas favorecem a podridão do colmo.

CONTROLE: Por ocasião da colheita reunir as espigas podres

e destruí-las pelo fogo, destruição dos restos de cultura, uso de cultivares resistentes, densidade de plantio adequada e adubação equilibrada.

PODRIDÃO ROSADA

GENERALIDADES: Doença semelhante a podridão de

Diplodia. É também conhecida pelos nomes de “Podridão Rosada da Espiga”, “Giberela Blight of Corn” e “Fusariose”.

SINTOMATOLOGIA: A doença ataca folhas, caules e

espigas sendo mais comum nos dois últimos. Nas folhas as lesões são encharcadas principalmente em folhas enroladas ao caule. Mais tarde estas lesões ficam de coloração branca semelhante a uma folha de papel com bordos marrons. No caule aparecem pequenas pontuações superficiais de coloração negra, que correspondem, aos corpos frutíferos do fungo (peritécios). Muitas vezes ao cortarmos o caule longitudinalmente, se distingue claramente uma zona podre de coloração vermelho a rosa. Nas espigas quando do ataque de Fusarium ocorre descoloração dos grãos com tonalidade branca a rosa. Esta coloração aparece sobre os grãos dispersos na espiga. Quando se trata de Gibberella há formação de um mofo avermelhado a rosado que progride da ponta para a base da espiga. Em infecções mais severas pode haver podridão total da espiga. Muitos grãos infectados com estes fungos não apresentam sintomas externos. A doença ocorre principalmente, após a polinização, quando esta fase é antecedida por período seco e seguida de períodos chuvosos.

AGENTE CAUSAL: os agentes causais são duas espécies do

gênero Gibberela. Giberella moniliforme Wineland (sinonímia Gibberella fujikuroi (Sawada) Wall) cujos peritécios são lisos, globosos e de coloração preto azulado. As ascas são oblongas, com 75 a 100 x 10 a 16 μm de dimensão contendo 8 ascosporos que são retos, afilando para a ponta, com 1 septo, medindo 4,5 a 7,0 x 12 a 17 μm e arranjados em 2 filas irregulares e Gibberella zeae (Schw.) Petch. Doenças do Milho e Sorgo 9

Ronei de Almeida Douglas 10

CICLO DA DOENÇA: os fungos passam de um ano para

outro em caules velhos, outras partes da planta e solo na forma de conídios, peritécios ou micélio. A penetração pode ocorrer diretamente, por ferimentos ou estômatos e a disseminação é feita através da chuva, vento e sementes. Doença favorecida por verões quentes, úmidos e temperaturas superiores a 25°C.

CONTROLE: Ver Podridão de Diplodia.

FERRUGEM

GENERALIDADES: Esta doença ocorre em muitas áreas,

onde o milho e sorgo são cultivados. Embora frequentemente difundida e abundante, a doença não torna-se usualmente prejudicial até a cultura chegar a maturação. Doença também conhecida em inglês pelo nome de “Rust”.

SINTOMATOLOGIA: Esta doença caracteriza-se pela

produção de pústulas alongadas a ovais, de cor castanha ferruginosa, em ambas as faces das folhas. As pústulas terminam por se romperem, liberando grandes quantidades de pó da mesma cor (uredosporos), que são os órgãos de propagação da doença. Numa fase mais adiantada de crescimento, nos mesmos locais, surgem pústulas negras, com formação de um segundo tipo de esporos (teleutosporos) maiores e negros. Doenças do Milho e Sorgo 11 Fig. 16. Gibberella moniliforme e Fusarium moniliforme Fig. 15. Gibberella zeae e Fusariumn roseum f. sp. cerealis

AGENTE CAUSAL: O causador desta doença em milho é o

fungo Puccinia sorghi cujos uredosporos são de formato esférico a elipsóide, de coloração canela, com superfície moderadamente equinulada, medindo de 21 a 30 x 24 a 33 μm e os teleutosporos bicelulares de coloração marrom-escura medindo 14 a 25 x 28 a 46 μm. Já em sorgo o agente é o fungo Puccinia purpurea que forma uredosporos unicelulares medindo 30 a 42 x 22 a 30 μm, pedicelados, amarelo-avermelhados, ovais a elípticos. Os teleutosporos medindo 40 a 60 x 25 a 32 μm, bicelulares, lisos, retangulares a elípticos, marrom-escuros, de pedicelo persistente, hialinos a amarelos-tintos. Ronei de Almeida Douglas 12 Fig. 17. Sintoma em folha Fig. 18. Estágio de Aécio em Oxalis sp. Fig. 17. Sintoma em folha Fig. 18. Puccinia purpúrea Teleutosporos e uredosporos Fig. 1 9. Puccinia sorghi Uredosporos e teleutosporos

teliósporos germinam, dando origem ao basídio, do qual se originam os basidiósporos hialinos e fusiformes.

CICLO DA DOENÇA:

Ronei de Almeida Douglas 14 Fig. 20. Sintomas na espiga Fig. 21. Teliósporos germinando

CONTROLE: Cultivares resistentes, Evitar doses excessivas de

N, evitar injúrias por tratos culturais e rotação.

MÍLDIO

GENERALIDADES: O míldio é de ampla distribuição

geográfica e tem causado sérios prejuízos em muitos países, afetando milho e sorgo. O agente causador desta doença foi mencionado pela primeira vez por Butler, na Índia, em 1907. Sua constatação no Brasil ocorreu, oficialmente em 1974, em Ribeirão Preto, São Paulo, por Richard A. Frederiksen. Embora anteriormente a doença já tinha sido constatada no Brasil. Talvez pela pouca expressão econômica na época, e ou pelo desconhecimento de sua importância, não tenha sido registrada. Doença também conhecida pelo nome de “Downy Mildew”.

SINTOMATOLOGIA: Tanto no milho como no sorgo podem

ocorrer duas formas de infecção: sistêmica e localizada. O tipo de infecção varia de acordo com o genótipo e o ambiente. A forma sistêmica geralmente ocorre logo após a emergência das plantas. Na forma sistêmica, sobre o sorgo, o primeiro sintoma é o aparecimento de listras ou riscas de coloração branca (Fig. 23). Mais tarde estas listras ou riscas vão ficando cloróticas (Fig. 24). Estas últimas, em condições de alta umidade, cobrem-se por uma camada esbranquiçada (zoosporângios e zoosporângióforos) (Fig. 25). Com a formação dos oosporos e sua disposição ao longo das nervuras, aparecem estrias marrons nas áreas cloróticas (Fig. 26), o tecido internerval torna-se necrótico e as folhas se rasgam, adquirindo a planta um aspecto típico (Fig. 27, 28). Plantas infectadas sistemicamente tornam-se enfezadas e podem morrer prematuramente (Fig. 29). Aquelas que sobrevivem são estéreis. Quando a infecção sistêmica ocorre após o estágio de seedling pode ocorrer floração mas, a produção é bastante reduzida. A infecção localizada, geralmente ocorre em plantas na metade de seu estágio de desenvolvimento e é caracterizada pelo aparecimento de númerosas manchas necróticas no formato de listra ou risca de coloração marrom avermelhada (Fig. 30). Esta infecção é comum a milho e sorgo. Doenças do Milho e Sorgo 15 Fig. 23. Fig. 24. Fig.25.

AGENTE CAUSAL: O agente causador desta doença é

Peronosclerospora sorghi (Weston & Uppal) C. G. Shaw. O patógeno é da classe dos Oomycetes, ordem Sclerosporales e Família Sclerosporaceae. Os zoosporangióforos são hialinos, eretos, ramificados dicotomicamente, com 180 a 300 μm de comprimento. Os zoosporângios, hialinos, ovais a esféricos. O patógeno também pode produzir oósporos hialinos e esferéricos medindo 25 a 49 μm. A infecção pode se dar de duas maneiras: a partir de oósporos que sobrevivem no solo e infectam sistemicamente as folhas de seedlings suscetíveis, ou a partir de zoosporângios, capazes de infectar folhas já desenvolvidas. O patógeno sobrevive de um ano para outro em sementes, solo e restos de cultura na forma de oósporo ou micélio. Umidade relativa alta e temperaturas abaixo de 20 C favorecem a doença. Doenças do Milho e Sorgo 17 Fig. 34. Fig. 35. Fig. 31. Fig. 32.

CICLO DA DOENÇA:

Ronei de Almeida Douglas 18 Fig. 36. Peronosclerospora sorghi Detalhes dos zoosporângios Fig. 35. Peronosclerospora sorghi Zoosporangióforo e zoosporângios

folhas. As manchas são porém, mais escuras ou marrons. Ao evoluir, elas apresentam-se alongadas no sentido das fibras do colmo, estendendo-se por vários centímetros. Em caso de ataques violentos, o colmo da planta chega a ficar totalmente envolvido pela mancha antracnose. O fungo interfere com o movimento de água e materiais nutritivos necessários para a planta. Isto resulta em um desenvolvimento pobre da planta e semente. A podridão do caule pode vir depois de um período de seca, calor extremo, ou outras condições que debilitam a planta.

AGENTE CAUSAL: A doença é causada pelo fungo

Colletotrichum graminicola (Cesati) G.W. Wils. Os acérvulos produzidos no hospedeiro são circulares a ovais, hialinos e de coloração marrom escuro. Os conidióforos são eretos, hialinos, não-septados e curtos, medindo 1,6 a 3,3 x 4.9 a 13,3 μm. Conídios com 4,9 a 5,2 x 26,1 a 30,8 μm de dimensão, formando-se terminalmente nos conidióforos entre as setas. São hialinos, não-septados e falciformes quando maduros. A fase perfeita corresponde a Glomerella graminicola (Cesati) G. W. Wilson), cujos peritécios raramente são encontrados na natureza. As ascas são cilíndricas a clavadas e tem um poro no ápice. Os ascosporos medindo 5 a 8 x 18 a 26 μm são hialinos, unicelulares, curvos e afilados nos pólos. Ronei de Almeida Douglas 20 Fig. 41. Colletotrichum graminicola Acérvulo e conídios em detalhe Fig. 30. Sintoma na folha Fig. 38. Sintoma na folha

CICLO DA DOENÇA: O fungo passa de uma estação para

outra como saprófita em restos de cultura e sementes (podendo sobreviver até 2 anos quando são armazenadas em condições ambientais e 3 anos ou mais, quando armazenadas em baixas temperaturas) na forma de esporos e micélios. Os esporos dos restos de cultura desintegrados são transportados pelo vento ou pingos da chuva para as folhas. Quanto a penetração, esta, ocorre diretamente através da epiderme ou estômatos. Outras gramíneas hospedeiras podem servir como fonte primário de inóculo. Esporos produzidos em plantas doentes fornecem inóculo secundário. A doença é favorecida por altas temperaturas 25 - 30 C e, desenvolve-se melhor em tecidos velhos, embora plântulas possam ser infectadas. Água é necessário para a dispersão e germinação dos esporos. A doença é também favorecida por injúrias no caule, ou raízes causadas por implementos agrícolas, insetos, ventos, granizo, ou outros agentes que ocasionam ferimentos para a entrada de fungos.

CONTROLE: Cultivares resistentes, utilização de sementes

sadias, rotação de culturas, eliminação de plantas hospedeiras, enterrio dos restôlhos, fertilização balanceada e tratamento de sementes com produtos à base de captan ou thiram (200g/100 Kg).

OUTRAS DOENÇAS

MANCHA PARDA OU MARROM - Physoderma maydis (Miyabe)

Miyabe

A primeira publicação, sobre esta doença, foi feita por Shaw em 1912, quando relatou sua ocorrência na Índia. A doença ataca folhas, bainhas, espigas, e também o colmo, mas é raramente observada sobre palhas e espigas. A primeira evidência é o aparecimento de lesões mais ou menos circulares, pequenas de coloração amarela que imediatamente tornam-se escuras, e finalmente marrons. As manchas no meio das nervuras, bainhas e colmos são similares as da folha. Os zoosporângios de Physoderma são lisos, de coloração marrom, achatados em um dos lados, endóbióticos, holocárpicos e operculados. A germinação ocorre somente em presença de luz, um zoosporângio libera 20 a 50 zoosporos. A doença somente ocorre em milho. Doenças do Milho e Sorgo 21